Textos Amostrados – Folha de São Paulo (1994)



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Porque nós precisaremos de muita gente para mudar o Brasil. O Brasil é muito grande e essa mudança depende, depende muito de que a informação seja transmitida corretamente.

Finalizo, mais uma vez, felicitando os recém eleitos governadores de Estado e dizendo que eu tenho a certeza de que juntos nós vamos realmente conseguir levar os planos adiante.

Isso só será possível porque o governo Itamar Franco tomou decisões sérias de enfrentar alguns dos mais difíceis desafios do Brasil e isso facilita a tarefa do presidente eleito. Muito obrigado.


- 24 de fevereiro: (863 palavras)

E além disso tudo sou dono de um par de pés que estou pensando em destacar do resto de meu corpo e enviar ao hospital local para uma recauchutagem. Todo mundo sabe que Viena é a capital do mundo da valsa. Mas o que eu descobri, pela dura experiência, é que nem todas as vienenses são necessariamente grandes valsistas.

Em lugar de sujar seus sapatos formais de baile no chão novo construído especialmente para esse fim, ela gastou toda sua energia dançando diretamente em cima dos sapatos de dança do tio Dave. Os subsequentes gritos de dor e as caretas feitas pelo velho professor de danças Dave foram interpretadas, pelos festeiros vienenses, como sinal de prazer puro e simples.

O ponteiro do relógio indica nove horas e as portas se abrem para sete mil pessoas vestindo fraques e vestidos longos de baile. Elas chegam em táxis, limusines e carruagens puxadas por cavalos.

Tio Dave e sua Jénnifer austríaca vêm de um coquetel realizado no último, o hotel mais grandioso de Viena. Minha amiga, que sempre se considerou princesa de nascimento, sentiu-se lisonjeada mas foi obrigada a confessar que deixara sua pequena coroa em casa.

Estamos dentro do salão e o baile está prestes a começar. Milhares de casais vestindo, gravatas borboleta brancas e vestidos longos, vaporosos e brilhantes, estão ansiosos para começar a rodopiar em ritmo de três por quatro, em velocidade máxima.

Mais tarde teus pés vão te matar, mas neste exato momento teu coração está saltitante de alegria.

Os austríacos possuem um senso inato de sátira que faria um carioca como Millôr Fernandes começar a estudar tudo outra vez, desde o início.

Este senhor se tornou uma figura eclesiástica proeminente aqui por três motivos: sua defesa acirrada da ortodoxia da Igreja, seu apetite desmesurado e sua circunferência avantajada. Quando foi nomeado bispo de sua diocese na baixa Áustria, acabou motivando o êxodo em massa de praticamente todos os padres progressistas de sua província.

O ator que faz o papel do cardeal teve que sofrer em nome da arte. Para ficar suficientemente recheado para o papel, ele seguiu um pantagruélico regime de engorda à base de bolinhos de abricó e risotos.

A comédia negra retrata um encontro anual entre dois irmãos. Paul, o cardeal glutão, encontra seu irmão, um desonesto traficante de armas, que sofre um misterioso ataque de impotência. A única cura possível é a absolvição dada por seu irmão, o cardeal, que a recusa.

O diretor não foi demitido; o seriado foi tirado do ar.

Como disse tio Dave recentemente, Viena é a cidade onde ele deveria ter nascido. Em vez de ser obrigado a ouvir, ou evitar, excrementos musicais da arte contemporânea como a banda Sepultura.

É uma experiência tão extraordinária que as palavras realmente são inadequadas para descrevê-la.

De acordo com os próprios vienenses, o café, estabelecimento, só poderia existir em Viena. Os cafés são um fenômeno que é sinônimo de decadência e nostalgia, energia criativa e idéias revolucionárias. Hoje em dia os cafés continuam lotados.

Um café é um ótimo lugar para se instalar no inverno vienense, cheio de neve. Depois do cerco de Viena, no século dezessete, os turcos ensanguentados deixaram para trás um saco das preciosas sementes escuras. Com sua antes ameaçadora lua do Islã, também inspiraram o pãozinho do café da manhã.

