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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA – UNESP


Ano 2005
DEPARTAMENTO DE MORFOLOGIA - DISCIPLINA DE HISTOLOGIA E EMBRIOLOGIA

Prof.a Lizeti Toledo de Oliveira Ramalho

O corpo humano possui 1014 células. Todas elas contém o mesmo DNA.

Entre as células organizadas em epitélio, há mais de 200 tipos celulares diferentes.

TECIDOS EPITELIAIS


CONCEITO:

Revestem as superfícies externas e internas do corpo. Típicamente consistem de grupos cooperativos de células muito próximas umas das outras com pouca substância intercelular, o glicocálix, fina camada formada por glicoproteinas. É um tecido avascular, embora suas funções dependam de estreito relacionamento com vasos sangüíneos; portanto, é um tecido conjuntivo dependente e separa-se do mesmo por uma estrutura acelular denominada membrana basal. Embora os epitélios não tenham vasos, são inervados, recebendo terminações nervosas livres que, às vezes, formam uma rica rede intraepitelial.

Os tecidos epiteliais são divididos em dois grandes grupos: Tecido epitelial de revestimento e tecido epitelial glandular.

 ORIGEM EMBRIOLÓGICA:


Provem dos três folhetos germinativos:

Ectoderma (pele e cavidades naturais: boca, anus, fossas nasais).

Endoderma (tubo digestivo e árvore respiratória).

Mesoderma (endotélio, rim e gônadas).


 FUNÇÕES:


Revestimento das superfícies (epiderme e epitélio do ovário).

Revestimento e absorção (epitélio do intestino).

Secreção (várias glândulas.

Sensorial (neuroepitélios).


 CARACTERÍSTICAS GERAIS:


Embora os tecidos epiteliais apresentem morfologia e funções variadas, no entanto, tem algumas características básicas em comum:

 1 - Forma das células:

Pavimentosas ou planas (epitélio pavimentoso da córnea, alvéolos pulmonares).

Cúbicas (ovário).

Cilíndricas ou prismáticas (intestino).

Nas células epiteliais a forma do núcleo está relacionada geralmente com a forma da célula. Assim nas células cúbicas, os núcleos são esféricos; nas células pavimentosas e prismáticas os núcleos são elípticos.

Os epitélios estratificados são designados de acordo com a forma das células da camada superficial.

 2 - Lâmina basal: Separa o epitélio do tecido conjuntivo, mas permite a a difusão de substâncias do conjuntivo para o epitélio e vice-versa. Tem 20 a 100 nm de espessura é formada principalmente por uma associação de fibras colágenas tipo IV a complexos de polissacarídeos, as proteoglicanas e uma glicoproteína chamada laminina.

Alguns epitélios apresentam abaixo da lâmina basal um acúmulo de fibras reticulares e complexos de proteínas e glicoproteínas evidenciada pelo método do PAS ou pela impregnação argêntea. A associação de lâmina basal a essa estrutura denomina-se membrana basal.

 3 - Coesão entre as células: As células epiteliais apresentam uma intensa adesão mútua e, para separá-las, são necessárias forças mecânicas relativamente grandes. Essa adesão varia com o tipo epitelial mas é desenvolvida principalmente nos epitélios sujeitos a fortes trações, como no caso da pele. Esta adesão é devida a vários fatores: glicocálix; desmossomos; complexo unitivo; junções comunicantes. O íon cálcio também é importante para a manutenção da coesão entre as células. As junções comunicantes ou tipo fenda formam canais que atravessam as duas membranas plasmáticas formando uma passagem estreita que permite o movimento de íons inorgânicos e pequenas moléculas solúveis em água (peso molecular de até 1000 dáltons). isso cria um acoplamento elétrico e metabólico entre as células.

 4 - Polaridade das células: A maioria das células epiteliais, conforme observamos a porção do citoplasma que está localizado acima ou abaixo do núcleo apresentam estruturas diferentes relacionada com as diversas funções da célula. Convencionou-se chamar polo basal da célula aquela porção voltada para lâmina basal e polo apical a porção que está em direção oposta.

 5 - Especialização de membrana celular:

Microvilos: relacionados com a função de absorção (intestino).

Cílios: estruturas móveis e alongadas apresentando movimentos de um lado para outro, geralmente coordenado, provocando uma corrente de fluído em uma só direção (traquéia).

Estereocílios: estruturas constituídas por longos microvilos, algumas vezes se ramificando e que não são móveis (revestimento do epidídimo e do canal deferente).

 CLASSIFICAÇÃO DOS EPITÉLIOS:


De acordo com sua estrutura e função os tecidos epiteliais são comumente classificados em epitélios de revestimento e glandulares ou secretores.

