Palavras-chave: Design Social, Design de Interiores, Design de Serviço, ensino em design. Introdução



Baixar 39.77 Kb.
Encontro17.07.2019
Tamanho39.77 Kb.









O processo de co-design na construção de indentidades: o design de serviços e de interiores como instrumentais do design social.

Stella Hermida

Msc. Design

Doutoranda PROARQ UFRJ


Lucy Niemeyer

Phd. Comunicação

PPdESDI

Resumo: - o artigo ora apresentado apresentaremos uma metodologia de projeto baseada na relação do design de interiores com o design de serviços, ambos como possíveis instrumentais teóricos do design social. Para tanto, entendemos o ambiente interno como um elemento de comunicação, cujas ações de projeto estariam num propósito comunicacional. A pesquisa se fundamentou no conceito de design para o desenvolvimento, proposto por Victor Margolin. Utilizamos como estudo de caso o prédio pertencente à Cooperativa Vale Encantado, no Rio de Janeiro, que realiza iniciativas econômicas promovendo a sustentabilidade ambiental e a inclusão social por meio de empreendimentos inovadores.
Palavras-chave: Design Social, Design de Interiores, Design de Serviço, ensino em design.

Introdução

Compreendemos o ambiente comercial como parte integrante do sistema de comunicação de identidade de uma marca, uma empresa, instituição ou indivíduo, portanto, um elemento de comunicação, um produto de design: um suporte de significações (Hermida, 2010). Para tanto, entendemos o design como um fenômeno de linguagem, onde “o produto de design é tratado como portador de representações, participante de um processo de comunicação” (Niemeyer, 2007) e a semiótica de Charles Sanders Pierce (1893-1914) como aporte teórico para sua investigação.

Sendo assim, a pesquisa ora apresentada parte do princípio que um ambiente construído, produz linguagens e é lido por quem o adentra e o vivencia, constituindo-se como um produto do Design de Interiores.

A pesquisa teve como um dos seus objetivos caracterizar por meio de técnicas de aproximação com o destinatário baseadas no conceito de co-design, aspectos de comunicação e de identidade de ambientes comerciais e de serviços de interesse social, a partir da análise do estudo de caso da Cooperativa do Vale Encantado, no Rio de Janeiro, Brasil.


Justificativa

Partimos da premissa da existência de confluências entre os campos do design de serviços e do design de interiores. Pensamos que juntos esses domínios possam contribuir para o desenvolvimento de ações de interesse social por ambos tratarem o destinatário como elemento humano central em suas ações de projeto.

No design de interiores relações próximas são traçadas entre o ser e ambiente construído, sejam essas, de cunho dimensional ou comunicacional. Desta forma, o ambiente vai sendo projetado para o seu destinatário, respeitando suas dimensões únicas e ao mesmo tempo comunicando aspectos significativos de identidades, conformando o ambiente construído como um produto de design. Anamaria de Moraes, em Pesquisa em Design: Tecnologia e Métodos Científicos (1994), já apontava o ambiente construído como um dos campos de pesquisa na área do design. Assim sendo, a pesquisa ora apresentada visa contribuir para o desenvolvimento da pesquisa em design e em particular, do design de interiores no Brasil.

Santos (2012) acrescenta a contribuição do design de serviços sob dois aspectos: econômico e pesquisa/profissão, vejamos;


Segundo o autor o design de serviços no Brasil:

• Possui participação do setor de serviços em relação a outras atividades econômicas que compõem o PIB mantendo-se acima de 60% na última década (IBGE,2007).

• O aprofundamento teórico na área é incipiente no Brasil, existindo poucos pesquisadores e profissionais atuantes neste campo.

• A base teórica em uso sobre o design de serviços é ainda fortemente oriunda de autores estrangeiros.

• O problema do ensino do Design de Serviço no Brasil está ligado, em parte, à bibliografia com conteúdo e cursos pertinentes à realidade sócio-cultural do país (PINHANEZ,2009).
Há, portanto, segundo Santos (2012) “a necessidade premente de se aprimorar o conhecimento acerca de como projetar serviços, desde aqueles orientados a dar suporte a produtos até aqueles ditos “serviços puros” (onde há baixa ou nenhuma presença material).”

Antes perspectivado pelo marketing como um processo que enfatizava apenas a seqüência de atividades necessárias para a criação de valor, o design de serviços tangível e intangível (Hollins e Hollins, 1991), trabalha questões emocionais, envolvendo outros meios incluindo comunicação, ambiente e comportamento.

Portanto, acreditamos que a confluência entre o design de serviços e o design de interiores permeia o intangível, aborda questões comunicacionais em ambientes construídos, transmissão de significações, tendo o destinatário como foco central. Assim, acreditamos que ambos os campos atuariam por meio de um ambiente construído como ferramentas de linguagem.

