Mortalidade por quedas acidentais no município de São Paulo no ano de 2003



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Mortalidade por quedas acidentais no município de São Paulo no ano de 2004

I - MORTALIDADE

A mortalidade em decorrência de acidentes e violências vem ganhando cada vez mais importância no perfil epidemiológico do nosso país. Segundo o Ministério da Saúde em 1930, entre as causas definidas de mortes, as causas externas no Brasil ocupavam a sexta posição, representando 2,6% dos óbitos, em 2002 passa a ocupar a terceira posição entre estes óbitos, representando 14,9% do total de óbitos.


No município de São Paulo, a mortalidade por quedas apresenta considerável magnitude, encontrando-se em terceiro lugar entre as causas externas definidas, cuja mortalidade por homicídios lidera as estatísticas, seguida pelos acidentes de trânsito. O gráfico abaixo mostra a distribuição proporcional dos óbitos por causas externas segundo sua classificação.
Gráfico 1: Distribuição proporcional das mortes por causas externas no município de São Paulo, ano de 2004.

F
onte: Tabnet/Pro-aim.


Nos Estados Unidos as quedas lideram a mortalidade por causas externas na população idosa. No Brasil observa-se uma diminuição da mortalidade por homicídios e acidentes de trânsito, fato que poderá contribuir para a liderança da mortalidade por quedas acidentais entre os idosos, também em nosso país.

Apesar do curto período de observação, a análise da curva do gráfico 2 evidencia uma provável tendência a ascensão nas taxas brutas de mortalidade por quedas. Esse aumento pode ser explicado, em boa parte, pelo incremento da população idosa, na qual sua prevalência é maior.


Gráfico 2: Taxas brutas de mortalidade (mortes/100.000 habitantes) em decorrência de quedas acidentais no município de São Paulo. 2004.

Fonte de dados: Tabnet/Pro-aim



A análise das faixas etárias em que ocorrem as quedas é fundamental, principalmente pensando-se nas causas que seriam passíveis de intervenção em relação a este agravo.

Na infância as quedas acidentais estão relacionadas principalmente a acidentes domésticos, em especial naquelas faixas etárias onde ocorre o desenvolvimento motor e de habilidades.

Em adultos, as quedas relacionam-se com acidentes ocupacionais, dentre outras causas. Porém o maior impacto destas ocorrências apresenta-se entre indivíduos mais idosos, sendo importante salientar que estes eventos comumente têm desfechos graves, devido à alta letalidade, bem como, pela alta incidência de incapacidades.


As quedas em indivíduos idosos além de conseqüências físicas e aumento dos custos com os cuidados e serviços de saúde, apresentam repercussões em níveis psicológicos, sociais e familiares, com aumento do número de internações e institucionalizações.

Alguns estudos indicam que as quedas em idosos podem estar associadas a fatores de risco ambientais (pisos escorregadios, falta de iluminação, disposição e condições de mobília) e fatores de risco individuais (problemas visuais, neurológicos, uso de medicamentos).


Considerando-se o sexo, a mortalidade em decorrência das quedas é maior entre os homens, em todas as faixas etárias. Essa informação contrasta com o risco aumentado de fraturas nas mulheres à medida que aumenta a faixa etária. Contudo, mesmo apresentando um aumento na incidência de fraturas em decorrência de quedas, as mulheres mantêm taxas de mortalidade menores que os homens. O gráfico 3 ilustra essa afirmação.

Gráfico 3: Taxas brutas de mortalidade por quedas acidentais (óbitos/100.000 habitantes), segundo o sexo. Município de São Paulo, 2004.



Fonte de dados: Tabnet / Pro-aim


A análise da taxa bruta de mortalidade por quedas pode ser interpretada erroneamente se não levarmos em consideração as diferentes estruturas etárias encontradas em cada local específico. Essas diferenças etárias são, muitas vezes, indicadores das condições de saúde da população em questão. Para contornar tal diferença etária, lança-se mão do método da padronização (ou ajuste) de coeficientes, no intuito de torna-los comparáveis.

Analisando-se as taxas ajustadas para população do município de São Paulo, observa-se diferenças expressivas conforme a região (subprefeitura de residência). Embora fosse esperado inicialmente uma maior taxa de mortalidade naqueles locais com maior população idosa, nota-se que esse padrão não se comprovou. A análise da tabela 1 mostra maiores taxas em locais cuja estrutura não é de população idosa. Os locais que concentram as taxas mais elevadas são os mesmos que geralmente apresentam indicadores sociais menos favoráveis. Assim, a mortalidade por quedas em São Paulo, apesar das diferenças etárias, demonstra esta mais relacionada às condições de saúde de cada população analisada.


