Universidade federal da grande dourados


NÚMERO DE VAGAS DO CURSO E NÚMERO DE ALUNOS POR TURMA



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2.7 NÚMERO DE VAGAS DO CURSO E NÚMERO DE ALUNOS POR TURMA



60 vagas. O ingresso se dá com 60 vagas por turma. Depois do Bloco I, composto por 05 componentes curriculares, o Curso desdobra-se em 04 habilitações específicas que constituem o Núcleo Específico, quais sejam: 1) Linguagens [Língua Guarani, Língua Portuguesa, Estudos do Lazer, Artes, Corporeidades e Estudos da Mídia]; 2) Ciências Sociais [História, Geografia, Antropologia]; 3) Matemática e 4) Ciências da Natureza. As vagas para cada uma dessas áreas específicas são de, no mínimo, 10 alunos e no máximo 15 alunos para cada habilitação do Bloco II.

2.8 TURNOS DE FUNCIONAMENTO


O Tempo Universitário (TU), realizado no campus da UFGD e no Pólo, caracteriza-se por etapas intensivas, presenciais, curtas e longas, coletivas, realizadas em turno integral, ou seja, todos os dias da semana, de segunda a segunda, computando 10h/a por dia.

O Tempo Comunidade (TU) é previamente agendado com os alunos e o docente se deslocará para a aldeia orientando uma parte desse tempo ou no máximo 15h/a. No Tempo Intermediário (TI) o próprio aluno organiza seu tempo de estudo na aldeia totalizando 120 h/a no semestre.


2.9 LOCAL DE FUNCIONAMENTO

Para a realização das etapas presenciais intensivas e coletivas longas e curtas, as atividades acontecem preferencialmente nos Campus da UFGD. As etapas comunidade e intermediária são realizados principalmente nas aldeias onde os cursistas residem.



2.10 FORMA DE INGRESSO
Processo Seletivo Vestibular específico e diferenciado.
2.10.1. Critérios de inscrição

  1. Ser Guarani e/ou Kaiowá, comprovado através de documento de identidade da FUNAI e/ou declaração da etnia emitida pela liderança indígena de sua comunidade;

  2. Ser professor ou gestor em exercício na escola indígena, comprovado através de documento;

  3. Ter ensino médio completo, comprovado através de documento.



2.10.2. Processo de seleção para ingresso no curso


  • Prova escrita de proficiência na língua Guarani (considerando suas variações);

  • Redação de um texto em Português;

  • Entrevista em Guarani;

  • Prova escrita de conhecimentos gerais sobre Ciências Sociais, Fundamentos de Educação, Legislação, Matemática, Ciências da Natureza e questões referentes à realidade indígena.

      1. Comissão de Seleção

A Comissão de Seleção será responsável pelo processo avaliativo para o ingresso do inscrito no curso nos seguintes quesitos: definir o edital, elaborar as provas, organizar as perguntas e entrevistar o candidato, corrigir e pontuar cada candidato.

Composição da Comissão: A Comissão será composta por profissionais das instituições parceiras ou outros profissionais, tendo como requisito básico, mas não único, ter conhecimento e desenvolvido trabalhos com as questões indígenas. O domínio da língua Guarani é obrigatório pelo menos a um dos membros desta Comissão.

2.11 PÚBLICO ALVO

O Curso beneficia professores indígenas Guarani e Kaiowá em exercício de docência ou de gestão nas escolas de suas comunidades,, no Mato Grosso do Sul. Casos de indígenas Guarani e Kaiowá que estejam sem vínculo empregatício devem ser analisados pela UFGD, assim como a opção de abrir uma porcentagem das vagas para indígenas do mesmo tronco lingüístico habitantes no país ou no exterior.


