Importãncia da hidroterapia na qualidade de vida da gestante



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IMPORTÃNCIA DA HIDROTERAPIA NA QUALIDADE DE VIDA DA GESTANTE
Bruna Raphaela Marques dos Santos - b_raphaela@hotmail.com

Caroline Rossinoli - carolinerossinoli@hotmail.com

Ana Claudia de Souza Costa - anaclaudia@unisalesiano.edu.br

RESUMO
Durante o período gestacional observam-se várias alterações fisiológicas e funcionais na mulher. Algumas dessas alterações podem resultar em desconforto ou até mesmo dor na gestante, causando-lhe limitações durante a execução de suas atividades de vida diária, interferindo diretamente em sua qualidade de vida. O aumento dos sintomas dolorosos desencadeia uma constante busca por medidas terapêuticas que possam amenizá-las. A hidroterapia é um recurso terapêutico na qual a água é usada como meio para a realização de exercícios, proporcionando conforto às gestantes, amenizando as modificações fisiológicas e, em especial as musculoesqueléticas, prevenindo assim complicações nas etapas finais da gestação.
Palavras-chave: gestação, fisioterapia, hidroterapia, qualidade de vida.

INTRODUÇÃO
A gestação é um processo fisiológico compreendido pela sequência de adaptações ocorridas no corpo da mulher a partir da fertilização. (COSTA; ASSIS, 2010).

As modificações que ocorrem no corpo feminino estão ligadas há quantidade excessiva de hormônios, responsáveis pelas adaptações do organismo a sua nova condição. Tais alterações incidem principalmente nos sistemas cardiorrespiratório, musculoesquelético e no metabolismo geral; não se restringindo apenas aos órgãos, mas também a mecânica do corpo feminino, tais como alterações como centro de gravidade, da postura e do equilíbrio. (KISNER; COLBY, 2005).

São aspectos da gestação normal a presença de abdome protuso, marcha gingada e lordose exagerada; para compensar a lordose e manter a linha de visão, a gestante aumenta a flexão anterior da coluna cervical, além de andar curvada com abdução dos ombros. (ARTAL; WISWELL; DRINKWATER, 1999). Essa modificação do posicionamento da coluna é realizada à custa de um complexo sistema muscular, que acarreta em dores lombares ou sacroilíacas, com ou sem irradiação para os membros inferiores, frequentemente relata pelas gestantes. (NEME, 2000).

A fisioterapia dispõe de diversos recursos terapêuticos e técnicas, com o objetivo de aliviar e prevenir as dores e os desconfortos ocasionados pelas mudanças posturais gestacional. (COSTA; FAZION, 2011).

Como recurso da fisioterapia, a hidroterapia não visa somente à manutenção do trabalho corporal da gestante, mas também ajuda as que não possuem hábito de se exercitar, oferecendo conforto e segurança a seu corpo. (OLIVEIRA; BARROS; ARAUJO, 2010). Os benefícios da hidroterapia justificam-se pelas influencias físicas da água do corpo imerso, que resulta nas propriedades fisiológicas da imersão. Têm-se como resultados efeitos fisiológicos e terapêuticos diversificados, tais como melhora do retorno venoso, redução do peso corporal durante a execução das atividades, relaxamento, melhora na amplitude de movimento e alivio de dores, sendo que este último beneficio ajuda no controle da dor no momento do parto; além disso de exercer influências benéficas sobre o humor e a autoimagem da gestante. (GIEHL et.al.).

A qualidade de vida ligada à saúde consiste em se sentir bem, na ausência de doenças significativas que poderão se tornar impedimento para a realização de habilidades e capacidades; compreende a vontade para envolver-se com os múltiplos aspectos e objetos que a convivência, o trabalho e o lazer podem proporcionar para a vida plena de valores e possibilidades. (GONÇALVES; VILARTA, 2004).

