Manual de Massagem Terapêutica



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Tabela 3.1 Estressores

Estressores químicos
■ Toxinas resultantes de infecção aguda ou crônica

■ Bactérias também podem gerar substâncias químicas tóxicas e podem penetrar no corpo por um corte, por uma queimadura, pelo nariz ou pela pele

■ Doença visceral que gera toxinas, as quais atuam como irritantes, causando ou intensificando alterações somáticas nas áreas supridas pelo mesmo segmento da coluna; uma conexão similar pode ocorrer pelo segmento espinhal adjacente, como acontece na apendicite, levando à dor na região abdominal

■ Venenos orgânicos, como ácidos, açúcares, álcool e tabaco

■ Substâncias químicas simples, como drogas, aditivos e colorantes

■ Desequilíbrios metabólicos, como reações alérgicas e fatores endócrinos; esses levam a perturbações nas se-creções glandulares (hormonais, digestivas etc), que agem sobre o sistema nervoso autônomo

■ Desequilíbrio nutricional, como, por exemplo, privação de ácido ascórbico, que cria uma deficiência no tecido conjuntivo
Estressores físicos
■ Trauma, causado por acidente ou tensão repetida dos músculos

■ Exercícios excessivos ou inabituais

■ Microtrauma, provocado por tensões posturais ou ações repetitivas

■ Acidente vascular cerebral - um derrame que leva à obstrução do suprimento sangüíneo para as células do tecido

■ Edema

■ Temperatura excessivamente baixa ou alta, causada, por exemplo, por mudanças na pressão atmosférica ou diminuição da umidade do ar



■ Compressão nervosa - desalinhamentos da coluna ou compressão do nervo por músculos

■ Lesões da coluna (crônicas ou agudas) e desequilíbrios estruturais

■ Alterações artríticas

■ Atividade muscular deficiente: espasmos, espas-ticidade, contraturas

■ Alterações no posicionamento visceral, por exemplo, visceroptose
Emocionais
■ Estados de ansiedade, medo, raiva etc.
Fatores hereditários e congênitos
■ Hemofilia

■ Espinha bífida


Trajetos neurais


Os trajetos neurais envolvidos na massagem podem ser mais bem compreendidos pela revisão de alguns aspectos do sistema nervoso. Três tipos de neurônio formam o sistema nervoso, conforme descrito a seguir:

1. Neurônios aferentes (sensoriais). Transmitem informações dos tecidos e órgãos do corpo para o sistema nervoso central (snc).



2. Neurônios eferentes (motores). Transmitem informações do snc para as células efetoras (músculos ou glândulas), que recebem o impulso e a ele reagem. Os axônios de neurônios aferentes e eferentes juntam-se para formar os nervos espinhais, que emergem entre as vértebras.

3. Interneurônios. São encontrados apenas no snc e formam conexões entre os neurônios aferentes e eferentes. Em alguns casos, entretanto, um impulso é transmitido entre neurônios aferentes e eferentes sem passar por um interneurônio; um exemplo é o reflexo do tendão patelar (ou de espasmo do joelho), no qual um golpe no tendão patelar estimula os receptores do alongamento muscular, resultando em uma contração muscular imediata. Os interneurônios também agem como "chaves" que podem ligar um impulso ou desligar e inibir sua transmissão.

O sistema nervoso é dividido em duas partes: o central (snc), que compreende o cérebro e a medula espinhal, e o periférico, que consiste nos nervos exteriores ao snc. O sistema nervoso periférico transmite sinais entre o snc e todas K outras partes do corpo e consiste em 12 pares de nervos cranianos e 31 pares de nervos espinhais. Todos os nervos espinhais e a maioria dos nervos cranianos contêm axônios de neurônios aferentes e eferentes e podem, portanto, ser classificados como pertencentes às divisões aferente (sensorial) ou eferente (motora) do sistema nervoso periférico. Alguns nervos cranianos contêm apenas fibras aferentes (por exemplo, os nervos ópticos).

