Iliana lins quidute



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Veículos e Associações
O hidróxido de cálcio pode ser associado a outras medicações, como o paramonoclorofenol canforado, e a veículos como água destilada, solução anestésica, soro fisiológico, polietilenoglicol, glicerina e óleo de oliva. O veículo utilizado pode influenciar na capacidade de ação do hidróxido de cálcio, bem como na sua dissociação iônica e difusão. A associação com veículos aquosos proporciona ao hidróxido de cálcio melhor ação antimicrobiana e biológica, por permitir maior velocidade de dissociação e difusão (Estrela et al., 1999a).

A velocidade de dissociação iônica do hidróxido de cálcio associado a diferentes veículos: aquosos (anestésico e água destilada); viscoso (polietilenoglicol 400) e oleoso (óleo de oliva), foi avaliado por Lage-Marques et al. (1994). Através da mensuração do pH nos intervalos de 10 minutos durante um período de 2 horas e, em seguida, a cada hora, até ocorrer a saturação da solução salina. Após a avaliação dos resultados, os autores concluíram que a pasta de hidróxido de cálcio associada ao anestésico apresentou estabilização em menor tempo, apresentando elevado pH e a melhor relação entre tempo de estabilização e liberação de hidroxila (OH-) . As amostras onde se utilizou como veículo o soro fisiológico e água destilada apresentaram o maior pH e a maior concentração iônica, porém com elevado tempo de estabilização. Nas amostras, cujo veículo foi o óleo de oliva, houve os menores índices de pH.

A difusão dentinária dos íons hidroxila (OH-) das pastas à base de hidróxido de cálcio, preparadas com diferentes veículos (solução salina, anestésico e polietilenoglicol 400) foi avaliada por Estrela et al. (1995a). Sessenta incisivos centrais extraídos foram preparados, preenchidos com pastas à base de hidróxido de cálcio e divididos em 3 grupos. A difusão dos íons hidroxila foi analisada através de um método colorimétrico aos 7, 15, 30, 45 e 60 dias. Após 30 dias, as pastas preparadas com solução salina e anestésico promoveram aumento de pH de 6 – 7 para 7 – 8 na superfície radicular externa. Nas pastas com polietilenoglicol 400, a mesma alteração só foi observada após 45 dias. Contudo, todas mantiveram esses valores de pH até o 60º dia.

A influência dos veículos (água destilada, solução salina, monoclorofenol canforado e propilenoglicol) na liberação de íons cálcio e hidroxila, quando associados ao hidróxido de cálcio, foi analisada por Simon et al. (1995). Quarenta elementos dentais extraídos foram preparados biomecanicamente e colocados em solução salina por 24 horas. Em seguida, divididos em quatro grupos e preenchidos com pasta à base de hidróxido de cálcio. No Grupo 1 foi utilizado como veículo a solução salina; no Grupo 2, a água destilada; no Grupo 3, o propilenoglicol e no Grupo 4, o monoclorofenol canforado. Após análise estatística, os resultados demonstraram que após 30 dias todos os grupos apresentaram um aumento gradual e significativo do pH do meio. Os grupos 4 e 2 apresentaram valores de pH maiores que os grupos 1 e 3, mas não houve diferença estatisticamente significativa entre eles. Quanto à liberação de íons cálcio no meio, o grupo 2 apresentou melhores resultados, seguido do grupo 1, grupo 3 e o grupo 4 apresentou os piores índices. Os autores concluíram que o veículo tem uma grande influência na liberação dos íons Ca++ e OH- das pastas de hidróxido de cálcio.

