Manual de procedimentos básicos em microbiologia


Infecções por Chlamydia TRACHOMATIS



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Infecções por Chlamydia TRACHOMATIS


As clamídias são bactérias parasitas intracelulares obrigatórias, patógenos importantes amplamente distribuídos através do reino animal. Somente poucas espécies são patogênicas para o homem. A Chlamydia psittaci causa psitacose, a Chlamydia trachomatis causa infecção ocular, respiratória e no trato genital e a Chlamydia pneumoniae causa pneumonia atípica.


Síndromes humanas por Chlamydia trachomatis


Sorotipos

Sexo

Síndrome

A, B, Ba, C



ambos

tracoma, conjuntivite, queratite

mulher

uretrite não gonocócica, cervicite, endometrite, salpingite, peri-hepatite

D, E, F, G, H, I, J, K




homem

uretrite não gonocócica, prostatite, epididimite

ambos

conjuntivite, proctite, síndrome de Reiter

recém-nascidos

oftalmia neonatorum, pneumonia

L1, L2, L3

ambos

linfogranuloma venéreo

A Chlamydia é, do ponto de vista metabólico, incapaz de produzir sua própria energia e, desta maneira, retira ATP da célula hospedeira, sendo denominada de parasita energética. A Chlamydia trachomatis infecta somente o homem e é usualmente transmitida por contato pessoal, isto é, sexualmente ou através do canal do parto. No tracoma, a bactéria é transmitida por contato dos olhos com os dedos ou com fômites contaminados.


A infecção por clamídia tornou-se altamente prevalente, mas devido sua natureza mais branda, ela não tem sido reconhecida e, muitas vezes, permanece sem tratamento. Os estudos epidemiológicos de infecção por clamídia têm documentado uma prevalência substancial do microrganismo em adultos jovens e ativos sexualmente. Estes estudos relatam taxas de prevalência na faixa de 5% a 20% entre mulheres que freqüentam clínicas de planejamento familiar; freqüências mais altas de 20-40% foram notadas entre mulheres e jovens adolescentes sexualmente ativas que freqüentavam clinicas de DST e em cerca de 25% de todas as mulheres atendidas em clínicas ginecológicas.
Aproximadamente 8% de todas as mulheres jovens atendidas em maternidades, sem sintomas de infecção urogenital, são portadoras de C. trachomatis. Da mesma maneira, pelo menos 3% dos homens atendidos em clínicas de DST, sem sintomas genito-urinários, são portadores de C. trachomatis. Aproximadamente 50% das uretrites não gonocócicas (UNG) são causadas por esse agente.
As infecções por clamídia coexistem freqüentemente com a gonorréia. Nos Estados Unidos e regiões da Europa, 35-50% das mulheres com gonorréia apresentam infecção simultânea por clamídia; além disto, os estudos mostram também que 20-25% dos homens heterossexuais com gonorréia estão infectados também por C. trachomatis.
A uretrite é a manifestação mais comum da infecção por clamídia, no homem. Ela é duas vezes mais freqüente que a gonorréia em algumas populações e sua incidência tem aumentado. C. trachomatis virtualmente é responsável por todas as complicações da uretrite não gonocócica.
Na mulher as infecções causadas por Chlamydia trachomatis incluem cervicite mucopurulenta, síndrome uretral, endometrite e salpingite. As infecções do trato genital superior causam esterilidade ou predispõem à gravidez ectópica. As complicações na mulher são as mais graves de todas que ocorrem com doenças por clamídias. Além disso, na mulher, o risco é duplo, para ela e para seu recém-nascido.

Diagnóstico Laboratorial

Tanto Chlamydia como gonococo, graças às recentes utilizações dos testes moleculares, apresentam atualmente uma alta possibilidade de diagnóstico. Anteriormente, o teste mais confiável capaz de identificar Chlamydia era o isolamento em cultura de células, que tem sensibilidade no máximo de 80- 90%. Embora as culturas sirvam como “padrão ouro”, elas são tecnicamente complicadas e demoradas.


O transporte de amostras laboratoriais para cultura requer meios especiais e temperaturas específicas de estocagem. Por outro lado, as amostras para testes moleculares podem ser coletadas em água ou salina estéreis e transportadas à temperatura ambiente ou congeladas. Os testes moleculares para diagnóstico de C. trachomatis produzem resultados rápidos, confiáveis e custo com tendência a cair, atualmente já se encontrando próximo ao da cultura. A amostra adequada deve ser coletada da forma tradicional com swab ou escova endocervical. O exame pode ser realizado à partir de urina de primeiro jato o que pode reduzir sua sensibilidade no diagnóstico da cervicite, endometrite e salpingite.
Os testes moleculares são mais complexos e mais caros que do que outros anteriormente utilizados, mas produzem resultados rápidos (horas ao invés de dias) e, pela primeira vez, espécimes podem ser coletados sem a introdução de swabs ou escovas no canal endocervical ou na uretra, pois sua sensibilidade permite também encontrar traços do microrganismo em amostras de urina.
Os exames para o diagnóstico de Chlamydia incluem:

  • Exame direto, de raspado de mucosa cervical, pelo método da Imunofluorescência Direta ou por técnica Imunoenzimática.

  • Isolamento em cultura de células MacCoy e identificação por técnica de Imunofluorescência.

  • Pesquisa por metodologia molecular: Hibridização ou captura híbrida; PCR com detecção por hibridização; Testes sorológicos. RFC, IF-IgG, IF-IgM.


Testes laboratoriais no diagnóstico das infecções genitais por Chlamydia



Cultura

Citologia

Sorologia

Téc. Moleculares

Giemsa

IFD

EIA

RFC

IF-IgG

IF-IgM

PCR

Sondas DNA

Positiva: material de raspado de mucosas

Não recomen-dada

Positiva


Positiva

Negativa ou positiva título baixo 1


Positiva soros pareados

Eventual-mente positiva 2


Positiva

Positiva


1- consideram-se títulos baixos até 1:16 e títulos altos de 1:32 ou mais. Maior valor diagnóstico que títulos altos é a elevação de 4x o título entre amostras de soro no início da doença e 2 semanas após.

2- positiva nas primeiras semanas da infecção.

IFD: imunofluorescência direta

EIA: método imuno-enzimático

RFC: reação de fixação do complemento







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