O aspecto eferente do sistema nervoso periférico é dividido nas partes somática e autônoma. O sistema nervoso somático é formado de fibras nervosas (motoneurônios), que partem da medula espinhal para inervar as células musculares esqueléticas. O sistema nervoso autônomo inerva músculos cardíacos e lisos, as glândulas e os neurônios do trato gastrintestinal. O último grupo de neurônios do trato gastrintestinal forma uma rede nervosa especializada (sistema nervoso entérico) na parede do trato gastrintestinal, que regula suas glândulas e seus músculos lisos. A divisão aferente do sistema nervoso periférico transmite informações dos receptores para o snc. Uma extremidade do neurônio aferente (o axônio central) une a medula espinhal e a outra porção (a extremidade periférica), que termina no tecido ou órgão.

Receptores
Os receptores estão situados nos terminais periféricos dos neurônios aferentes (sensoriais), e sua função é responder a alterações tanto do ambiente externo quanto do interno (do próprio organismo). As fibras periféricas ou terminais dos neurônios sensoriais (como os da pele ou dos tecidos subcutâneos) podem formar o receptor. Uma célula adjacente também pode executar a mesma função, transmitindo os impulsos aos terminais nervosos do neurônio. Os receptores sensoriais respondem a mudanças em seu ambiente, iniciando a atividade neural dentro do neurônio aferente; essas atividades neurais iniciais são chamadas de potenciais graduados, que são traduzidos em potenciais de ação. O estímulo, ou a energia, que ativa um receptor sensorial pode assumir muitas formas, como tato, pressão, temperatura, luz, ondas sonoras, moléculas químicas etc. A maioria dos receptores responde especificamente a uma forma de estímulo; contudo, em potencial, todos podem ser ativados por diversas formas de energia se a intensidade for suficientemente alta. Os nociceptores, por exemplo, são estimulados por pressão, temperatura e toxinas.

Alguns receptores são encontrados nos tecidos periféricos ou na parede externa do corpo, que envolve a pele, a fáscia superficial, os tendões e as articulações. Somente a pele contém de 7 a 135 receptores sensoriais por centímetro quadrado. Os neurônios sensoriais conduzem informações dos receptores para a medula espinhal, para os trajetos ascendentes dentro da coluna e, portanto, para o cérebro (tronco cerebral, tálamo e córtex). Uma sensação descreve a consciência de um estímulo; por exemplo, a pressão que está sendo aplicada aos tecidos. Além de revelar um estímulo direto, a sensação também pode ser compreendida ou percebida - por exemplo, a sensação de dor pode ser percebida como oriunda de uma infecção ou ferimento. A estimulação de um receptor sensorial nem sempre leva a um impulso motor que emerge do corno anterior da medula. Em alguns casos, a resposta é umfeedback negativo, que inibe os impulsos motores.


Receptores cutâneos - agrupamento geral
1. Tipo A - Terminais nervosos livres

■ Não relacionados com nenhum receptor aparente

■ Pouca ou nenhuma cobertura de mielina

■ Sensíveis a estímulos que causam dor e alteração de temperatura



2. Tipo B -Axônios espessos mielinizados

■ Terminam em receptores que podem ser bastante complexos

■ Exemplos incluem corpúsculos de Pacini, corpúsculos de Meissner, corpúsculos de Ruffini e discos de Merkel

■ Todos os mecanoceptores, dos quais existem dois tipos {ver a seguir)

■ Todos são sensíveis ao deslocamento cutâneo, isto é, à indentação ou à pressão pelo toque
Classificação dos vários receptores
1. Corpúsculos de Pacini

■ Mecanoceptores sensíveis ao deslocamento na pele-indentação (pressão com o dedo) ou pressão pelo toque

■ Também sensíveis à vibração

2. Corpúsculos de Ruffini e discos de Merkel

■ Mecanoceptores sensíveis ao deslocamento na pele-indentação ou pressão pelo toque

■ Também sensíveis à pressão prolongada

3. Mecanoceptores da pele - sensíveis à pressão pelo toque

■ Tipo a:

Adaptam-se rapidamente ao estímulo e respondem com uma descarga de potenciais de ação

Provocam sensações de toque, movimento, vibração e cócegas

■ Tipo b:

Adaptam-se lentamente ao estímulo e respondem com uma descarga prolongada enquanto o estímulo permanece

Provocam sensação de pressão

4. Receptores de temperatura (termoceptores) - os existentes na pele são classificados de acordo com sua resposta ao frio e ao calor

■Tipo a (receptores de calor): Terminais nervosos livres Respondem a temperaturas entre 30 e 40°C Aumentam sua taxa de descarga durante o aquecimento