Estrela et al. (1995b) analisaram a ação antibacteriana de duas pastas à base de hidróxido de cálcio, sendo uma associada ao soro fisiológico e a outra ao paramonoclorofenol canforado, sobre bactérias aeróbias facultativas (Pseudomonas aeruginosas, Escherichia coli e Streptococcus faecalis). Os autores concluíram que ambas as pastas foram efetivas sobre as bactérias analisadas após os períodos de 24 e 48 horas.
O efeito da clorexidina 0,12%, metronidazol 10%, hidróxido de cálcio com água destilada, hidróxido de cálcio com paramonoclorofenol canforado e hidróxido de cálcio com glicerina, medicações intracanal que agem por contato, sobre bactérias anaeróbias estritas e anaeróbias facultativas, foram analisadas por Siqueira Júnior; Uzeda (1997). Os resultados obtidos, por meio da medição do halo de inibição, revelaram que a pasta à base de hidróxido de cálcio e paramonoclorofenol canforado foi a que apresentou maior efetividade contra todas as bactérias testadas. A clorexidina também apresentou ação antibacteriana para todas; o metronidazol inibiu o crescimento das bactérias anaeróbias estritas e as pastas à base de hidróxido de cálcio com água destilada ou glicerina foram inefetivas contra todas as bactérias testadas. Segundo os autores, esta performance pode ter ocorrido devido às limitações dos testes de difusão em agar.

O pH de veículos e pastas de hidróxido de cálcio foi avaliado por Estrela et al. (1998b). As substâncias fenólicas, paramonoclorofenol com furacin e paramonoclorofenol canforado, foram estudadas isoladamente e associadas ao hidróxido de cálcio P.A. (Pró-Análise). Também foram estudadas as substâncias não-fenólicas: lauril sulfato de sódio (0,1%), tween 80 (0,1%), água destilada diionizada e propilenoglicol; associadas ao hidróxido de cálcio. Realizou-se então a medida do pH das substâncias fenólicas com papel tornasol e das pastas de hidróxido de cálcio com um medidor digital de pH. Os resultados apontaram que as pastas com veículo não-fenólico apresentaram alto valor de pH (12). A pasta com paramonoclorofenol canforado apresentou pH 7 – 8, o paramonoclorofenol canforado isolado apresentou pH 5, a pasta com paramonoclorofenol-furacin apresentou pH 10 e o paramonoclorofenol-furacin, pH 7.


O efeito antibacteriano das pastas à base de hidróxido de cálcio associadas à solução salina, à glicerina e paramonoclorofenol canforado e à glicerina, frente a quatro espécies de bactérias anaeróbias comumente encontradas em infecções endodônticas (Porphyromonas endodontalis, Prevotella intermedia, Streptococcus sanguis e E. faecalis), foi avaliado por Siqueira Júnior; Uzeda em 1998. As pastas à base de hidróxido de cálcio foram colocadas em culturas bacterianas e o crescimento bacteriano foi observado em diferentes intervalos de tempo (5 minutos, 30 minutos, 1 hora, 1 dia e 3 dias). Todas as pastas apresentaram efeito antibacteriano, sendo que a pasta à base de hidróxido de cálcio/paramonoclorofenol canforado/glicerina a que apresentou melhor efetividade em menor período de tempo.

A tensão superficial de diferentes veículos (glicerina, solução anestésica, solução de Ringer e solução salina), que foram associados ao hidróxido de cálcio na medicação intracanal, foi avaliada comparativamente por Özcelik; Taşman; Ogan (2000). Os resultados demonstraram diferença estatisticamente significativa entre os veículos isoladamente e associados ao hidróxido de cálcio. Após análise dos resultados, os autores concluíram que a solução anestésica é o melhor veículo para o hidróxido de cálcio por apresentar menor tensão superficial.



Métodos de Inserção no Canal
O preenchimento de canais radiculares com duas pastas à base de hidróxido de cálcio, foi comparado por Rivera; Williams (1994), com o objetivo de avaliar e comparar a efetividade de preenchimento do canal pela pasta de hidróxido de cálcio preparada com água ou com glicerina. Canais simulados, com curvatura moderada, foram preparados até a lima 60#. 50% deles foram preenchidos com pasta de hidróxido de cálcio e água e os 50% restantes, com a pasta de hidróxido de cálcio e glicerina, em todos os canais as pastas foram colocadas com espiral Lentullo. A pasta com glicerina apresentou-se estatisticamente superior à pasta com água, tanto em relação ao comprimento de preenchimento quanto à densidade nos terços cervical, médio e apical.