O fisioterapeuta atua como um profissional da área da saúde capaz de contribuir para a melhora da qualidade de vida da gestante, diminuindo suas queixas, através de programas terapêuticos. Os exercícios reduzem as chances das gestantes terem dores de alta intensidade, que limitam a execução das atividades de vida diária, além de contribuir para a melhora da autoestima e evitar o ganho excessivo de peso, comum no período da gravidez.

1 METODOLOGIA
A realização deste estudo tem como bases de pesquisa: livros, artigos científicos e trabalhos de conclusão de curso.
1.1 Efeitos fisiológicos na gestação
No período gestacional ocorrem mudanças importantes em todas as funções do organismo materno, que deverá formar e nutrir o feto que no útero se desenvolve. (CALDEYRO-BARCIA et al., 2004).

Durante a gestação o consumo de oxigênio aumenta 14%, sendo metade para suprir as necessidades do feto e da placenta, metade para o músculo uterino e tecido mamário, assim levando ao aumento das respirações e função cardíaca. (O’CONNOR; STEPHENSON, 2004).

O sistema gastrintestinal estará em desordem devido à redução da sua motilidade, assim como o esvaziamento gástrico, provavelmente pela elevação dos níveis de progesterona e estrogênio. A reabsorção de água está aumentada e leva à obstipação. (RUOCCO; ZUGAIB, 2005).

É comum as gestantes apresentarem os seguintes sintomas: ansiedade, instabilidade de humor, pesadelos, insônia e manias de aversão à comida. É notável neste período as reduções na habilidade cognitiva e amnésia. (OLIVEIRA; BARROS; ARAUJO, 2010).

A atuação da progesterona, na uretra, e da relaxina, nos músculos do assoalho pélvico diminuem a pressão máxima de fechamento uretral, favorecendo assim a perda de urina levando à incontinência urinária, que pode variar de 17 a 25% no inicio e de 36 a 67% ao final da gestação. (MORENO, 2004).

Durante a gestação ocorre aumento do debito cardíaco, diminuição da pressão arterial e resistência vascular periférica. (RUOCCO; ZUGAIB, 2005). As tonturas são frequentes nas gestantes devido à hipotensão, associados principalmente a fatores que reduzem o retorno venoso para o coração, como dias quentes, após refeições, permanência na posição estática por muito tempo, e em decúbito dorsal, já que, nesta posição o útero cai sobre a coluna vertebral comprimindo a veia cava e a aorta abdominal. (OLIVEIRA; BARROS; ARAUJO, 2010).

As principais ações da progesterona no período gravídico são redução do tônus da musculatura lisa, aumento da temperatura e gordura corporal, aumento da frequência e amplitude respiratória e associação às células alveolar e glandular para produção de leite. (BARACHO, 2007). Os principais efeitos do estrogênio são o aumento do crescimento do útero e dos ductos mamários, níveis crescentes de prolactina. Redução de água gerando risco de retenção de sódio. Relaxina tem como efeito, substituir o colágeno em tecidos alvos proporcionando maior extensibilidade e flexibilidade nas articulações pélvicas, inibe a atividade do miométrio, auxilia no amadurecimento cervical e no crescimento mamário. (POLDEN; MANTLE,1997).

Neste período existe o aumento na flexibilidade das articulações devido a ação de hormônios como os estrogênios, a progesterona e principalmente, a relaxina permitindo o aumento na extensão da articulação. Essa flexibilidade é devido ao esgotamento gradual de colágeno no tecido e sua substituição por uma substancia mais rica em água com grau de flexibilidade e extensibilidade. (OLIVEIRA; BARROS; ARAUJO, 2010). Ao sair da pelve, o útero apóia-se na parede abdominal, e essa situação associada ao aumento das mamas, modifica o centro de gravidade da gestante fazendo-a deslocar-se para frente, com o objetivo de reposicionar o seu centro de gravidade. Ela modifica a curvatura, aumentando a lordose e a cifose promovendo retropulsão do corpo. Essa modificação do posicionamento da coluna é realizada à custa de um complexo sistema muscular, que acarreta em dores lombares relatada pelas gestantes. (NEME, 2000).