■ Tipo b (receptores de frio): Estrutura desconhecida

Estimulados por temperaturas entre 20 e 35°C Aumentam sua taxa de descarga durante o resfriamento

5. Nociceptores (receptores da dor)

■ Sensíveis a qualquer estímulo que possa causar dano aos tecidos

■ Diferem de outros receptores porque:

Emoções como o medo e a ansiedade são experimentadas junto com a sensação física

Um estímulo doloroso pode evocar uma fuga reflexa ou uma resposta de afastamento

Um estímulo doloroso pode evocar alterações físicas similares àquelas causadas por medo, ansiedade e agressão; essas são mediadas pelo sistema nervoso simpático e incluem aumento na taxa cardíaca, aumento na pressão arterial, maior secreção de adrenalina e maior concentração de glicose sangüínea

■ Os nociceptores estão localizados no terminal de pequenos neurônios aferentes isentos de mielina ou levemente mielinizados

■ Os receptores respondem a diferentes estímulos:

Alguns respondem à pressão mecânica intensa

Alguns à estimulação mecânica e térmica

Alguns a substâncias químicas irritantes, bem como estimulação mecânica e térmica; substâncias químicas como histamina, bradicinina e prostaglandinas são liberadas pelo tecido danificado e despolarizam terminais nervosos do nociceptor próximo, iniciando potenciais de ação na fibra nervosa aferente.


Reflexos
Reflexo é a resposta involuntária a um estímulo, que pode ser definido como uma mudança detectável no ambiente, como uma alteração na temperatura ou na pressão. Um exemplo familiar de reflexo é o que determina a retirada rápida da mão de um objeto quente. Os reflexos também fazem parte do mecanismo homeostático do próprio organismo. Esse processo pode ser observado, por exemplo, quando existe uma queda na temperatura externa do corpo, resultando nas contrações involuntárias dos músculos esqueléticos (tremores) e dos músculos lisos que cercam os vasos sangüíneos, na tentativa de manter a temperatura corporal.

Um trajeto ou arco do reflexo (Figura 3.1) é estabelecido quando os receptores são estimulados. Os impulsos dos receptores percorrem os neurônios aferentes até o centro de integração no cérebro ou na coluna vertebral, e as informações do centro de integração são enviadas ao longo dos neurônios eferentes (motores) ao tecido efetor. Quase todas as células do corpo podem ser efetoras, porém as mais especializadas e facilmente afetadas são as de músculos e glândulas. O resultado de uma ação reflexa é a contração ou o relaxamento do tecido muscular. Nos casos em que as informações eferentes do centro de integração são transmitidas no sistema vascular, e não em uma fibra nervosa, o mensageiro é um hormônio. As secreções glandulares são afetadas, portanto, pela contração muscular ou pela estimulação hormonal. Os reflexos são modificados nos centros superiores; por exemplo, a tensão emocional aumenta o reflexo patelar e exacerba a tensão muscular em geral. Os exemplos seguintes de reflexos ilustram sua aplicação na massagem.


1. O trajeto cutâneo-visceral ou reflexo somático
A manipulação dos tecidos cutâneos moles estimula os receptores sensoriais na derme e na fáscia subcutânea. Como resultado, os impulsos aferentes chegam ao corno posterior da medula espinhal. Aí, realizam sinapse com as células do corno anterior e emergem como impulsos motores, que seguem até os gânglios simpáticos do sistema nervoso autônomo. Os impulsos motores continuam ao longo das fibras pós-ganglionares e terminam no tecido-alvo, especificamente nos músculos involuntários do órgão ou da glândula visceral. Um dos efeitos benéficos da massagem é estimular essas estruturas viscerais por meio desse trajeto reflexo.
2. Reflexo viscerocutâneo
A estimulação dos receptores no interior de uma glândula ou órgão conduz a alterações nos tecidos cutâneos periféricos. A ativação dos receptores do órgão pode resultar, por exemplo, em pressão, inflamação ou toxinas bacterianas. As mudanças que ocorrem na periferia podem ser a vasoconstrição dos vasos sangüíneos superficiais, hiperestesia e dor.

3. O reflexo visceromotor
Um reflexo visceromotor envolve as contrações (tensão) do tecido muscular, voluntárias ou esqueléticas. Resulta de um estímulo, em geral doloroso, que se origina em um órgão visceral. A rigidez muscular pode, portanto, estar relacionada com um reflexo visceromotor, além de estar associada a fatores etiológicos mais diretos.