Em 1998, diferentes técnicas de colocação da pasta à base de hidróxido de cálcio no canal radicular, foram avaliadas por Fava; Otani; utilizando instrumento endodôntico (lima), o compactador de McSpadden, o Lentullo, o porta-amálgama, o aparelho de ultra-som ou o cone de guta percha. Os autores concluíram que canais instrumentados com limas, no mínimo 40#, são facilmente preenchidos por qualquer uma das técnicas; enquanto que em canais preparados até as limas 25# ou 30#, curvos e/ou atrésicos, o Lentullo apresentou-se como o mais eficaz no preenchimento dos mesmos.

Aguiar; Pinheiro (2001) avaliaram quatro métodos (lima tipo K 25#, Lentullo no3, cone de guta-percha principal 25# e a seringa ML (SSWhite, Brasil) com agulha (27G longa) para levar a medicação à base de hidróxido de cálcio ao interior dos canais radiculares instrumentados até a lima tipo K de número 25#. Os resultados demonstraram não haver diferença estatisticamente significante. Contudo, dos métodos empregados, o Lentullo foi o que promoveu maior aporte de medicação à região apical.

Difusão Dentinária
Em 1999, as propriedades de difusão dos íons cálcio e hidroxila, através da dentina radicular, utilizando diferentes medicações à base de hidróxido de cálcio, foram analisadas por Çalt et al. Defeitos externos na superfície radicular, para simular reabsorções externas, foram criados em dentes unirradiculares biomecanizados, em seguida, a lama dentinária foi removida com ácido etilenodiaminotetracético dissódico (EDTA 17%). Após selados, os elementos dentais foram imersos em solução salina por 3 dias. Findo este período, os canais foram preenchidos com medicação à base de hidróxido de cálcio, Dental Therapeutics AB, (Grupo I); pasta de hidróxido de cálcio e solução salina (Grupo II); Temp Canal (Grupo III) e cones de hidróxido de cálcio (Roeko, Alemanha) (Grupo IV); novamente imerso em solução salina por períodos que variavam de 1 a 28 dias e os valores de pH e concentrações do íon cálcio foram medidos. Os resultados demonstraram que nenhum dos materiais testados promoveu aumento de pH no meio durante o período de observação. Ocorrendo apenas difusão dos íons cálcio pelas pastas de hidróxido de cálcio, o que não pôde ser constatado com os cones de hidróxido de cálcio. Por conseguinte, os autores concluíram que as pastas à base de hidróxido de cálcio são mais eficazes que os cones de hidróxido de cálcio no tratamento de reabsorções radiculares externas.

A influência das trocas das pastas à base de hidróxido de cálcio na alcalinização da superfície radicular foi estudada por Cárdenas; Esberard; Silva (2001). Foram realizadas cavidades na superfície externa das raízes para simular reabsorções externas. Após preparo, os elementos dentais foram preenchidos com pastas à base de hidróxido de cálcio com veículos aquosos (água destilada) ou viscosos (polietilenoglicol 400) e colocados em água destilada. Realizou-se medida do pH na 1ª hora, no 3º, 7º, 14º, 21º, 30º, 60º e 120º dias na superfície radicular e no meio. Os resultados indicaram difusão das pastas de hidróxido de cálcio através dos canalículos dentinários, alcalinizando a superfície radicular e o meio líquido. Todas as pastas mantiveram um pH elevado nas superfícies radiculares até 120 dias, principalmente nos grupos que receberam trocas periódicas das pastas de hidróxido de cálcio.



