O último Evangelho David Gibbins



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O Último Evangelho
David Gibbins

Tradução:

Lea P. Zylberlicht

2007


... Ele faleceu em uma catástrofe que destruiu a mais bela das regiões da Terra, um destino partilhado por todas as regiões e seu povo, e é tão memorável que é provável que o seu nome viva para sempre; e ele próprio escreveu uma série de livros de valor duradouro: mas você escreve incessantemente e ainda pode fazer muito para perpetuar sua memória. O homem de sorte, em minha opinião, é aquele a quem os deuses concederam o poder de fazer algo merecedor de ser registrado ou que valha a pena ser lido, e o mais afortunado de todos é o homem que pode fazer ambos...
Plínio, o Moço

Carta para o historiador Tácito,

c. 100 d.C.


PRÓLOGO
24 de agosto do ano 79 d.C.
O velho avançou com dificuldade para a beira da brecha, o aperto firme de seu ex-escravo, que havia sido libertado e que o segurava, era tudo que o impedia de arremessar-se adiante. Aquela era uma noite de lua cheia, uma lua vermelha, e os redemoinhos de vapor que enchiam a cratera pareciam brilhar, como se os fogos do vulcão estivessem queimando através da estreita projeção do chão que dividia o mundo dos vivos do mundo dos mortos. O velho observou atentamente por cima da beirada, sentiu a corrente de ar quente em seu rosto e experimentou o gosto forte de enxofre em seus lábios. Ele sempre se sentia tentado, mas sempre se detinha. Lembrou as palavras de Virgílio, o poeta por cuja tumba haviam passado ao vir para este lugar. Facilis descendus Avernus. É fácil descer para os mundos infernais. Sair não era tão fácil.

Ele voltou-se e ergueu seu capuz para esconder o rosto. Atrás deles vislumbrou rapidamente o cone escuro do Vesúvio sobre a enseada, as cidades de Herculano e Pompéia luzindo fracamente como sentinelas de cada fado. A grande dimensão do Vesúvio era tranqüilizadora em noites como esta, quando a terra tremia e o cheiro desagradável do enxofre era quase opressivo, quando o chão estava coberto com corpos de pássaros que tinham voado muito perto dos vapores. E sempre havia os arautos da destruição, loucos e charlatães que espreitavam nas sombras dispostos a furtar os crédulos, aqueles que vinham a este belvedere para admirar e contemplar durante muito tempo, mas que nunca se aventuram além. Um deles encontrava-se ali naquele momento, um grego com bastos cabelos rebeldes que saltara de um altar ao lado deles, as mãos com as palmas para cima como que em súplica, agitando os braços e espumando, balbuciando a respeito de uma grande calamidade, que Roma iria queimar, que do céu cairia uma chuva de sangue, que a terra debaixo do Vesúvio seria consumida pelos fogos dentro dele. O ex-escravo empurrou bruscamente o mendigo para um lado, e o velho resmungou aborrecido. Este não era um lugar onde alguém necessitava de um adivinho para interpretar a vontade dos deuses.

Instantes depois, eles deslizaram por uma fenda na rocha conhecida apenas pelos aleijados e pelos malditos, onde o velho tinha sido trazido pela primeira vez quando menino, fazia mais de oitenta anos. Ele ainda se lembrava do terror que sentira, parado ali chorando e tremendo, a cabeça sacudindo descontroladamente por causa da paralisia. Não havia cura para a sua doença, mas os que o fizeram entrar ali lhe proporcionaram consolo, lhe deram força para desafiar aqueles que queriam que ele nunca mais fosse visto em Roma. Mesmo agora, não tinha se libertado do medo, e sussurrou seu nome, fortalecendo-se. Tibério Cláudio Druso Nero Germânico. Lembre-se de quem você é. Lembre por que você está aqui.

Eles desceram lentamente, o velho arrastando a perna doente atrás de si, as mãos apoiadas pesadamente em seu ex-escravo que andava na frente. Em muitas noites, o céu ficava visível através da abertura no topo da fenda, mas nesta noite as escadas esculpidas na rocha estavam envoltas nos redemoinhos de vapor que pareciam tragá-las. Os cantos escuros estavam iluminados por tochas acesas, e em outros lugares tremulava uma luz alaranjada tremulava vinda de fora. Eles alcançaram uma saliência no rochedo acima do chão da cratera, e o velho esforçou-se para ver o que ele não conseguia distinguir de cima. Vapores em redemoinho pareciam flutuar numa camada de vazio acima do chão rochoso, um veneno invisível que apagava as chamas e sufocava a todos que caíam dentro deles. Em algum lugar mais além se situava a entrada para o próprio Hades, o Mundo Inferior, uma ferida ardente que rompia a rocha, rodeada pelos esqueletos carbonizados daqueles que tinham deixado seus corpos para trás no caminho para o Elísio, uma seção do Mundo Inferior. Por um instante, ele percebeu pequenas fendas vermelhas como olhos incandescentes na rocha, e depois observou uma massa derretida vazar e solidificar-se, depositando formas como membros gigantes e torsos aprisionados em uma massa incandescente no chão da cratera.

O velho estremeceu e pensou novamente em Virgílio. Era como se aqueles que haviam escolhido abandonar sua vida mortal naquele lugar estivessem se esforçando por renovação, como gigantes e titãs e deuses, embora ainda condenados por toda a eternidade como formas incompletas, formas proteiformes, formas que a natureza iniciara, mas nunca terminaria, formas como ele próprio.

A cena desapareceu dentro dos vapores como um sonho, e eles se apressaram, o velho cambaleando e ofegando atrás do ex-escravo. Sua visão obscureceu e ficou indistinta, como lhe acontecia com freqüência nestes dias, e ele parou para esfregar os olhos e desviou o olhar. Alcançaram um passadiço, um caminho elevado envolto em fumaça amarela que saía dos orifícios no chão e era cercado de cada lado por poças de lama ferventes que se erguiam e sacudiam violentamente. Disseram-lhe que estas eram as almas atormentadas do purgatório pressionando para cima, desesperadas para escapar e que o assobio do gás eram suas exalações, como humores malignos que se erguiam de uma sepultura no cemitério. O velho já vira isso antes, quando o comandante de sua legião o levara para ver as covas onde haviam arremessado os bretões mortos, corpos que ainda se mexiam debaixo do solo várias semanas depois da matança. Ele fez uma careta ao se lembrar de sua náusea, e se apressaram, passando diante das fumarolas de gases e vapores e para dentro da escuridão mais além.