4. Reflexo abdominal
O toque mais leve na pele do abdome resulta em uma contração instantânea e visível da parede do músculo abdominal. Essa reação involuntária demonstra a sensibilidade do abdome e a necessidade de uma abordagem suave para a masssagem nessa região.
5. O reflexo abdominocardíaco
Consiste em uma alteração na freqüência cardíaca, em geral uma lentificação, resultante da estimulação mecânica das vísceras abdominais. Os movimentos de massagem sobre o abdome realizam alguma manipulação visceral e, portanto, podem também afetar o coração.
Efeito reflexo sobre o sistema nervoso autônomo
O efeito mais freqüente da massagem é a sensação geral de bem-estar, que se manifesta pela atividade autônoma. O relaxamento conquistado com a massagem tem um efeito indireto sobre o sistema nervoso autônomo (sna) e, em particular, sobre a divisão parassimpática. O relaxamento profundo supostamente aumenta a estimulação parassimpática, e parece que, quanto mais relaxado o indivíduo torna-se durante e após a massagem, maior a estimulação. Um centro primário nesse circuito complexo é o hipotálamo, que controla a maior parte do sistema nervoso autônomo e o integra ao sistema endócrino. O hipotálamo faz parte do sistema límbico e responde aos impulsos recebidos de neurônios sensoriais viscerais e somáticos. Ele também responde a emoções internas como medo, ansiedade, expectativa e relaxamento.

Alguns resultados de pesquisas têm demonstrado a conexão reflexa entre a massagem e as ramificações simpáticas/parassimpáticas do sistema nervoso autônomo. Já foram medidas e observadas algumas mudanças em resposta ao toque da massagem na freqüência cardíaca, pressão sangüínea arterial, temperatura cutânea periférica, freqüência respiratória, resposta cutânea à corrente galvânica, diâmetro das pupilas e temperatura corporal. O contato tátil positivo tem sido associado à estimulação do sistema imunológico (Montagu, 1986). Esses são alguns indicadores da função autônoma; outros resultados, contudo, têm sido variados e, em alguns casos, contraditórios.

Os efeitos da massagem no tecido conjuntivo sobre o sistema nervoso autônomo foram o alvo de um estudo. A massagem no tecido conjuntivo foi administrada a adultos de meia-idade e a idosos; as variáveis monitoradas foram a temperatura cutânea, a resposta galvânica da pele, a pressão sangüínea arterial média e a freqüência cardíaca. O estudo não mostrou alterações significativas durante ou após a massagem (Reed e Held, 1988). Embora contrarie as expectativas, o resultado pode dever-se a diversos fatores. Por exemplo, os efeitos provavelmente são mais importantes em indivíduos com perturbações patológicas, e não em indivíduos sadios, como os que participaram do estudo. Qualquer tensão ou ansiedade, que podem ser sentidas em um ambiente controlado, também influenciam o resultado; nessas condições, os indivíduos podem necessitar de mais tempo para relaxar do que os 15 minutos das sessões realizadas no experimento. Por outro lado, uma resposta reflexa à manipulação do tecido cutâneo, como proposta pela teoria da massagem do tecido conjuntivo, teria realmente um resultado instantâneo.

Em um estudo, foi descoberto que o amassamento causava um aumento imediato e temporário na pressão sangüínea, seguido de uma diminuição (Edgecombe e Bain, 1899). O resultado está de acordo com o conceito de que a massagem provoca um aumento inicial no tônus muscular dos vasos sangüíneos, seguido de fadiga e relaxamento (Mennell, 1920). Outras observações não demonstravam alteração na pressão sangüínea durante ou após tratamentos com massagem (Cuthbertson, 1933). Um estudo mostrou uma resposta parassimpática imediata, que era indicada por uma diminuição na pressão sangüínea diastólica e sistólica; foram observadas também respostas atrasadas, algum tempo depois do tratamento, mas estas variavam de um para outro indivíduo (Barr e Taslitz, 1970).

