O cavalo lusitano



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O CAVALO LUSITANO
LISBOA , 10 DE MARÇO DE 1986 por FERNANDO D´ANDRADE

O que é o cavalo Lusitano?


O cavalo Lusitano é o ramo português do cavalo conhecido nos séculos XVII e XVIII, na Europa, como “Genet d´Espagne”.
Entre nós, não há muitos anos, era conhecido como Cavalo Peninsular ou Andaluz. A designação de Lusitano nasceu quando os espanhóis passaram a chamar ao seu cavalo como de “Pura Raza Espanhola”, já depois de sua Guerra Civil.
O Ginete Hispânico é o Cavalo Típico do Sul da Península Ibérica ou Hispânica, a sul da bacia do Rio Tejo, desde a sua nascente até o Mediterrâneo e ao Atlântico.
Conforme a zona ou província em que é criado assim toma uma designação específica, como Andaluz, Estremenho, Castelhano, se espanhol, ou Lusitano, se português.
A melhor zona de criação cavalar da Península Ibérica é a Andaluzia, a última a ser conquistada à Moirama, pelo qual nela se utilizou o cavalo em combates à Gineta, e até mais tarde sofreu a selecção ancestral que lhe deu forma.
Em tempo de Al Andaluz, toda a zona típica da criação do cavalo Ginete se denominou Andaluzia, incluindo o território sul de Portugal. É esta razão que me leva a não rejeitar a designação de Andaluz mesmo para o cavalo hoje designado de Lusitano, pois é um e o mesmo cavalo.
O cavalo Espanhol e o Lusitano são um só cavalo na sua origem!
Este cavalo como aparece na história do Mundo?
Que importância teve e tem?
É o cavalo de sela mais antigo da civilização ocidental! É o cavalo mais importante para a história da população equina do mundo civilizado! O mais antigo cavalo de sela!
Na Península Ibérica existem desde sempre dois grupos de equinos: o garrano de perfil recto ou côncavo, de orelha e pata curta e forte gadelha, de tão pequena estatura que não se pode evoluir com um homem no dorso em exercícios bélicos, habita as regiões frias, húmidas e montanhosas da Península; o cavalo, seco e peralta, de perfil convexo, de maior estatura que permite a equitação e se desenvolve nas zonas planas, secas e quentes do Sul da Península.
A sua domesticação remonta provavelmente ao décimo milénio antes de Cristo, no Mesolítico, pois já se faziam cordas desde o Solutrense.
Quando começa a ser montado e utilizado em exercícios equestres?
“ - No fim do Mesolítico aparece uma arma que está ligada, pelo tempo, talvez com os monumentos megalíticos do ocidente da Península. É a alabarda formada por uma larga folha de sílex. Remonta ao V-IV milénio a.C. Ora a alabarda que se continua nas épocas do cobre, do bronze e do ferro feitas com estes metais, são armas utilizadas contra os cavaleiros para os derrubar, como se fez ainda na Idade Média. Isto quer dizer que no Neolítico já havia guerreiros que combatiam a cavalo, na Península Ibérica.”
O cavalo da Ibéria é pois um cavalo de sela desde 30 a 40 séculos antes da nossa era.
Nenhum outro cavalo de sela se conhece deste período!
O seu uso como animal de combate continua através dos tempos como se pode ver pelas armas, arreios, ferragens, etc., que chegam a épocas históricas demonstrando uma sequência ininterrupta que o afirma como precursor.
A ele se deve provavelmente a expansão da civilização conhecida como do Vaso Campaniforme que saiu da Ibéria, na época do bronze (III milénio a.C.) e se expandiu até o centro e norte da Europa.
O prestígio alcançado pelos nossos cavalos é tal que a sua fama atravessa fronteiras e chega à Grécia.
Já na Ilíada, Homero se refere aos cavalos da Península Ibérica dizendo no canto XVI, vo. 203 e seguintes: ‘- Aquiles ordena a Automedonte para engatar ao carro os cavalos Balius e Xantos (castanho ou baio e maculado ou amarelo) que eram rápidos como o vento na sua corrida, pois eram filhos da Arpia Podargos fecundadas pelo Zéfiro um dia que pastava nos prados marginais do Rio Oceano (Atlântico)’. Por esta razão Homero os tinha por invencíveis na corrida (séc XII-XI-X a.C.), o que não é pequeno título de antiguidade nobiliárquica.
Correm os tempos e, mais uma vez, na Grécia, veremos que 50 cavaleiros ibéricos levados por Dionísio, Tirano de Siracusa, para ajudar os Espartanos contra os Atenienses, pela sua forma peculiar de combater, desorganizaram e ajudaram a vencer as poderosas forças Atenienses (Xenofonte – Helénicas – Livro VII – Guerras do Peloponeso – 369 a.C.)
Políbio, Tito Lívio, Diodoro, Apiano, Valério Mássimo, César (Lívio – Lib. XXV, XXVIII –21. Ano 151) – (Políbio – Lib XXXV –1) – (César – Bello Affrica) – (Apiano – Guerra Ibérica – 53, 54) e outros narram muitos combates singulares de cavaleiros íberos com Cartagineses e Romanos por onde se infere não só a superioridade ibérica neste género de combates, como ainda que ele era um apanágio ibérico. O mesmo se pode verificar mais tarde das crónicas moiras do século XI, de Abu Bakr al Tartusi, autor de Sirg al Muluk, em que cita um combate de um cristão com moiros das hostes de Al Nansur Ibn Amin, em que o Cristão venceu sucessivamente três adversários antes de ser vencido. No final, frisa-se que o vencedor era um homem da fronteira, habituado às lutas com Cristãos e diz-se que como aquele guerreiro nas hostes árabes não havia ‘- nem mil, nem quinhentos, nem cem, nem cinquenta, nem vinte, nem dez’.
