Objetivos



Baixar 220.06 Kb.
Página1/4
Encontro05.07.2019
Tamanho220.06 Kb.
  1   2   3   4

FRANCISCO SERPA PERES


O CORPO TECNOLÓGICO:

Intersecções entre Performer e Mídias

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Artes, Área de Concentração Artes Cênicas, Linha de Pesquisa Prática Teatral, da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, como exigência parcial para obtenção do Título de Mestre em Artes, sob a orientação do Prof. Dr. Ana Maria de Abreu Amaral.

São Paulo

2008


FRANCISCO SERPA PERES


O CORPO TECNOLÓGICO:

Intersecções entre Performer e Mídias

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Artes, Área de Concentração Artes Cênicas, Linha de Pesquisa Prática Teatral, da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, como exigência parcial para obtenção do Título de Mestre em Artes, sob a orientação do Prof. Dr. Ana Maria de Abreu Amaral.

São Paulo

2008


COMISSÃO JULGADORA


__________________
__________________
__________________

RESUMO

Buscar uma possível fusão entre elementos midiáticos e a construção do performer. Este é foco da pesquisa, que busca analisar conexões eficientes entre a Performance Corporal e as Tecnologias Midiáticas e Mecânicas, buscando com isso uma experiência de conjunção entre performer e as tecnologias do som, vídeo, luz, cenografia e o espectador.

Utilizando-se de teorias da informação, construções visuais e técnicas corporais, pretendemos analisar as diferentes potencialidades de cada elemento envolvido na montagem performática; desde o corpo e suas diversas qualidades até as aplicações e construções permitidas pelas mídias atuais na elaboração de um discurso artístico mais livre e pessoal.

Ao mesmo tempo em que sentimos a necessidade de contextualizar historicamente este trabalho em relação ao desenvolvimento artístico nas últimas décadas, buscamos um constante aprofundamento nas diversas linguagens utilizadas (vídeo, luz, som, cenografia, corpo, texto e dança, fotografia, instalação) procurando tornar o trabalho mais autoral em seus resultados.



ABSTRACT
Looking foy a possible fusion between mídia elements and a performer’s construction. This is the focuses of this research, that try to analyse functional connections about Corporal Performance and Mediatic and Mechanical Tecnologies, looking for an experience of integration betweem the performer, the sound, vídeo, light and setting tecnologies, and the audience.

Make use of the information theories, visual construction and corporal techniques, we intend to analyse the different potentialities of each elements of the performatic construction; the body and its qualities until the aplications and constructions allowed by the actual medias to make a free and personal artistico discourse.

In the same time we feel the need of the historial contextualization of this work in the last decades, we looking for a constantly atualization in the different languages (vídeo, light, sound, setting, body, text e dance, photo, instalation) try to make our work more authoral in its results.

SUMÁRIO

Introdução pg 07
Corpo pg 14
corpo e mensagem pg 18
o performer conectado pg 21
Tecnologia pg 27
vídeo pg 33
cenografia pg 38
som pg 42
luz pg 47
Conexões Corpo Tecnologia pg 50
tecnologia e corpo pg 54
Conclusão pg 65
Anexos pg 66
Bibliografia pg 78

INTRODUÇÃO

Quarenta anos atrás o mundo presenciava outra realidade. A Internet tal qual a conhecemos não existia, o computador estavam limitado em função e memória e os meios de comunicação estavam acoplados ainda nas tecnologias analógicas e mecânicas.

A invenção da filmadora portátil nos anos 60 possibilitou o aparecimento de trabalhos seminais de artistas como Nan June Paik e Bruce Nauman, fascinados com a possibilidade de contestar os meios de produção artística correntes, baseados na pintura figurativa.

Seguiram-se outros artistas incorporando novas tecnologias em seus trabalhos, pondo a prova os conceitos de Arte e expandindo o campo da Performance, a linguagem então eleita para os questionamentos artísticos da época.

Seus corpos adentravam suas obras como suportes, objetos distorcidos e modificados pelas mídias.
O desenvolvimento humano sempre demandou a evolução dos meios de produção e comunicação obrigando cientistas, pensadores e artistas a acompanhar as modificações das necessidades do Homem, sejam elas o aumento da produtividade agrícola, a confecção de roupas ou a agilidade nas comunicações. As vanguardas históricas sempre tiveram a evolução tecnológica em seu encalço, servindo-se dela à medida que se tornava disponível.

