Surdez e implante coclear: um estudo da escrita na escola



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SURDEZ E IMPLANTE COCLEAR: UM ESTUDO DA ESCRITA NA ESCOLA.

Adriana do Carmo Bellotti

Luci Pastor Manzoli

Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”

Faculdade de Ciências e Letras da UNESP – Campus de Araraquara

Programa de Pós-Graduação em Educação Escolar

CAPES/PROESP

Eixo 1: Pesquisa em Pós-Graduação em Educação e Práticas Pedagógicas

Pôster
Resumo

As crianças com surdez usuárias de implante coclear (IC), embora tenham acesso às informações acústicas do mundo que as rodeia e benefícios no desenvolvimento de linguagem oral após o uso do IC, apresentam desvantagens no processo de educação escolar em virtude da privação sensorial auditiva. Sob essa ótica, o presente trabalho tem por objetivo realizar um mapeamento nas escolas das redes pública e particular da cidade de Araraquara/SP, procurando verificar quantos são os alunos surdos usuários de LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) e de IC e analisar se existem diferenças entre os citados grupos em relação à escrita, produção de textos, organização de ideias e compreensão da escrita. Farão parte desse estudo os alunos surdos acima citados, seus professores e familiares. A coleta dos dados será realizada por meio de entrevistas com os professores e familiares, análise dos materiais escritos em sala de aula, observação e atividades de escrita propostas pela pesquisadora. Após a transcrição das entrevistas, os dados serão organizados de acordo com a realidade em pauta. O presente estudo se define por uma abordagem qualitativa por favorecer a apreensão dos dados em seu contexto natural. A bibliografia consultada mostrou uma escassez de pesquisas na área do IC. Portanto, torna-se necessário desenvolver trabalhos nessa área a fim de respaldar a atuação dos professores que trabalham com surdos usuários de IC, na busca de novas práticas pedagógicas para o ensino desses alunos.


Palavras-chave: LIBRAS, Implante Coclear, Escrita.

Introdução
No Brasil, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (BRASIL, LDB 9394/96) e o Conselho Nacional de Educação (BRASIL, 2000) recomendam que o atendimento educacional de crianças com deficiências física, sensorial e mental aconteça em classes comuns, na rede regular de ensino e determina, quando necessário, serviços de apoio especializados.

Neste contexto encontram-se as crianças com surdez usuárias de implante coclear (IC) e usuárias de LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais). Estudos têm mostrado que, embora as primeiras tenham acesso às informações acústicas do mundo que as rodeia e obtêm os benefícios escolares na aprendizagem da linguagem oral, após o uso do implante apresentam desvantagens no processo de educação escolar em virtude da privação sensorial auditiva.

Segundo Fortunato-Queiroz (2007), o implante coclear é um dispositivo efetivo no que se refere ao desenvolvimento das habilidades auditivas e de linguagem oral que possibilita e colabora com o aspecto educacional da criança surda.

No caso da criança surda usuária de LIBRAS é preciso considerar suas características de comunicação, de aprendizagem da escrita, a forma de compreensão dos significados e o que estão codificando ou decodificando. Um dos fatores que podem ocasionar dificuldades escolares é o distanciamento de práticas de leitura e escrita, acrescida do meio oralizado em que vive e a pouca ou nenhuma familiaridade com o português, pois sua primeira língua é o gesto.

De acordo com Brito (1996, p.17):
É mais importante que o surdo tenha possibilidades cognitivas de organizar suas ideias ou o conteúdo do que lê ou escreve do que saber estruturar com detalhes frases do português sem que transmita conteúdos semânticos de forma coesa e coerente.

A partir dessa breve contextualização sobre surdez, implante coclear e LIBRAS, delineou-se o objetivo geral da pesquisa que é realizar um mapeamento nas escolas da rede pública e particular de ensino fundamental da cidade de Araraquara – SP, procurando verificar quantos são os alunos surdos incluídos em cada rede, sua escolaridade, quantos são usuários de IC e quantos são os de LIBRAS e, a partir daí, verificar como se concretiza a escrita nesses dois grupos.