O aumento do estrogênio durante a gestação pode desencadear modificações na vascularização, como telangiectasia e eritema palmar; já a pigmentação dos mamilos, axila, períneo e linha alba ocorrem pelo estimulo dos hormônios melanócitos e progesterona. (BARACHO, 2007).

2 HIDROTERAPIA
A hidroterapia é um recurso terapêutico na qual a água é usada como meio para a realização da cinesioterapia, onde apresentam propriedades adicionais, devido à mecânica de fluidos, que favorece a realização de exercícios em três dimensões auxiliados pela ação da gravidade reduzida, exercícios esses que não podem ser realizados no solo. Toda combinação, na hidroterapia entra e água, o calor e a cinesioterapia, possibilitam uma considerável estimulação da percepção auditiva, visual e via proprioceptores cutâneos. (LOPES; ROCHA, 2005).

As propriedades físicas da água e sua capacidade térmica desencadeiam efeitos terapêuticos, tais como alivio da dor e espasmos musculares, fortalecimento dos músculos enfraquecidos e aumento na sua tolerância aos exercícios, manutenção ou aumento da amplitude de movimento das articulações, reeducação dos músculos paralisados, melhoria da circulação, encorajamento das atividades funcionais, manutenção e melhoria do equilíbrio, coordenação e postura. (CAMPION, 2000).



3 DISCUSSÃO
As alterações morfológicas e fisiológicas sofridas pela gestante são profundas e multissistêmicas. A sua integração visa proporcionar as condições necessárias ao desenvolvimento fetal em equilíbrio com o sistema materno. (MOURA et. al, 2008).

As principais alterações ocorrem no sistema reprodutor, renal, neurológico, cardiovascular, gastrintestinal, respiratório, endócrino e dermatológico. (O’CONNOR; STEPHENSON, 2004).

O tratamento fisioterapêutico tem como objetivo aliviar os sintomas de origem muscular, melhorar e corrigir as alterações posturais produzidas pela dor, reduzir espasmos musculares, visando à qualidade de vida da paciente e também fornecer orientações que facilitem a realização das atividades de vida diária, fazendo com que se sinta ativa e participante em um dos momentos mais importantes de sua vida.

Estudos comprovam que os exercícios praticados na hidroterapia proporcionam melhor condicionamento muscular, por isso, é fundamental o fortalecimento dos principais grupos musculares, bem como a musculatura pélvica. (ROSA; CHIUMENTO, 2008).

As principais indicações para o exercício aquático incluem facilitar os exercícios de amplitude de movimento, facilitar atividade com descarga de peso, prover acesso tridimensional ao paciente, facilitar os exercícios cardiovasculares, minimizar o risco de lesões e favorecer o relaxamento ao paciente. (KISNER; COLBY, 2005).

Qualidade de vida ligada à saúde inclui a capacidade de viver sem doenças ou superá-las, distinguindo elementos como função física, emocional, sintomatológica, social e cognitiva. (SIMAS; SILVA; CAMARGO, 2009).

Possíveis incapacidades para a realização das atividades de vida diária podem gerar estresse e interferir, de forma geral, sobre a qualidade de vida da gestante. (POLDEN; MANTLE, 1997).

A realização de exercícios físicos executados na hidroterapia trará à gestante um forte componente de promoção a saúde, proporcionando efeitos significativos na sua qualidade de vida e melhorando seu estado físico e emocional. (ROSA; CHIUMENTO, 2008).