Assim como o tema de redesenhar a bandeira brasileira sempre esquenta as conversas em Brasília, a Áustria regularmente é varrida por controvérsias sobre o tema de se redesenhar seu onipresente símbolo nacional, a águia.

Na época do Império Austro Húngaro, a águia tinha duas cabeças, idéia prudente para um país minúsculo que governava um território imenso.

O emblema atualmente vigente é uma águia negra de uma só cabeça, que agarra um martelo numa presa e um foice na outra. Para evitar confusões de Guerra Fria, também há uma corrente quebrada que, evidentemente, simboliza a Liberdade.

Alguns anos atrás alguns políticos reformistas pensaram que chegara a hora de instituir uma nova águia para evitar a possibilidade de evocar o defunto comunismo. As sugestões iniciais variavam desde um pássaro sem nada nas presas até uma águia carregando um ramo de oliveira. Não demorou para a discussão começar a beirar o delírio.

Um partido político ecológico sugeriu uma pomba. Um farrista político vienense pediu um frango assado com uma salsicha numa patinha e uma caderneta de poupança na outra.

Então os Jô Soares da Áustria partiram numa verdadeira caça às águias. Entre as idéias oferecidas figuraram uma águia esportiva montada sobre esquis e uma águia musical equipada com violino e trompete. Outros austríacos com senso de humor propuseram uma águia idosa que ostentaria óculos e bengala, para homenagear a população idosa do país. A proposta favorita do tio Dave era uma águia que homenageava um dos esportes austríacos prediletos, o nudismo. Esta águia não tinha penas.

Mas foi muito barulho por nada. Afinal de contas, a Áustria usou o martelo e a foice pela primeira vez para simbolizar operários e lavradores, em mil novecentos e dezoito. Os soviéticos roubaram a idéia mais tarde, em mil novecentos e vinte e quatro. Hoje a União Soviética não existe mais. Alguém precisa manter viva a tradição.

- 26 de janeiro: (939 palavras)

Há escritores que nos intimidam, e nunca os lemos; há escritores de quem gostamos, e guardamos seus livros com afeição na prateleira; há escritores que admiramos sem gostar de fato deles.

Outra categoria é a dos escritores que viciam.

A Sabedoria do Padre Brown foi editada há alguns anos pela Graál.

Não é por acaso que o detetive dessas histórias é um padre. O padre era católico. Mais do que isso, ou por isso mesmo, desconfiava do uso puro e simples, instrumental e ascético da razão.

Assim, os contos do Padre Brown são bem diferentes do esquema policial clássico. É claro que há um mistério, um crime a ser resolvido. Mas a solução não depende apenas do raciocínio dedutivo, do contrapeso implacável dos indícios. Depende, sobretudo, de uma intuição, ou sabedoria, que nos leve a pensar contra o pensamento, ao arrepio da lógica da situação, até que possamos explicá-la racionalmente.



Oscar Wilde era outro gênio do paradoxo. Mas usava essa forma de linguagem quase que como uma forma de encerrar a discussão, como uma forma de elevar-se acima do comum dos mortais. E, por mais maluco que seja o seu argumento, ele sempre termina provando que malucos são os que não acreditam no que ele diz.

Seu livro Ortodoxia, de mil novecentos e oito, é bem mais fascinante do que os Doze Tipos agora traduzido. Eis um trecho: Os homens ligados profundamente ao mundo não compreendem o mundo; apóiam-se sobre algumas máximas cínicas que não exprimem a verdade. Lembro-me que um dia, passeando com um próspero editor, ele me fez uma observação que já foi muitas vezes repetida e que poderia ser o lema da vida moderna. Ele dizia de alguém: esse homem vai longe; ele acredita em si mesmo.

E diz que os homens que acreditam em si mesmos estão todos no hospício.

