Imaginando horizontes e desconstruindo fronteiras: relato de experiências de desinstitucionalizaçÃo em um caps



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13ª Mostra da Produção Universitária

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Rio Grande/RS, Brasil, 14 a 17 de outubro de 2014.


FAZENDO ACONTECER: RELATO DE EXPERIÊNCIAS DE DESINSTITUCIONALIZAÇÃO EM UM CAPS

TORRES-SILVA, Hartur Marcel

BUONOCORE, Juliana de Quadros

BARBOSA, Felipe Nunes

HEBERLÊ, Júlio Verner Oliveira

PEPINO, Victor Vargas Soares

MARTIN, Alfredo Guillermo

harturm@hotmail.com

Evento: Seminário de Extensão

Área do conhecimento: Saúde – Saúde Pública

Palavras-chave: Desinstitucionalização, CAPS, Oficinas terapêuticas, Reabilitação Psicossocial.

1 INTRODUÇÃO

O presente trabalho trata-se de um relato de experiência e tem como objetivo apresentar o trabalho de estágio em Psicologia institucional e Comunitária realizado em um CAPS II na cidade do Rio Grande, entre o período de fevereiro de 2012 até março de 2013, o qual visou desencadear processos de desinstitucionalização aos usuários do serviço utilizando como estratégia os fundamentos da clínica peripatética aliada às oficinas terapêuticas. Os CAPS são um serviço de saúde aberto e comunitário do Sistema Único de Saúde- SUS- um lugar de referência de tratamento para pessoas que se encontram com sofrimento psíquico severo e persistente. É um serviço oriundo da reforma psiquiátrica e foi criado para ser um modelo substitutivo as internações.

Dados os desafios contemporâneos relativos à continuidade da reforma psiquiátrica e sua real efetivação, observamos a necessidade de trabalhar no sentido de facilitar processos subjetivos de conquista de autonomia e singularização na vida dos usuários do SUS/CAPS, bem como o resgate da cidadania. Diante dessa perspectiva empenhamos nosso trabalho no sentido de romper com estruturas /rotinas rígidas e hierarquizadas, buscando facilitar a emergência de novos sentidos de saúde e da vida.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

Por reabilitação psicossocial entende-se a idéia de que o indivíduo portador de sofrimento psíquico sofreu inúmeras perdas em decorrência do seu adoecimento. Desse modo, a reabilitação parte do registro da falta e segue em direção ao desejo de assegurar a eqüidade entre iguais e diferentes. A desinstitucionalização, por outro lado, visa levar a diferença aos iguais, reduzindo a falta de semelhança entre ambos. Enquanto a reabilitação objetiva reinserir o indivíduo na sociedade, a desinstitucionalização se preocupa em transformá-la, repensando o trabalho, a família, a medicina, as políticas públicas e demais instituições que atravessam as nossas vidas na contemporaneidade, por isso exige um questionamento interminável acerca das nossas ações e se estabelece como uma ideia muito mais ampla que a reabilitação. (Cedraz, 2005)

Foi utilizada como fonte inspiradora para a realização de muitas das oficinas a concepção de Clínica Peripatética, criada por Lancetti (2006). De acordo com o autor, conversas e pensamentos que ocorrem durante um passeio, uma caminhada –peripatetismo- são uma ferramenta para entender um grande número de experiências clínicas realizadas fora do consultório, em movimento. Trata-se de uma clínica praticada no dentro-fora dos consultórios, nos espaços e tempos traçados transbordando a psiquiatria, a psicanálise e as instituições de saúde mental. Ela é altamente recomendada para pessoas que não se adaptam a protocolos clínicos tradicionais quando dispositivos psiquiátricos, pedagógicos, psicanalíticos ou psicológicos não funcionam.