Como que saindo do nada, algumas mãos se estenderam em sua direção, e ele podia ter a sensação de formas espectrais alinhadas de cada lado do passadiço, algumas se arrastando para cima, da beirada da cratera, sobre membros enfraquecidos. Seu ex-escravo andava na frente com os braços estendidos, suas palmas viradas para fora e tocando as deles, abrindo um espaço atrás para o velho poder seguir. Escutou um canto em voz baixa, um solista e em seguida muitas vozes respondendo, um barulho embotado como o de folhas do final do outono levantadas por uma rajada de vento. Eles cantavam as mesmas palavras, repetidas vezes. Domine Ivimus. Senhor, nós viremos. Houve um tempo em que (Cláudio teria andado no meio deles, teria sido um deles. Mas agora eles faziam o sinal com as mãos quando as estendiam em sua direção, os dedos cruzados, e eles sussurravam seu nome, depois o nome daquele que sabiam que ele havia tocado. Seu amigo Plínio também havia visto isto, ele andara disfarçado misturado com os marinheiros na base naval no topo da enseada, vira grupos de homens e mulheres ouvindo com atenção nas passagens estreitas e sombrias e nos quartos dos fundos das tavernas, ouvira falar de um novo sacerdote, um daqueles chamados apóstolos. Virgílio profetizara isto, Virgílio, que havia trilhado este mesmo caminho uma centena de anos antes, que sussurrara sua revelação também na mensagem das folhas. O nascimento de um menino. Um mundo de paz, libertado de um medo incessante. No entanto, um mundo no qual a tentação espreitava, em que novamente surgiriam homens para se colocar entre o povo e a palavra de Deus, cm que o terror e a discórdia poderiam imperar mais uma vez.

O velho mantinha seu olhar fixo constantemente abaixado, e prosseguia com dificuldade. Já fazia vinte e cinco anos que ele morava em sua habitação elegante abaixo da montanha, um historiador humilde com o trabalho de sua existência para completar. Vinte e cinco anos desde que supostamente morrera envenenado cm seu palácio em Roma, removido naquela noite para nunca mais voltar. Um Imperador que vivia não como um deus, mas como um homem. Um imperador com um segredo, com um tesouro tão precioso que este o manteve vivo durante todos aqueles anos, observando, esperando. Poucas pessoas sabiam disso. Seu amigo Plínio. Seu confiável ex-escravo Narciso, que se encontrava com ele naquela noite. No entanto, agora, estes o tratavam com uma estranha reverência, muito atentos à cada palavra sua como se ele fosse um adivinho, como se ele fosse o próprio oráculo. O velho resmungou consigo mesmo. Naquela noite ele iria cumprir uma promessa que fizera havia muito tempo à beira de um lago para alguém que lhe confiara sua palavra, sua palavra escrita. Esta era a última chance que o velho tinha para dar forma à história, para conseguir mais do que jamais poderia como imperador, para deixar um legado que iria, como ele sabia, sobreviver até mesmo à própria Roma.

Repentinamente, ficou sozinho. A sua frente o passadiço desaparecera dentro de uma cavernosa escuridão, um lugar onde o calor que subia das profundezas encontrava a fria exalação de dentro das cavernas, para formar uma miragem um pouco tremeluzente. Ele procurou o dado que sempre levava em seu bolso, girando-o várias vezes, tentando acalmar o seu tremor. Dizia-se que a caverna tinha cem entradas, cada uma delas com uma voz. Atrás dele havia uma bacia rasa, e ele mergulhou seus dedos nas águas purificadoras, molhando o rosto. À frente encontrava-se uma baixa mesa de pedra, pequenas colunas de fumaça marrom erguiam-se de uma massa em combustão espalhada pela superfície. Ansiosamente, cambaleou até ela, agarrando as beiradas lisas da mesa, os olhos bem fechados, aspirando profundamente a fumaça, tossindo e fazendo força para vomitar, mantendo-se ali. Plínio chamava esta fumaça de opium bactrium, o extrato de papoula trazido do distante reino da Báctria situado no leste, nos vales montanhosos açoitados pelos ventos, conquistado por Alexandre, o Grande. Mas ali a fumaça era chamada de presente de Morfeu, o deus dos sonhos. Ele a aspirou novamente, sentindo a investida violenta que atingia seus pulmões, trazendo sentimentos que quase haviam desaparecido, amainando a dor. Ele precisava mais disto agora, necessitava quase todas as noites. Inclinou-se para trás, e sentiu como se estivesse flutuando, o rosto erguido e os braços estendidos. Por um instante fugaz, voltou para um outro lugar onde ele buscara sarar, muito tempo atrás, junto ao lago da Galiléia, rindo e bebendo com seus amigos Herodes e Cipros e sua amada Calpúrnia, com o Nazareno e sua mulher, onde ele havia sido locado por alguém que conhecia o seu destino, que tinha previsto este exato dia.

O velho abriu os olhos. Alguma coisa estava vindo da caverna, uma forma retorcida e ondulante que parecia se pressionar contra a miragem como uma fênix se erguendo. Ela abriu caminho através da miragem, e ele viu uma enorme serpente, em pé, ereta, tão alta quanto ele, sua cabeça achatada abaixou e sua língua se agitava entrando e saindo, se movendo de um lado para outro. Plínio lhe dissera que estas eram alucinações provocadas por morfina, mas, quando a serpente se abaixou ao solo e deslizou ao redor de suas pernas, o velho experimentou o macio sedoso de sua pele e sentiu o seu cheiro bolorento, um odor acre. Depois a serpente se deslocou, deslizando para dentro de uma fenda na lateral da caverna, e apareceu um outro cheiro, sobrepujando o do enxofre e da morfina e o cheiro da serpente, um odor como o de um vento frio soprando através de uma sepultura fétida, um cheiro de decomposição antiga. Alguma coisa se movimentou repentinamente, uma forma mal e mal visível na escuridão. Ela estava ali.

- Cláudio.

Ele ouviu um gemido baixo, depois um som como um riso zombeteiro, em seguida um suspiro que ecoou através de centenas de passadiços diferentes na rocha, antes de desaparecer. Cláudio observou atentamente a escuridão, esperando, girando a cabeça. Dizia-se que ela havia vivido por setecentos períodos de vida dos homens, que Apolo lhe concedera tantos anos quantos os grãos de areia que ela podia segurar em suas mãos, mas que o deus lhe recusara a eterna juventude depois que ela recusara seus avanços. Tudo o que Apolo lhe permitira manter era a voz de uma mulher jovem, para lembrá-la da imortalidade que ela rejeitara e para que se atormentasse. E agora ela era a última delas, a última das profetisas de Gaia, a deusa da terra, a última dentre treze.

- S-Sibila. - Cláudio quebrou o silêncio, a voz trêmula e áspera por causa do enxofre, olhando com cuidado dentro da escuridão. - Eu fiz como você me instruiu, fiz o que você me ordenou fazer para as vestais, em Roma. E agora estive com a décima terceira, com a deusa Andraste, fui até sua sepultura, levei-o para ela. A profecia foi cumprida.

Ele deixou cair uma bolsa de moedas que carregava, e elas tiniram, moedas pesadas de ouro e prata, o último lote de moedas que ele havia guardado para esta noite, moedas que tinham seu retrato. Um raio de luz iluminou a frente da mesa, revelando a superfície gasta da pedra do passadiço debaixo dos redemoinhos de vapor. No chão jaziam folhas, folhas de carvalho arranjadas como palavras, a letra grega escrita com tinta em cada folha era muito pouco visível. Cláudio balançou para frente, caindo sobre as mãos e os joelhos e olhando cuidadosamente para as folhas, desesperado para ler a mensagem. Repentinamente, uma rajada de vento levou-as embora. Ele gritou, depois lentamente curvou a cabeça, suas palavras laceradas pelo desespero. - Você levou meu ancestral Enéias para ver seu pai Anquises. Tudo que pedi foi ver meu pai Druso. Meu caro irmão Germânico. Meu filho Britannicus. Queria olhá-los por um instante no Elísio, antes que Caronte me leve para onde deseja.