Design para desenvolvimento
O conceito de design para desenvolvimento foi introduzido esporadicamente no processo de desenvolvimento de países a partir da década de 60, embora ainda o falte adquirir um lugar permanente nesse processo (Margolin, 2006).

Margolin aponta diversas razões para a falta de participação do design e conseqüentemente de sua permanência no processo de desenvolvimento de um país. A primeira razão seria que o design é pouco compreendido entre as organizações envolvidas no processo de desenvolvimento, desde os estágios iniciais do processo. A segunda, e mais importante, segundo o autor é que o design contribui para o sucesso de grandes empresas dos países desenvolvidos, acentuando ainda mais as vantagens “assimétricas de comércio desses países”.

A Declaração de Ahmedabad em 1979 veio a colaborar reconhecendo que o design poderia dar uma contribuição valiosa para o desenvolvimento econômico de uma nação e que sua metodologia é inadequadamente conhecida e usada insuficientemente como recurso econômico. Quando ela, segundo o autor, reconheceu que o design em países em via de desenvolvimento teria que utilizar “habilidades, materiais e tradições autóctones,”ela igualmente declarou que o design tinha que absorver “o poder extraordinário que a ciência e a tecnologia podem tornar disponível a ele”.

Margolin acrescenta que de todos os teóricos que escrevem sobre design para o desenvolvimento desde a Declaração de Ahmedabad, Gui Bonsiepe seria o único que honrou o espírito desse documento.

Bonsiepe (apud Margolin, 2006), para organizar dados históricos criou uma matriz que cruzou seis domínios do design- gerência, prática, política, instrução, pesquisa e discurso- com cinco estágios do desenvolvimento. No quinto estágio do desenvolvimento, Bonsiepe previu equipes de desenvolvimento multidiciplinares; simpósios internacionais, congressos e competições, cursos educacionais exigentes em escolas bem equipadas, design como um objeto do estudo científico e a publicação de livros que tratem da prática do design assim como, sua história e teoria.

Margolin conclui que a implicação da matriz proposta por Bonsiepe seria que o design e seu ambiente podem amadurecer em conjunto com a economia, a administração e os serviços, como uma nação se desenvolve.

Contudo, a partir de uma economia globalizada, o avanço do pensamento em design e do design em países em vias de desenvolvimento, tornou-se mais complicada nos últimos anos. Isso se deve ao fato das instalações fabris terem sido separadas do processo de design, fornecendo aos países onde os produtos globais são manufaturados experiência com a produção, mas não com o design.

Seria a hora, segundo ele, de “revisitar a Declaração de Ahmedabad ao lado do modelo mais abrangente de vários estágios proposto por Gui Bonsiepe para abordar a séria completa dos fatores complexos que determinam as possibilidades para o desenvolvimento dentro da evolução da economia global”.

A pesquisa que agora apresentamos se baseia no conceito do design para o desenvolvimento, observando um dos diversos exemplos da realidade sócio-cultural do país, analisando a aplicabilidade de métodos de projetação, por meio do estudo de caso da Cooperativa do vale Encantado, que contribuam para o ensino de design de serviços e do design de interiores, subsidiando assim, fundamentos para elaboração de material didático, métodos e técnicas aplicáveis á projetos de cunho social.

Objetivos

Tivemos como objetivos de pesquisa:


1-Conhecer um quadro teórico por meio de uma pesquisa bibliográfica que permita os estudos das relações entre design de interiores, linguagem, identidade, design de serviços, design social.
2- Eleger os princípios, conceitos, definições, metodologias do design e das ciências da linguagem (semiótica e da comunicação) que garantam o suporte teórico da pesquisa.
3- Realizar uma atividade de ensino que permita os alunos analisarem a aplicação do design de interiores e do design de serviço como método e fundamento para construção de significados.
4- Aplicar uma metodologia de projetação interdisciplinar de implementação de uma identidade espacial e de serviço de caráter social. A presente atividade acadêmica foi viabilizada por meio da interação de professores e alunos de curso de design, arquitetura e design de interiores da Escola Superior de Desenho Industrial da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro- UFRJ, e da Escola de Design da Universidade Veiga de Almeida no Rio de Janeiro.
Trajetória e resultado preliminares

Para capturar a identidade do lugar é necessário conhecer a história, o presente e as expectativas das pessoas que ali vivem. Portanto, propomos um processo de co-design, onde o desenvolvimento de projetação é baseado em técnicas de aproximação com o destinatário. Por meio de dinâmicas onde os interesses, expectativas e anseios da comunidade do Vale Encantado são diagnosticados.

A partir desses resultados, foram obtidas as bases conceituais, para o desenvolvimento do projeto de interiores e de serviço.

