Manual de Massagem Terapêutica



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A sensação real de dor dentro do crânio pode resultar de alterações patológicas no interior ou no exterior do crânio. Certos tecidos intracranianos possuem receptores da dor, muito sensíveis, particularmente a alterações no alongamento e na pressão. Esses tecidos "sensíveis à dor" são os seios durais, as veias emissárias (que transportam o sangue dos seios para o lado externo do crânio), as artérias e a dura, na base do crânio. Alterações patológicas intracranianas que estimulam os receptores da dor incluem tumores (que alongam esses tecidos), febres, intoxicação e, possivelmente, hipertensão (esses três últimos fatores causam dilatação das artérias), inflamação da meninge, compressão da artéria vertebral cervical e hemorragia.

O segundo grupo de etilogias é o de alterações patológicas extracranianas. Todos os tecidos fora do crânio são sensíveis à dor. Quando os terminais nervosos sensoriais nesses tecidos são irritados, enviam a dor para o crânio por meio de alguns nervos cranianos (V, VII, IX E X) e para os nervos cervicais superiores (Cl, 2 e 3). As condições que estimulam os nociceptores incluem doenças inflamatórias (por exemplo, nos seios faciais, dentes, ouvidos ou olhos); outros fatores incluem contrações musculares prolongadas na região lombar superior, no pescoço e nas mandíbulas. Do mesmo modo, a compressão da artéria vertebral cervical pode estimular os nociceptores; outro fator é a distensão dos vasos sangüíneos. A enxaqueca é um exemplo, causada por contração espontânea e distensão das artérias extracranianas na cabeça e no pescoço.

Cefaléia por tensão


Um tipo muito comum de cefaléia é o causado por tensão ou estresse. A conexão entre tensão e cefaléia é dupla. Ocorre uma elevação da pressão arterial, que irrita os tecidos intracranianos sensíveis à dor (por exemplo, as artérias e os seios faciais). A tensão muscular, por outro lado, irrita os nociceptores na parte posterior do pescoço e na mandíbula; a dor resultante é enviada à cabeça, ao longo dos nervos cervicais e cranianos.

■ Compreensivelmente, as causas subjacentes de estresse precisam ser abordadas de modo apropriado. A massagem é empregada por seu efeito benéfico de redução da ansiedade. A maior parte das técnicas de massagem na parte superior do ombro, pescoço, crânio e face pode induzir o relaxamento. Além disso, as técnicas de ponto de gatilho são aplicadas a certos músculos. A tensão muscular com freqüência está associada a pontos de gatilho que podem exacerbar-se ou, na verdade, iniciar a dor referida para o crânio. Os músculos mais comuns nos quais se encontram os pontos de gatilho são:


a. o músculo esternoclidomastóideo, bem acima da junção onde as fibras se dividem nos segmentos esterno e clavícula;

b. o músculo esplênio da cabeça e do pescoço, abaixo do processo mastóideo;

c. o músculo temporal, no ponto intermediário das têmporas; se a sensibilidade for restrita às artérias temporais, pode indicar arterite craniana (temporal), e a massagem nesta área, portanto, deve ser evitada;

d. o músculo masseter, exatamente superior à articulação temporomandibular e acima desta;

e. o músculo trapézio, em um ponto ao longo das fibras inferiores, medianas e superiores;

f. o músculo elevador da escápula, bem acima da inserção para a borda mediana superior da escápula.

Cefaléia do tipo neuralgia
A neuralgia manifesta-se como uma dor intensa e aguda ao longo do curso de um nervo, geralmente devido a compressão, irritação por toxinas ou desnutrição. É descrita de acordo com a parte ou órgão afetado; por exemplo, a neuralgia cardíaca é sinônimo de angina pectoris, e a neuralgia trigeminal envolve o nervo trigeminal. A neuralgia occipital é precipitada por irritação dos nervos da coluna (sensoriais, motores e autônomos); a irritação deve-se a anormalidades ou degeneração da coluna torácica cervical e superior. Uma cefaléia do tipo de neuralgia com freqüência é causada por algum grau de deslocamento e aprisionamento entre duas vértebras adjacentes, o que leva à irritação e inflamação das raízes nervosas que emergem entre os corpos vertebrais. O resultado, nessa situação, é uma dor neurálgica, que se irradia para a base do occipício e possivelmente para outras áreas do crânio. Espasmos da parte superior do ombro e dos músculos do pescoço estão invariavelmente presentes nessa condição; exercem uma tração na coluna, levando-a uma posição anormalmente fixa. De modo inverso, os espasmos com freqüência ocorrem se a coluna já estiver desalinhada ou presa. Um ciclo vicioso é criado, no qual os espasmos musculares mantêm a compressão que, por sua vez, mantém os mesmos músculos em estado de espasmo.
■ A massagem é indicada para auxiliar a romper esse ciclo vicioso, aliviando a tensão na musculatura e ajudando a restaurar os movimentos da coluna. Conforme os músculos relaxam, a dor é aliviada, o que induz a um maior relaxamento muscular. Em alguns casos, o tratamento mais eficaz e rápido para o desalinhamento ou descompressão da coluna é o oferecido por um terapeuta de manipulação, como um osteopata ou quiroprático. Esse tipo de abordagem pode ser necessário quando as cefaléias persistem após uma ou duas sessões de massagem. O tratamento com massagem é contra-indicado quando a cefaléia é precipitada por certos fatores patológicos, como infecções e vírus (por exemplo, febres ou meningite), ou pelo consumo de narcóticos ou outras drogas.