Além destas referências ao modo de combater peculiar aos povos ibéricos e seus cavalos, que demonstram uma ininterrupta sequência milenária, existem outras que o designam como único. São elas as descrições do emprego de cavaleiros ibéricos na Itália ou Norte da África em que se diz que aqueles tinham que levar seus cavalos e quando era impossível o seu transporte, tinham pelo menos que levar os seus arreios, demonstrando assim que lhes eram peculiares e únicos
Os cavaleiros ibéricos são descritos como ‘frenati’, conduzidos com freio, em comparação dos cavaleiros numidas ou hunos que o não eram.
A melhor prova de apreço que os Romanos tiveram tanto do cavalo ibérico como a forma de combater dos povos ibéricos está no facto de terem adoptado as suas armas e a sua táctica (Arriano) além de terem utilizado os seus cavalos como melhoradores das suas criações.
Deles fazem descrições preciosas Varrão, Virgílio, Columela, Paladio, Vegetio, Renato, Eliano, Lívio, Isidoro, de tal modo que ainda hoje se lhes aplica.
Os Moiros ao entrarem na Península encontraram uma cavalaria que descrevem como ‘a melhor e mais numerosa’ (Tarif Aben Taric, Ben Adhary, El Doby, Al Makkari, El Silense, Idacio, Isidoro, etc...) e o seu apreço pelo cavalo ibérico manifesta-se bem pela oferta que enviam os Sultões de Córdova aos de Bagdad constituída por ‘dez cavalos andaluzes ricamente ajaezados e cem cavalos moiros, dez escravas gaditanas e cem escravas moiras.’
As lutas com Cartagineses, com Romanos e com Moiros, seleccionou e melhorou o velho cavalo ibérico dando-lhe a forma definitiva.
Foi este nobre animal que os Espanhóis do século XV levaram para a Itália nas lutas pelo Reino de Nápoles e com ele venceram a pesada cavalaria francesa. O renome que alcançou tornou-o prontamente no mais desejado cavalo da Europa.
Para ensinarem as suas habilidades naturais aos cavalos não hispânicos, houve que inventar meios equestres e métodos de ensino que constituíram as Academias Equestres. Escreveram-se Tratados de Equitação.
Dos primitivos italianos, Ferraro, Caracciool, Fiaschi. Grisone, Pignatelli, etc. aprenderam La Broue, La Noue, Pluvinel, La Guérinière, franceses, Newcastle, inglês, Riedinger, alemão, e muitos outros, mas todos, sem excepção, descrevem as raças cavalares e suas aptidões, pondo o cavalo ‘ginete hispânico’ como o melhor que existia para o manejo.
Por esse motivo todos os criadores e cavalos se serviram dele como melhorador.
Foi através dele que se criaram todas as raças selectas de cavalos de sela da Europa. Tirando o Kladrub e o Lipiza, que são puros espanhóis, pode-se dizer que todas as raças chamadas de sangue quente da Alemanha, da França, da Inglaterra e países limítrofes, têm como substrato o cavalo espanhol. Os cavalos de tiro ingleses de perfil convexo, também. Os pôneis de Conemara irlandeses são quase puros espanhóis. O próprio Puro Sangue de Corridas, tem a sua origem nas Royal Mares, que eram na sua maioria espanholas.
Todos os cavalos das Américas são oriundos dos cavalos espanhóis levados pelos Conquistadores.
Podemos assim dizer que não existe nenhuma outra raça que tenha tido mais influência no actual mundo equino do que o velho cavalo da Ibéria.
Devido à forma de utilização do cavalo, sobretudo na lide com os bovinos de combate, tanto no campo como na praça, no toureiro equestre, em exercícios que são a continuação moderna do antigo combate à gineta dos íberos ou das lutas contra Cartagineses, Romanos, Moiros, ou Franceses em Nápoles, o cavalo da Península Ibérica chegou aos nossos dias tão semelhante ao que sempre foi, que se ajusta às descrições, às estátuas, quadros e gravuras, desde a Pré-História, época Romana, Idade Média, Renascimento, etc... e as suas aptidões continuam sendo como as descritas pelos antigos historiadores por tal forma que ainda hoje se lhes pode fazer executar os mesmos exercícios, sem qualquer preparação especial.
É esse cavalo extraordinário, hoje passado de moda frente ao moderno desporto equestre, ao ponto de o ignorarem completamente os povos não ibéricos, e, até, de o desprezarem a tal ponto que acreditam ele ser apenas um ramo inútil, secundário e espúrio do árabe, mas quantas vezes mais antigo e importante na realidade, que queremos reabilitar neste I Campeonato Internacional do Cavalo Lusitano, esperando que o bom senso acabe por unificar os ‘stud books’ espanhol e português de modo a tornar possível uma Federação Internacional do Cavalo Andaluz: Espanhol, Lusitano, Francês, Inglês, Alemão, Belga, Brasileiro, Venezuelano, Mexicano, E. Unidense e Australiano.
O cavalo ‘Ginete Hispânico’ é um monumento histórico, vivo, de interesse internacional que interessa a todos conservar e propagar.

Fernando d´Andrade





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