Considerando o que foi exposto, deu-se início a uma busca de pesquisas realizadas em teses e dissertações referentes à escrita de crianças surdas usuárias de implante coclear e LIBRAS em bases de dados e catálogos eletrônicos que indexam publicações científicas, tais como: Portal CAPES, IBICT, SCIELO, USP, UNICAMP e Portal UNESP. Nesse sentido, está sendo verificada a existência de trabalhos que se aproximam do objeto da presente pesquisa. Dentre esses trabalhos selecionou-se aqui o de Franco (2002), cuja dissertação intitula-se Crianças deficientes auditivas, usuárias de implante coclear multicanal e o contexto escolar; e o de Brazorotto (2009) cuja tese intitula-se Crianças usuárias de implante coclear: desempenho acadêmico, expectativas dos pais e dos professores.

Franco (2002) desenvolveu um estudo de cinco casos de crianças usuárias de implante coclear a partir de uma avalição formal de terceira série do ensino regular, destacando as diferenças e particularidades no desempenho escolar de cada criança avaliada de acordo com o tempo de uso do implante e o tempo de privação sensorial. Enfatizou as dificuldades encontradas por essas crianças, especialmente em relação à escrita.

O trabalho de Brazorotto (2009) teve como objetivo descrever o desempenho escolar de crianças usuárias de implante coclear, associando esse desempenho com as variáveis: tempo de uso do implante e de privação sensorial, limiar de detecção à voz, maior nível de escolaridade da família, idade e série e analisou as expectativas dos pais e dos professores a respeito de seus desempenhos escolares. Participaram desse estudo 120 crianças surdas usuárias de implante coclear com idade variando entre 6 e 12 anos. Para a pesquisadora:
Embora as crianças tenham acesso eficaz às informações acústicas da língua portuguesa e benefícios em seu desenvolvimento de linguagem oral após o uso efetivo do implante coclear e (re)habilitação apropriada, podem ser consideradas crianças de risco para a aprendizagem escolar, especialmente pelas desvantagens da privação sensorial auditiva para o desenvolvimento infantil. (BRAZOROTTO, 2009, pág. 4)
Em um artigo, Damen, Langereis, Snik, Chute & Mylanus (2007) publicaram um estudo com o objetivo de analisar o desempenho escolar e as habilidades de linguagem em 26 crianças usuárias de implante coclear com idades entre 6 anos e meio e 12 anos e 8 meses. Concluíram que o desempenho escolar das crianças variou e que as medidas de linguagem estiveram correlacionadas com o desempenho acadêmico das crianças avaliadas, usuárias de implante coclear há aproximadamente 5 anos.

No que se refere aos surdos usuários de LIBRAS a língua se expressa por meio do espaço-visual, é reproduzida por sinais manuais e recebida pela visão. De acordo com os estudos bibliográficos (FERNANDES, 2003; POKER, 1995), dentre outros, a ausência de uma língua repercute sobre o processo ensino-aprendizagem, enfatizando a importância da língua de sinais para o processo da aquisição da escrita.


Nesses termos tem-se que reconhecer que há intermediação da fala no processo de aprendizagem da escrita. E a fala para os surdos seria sua Língua de Sinais, importante na interpretação de textos, na criação de expectativas e na recriação do discurso escrito. [...] já que o surdo tem que ser alfabetizado sem que haja intermediação da fala portuguesa. (BRITO, 1996, p.70, 73).
De acordo com o exposto, e com base na literatura estudada, verifica-se a necessidade de se realizar um maior número de estudos sobre a escrita dos surdos usuários de implante coclear e de LIBRAS para oferecer aos professores subsídios que norteiam a sua atuação em sala de aula.