Daí, o texto deriva para uma discussão do que é a loucura. Começa refutando a idéia, já comum na época, de que a loucura é atraente, poética. A selvagem poesia da demência só atrai os saudáveis de espírito. Para o louco, ela é a coisa mais prosaica, pois é verdadeira. O homem que acredita ser um frango se considera tão normal quanto um frango. É apenas porque percebemos o aspecto cômico de sua idéia que o consideramos divertido; é apenas porque ele não percebe o aspecto cômico de sua idéia que ele é internado no hospício.

Se você tentar provar para o paranóico que ninguém está conspirando para matá-lo, o paranóico passará a acreditar que você faz parte da conspiração. O raciocínio do louco, como se sabe, é impressionantemente lógico.

O louco e a razão.

O louco não é aquele que perdeu a razão. O louco é aquele que perdeu tudo, exceto a razão.

O brilho está em passagens como esta, desde o exemplo humorístico do sujeito que acredita ser um frango, até o paradoxo sobre o louco que conduzirá, claro, a um ataque ao puro racionalismo científico de nossa época, à defesa da crença em milagres e entidades sobrenaturais como sendo um fator de sanidade mental para o ser humano. Tudo se desenvolve de forma tão persuasiva, e com linguagem tão saborosa, que é preciso ser muito louco, ou muito são, para resistir a seus textos.

Sob o risco de ser tachado de louco, um filósofo da escola analítica inglesa poderia, creio, contestar o paradoxo acima citado: O louco não é aquele que perdeu a razão, mas aquele que perdeu tudo exceto a razão. Pois o sentido de razão na primeira frase perdeu a razão é diferente do sentido de razão na segunda frase. Na primeira, significa bom senso, entendimento razoável das coisas, trânsito normal no âmbito da realidade. Na segunda, razão significa raciocínio lógico, talento dedutivo.

E, certamente, não é necessário acreditar em fantasias ou em sonhos para manter o bom senso. Do mesmo modo, acreditar razoavelmente em nós mesmos não é sinônimo de acreditar apenas em nós mesmos, como sugere ao narrar sua conversa com o editor.

O estímulo intelectual, a graça de seus ensaios, a coragem desse pensador ao mesmo tempo democrata e tradicionalíssimo, o poder quase diabólico de percepção que ele tem como crítico literário são capazes de vencer qualquer resistência.

É por isso que ele vicia. Todas as discordâncias que possamos ter com a relação a suas idéias se transformam no prazer perverso de vê-lo discordar com brilho das idéias que temos.

Outra razão: seus paradoxos e exemplos são tão luminosos que nos esquecemos deles poucos minutos depois de lidos. Voltamos, então, a seus livros.

O estilo é caprichoso e brilhante como um rastilho de pólvora. Acontece que esse rastilho não leva a nenhum barril de dinamite, e sim a um senhor gordo, vermelho, que trata de pisar forte na terra para apagar o fogo. Pisa forte, apagando o rastilho de pólvora, na tentativa de enraizar-se no solo tradicional, como se quisesse transformar-se em árvore, fincar-se perpendicularmente na terra, na verticalidade saudável, ortodoxa, das opiniões ancestrais. O solo era e é movediço demais para tanto. Poucos autores, entretanto, souberam usar tão bem o estilo dos adversários o paradoxal e o surpreendente, o original e o louco para combatê-los.

Reservo para o final a má notícia. Doze Tipos, o livro agora traduzido, não só é uma má escolha editorial, pensando em obras mais significativas desse autor, como está pessimamente, criminosamente traduzido. Ivan Junqueira, que tem nome como tradutor de Eliot e outros, faz besteiras inomináveis.

Junqueira traduz: os dísticos constituíam algo que ninguém conseguiu fazer.

Enquanto isso, esse escritor continua na semiclandestinidade que não é o menor de seus encantos.

- 20 de janeiro: (844 palavras)


Na Era Jurássica, quando eu era mais jovem, e muito mais bonito, usávamos palavras cifradas, como a coisa ou pé de cabra, quando queríamos nos referir aos nossos próprios órgãos genitais masculinos.