Artistas visionários buscaram conectar-se ás modificações sociais e transpassavam-nas em suas obras, mostrando que a Arte além de seu caráter utópico e sonhador também é um discurso crítico da vida real: os futuristas e suas contestações revolucionárias, os dadaístas e suas visões sarcásticas, os surrealistas e seus mundos paralelos, até as primeiras manifestações contra a própria Arte nos anos 60. Uma das grandes questões neste período dizia respeito à maneira como as tecnologias poderiam participar e modificar o campo criativo.

As décadas de 60 e 70 assinalaram uma fase para a Arte, onde os avanços tecnológicos proporcionavam novas fontes de contato, criação e desenvolvimento, oferecendo aos artistas outra maneira de pensar o fazer artístico que aquela até então vigente, realista e figurativa. Estas novas tecnologias apareceram como ferramentas capazes de produzir e transmitir conteúdos e linguagens artísticas, fixá-los em novos suportes e elevá-los a pontos antes inacessíveis.

As evoluções tecnológicas trouxeram para as últimas décadas múltiplos olhares a respeito do que conhecemos como cultura. O desenvolvimento da computação e os avanços da Internet causaram uma reestruturação no modo como interagimos com o mundo, as trocas de informação estão cada vez mais rápidas a ponto de todo o planeta estar em uma grande rede comunicativa e padrões de comportamento e opinião agora circulam livremente por todo o globo, transformando o planeta numa aldeia.


A introdução de meios eletrônicos e digitais na construção de atividades artísticas tem despertado constantes discussões a respeito das conseqüências desta contaminação.

Alguns pensadores deflagram o fim do trabalho do artista, em função de uma espetacularização da obra. A grande crítica recebida pelos artistas que trabalham com as artes eletrônicas diz respeito justamente à localização do humano e do corpo vivo em meio ao emaranhado de fios e telas. Muitos críticos vêem aí a morte da Arte, que de passional e dinâmica, torna-se objetiva e padronizada como um pequeno quadro de 1984, de George Orwell.

Outros, entretanto, observam que esta contaminação é uma evolução natural, já que artistas de diversas áreas sempre incorporaram em suas obras o espírito e as descobertas das épocas nas quais viveram.
No final do século XX, pode-se afirmar que a percepção simplista do desenvolvimento da arte moderna, em função de “movimentos”, não é mais cabível... Os “ismos” comuns associados à arte deste século, que se referem às práticas “intra-arte”, nas quais um movimento reage ao anterior, chegaram ao fim, e hoje qualquer descrição de produção de arte que não dê espaço ao tecnológico está incompleta.” (Rush, 2006: 162)
Os modelos tradicionais de construção do discurso artístico já não suprem a necessidade do homem atual de discutir sua realidade e sua evolução. Parte de seus conhecimentos provém da tradição dos séculos, mas outra parte vem de sua evolução tecnológica como o desenvolvimento da eletricidade, da tv e do computador. Já vivemos integrados ás maquinas em nosso cotidiano, e é possível vê-las não como objetos frios, mas como parte do homem e extensões de sua constituição.

O princípio desta pesquisa reside na utilização de mídias tecnológicas (vídeo, luz, som, cenografia) em diálogo direto com o performer e o desenvolvimento de interações entre estes a fim de criar uma narrativa que esteja na intersecção destes dois sistemas, o tecnológico e o corporal.

Tomando o corpo expressivo do Performer como base, utilizamos materiais e conceitos provenientes dos dois campos: o do Teatro - Dança, Mímica, Circo - aqui classificados como Artes Corporais: e o campo da Luz, Som, Vídeo e Cenografia, que caracterizamos como Mídias Tecnológicas.

Para as Artes Corporais, elegemos o conceito de Performer buscando abranger um artista polifônico, capaz de usar diferentes técnicas para expressar seus pensamentos. Como definido por Helena Katz, pesquisadora da dança contemporânea, um Corpomídia.