Enxaqueca


As enxaquecas são paroxísticas (súbitas e periódicas) e caracterizadas por ataques recorrentes. Geralmente são acompanhadas por variados graus de perturbações visuais e gastrintestinais. As causas da enxaqueca não são bem conhecidas, mas as evidências apontam para a vasoconstrição das artérias intracerebrais. Uma mudança similar também ocorre nas artérias extracranianas, que passam por constrição episódica após a vasodilatação súbita. Essas alterações nos vasos e na pressão intracraniana têm um efeito direto sobre os tecidos sensíveis à dor dentro do crânio. Uma cefaléia agrupada é uma variação da enxaqueca com intensa dor nevrálgica em torno do olho; geralmente retorna em intervalos de meses. A enxaqueca abdominal caracteriza-se por uma dor abdominal recorrente, junto com vômitos, que ocorre sobretudo em crianças. Os sintomas mais comuns de enxaqueca incluem ziguezagues de luz, vômitos e suor unilateral. Além disso, pode haver uma dor aguda e na forma de fisgadas na região temporofrontal (freqüentemente unilateral) e intolerância à luz e ao som. Pode haver uma tendência familiar para as enxaquecas, e elas com freqüência são causadas por estresse, alterações hormonais, uso de anticoncepcionais e consumo de certos alimentos.

■ Durante um ataque, a massagem na parte superior do corpo é contra-indicada. Essa precaução é tomada para evitar que a massagem aumente o fluxo e, assim, o volume de artérias extracranianas já dilatadas, o que exacerbaria a dor de cabeça. De qualquer modo, o paciente provavelmente não toleraria o procedimento. A massagem também pode provocar uma onda súbita de sangue para as artérias intracranianas constritas, o que leva a um aumento na pressão. Os nervos cranianos ainda podem estar irritados pelo influxo súbito de pressão. A massagem, contudo, é indicada entre os ataques, para fins de relaxamento. Ao melhorar a circulação sistêmica, a massagem também melhora o funcionamento orgânico e, com isso, promove ainda mais a eliminação de toxinas e outros materiais que possam causar os ataques de enxaqueca.

SISTEMA RESPIRATÓRIO
Asma
A asma caracteriza-se por ataques intermitentes de dispnéia (falta de ar) e sibilos, com períodos de remissão. Também pode tornar-se crônica e associar-se à bronquite e ao enfisema. A dificuldade para respirar deve-se ao espasmo nos condutos brônquicos, bem como à inflamação do revestimento da traquéia ou do muco com edema resultante. A dispnéia é aumentada pelo muco excessivo no lúmen dos brônquios e bronquíolos. O desconforto nos músculos do tórax acompanha a falta de ar e os sibilos. A asma brônquica com freqüência é causada por alergia ou hipersensibilidade ao pólen, pó ou alimentos (por exemplo, ovos, mariscos e chocolate) ou pode resultar de drogas ou irritantes, como fumaca de cigarro e alterações na temperatura. Em alguns casos, os ataques de asma podem ser precipitados por exercícios ou por infecções do trato respiratório. A gravidade e a freqüência dos ataques podem ser influenciadas por alterações endócrinas, em vários períodos durante a vida. De modo similar, os estados emocionais como tensão, estresse, ansiedade e excitação podem precipitar um ataque.
■ Um benefício muito significativo da massagem para a pessoa asmática é o do relaxamento. A diminuição na tensão leva à transmissão de um número reduzido de impulsos simpáticos para os músculos involuntários do trato respiratório e, à medida que as contrações musculares tornam-se mais fracas, os músculos relaxam, repousam e as vias aéreas se abrem.