Foram propostas as seguintes dinâmicas:


• Conhecendo o passado, presente e futuro;

• Caracterizando o destinatário: ambiência, mobiliário, decoração e revestimentos;

• Reconhecendo seu discurso: slogans e palavras-chaves.
Dinâmica 1: Conhecendo o passado, presente e futuro.

A partir dos questionamentos: “Como era?”, “Como é?” e “Como vai ser?”; foram distribuídos aos moradores post-its onde lembranças e anseios sobre a comunidade puderam ser escritos e afixados resultando uma síntese desses registros.

As lembranças, registros e anseios, foram organizados junto com os moradores. Os aspectos mais recorrentes foram destacados em consenso com os participantes.

“Como era?” Resultados obtidos:




  • Paz, Tranquilidade;

  • Natureza;

  • Comunidade Unida, próxima;

  • Carência de Transporte;

  • Plantações (flores, legumes e verduras);

  • Bares;

  • Pedreira;

  • Havia trabalhadores temporários;

  • Famílias Fundadoras: Medeiros, Barros e Martins Leão;

  • Martins Leão: Primeiro Proprietário

“Como é?” Resultados obtidos:




  • Ausência de serviços;

  • Tranquilidade, natureza;

  • Falta de trabalho;

  • Evasão de moradores não naturais;

  • Permanência dos moradores fundadores e descendentes;

  • Poucos atrativos turísticos;

  • Cooperativa gera união da comunidade

“Como vai ser?” Resultados obtidos:




  • Cooperativa Gerando emprego de forma sustentável;

  • Serviços com atrativo turístico.

Como conclusão da primeira dinâmica proposta, a partir dos aspectos mais recorrentes levantados, o objetivo da comunidade é fazer do espaço da cooperativa um ente gerador de emprego de forma sustentável, em especial, utilizando o seu potencial turístico. Para isso, é preciso conhecer o ambiente, as características do turista que se pretende atender e quais serão as atividades oferecidas.


Dinâmica 2: Caracterizando o destinatário

Após a dinâmica realizada com os post-its, deu-se início a segunda dinâmica.

Nessa fase, foram distribuídas sobre a mesa, diversas imagens de diferentes atividades. Em seguida, foi pedido para que cada participante selecionasse as imagens de atividades associadas ao que ele espera que aconteçam no espaço da Cooperativa Vale Encantado.

Feito isso, foi montado um painel reunindo todas as imagens escolhidas.

Montado o painel, foram destacadas as imagens das atividades que mais se repetiram dentre as escolhidas:


  • Ciclismo

  • Turismo

  • Atividades ao ar livre

  • Música

  • Encontros

  • Reunião de pessoas de diversas tribos, sem preconceito.

Concluímos que as atividades propostas da dinâmica 2 foram: ciclismo, turismo, atividades ao ar livre, música, encontros e reunião de diversas tribos sem preconceito.

Na segunda fase da dinâmica 2, foram distribuídas sobre a mesa, imagens de ambientes de restaurante e pedido aos participantes que selecionassem as que melhor representassem suas expectativas quanto a aparência do local. Foi montado um segundo painel contendo as imagens escolhidas.

O ambiente seria um local de encontro com aspecto rústico, tranqüilo, aconchegante e acolhedor. Possibilitando também essas vivências em ar livre.

Nesta fase da dinâmica 2, foram distribuídas sobre a mesa imagens de mobiliário.

Foi pedido aos participantes que escolhessem as que melhor compusessem o ambiente do restaurante.

Os mobiliários propostos seriam em madeira rústica, em sua forma natural ou trabalhada, com utilização de fibras naturais e alguns estofados.

Nesta etapa, foram dispostas imagens de decoração, incluindo iluminação, utensílios e decoração de mesa, para que os participantes selecionassem as que julgassem mais adequadas a ambientação do restaurante.

Foi montado então, o terceiro painel.

A ornamentação sugerida seria a partir do reaproveitamento de potes e garrafas como suporte de flores e velas, além de luminárias que proporcionam iluminação indireta. Para o serviço de mesa serão utilizados artefatos em madeira, cerâmica e vidros.

Nessa fase da dinâmica 2 foram distribuídas sobre a mesa, imagens de pisos, tecidos, paredes e tetos.

Foi pedido aos participantes que selecionassem as imagens que melhor representassem a esse respeito suas aspirações sobre o local.

Os revestimentos de piso seriam em madeira, cimento queimado e pedras.

Nas paredes, revestimentos em madeiras reaproveitadas, pedras, tijolo aparente e pintura.

No teto apresentam-se forros de fibras naturais de madeira pintada.

