Manual de procedimentos básicos em microbiologia



Baixar 0.71 Mb.
Página14/25
Encontro21.10.2017
Tamanho0.71 Mb.
1   ...   10   11   12   13   14   15   16   17   ...   25

Diagnóstico laboratorial



dados laboratoriais relevantes





  • Gram do sedimento pode revelar a etiologia: bacteriana, fúngica (fungos leveduriformes ou filamentosos), tendo uma sensibilidade de 60 a 90% e especificidade próxima de 100% quando realizada por profissionais bem treinados.

  • A positividade depende da concentração bacteriana, variando de 25% quando a concentração de UFC (unidades formadoras de colonias) for 103 ou menos, até 97% quando a concentração for igual ou superior a 105 UFC.

  • A positividade do Gram também varia conforme o agente etiológico, sendo de 90% para o pneumococo, 86% para o hemófilos, 75% para o meningococo, menos de 50% para Listeria monocytogenes e 50% para outros Gram negativos. A coloração de Gram não cora bactérias como os micoplasmas e, evidentemente, não detecta os vírus.

  • Chances de se obter informações sobre a etiologia pelo Gram ou pela cultura se reduzem a menos de 50% quando há uso prévio de antimicrobianos, podendo o LCR ficar estéril em 90-100% dos casos após 24 a 36 horas de antibioticoterapia adequada.

  • Tinta da china e calcofluor: detecta Cryptococcus ou presença de movimentos amebóides (amebas)

  • Coloração de Ziehl Neelsen e auramina: micobactérias

  • Aglutinação com partículas de látex (sensibilidade de 70 a 90%): existem testes disponíveis para detectar meningococo (A e C), hemófilos tipo B, pneumococo (polivalente), Streptococcus do grupo B, E. coli K1 e Cryptococcus spp. Alguns kits não incluem o meningococo B ou podem ter uma sensibilidade inferior para este antígeno. Existem também testes baseados em coaglutinação de Staphylococcus, que tem uma sensibilidade um pouco inferior à aglutinação pelo látex. Estes testes vem sendo cada vez menos utilizados pelo elevado custo.

  • Teste do Limulus pode ser utilizado para detectar endotoxina de bactérias Gram negativas, tendo alta sensibilidade e especificidade para concentrações ≥ 103 UFC/ml.

  • Cultura em Ágar chocolate pode confirmar a etiologia bacteriana e permitir o estudo das sensibilidades aos antimicrobianos.

  • Os vírus podem ser pesquisados por métodos diretos ou cultura para vírus com tipagem. A pesquisa monoclonal e o PCR representam os métodos de maior praticidade, especificidade e sensibildade que se dispõe na atualidade.



Processamento de amostras - LCR

Devido à importância vital do SNC, e, portanto, a gravidade do quadro clínico que acompanha a maioria das doenças e a urgência do diagnóstico em uma área topográfica estéril, a eficiência é um aspecto crítico (rapidez, testes adequados e cuidados para evitar contaminação). Obter qualquer amostra antes de iniciar uso de antimicrobianos.


LCR deve ter máxima prioridade devendo ser processado imediatamente. Avalie e anote o volume e o aspecto do LCR.
LCR por punção lombar ou de reservatório de próteses (vide técnica para coleta de LCR)
Coletar o segundo tubo, obtendo idealmente os seguintes volumes:

  • 1-2 ml para Gram, pesquisa de antígenos e cultura (na falta de plantão de microbiologia pode ser semeda a cultura [5 a 10 gotas] diretamente durante a punção para coleta do LCR, em tubos de ágar chocolate, previamente aquecidos a 35oC, preparados há menos de 30 dias); pode-se semear um tubo com ágar sangue (base Mueller Hinton ou Ágar brucella) e um tubo com caldo tioglicolato caso haja suspeita de anaeróbios

  • 2 ml para exame direto e cultura para fungos (se indicado)

  • 2 ml para coloração de Ziehl e cultura para micobactérias (se indicado)

  • 2-3 ml para provas virológicas (se indicado)


Exame da cultura


  • Durante 72 horas observe diariamente a presença de crescimento nas placas e tubos com ágar chocolate. Pode-se prolongar a incubação para o total de sete dias.