Ação nas Paredes do Canal
Em 1995, Wakabayashi et al., através de microscopia eletrônica de varredura, analisaram a ação da medicação intracanal à base de hidróxido de cálcio nas paredes de canais radiculares não instrumentados. As raízes foram divididas aleatoriamente em 3 grupos, o grupo controle não recebeu tratamento, em outro grupo as paredes do canal foram cobertas com pasta à base de hidróxido de cálcio e armazenadas por sete dias dentro desta pasta, o terceiro grupo foi tratado da mesma maneira, porém por 28 dias, com renovação da pasta, semanalmente. Os resultados demonstraram que no grupo controle havia presença de células, odontoblastos e tecido fibroso; no segundo grupo não havia camada odontoblástica, porém a camada de pré-dentina encontrava-se praticamente intacta e no terceiro grupo detectou-se erosão na pré-dentina e ausência de odontoblastos. Observaram que a pasta à base de hidróxido de cálcio, como medicação intracanal, dissolve a camada odontoblástica, mas tem pouco efeito sobre a pré-dentina.
Wadachi; Araki; Suda (1998) analisaram o efeito do hidróxido de cálcio na dissolução de tecido pulpar na parede do canal radicular. Foram utilizados elementos dentais cujas raízes foram divididas ao meio e separadas em dois grupos. O grupo experimental foi tratado com hipoclorito de sódio, hidróxido de cálcio ou uma combinação de hidróxido de cálcio e hipoclorito de sódio. O grupo controle não recebeu tratamento. As paredes dos canais foram observadas por microscopia eletrônica. O grupo tratado com hidróxido de cálcio e hipoclorito de sódio apresentou resultados mais efetivos. Os autores concluíram que a medicação intracanal à base de hidróxido de cálcio foi efetiva para remover debris teciduais remanescentes nas paredes do canal radicular.

DISCUSSÃO

4 DISCUSSÃO

Muitos pesquisadores da área odontológica vêm realizando trabalhos de investigação sobre o hidróxido de cálcio. Em virtude disso, foram descobertas várias propriedades deste material, seu mecanismo de ação antibacteriana e biológica já são conhecidos e assim, cada vez mais ele vem sendo empregado na prática endodôntica, principalmente como medicação intracanal. Porém, os pesquisadores não são unânimes em suas opiniões, concordam em alguns aspectos e discordam em outros, mas para ciência é fundamental que ocorram estas divergências, pois assim o estímulo à pesquisa é constante.

Ao avaliar a biocompatibilidade das medicações intracanal em relação aos tecidos periapicais, Holland et al. (1998) observaram que o hidróxido de cálcio, quando comparado à associação corticosteróide-antibiótico, apresentou melhores resultados. Porém, no mesmo ano, Fava realizou outro estudo, no qual não observou diferença estatisticamente significativa entre as duas medicações, em relação à incidência de dor pós-operatória.

A associação com outras medicações pode influenciar na biocompatibilidade do hidróxido de cálcio, assim Gahyva; Siqueira, em 1999, avaliaram a resposta pós-operatória dos tecidos periapicais a esta medicação associada ao tricresol-formalina, para tratamentos de necrose pulpar e lesão periapical. Após 7 dias puderam constatar que houve ausência de dor pós-operatória em 85% dos casos, com base nestes resultados não se pode considerar que o tricresol-formalina tenha alterado a biocompatibilidade do hidróxido de cálcio.


Porém, Nelson Filho et al. (1999) analisaram a resposta tecidual induzida por diferentes pastas à base de hidróxido de cálcio , com ou sem paramonoclorofenol e cânfora e observaram que as pastas sem associações com paramonoclorofenol, com ou sem cânfora, apresentaram melhor biocompatibilidade e o composto fenólico causou a maior resposta tecidual (congestão intensa, edema e infiltrado inflamatório, após 6 horas), principalmente na ausência da cânfora. Com este trabalho, os autores conseguiram demonstrar que as associações acima citadas podem diminuir a biocompatibilidade do hidróxido de cálcio.

A ação antimicrobiana e o estímulo ao processo de mineralização fazem do hidróxido de cálcio uma das principais medicações intracanal entre sessões, por promover o reparo. Em estudos semelhantes, Papworth; Leads (1998) e Trope; Delano; Ørstavik (1999) observaram que tratamentos endodônticos realizados em sessão única, em casos de necrose pulpar e periodontite apical, apresentaram índices de reparo estatisticamente inferiores, quando comparados aos tratamentos realizados em duas sessões, empregando o hidróxido de cálcio como medicação entre as sessões. Ainda em 1999, Holland et al. também comprovaram a ação do hidróxido de cálcio em relação ao reparo periapical, empregando três formulações deste material, como medicação intracanal, no tratamento de dentes com lesão periapical, observaram reparo em 50% dos casos e 46% apresentavam sinais de reparação. Goodis (1998) concordou com os demais autores, acima citados, ao afirmar que quando o hidróxido de cálcio é utilizado, como medicação intracanal entre sessões, há eliminação de bactérias e aumento no índice de reparo e sucesso após tratamentos endodônticos, quando se compara com tratamentos realizados em sessão única.


