Porto Alegre, 23 de junho de 2003



Baixar 30.44 Kb.
Encontro26.10.2017
Tamanho30.44 Kb.

Capítulo 18
CAVIDADE ORAL

1) HISTOLOGIA

Estende-se dos lábios até o istmo da orofaringe. É revestida por epitélio estratificado pavimentoso não queratinizado, e dividida em:



  1. Vestíbulo

  2. Cavidade bucal propriamente dita


Vestíbulo: espaço situado entre os lábios e as bochechas, externamente, e os dentes e as gengivas, internamente. O ducto parotídico abre-se no vestíbulo, na altura do 2º molar superior.

Cavidade bucal: limitada pelos arcos alveolares, gengiva e dentes. O teto da boca é formado pelos palatos duro e mole. No palato duro, a mucosa oral paraqueratinizada repousa diretamente sobre o tecido ósseo; o palato mole possui mucosa oral não queratinizada, tem a parte central formada por músculo estriado esquelético e apresenta muitas glândulas salivares mucosas em sua submucosa; a úvula é o prolongamento que se estende do palato mole (posteriormente). O assoalho da cavidade bucal está amplamente ocupado pela língua.

As pequenas glândulas salivares ou bucais estão amplamente distribuídas nas paredes da cavidade oral. As glândulas salivares maiores estão situadas externamente à boca e compreendem as glândulas parótidas, submandibulares e sublinguais. A união das secreções destas glândulas forma a saliva. A média de secreção no adulto é de cerca de 1000 a 1500ml de saliva por dia. A saliva possui um pH de 6,0 a 7,4 e tem dois tipos de secreção:



  1. uma secreção serosa, contendo a enzima ptialina, que digere o amido

  2. uma secreção mucosa para lubrificação e limpeza.

  • Lábio


A superfície externa é recoberta por pele com muitos folículos pilosos, glândulas sebáceas e sudoríparas. Cada lábio é formado por um eixo de músculo estriado, o orbicular dos lábios, situado num tecido conjuntivo fibroelástico.

A zona de transição está presente na margem livre do lábio, entre a pele externa e a mucosa da cavidade bucal. A coloração avermelhada intensa é devida à intensa capilarização no tecido conjuntivo da derme, e a epiderme não é muito queratinizada, mostrando-se translúcida.

Pelo fato de não haverem glândulas sudoríparas e sebáceas nesta zona, os lábios devem ser periodicamente umedecidos com saliva, pois, se isto não for feito, aparecerão rachaduras nos lábios.



A superfície interna é revestida por uma mucosa, que consiste em epitélio pavimentoso estratificado não queratinizado e de tecido conjuntivo da lâmina própria contendo glândulas mucosas, chamadas glândulas labiais.


  • Bochechas

Possuem musculatura esquelética, o músculo bucinador, recoberto externamente por pele e tecido conjuntivo subcutâneo e internamente pela mucosa oral.


  • Língua

Formada por uma massa de tecido muscular estriado, recoberto por uma mucosa cuja estrutura varia conforme a região estudada.

  • face inferior (ou ventral) da língua: mucosa apresenta-se lisa;

  • face superior (ou dorsal) apresenta aspecto irregular, devido à presença de pequenas saliências, as papilas linguais. Estas são classificadas em 3 tipos:




  1. Filiformes

  2. Fungiformes

  3. Circunvaladas

A face dorsal da língua é dividida em região anterior (ou parte oral) e posterior (ou parte faríngea) por um sulco em forma de V, o sulco terminal.


  • OS 2/3 ANTERIORES DA LÍNGUA

Apresentam apenas 2 tipos de papilas:

  • Filiformes: são cônicas, alongadas e não contém corpúsculos gustativos. São as papilas mais abundantes.




  • Fungiformes: apresentam uma base estreita e uma parte apical mais dilatada, assumindo a forma de um cogumelo. Podem apresentar corpúsculos gustativos. São menos numerosas e principalmente encontradas nos lados e na ponta da língua.




  • O 1/3 POSTERIOR DA LÍNGUA

Nesta zona, encontramos as papilas Circunvaladas. São em número de 8 a 12 papilas dispostas em V, formando o V lingual, e se situam numa fileira imediatamente antes do sulco terminal. Apresentam grande quantidade de botões gustativos na superfície epitelial lateral, isto é, na superfície voltada para o valo. Os botões gustativos são células sensoriais que transmitem as informações gustativas às terminações nervosas do glossofaríngeo e facial.