3. CONCEPÇÃO DO CURSO

3.1. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICO-METODOLÓGICA


O currículo do Curso de Licenciatura Indígena explicita suas intenções, proporciona orientações para a ação dos docentes e demais envolvidos, considerando as condições em que o processo educativo escolar se desenvolve. Por isso, o currículo deve ser flexível e dinâmico, condições indispensáveis para garantir a coerência da proposta global, segundo referenciais já explicitados na justificativa deste documento. O Curso, no âmbito do currículo, refere-se à cultura como sendo constitutiva do processo de desenvolvimento da aprendizagem. Constitui-se num processo integrado às práticas vivenciadas pelos Guarani e Kaiowá, as quais se baseiam em três grandes fontes: teko (cultura), tekoha (território) e ñe’ë (língua), que são os eixos fundamentais pelos quais se articularam os conteúdos e a metodologia do curso.
Tekoha. Território: “É o lugar em que vivemos segundo nossos costumes”. É um espaço físico apropriado e transformado mediante a cultura do grupo, de seus conhecimentos e tecnologias. É o lugar (ha) onde se realiza o teko. Ou seja, “sem tekoha não há teko”. Por isso hoje, a destruição dos tekoha, produzida pela perda da terra, inviabiliza a vivência cultural, religiosa e social, fazendo todo o sistema guarani (teko) entrar em crise, colocando em risco a própria sobrevivência do grupo, principalmente porque sem terra não há condições de exercer a economia de reciprocidade (teko joja), característica do sistema de cooperação da família extensa, unidade básica da organização social dos Guarani e Kaiowá. Do ponto de vista curricular, este eixo trata de todas as questões referentes ao território em seus aspectos de uso e apropriação, de sustentabilidade, de biodiversidade, de legislação, além dos aspectos culturais e históricos e sua relação com a sobrevivência física e cultural das futuras gerações.
Teko. Cultura: A produção e reprodução da sociedade Guarani e Kaiowá se articula e se concretiza a partir do teko, que é o conjunto de valores e práticas que definem a identidade coletiva desse povo. Teko é “o modo de ser”, “modo de estar”, “sistema”, “lei”, “cultura”, “norma”, “comportamento”, “hábito”, “condição”, “costume”, dos quais a espiritualidade é componente indissociável. Resumindo, é tudo aquilo que se refere ao modo de ser e de viver dos Guarani e Kaiowá, articulado num sistema por eles denominado ñande reko. Sendo entendida como revitalizadora e dinamizadora da identidade dos Guarani e Kaiowá e como “patrimônio cultural da humanidade”, a cultura é um ponto de partida para o estabelecimento do processo educativo intercultural, estimulando o entendimento e o respeito entre os seres humanos de diferentes sociedades, num contexto de pluralidade cultural. A cultura é entendida, também, como referencial didático-metodológico, cujos parâmetros pedagógicos tradicionais, e ainda atuais, são a experiência de vida, o exemplo, o aconselhamento e a escuta, o acompanhamento dos mais velhos aos mais novos, o mutirão (trabalho de grupo), a divisão de atividades segundo o sexo e a idade, a repetição, a criação, o respeito às manifestações da natureza, o respeito à liberdade pessoal, a tolerância, a paciência, a não-violência, a fidelidade ao modo de ser religioso (teko marangatu) e o domínio das regras do bem falar. Tradicionalmente, os Guarani e Kaiowá educavam-se através destes referenciais. A partir do surgimento de agentes e instituições especializadas em educação, essa situação se altera. Hoje, o desafio que se coloca é uma proposta que concilie esses dois sistemas pedagógicos - comunidade educativa indígena e instituição escola (Meliá, 1979).
Ñe’ë. Língua: Mais do que um sistema de comunicação, a língua étnica para os Guarani e Kaiowá, é considerada “a alma espiritual que se manifesta através do falar e toma seu assento na pessoa” (Meliá et al, (1979:248). Segundo este autor (1979), “a valorização e o prestígio dos Guarani e Kaiowá (...) é medido pelo grau de perfeição do seu dizer”. É a palavra, divinamente inspirada, o eixo propriamente dito que define o “logos” do teko, e através da qual tudo se manifesta e se concretiza. Portanto, além de ser aceita como elemento de coesão étnica deste povo, é tratada como instrumento de produção e reprodução do conhecimento e dos valores da sociedade Guarani Kaiowá e, principalmente, para a educação das gerações mais novas, também em sua representação escrita, garantindo, assim, a efetivação da comunicação em todas as suas modalidades, entre seus pares e com a sociedade não-indígena.
Considerando estes pressupostos e a sua peculiaridade, este curso apóia-se nos seguintes PRINCÍPIOS EPISTEMOLÓGICOS E METODOLÓGICOS, assim sistematizados:


  1. Da produção do conhecimento, que implica em criar condições favoráveis para desenvolver o processo de descoberta, pesquisa, criação e apropriação de conhecimentos, de forma sistematizada, refletindo sobre o processo cultural de sua comunidade, do seu povo e da sociedade envolvente.

  2. Da totalidade, que aborda o ser humano em todas as suas dimensões de vida – social, política, cultural, familiar, religiosa, biológica, econômica – enfocando a pessoa na sua relação com o outro, com a natureza e com as dimensões espiritual e mitológica. Este princípio se traduz através de uma abordagem inter e transdisciplinar.

  3. Da interculturalidade, que articula conhecimentos e valores sócio-culturais distintos, de forma seletiva, crítica e reflexiva, sem hierarquia de valores.

  4. Da especificidade indígena, que parte das necessidades, interesses, aspirações, forma de vida, cosmovisão, língua, etc., de cada comunidade Guarani/Kaiowá. Este curso deve constituir-se num processo que se vincula a um movimento social mais amplo no coletivo das comunidades indígenas, cujos conhecimentos sejam integrados às práticas vividas, ao invés de ser imposto como algo estranho às experiências e desejos do grupo. Para suprir esta necessidade, é assegurada, também, durante o curso, a participação efetiva de caciques/ “rezadores” Guarani e Kaiowá (mestres tradicionais/ñanderu) os quais garantem a orientação de questões próprias da cultura tradicional, sob seu ponto de vista.