EPITÉLIO DE REVESTIMENTO - é dividido de acordo com:

 Número de camadas celulares:

Epitélio Simples - constituído por uma camada de células.

Epitélio Estratificado - constituído em mais de uma camada de células.

Existem outros epitélios que não se enquadram na classificação acima. São os epitélios pseudoestratificados, que na realidade são constituídos por uma só camada de células de várias alturas com núcleos situados em diferentes níveis (vias respiratórias), e o epitélio de transição; neste epitélio, o número de camadas e a forma das células superficiais variam conforme o estado funcional do órgão, isto é, distendido ou não (revestimento interno da bexiga).

 Forma das células: Segundo a forma das células da superfície livre: pavimentosas, cúbicas e prismáticas. Exemplo de epitélio simples: pavimentoso (endotélio); cúbico (ovário); prismático (intestino). Exemplo de epitélio estratificado: pavimentoso (pele, boca); prismático (conjuntiva do olho); transição (bexiga).

Os epitélios estratificados são mais resistentes aos impactos mecânicos do que os epitélios simples. Distingue-se dois tipos: epitélio estratificado queratinizado (pele) e epitélio estratificado não queratinizado (bochecha).

Fazem parte também dos epitélios de revestimento os neuroepitélios, encontrados nos órgãos da audição, olfação e da gustação. São células epiteliais com função sensorial.

Encontram-se em algumas glândulas (sudoríparas, salivares e mamarias) células de origem epitelial denominadas células mioepiteliais que assumem funções de contração.

NÃO QUERATINÓCITOS

Célula de Merkel: É uma célula epidermica modificada, localizada no estrato basal. Tem contato com as células epidérmicas vizinhas através dos desmosomas. Contém numerosos grânulos pequenos e densos, que se acredita estejam relacionados com os grânulos ricos em catecolaminas do tecido nervoso. A base da célula de Merkel está em contato com terminações de uma fibra nervosa formando um receptor especial que funciona como mecanoreceptor.

Célula de Langerhans: Localizada no estrato espinhoso, a célula de Langerhans possui longos prolongamentos e desempenha um papel importante na resposta imunológica. Ela apresenta os antígenos aos linfócitos T e participa do desencadeamentos das respostas de hipersensibilidade por contato cutâneo (dermatite alérgica por contato). São derivadas do mesênquima e estão incluídas no grupo de células do sistema imune.

Melanócitos: Produzem melanina, estão localizadas no estrato basal. Contém grânulos de melanina em vários estágios de amadurecimento. Produzem a melanina por um processo que implica a transformação da Tirosina em 3,4-diidroxifenilalanina (DOPA), pela enzima tirosinase e subsequente transformação da DOPA em melanina. Os melanosomas maduros são transferidos para as células epiteliais através da passagem pelos prolongamentos dendríticos. Este tipo de transferência célula a célula é chamado de secreção citócrina. Nos indíviduosde raça branca a melanina é degradada por atividade lisossômica das células epiteliais. Na pele dos indivíduos de raça negra, a melanina é mais estável.

 RENOVAÇÃO DOS TECIDOS EPITELIAIS:


A maioria dos epitélios apresentam um ciclo de vida limitado. Esse ciclo é conseqüência direta da função. Ocorre pois uma renovação constante dessas células graças a uma atividade mitótica contínua. A velocidade dessa renovação é variável. Ex.: o epitélio de revestimento intestinal se renova cada 2 - 3 dias enquanto que o das glândulas salivares e do pâncreas leva mais de dois meses para se renovar.

A vida depende desses processos de renovação. Uma grande dose de radiação ionizante impede a continuidade porque bloqueia a divisão celular.



Comunicação celular: Cada tipo de célula é especializada e sensível aos sinais do ambiente, os fatores de crescimento de outras células ajustam a proliferação e as propriedades inerentes a cada célula, e a sobrevivência celular depende de tais sinais. As comunicações celulares asseguram que sejam oroduzidas novas células somente quando e onde elas são necessárias.

 Ligações homofílicas: Adesão seletiva entre células do mesmo tipo, pelo fato de diferentes células possuirem diferentes moléculas de caderina e outras moléculas de adesão na membrana plasmática.

 Memória celular: Preserva a diversidade dos tipos celulares.

 METAPLASIA:


Em determinadas condições patológicas, certas células podem sofrer alterações e dar origem a um novo tipo de tecido. Esse processo se chama metaplasia, é uma alteração reversível. Exemplos: O epitélio pseudoestratificado da traquéia e dos brônquios, em fumantes crônicos, pode ser substituído por epitélio estratificado pavimentoso.

O epitélio dos brônquios, o epitélio de transição da bexiga, em casos de carência de vitamina A, são substituídos por epitélios estratificados pavimentosos queratinizados.