As glândulas que desembocam seu ducto no valo da papila são denominadas de Von Ebner .




  • Dente

Composto de um tecido conectivo especializado, a polpa, coberta por três outros tecidos calcificados: a dentina, o esmalte e o cemento.

Partes de um dente:



  • Coroa anatômica: parte de um dente coberta por esmalte, enquanto coroa clínica é a parte que se projeta no interior da cavidade oral.

  • Raiz: parte coberta por cemento, localizada no interior do alvéolo dentário.

  • Colo: região entre a coroa e a raiz..

- Polpa: formada, no jovem, por tecido conjuntivo do tipo mucoso e, no adulto, por tecido conjuntivo frouxo. As células predominantes são fibroblastos de forma estrelada. A polpa é um tecido que apresenta um rico suprimento vascular, linfático e nervoso. Divide-se em câmera pulpar, canal radicular e forame apical.


  • ESTRUTURAS ASSOCIADAS AOS DENTES:

  • Alvéolo: cavidade óssea onde o dente está suspenso

  • Ligamento periodontal: tecido conjuntivo denso que suspende o dente no alvéolo, fixando neste a raiz do dente.

  • Gengiva: tecido de sustentação. Apresenta uma mucosa constituída por epitélio estratificado plano e lâmina própria de tecido conjuntivo denso.


COMPONENTES MINERALIZADOS:

Dentina

Apresenta maior teor de sais de cálcio que o osso



Matriz – glicoproteína, colágeno tipo I e hidroxiapatita sintetizada por odontoblastos (superfície interna da dentina).

Odontoblasto - células com prolongamentos citoplasmáticos que penetram na dentina formando as fibras de Tomes. Cada prolongamento forma um canalículo na matriz da dentina (túbulos da dentina). O movimento de fluídos estimulam terminações nervosas nos canalículos.

Linhas de Owen – análogas às linhas de Retzius no esmalte.

Apresenta capacidade de auto-reparo (odontoblastos funcionais)


Esmalte

Estrutura mais rica em cálcio do corpo humano e também a mais dura.

97% de sais de cálcio

3% de material orgânico (glicoproteínas) e água

Produzido por ameloblastos (morrem antes do dente aflorar)

Formado por estruturas alongadas hexagonais, os prismas do esmalte.


Cemento

Semelhante em estrutura e composição ao osso

45-50% de hidroxiapatita

50-55% de material orgânico (colágeno tipo I e glicoproteínas) e água

Reveste a dentina da raiz

Auxilia na fixação do dente no osso mandibular/maxilar

É produzido por cementócitos continuamente para compensar o desgaste natural da coroa.
Curiosidades

Existem duas dentições que aparecem em diferentes épocas da vida. A primeira é a temporária, de dentes decíduos, e a Segunda é de dentes permanentes.

Os dentes decíduos, em número de 20 incluem, em cada arcada, quatro incisivos, dois caninos e quatro molares. Iniciam a erupção no sexto mês de vida e no final do segundo ano todos estão presentes.

Os dentes permanentes são 32 e compreendem quatro incisivos, dois caninos, quatro pré-molares e seis molares em cada arcada dentária. Iniciam a erupção no sexto ano de vida.
2) PATOLOGIAS ASSOCIADAS


  • Cáries dentárias: consistem na destruição da estrutura calcificada do dente. A superfície do esmalte torna-se erodida por microorganismos anaeróbios, Gram +, que fermentam a sacarose na superfície do dente para a manutenção de seu metabolismo, produzindo ácidos orgânicos. Esses microorganismos são representados basicamente pelo Streptococcus mutans e por lactobacilos. A trama orgânica do esmalte é destruída e, assim, o esmalte é descalcificado. Quantidades adequadas de saliva e de suas enzimas mucolíticas, acompanhadas de boa higienie dental, podem reduzir a incidência de cáries.

ESÔFAGO


1) HISTOLOGIA

É um tubo muscular relativamente reto, com cerca de 25 cm de comprimento, que se estende da faringe ao estômago . Sua parede é formada por:



  • TÚNICA MUCOSA:

  • Epitélio estratificado pavimentoso não queratinizado. Este epitélio protege e resiste ao desgaste e à ruptura durante a passagem dos alimentos ásperos, semi-sólidos.

  • Lâmina própria de tecido conjuntivo frouxo. A lâmina própria da região próxima ao estômago apresenta as glândulas cárdicas esofágicas, que secretam muco.