... o conceito de Corpomídia trata do corpo fora do modelo da caixa preta, que o divulga como o meio onde uma informação adentra (input), é nele processada, e dele sai para o mundo (output)”. (Katz; 2004:1)
Os elementos tecnológicos foram eleitos por serem utilizados nas construções performáticas em geral, acreditando-se que podem exercer outras funções que aquelas de ilustrar ou servir a cena. Podem participar dela como agentes ativos, trocando estímulos com o performer e promovendo uma obra integrada e articulada em suas diferentes camadas de informação.

Impossível pensar que o espectador contemporâneo seja incapaz de apreender as ligações entre as tecnologias e seu cotidiano, bem como imaginar nossa sociedade atual sem os meios de comunicação. Quase não conseguimos distinguir se as relações sociais impulsionam os avanços tecnológicos ou são moldadas por eles.


Como em qualquer meio de expressão em que a tecnologia desempenha um papel importante, o trabalho mais dinâmico ocorre quando a tecnologia acompanha as visões dos artistas ou os artistas acompanham a tecnologia”.(Rush, 2006:186)
Então, porque as Artes Corporais não se apropriariam destes recursos em suas construções, e não se tornariam um meio de reflexão destas condições do homem atual?

Longe de desenvolver técnicas e conceitos, este projeto busca questionar poeticamente a utilização destes recursos tentando analisar a postura contemporânea frente a ferramentas de comunicação que muitas vezes substituem (bem e mal) a presença e a relação direta entre os homens.


Pretendendo explorar as relações que possam surgir entre o performer e as mídias e negando a utilização dos aparatos tecnológicos de forma a apenas criar efeitos, buscamos uma relação artística mais eficiente entre o corpo e os elementos midiáticos. Trata-se de desenvolver um trabalho onde estas mídias estejam em equivalência com os performers: transformá-los em fontes atuantes igualitárias. Procuramos analisar aspectos que possam gerar uma obra que comunique, que faça uso dos processos de criação e transmissão de informações e que acima de tudo funcione como um potencializador das formas de Arte e Comunicação desenvolvidas e utilizadas pelo homem no decorrer das últimas décadas.

Estes equipamentos passariam a ser companheiros, dotados de características próprias e por vezes conflitantes com seus parceiros; e por isso mesmo impregnados de valores emocionais que os capacitam a apresentar um status de “seres”, se não vivos ao menos comunicantes. Buscamos que não só o artista seja o emissário de informações, mas todo o suporte que possa vir a tornar sua performance mais completa. A inserção das mídias tecnológicas no fazer artístico vem como uma forma de transpor os limites físicos e possibilitar uma maior liberdade de alcance criativo.


Acreditando nestas observações, procuramos explorar as sensações provocadas no performer que compartilha a cena com estes elementos de forma que estas “personalidades midiáticas” apareçam indiretamente, por suas impressões no performer como sombras que delineiam algo sem possuírem forma física.

Adotamos a visão de estabelecer esta fusão das mídias nas composições corporais não de maneira sobreposta, como formas distintas de arte, mas como meios convergentes, contaminantes e intercambiáveis; onde o corpo influencia a criação midiática e o contrário, num jogo dinâmico entre eles.


Art, claims the Russian Formalist critic Victor Shklovsky, is a technique of desfamiliarization. “The purpose of art is...to make objects ‘unfamiliar’... to increase the difficulty and length of perception because the process of perception is an aesthetic end in itself and must be prolonged. Art is a way of experiencing the artfulness of an object... (Art) removes the automatism of perception; the author’s purpose is to create the vision which results from that deautomatized perception”.1 (Shklosky;1965:3-24 in Holmberg;1998:155)
Os modelos tradicionais de construção do discurso artístico já não abrangem todas as discussões do homem atual sobre sua realidade e sua evolução. Parte de seus conhecimentos provém da sua tradição histórica enquanto outra parte vem de sua evolução tecnológica como a invenção da eletricidade, da TV e do computador. Portanto percebemos a demanda por se construir novas formas de apresentação e desenvolvimento das linguagens artísticas, como forma de preservar o frescor da discussão da realidade humana e sem a qual o depoimento do artista se torna frio e distante, por vezes ultrapassado.