Houve outro gemido, mais fraco desta vez, em seguida um som agudo que parecia vir de toda parte ao mesmo tempo, como se todas as centenas de bocas da caverna estivessem se torcendo na parte interna de seu corpo.
Dia de fúria e de terror se manifestando!

Céu e Terra se consumiram em cinzas

As palavras de Cláudio e a verdade de Sibila se cumpriram!
Cláudio balançou sobre os pés, seu corpo tremendo e se contraindo convulsionado pelo medo. Olhou novamente para a poça de luz. Havia agora um montão de areia onde antes tinham estado as folhas, os grãos escorrendo pelos lados. Ele observou quando uma pequena quantidade desceu de algum lugar muito acima, uma luz fraca caiu como uma cortina translúcida. Depois tudo se aquietou. O velho olhou ao seu redor e percebeu que a serpente tinha ido embora, havia abandonado sua pele e a deixara vazia diante dele, deslizara para dentro do veneno acima do chão da cratera. Ele relembrou as palavras de Virgílio novamente, a vinda da Idade do Ouro. E as serpentes também morrerão.

Cláudio sentiu a cabeça clarear e viu a miragem na frente da caverna desaparecer. Subitamente, sentiu-se desesperado para ir embora, deixar de lado o desejo ardente que o prendera a este lugar e à Sibila durante tanto tempo, de voltar para sua vila debaixo do Vesúvio para terminar o trabalho que ele e Plínio haviam planejado para aquela noite, para cumprir a promessa que tinha feito à beira do lago muito tempo antes. Ele se voltou para ir embora, então sentiu algo na parte de trás de seu pescoço, um toque de frio que fez os seus cabelos se arrepiarem. Pensou ouvir seu nome de novo, sussurrado suavemente, mas desta vez elas eram as palavras de uma mulher velha, inacreditavelmente velha, e foram seguidas por um sussurrar como o guizo de uma cascavel morta. Ele não ousou virar-se para trás. Começou a se apressar para diante, claudicando e escorregando na rocha, olhando em volta e procurando Narciso freneticamente. Acima da borda da cratera ele podia distinguir a forma sombria da montanha, seu cume envolto em raios bruxuleantes como uma coroa ardente de espinhos. Acima, as nuvens avançavam rápidas, mudando de forma e escurecendo, com um intenso brilho laranja e vermelho como se estivessem em fogo. Experimentou um medo terrível, em seguida uma súbita lucidez, como se todas as suas memórias e sonhos tivessem sido sugados pelo redemoinho que via adiante. Era como se a própria história se acelerasse, história que ele tinha mantido oculta desde que desaparecera de Roma, por metade de uma existência, história que havia esperado por ele como uma mola que não pudesse mais ser contida sem se distender.

Ele continuou cambaleando. Atrás de si sentia uma presença maligna empurrando-o para a frente através de uma neblina sulfurosa em direção ao solo da cratera. O velho agarrou o dado novamente, tirou-o do bolso e deixou-o cair, ouviu-o pular fazendo barulho sobre a rocha e parar. Olhou desesperadamente, mas não viu nada. De cada lado, formas espectrais emergiam da cova, não mais suplicantes, mas juntando-se a ele como um exército silencioso, envoltas em partículas quentes de cinza que começaram a cair do céu como neve. O velho sentiu a boca ficar seca, uma sede desesperante. No cume da montanha ele viu um ardente anel de fogo que descia pelas colinas em direção às cidades e grandes superfícies em chamas em sua esteira. Depois a cena foi eliminada pela escuridão, uma fumaceira em redemoinho que descia para dentro da cratera e obscurecia tudo menos o vazio que diminuía acima. Ouviu gritos, um rugido amortecido, viu corpos se incendiarem como tochas na escuridão, um após outro. Ele estava se aproximando. Agora ele sabia, com certeza horrorizada. A Sibila havia mantido sua promessa. Ele iria seguir as pegadas de Enéias. Mas desta vez não haveria retorno.

CAPÍTULO I
Jack Howard acomodou-se no chão do barco inflável, as costas apoiadas em um contêiner de metal com as pernas contra o motor externo do barco. Fazia calor, quase demasiado calor para se mexer, e o suor começou a escorrer pelo seu rosto. O sol tinha queimado através do mormaço matinal e o oprimia implacavelmente, refletindo de maneira ofuscante a face do despenhadeiro diante dele, a pedra calcária manchada e gasta como as tumbas e os templos no promontório do outro lado. John sentia como se estivesse em uma pintura de Seurat, como se o ar tivesse se fragmentado em uma miríade de pequenos elementos que imobilizavam qualquer pensamento e ação, que o prendiam naquele momento. Fechou os olhos e respirou profundamente, deixou-se penetrar pelo silêncio absoluto, o odor do macacão de mergulho, do motor externo, o gosto de sal. Isto era tudo o que ele amava, havia penetrado em sua essência. O gosto era bom.

Jack abriu os olhos e olhou atentamente por sobre a borda do barco, verificando a bóia laranja que havia soltado alguns minutos antes. O mar estava liso e espelhado, com apenas uma suave onda se quebrando contra a face do rochedo. Ele estendeu o braço e colocou a mão sobre a superfície, deixando-a flutuar por um momento até a onda envolvê-la. A água estava límpida, tão clara como a de uma piscina, e ele podia ver, bem embaixo, a linha da âncora nas profundezas, até a luz fraca das bolhas de escape que subia dos mergulhadores. Era difícil acreditar que este tinha sido um lugar de fúria inimaginável, da natureza na sua forma mais cruel, de uma tragédia humana inenarrável. O naufrágio de embarcação mais famoso da história. Jack mal ousava pensar nisso. Durante trinta anos ele desejara voltar para este lugar, uma ânsia que o havia importunado e se tornara uma obsessão corrosiva, desde sua primeira hesitação, desde que começara a reunir as peças pela primeira vez. Era uma intuição que raramente o desapontara, experimentada e testada durante anos de exploração e descoberta ao redor do mundo. Uma intuição baseada em sólida ciência, em uma acumulação de fatos que havia começado a apontar de maneira invariável em uma direção.

Ele havia sentado ali, em Capo Murro di Porco no coração do Mediterrâneo, quando pensou pela primeira vez em entrar na Universidade Marítima Internacional. Vinte anos atrás ele ganhava muito pouco dinheiro, como guia de um grupo de estudantes, apaixonados por mergulho e arqueologia, com equipamento grosseiro e construído depressa e com pouco dinheiro naquele mesmo lugar. Agora ele tinha uma verba de muitos milhões, um campus espaçoso em sua ancestral propriedade rural no sul da Inglaterra, museus ao redor do mundo, e usava os mais modernos navios de pesquisa, com uma equipe extraordinária na IMU (Universidade Marítima Internacional) que passara a usar sua logística. Mas, de certa maneira, pouco havia mudado. Nenhuma quantia de dinheiro podia conseguir os indícios que levavam às maiores descobertas, aos extraordinários tesouros que faziam tudo valer a pena. Vinte anos atrás, eles tinham estado seguindo um relato provocativo deixado pelos marinheiros do capitão Cousteau, exploradores intrépidos no início da arqueologia de naufrágios, e de novo ele estava no mesmo lugar, flutuando acima da mesma posição, com o mesmo velho diário danificado pelo uso em suas mãos. Os elementos-chave ainda eram os mesmos, as intuições, a sensação nas entranhas, a excitação da descoberta, aquele momento em que subitamente todos os elementos se ajustam e a adrenalina se acelera como nunca.

