Ufpb-prg XII encontro de Iniciação à Docência 6ccsdormt01-o variaçÕes topográficas da mucosa bucal



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UFPB-PRG XII Encontro de Iniciação à Docência



6CCSDORMT01-O

VARIAÇÕES TOPOGRÁFICAS DA MUCOSA BUCAL

Renan Sorrentino Cabral Batista; Nadabia Almeida; Rossana Seixas Maia da Silva

Centro de Ciências da Sauúde/Departamento de Odontologia Restauradora/M0NITORIA

INTRODUÇÃO

Membranas mucosas são estruturas que forram superfícies úmidas de cavidades do corpo, que se comunicam com o meio externo. Constituída pela associação de epitélio mais tecido conjuntivo. A cavidade bucal é revestida pela membrana mucosa bucal ou simplesmente, mucosa bucal. Esta mucosa apresenta características estruturais diferentes, dependendo da região considerada. Isto ocorre porque esta mucosa se adapta frente às agressões funcionais, as modificações evolutivas e também sofre modificações reversíveis em resposta a função e ao uso. Em diferentes partes da boca, a mucosa possui diferentes papéis e experimenta diferentes graus e tipos de tensão. Como consequência, a estrutura da mucosa bucal varia em termos da espessura do epitélio, do grau de ceratinização, da presença ou ausência de lâmina própria. A mucosa do trato alimentar é especializada em cada região, mas o padrão básico, epitélio estratificado e lâmina própria adjacente, são mantidos em todo o seu trajeto. As especializações presentes na mucosa permitem que ela exerça diversas funções: Proteger contra forças mecânicas e de cisalhamento; proteção contra microorganismos, toxinas e antígenos; defesa imunológica humoral e mediada por células; lubrificação e tamponamento. A mucosa bucal pode ser classificada em três tipos: Mucosa mastigatória, de revestimento e especializada. A mucosa mastigatória é encontrada onde existe alta compressão e fricção e é caracterizado por um epitélio estratificado queratinizado ou paraqueratinizado e uma lâmina própria espessa. Ela recobre o palato duro e a superfície bucal da gengiva. A mucosa de revestimento não esta sujeita a altos níveis de fricção, devem ser móveis e distensíveis, apresenta um epitélio estratificado não queratinizado e lâmina própria delgada. Recobre a mucosa das bochechas, lábios, alvéolos, região dentogengival, assoalho da boca, superfície ventral da língua e palato mole. A mucosa especializada esta presente no dorso da língua.

 

Palavras –Chaves:Descritores: Mucosa bucal, Cavidade oral, Histologia


DESCRIÇÃO

A mucosa bucal é formada por um epitélio do tipo estratificado pavimentoso; uma membrana basal, que delimita o epitélio do tecido conjuntivo; uma lâmina própria, tecido conjuntivo subepitelial; uma camada submucosa, quando a mucosa é separada do osso por uma camada de tecido conjuntivo frouxo, ou adiposo ou glandular, com vasos sanguíneos calibrosos e nervos; ou um mucoperiósteo, quando a mucosa se liga diretamente ao osso.

A mucosa bucal é classificada em mucosa de revestimento, mucosa mastigatória, ou mucosa especializada. A mucosa de revestimento encontra-se forrando as paredes da cavidade oral sem sofrer diretamente os impactos mastigatórios: mucosa dos lábios, bochechas, soalho da boca, mucosa alveolar, superfície ventral da língua, vestíbulo e palato mole. A mucosa mastigatória é aquela que sofre diretamente os impactos da mastigação: gengiva e palato duro. A mucosa especializada encontra-se revestindo o dorso da língua, que é áspera e com rugosidades de forma variável e papilas linguais.

O lábio possui a pele em sua superfície externa e a mucosa labial na sua superfície interna. Entre estas se localiza a zona vermelha ou de transição do lábio. A região externa um epitélio estratificado pavimentoso, queratinizado de espessura moderada, cujas papilas conjuntivas são escassas e baixas. No conjuntivo notam-se muitas glândulas sebáceas em conexão com os folículos pilosos e entre eles há glândulas sudoríparas. Na zona de transição entre a pele que recobre a porção externa do lábio e a mucosa propriamente dita que recobre a superfície interna o epitélio é fino do tipo estratificado pavimentoso queratinizado. Pode-se observar o sangue da lâmina própria, através das porções delgadas do epitélio translúcido, devido à grande vascularização do tecido conjuntivo (lamina própria) próximo ao epitélio. O tecido conjuntivo adjacente não contém glândulas, daí ser necessário umedecer os lábios freqüentemente com a língua, para evitar o ressecamento. A porção interna é revestida por mucosa cujo epitélio mais espesso, é estratificado não queratinizado, a lâmina própria é formada por tecido conjuntivo frouxo, com fibras colágenas e elásticas. A submucosa é ampla e nela encontram-se glândulas de secreção mista e células adiposas. Entre as superfícies interna e externa observam-se as fibras do Músculo orbicular do lábio.  