Agora, graças à descida da ladeira do respeito que a sociedade tem por si própria, qualquer coisa vale como conversa educada. Bem lá atrás, quando eu era um jovem inexperiente, eu aprendi a usar a língua do éfe e a língua do ésse com um sargento do exército. Hoje, nesta idade de pretensa iluminação, meus jovens amigos usam tais palavras como tempero para sua linguagem diária. Eles fariam meu velho professor do exército corar de vergonha.

Eu não posso responder facilmente a perguntas óbvias como sou eu um velho retrógrado? ou se a maioria das pessoas hoje simplesmente perdeu a auto estima, já que a tevê diariamente despeja sua carga de demolição social e lixo mental na forma de entretenimento e notícia.

Como todo mundo que assiste à tevê deve saber mesmo aí na Sambalândia, a pobre foi dolorosamente provocada.

De acordo com uma testemunha juramentada, seu prazer sexual, como o de muitos homens inseguros, consistia em forçar sua mulher de maneira a imprimir dor a ela e prazer a si mesmo.

Lorena é uma simpática garota do Equador educada como católica. Ela foi treinada para achar que os homens sempre estavam certos, começando com seu Senhor, Jesus Cristo, depois o padre da paróquia, seguido do pai e culminando com aquele soberano especial, seu marido. Quando Lorena era torturada à loucura por seu esposo sádico, ela quebrava a tradição secular da mulher como escrava sexual particular do senhor da casa.

Ele teria sido o primeiro a explicar a atitude de Lorena como um caso clássico de vida ou morte imaginária. Para sobreviver, Lorena encarou o mal que ameaçava sua sanidade, deixou sua subconsciência dirigi-la por uns instantes e cortou o mal pela raiz.

Agora, graças ao seu instinto pela vida, ela está somente em julgamento, e não trancada numa solitária, como certamente estaria se ele prolongasse por muito tempo seu divertimento forçado.

Está tão frio que está tão frio, que comecei a congelar partes do meu corpo que eu nem sabia que existiam.

Está tão frio, que ontem à noite tive de abrir o frigobar para aquecer o meu quarto de hotel.

Está tão frio, que ontem fui atacado por um homem de neve que queria o meu casaco.

E pensar que vocês estão todos na praia.

E o vencedor é este é o momento do ano para pensar em tudo o que foi bom e mau no ano passado. Gostaria de fazer minha lista do que foi realmente odioso no ano passado na Sambalândia, mas tenho duas boas razões para não fazê-la: Ruim é tudo o que se pode ler nos jornais hoje, então para que tornar as coisas ainda piores, e Segundo a generosa lei de imprensa brasileira, eu poderia acabar sendo expulso dessa terra maravilhosa. Como iria soar você acordar na quinta de manhã com aquela abominável ressaca, querendo alguém para te animar?

Então acho que vou escolher um país do meu próprio tamanho, Gringolândia.

Anunciando um novo evento anual planetário, o Prêmio para Pessoas Inaceitáveis do tio.

Itamar Franco deve estar morrendo de inveja quando pensa no insuperável talento para compromissos políticos idiotas.

O mais espantoso presente à América é a cirurgiã geral negra, uma espécie de ministra da Saúde. Os mais velhos estudaram cirurgia oral e podiatria, o melhor método para extrair o pé dela de dentro da boca, que é onde ele costuma se alojar.

Primeiro grau não é cedo demais para ensinar às crianças educação sexual básica, aconselha a boa doutora. Nós deveríamos ensinar às crianças o que fazer no banco de trás de um carro, acrescenta a Martha do estetoscópio.

Uma semana depois, seu filho foi preso por vender um bocado do famoso Pó Boliviano de Sacudir para um tira disfarçado.

O Prêmio Médico Cure-se Você Mesmo do Tio Dave para a boa médica.

O Brasil teve uns ministros da Justiça perfeitamente aparvalhados, mas alguns dos mais famosos cabeças de bagre locais teriam dificuldade em ser uma ameaça á vida e à propriedade, maior que a ministra da Justiça.