Jack se deslocou, empurrando seu macacão de mergulho mais para baixo ao redor de sua cintura, e olhou o relógio. Estava ansioso para se molhar. Deu uma olhada para o mar. Houve uma pequena agitação quando os mergulhadores puxaram a bóia submersa, e ele podia vê-la produzir refração cinco metros abaixo, estava bastante profunda para evitar as hélices dos barcos que passavam, mas numa profundidade suficientemente rasa para um mergulhador independente recuperar uma linha pesada que pendia dela como um ponto de ancoragem. Jack já havia ousado olhar para diante, tinha começado a observar a posição como um comandante de campo planejando um assalto. O Seaquest podia ancorar em uma enseada perto do promontório do lado oeste. Nesse promontório, bom para um acampamento, a costa rochosa descia em uma série de saliências boas para pôr os pés. Ele rememorou detalhadamente todos os elementos de uma escavação de sucesso debaixo da água, sabendo que cada posição produzia um novo conjunto de desafios. Quaisquer achados teriam que ir para o museu arqueológico em Siracusa, mas tinha a certeza de que as autoridades sicilianas fariam uma bela exposição com as peças. A IMU estabeleceria uma ligação permanente com o seu próprio museu em Cartago, talvez até mesmo oferecesse um pacote de viagens aéreas para turistas. Dificilmente eles poderiam errar.

Jack perscrutou o mar, olhou novamente para o relógio, depois anotou a hora no diário de bordo. Os dois mergulhadores estavam na parada de descompressão. Faltavam vinte minutos para ir. Ele se recostou, relaxou e concentrou-se na perfeita tranqüilidade do cenário por um momento mais. Apenas três semanas antes ele estivera no limiar de uma caverna submersa na península de Yucatán, exausto, mas alegre no final de outra extraordinária trilha de descoberta. Haviam tido perdas, perdas penosas, e Jack tinha passado a maior parte da viagem de volta para casa pensando sobre aqueles que tinham pago o preço máximo pela descoberta. Seu amigo de infância Peter Howe desaparecera no mar Negro. E naquelas circunstâncias também perderam o padre O'Connor, um aliado por um período de tempo muito curto, cuja morte pavorosa o fez pensar na realidade daquilo contra o qual se posicionavam publicamente. Sempre era o risco maior que proporcionava consolo, as inúmeras vidas que poderiam ter sido perdidas se eles não perseguissem sua meta sem descanso. Jack tinha se acostumado com o fato de que os maiores prêmios arqueológicos custavam um preço, dádivas do passado que desencadeavam forças no presente que poucas pessoas poderiam imaginar que existissem. Mas aqui ele se sentia seguro, aqui era diferente. Aqui se tratava de pura e simples arqueologia, uma revelação que apenas podia emocionar e encantar quem viesse a conhecê-la.

Ele olhou para a transparente quietude do mar, viu a face submersa do despenhadeiro desaparecer dentro do azul tremeluzente. Sua mente estava acelerada, seu coração batendo rápido com a excitação. Será que é este? Será que este é o naufrágio mais famoso da antiguidade? O naufrágio do navio de são Paulo?

- Você está aí?

Jack ergueu seus pés e gentilmente cutucou a outra figura no barco. Ela cambaleou, depois resmungou. Costas Kazantzakis era cerca de trinta centímetros mais baixo que Jack, mas tinha a constituição física de um boi, uma herança de gerações de marinheiros gregos e de pescadores de esponja. Como Jack, estava despido até a cintura, e seu peito em forma de barril estava brilhando de suor. Ele parecia ter se tornado uma parte do barco, as pernas estendidas sobre o contêiner na frente de Jack e a cabeça aninhada numa confusão de toalhas na proa. Sua boca estava ligeiramente aberta e ele usava um par de óculos de sol curvos e fluorescentes, um hilário acessório da moda numa figura tão desleixada. Uma mão estava pendente na água, segurando as mangueiras que iam até os reguladores na parada de descompressão, e a outra recobria a válvula do cilindro de oxigênio que estava deitado no centro do barco. Jack sorriu afetuosamente para seu amigo. Costas estava sempre presente para dar uma mão, mesmo quando ele não estava trabalhando para a humanidade. Jack lhe deu um outro chute.

- Temos quinze minutos. Posso vê-los na parada de segurança.

Costas resmungou novamente, e Jack lhe passou uma garrafa de água. - Beba tudo que puder. Não queremos que você tenha embolia gasosa.

- Relaxa e goza, companheiro. - Costas aprendera uma série de palavras de efeito comicamente mal empregadas nos anos em que ficou baseado no quartel-general da IMU na Inglaterra, mas o modo de falar ainda era tipicamente nova-iorquino. Ele estendeu a mão e pegou a garrafa de água, e começou a beber metade da garrafa ruidosamente.

- Belas viseiras, a propósito - disse Jack.

- Foi Jeremy quem me deu - ofegou Costas. - Um presente de despedida quando voltamos de Yucatán. Fiquei deveras emocionado.

- Você não está falando sério.

- Também não sei se ele estava. De qualquer maneira, os óculos funcionam. - Costas os puxou para baixo novamente, devolveu a garrafa e depois caiu para trás. - Está se lembrando comovido do seu passado?

- Só dos bons momentos.

- Alguns engenheiros decentes? Quero dizer na sua equipe de então?

- Estamos falando da Universidade de Cambridge, lembre-se. Um cara carregava um quadro-negro com ele em todo lugar que ia, e explicava pacientemente o motor rotativo Wankel para qualquer siciliano que passasse. Era um verdadeiro excêntrico. Mas isto foi antes de você aparecer.

- Com uma boa dose do velho know-how americano. Pelo menos no MIT (Instituto Tecnológico de Massachusetts) eles nos ensinavam a respeito do mundo real. - Costas inclinou-se de novo e tomou outro grande gole de água. - De qualquer forma, este seu naufrágio... Aquele que você desenterrou aqui vinte anos atrás. Encontrou algo de bom?

- Um típico navio mercante romano - replicou Jack. - Cerca de duzentas ânforas cilíndricas de cerâmica, cheias de azeite de oliva e de um molho fermentado de anchovas carregado no deserto africano, que deve se encontrar ao sul de onde estamos. Uma seleção fascinante de cerâmicas no navio a remo, que fomos capazes de datar por volta de 200 d.C. E fizemos um achado incrível.

Houve um silêncio quebrado por um ronco muito alto. Jack chutou de novo, e Costas estirou-se para parar de rolar em direção ao mar. Ele empurrou os óculos para a testa e olhou lacrimejando para Jack. - Hein?

- Sei que você precisa do seu sono de beleza. Mas está quase na hora. Costas resmungou novamente, depois se ergueu com dificuldade sobre um cotovelo e esfregou a mão pela barba. - Não acho que a beleza seja uma opção. - Ele se ergueu, depois tirou os óculos e esfregou os olhos. Jack olhou preocupado para seu amigo.

- Você parece esgotado. Precisa de algum tempo para descansar. Você tem trabalhado em tempo integral desde que voltamos de Yucatán, e isso faz quase um mês.

