O velho da Horta



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O Velho da Horta

I.O Movimento


  • Movimento de transição: Teo x Antro

  • Presença da mentalidade maniqueísta

  • Uso de Mitologia

II.O Autor


  • uso constante de alegorias

  • teatro de quadros, além das “peças de enredo”

  • rompimento com a verossimilhança

  • rompimento com a linearidade clássica

  • preocupação com a religiosidade

  • personagens tipos

  • proteção: Parvo


III.A Obra (1512)

  • Crítica ao amor senil , considerando inadequado e imoral

  • Desprezo da categoria tempo:

* não preparação de cenas e entradas de personagens

* realismo na caracterização social,psicológica e lingüística de suas personagens.

* Grande domínio do diálogo e grande poder de exploração do cômico

* Pouco aparato cênico: a burguesia não andava muito divorciada da área da pequena economia agrícola.

* a ação decorre toda na horta

*os acontecimentos que se realizam fora dela são conhecidos através de informações que vêm de fora

*todos os episódios convergem para seu desfecho.



  • = Duas longas e aparentes digressões:

* o solilóquio do Velho : Pater –Noster

  • . revela a beatice do velho e a sua ignorância religiosa

    • . dispõe-se a preparar uma impressão de absoluta serenidade meditativa na sua personagem – produz um inesperado efeito de contraste com a transformação psicológica provocada por uma paixão à primeira vista.

* ladainha onomástica da Alcoviteira

    • lista ou catálogo de nomes próprios

    • as figuras invocadas eram pessoas da Corte e os próprios espectadores.

    • apelo para virtudes mágicas de santos prematuros.



IV. Personagens


. Parvo – criado do Velho com pouca cultura,limitando-se a chamar-lhe às realidades primárias da vida (o comer)

  • incapaz de compreender grandes dramas.

.Alcoviteira – figura pitoresca da baixa sociedade peninsular

  • astuciosa e mistificadora,cuja moral independe de todas as leis da sensibilidade.

. Alcaide – antigo oficial de Justiça

. Beleguins – agentes de polícia

. Mocinha – personagem que vai até a horta comprar

. Mulher espera do Velho

. Velho – sessentão , proprietário de uma horta

  • apaixona-se subitamente por uma jovem compradora.

. Moça – rapariga com certa experiência, já balzaquiana ,com resposta ao pé da letra

  • confiante em si mesmo,disposta a zombar de um velho inofensivo,sem quebra da sua dignidade pessoal.

    • Observar no enredo a sequência magistral de estados de espírito com que a moça acata ou reage aos galanteios do velho.



V. O Enredo


Esta seguinte farsa é o argumento que um homem honrado e muito rico já velho tinha uma horta:e,andando u’a manhã por ela espairecendo,sendo o seu hortelão fora,veio uma moça de muito bom parecer buscar hortaliça,e o velho em tanta maneira se enamorou dela que,por via de uma alcoviteira,gastou toda a sua fazenda.A alcoviteira foi açoitada ,e a moça casou honradamente.Entra logo o velho rezando pela horta.Foi representada ao mui sereníssimo rei D.Manuel,o primeiro deste nome.Era do Senhor de M.D.XII.


  • Entra a moça na horta e conversa com o velho

a) de início responde despretensiosamente às primeiras cortesias:

Ai! Como isso é tão vão

E como as lisonjas são

De barato;

b) logo mais começa a perceber a faceirice do pretendente:

Vistes vós ! Segundo isso

Nenhum velho não tem siso

Natural;


c) procura, então,fazer-se de desentendida:

VELHO – Ó meus olhinhos garridos!

Minha rosa!meu arminho!

MOÇA – Onde é o vosso ratinho? (=hortelão)

Não tem os cheiros colhidos?

d) começando a aborrecer-se, reage secamente mas oferecendo ao Velho importuno um ensejo para recomposição de suas atitudes:

Jesus!Jesus!que cousa é essa?

E que prática tão avessa


da razão!

Falai,falai doutra maneira;

e) a seguir,percebendo já a insignificância do pretendente, resolve então troçar com as tontices do Velho,procurando às vezes mostrar-lhe o ridículo em que se mete:

E essa tosse? \ etc.

Não vedes que sois já morto

E andais contra a natura?

f) distraída,a Moça já manifesta cansaço com as tontices do Velho.Oferecendo-lhe generosamente o jardim,diz o Velho e lhe responde a compradora:

podeis,senhora,fazer

dele o que fazeis de mim!