Tabela 1: Taxa de mortalidade ajustada* por quedas acidentais no município de São Paulo, segundo subprefeituras, ano de 2004.



Fonte de dados: Tabnet/Pro-aim.



*População padrão: Município de São Paulo, 2004.
A tabela 2 mostra a taxa de mortalidade padronizada para a população acima de 60 anos, segundo as subprefeituras. Do mesmo modo, os locais responsáveis pelas taxas mais elevadas não são aqueles que concentram mais idosos. Esse fato é de grande significância, uma vez que desconhecemos os fatores determinantes de mortalidade por quedas nessas regiões. Pode-se considerar as condições de vida e acesso a serviços de saúde como determinantes desta mortalidade, porém seriam necessários estudos mais aprofundados no sentido de esclarecer o papel e o peso de cada fator envolvido na ocorrência de quedas. Ademais, esse esclarecimento é fundamental para a elaboração de políticas de saúde, principalmente no que tange à prevenção.
Tabela 2: Taxa de mortalidade ajustada por quedas acidentais no município de São Paulo, em maiores de 60 anos de idade, segundo subprefeituras, ano de 2004.


SubPrefeitura Res

Taxa ajustada

Ermelino Matarazzo

76,33

Freguesia/Brasilândia

66,02

Guaianases

58,63

Casa Verde/Cachoeirinha

45,72

Itaquera

45,16

Vila Prudente/Sapopemba

43,31

Penha

42,49

Pirituba

41,89

São Mateus

36,99

Parelheiros

36,00

Santana/Tucuruvi

30,16

Santo Amaro

30,00

Cidade Ademar

29,29

Total

28,69

Aricanduva

26,40

Vila Maria/Vila Guilherme

25,65

Butantã

24,68

Jaçanã/Tremembé

23,66

Vila Mariana

23,59

Capela do Socorro

23,29

Lapa

21,63

Itaim Paulista

21,01

Jabaquara

20,86

Mooca

19,78

São Miguel

18,60

Campo Limpo

18,27

Ipiranga

14,25

Perus

13,45



12,28

M´Boi Mirim

10,13

Pinheiros

8,56

Cidade Tiradentes

0,00

Endereço ignorado

0,00

Total

28,69

II – MORBIDADE

As quedas acidentais ocupam o primeiro lugar em internações hospitalares dentre as causas externas, em ambos os sexos. O gráfico 4 mostra a distribuição proporcional das internações por causas externas segundo sexo.


G
ráfico 4: distribuição proporcional das internações por causas externas segundo sexo. Município de São Paulo. 2004.




Fonte: DATASUS


Quando analisamos separadamente as internações em indivíduos acima de 60 anos de idade, as quedas acidentais são responsáveis por 65,22% das internações por causas externas, indicando uma importante demanda para o sistema de saúde.

No ano de 2004, segundo o banco de dados de AIH do Datasus, foram realizadas 20.953 internações hospitalares em decorrência de quedas acidentais. Embora o valor médio de cada internação tenha sido de R$ 732,84, os custos totais com AIH atingiram valores elevados: R$ 15.355.103,72. Além de apresentar maior mortalidade, a população masculina também foi responsável pela maior parte dos gastos com internações hospitalares (62,11%).

No sexo masculino observa-se maior número de internações entre a população mais jovem, diferentemente da população feminina, cujas internações ocorrem com maior freqüência na população mais idosa. Essa inversão nas faixas etárias pode ser observada no gráfico 4.
Gráfico 4: Distribuição das internações hospitalares por quedas no município de São Paulo no ano de 2004, segundo sexo e faixa etária.



Conforme discutido anteriormente, a ocorrência de quedas acidentais difere em relação ao sexo e à faixa etária do indivíduo. Assim, nas mulheres em faixas etárias mais elevadas, especialmente após a menopausa, as quedas estão relacionadas à osteoporose, conforme indicam vários estudos. Esses estudos também foram capazes de identificar outros fatores relacionados às quedas nessa população, tais como o uso de certos medicamentos, a presença de déficit visual, condições do meio ambiente, dentre outros. Contudo, os fatores relacionados à ocorrência de quedas na população mais jovem ainda não são conhecidos em nosso meio.



Os dados acima reforçam a necessidade de estudos voltados a esse tema com poder elucidativo suficiente para entendermos as questões envolvidas na ocorrência de quedas nas diferentes faixas etárias. Ademais, é necessário se conhecer as particularidades de cada região, uma vez que estas apresentam diferenças importantes nos indicadores relativos a e esse tema.

Os resultados desses estudos nortearão as intervenções mais adequadas e políticas de saúde efetivas para prevenção de quedas acidentais no município de São Paulo.


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