  • Muscular da Mucosa contendo fibras musculares lisas longitudinais.

No esôfago vazio, a mucosa é evertida em pregas longitudinais, que se desfazem durante a passagem do bolo alimentar.


  • TÚNICA SUBMUCOSA:

  • Tecido conjuntivo frouxo com vasos e nervos

  • Plexo nervoso de Meissner, que controlo a atividade das glândulas e o fluxo sangüíneo local.

  • Glândulas esofágicas, que são glândulas túbulo-alveolares compostas, distribuídas em todo o seu comprimento.




  • TÚNICA MUSCULAR:

  • 1/3 superior do esôfago, o músculo é esquelético

  • 1/3 médio do esôfago, há uma mistura de músculo liso e músculo esqulético

  • 1/3 inferior do esôfago, encontramos músculo liso e o Plexo mioentérico (Auerbach).

Essa musculatura é evidenciada em duas camadas:

1º) Circular interna



2º) Longitudinal externa

O Plexo mioentérico ou de Auerbach, formado por nervos autônomos, situa-se entre as camadas circular e longitudinal e controla as atividades musculares.


  • TÚNICA ADVENTÍCIA:

  • Tecido conjuntivo frouxo



2) PATOLOGIAS RELACIONADAS




  • Doença do Refluxo Gastroesofágico: O refluxo gastroesofágico, retorno do conteúdo gástrico para o esôfago, ocorre normalmente em humanos. Quando passa a gerar sintomas ou determinar lesões estruturais, caracteriza-se a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), conceituada como afecção crônica decorrente do fluxo retrógrado de parte do conteúdo gastroduodenal para o esôfago, acarretando um espectro variável de sintomas, esofagianos ou extraesofagianos, associados ou não a lesões teciduais. É de origem multifatorial, mas o mecanismo mais comum no desencadeamento de eventos de refluxo é o relaxamento transitório espontâneo e inadequado do esfincter inferior do esôfago. As manifestações típicas da DRGE são pirose e regurgitação. Pirose é dor torácica, em queimação, de localização retroesternal, que pode irradiar-se para a garganta.



  • Acalasia da extremidade inferior do esôfago: Neste distúrbio, não ocorrem ondas peristálticas normais nos dois terços inferiores do esôfago, o que provoca um espasmo ou deficiência no relaxamento do músculo, na extremidade inferior do esôfago. Como resultado, o paciente sente progressiva dificuldade em deglutir (disfagia). Eventualmente, ocorre o regurgitamento da comida que resta no esôfago e que não penetrou no estômago. O exame histológico pós-morte revela uma perda das células ganglionares no plexo mioentérico de Auerbach. A causa desta perda é desconhecida.


  • Doença maligna do Esôfago: O câncer de esôfago é o terceiro em freqüência entre os tumores do aparelho digestivo, e geralmente se origina como um tumor das células do revestimento da mucosa. O curso clínico é acompanhado por uma progressiva dificuldade na deglutição de alimentos sólidos e, posteriormente, de líquidos. A detecção precoce do câncer de esôfago torna-se muito difícil, pois essa doença não apresenta sintomas específicos. Alguns deles são dificuldade ou dor ao engolir, dor retroesternal, dor torácica, sensação de obstrução à passagem do alimento, náuseas, vômitos e perda do apetite. Está associada a extrema perda de peso. O câncer de esôfago é mais incidente a partir dos 40 anos e está associado ao alto consumo de bebidas alcóolicas e de produtos derivados do tabaco (tabagismo).






Compartilhe com seus amigos:


©aneste.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
Prefeitura municipal
santa catarina
universidade federal
terapia intensiva
Excelentíssimo senhor
minas gerais
união acórdãos
Universidade estadual
prefeitura municipal
pregão presencial
reunião ordinária
educaçÃo universidade
público federal
outras providências
ensino superior
ensino fundamental
federal rural
Palavras chave
Colégio pedro
ministério público
senhor doutor
Dispõe sobre
Serviço público
Ministério público
língua portuguesa
Relatório técnico
conselho nacional
técnico científico
Concurso público
educaçÃo física
pregão eletrônico
consentimento informado
recursos humanos
ensino médio
concurso público
Curriculum vitae
Atividade física
sujeito passivo
ciências biológicas
científico período
Sociedade brasileira
desenvolvimento rural
catarina centro
física adaptada
Conselho nacional
espírito santo
direitos humanos
Memorial descritivo
conselho municipal
campina grande