- Você deveria parar de me comprar brinquedos.

- O que eu comprei para você - Jack repreendeu-o gentilmente -, foi uma autorização do Conselho de Diretores para um aumento no pessoal de engenharia. Contrate mais funcionários. Delegue.

- Olha quem fala - resmungou Costas. - Nomeie um projeto arqueológico dirigido pela IMU durante a última década em que você não esteve a bordo.

- Eu estou falando sério.

- Sim, sim. - Costas se estirou, e deu um sorriso cansado. - O.k., uma semana na piscina do meu tio na Grécia seria bem-vinda. A propósito, eu estava sonhando? Você mencionou um achado fantástico?

- Enterrado num vale pequeno, formado por erosão, bem abaixo de onde estamos agora, onde Ben e Andy devem ter ancorado o shot-line. Os restos de um engradado de madeira, cheio de caixas de estanho seladas. Dentro das caixas encontramos mais de cem pequenos frascos de madeira, repletos com ungüentos e pós, inclusive canela, cominho e baunilha. Isto foi bastante surpreendente, mas depois descobrimos uma grande placa de material resinoso preto, com cerca de dois quilos. De início, pensamos que elas fossem provisões do navio, resina de reserva para madeiras impermeáveis. Mas a análise de laboratório mostrou um resultado assombroso.

- Continue.

- O que os antigos chamam de lacrymae papaveris, lágrimas de papoula, papaver somniferum. O material leitoso e pegajoso que sai do conjunto de sépalas da papoula negra. O que chamamos ópio.

- Não acredito.

- Plínio, o Velho, escreve sobre isso, em sua História natural.

- O cara que morreu na erupção do Vesúvio?

- Ele mesmo. Quando Plínio não estava escrevendo era o encarregado da esquadra romana em Misenum, a grande base naval na baía de Nápoles. Ele conhecia tudo sobre os produtos do Leste por intermédio de seus marinheiros e pelos mercadores egípcios e sírios que falavam disso na base. Eles sabiam que o melhor ópio vinha da distante terra da Báctria, situada nas altas montanhas além da fronteira oriental do império, além da Pérsia. Onde atualmente é o Afeganistão.

- Você está me gozando. - Costas estava completamente alerta agora, e parecia incrédulo. - Ópio. Do Afeganistão. Eu o escutei direito? Estamos falando do primeiro século d.C., não do século XXI, está correto?

- Você acertou.

- Um antigo tráfico de drogas?

Jack riu. - O ópio não era ilegal naquele tempo. Algumas antigas autoridades o condenavam por tornar os usuários cegos, mas eles ainda não o tinham refinado para fazer heroína. Provavelmente ele era misturado com álcool para fazer uma bebida semelhante ao láudano, a droga da moda na Europa dos séculos XVIII e XIX. A semente também era processada em tabletes. Plínio nos conta que a droga podia induzir o sono, curar dores de cabeça, de modo que eles conheciam tudo sobre as propriedades analgésicas da morfina. Ela também era usada para eutanásia. Plínio nos conta o que pode ser o primeiro relato de uma deliberada overdose de drogas Classe A, um cara chamado Públio Licínio Cecina que estava insuportavelmente doente e morreu de um envenenamento com ópio.

- Então, o que você descobriu foi realmente um contêiner de medicamentos - disse Costas.

- Foi o que pensamos na época. Mas o achado muito estranho que encontramos no contêiner foi uma pequena estátua de Apolo. Quando se encontra equipamento médico ele está mais comumente acompanhado por uma estátua de Asclepius, o deus grego da cura. Alguns anos depois, eu visitei a gruta da Sibila em Cumas, na borda da antiga zona vulcânica, algumas milhas ao norte de Misenum, ao alcance da vista do Vesúvio. Apolo era o deus dos oráculos. O enxofre e as ervas eram usados para precaver-se contra os maus espíritos e talvez o ópio fosse acrescentado à mistura. Começo a me perguntar se todos esses ritos místicos eram auxiliados quimicamente.

- As drogas podiam ser fumadas - murmurou Costas. - Queimadas como incenso. A fumaça teria um efeito mais rápido do que se ela fosse bebida.

- As pessoas iam àqueles lugares buscando curar-se - disse Jack. - Tudo o que ouvimos a respeito é a mensagem dos oráculos, versos obscuros escritos em folhas ou emitidos como pronunciamentos proféticos, tudo barulho e agitação que significavam Deus sabe o quê. Mas talvez houvesse algo além disso. Talvez algumas pessoas realmente encontrassem algum tipo de cura, um paliativo.

- E um paliativo que viciava terrivelmente. Ele teria mantido a Sibila ocupada. As oferendas em dinheiro de clientes agradecidos teriam mantido o estoque girando.

- Então, eu comecei a pensar que o nosso pequeno navio não estava levando um farmacêutico ou médico, mas sim um revendedor levando o seu precioso estoque de ópio para um dos oráculos na Itália, talvez ele até fosse atrás da própria Sibila em Cumas.

- Um traficante de drogas romano. - Costas esfregou a barba. - O chefão de todos os chefões. A máfia de Nápoles adoraria saber disso.

- Talvez isso lhe ensine a respeitar um pouco a arqueologia disse Jack.

- O ópio. Obtido onde?

- Isso é o que me preocupa. - Jack desenrolou um mapa do Mediterrâneo, laminado e em pequena escala que trouxera do Almirantado, sobre o equipamento no chão do barco, prendendo os cantos debaixo de pesos de mergulho que estavam soltos. Ele apontou o dedo para o centro do mapa. - Nós estamos aqui. A ilha da Sicília. Bem no meio do Mediterrâneo, o apogeu do antigo comércio. Concorda?

- Continue.

O nosso pequeno navio mercante romano naufragou contra este penhasco com sua carga de azeite de oliva e de molho de anchovas do norte da África. Ele faz esta viagem para Roma três, talvez quatro vezes por ano, durante a estação de navegação, no verão. Indo e voltando. Quase sempre com terra à vista, Tunísia, Malta, Sicília, Itália.

- Uma distância não muito grande para navegar.

- Concordo. - Jack apontou o dedo para um canto distante no mapa. - E aqui está o Egito, o porto de Alexandria. Cento e cinqüenta milhas distante atravessando mar aberto. Tudo indica que o contêiner de drogas vinha daqui. A madeira é acácia egípcia. Alguns dos frascos eram marcados com letras coptas. E quase certamente o ópio era embarcado para o Mediterrâneo através dos portos do Egito no mar Vermelho, um comércio de condimentos orientais exóticos e de drogas que alcançou o auge no primeiro século d.C.

- Na época de São Paulo - murmurou Costas. - O motivo pelo qual estamos aqui.

- Correto. - Jack seguiu com o dedo ao longo do contorno da costa do norte da África, entre o Egito e a Tunísia. - Agora é possível, apenas possível, que o contêiner de ópio alcançasse Cartago ou algum outro porto da África vindo diretamente do Egito, e depois era embarcado no nosso pequeno navio mercante.

Costas sacudiu a cabeça. - Eu me lembro do Mediterranean Pilot do período em que trabalhava na Marinha. Com prevalência de ventos na direção do litoral. Aquela costa deserta sempre foi uma armadilha mortal para marinheiros, ela era evitada a qualquer custo.