3 MATERIAIS E MÉTODOS (ou PROCEDIMENTO METODOLÓGICO)

Os primeiros encontros realizados no estabelecimento tiveram como objetivos desenvolver um vínculo com os usuários do local e fazer um levantamento das demandas explícitas e implícitas que borbulhavam na instituição. Para tanto, os estagiários se aproximaram dessa população através da escuta ativa de suas necessidades participando de rodas de conversa, organizando assembleias e observando as relações que se estabeleciam no local, bem como sobre o funcionamento do serviço. Ainda, com os mesmos objetivos, foram realizadas entrevistas com usuários e a equipe técnica do CAPS. A partir desses contatos iniciais foi possível fazer um levantamento das necessidades dos usuários através das quais foi possível desenvolver as oficinas que serão descritas adiante. A assembleia foi uma atividade que se iniciou na primeira semana e foi desenvolvida durante todo o estágio, sendo um dispositivo instituinte central para todo processo, no qual emergiam ideias para novas atividades, e as que estavam sendo desempenhadas eram debatidas e repensadas. Cada oficina contou com uma média de 8 participantes.

Programa de Rádio Unidos Venceremos e Jornal Maluco Beleza

Tornou-se um projeto de extensão universitária em 2012 e através dessa ligação com a Universidade, foi possível o ingresso de outros estudantes ao trabalho, dar continuidade as atividades desenvolvidas, bem como conectar novas atividades ao projeto inicial. Dentre as atividades vinculadas ao projeto foram: Oficina de Matemática, Oficina de Literatura, Oficina de Informática, Passeios e saídas de campo, Oficina de Cinema, Oficina de Cuidado do Eu, Oficina de Yoga, Grupo Musical Os Rouxinóis, Oficina de Cidadania e Políticas Públicas.



4RESULTADOS E CONSIDERAÇÔES FINAIS

Destaca-se que a reabilitação psicossocial teve importância secundária nas oficinas, pois se observou que, embora em alguns momentos os dois paradigmas sejam antagônicos, em outros podem ser complementares e contribuírem mutuamente, dependendo das práticas realizadas. Outro aspecto observado foi a importância do trabalho contínuo, pois ele está relacionado desenvolvimento de habilidades aprisionadas devido à condição de sofrimento mental. Também o aspecto da variabilidade das oficinas, já que isso possibilita se aproximar do desejo de cada pessoa, sendo que alguns participavam de apenas uma e outros de todas. Por fim, o último aspecto a ser destacado é a ocupação de novos espaços, dentro e fora do caps, como um importante dispositivo de desinstitucionalização, pois ao ocupar novos espaços se entra em contato com outras dimensões que proporcionam o surgimento do novo, novas formas de expressão, comunicação e relações tendem a surgir, assim como temáticas distintas e um possível novo olhar do sujeito sobre si mesmo e sobre a realidade.



REFERÊNCIAS

CEDRAZ, A. Oficinas Terapêuticas no Cenário da Reforma Psiquiátrica: modalidades desinstitucionalizantes ou não? – Revista Mal-Estar e Subjetividade. Fortaleza, n.5(2), p.300-327, 2005.



LANCETTI, A. Clínica peripatética. São Paulo: Hucitec, 2006.
Catálogo: anaismpu -> cd2014 -> ext
ext -> 3ª Mostra da Produção Universitária Rio Grande/RS, Brasil, 14 a 17 de outubro de 2014
ext -> 13ª Mostra da Produção Universitária
ext -> Rio Grande/RS, Brasil, 14 a 17 de outubro de 2014
ext -> Área do conhecimento: Psicologia Palavras-chave
ext -> 13ª Mostra da Produção Universitária Rio Grande/RS, Brasil, 14 a 17 de outubro de 2014
ext -> Área do conhecimento: Ciências da Saúde Palavras-chave
ext -> Carpena, Marina Xavier; menezes, Carolina Baptista; tavares, Patrice de Souza
ext -> Corroborando com a propriedade positiva da colaboração científica, Vans e Stumpf (2010) alertam se tratar de um fenômeno antigo que vem crescendo em todas as áreas do conhecimento e em todos os países
ext -> Área do conhecimento: Ciências da Saúde Palavras-chave
ext -> O uso de técnicas de respiraçÃo diafragmática no manejo de estresse tavares, Patrice de Souza; carpena, Marina Xavier; cordeiro, Thiago Queiroz Ferreira torres, Vera Neves das


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