  5. Da autonomia, que implica na participação indígena em todas as fases do processo, respeitando e valorizando a organização social desta sociedade.

  6. Do bilingüismo/competências lingüísticas, que considera a língua étnica no mesmo patamar de prestígio da língua nacional, em todas as suas modalidades, garantindo a efetivação da comunicação e da produção de conhecimentos, não só entre seus pares, como também com a sociedade não-indígena.

A tradução destes princípios sinaliza as seguintes DIRETRIZES OPERACIONAIS:




    1. O processo de formação acontece a partir de práticas concretas combinado com um acompanhamento pedagógico planejado e avaliado. O ensino deve partir da realidade econômica, política, cultural e social vivida pela sociedade Guarani e Kaiowá, em geral, e por suas comunidades, em particular. O processo de formação está articulado a um projeto educacional maior que objetiva atender suas demandas coletivas e voltadas para a superação de seus problemas interno-históricos e atuais.

  1. A história Guarani e Kaiowá, com suas contradições e conflitos, a trajetória de vida de cada pessoa é parte integrante do processo educativo. O coletivo de professores, assessores e acadêmicos deve levar em consideração estes aspectos, buscando sempre a ação-reflexão-ação, num processo de educação que privilegie as ações coletivas. As ações individuais devem levar em conta o respeito pelo outro e as decisões do coletivo.

  2. O planejamento deve ser assumido como uma atitude necessária à prática educacional e política, considerando a necessária flexibilidade curricular decorrente da avaliação contínua do próprio curso e das urgências emanadas das comunidades Guarani e Kaiowá.

  3. Além dos eixos propostos que permeiam todos os conteúdos, o curso utiliza recursos de etnografia, etnologia, lingüística e didático-pedagógicos, entre outros, nesta mesma perspectiva.

  4. A crítica e autocrítica, como mecanismos para avaliar os comportamentos que refletem e interferem no coletivo, devem ser estimuladas e exercitadas como um instrumento pedagógico importante para a transformação da consciência e para o exercício da cidadania.

  5. A avaliação deve globalizar os diferentes aspectos da vida escolar do aluno e do curso como um todo, inclusive do corpo docente, buscando superar as dificuldades, limitações e desafios que surgem no decorrer do processo.

  6. A perspectiva globalizadora, portanto, que orienta esta proposta, deve estar presente nas práticas significativas, constituindo um currículo sob a forma potencial: um currículo que vai sendo construído coletivamente na relação teoria-prática, na intenção de todos os participantes do processo e na incorporação da experiência profissional e de vida dos estudantes/professores/mestres tradicionais, no decorrer de todo curso, cujas alterações são aprovadas pelas instâncias competentes.

Assim, as atividades curriculares teórico-práticas têm como princípios metodológicos a interculturalidade e a transversalidade dos eixos propostos, os conhecimentos e competências antropológicas e pedagógicas, que possibilitam novas atitudes epistemológicas frente aos conteúdos trabalhados, permeando cada área, temática, ou componente curricular, no Núcleo I/Núcleo Comum e no Específico. Desta forma, o curso oferece experiências em situações de integração, participação, discussões, debates, seminários, oficinas, dramatizações e a utilização de recursos de multimídia e de informática nas atividades curriculares. Contempla a realização de memoriais e sistematizações, agregando conhecimentos já produzidos por pesquisadores indígenas e não-indígenas sobre as diversas temáticas, a realização de novas pesquisas pelos acadêmicos e a elaboração e execução de projetos alternativos para o contexto Guarani e Kaiowá.


O conhecimento trabalhado deve ser socializado não só entre os acadêmicos, mas também no âmbito da Universidade e das próprias comunidades indígenas. A relação teoria-prática, no âmbito da metodologia do curso, baseia-se na concepção de que a competência profissional se adquire ‘em situação’, ou seja, as aulas teóricas complementam o saber fazer, a reflexão sobre o próprio trabalho e o agir em condições únicas, e quase sempre agir no coletivo, cooperando entre si.
Esta metodologia refletir-se-á, ao longo do curso, nas práticas de docência e gestão, através do estágio supervisionado, das pesquisas e laboratórios com vistas a:

  1. Produção de materiais didático-pedagógicos, literários e científicos, específicos para o contexto Guarani e Kaiowá;

  2. Produção de projetos de sustentabilidade ou para melhoria e conservação ambiental;

  3. Reflexão do modelo de escola das comunidades indígenas Guarani e Kaiowá, para produção de alternativas escolares;

  4. Outras.

A informática, bem como outras tecnologias, será utilizada como instrumentos de apoio necessários para alcançar com êxito os objetivos do projeto.






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