- Exatamente. Os navios que saíam de Alexandria para Roma eram geralmente grandes transportadores de cereais, e navegavam para o norte, para a Turquia ou Creta, e em seguida iam para o ocidente atravessando o mar Jônico para a Sicília e o estreito de Messina. A hipótese mais provável para um carregamento de Alexandria naufragar neste ponto onde estamos agora seria em um desses navios, impelidos pelo vento sudoeste que sopra do mar Jônico em direção ao leste da Sicília e o estreito de Messina.

Costas parecia perplexo, depois seus olhos brilharam subitamente. - Entendi o que você está dizendo! Estamos procurando dois naufrágios justapostos!

- Não seria a primeira vez. Eu mergulhei em cemitérios de navios com dúzias de naufrágios misturados de maneira desordenada, despedaçados contra o mesmo recife ou promontório. Logo que esta idéia surgiu de repente, eu comecei a ver outros indícios. Dê uma olhada nisto. - Jack pegou um engradado atrás dele e tirou um objeto pesado enrolado numa toalha. Ele o entregou para Costas, que se sentou no pontão e o colocou sobre o colo, depois cuidadosamente começou a levantar as dobras da toalha. - Vou adivinhar. - Ele parou e deu uma olhada esperançosa para Jack. - Um disco de ouro coberto com símbolos antigos, que vai nos conduzir para uma outra cidade perdida antiga e fabulosa?

Jack sorriu amplamente. - Não exatamente, mas é igualmente precioso à sua própria maneira.

Costas levantou a última dobra e ergueu o objeto, que tinha cerca de vinte e cinco centímetros de altura, forma de um cone truncado e pesava bastante em suas mãos. A superfície estava mosqueada de branco com remendos metálicos de brilho embotado e no topo havia uma pequena extensão com um buraco, como um laço amarrado. Ele olhou para Jack. - Uma sonda sonora?

- Você acertou. Verifique a base.

Costas virou cuidadosamente a sonda de cabeça para baixo. Na base havia uma depressão de cerca de dois centímetros e meio, como se a sonda tivesse sido parcialmente escavada em forma côncava como um sino, e abaixo daquela se encontrava mais uma depressão com uma forma diferente. Costas ergueu os olhos para Jack. - Uma cruz?

- Não fique demasiado excitado. Esta depressão estava preenchida com piche ou resina, e era usada para pegar uma mostra do sedimento do solo oceânico. Se estiver seguindo por um estuário de um grande rio, o primeiro aparecimento de areia funcionará como uma ajuda para a navegação.

- Isto veio do navio naufragado que está abaixo de nós?

Jack estendeu o braço e pegou de volta a sonda sonora e segurou-a com uma certa reverência. - Minha primeira descoberta, com significado real, de um antigo naufrágio. Ela vem de uma das extremidades desta posição em que nos encontramos, aninhada no mesmo pequeno vale formado por erosão onde depois encontramos o contêiner com droga. Na época eu estava de mau humor, embora este fosse um achado bastante surpreendente, mas supus que as sondas sonoras fossem, provavelmente, um equipamento padrão num antigo navio mercante.

- E agora?

- Agora eu sei que o achado foi verdadeiramente excepcional. Algumas centenas de naufrágios de navios romanos foram encontrados desde então, mas apenas poucas sondas sonoras foram descobertas. A verdade é que elas devem ter sido artigos dispendiosos e, na verdade, de muito uso somente para navios que se aproximavam regularmente de um grande estuário, com um solo oceânico raso encontrado milhas distante da praia onde areia aluvial podia ser recolhida antes que a terra fosse vista.

- Você quer dizer como no caso do Nilo?

Jack assentiu entusiasticamente. - O que estamos procurando aqui é o equipamento de um grande barco alexandrino de cereais, não uma modesta ânfora transportada. - Ele colocou cuidadosamente a sonda de volta no engradado, depois retirou um velho livro encadernado de preto de uma mochila de plástico. - Agora, ouça isto. - Ele abriu o livro em uma página marcada, examinou-a cuidadosamente de alto a baixo por um momento e depois começou a ler.


Mas quando chegou a décima quarta noite, quando éramos jogados para cá e para lá no mar Adriático, por volta de meia-noite os marinheiros supuseram que estavam se deslocando perto de algum país; e mediram a profundidade e encontraram trinta e seis metros até o fundo; pouco depois lançaram a sonda de novo e deu vinte e sete metros. Com medo de que o navio batesse em rochas, eles baixaram da popa quatro âncoras e rezaram para que o dia surgisse.
Costas assobiou. - Os Evangelhos!

- Os Atos de São Paulo, capítulo 27 - os olhos de Jack estavam brilhando. - E adivinhe o quê? Diretamente, a pouca distância de onde estamos agora, o fundo do mar está em águas profundas, mas, em diagonal para o sul, há um platô arenoso que se estende por trezentos metros, com cerca de quarenta metros de profundidade.

- Isto dá cento e vinte pés, cerca de trinta e seis metros - murmurou Costas.

- No nosso último dia de mergulho, vinte anos atrás, fizemos um reconhecimento dessa região, só para ver se tínhamos omitido alguma coisa - disse Jack. - A última coisa que vi foram duas vergas de chumbo da âncora, inequivocamente antigos tipos romanos usados para aumentar o peso de âncoras de madeira. Na época do naufrágio do nosso navio carregado com ânforas no norte da África, as âncoras eram feitas de ferro, de modo que sabemos que estas devem ter sido perdidas por um navio mais antigo, que tentara manter distância desta costa.

- Continue.

- Isso fica melhor.

- Pensei que ficaria.

Jack leu novamente:


E soltando as âncoras, eles as deixaram no mar, ao mesmo tempo em que desamarravam as cordas do leme: e içando a vela do estai do traquete, dirigiram o navio para a praia. Mas, ao deixar com pressa um lugar onde dois mares se encontravam, eles foram de encontro a um banco de areia e o navio encalhou; e a proa, atolada, ficou sem poder ser movida, mas a popa começou a arrebentar com a violência das ondas.
- Bom Deus - disse Costas. - O contêiner com drogas, a sonda sonora. Armazenadas no compartimento dianteiro. E o que aconteceu com a popa?

- Espere. - Jack sorriu e retirou uma pasta de papéis da mochila. - Avançamos rapidamente dois milênios. Agosto de 1953, para ser exato. Capitão Cousteau e o Calypso.

- Eu estava me perguntando quando é que eles iam aparecer nisto aí.

- Foi o indício que nos trouxe até aqui, em primeiro lugar - disse Jack. - Eles mergulharam por toda esta costa. Eis o que o mergulhador chefe escreveu sobre este promontório. "Vi ânforas quebradas, concretadas numa curva do despenhadeiro, em seguida uma âncora de ferro, concretada numa parte mais baixa e aparentemente em estado de corrosão, com pedaços quebrados de ânforas no topo." Isto é exatamente o que encontramos aqui, o naufrágio do navio com ânforas romanas. Porém, há mais ainda. Em seu segundo mergulho, eles viram "ânforas gregas, em águas profundas".

- Ânforas gregas, em águas profundas - murmurou Costa. - Você faz idéia de onde?

- Na fenda do rochedo, em linha reta atrás de nós - disse Jack. - Calculamos que eles atingiram setenta, talvez oitenta metros de profundidade.

