O fenômeno bullying



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Encontro15.09.2019
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O FENÔMENO BULLYING

Mário Felizardo*
Quando abordamos o tema “violência nas escolas”, nos vêm em mente formas explícitas de violência: vandalismo, pixação, rixas e agressões contra professores. Porém esquecemos – ou desconhecemos – que a escola convive com uma violência ainda mais cruel, muitas vezes, ignorada ou não valorizada da devida forma por pais e professores. Trata-se do “Fenômeno Bullying”, definição universal para o conjunto de atitudes agressivas, repetitivas e sem motivação aparente perpretadas por um aluno – ou grupo – contra outro, causando sofrimento e angústia.
Estamos falando do isolamento intencional, dos apelidos inconvenientes, da amplificação dos defeitos estéticos, do amedrontamento, das gozações que magoam e constrangem, chegando à extorsão de bens pessoais, imposição física para obter vantagens, passando pelo racismo e pela homofobia, sendo “culpa” dos alvos das agressões, geralmente, o simples fato de serem “diferentes”, fugirem dos padrões comuns à turma – o gordinho, o calado, o mais estudioso, o mais pobre. As vítimas dessa violência silenciosa presente em todas as escolas, sem distinção de classe social ou região geográfica, sofrem caladas e de forma contínua, tornando sua vida escolar um martírio. As chagas abertas na alma desses meninos e meninas dificilmente cicatrizam.
Os agressores, normalmente jovens “populares”, provenientes de um ambiente familiar desestruturado e de modelo autoritário, também sofrerão as conseqüências da falta de limites e da não-afirmação de valores vivenciados nessa fase da vida. Pois, o que esperar desses jovens que fazem dos mais frágeis objetos de diversão e prazer, senão adultos de atitudes anti-sociais? Há os que não agridem nem são vitimados, porém convivem resignados com esse indesejado desequilíbrio de poder. Sementes de adultos que cruzam os braços frente às injustiças e ao abismo das desigualdades de nosso país. Para exemplificar, uma pesquisa na Europa que acompanhou jovens que, entre 12 e 16 anos eram agressores, verificou que até os 24 anos, 60% deles tinham pelo menos, uma acusação criminal. Dados os prejuízos psicológicos que essa forma de agressão produz temos que reconhecer e procurar sanar, também, a íntima ligação do fenômeno com o baixo rendimento escolar, o absenteísmo e a evasão escolar.
A partir da análise das conseqüências individuais e coletivas da participação de cada um dos envolvidos, é evidente que o bullying praticado nas escolas de hoje, projetado para o futuro, significa violência doméstica, alcoolismo e drogadição, assédio moral no trabalho, criminalidade e altos investimentos na área da saúde, na construção de presídios e na estrutura da justiça e da segurança. Nesse sentido, outros países tratam o tema com a maior relevância. Podemos afirmar que estamos, pelo menos, 15 anos atrasados nessa questão. Assim sendo, juntamente com a professora Jane Pancinha, desenvolvemos o projeto de cunho social denominado “Diga Não ao Bullying” que visa a conscientizar, motivar e dar ferramentas para que a comunidade escolar desenvolva estratégias de combate a essas agressões veladas.
Para cada vítima que encontre entendimento para seu sofrimento ou para cada agressor que se dê conta de sua transgressão, renova-se a esperança de um mundo mais justo e solidário.
*Mário Felizardo é oficial de Proteção da Infância e da Juventude do Poder Judiciário / RS

Fonte: Pauta Social (www.pautasocial.com.br/artigo.asp?idArtigo=685)




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