Pesquisas adicionais relataram um aumento óbvio na sudorese nos períodos de massagem (Barr e Taslitz, 1970). Uma vez que as ramificações simpáticas do sistema nervoso autônomo são o único suprimento para as glândulas sudoríparas, a resposta foi classificada como simpática. Isso, na verdade, contraria outros resultados de pesquisas (Reed e Held, 1988) e até mesmo as observações clínicas. Sob circunstâncias normais, não ocorre maior sudorese no paciente durante a massagem, a menos que o paciente esteja estressado. Os efeitos da estimulação sensorial no paciente pré-operatório foram registrados em outro estudo (Tovar e Cassmere, 1989). Conforme relatos, o toque no paciente cirúrgico - com técnicas como afagos nas costas das mãos - estimula os receptores cutâneos, que, por sua vez, produzem uma resposta de relaxamento gerada pelo sistema nervoso parassimpático. Foi observada uma diminuição tanto na pressão sangüínea quanto na freqüência cardíaca; um aumento na temperatura cutânea também era evidente, mesmo em pacientes ventilados. Isso indica um aumento no fluxo sangüíneo periférico e, portanto, uma resposta parassimpática. A vasodilatação e o aumento na temperatura cutânea podem ser resultado da influência hormonal. Tem sido dito que a massagem influencia os mastócitos para liberarem uma substância similar à histamina, que age sobre o sistema nervoso autônomo. A histamina normalmente está presente no corpo e causa vasodilatação durante o dano aos tecidos. Um estudo sobre os efeitos da massagem no tecido conjuntivo mostrou acentuada hiperemia e uma sensação de calor, que duravam por 6 horas ou mais após o tratamento. Essas alterações podem ser atribuídas a um efeito parassimpático. Entretanto, as glândulas sudoríparas também eram estimuladas, o que aponta para uma resposta simpática (Ebner, 1962,1968,1978).
Efeitos mecânicos e reflexos sobre os nociceptores
Percepção da dor
Uma reação instintiva à dor é friccionar a área atingida. A sensação de alívio e o torpor experimentados devem-se a um bloqueio dos impulsos dolorosos ao longo de sua trajetória para o cérebro. A redução da dor ou, mais apropriadamente, da percepção da dor, pode ser obtida pela interrupção ou modificação da transmissão de impulsos aferentes em um de três locais: (a) na periferia (e, portanto, onde ocorre a irritação do receptor da dor); (b) na medula espinhal (onde os neurônios aferentes ingressam na coluna para juntar-se ao sistema nervoso central); e (c) nos níveis superiores ou na área supra-espinhal do snc. A massagem ajuda na redução da dor de várias maneiras. Uma delas está ligada ao impacto reflexo que ela tem sobre os trajetos sensoriais envolvidos na transmissão da dor. A massagem também pode exercer alguma influência sobre alguns fatores etiológicos da dor.

Nociceptores (receptores da dor)


A transmissão da dor começa com os nociceptores, ou receptores da dor. Esses órgãos sensoriais localizam-se na extremidade dos pequenos neurônios não-mielinizados ou levemente mielinizados. Eles são sensíveis a qualquer gatilho que possa causar dano aos tecidos e, conseqüentemente, estão aptos a responder a vários estímulos. Alguns receptores são sensíveis à pressão mecânica intensa, outros respondem à estimulação mecânica e térmica e outros ainda respondem a substâncias químicas irritantes, bem como à estimulação mecânica e térmica.

Irritantes e substâncias químicas pró-inflamatórias

O dano a uma tecido pode ser causado por um estressor, como pressão, trauma ou substância nociva. Ao ser danificado, o tecido libera substâncias químicas como serotonina, bradicinina, histamina e prostaglandinas. A liberação de certas substâncias químicas em resposta a um dano no tecido ou à atividade metabólica foi uma teoria proposta para a ativação dos trajetos nociceptivos (Watson, 1981). Essas substâncias químicas exercem um papel importante no processo inflamatório e também irritam os nociceptores, despolarizando terminais nervosos do nociceptor próximo. Ao fazerem isso, as substâncias iniciam potenciais de ação no neurônio aferente (sensorial). Além de responderem às substâncias químicas, os próprios nociceptores liberam substâncias químicas de natureza inflamatória. A substância P é um exemplo (Walsh, 1991). O aumento no fluxo sangüíneo venoso ajuda na remoção desses agentes químicos irritantes e pró-inflamatórios e inibe a dor no plano periférico (Walsh, 1991). A massagem é muito eficaz na melhora do fluxo sangüíneo venoso; portanto, assume papel significativo na redução da dor.