Destarte, este trabalho se constitui numa pesquisa de caráter qualitativo que, de acordo com BOGDAN e BIKLEN (1982, p.13), [...] “envolve a obtenção de dados descritivos, obtidos no contato direto do pesquisador com a situação estudada [...]”, sendo que a análise qualitativa dos dados permite a apreensão multidimensional dos fenômenos em seu contexto natural.

A pesquisa será realizada em escolas de ensino fundamental da rede regular pública e particular da cidade de Araraquara, SP e serão participantes alunos surdos usuários de IC e os surdos usuários da LIBRAS incluídos nas redes regulares de ensino, seus professores e familiares.
Desenvolvimento do trabalho
Para coletar os dados da pesquisa pretende-se utilizar os seguintes instrumentos:


  1. Entrevista com professores e familiares – Serão aplicadas entrevistas semi-estruturadas sobre o desempenho escolar desses alunos em relação à escrita. Para BOGDAN e BIKLEN (1994), essa técnica de coleta de dados obtidos da linguagem do próprio sujeito permite ao investigador desenvolver intuitivamente uma ideia sobre a maneira como o entrevistado interpreta a questão dada.

  2. Análise da produção de escrita dos alunos por meio de atividades oferecidas pela professora da classe e pela pesquisadora. A partir da análise dos registros acadêmicos dos alunos poderão ser identificadas as características da escrita dos mesmos e, assim, responder às questões da presente pesquisa.

Os dados coletados serão analisados de acordo com os resultados obtidos no transcorrer da pesquisa e discutidos à luz dos referenciais teóricos que a embasarão.
Considerações Gerais

O presente estudo trará contribuições para a inclusão escolar do aluno surdo usuário de IC e de LIBRAS. Acredita-se, a partir da revisão bibliográfica que está sendo realizada, que novas alternativas e práticas pedagógicas para o ensino estão sendo implementadas, dentre elas, a participação de intérprete ou interlocutor em sala de aula para auxiliar na aprendizagem desses alunos, bem como as salas de atendimento educacional especializado – AEE.


Referências
BOGDAN, R.; BIKLEN, S. Investigação qualitativa em educação: uma introdução à teoria e aos métodos. Portugal: Porto Editora, 1994.

_____________________. Investigação qualitativa em educação: uma introdução à teoria e aos métodos. Portugal: Porto Editora, 1982.

BRASIL. Lei 9394 de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília: MEC, 1996.

_______. Ministério da Educação. Plano Nacional de Educação. Brasília: MEC/Secretaria da Educação Especial (SEESP), 2000.

BRAZOROTTO, J.S. Crianças usuárias de implante coclear: desempenho acadêmico, expectativas dos pais e dos professores. 2009. 169f. Tese (Doutorado em Educação Especial) – Universidade Federal de São Carlos, 2009.

BRITO, L. F. Por uma gramática de língua de sinais. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, Departamento de Lingüística e Filosofia – UFRJ, 1995.

DAMEN, G.W.; et al. Classroom performance and language development of CI students placed in mainstream elementary school. Otology & Neurotology, v.28, n.4, p. 463-472, 2007.

FERNANDES, S. É possível ser surdo em português? Língua de sinais e escrita: em busca de uma aproximação. In SKLIAR, C.(org.). Atualidade da educação bilíngüe para surdos. Vol. 2. Porto Alegre: Artmed,1999.

FORTUNATO-QUEIROZ, C.A.V. Reynell developmental language scales (RDLS): um estudo longitudinal em crianças usuárias de implante coclear. 2007. 141f. Tese. (Doutorado em Educação Especial) – Universidade Federal de São Carlos, 2007.

FRANCO, D.P. Crianças deficientes auditivas, usuárias de implante coclear multicanal e o contexto escolar. 2002. 76p. Dissertação (Mestrado em Fonoaudiologia) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2002.



POKER, R. B. A questão dos métodos de ensino de surdos e o desenvolvimento cognitivo. 1995. 249f. Dissertação. (Mestrado em Educação Especial) – Universidade Estadual Paulista, Marília, 1995.




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