Na região das bochechas, ou mucosa jugal, o epitélio é estratificado pavimentoso não queratinizado. Papilas conjuntivas rasas e escassas; a lâmina própria de tecido conjuntivo frouxo apresenta fibras colágenas, além do grande predomínio de fibras elásticas. Cordões de tecido conjuntivo denso estão presentes na submucosa ampla onde se encontra tecido adiposo e glândulas mistas. Abaixo da mucosa temos o Músculo bucinador.

O soalho da boca apresenta uma mucosa delgada, epitélio estratificado pavimentoso não queratinizado, lâmina própria de tecido conjuntivo com fibras colágenas e elásticas, presença de submucosa ampla contendo tecido adiposo e as glândulas sublinguais. A mucosa está frouxamente ligada à aponeurose muscular.

A superfície ventral da língua apresenta uma mucosa delgada com epitélio estratificado pavimentoso não queratinizado, lâmina própria rica em fibras elásticas e colágenas, as papilas conjuntivas são curtas e numerosas. Possui uma submucosa delgada, e de difícil identificação, unindo firmemente a mucosa ao tecido conjuntivo que envolve os feixes dos músculos da língua.

O palato mole apresenta um epitélio do tipo estratificado pavimentoso não queratinizado, possui, além da Lâmina própria, uma camada distinta de fibras elásticas que separa a lâmina própria da submucosa. A submucosa é formada de tecido conjuntivo, relativamente frouxo com as glândulas salivares do tipo mucoso. A mucosa está firmemente aderida aos planos profundos através das fibras colágenas.  

O palato duro é caracterizado por um epitélio pavimentoso estratificado queratinizado ou paraqueratinizado, papilas conjuntivas numerosas, profundas e ramificadas, lâmina própria rica de fibras colágenas e ausência de fibras elásticas. Apresenta uma união firme e imóvel da mucosa (lamina própria) ao periósteo, denominando-se mucoperiósteo. A submucosa está presente apenas nas regiões laterais do palato: região anterolateral (zona adiposa), onde a submucosa é predominantemente constituída de tecido adiposo, e região posterolateral (zona glandular) onde a submucosa é predominantemente constituída por tecido glandular do tipo mucoso.

A gengiva pode ser dividida topograficamente em gengiva marginal ou livre e em gengiva aderida ou inserida.

A gengiva marginal apresenta duas vertentes: vertente marginal, voltada para a cavidade bucal e vertente dentária voltada para o dente. Podemos na vertente dentária considerar duas regiões: uma que forma a parede do sulco gengival e outra ligada ao dente, que forma o epitélio juncional. A vertente marginal apresenta um epitélio pavimentoso estratificado queratinizado ou paraqueratinizado, a lâmina própria apresenta papilas conjuntivas pouco numerosas, baixas e espessas; as fibras colágenas presentes formam feixes que se dirigem em várias direções, denominadas no seu conjuntivo por grupamento gengival. As células do tecido conjuntivo presentes são os fibroblastos em sua maioria, podendo estar presentes mastócitos, linfócitos, macrófagos e plasmócitos. A vertente dentária no epitélio da parede do sulco gengival não apresenta ceratinização e os espaços intercelulares são amplos, promovendo alta permeabilidade a diferentes substâncias quer do sulco para o tecido conjuntivo subjacente ou vice-versa. É freqüente neste epitélio a presença de células sangüíneas infiltradas (neutrófilos), ele não apresenta papilas conjuntivas. O epitélio juncional é responsável pelo íntimo contato (aderência epitelial) com a superfície dentária, formado por algumas camadas de células (2 a 30 camadas), apresenta espessura variável. Exceto na camada basal, as células são achatadas e paralelas a superfície dental. 

A gengiva inserida é firme, resistente e fortemente inserida ao periósteo do osso alveolar, através de fibras colágenas. O epitélio é estratificado pavimentoso queratinizado ou paraqueratinizado, a lâmina própria apresenta altas papilas conjuntivas, elevando o epitélio cuja superfície é granulada semelhante à casca de uma laranja. Não possui submucosa, sendo a lâmina própria inserida diretamente no osso alveolar.

A superfície dorsal da língua apresenta uma mucosa especializada, encontra-se formações denominadas papilas linguais, que são envaginações do tecido conjuntivo (lamina própria) para o tecido epitelial elevando-o acima da sua superfície, conferindo aspereza e rugosidades ao dorso da língua. As papilas são classificadas em filiformes, fungiformes e circunvaladas.

As papilas filiformes, as mais abundantes, são constituídas por epitélio estratificado que termina de forma afilada, sendo que as células superficiais são queratinizadas, a lâmina própria acompanha a forma do epitélio. As papilas filiformes não tem corpúsculos gustativos.

As papilas fungiformes estão espalhadas entre as filiformes, mas são mais abundantes na ponta da língua. Possuem um epitélio estratificado pavimentoso não queratinizado, apresentando corpúsculos gustativos em suas paredes laterais.

