O papel e os novos desafios da biblioteca universitária no ead



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O PAPEL E OS Novos Desafios da Biblioteca Universitária no Ensino à Distância - EAD
Rachel Fullin de Mello

Biblioteca Central - Universidade Estadual de Campinas

bidsp@obelix.unicamp.br
Valéria dos Santos Gouveia Martins

Biblioteca Central – Universidade Estadual de Campinas

bidados@obelix.unicamp.br
Regina Aparecida Blanco Vicentini

Biblioteca do IFCH – Universidade Estadual de Campinas

rblanco@obelix.unicamp.br
Montserrat Urpí Cámara

Biblioteca Central – Universidade Estadual de Campinas

murpi@obelix.unicamp.br

RESUMO:


O Ensino à Distância - EAD tem sido intensamente discutido no cenário acadêmico, nacional e internacional, em função da necessidade da democratização do ensino, visando os direitos de acesso irrestrito à educação e à cultura de todo ser humano, da formação continuada, e da superação dos impedimentos sociais e pessoais (distância geográfica, disponibilidade de horário, compromissos familiares e profissionais, etc.). A incorporação nas Universidades das novas tecnologias e recursos informacionais tem proporcionado a implantação e intensificado a implementação dos programas de EAD.

O presente trabalho estabelece um panorama nacional do papel das Bibliotecas Universitárias na consolidação do EAD nas Universidades, destacando os serviços que são disponibilizados no apoio ao ensino presencial e suas possíveis mudanças e/ou implementações em um novo contexto de ensino não presencial.



1 INTRODUÇÃO


A globalização da economia e do conhecimento, as inovações tecnológicas, tem exigido esforços das universidades, centros de pesquisa e empresas na formação dos indivíduos, na educação continuada, no treinamento e reciclagem de profissionais.

Uma modalidade de ensino que vem oferecendo meios que possibilitem o atendimento a um número maior de alunos, empresas e instituições, a democratização do acesso ao conhecimento, ampliação das fontes de informatização, maior velocidade de acesso ao conhecimento, otimização do tempo e custos para a formação, ultrapassando fronteiras geográficas, “just in time” do conhecimento – rapidez do ensino e aplicação do conhecimento adquirido, é o Ensino á Distância - EAD.

Blattmann (1999) ressalta a educação a distância como:

uma modalidade de ensino que promove oportunidades para aprender, que estão sendo consideradas positivamente durante este século, atraindo cada vez mais o interesse de instituições e indivíduos.



A educação a distância é também conhecida como educação alternativa ou não formal. Os programas e cursos oferecidos pelas instituições estão voltados tanto para o alto desenvolvimento, bem como, para a educação continuada profissionalizante.

No âmbito internacional observamos uma tendência de crescimento vertiginoso na oferta de cursos não presenciais, nas diversas formações acadêmicas, os quais despontam bem sucedidos e sedimentados.

No Brasil, observa-se que o EAD tem sido amplamente discutido através de listas de discussões específicas, grupos de trabalho nas principais instituições e iniciativas de implantação de cursos à distância buscando consolidação para os mesmos e junto aos órgãos competentes.

Apesar da legislação vigente contemplar a regulamentação desta modalidade de ensino, segundo decreto nº 2.494 de 10 de fevereiro de 1998, art. 80 da LDB (Lei nº 934/96) observa-se, ainda, que a infra-estrutura de apoio necessária, em todos os segmentos, para a realização do ensino não presencial, não tem sido efetivamente constatado nos programas apresentados pelas instituições.

Um dos requisitos apontados na legislação, determina a existência da biblioteca informatizada, como ítem obrigatório para a aprovação destes cursos.

Portaria nº 301, de 7 de abril de 1998, dispõe sobre a necessidade de normatizar os procedimentos de credenciamento de instituições para a oferta de cursos de graduação e educação profissional tecnológica a distância, resolve:



Art. 3º A solicitação para o credenciamento do curso de que trata o § 1º deverá ser acompanhada de projeto, contendo pelo menos, as seguintes informações:

IV – descrição da infra-estrutura, em função do projeto a ser desenvolvido: instalações físicas, destacando salas para atendimento aos alunos; laboratórios; biblioteca atualizada e informatizada, com acervo de periódicos e livros, bem como fitas de áudio e vídeo.