  • No tubo com caldo deve ser observada turvação diariamente e descartado após 7 dias. Caso haja crescimento, fazer um Gram e semear em placa de ágar chocolate para isolamento, identificação e antibiograma.

  • Em casos de hemófilos e neisserias fazer o teste da beta-lactamase com discos de nitrocefina (Cefinase)

  • Se positivo, comunicar o médico imediatamente.

  • Em caso de pneumococos, testar a penicilina usando discos de oxacilina 1 micrograma. Se halo para oxacilina ≥ 20mm, a cepa é sensível à penicilina. Halo ≤ 19 mm encaminhar a cepa a um Laboratório de Referência ou fazer teste da Concentração Inibitória Mínima (CIM), podendo ser usado o E-test:

  • Penicilina ≤ 0,06 microgramos/ml = cepa sensível

  • Penicilina 0,12 a 1 microgramos/ml = cepa de sensibilidade intermediaria.

  • Penicilina ≥ 2,0 microgramos/ml = cepa resistente


Interpretação do exame


  • Contagem de glóbulos brancos = > 1.200 mm3 sugere meningite bacteriana (valores menores não excluem).

  • Predomínio de mononucleares (< 50% de neutrófilos) sugere meninigite não bacteriana ou parcialmente tratada.

  • Glicose < 30 mg/100 ml sugere meningite bacteriana, por micobactéria ou fúngica.

  • Proteínas >150 mg/100 ml sugere meningite bacteriana.

  • Cloretos < 110 mEq/L sugere meningite por tuberculose se afastada outra etiologia bacteriana. Atualmente pouco utilizado devido a disponiblidade de testes mais específicos.

  • Lactato no LCR > 35 mg/100 ml é sugestivo de meningite bacteriana.



Pesquisa de antígenos

Pode detectar a presença de microrganismos, mesmo na vigência de antibioticoterapia. Os testes detectam polissacárides em suspensão, por isso deve-se usar o sobrenadante. Alguns testes solicitam prévia colocação da amostra para teste em banho-maria (fervente) por 5 minutos. Consulte e siga as orientações do produto adquirido.




  • Colocar as gotas de látex no cartão, orientando-se conforme a indicação de cada teste.

  • A seguir depositar uma gota do sobrenadante do LCR ao lado da gota de latex.

  • Usar um bastão ou alça flambada para cada teste.

  • Observar a aglutinação conforme padrão e no tempo descrito por cada fabricante.

Aglutinações que ocorrerem com mais de um anticorpo devem ser relatadas como indeterminadas ou não interpretável. Pode-se tentar diluir o LCR em salina 1:2 ou 1:4. Repetir os testes e observar os resultados.


Rotina de Plantão
Se não for possível encaminhar ao Laboratório de Microbiologia (plantão de fim de semana) ou porque sua rotina é lenta, o LCR deve ser processado pelo laboratório de urgência (plantão) ou por médicos ou analistas treinados para os seguintes procedimentos:


  • Colher 5 a 10 gotas do LCR diretamente da punção em 1 tubo de Ágar chocolate de preparação recente e previamente aquecido a 35oC ou:

  • Centrifugar 1 a 2mL do LCR entre 2.500 a 3.000 rpm, por 15 minutos.

  • Cuidadosamente, flambar a boca do tubo e em condições assépticas (fluxo laminar ou atrás de um bico de Bunsen), e, para os testes de aglutinação aspirar 0,5 a 1mL do sobrenadante com ponteira estéril (ou pipeta plástica estéril ou pipeta Pasteur com ponta fina de vidro, conectada a um bulbo de borracha ou pêra de aspiração). Deixar 0,5 a 1mL para cultura e Gram. Flambar novamente.

  • Agitar no vortex o tubo com o resto do sobrenadante e sedimento. Em condições assépticas (vide acima), semear 3-4 gotas do material em placa de ágar-chocolate e, se disponível, também em placa de ágar-sangue e em tubo com caldo tioglicolato sem indicador.

  • Colocar as placas e tubo na estufa entre 35 a 37oC, sendo a placa de Ágar chocolate em jarra com vela e umidade (CO2 e umidade).