CORPO
Os anos 60 presenciaram mudanças no panorama sócio-cultural mundial que transformaram o corpo numa verdadeira arma de contestação e questionamento através de ousadas e agressivas construções no campo artístico. Basta lembrar intervenções de grupos como o Living Theatre com sua montagem-protesto “Paradise Now", criação coletiva que reforçava a revolução individual e a quebra dos tabus sexuais, ou artistas como Marina Abramovic e suas performances radicais de risco corporal para percebermos a existência de uma estrutura social baseada em padrões muito conservadores e limitantes que estes artistas procuravam romper com a utilização de seus corpos, por vezes literalmente.

O corpo causava tanto furor que apenas sua exposição, sob determinados contextos, já era suficiente para provocar discussões e conflitos, como Yves Klein com suas esculturas vivas ou Joseph Beuys e suas performances ritualísticas. Sobre esta atenção ao corpo, Lucia Santaella observa:


O corpo humano sempre foi objeto do olhar e da criação artística. Neste século, mais acentuadamente neste final de século, quando nossos corpos atingem um nível de plasticidade extrema e de dissolução de suas fronteiras físicas, sensíveis, cognitivas, não é de se estranhar que o corpo tenha se tornado o grande tema, foco, representação, objeto performático e objeto simulado das artes”. (Santaella; 2002:204)

Paralelo a esta emancipação do corpo havia também o despontar das tecnologias emergentes do vídeo, onde Bruce Nauman foi pioneiro na utilização do corpo associado ao vídeo como instrumento de arte, com trabalhos como Art Make-up (1967-68), Clown Torture (1987), e Rinde Spinning (1992). Seu corpo somado as potencialidades técnicas do vídeo produzia obras que caminhavam na fronteira entre as performances corporais e as artes eletrônicas. Artistas como Vito Acconci (Second Hand, 1971), Nan June Paik (TV Cello Premiere, 1971) e Letícia Parente (Marca Registrada,1975/80) também tomaram o vídeo como veículo e o corpo como sua linguagem, tornando essa intersecção um dos pilares da Arte Tecnologia atual. Muitos trabalhos de vídeo-artistas contemporâneos como Chris Cunningham (Flex,2001), Matthew Barney (Cremaster,1995), Janaina Tschäpe (Sala de Espera, 2001), voltam-se para o corpo e suas exclusivas interações com o vídeo, a fim de construir suas narrativas.





Clown Torture (1987), de Bruce Nauman

Nos happenings dos anos 60, o corpo vivo, em atuação, era, por si e em si mesmo, arte. Nas instalações interrogativas de Beuys, os vestígios de um corpo ausente denunciavam sua inexplicável presença. Enfim, as aparições do corpo na arte do século XX são inesgotáveis. Basta, portanto, apontar para o fato de que há pelo menos duas décadas o corpo se tornou, decididamente, o grande ponto de convergência das artes, desde as artes artesanais, performáticas, instalações, até as artes que se utilizam das tecnologias de ponta para explorar a desfronteirização do corpo físico, sensorial, psíquico, cognitivo” (Santaella; 2002: 204)

O corpo se transformou em suporte, instrumento, foco e emissor de informações, negando as convenções anteriores baseadas na pintura, música e literatura. A busca por mais liberdade de criação expandiu seus horizontes a ponto de avançar para além de sua pele e ocupar espaços fora de seu alcance físico através das novas possibilidades que as tecnologias ofereciam, aliadas à linguagem performática que expunha questões particulares dos performers, amplamente utilizadas por grupos como Wooster Group e artistas performáticos como Laurie Anderson e Robert Lepage.

O corpo passou a ser tudo que o representava.

Mudanças semelhantes aconteceram no campo da dança, com as pesquisas de artistas como Merce Cunningham, Pina Bausch e Trisha Brown, mesclando técnicas clássicas a danças populares, movimentos repetitivos e naturais, e da interação entre a dança e o teatro.
Influenciados por estas experimentações e o seu impacto no modo como recebemos o discurso destes artistas, buscamos um Corpo Performático que dialogue aos avanços das Mídias Tecnológicas atuais e que esteja inserido no contexto das mudanças que o mundo sofreu por parte destes avanços nos últimos anos. Um Corpo que possa trabalhar com o máximo de informações e conexões abertas, a fim de constituir um elemento de transmissão de idéias e pensamentos tão potente quanto as formas de comunicação que possuímos, transformar-se num meio de emissão tão rico quanto o vídeo e a luz, a música e o cenário.