- Parecem os rapazes de Cousteau - disse Costas. - Deixe-me adivinhar. Ar comprimido, reguladores com mangueiras duplas, sem aferidor de pressão, sem sistema de flutuação.

- Voltamos para o tempo em que mergulho era esporte aquático - disse Jack com saudades. - Antes que o gás misturado tirasse toda a diversão do mergulho.

- O perigo ainda permanece lá, só que ele começa mais no fundo.

- Vinte anos atrás eu me candidatei, como voluntário, para fazer um mergulho para encontrar aquelas ânforas, mas a equipe médica vetou-o. Somente tínhamos ar comprimido e estávamos seguindo estritamente as regras da Marinha dos Estados Unidos, que estabeleciam uma profundidade limite de cinqüenta metros. Não tínhamos helicóptero, nem navio de apoio, e o lugar de encontro mais próximo distava a um par de horas lá na base naval americana subindo a costa.

Costas fez um gesto apontando para os rebreathers com dois gases misturados, no chão do barco, e depois para a pequena mancha branca de um navio visível no horizonte, soltando vapor em direção a eles. - O navio utiliza os métodos mais modernos e mais recentemente desenvolvidos de equipamentos para mergulho em águas profundas, e as facilidades de uma completa câmara de "recompressão" a bordo do Seaquest. Tecnologia moderna. Eu encerro minha descrição do navio. - Fez um gesto em direção ao antigo e danificado diário que Jack estava segurando. - De todo jeito, tratava-se de ânforas gregas. Isto não foi antes do nosso período?

- Foi o que supus na época. Mas algo estava me incomodando, algo de que não podia ter certeza até ver estas ânforas com os meus próprios olhos. - Jack pegou uma prancheta do engradado e passou-a para Costas. - Esta é a tipologia de ânforas projetadas por Heinrich Dressel, um estudioso alemão que estudou os achados de Roma e Pompéia no século XIX. Verifique os desenhos na parte superior esquerda, números de dois a quatro.

- As ânforas com as asas com a ponta para cima?

- Essas mesmas. Na época de Cousteau, os mergulhadores identificavam quaisquer ânforas com essas asas como gregas, porque essa era a forma de ânforas de vinho conhecidas como tendo sido feitas na Grécia clássica. Mas, desde então, aprendemos que ânforas com essa forma também eram feitas nas áreas ao oeste do Mediterrâneo, colonizadas pelos gregos, e que, depois, ficaram sob os romanos quando estes conquistaram aquelas áreas. Estamos falando do sul da Itália, Sicília, noroeste da Espanha, todas as maiores regiões produtoras de vinho desenvolvidas em primeiro lugar pelos gregos. - Ele passou uma grande fotografia em preto-e-branco que mostrava ânforas com asas altas encostadas contra uma parede, e Costas olhou pensativo e com atenção para a foto.

- Um depósito de vinho? Uma taverna? Pompéia?

Jack confirmou entusiasticamente. - Não Pompéia, mas Herculano, a outra cidade enterrada pela erupção do Vesúvio. Uma taverna à margem da estrada, preservada exatamente como era em 24 de agosto de 79 d.C.

Costas ficou silencioso por um instante, depois olhou de soslaio para Jack. - Ajude-me a lembrar. Qual foi a data do naufrágio do navio de São Paulo?

- A melhor suposição é de que tenha sido na primavera de 58 d.C., talvez um ou dois anos mais tarde.

- Descreva-me o que ocorreu.

- Poucos anos depois da morte do imperador Cláudio, no reinado de Nero. Cerca de dez anos antes de os romanos conquistarem a Judéia para roubar a menorá dos judeus.

- Ah. Estou me lembrando. - Costas deu um sorriso triste para Jack, depois estreitou os olhos novamente. - Nero. Grande devassidão, atirava os cristãos aos leões, tudo isso, não é?

Jack assentiu. – Este é um registro da história daquele período. Mas ela era também a época mais próspera na história antiga, o apogeu do Império Romano. O vinho dos magníficos vinhedos de Campânia, perto do Vesúvio, estava sendo exportado naquelas ânforas de estilo grego para toda parte do mundo conhecido. Elas têm sido encontradas nos postos romanos mais avançados no sul da Índia, negociadas em troca de condimentos e medicamentos como o ópio naquele engradado. E na Grã-Bretanha. E as ânforas são exatamente o que você espera encontrar num grande navio alexandrino de transporte de cereais daquele período. De acordo com o relato nos Atos dos Apóstolos, havia mais de duzentas e setenta pessoas a bordo naquele navio com São Paulo, e vinho diluído deve ter sido sua principal bebida.

- Última pergunta - disse Costas. - A mais importante. Do que eu consigo lembrar, supõe-se que o naufrágio do navio de São Paulo tenha sido em Malta. Como entra a Sicília?

- É por isso que eu não chegava a compreender vinte anos atrás. Então eu me dediquei a um bocado de pensamento lateral. Geograficamente, quero dizer.

- Você quer dizer que teve uma intuição fora do comum.

Jack sorriu. - É isso. Tudo que temos de seguir está nos Evangelhos, nos Atos dos Apóstolos. Não existe outro relato do naufrágio do navio de São Paulo, não há jeito de verificar a história. Certo?

- Trata-se de fé.

- De certa maneira, este é o ponto essencial. Os Evangelhos, o Novo Testamento, eram uma coleção de documentos escolhidos pela Igreja antiga para representar o ministério de Jesus, ou melhor, a visão que tinham do ministério de Jesus, Alguns dos Evangelhos foram escritos logo depois de sua morte, por testemunhas oculares ou por contemporâneos, outros foram escritos várias gerações mais tarde. Nenhum deles foi escrito como um documento histórico como entendemos essa expressão, menos ainda como documentos geográficos. Para aqueles que reuniam os textos, provavelmente tinha pouca conseqüência o fato de Paulo ter naufragado nesta ou naquela ilha.

- Tenho tudo isto inculcado em mim pela minha família grega ortodoxa. Como eu me recordo, Atos foi escrito por um sobrevivente do naufrágio, por Lucas, companheiro de Paulo.

Jack concordou com um gesto. - Era isso que costumavam ensinar para todos. Atos nos conta que Paulo navegava com dois companheiros, Lucas da Ásia Menor e Aristarco, um macedônio de Tessalônica. Depois que Paulo foi preso na Judéia, juntaram-se a ele na viagem para o norte de Cesaréia, para Myra (moderna Kale ou Demre), ao sul da Turquia, onde se transferiram para um navio alexandrino que ia para Roma. Mas alguns estudiosos agora pensam que Atos foi composto várias décadas mais tarde por outra pessoa, baseado talvez num relato de uma testemunha ocular. E, acrescentado a essa incerteza, lembre-se do enorme problema colocado por uma transmissão textual. Os Evangelhos passaram pelo mesmo processo assim como todos os outros textos clássicos, todos aqueles com exceção dos fragmentos que verdadeiramente encontramos em sítios antigos. Selecionados, purificados, traduzidos, embelezados com interpretações e anotações que se tornaram parte do texto, censurados por autoridades religiosas, alterados pela fantasia ou negligência de copistas individuais. O primeiro fragmento que temos dos Atos data de mais ou menos 200 d.C., quase 150 anos depois de Paulo, e ele só contém a primeira parte. A primeira versão que sobreviveu com a história do naufrágio data de várias centenas de anos mais tarde. Ela foi traduzida do grego para o latim e para as línguas medievais, para o inglês do século XVII, e assim passou por numerosos escribas e copistas. Isto me torna muito prudente a respeito de um pequeno detalhe como a palavra Melita, se ela significa mesmo Malta. Algumas autoridades antigas falam até em Mitilene, uma ilha no mar Egeu que era mais familiar para eles.