  • Depositar 1 gota do material no centro de uma lâmina de vidro previamente desengordurada em álcool, para fazer o esfregaço.

  • no caso de amostras límpidas, pode-se depositar duas gotas e fazer esfregaço menos extenso, quando mais purulento, fazer esfregaço mais espalhado.

  • deixar secar e fixar rapidamente no calor

  • fazer a coloração de Gram e anotar o resultado



Processamento de amostras – Abcesso cerebral



Abscesso Cerebral (vide técnica para coleta de material)


  • Obter o material por punção e aspiração, mantendo-o na seringa para ser enviado ao laboratório. Como a participação de anaeróbios é importante, o material deve ser colhido em frascos com vácuo ou na própria seringa.

  • Manipular material de SNC com luvas, evitar aerossol e encaminhar o mais rápido possível ao laboratório. Amostras para virologia devem ser encaminhadas ao laboratório rapidamente à temperatura ambiente. As pesquisas monoclonais de vírus exigem que as células estejam íntegras. Apenas material para investigações futuras e pesquisas por métodos moleculares de agentes RNA deve ser obrigatoriamente conservado entre -20 a -70oC.


Amostras de aspirado de abscesso e de material obtido em cirurgia ou em necropsia:

  • Semear em placa de ágar chocolate e incubar em jarra com vela a 35oC.

  • Semear em placa com ágar brucella e suplementos hemina e vitamina K para cultura de anaeróbios em jarra apropriada com gerador de anaerobiose a 35oC.

  • Semear em placa de ágar sangue em estufa a 35oC.

  • Semear em tubo de caldo tioglicolato a 35oC.

  • Fazer esfregaço, fixar e corar pelo Gram. Reservar o resto do material.

  • Caso o Gram revele:

  • diplococos Gram negativos: sugestivo de Neisseria spp.

  • cocos Gram positivos em cachos agrupados: Staphylococcus aureus (ou coagulase neg.)

  • cocos Gram positivos em cadeias longas ou aos pares: Streptococcus (S. pneumoniae ou outros estreptococos aeróbios ou anaeróbios)

  • bacilos Gram positivos: Listeria spp., Corynebacterium spp. (contaminante ou em derivações), esporulados (Bacillus ou Clostridium).

  • suspeita de bacilo da tuberculose: fazer coloração de Ziehl-Neelsen ou auramina e se confirmado, semear em Lowenstein Jensen ou outro meio especifico.

  • ramificados: Actinomyces ou Nocardia (fazer Ziehl Neelsen)

  • cocobacilo Gram negativo: hemófilos, Brucella, Pasteurella sp, etc.

  • Acinetobacter spp. (Infecção Hospitalar (IH) em derivações e próteses do SNC)

  • bacilo Gram negativo: enterobactérias, Pseudomonas spp. (IH)

  • Fungos: leveduriformes ou dimórficos.

Candida - exame direto com Lactofenol e semear em ágar Sabouraud dextrose (ASD)

Cryptococcus spp. - tinta da china para melhor caracterização; semear em BHI ágar

Histoplasma capsulatum - semear em BHI, ágar glutamina

Filamentosos e oportunistas em geral - semear em ASD





Compartilhe com seus amigos:
1   ...   10   11   12   13   14   15   16   17   ...   25


©aneste.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
Prefeitura municipal
santa catarina
universidade federal
terapia intensiva
Excelentíssimo senhor
minas gerais
união acórdãos
Universidade estadual
prefeitura municipal
pregão presencial
reunião ordinária
educaçÃo universidade
público federal
outras providências
ensino superior
ensino fundamental
federal rural
Palavras chave
Colégio pedro
ministério público
senhor doutor
Dispõe sobre
Serviço público
Ministério público
língua portuguesa
Relatório técnico
conselho nacional
técnico científico
Concurso público
educaçÃo física
pregão eletrônico
consentimento informado
recursos humanos
ensino médio
concurso público
Curriculum vitae
Atividade física
sujeito passivo
ciências biológicas
científico período
Sociedade brasileira
desenvolvimento rural
catarina centro
física adaptada
Conselho nacional
espírito santo
direitos humanos
Memorial descritivo
conselho municipal
campina grande