Estrela et al (1995c) esclareceram que o elevado pH do hidróxido de cálcio é o principal responsável por estimular o processo de mineralização e promover o reparo, pois ele ativa a enzima fosfatase alcalina que estimula a liberação dos íons fosfato, a partir dos ésteres de fosfato do organismo, que ao reagirem com os íons cálcio, se precipitam na forma de hidroxiapatita. Comprovando o poder de indução de formação de tecido mineralizado do hidróxido de cálcio, Goldstein et al, em 1999, apresentaram casos de rizogênese incompleta com polpa viva e polpa necrosada, nos quais utilizou-se o hidróxido de cálcio como medicação intracanal, promovendo a apicificação e apicegênese, respectivamente. E em 1997, Çalişkan; Turkun apresentaram um caso clínico com rizogênese incompleta e extensa lesão cística, tratado apenas com medicação intracanal à base de hidróxido de cálcio, em 9 meses houve a regressão da lesão e fechamento apical, após 15 meses houve reparo apical; assim, os autores demonstraram a ação mineralizadora e reparadora do hidróxido de cálcio associadas.

Além de estimular o reparo periapical e promover apicificação e apicegênese, o hidróxido de cálcio ainda atua em casos de reabsorção radicular externa, inibindo enzimas responsáveis pela reabsorção e promovendo a morte das células clásticas, devido ao seu elevado pH, com isso paralisa o processo de reabsorção, segundo os relatos de Siqueira Júnior; Lopes (1997). Esta propriedade foi clinicamente demonstrada em um estudo de Çalişkan et al., em 2000, no qual dentes avulsionados foram reimplantados, tratados com medicação à base de hidróxido de cálcio e após 24 meses apresentavam-se assintomáticos e sem evolução da reabsorção radicular ou anquilose.


O hidróxido de cálcio também está indicado para o tratamento de reabsorções cervicais externas pós-clareamento de dentes não-vitais, pois neutraliza a acidez dos agentes clareadores, reverte o processo inflamatório e promove deposição de tecido mineralizado, de acordo com Santos (1996).

Outra propriedade muito importante do hidróxido de cálcio é a ação antimicrobiana. O mecanismo de ação do hidróxido de cálcio sobre as bactérias foi apresentado por Estrela et al., em 1995c, onde os autores relataram que devido ao seu elevado pH, em virtude da liberação de íons hidroxila, o hidróxido de cálcio promove alterações em enzimas presentes na parede celular bacteriana, comprometendo assim o metabolismo da bactéria e provocando sua morte. Em bactérias gram-negativas existem componentes na membrana celular, os lipopolissacarídeos ou endotoxinas, liberados após a morte celular e que constituem um importante fator de virulência, Siqueira Júnior; Lopes (1997) relataram que o hidróxido de cálcio também promove a hidrólise deste componente.

Porém em 1995, Kontakiotis; Nakou; Georgopolou apresentaram outro mecanismo de ação do hidróxido de cálcio sobre bactéria, após estudo laboratorial conseguiram demonstrar que o hidróxido de cálcio é capaz de absorver o dióxido de carbono presente no meio, que é fundamental para a sobrevivência da flora anaeróbia do canal radicular. Em virtude do que observaram neste trabalho, os autores concluíram que o hidróxido de cálcio não necessita estar em contato direto com os microorganismos para eliminá-los. Esse resultado vai de encontro com trabalhos de Siqueira Júnior; Uzeda (1997), Estrela et al. (1998a) e Siqueira Júnior; Lopes (1999), os quais afirmaram que o hidróxido de cálcio precisa estar em contato direto para que tenha ação antimicrobiana.
Comparando o poder antibacteriano de medicações intracanal utilizadas por sete dias, o hidróxido de cálcio mostrou-se menos efetivo que o paramonoclorofenol canforado (PMCC), pois em 100% dos casos tratados com PMCC houve eliminação dos microorganismos no interior do canal, contra 80% dos casos tratados com hidróxido de cálcio, segundo o trabalho de Sardi; Froener; Fachin (1995). Enquanto que Barbosa et al., em 1997, analisando o poder antibacteriano do paramonocloro- fenol canforado, do hidróxido de cálcio e da clorexidina a 0,2%, observaram que clinicamente todos os medicamentos promoveram redução ou eliminação da microbiota endodôntica, não havendo diferença significativa entre eles, porém em testes de difusão em agar, o PMCC apresentou melhores resultados. Todavia, este resultado pode ser justificado pela baixa difusibilidade em agar das pastas à base de hidróxido de cálcio.