 EPITÉLIO GLANDULAR:

Formado por células altamente especializadas que se caracterizam pela síntese e eliminação do produto de secreção, com importância funcional para o organismo. Esta secreção é constituída de um fluído contendo substâncias como muco, enzimas ou hormônios.

O conjunto de células secretoras de uma glândula é conhecido como parênquima. As glândulas são envolvidas por um tecido conjuntivo (cápsula) que emite septos, dividindo-se em lobos que, na maioria, são subdivididos em unidades menores (lóbulos). Vasos sangüíneos e nervos penetram na glândula através dos septos conjuntivos fornecendo nutrição e estímulo nervoso para as funções glandulares. Este tecido conjuntivo que forma o arcabouço das glândulas e sustenta as células secretoras é chamado de estroma.

As glândulas originam-se sempre dos epitélios de revestimento, pela proliferação de suas células e invaginação no tecido conjuntivo subjacente e posterior diferenciação.

Podem ser classificadas de acordo com vários critérios:

 Quanto ao número de células:

Glândulas unicelulares (glândulas caliciformes do intestino e árvore respiratória)

Glândulas multicelulares celulares (glândulas salivares)

 Quanto ao modo de secreção:

Exócrinas - o produto de secreção é eliminado sobre uma superfície epitelial livre através de ductos

Endócrinas - o produto de secreção é lançado diretamente na corrente sangüínea

Existem órgãos que apresentam ao mesmo tempo funções exócrinas e endócrinas. Ex.: células hepáticas que secretam a bile num sistema de ductos e simultaneamente secreções endócrinas na corrente sangüínea. No pâncreas existem grupos de células especializadas com função endócrina (células que formam as ilhotas de Langerhans) e que ficam distribuídas entre as células acinares exócrinas, que secretam enzimas digestivas.

 Quanto a natureza do produto de secreção:

Proteínas (pâncreas)

Lipídeos (adrenal e glândulas sebáceas)

Complexos de carboidratos e proteínas (glândulas salivares)



     De acordo com a maneira pela qual o produto de secreção sai das células:

Merócrinas: somente o produto de secreção é eliminado (glândulas salivares, pâncreas).

Holócrinas: toda a célula se destaca da glândula levando consigo o seu produto de secreção (glândula sebácea).

Apócrinas: parte do citoplasma é eliminado junto com o produto de secreção (glândulas mamárias e algumas glândulas sudoríparas).

GLÂNDULAS EXÓCRINAS: Nessas glândulas geralmente se distingue duas partes: a porção secretora e o ducto excretor que transporta o produto de secreção para o exterior da glândula.

Nas glândulas exócrinas pluricelulares a porção secretora pode se apresentar sob a forma de tubos alongados (tubulosas) ou apresentam o aspecto bagos de uva (acinosas). Os ácinos de luz muito amplas são denominados de alvéolos. Por outro lado, a associação destes aspectos da porção secretora forma as glândulas tubuloacinosas e as túbulo- alveolares. A parte secretora das glândulas podem ser ramificadas ou não.

Quando as glândulas apresentam um único ducto que não se divide, trata-se de uma glândula simples e quando os ductos se dividem, a glândula é chamada composta.

Adenômero: É a unidade secretora (histofuncional) da glândula. É constituída de: porção secretora, ducto intercalar, ducto estriado e ducto excretor.

GLÂNDULAS ENDÓCRINAS: As glândulas endócrinas não possuem ductos excretores. De acordo com o arranjo das células epiteliais, são classificadas em dois tipos:

Cordonal: suas células se dispõem em cordões maciços que se anastomosam entre si e ficam separados por capilares sangüíneos dilatados, que recolhem os produtos elaborados pela glândula. Ex.: adrenal, hipófise e paratireóide.

Vesicular: suas células se agrupam formando vesículas, constituídas por uma só camada de células limitando um espaço onde a secreção se acumula. Ex.: tireóide.

 BIBLIOGRAFIA:

Histologia Básica – Junqueira & Carneiro. Ed. Guanabara Koogan. Nona edição. ISBN 85-277-0516-8. 1999.

Histologia, texto e atlas – Michael H. Ross e Lynn J. Romrell. Editorial médica Panamericana. Segunda edição ISBN 85-303-0024-6. 1993.

http://acd.ufrj.br/LabImgBio/banco.html



http://www.usc.edu/hsc/dental/ghisto/index-topics.html

http://www.teaching.anhb.uwa.edu.au/#course

Fundamentos de biologia celular – Bruce Alberts et allii. Ed. Artmed.ISBN 85-7307-494-9. 1999.



http://www.biomania.com.br






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