Edema
Um acúmulo de edema resulta na elevação da pressão hidrostática dentro dos tecidos intersticiais. Se for elevada de modo significativo, a pressão pode irritar os nociceptores e produzir dor. A massagem ajuda a drenar a linfa excessiva das áreas edemaciadas e, à medida que a pressão sobre os nociceptores é reduzida, a dor também é aliviada.

Choque nas fibras nervosas
A dor pode ser causada por um choque nas fibras nervosas, precipitado por contrações ou congestão na pele e na fáscia (superficial ou profunda). As fibras nervosas também podem ser confinadas por desequilíbrios mecânicos nas articulações e nos ligamentos associados. Músculos tensos, espásticos ou contraídos podem ter um efeito similar sobre as fibras nervosas (Greenman, 1989); por exemplo, a pressão sobre o nervo ciático com freqüência é provocada pelo músculo piriforme tenso. A massagem ajuda a liberar nervos comprimidos pela eliminação da tensão muscular, pelo alongamento dos tecidos superficiais e profundos e pelo afrouxamento das articulações e dos ligamentos.
Neurônios sensoriais
Os neurônios sensoriais são classificados pelas letras A, B ou C. Outra forma de categorização utiliza os números romanos de I a IV, e uma terceira classificação, o alfabeto grego: alfa, beta, gama e delta (Lee e Warren, 1978, citado porWalsh, 1991).
■ A recepção do toque e da vibração é transmitida ao longo das fibras da classe A (grupos I e II; alfa). Essas fibras têm um diâmetro amplo; 20 |0m e 5-15 jjm, respectivamente.

■ As fibras da classe B têm um diâmetro de 3 \nn e são encontradas como nervos pré-ganglionares e autônomos.

■ Os nociceptores transmitem seus impulsos ao longo das fibras da classe C (grupo IV), que têm diâmetro pequeno (0,5-1 |Jm) e são esparsamente mielinizados.

■ Outros neurônios sensoriais que também transmitem impulsos dolorosos são as fibras da classe A (grupo III; delta). Neste caso, as fibras são mielinizadas e têm um diâmetro um pouco maior (1-7 µm) que as anteriores. Elas respondem a um estímulo intenso e, supostamente, transmitem sensações de um ferimento agudo (tal como uma picada) para a pele.


Bloqueio dos impulsos dolorosos
O diâmetro da fibra nervosa determina a velocidade de movimentação do impulso. Conforme o diâmetro das fibras aumenta, a resistência ao fluxo da corrente diminui (Walsh, 1991). Isso significa que, quanto maior o diâmetro da fibra nervosa, mais fácil e rápida será a condução dos impulsos. Podemos fazer uma comparação simples com um cano de água: quanto maior seu diâmetro, mais fácil e rápido é o fluxo de água. Uma vez que algumas das fibras da classe A (grupos I e II; alfa) têm grande diâmetro, carregam os impulsos mais rapidamente que algumas das fibras menores da classe C (grupo IV) e de certas fibras da classe A (grupo EU; delta). A aplicação de um leve toque à pele durante a massagem estimula as fibras maiores e mais rápidas da classe A (grupos I e II; alfa). Os impulsos que se movimentam ao longo dessas fibras chegam à coluna vertebral com maior rapidez e, conseqüentemente, predominam sobre os estímulos mais lentos. Assim, elas "bloqueiam" os impulsos dolorosos que se movimentam pelas fibras da classe C (grupo IV) e de outras fibras da classe A (grupo III; delta).

O mecanismo de bloqueio é encontrado na substância gelatinosa localizada na periferia do corno posterior da coluna (Melzack e Wall, 1988). Essa substância cinzenta possui um mecanismo de portal, que controla o ingresso de todos os impulsos sensoriais que chegam e, em particular, daqueles oriundos dos nociceptores. O bloqueio fisiológico no nível do segmento espinhal é chamado de "mecanismo de portal da dor". Ele é obtido com muita eficiência pelo uso de métodos como correntes interferenciais e tens, que significa Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea (Walsh, 1991). Em virtude desse mecanismo de portal da dor, os impulsos são modificados e impedidos de subir pela coluna até o cérebro. A dor, portanto, tem sua intensidade reduzida ou não é absolutamente percebida.




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