É com este objetivo que o presente trabalho se desenvolve, mapeando as instituições que possuem iniciativas de EAD e que cumprem efetivamente o requisito biblioteca, com a devida conceituação, ou seja provedora da informação e elemento de apoio ao ensino e a pesquisa seja o usuário presencial ou não presencial. A ACRL guidelines for distance learning library services, recomenda:

Library resources and services in institutions of higher education mus meet the needs of all their faculty, students, and academic support staff, wherever these individuals are located, whether on a main campus, off campus, in distance education or extended campus programs, or in the absence of a campus at all; in courses taken for credit or non-credit; in continuing education programs; in courses attended in person or by means of electronic transmission; or any other means of distance education.”
2 HISTÓRICO SUCINTO E CONCEITUAÇÃO DO EAD

2.1 Histórico


  • 1947-64 – Escola Básica para Adultos (combate ao analfabetismo).

  • 1965-74 – Teleeducação.

  • 1975-89 – Educação Multimidia à Distância.

  • 1990-.... – Sistemas Interativos Abertos.

Loyolla & Prates (199?) também citam:

A primeira foi a geração textual, que se baseou no auto-aprendizado como suporte apenas em simples textos impressos, o que ocorreu até a década e 1960. A Segunda foi a geração analógica, que se baseou no auto-aprendizado com suporte em textos impressos intensamente complementados com recursos tecnológicos de multimídia tais como gravações de video e audio, o que ocorreu entre as décadas de 1960 e de 1980. A terceira e a atual geração digital que se baseia no auto-aprendizado com suporte quase que exclusivamente em recursos tecnológicos altamente diferenciados, que podem ser pelos seguintes fatores:



  • A eficiência e o baixo custo dos modernos sistemas de telecomunicação digital e via satleite;

  • A alta interactividade e baixo custo dos modernos computadores pessoals;

  • A amplitude e o custo accesivei das redes computacionais locais e remotas, tais como as intranets e a internet”.



2.2 Conceituação

As primeiras abordagens conceituais qualificavam a educação à distância estabelecendo um comparativo muito próximo a educação presencial (convencional). Atualmente pesquisadores da área expressam um conceito com mais detalhamento, considerando vários elementos essenciais para o EAD.

Dohmen (1967) define que a EAD:

é uma forma sistematicamente organizada de auto-estudo onde o aluno se instrui a partir do material de estudo que lhe é apresentado, onde o acompanhamento e a supervisão do sucesso do estudante são levados a cabo por um grupo de professores. Isto é possível de ser feito a distância através da aplicação de meios de comunicação capazes de vencer longas distâncias. O oposto de “educação a distância” é a “educação direta” ou “educação face-a-face”: um tipo de educação que tem lugar com o contato direto entre professores e estudantes”.

Peters (1973) define que a EAD:

é um método racional de partilhar conhecimento, habilidades e atitudes, através da aplicação da divisão do trabalho e de princípios organizacionais, tanto quanto pelo uso extensivo dos meios de comunicação, especialmente para o propósito de reproduzir materiais técnicos de alta qualidade, os quais tornam possível instruir um grande número de estudantes ao mesmo tempo, enquanto esses materiais durarem. É uma forma industrializada de ensinar e aprender”.

Moore (1973) diz que a EAD:

pode ser definido como a família de métodos instrucionais onde as ações dos professores são executadas a parte das ações dos alunos, incluindo aquelas situações continuadas que podem ser feitas na presença dos estudantes. Porém, a comunicação entre o professor e o aluno deve ser facilitada por meios impressos, eletrônicos, mecânicos ou outros”.


3 BIBLIOTECA E O EAD

Dois pontos distintos devem ser salientados e identificados quando abordamos a Biblioteca no contexto do ensino à distância:



  • adequar os serviços/produtos que já são oferecidos para o usuário presencial para o usuário não presencial;

  • participar do planejamento, organização e administração da biblioteca multimídia em conjunto com os profissionais dos projetos de EAD, que estarão definindo os critérios para prover a informação ao usuário.