Não se trata de tecer uma teoria de conceitos e treinamentos físicos para tal, ainda que eles sejam imprescindíveis para se estar no palco. A linha que optamos desenvolver diz respeito ás compreensões e sensibilidades diante dos estímulos oferecidos por estas mídias, pelas quais o performer possa se guiar a fim de desenvolver seu repertório particular dentro destas propostas artísticas. Não dizemos que ele está em confronto com os outros meios de comunicação, mas sim em colaboração com estes meios, trabalhando para o propósito final de transmitir idéias e pontos de vista.

Nossa questão diz respeito á busca de um Corpo Performático sensível ás interações com as Mídias Tecnológicas.

Este Corpo não é apenas sua constituição física, mas também algo que o anima e o movimenta. Um Corpo que possua uma construção artística determinada pelas suas interações com as Mídias e que seja capaz de gerar significados nestas interações.


A partir do final do século XIX, o corpo começa a assumir sua complexidade: sujeito e objeto: suporte do eu, mas também do outro: encarnação e também representação: carne e imagem. Nas palavras de Maria Rita Kehl, um corpo é”um corpo e seu automóvel, um corpo e suas roupas, um corpo e seus remédios. E o Outro, e os outros que o rodeiam vivos ou mortos(...)Um corpo inclui o sentido e o sem sentido da vida e a dura noção da morte, que o acompanha desde a origem até ao final certeiro”. Por tudo isso, nossos corpos nos pertencem menos do que acreditamos”. (Villaça;2003: 64)
CORPO E MENSAGEM

Devido às modificações no conceito de transmissão de mensagens durante as últimas décadas, acentuadamente nos anos 80 e 90 através das mídias de massa (TV, Cinema, Telefone, Internet), a transmissão de informações passou a ser desassociada de um suporte. Houve uma separação entre mensagem e suportes físicos que provocou uma modificação no modo de gerar, receber e apreender informação, idéias e conceitos.


Suddenly, a message could be sent without a material carrier. Strings of signs could travel without a body. The scanning principle (invented around 1840) turning the spacial, two-dimensional form of the image into temporal form is central here. The immaterial world of signs established the basis of telematic culture.”2 (Weibel; 1996: 340)
A leitura de uma mensagem hoje pode ser feita em diversas camadas - estamos constantemente mergulhados num mar de áudios, textos, vídeos, fotos. Neste panorama, onde podemos produzir uma mensagem desprovida de um corpo, podemos produzir um Corpo desassociado de mensagens. Um Corpo que não carregue apenas significados prévios, históricos, mas um Corpo que possua capacidades de reacionar, reagir e integrar-se aos ambientes que habita ou percorre. Mais que transmitir informações e significados, um corpo que esteja disposto a mergulhar no espaço, aberto a receber estímulos, os processar de forma crítica e racional, codificá-los em respostas físicas e devolver ao ambiente sua contribuição, alimentando assim um ciclo de informação ativo.

Ser um viajante, não um guia.

Um ser vivo com possibilidades de constituir significados e interações com o meio, fragmentar-se, ser portador de vários discursos ou talvez nem possuir um.
There is a new psychological phenomenon emerging in this era of the hyper telemedia, information abundance and overload. People of all ages and walks of life are “blanking” that´s, they are shutting down or experiencing momentary ruptures of consciousness, or in very severe cases, “blanking” sometimes lasting for days. This is not attention deficit disorder (add) or daydreaming (dd), but a sudden breakdown of consciousness brought about by sensory and cognitive over-expension induced by hiper-connectivity.