Dinâmica 3: Reconhecendo o seu discurso

Nessa dinâmica, foram dispostas slogans e posteriormente palavras sobre as mesas para que os participantes fizessem as seleções representativas de seu discurso ao se referirem ao ambiente da Cooperativa do Vale Encantado.

As expressões verbais estão relacionadas à singularidade, à relação próxima com a natureza, a informalidade, constituindo a partir desses termos uma experiência única.
Conclusões e próximos passos
Podemos perceber que por meio de técnicas de aproximação ao destinatário com base no conceito de co-design, o processo de projetação deixa de ser hierarquizado onde as conceituações e hipóteses de projeto partem de um único indivíduo, para tornar-se colaborativo (Florio, 2007).

Por meio das imagens e palavras coletadas foram sendo traçadas as bases conceituais e estéticas do ambiente. Histórias foram sendo reveladas, vivências descobertas.

As atividades exercidas revelaram mais que identidades, contribuíram para a construção de um ambiente que não somente as comunica, mas que se caracteriza como fruto seu.

A partir dessa vivência poderemos contribuir com métodos de ensino e de projetação para o design de interiores e posteriormente para o design de serviço onde o destinatário é efetivamente central no processo de projetação.


Referências

Referências de Livro:

NIEMEYER, Lucy. Elementos de semiótica aplicados ao design. Rio de Janeiro: 2AB, 2003.



Dissertações, teses, monografias e trabalhos acadêmicos:

a) Dissertação

HERMIDA, Stella. O papel do design de interiores na comunicação de uma marca: o caso Melissa. 2010. 171 f. Dissertação (mestrado)- Escola Superior de Desenho Industrial da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Programa de Pós-Graduação em Design-PPdESDI

Eventos:

NIEMEYER, Lucy. Semiologia do produto: o objeto como enunciado. In: ENCONTRO NACIONAL DE ENSINO DE DESIGN, 6., 1997. Anais... Rio de Janeiro: Estudos em Design, 1997, p. 125-132.



Meio Eletrônico:

a ) Internet

IDEO. Human Centered design: kit de ferramentas. Disponível na Internet por http em: . Acesso em 19 maio. 2014.

FLORIO, Wilson. Contribuições do Building Information Modeling no processo de Projeto em Arquitetura. Disponível na Internet por http em: <http://noriegec.cpgec.ufrgs.br/tic2007/artigos/A1106.pdf>. Acesso em 19 maio. 2014.



MARGOLIN, Victor. Design para o desenvolvimento: para uma história. Disponível na Internet por http em: < http://www.esdi.uerj.br/arcos/arcos-04-1/04-1.01.margolin-design-para-o-desenvolvimento.pdf >. Acesso em 19 maio. 2014.


Catálogo: servicios dyc -> encuentro2010 -> administracion-concursos -> archivos conf 2013
archivos conf 2013 -> Crítica de Moda – Sob um novo olhar
archivos conf 2013 -> AcepçÕes nos desenhos rupestres, narrada pela semiótica
archivos conf 2013 -> Sagui Lab: Um experimento educacional híbrido
archivos conf 2013 -> Congreso de enseñanza en design universidad de Palermo Buenos Aires, Argentina
archivos conf 2013 -> Em busca da letra perfeita: aspectos tipográficos das edições da literatura indígena contemporânea no Brasil
archivos conf 2013 -> Place Branding a evolução dos conceitos e fundamentos Celso Hartkopf
archivos conf 2013 -> Priscila Andrade, Mestre, puc-rio Sérgio Luís Sudsilowsky
archivos conf 2013 -> Ensino do design de interiores nas faculdades de arquitetura e urbanismo de juiz de fora/MG: possibilidades e limitações Resumo
archivos conf 2013 -> Memórias, criação e autoria no Design Contemporâneo Memorias, creación y autoría en el Diseño Contemporáneo
archivos conf 2013 -> Foi possível recolher uma quantidade de material suficiente par


Compartilhe com seus amigos:


©aneste.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
Prefeitura municipal
santa catarina
universidade federal
terapia intensiva
Excelentíssimo senhor
minas gerais
união acórdãos
Universidade estadual
prefeitura municipal
pregão presencial
reunião ordinária
educaçÃo universidade
público federal
outras providências
ensino superior
ensino fundamental
federal rural
Palavras chave
Colégio pedro
ministério público
senhor doutor
Dispõe sobre
Serviço público
Ministério público
língua portuguesa
Relatório técnico
conselho nacional
técnico científico
Concurso público
educaçÃo física
pregão eletrônico
consentimento informado
recursos humanos
ensino médio
concurso público
Curriculum vitae
Atividade física
sujeito passivo
ciências biológicas
científico período
Sociedade brasileira
desenvolvimento rural
catarina centro
física adaptada
Conselho nacional
espírito santo
direitos humanos
Memorial descritivo
conselho municipal
campina grande