4 METODOLOGIA DA PESQUISA

Para mapear as iniciativas de EAD nas Instituições de Ensino Superior- IES no Brasil, foi considerado, como fonte de consulta, o resultado do XVIII Ranking de Faculdades elaborado pela Revista Playboy, a qual realizada levantamentos deste porte desde 1982, colhendo dados entre milhares professores, profissionais de recursos humanos de grandes empresas, instituições de ensino, e órgãos oficiais de educação no Brasil, como Ministério da Educação, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior- CAPES, o Conselho Nacional de Pesquisa- CNPq e as Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa.


4.1 Critérios Adotados para o Universo da Pesquisa

  • pesquisa no XVIII Ranking onde contempla as 79 melhores instituições;

  • delimitação das dez primeiras classificações, resultando em 11 instituições que obtiveram a melhor pontuação dentre os cursos oferecidos.

4.2 Pontos Abordados na Pesquisa

  • a instituição possui homepage?

  • a homepage possui link de EAD?

  • a biblioteca da instituição tem homepage?

  • a homepage do EAD possui link para a homepage da biblioteca?

  • a biblioteca oferece serviços diferenciados para o EAD?


4.3 Apresentação do Resultado da Pesquisa

As instituições pesquisas foram: USP, UFRJ, UNESP, UNICAMP, UFRGS, UFMG, PUCRJ, UFSC, PUCSP, UFSCar e UNB, obtendo-se o seguinte resultado:



  • todas apresentam homepage;

  • todas apresentam apontador de EAD;

  • dez bibliotecas destas instituições possuem homepage própria;

  • uma instituição apresenta homepage de EAD com apontador para a homepage da biblioteca;

  • nenhuma biblioteca oferece serviços diferenciados para o EAD.


5 CONCLUSÃO

De acordo com os dados apresentados, constata-se que não existe ainda bibliotecas que ofereçam serviços diferenciados e estruturados para o EAB. Contudo foi observado que as bibliotecas apresentam iniciativas de EAD, tais como manuais on-line de orientação ao usuário, catálogos on-line, solicitação de empréstimo retornável e não retornável, atendimento da pesquisa através de correio eletrônico, fax, telefone, etc.

Considerando o resultado da pesquisa, é importante salientar que a necessidade de integração entre profissionais responsáveis pela elaboração dos cursos de EAD e profissionais bibliotecários para o desenvolvimento de programas educativos. Outro item a considerar seria a melhor definição pela legislação do que compreende a biblioteca informatizada como ponto fundamental no apoio ao ensino à distância.
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARRETO, Elba Siqueira de Sá, Pinto, Regina Pahim, MARTINS, Angela Maria. Formação de docentes a distância: reflexões sobre um programa. Cadernos de Pesquisa, n.106, p.81-115, mar. 1999.

BLATTMANN, Ursula & DUTRA, Sigrid Karin Weisss. Atividades em bibliotecas colaborando com a educação a distância. UFSC, 1999. [On-line] Disponível em: http://www.ced.ufsc.br.

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Portaria nº 301, de 7 de abril de 1998. A necessidade de normatizar os procedimentos de credenciamento de instituições para a oferta de cursos de graduação e educação profissional tecnológica a distância. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, de 9 abr. 1998.

DRAIBE, Sônia M. & RUS PEREZ, José Roberto. O programa TV escola: desafios à introdução de novas tecnologias. Cadernos de Pesquisa, n.106, p.27-50, mar. 1999.

HELLER-ROSS, Holly. Library support for distance learning programs: a distributed model. JLSDE, v.II, n.1. 1999. [On-line] Disponível em: http://www.westga.edu/library/jlsde/vol2/1/Hheller-Ross.html.

LOYOLLA, Waldomiro & PRATES, Maurício. Educação à distância medida por computador (EDMC) – Uma proposta pedagógica para a Pós-Graduação. [On-line] Disponível em: http://www.puccamp.br/~prates/edmc.html.

NUNES, Ivônio Barros. Noções de educação a distância. Revista Educação a Distância, n.4-5, p.7-25, dez./abr. 1993/94.






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