People rarely choose to focus on one coherent stream of information these days, but rather gather data from multiple sources simultaneously. Instead of simply listening to the radio or watching TV, we read a newspaper, magazine or book while listening and/or wathing while we have something to eat and we have a conversation on the phone while we stroke our dog’s tummy with or bare foot. This is how we function in our leisure time – we choose to compose or immediate information environment from multiple sources, mixing our multi-layered reality on the spot. 3 (Sherman:1997 in Weil,2001:58)
Preocupando-se mais em deixar a audiência definir parâmetros próprios de análise da obra, centrando suas atenções não em fechar, mas em viver os significados de forma completa, o performer integra-se totalmente ao ambiente e oferece a si e aos que o observam uma obra onde cada parte que a constitui possui conteúdos específicos que contribuem para a unidade do discurso, numa igualdade de valores sem a subserviência de uma linguagem a outra. Um Corpo conectado ao ambiente.
O PERFORMER CONECTADO
A man makes a picture, a moving picture
Through light projected, he can see


himself up close
A man captures colour, a man likes to stare
He turns his money into light to look for her


U2, Lemon
Quando definimos performer, falamos de um artista polifônico, capaz de usar várias técnicas para expressar seus pensamentos. Historicamente, a palavra diz respeito a um artista que utiliza diferentes linguagens para construir seus discursos e materiais. Geralmente, este performer é responsável por produzir todos os elementos artísticos e inserir seu corpo neste processo.

Assim, vemos trabalhos como “Home Of The Brave” performance de Laurie Anderson de 1988, que elaborou todos os vídeos, escreveu as músicas, as interpretava e representava diferentes papéis dentro da narrativa. Esta performer é ao mesmo tempo criadora e executora de suas idéias, utilizando os recursos artísticos aos quais tem acesso para exprimir seu discurso. Os elementos, mais que produtos derivados de seu discurso, estão ali para aliar-se a ela que além de pensar toda essa orquestração, aparece no quadro final como um componente do evento.



Laurie Andersom “Home Of The Brave”, 1988


Hoje, com a popularização das ferramentas tecnológicas como a câmera de vídeo, o computador e os equipamentos de projeção, temos cada vez mais a possibilidade de utilizar diferentes meios para nosso discurso seja um vídeo, uma música ou uma imagem.

Mais e mais artistas circulam por diferentes linguagens levando conceitos de uma área a outra, e provocando assim o nascimento de obras híbridas. E assim novas formas de expressão aparecem, como as pinturas digitais, os conteúdos para celular e os filmes computadorizados.

Seguindo esta tendência de contaminação de meios e linguagens, vemos que existe uma lacuna ainda não preenchida na intersecção Corpo e Mídias, que diz respeito justamente em como acontece a relação entre o performer e os meios que dividem a cena com ele, como reage ao se deparar com elementos midiáticos como parceiros do seu discurso artístico. Quando falamos em diálogo Corpo e Mídias, estamos nos referindo a duas instâncias: a primeiro tem a ver com o artista que arquiteta o discurso artístico, cria a narrativa, as seqüências, o que e como será apresentado e que conceitos serão expostos; e a segunda justamente na integração deste performer com a cena, sua ligação emocional e corporal com os componentes que, junto com ele, transmitem as idéias do artista-arquiteto. É corrente os dois serem a mesma pessoa.
O corpo não é um lugar onde as informações que vêm do mundo são processadas para serem depois devolvidas ao mundo. O corpo não é um meio por onde a informação simplesmente passa, pois toda informação que chega entra em negociação com as que já estão. O corpo é o resultado desses cruzamentos, e não um lugar onde as informações são apenas abrigadas.”

(Greiner; 2005: 130-131)


Para permitir este diálogo com os elementos de mídia tecnológicos, o performer deve se preparar justamente para trabalhar com as informações que entram e saem de seu corpo, das reações e relações que provocam no seu interior, como são processadas e como serão devolvidas.