As papilas circunvaladas formam o V lingual, em número de 8 a 12, são revestidas por epitélio pavimentoso estratificado e estão rodeadas por um sulco circular bastante profundo. No fundo deste sulco desembocam as glândulas salivares menores de Von Ebner. Nas paredes laterais de cada papila caliciforme, ocupando toda a espessura do epitélio existem os corpúsculos gustativos.


METODOLOGIA

A metodologia utilizada para este trabalho foi baseada em fotografias das lâminas histológicas da mucosa oral preparadas no Laboratório de Histologia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). A primeira etapa de todo o processo de preparação de uma lâmina histológica consiste em coletar a amostra, ou seja, obtê-la a partir de um ser vivo que neste caso foi um camundongo. Em seguida, o material coletado foi imerso rapidamente no fixador, sofrendo a etapa de fixação que tem por objetivos conferir estabilidade, resistência, proteção e facilitar a subsequente coloração. A seguir, ocorre o processo de desidratação para remover o conteúdo de água impregnado, imergindo-se o bloco de tecido em concentrações crescentes de álcool etílico. A próxima foi a diafanização para permitir que as substâncias semelhantes à parafina usadas na inclusão não se misturam com o álcool e consiste na infiltração do tecido por um solvente da parafina (xilol, neste caso) que seja ao mesmo tempo desalcolizante. A seguir, o material sofreu a inclusão (ou impregnação) que tem por finalidade eliminar completamente o xilol e a total penetração da parafina nos vazios deixados pela água e gordura. O tecido é passado em duas trocas de parafina para assegurar a substituição de todo o agente clarificador a uma temperatura de 56 a 60 ºC (parafina fundida). Posteriormente serão retirado da estufa e deixados à temperatura ambiente até que a parafina endureça para ser conduzido ao corte que com o micrótomo, separando em cortes delgados o suficiente para permitirem a passagem da luz através deles, sendo a colagem do corte à lâmina feita estirando–se suas fitas

cuidadosamente sobre esta. Depois o material foi corado, já que a coloração é de importância fundamental em histologia, pois os tecidos não tratados têm pouca diferenciação óptica e os corantes utilizados foram a hematoxilina, que comporta-se como um corante básico e, portanto, cora o núcleo de modo basófilo (roxo) e a eosina que é um corante ácido e cora os elementos básicos da proteína do citoplama de maneira acidófila (rosa). O corte é, então, passado através de concentrações crescentes de álcool para remover, a água e antes de ser montado, o corte foi banhado no Bálsamo do Canadá. Finalmente, a lamínula foi posicionada e delicadamente comprimida sobre a lâmina permitindo que esta seja visualizada ao microscópio óptico e fotografada com o auxílio de uma máquina fotográfica digital.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante do exposto, conclui-se que a diferenciação das varias regiões da cavidade bucal pode ser facilmente verificada através do conhecimento mais aprofundado de sua histologia e de uma observação mais minuciosa, buscando-se características que são particulares de cada região. Assim, pode-se dizer que os objetivos do presente estudo de apresentar as variações topográficas da mucosa bucal foram alcançados através desta revisão bibliográfica, funcionando como um dos mecanismos facilitadores do ensino-aprendizagem.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Atlas de Histologia UNIFESP: Mucosa Bucal. Disponível em:< http://www.foar.unesp.br /Atlas/Mucosa_Bucal.html >. Acessado em 21 de fevereiro de 2009

Atlas de Histologia Virtual. Disponível em:< http://www.foar.unesp.br /Atlas/Res_periodonto_de_protecao.htm >. Acessado em 21 de fevereiro de 2009

COMARCK, D. H., Fundamentos de Histologia, 2ª edição, Guanabara Koogan, Rio de Janeiro – RJ, 2003.

DI FIORI, M. S. H. - Atlas de Histologia - 1ª edição, Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro- RJ, 1984.

GARTNER, L. P. E HIATT, J. L., Atlas Colorido de Histologia, 4ª edição, Guanabara Koogan, Rio de Janeiro-RJ, 2007.

JUNQUEIRA, L. C. E CARNEIRO, J., Histologia Básica, 10ª edição,Guanabara Koogan, Rio de Janeiro- RJ, 2004.

KATCHBURIAN, E. , ARANA, V. Histologia e embriologia oral: texto, atlas, correlaçöes clínicas - 2ª edição, Panamericana, São Paulo; 2004.

ROSS, M. H., ROMRELL, L. J. – Histologia: Texto e Atlas – 2ª edição, Editora Panamericana, São Paulo-SP, 1993

SILVA, R. S. M. – Pequeno Atlas de Fotomicrografias Histológicas – 1ª edição, Editora Universitária, João Pessoa-PB, 2002.



SOBOTTA, J. et al - Atlas de Histologia - Citologia, Histologia e Anatomia microscópica humana, 5ª edição, Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro-RJ, 1999.


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1) Bolsista, (2) Voluntário/colaborador, (3) Orientador/Coordenador, (4) Prof. colaborador, (5) Técnico colaborador.


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