■ Se o paciente se sentir confortável, a massagem pode ser aplicada durante um ataque, com o paciente sentado. Técnicas de relaxamento como o deslizamento e a massagem suave são aplicadas nos músculos torácicos e na área cervical inferior. O deslizamento circular com o polegar é aplicado ao longo dos músculos paravertebrais da região torácica.

Entre os ataques de asma, a massagem é empregada para tratar os músculos respiratórios (Tabela 4.5), que podem estar em espasmo, com fadiga ou encurtados. Atenção particular deve ser dirigida ao músculo peitoral, grande dorsal, músculos abdominais e serrátil posterior inferior.

■ Manobras suaves de tapotagem são aplicadas nas costas, para ajudar a liberar o acúmulo de muco. Isso é realizado quando o paciente se sente mais confortável, o que geralmente ocorre entre os ataques de asma.

■ A massagem por fricção nos espaços intercostais ajuda a aumentar a circulação local e a drenagem linfática; além disso, exerce um efeito relaxante nos músculos intercostais.

■ Os movimentos passivos são executados com o objetivo de aumentar a excursão das costelas (ver Capítulo 9).

■ A massagem no corpo inteiro é usada para melhorar a circulação sistêmica, particularmente quando o paciente é incapaz de se exercitar.

■ Se a condição for exacerbada por perturbações emocionais, a massagem é usada de forma regular, para ajudar o paciente a manter-se em estado relaxado.

■ Contra-indicações para a massagem incluem um ataque asmático intermitente e infecções do trato respiratório. O tratamento também é contra-indicado se o paciente estiver tomando medicamentos que não parecem apresentar efeito; o encaminhamento para um médico é essencial e urgente nessa situação.

Dor referida

As condições que afetam o sistema respiratório, como bronquite e asma, podem conduzir a dor para o lado esquerdo do pescoço e na região mediana do ombro. Certas patologias, como carcinoma brônquico ou esofagiano, também podem causar dor referida nas costas. Essas áreas de alterações nos tecidos podem ser tratadas com movimentos de massagem, conforme indicação. As áreas hipersensíveis podem ser pontos de gatilho e, por isso, devem ser tratadas com uma pressão de "liga-desliga", seguida por alongamento passivo. O tratamento por massagem, contudo, é contra-indicado em várias condições que afetam o sistema respiratório, por exemplo, bronquite aguda e pneumonia; além disso, deve ser apenas executado na ausência de inflamação e infecções.



Tabela 4.5 Músculos da respiração

Inspiração silenciosa — inspiração tranqüila;

Diafragma Leva o tendão central para baixo, aumentando o volume da

cavidade


Intercostais externos Ergue a caixa anterior das costelas


Intercostais internos Leva a caixa anterior das costelas para baixo

Elevadores das costelas Levanta as costelas

Serrátil posterior inferior Puxa as costelas inferiores para baixo e as apoia contra o

puxão do diafragma



Inspiração profunda - os músculos acima mais:


Escaleno anterior Levanta a primeira costela

Escaleno médio Levanta a primeira costela

Estemoclidomastóideo Levanta o esterno

Serrátil posterior superior Levanta as costelas

Sacroespinhal Endireita as costas

Inspiração forçada - os músculos acima mais:


Serrátil anterior Com a escapula fixa, levanta as costelas

Peitoral menor Levanta as costelas

Trapézio Estabiliza a escapula para o funcionamento de outros

músculos, p. ex., serrátil anterior



Elevador da escapula Estabiliza a escapula para o funcionamento de outros

músculos


Rombóide Estabiliza a escapula para o funcionamento de outros

músculos


Expiração silenciosa - expiração tranqüila:



Recuo elástico do diafragma

Oblíquo externo do abdome Comprime as vísceras abdominais

Oblíquo interno do abdome Comprime as vísceras abdominais

Transversal do abdome Comprime as vísceras abdominais

Reto do abdome Comprime as vísceras abdominais

Transverso do tórax Deprime as costelas (esternocostal)

Expiração forçada — os músculos acima mais:


Músculos abdominais Maior compressão do abdome; flexiona tronco

Grande dorsal Deprime as costelas

Serrátil posterior inferior Deprime as costelas

Quadrado lombar Deprime as costelas inferiores



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