A senhora Reno se preocupa de verdade com as crianças. Eis por que ela ordenou o famoso ataque armado contra uma comunidade religiosa no Texas. Apenas vinte e quatro crianças foram mortas, ao lado de sessenta e dois adultos, muitos deles pais.

Reno ama crianças, como sabemos, mas quando seu amor entra em choque com suas fortes atitudes liberais, o liberalismo da senhora Reno ganha de longe. Num caso famoso seu Departamento de Justiça tentou com empenho enfraquecer as leis contra o uso de crianças em pornografia.

Fonda tem um profundo interesse em controle populacional. Os regimes que ela apoiou durante a década do amor lidavam vigorosamente com seu excesso populacional usando o famoso método.

Ela também tem o hábito de se adaptar ao parceiro do dia. Vai para ela o Prêmio Se Resmunga Como um Papagaio Então Deve Ser um Papagaio.


- 28 de julho: (894 palavras e entrevista)


Em São Paulo, no mês de julho, vinte e cinco anos atrás, tio Dave era um homem muito mais moço, e Ted um homem muito mais triste.

A funcionária de sua campanha, vinte e oito anos, que o acompanhava, não.

Ele vinha de uma festa, e a teoria geralmente aceita é a de que estava correndo para fugir de um policial que viu o casal, por assim dizer, marcando um encontro.

Mas não é esse o ponto.

Ele só notificou a polícia no dia seguinte, depois de dormir dez horas. Seu irmão mais velho, conquistou fama como herói nas águas do Pacífico Sul. É irônico que a fama de Ted tenha afundado nas águas de uma ilha que ele conhecia desde garoto.

Ted transformou-se num respeitado membro do Senado dos EUA, depois daquela noite. Não foi exatamente um modelo de comportamento em sua vida privada, mas mostrou ser um político sensível e compassivo. Ele jamais será presidente.

Então, onde está Tico?

Se você tem qualquer dúvida a respeito das contribuições judaicas para a história do mundo, tenho o livro certo para você.

É uma lista impressionante, mesmo que Dave, esse velho agnóstico, discorde de algumas posições.

É verdade que Groucho não fez nada tão dramático quanto dividir as águas, mas Moisés, o número um, jamais teria filmado O Diabo a Quatro, mesmo que o futuro do judaísmo dependesse disso.

Em quinto está um cara que além de ser o pai de três importantes religiões atende por apenas um nome.

A lista pareceu bastante boa para o tio Dave. Só não entendo que um livro sobre líderes mundiais não inclua Tico.

Mas depois de ler a entrevista dele com Madonna, acho que seus únicos aliados sexuais hoje em dia devem estar na Igreja Católica.



Mailer é um antigo adversário de métodos de contracepção, por motivos estéticos e existenciais, o sexo tem que ser arriscado. Mailer inclui conceber um filho entre os riscos.

Mailer sempre colocou seu dinheiro onde seu etc. está. Ele passa quase todo seu tempo escrevendo textos para pagar as despesas da horda de filhos que teve com seu rebanho de exmulheres.

Você pode pensar que a ameaça da Aids deve ter feito com que Mailer veja com menos alegria a idéia de correr riscos ou impô-los às suas amantes. Ele pratica uma espécie de roleta russa sexual. Corre o risco de criar uma nova vida, ou acabar com a sua.



Mailer diz a Madonna que ela é muito profunda. Ela modestamente concorda.

Mailer pergunta a ela se não é incômodo usar um anel no nariz. Ela diz que sim, que precisa tomar cuidado ao assoá-lo. Mas que é isso que ela ganha com a história: É bom ter que pensar sobre algo que sempre tomamos por dado.

Madonna responde: Talvez inconscientemente.

Surfando na rede.

Pode-se colocar na rede mensagens que vinte e cinco milhões de proprietários de computadores de quase todo o mundo podem ler.

Para usar a rede, os brasileiros têm que superar um obstáculo financeiro que equivale a uma forma de censura econômica.