- Caça ao tesouro 101 - disse Costas solenemente. - Sempre autentique seu mapa.

- No caso do naufrágio do navio de São Paulo é praticamente a primeira vez na história que podemos procurar os restos de um navio naufragado conhecido, mas, como tantos relatos de naufrágios, ele está repleto de perigos imprevistos. Você precisa fazer um recuo, abrir a mente para todas as possibilidades e deixá-las se ordenar, não forçá-las a uma conclusão prévia. Acho que é isso que venho fazendo todos esses anos desde que mergulhei aqui pela última vez, desde que a idéia começou a despertar em mim.

- É por isso que você é um arqueólogo e eu sou um engenheiro - disse Costas. - Não sei como você faz isso.

- E eu deixo a robótica e os submersíveis para você. - Jack sorriu para Costas, depois olhou para o horizonte ao leste. - Não há mais nada nos Atos para corroborar Malta, e tudo o que acontece na ilha é que Paulo cura alguns homens locais. A Sicília faz muito mais sentido. Ela está no estreito correto de onde se entrevêem as florestas, uma primeira terra avistada, em uma viagem marítima pelo mar Jônico, um lugar muito mais provável para um navio de cereais ser impelido por um vento que sopra do nordeste. Os Atos até mencionam Siracusa, quase junto ao promontório nas proximidades de onde estamos, onde Paulo e seus companheiros passaram vários dias em sua viagem para Roma depois do naufrágio. De acordo com os Atos, eles pegaram carona em um outro navio de cereais que conseguiu passar pelo vento em Malta, mas creio que é mais provável que fosse um navio em Porto Grande na própria Siracusa.

- Então dois mil anos de erudição bíblica estão errados, e Jack Howard tem uma intuição e está certo?

- Um raciocínio cuidadoso baseado em um acúmulo de evidências, apontando...

- Apontando firmemente para uma conclusão - completou Costas. - Sim, sim. Uma intuição. - Ele sorriu para Jack, depois falou com uma resignação zombeteira. - Muito bem. Você me convenceu. E agora que olho para ela, aquela fenda no despenhadeiro a nossa frente, o ponto que você assinalou para a posição do naufrágio. Você percebeu como ele também parece a letra grega Qui? - Costas sorriu. - Enquanto estamos tratando de atos de fé ou crenças religiosas, esperando que o resultado seja bom, não me diga que você está acima de um pequeno sinal do alto.

Jack deu uma olhadela para o rochedo, depois sorriu. - Muito bem. Vou aceitar isso. Vinte anos decorreram, você vê as coisas com olhos diferentes. -Apoiou-se sobre os cotovelos e sacudiu a cabeça. - Não posso acreditar que estou levando tanto tempo para reunir estes fragmentos.

- Você tinha alguns outros projetos ocupando sua mente.

- Sim, mas este poderia ser o maior de todos. - Jack sentou-se e inclinou-se para Costas, o rosto empolgado pela excitação. - Qualquer coisa, absolutamente qualquer coisa, que identificar este naufrágio com o naufrágio do navio de são Paulo, fará dele um tesouro como nunca foi descoberto outro antes. Você não precisa ser cristão para se dar conta disto. Nunca ninguém encontrou nada tão intimamente ligado com as vidas dos evangelistas, com a realidade oculta dos Evangelhos. Estamos examinando uma época em que algumas pessoas realmente acreditavam em um Reino do Céu sobre a Terra, um sonho que a religião pagã não oferece para a pessoa comum. De uma época antes das igrejas, antes dos padres, antes da culpa e da confissão e das inquisições e guerras santas. Retire tudo isso e você voltará para a essência do que Jesus tinha para dizer, para aquilo que atraiu tantas pessoas para ele. Um naufrágio seria como um contêiner repleto de objetos do período de Pompéia e de Herculano e que tinha uma conexão direta com as figuras mais poderosas na história ocidental. Isso capturaria a imaginação do mundo.

Costas mudou de posição e se estirou. - Ainda vamos ter que encontrar o navio naufragado. E, falando de empolgação, vamos ter companhia. - Ele movimentou a cabeça na direção da cascata de bolhas estourando na superfície, e ficaram observando enquanto os dois mergulhadores apareciam nitidamente a poucos metros abaixo deles. Eles chegaram à superfície simultaneamente e ambos fizeram o sinal de o.k. Jack anotou a hora no diário de bordo e depois olhou para Costas. - Este lugar era um sustentáculo da história - ele continuou. - O que quer que encontremos, estaremos acrescentando algo a uma história que já é bastante fantástica. Em 415 a.C., os atenienses desembarcaram neste lugar para atacar Siracusa, um evento-chave na guerra contra Esparta que quase destruiu a civilização grega. Desloco-me rapidamente para uma outra guerra mundial, em julho de 1943, Operação Husky. Meu próprio avô esteve aqui, como oficial comandante do navio da marinha mercante Empire Elaine, exatamente perto da costa a partir de onde o navio foguete HMS da classe Erebus bombardeou as posições inimigas acima de nós com bombas de quinze polegadas.

- Este lugar deve estar em seu sangue - disse Costas. - É como se um Howard estivesse presente quase em cada batalha naval na história britânica.

- Se muitas famílias inglesas conhecessem o seu background, elas seriam capazes de dizer a mesma coisa.

- Sobrou alguma coisa para ver?

- O Esquadrão Especial Raiding, uma ramificação do SAS (Special Air Service), saltou de pára-quedas no penhasco acima de nós e forçou a bateria de defesa costeira italiana a se entregar, jogando suas armas dentro do mar. Quando mergulhamos aqui pela primeira vez, havia munição espalhada por todo o local.

Costas esfregou as mãos. - É disto que eu gosto. Verdadeira arqueologia.Descobrir pedaços de ruínas antigas a cada dia.

- Vamos manter nossa atenção na recompensa. Você pode brincar de desativação de bombas mais tarde.

Costas sorriu, e ergueu a mangueira de alimentação do seu rebreather. Fechada e carregada. - Ele a recolocou no lugar, depois observou Jack fazer o mesmo.

- Pronto. - Jack abaixou a cabeça para verificar o seu equipamento, depois olhou para Costas. - Você está pronto para isso? - ele perguntou. - Quero dizer, um mergulho profundo?

Costas ergueu os olhos, depois soltou um suspiro exagerado. - Vamos ver. Nosso último mergulho foi numa galeria subterrânea debaixo das selvas do Yucatán, quando fomos arrastados em direção a algum tipo de inferno maia. E antes disso foi dentro de um iceberg giratório. Oh, e antes ainda, num vulcão em erupção.

- Você está dizendo que chega, ou que agüenta mais um?

Costas deu sua versão do olhar de quem sofre de TEPT, depois deu um sorriso fatigado e começou a puxar para cima o seu macacão de mergulho. – Você acaba de dizer as palavras.

- Está na hora de pegar o equipamento necessário.




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