MOÇA – Que folgura!


g) mas no momento em que o Velho procura complementar as suas declarações com atitudes objetivas de conquista segurando-lhe a mão,a Moça,surpreendida com a ousadia,retira-se da horta:

Jesus!E quereis brincar?

Que galante e que prazer!


  • entra o Parvo,criado do Velho e diz:

Dono,dizia minha dona

Que fazeis vós cá té à noite?

VELHO- Vai-te! Queres que t’açoite?

Oh!Dou ao demo a intrujona


Sem saber!

PARVO- Diz que fosseis vós comer

E não demoreis aqui.

VELHO- Não quero comer ,nem beber.

PARVO- Pois que haveis cá de fazer?

VELHO- Vai-te daí!




  • vem a mulher do Velho e diz

Hui! Que sina desastrada!

Fernandeanes,que é isto?

VELHO- Oh pesar do anticristo,

Oh velha destemperada!(27)

Vistes ora?

MULHER- (E) esta dama ,onde mora?

Hui! Infeliz dos meus dias!(28)

Vinde jantar em má hora:

(por) que vos meteis agora

em musiquias?

VELHO – Pelo corpo de São Roque

Vai para o demo a gulosa!(29)




Mantenha Deus vossa mercê.

Olá!Venhais em boa hora!

Ah!Santa Maria!Senhora,

Como logo Deus Provê!

ALCOVITEIRA- Certo,oh fadas!

Mas venho por misturadas,

E muito depressa ainda.

VELHO – Misturadas preparadas,

Que hão de fazer bem guisadas(40)

Vossa vinda!




  • Alcoviteira começa a ladainha

Todos santos marteirados,

socorrei ao marteirado,

que morre de namorado,

pois morreis de namorados.

para o livrar,

As virgens quero chamar,

que lhe queiram socorrer,

ajudar e consolar,

que está já para acabar

de morrer.





  • Alcoviteira segue tirando dinheiro do velho

Venhais em boa hora ,amiga!

ALCOVITEIRA- Já ela fica de bom jeito;

mas,para isto andar direito,

é razão que vo-lo diga:

eu já,senhor meu,não, posso,

sem gastardes bem o vosso,

vencer ua moça tal.

VELHO- Eu lhe pagarei em grosso.

ALCOVITEIRA – Ai está o feito nosso,

e não em al.

Perca –se toda a fazenda,

por salvardes vossa vida!




  • Vem um alcaide com quatro belequins e diz

Dona levantais daí!

ALCOVITEIRA – Que me quereis vós assi?

ALCAIDE- À cadeia!

VELHO- Senhores,homens de bem,

Escutem vossas senhorias.

ALCAIDE – Deixai essas cortesias!

ALCOVITEIRA – Não hei medo de ninguém,

vistes ora!

ALCOVITEIRA Está já a carocha aviada?!...

Três vezes fui açoitada,

E,enfim,hei de morrer.


  • Vem uma mocinha à horta, e diz:

MOCINHA- Agora,má hora é vossa!

Vossa é a treva.

Mas ela o noivo leva.

Vai tão leda,tão contente,

Uns cabelos como Eva;

Por certo que não se lhe atreva (74)

Toda a gente!

VELHO Quero-me ir buscar a morte,

Pois que tanto mal busquei.

Quatro filhas que criei

Eu pus em pobre sorte.

Vou morrer.

Elas hão de padecer,

Porque não lhe deixo nada;

Da quantia riqueza e haver

Fui sem razão despender,

Mal gastada.

VI. Considerações Finais


. durante os diálogos entre o Velho e a Moça apresentam-se em versos e não em prosa

. Estrutura:quatro versos em redondilhas maiores e um quinto verso com três sílabas métricas

. os conceitos formulados pelo Velho acerca da natureza do amor são do formulário lírico dos poetas quinhentistas (Petrarca)

. a interlocução do Velho apaixonado,contagiado pelo gosto das antíteses e pelo conceito do conflito entre a razão e o sentimento amoroso

“que morrer é acabar



e amor não tem saída


  • Expressões usadas pelo Velho para se referir à Moça.



“flor,Senhora,meu coração,meu paraíso,meus olhinhos garridos,minha rosa,meu arminho,meu amor,minha alma verdadeira,minha alma e minha dor.”


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