Este trabalho exige do performer um cuidado maior do que o de simplesmente sincronizar suas ações com as seqüências programadas dos aparelhos. Ele deve analisar as reações que se passam em seu interior, os ecos que estes canais geram com as informações que ele já possui. Como observa poeticamente David Rokeby, citado por Diana Domingues em seu artigo “Desafios da Ciberarte: Corpo Acoplado e Sentir Ampliado (Barros e Santaella(org), São Paulo, 2002)”:


Os artistas, em seus projetos, utilizam conhecimentos científicos e provocam uma relação mais estreita da arte com os experimentos da ciência. As produções não mais tratam somente de falar de forma metafórica sobre as forças vivas, vazios, mutações, regenerações, a dinâmica de corpos, geração de vida a partir da imaginação, em representações que beiram o sonho, o delírio, a magia ou outro estado emocional. As produções interativas usam estes conceitos como linguagem. Ao atuar de forma direta com as tecnologias, conceitos científicos vão sendo acionados na obra-sistema e os participantes da experiência agem em situações complexas com interfaces, hardware e software especialmente preparados para oferecer ao corpo um campo novo de experiências estéticas. Sinais captados do ecossistema através de ruídos, vibrações, calor, fala, toques ou outro sinal são processados e contaminam-se e são devolvidos transformados. É como o eco sonoro do sino que vai até a floresta e retorna com as qualidades contaminadas pelas qualidades da floresta”. (Rokeby;1997, in Domingues; 2002, pg 65-66)
Reside aí a qualidade do performer dentro da estrutura que apresentamos: sua adaptabilidade e resposta frente aos estímulos. E é este o ponto que permitiria a um performer interagir num ambiente tecnológico: sua flexibilidade de respostas frente aos estímulos propostos, análise destes estímulos e gerenciamento das reações provocadas por eles.

Esta constante atenção ao que se passa ao seu redor, por vezes mais intensa que a da audiência que o observa, é o que o diferencia e o qualifica para tornar-se parte do mundo ficcional proposto através destes elementos.

Como já citado anteriormente por Chistine Greiner, “o corpo não é um meio por onde a informação simplesmente passa, pois toda informação que chega entra em negociação com as que já estão”; o performer trabalha justamente com as entradas e saídas de informação de seu corpo, alimentadas e potencializadas pelos outros elementos da cena. Como um ator de TV que encara a câmera como seu interlocutor, o performer encara os elementos de cena como seus companheiros, sinais de algo que vem ou que vai, rastros de estórias ou avisos de eventos que estão por vir. Independente de como o performer se comporta neste universo recriado, o fator principal reside em que ele realmente habite, viva neste espaço, caminhe por ele.

Em definitiva, o corpo performático é um corpo processador. Recebe imagens, sons, texturas, cheiros. Os processa e os devolve, os torna parte de seus pensamentos e os mescla, transforma som em movimento, luz em ação, espaço em estórias.


Para Jones (2000:199), a maior parte dos artistas que ficou conhecida, nos anos 90, dispôs de tecnologias multimídia, fotográficas e instalações, tendendo a explorar o corpo e sua subjetividade como tecnologizados, especificamente inaturais e fundamentalmente não fixáveis na sua identidade ou significado subjetivo/objetivo no mundo. Na verdade, um corpo articulado de acordo com aquilo que, ultimamente, vem sendo chamado de “pós-humano” (Santaella; 2003:52).
Mas não um simples processador, que transforma a informação que entra em outra que sai, autômato, e sim a modifica, a impregna com outras qualidades que somente um corpo vivo e afetivo pode conter: significados emocionais. Então, talvez alcance o significado das obras de arte, em seus propósitos essenciais: exprimir o subjetivo, o velado, a “alma”.



Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3   4


©aneste.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
Prefeitura municipal
santa catarina
universidade federal
terapia intensiva
Excelentíssimo senhor
minas gerais
união acórdãos
Universidade estadual
prefeitura municipal
pregão presencial
reunião ordinária
educaçÃo universidade
público federal
outras providências
ensino superior
ensino fundamental
federal rural
Palavras chave
Colégio pedro
ministério público
senhor doutor
Dispõe sobre
Serviço público
Ministério público
língua portuguesa
Relatório técnico
conselho nacional
técnico científico
Concurso público
educaçÃo física
pregão eletrônico
consentimento informado
recursos humanos
ensino médio
concurso público
Curriculum vitae
Atividade física
sujeito passivo
ciências biológicas
científico período
Sociedade brasileira
desenvolvimento rural
catarina centro
física adaptada
Conselho nacional
espírito santo
direitos humanos
Memorial descritivo
conselho municipal
campina grande