REFERÊNCIAS
ARTAL, R.; WISWELL. R. A.; DRINKWATER, B. L. O exercício na gravidez. Tradução Ruth Moreira Leite. 2. ed. São Paulo: Manole, 1999.
BARACHO, E. Fisioterapia aplicada à obstetrícia: aspectos de ginecologia e neonatologia. 3. ed. Rio de Janeiro: Medsi, 2002.
CALDEYRO-BARCIA, R. et al. Fecundação, gestação e parto. In. CINGOLANI, H.E.; HOUSSAY, A. B. (cols). Fisiologia humana de Houssay. Tradução Adriane Belló Klein et al. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2004.
CAMPION, M. R. Hidroterapia: princípios e prática. Tradução Dra. Mônica Conrado Lange. São Paulo: Manole, 2000.
COSTA, S. B.; ASSIS, T. O. Hidrocinesioterapia como tratamento de escolha para lombalgia gestacional. Revista Tema, Campina Grande, jun.2010. Disponível em: <http://revistatema.facisa.edu.br/index.php/revistatema/article/viewFile/41/pdf> Acesso em: 06 ago. 2011.

COSTA, A. C. S.; FAZION, D. B. Utilização da técnica de stretching para alívio da lombalgia na gestação – revisão de literatura. 2011. Artigo científico (Pós-graduação “lato sensu” em Técnicas osteopáticas e terapia manual) – Universidade Estadual do Norte do Paraná, Jacarezinho.


GIEHL. C. R. et al. Terapia aquática na prevenção e tratamento de desconfortos musculoesqueléticos gestacionais: uma vivência extensionista. In: V CONGRESSO PARANAENSE DE FISIOTERAPIA, Cascavel, [s.d.]
GONÇALVES, A.; VILARTA, R. (Org). Qualidade de vida e atividade física: explorando teoria e prática. Barueri: Manole, 2004.
KISNER, C.; COLBY, L. A. Exercícios terapêuticos: fundamentos e técnicas. 4. ed. Tradução Lília Breternitz Ribeiro. São Paulo: Manole, 2005.
LOPES, M. C.; ROCHA, V. R. T. Intervenção fisioterapeutica em paciente portador de osteogênese imperfeita para melhora da qualidade de vida: relato de um caso. 2005. Monografia (Graduação em fisioterapia). Faculdade de Educação Física de Lins, Lins.
MORENO, A. L. Fisioterapia em uroginecologia. Barueri: Manole, 2004.
MOURA, D. S. et al. Aderência de gestantes a um programa de hidroginástica. 2008. Artigo científico (Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Escola de Educação Física, Laboratório de Pesquisa do Exercício, Grupo de Pesquisa em Atividades Aquáticas e Terrestres).
NEME, B. Obstetrícia básica. 2. Ed. São Paulo: Savier, 2000.
O’CONNOR, L. J.; STEPHENSON, R. G. Fisioterapia aplicada à ginecologia e obstetrícia. Tradução Angela Cristina Horokosky. 2. Ed. São Paulo: Manole, 2004.
OLIVEIRA, C. F. P.; BARROS, D. J. M.; ARAUJO, F. A. B. A incidência de dores musculoesqueléticas na gestação. 2010. Monografia (Graduação em fisioterapia) – Unisalesiano, Lins.
POLDEN, M.; MANTLE, J. Fisioterapia em ginecologia e obstetrícia. Tradução Lauro Blandy. 2. Ed. São Paulo: Santos, 1997.
ROSA, F. C.; CHIUMENTO, L. F. Análise da influência da fisioterapia aquática sobre a capacidade para a realização das atividades de vida diária em gestantes no último trimestre de gestação. Aquabrasil, [s.l.] 2008. Disponível em < http://www.aquabrasil.info/Artigos/Pdf%20artigo%20Fernanda.pdf>. Acesso em 06 ago. 2011.
RUOCCO, R. M. S. A.; ZUGAIB, M. Pré-Natal. 3. ed. São Paulo: Atheneu, 2006.
SIMAS, J. M. M.; SILVA, K. F.; CAMARGO, S. P. P. Análise da sintomatologia e da qualidade de vida em portadores da SAOS em tratamento com CPAP. 2009. Monografia (Graduação em fisioterapia) – Unisalesiano, Lins.

Universitári@ - Revista Científica do Unisalesiano – Lins – SP, ano 2, n.5, Edição Especial, outubro 2011





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