Ela foi inventada nos dias da Guerra Fria, como forma para que os intelectuais do governo e das universidades pudessem manter contato mesmo que a bomba destruísse os sistemas de telefone.

A rede funciona como o seu cérebro. Se você amputa uma parte do corpo, o cérebro envia sinais nervosos por outras partes. A rede é imensa, e está crescendo rápido.

A informação é o verdadeiro poder das nações. Enquanto boa parte do mundo está ocupada utilizando as centenas de milhares de informações fornecidas pela Internet, onde está o Brasil?

Tente conseguir uma resposta com o serviço de informações da Telebrás.

Encontro para comer.

Um homem que acaba de abrir um restaurante por lá explicou que é onde o leste encontra o oeste, o norte encontra o sul, o centro encontra a periferia.

O local subitamente se transformou no centro da nova região de restaurantes. Onze casas abriram por lá no último ano, e há pelo menos mais três se aprontando para a inauguração.

Uma das principais razões para a popularidade da área é que é fácil chegar lá. Há duas grandes avenidas que facilitam para quem vai de táxi. O distrito vem atraindo agências de publicidade e editoras, que trazem pessoas jovens e talentosas que gostam de comer bem.

Um dos primeiros novos restaurantes já se transformou num clássico.

Os dois parecem ter acertado. O lugar custou três milhões de dólares. Tentei reservar uma mesa esta semana, mas todos os lugares estão ocupados até vinte e dois de agosto.

Os fatos, por favor.

Agora há uma safra pavorosa de jornalistas aparecendo em novos filmes e, bem, pessoal, dá um tempo?

Acho que os cineastas estão tentando acertar as contas com os críticos que parecem ter sempre a última palavra. Quando os repórteres não estão quebrando as regras mais primárias da ética jornalística, estão sendo detestáveis ou arrogantemente agressivos.

No dia seguinte, as grotescas fotos aparecem na capa de um tablóide local.

Não basta vê-la andando de salto agulha em meio aos mortos em um acidente de trem. Ela também abandona dois locais onde houve assassinatos sem chamar a polícia. Mais tarde, compartilha informações privilegiadas com um repórter do jornal concorrente.

Na vida real ela seria primeiro presa e depois despedida. Faz o clássico A Primeira Página parecer um documentário.


- 12 de março: (635 palavras)

O filme expõe de tal forma a maldade que existe dentro do homem, que se torna importante extrairmos dele toda a lição que contém. O horror específico do nazismo vem do fato de que brotou de dentro do povo alemão, que, como nenhum outro, mergulhou fundo na grande música e na grande filosofia. Mas existe a semente do nazismo mesmo em povos que ainda passam longe de sinfonias e fenomenologias.

Dentro de poucos dias, ou seja, a trinta e um de março, completa trinta anos no Brasil o golpe militar de mil novecentos e sessenta e quatro, que nos mergulhou num regime nazista, solidamente apoiado na tortura. A tortura até ganhou aqui variações nacionais de grande criatividade, como o pau de arara, a pimentinha, a cadeira do dragão, a geladeira, de grande uso nos quartéis da polícia e das Forças Armadas.

Para o público mais jovem talvez viesse a calhar Tortura em Crianças, Mulheres e Gestantes. O senador Passarinho disse outro dia que tem saudades do regime militar.

O livro de Ester.

Havia na sala muitos judeus brasileiros, que em sua maioria têm lembranças diretas, pessoais, do Holocausto. Não existe, aliás, comunidade judaica em qualquer parte do mundo que não acuse essas cicatrizes: avós, um irmão, um pai desaparecidos numa hecatombe maior que qualquer outra das registradas na história do povo judeu, como a que escreveu Josefo, ou no Antigo Testamento.

Agora, mais do que nos museus do Holocausto fundados em Israel ou nos EUA, a história do Holocausto criou vida e movimento eternos na obra prima das monstruosidades que registra, não desfalca ainda mais os escassos recursos de esperança e fé no homem que ainda nos restam neste final de século.




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