Professora Vivian 6ª série pingo



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Professora Vivian

6ª série
PINGO
Passava de 22 horas quando o casal, que vinha do cinema, viu no meio-fio uma pequena forma escura, sobre a qual se debruçavam três moças.

A rua era tranqüila, dessas que, desembocando em outras de agudo movimento, conservam sua placidez de província, alheias a toda emoção fora de pauta. Um ponto escuro na calçada, àquela hora de Domingo, e a presença de moças em torno constituíam, pois, algo de extraordinário, cuja importância o casal intuiu devidamente.

A pequena sombra movia-se. Era gente, mantinha a cabeça baixa, e suas mãos de menino tenro lidavam com um caixotinho que ia convertendo em gravetos. Parecia muito preocupado com a tarefa, de sorte que se manteve alheio à exposição feita por uma das moças, moradora da vizinhança.

Contava ela que, passando com duas amigas, também fora atraída pela coisinha movediça, no recanto menos iluminado da rua. Aproximando-se, pôs-se a observar o garoto, que tremia de frio, mas não abandonava o seu trabalho. Perguntou-lhe por que estava ali, já tarde, solito, desmanchando tabuinhas. E ele, que não se revelou amigo de conversa, a custo foi soltando a explicação. O pai deixara-o naquele ponto, recomendando-lhe que não saísse do lugar. Tinha que fazer, e voltaria para buscá-lo.



  • E para onde foi seu pai?

  • Eu é que sei?

  • A que hora ficou de voltar?

  • Não disse.

  • E você vai ficar jogado aí até que ele volte?

  • Fico fazendo lenha, ué.

A moça viu logo que a primeira providência era dar alimento e agasalho ao guri. Foi a casa, correndo, trouxe um saco de biscoitos e um suéter tanto mais admirável quanto estava exatamente na medida, como feito na previsão de uma criança de cinco anos, que fosse encontrada ao abandono, em noite de frio, na calçada.

Ele se deixou vestir, comeu com gosto e sem pressa. Mas, enquanto comia, procurava despregar mais uns pedacinhos de madeira.

A moça pensou em recolhê-lo em casa à espera dos acontecimentos. Mas, se o pai viesse e não encontrasse o garoto do meio-fio, como restituí-lo? Nessa fiúza, ali estavam havia já uma hora. Por outro lado, era estranho aquele pai que assim deixava o filho atirado na rua; ao relento, prometendo voltar. Voltaria? Nunca mais, talvez.

Restava o recurso de tomar um táxi e ir campear o barraco do menino, mas ele falava em sítios confusos, parecendo incapaz de localizá-los ou pouco disposto a isso. Apelar para a Delegacia ou o Juízo de Menores, àquela hora da noite, seria inútil. Na pior hipótese, a moça o guardaria em casa, e amanhã dá-se um jeito.

Examinava-se o que convinha fazer, definitivo, quando outro grupo assomou à esquina e, vendo o ajuntamento, dele se aproximou. Eram domésticas e operárias, que vinham rindo, satisfeitas com o Domingo bem vivido, ou por coisa nenhuma. Curvando-se, reconheceram logo um irmão:


  • É Pingo!

Era Pingo, amigo de todas e domiciliado na Praia do Pinto. Pai? Não tinha, pelo menos que alguma delas soubesse. A mãe era lavadeira, e Pingo gostava de sair à aventura, percorrendo o mundo. Pingo é levado, tem imaginação.

Então a moça samaritana pediu às vizinhas de Pingo que o levassem. Elas concordaram, Pingo não fez oposição. Queria apenas carregar as tabuinhas, com que faria em casa um grande fogo. Juntaram-se os fragmentos, e o bando partiu com a mesma algazarra feliz, comboiando Pingo de suéter novo, com as tabuinhas e os biscoitos remanescentes na mão.



Mas Iolanda seguia com os olhos o grupo de raparigas, e preocupava-se: “Essa gente é meio maluca, sei lá se elas levam mesmo o garoto para casa.”
ANDRADE, Carlos Drummond.



  1. A que se refere a expressão “pequena coisa escura”? Que outras palavras ou expressões do texto designam a mesma personagem?

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  1. Por que o autor fala em “algo extraordinário” ao referir-se à cena observada pelo casal?

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  1. Qual é a atitude do menino diante dos comentários e da curiosidade dos que o cercam? Que elementos do texto justificam sua resposta?

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  1. Que dados o texto apresenta a respeito do pai do menino?

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  1. Qual é a personagem que mais se preocupa com o menino? Como se manifesta essa preocupação?

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  1. Quais as alternativas levantadas para resolver a situação do menino e qual a dificuldade apontada em relação a cada alternativa?

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  1. Por que as pessoas do segundo grupo reconhecem em Pingo “um irmão”?

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  1. Que dados do texto confirmam as revelações de que Pingo “gostava de sair à aventura” e “tem imaginação”?

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  1. Como a chegada das vizinhas de Pingo contribuiu para solucionar o problema do menino?

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  1. Como Pingo é caracterizado na crônica?

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11. Reflita sobre a situação retratada no conto, relacionando com a nossa realidade.

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