Já em 1999, Leonardo et al. compararam a ação antibacteriana de duas pastas à base de hidróxido de cálcio (Calen® e Calasept®) com uma pasta à base de óxido de zinco e eugenol sobre 7 cepas bacterianas, incluindo bactérias aeróbias e anaeróbias facultativas, gram-positivas e gram-negativas, observaram que todas as pastas avaliadas apresentaram atividade antibacteriana sobre todas as cepas testadas, não observando diferenças estatisticamente significantes entre elas.

O tempo necessário, para que o hidróxido de cálcio tenha efeito antibacteriano tem sido um outro fator de pesquisa sobre esta medicação. Estrela et al. (1998a), estudando a ação do hidróxido de cálcio por contato direto, sobre algumas espécies bacterianas da microbiota endodôntica (Micrococcus luteus, Staphylococcus aureus, Fusobacterium nucleatum, Pseudomonas aeruginosa, Escherichia coli e Streptococcus sp.), observaram que após 72 horas todas as bactérias haviam sido inativadas, assim como as misturas de microorganismos: MisturaI (M. luteus + E.Coli + P. aeruginosa), II (M.luteus + Streptococcus sp. + S. aureus), III (E. coli + P. aeruginosa) e IV (S. aureus + P. aeruginosa). Estes resultados são contrários aos demonstrados no trabalho de Estrela et al. (1999b), no qual os autores não observaram ação antibacteriana do hidróxido de cálcio em túbulos dentinários infectados, mesmo após sete dias.

A associação de outras medicações e veículos ao hidróxido de cálcio tem sido outro alvo de estudo dos pesquisadores, com o objetivo de avaliar a influência destes materiais nas propriedades físico-químicas e biológicas do hidróxido de cálcio. Estrela et al. (1999a) relataram que o veículo utilizado pode influenciar na capacidade de ação do hidróxido de cálcio, bem como na sua dissociação iônica e difusão; referiram ainda que a associação com veículos aquosos (água destilada, soro fisiológico e solução anestésica) proporciona ao hidróxido de cálcio melhor ação antibacteriana, pois permite maior velocidade de dissociação e difusão. É interessante que o veículo proporcione alta velocidade de dissociação e difusão ao hidróxido de cálcio, pois ao ser colocado no interior do canal, este se dissocia em íons cálcio e hidroxila, elevando o pH do meio, podendo desta maneira ter ação antimicrobiana e estimular formação de tecido mineralizado e reparo apical. A difusão desta medicação intracanal é importante por permitir que o hidróxido de cálcio atinja microorganismos presentes no interior dos túbulos dentinários.

Ao avaliarem a velocidade de dissociação iônica do hidróxido de cálcio associado a diferentes veículos: aquosos (anestésico e água destilada), viscoso (polietilenoglicol 400) e oleoso (óleo de oliva), Lage-Marques et al. (1994) encontraram resultados semelhantes aos de Estrela et al. (1999a), pois observaram que, nas amostras onde foram utilizados veículos aquosos, houve maior pH e maior concentração iônica, em menor tempo de estabilização; enquanto que as amostras, cujo veículo foi o óleo de oliva, apresentaram os menores índices de pH. Todavia, Simon et al. em 1995, ao analisarem a influência dos veículos (água destilada, solução salina, monoclorofenol canforado e propilenoglicol) na liberação de íons cálcio e hidroxila, observaram que, apesar de todas as pastas de hidróxido de cálcio, associadas aos diferentes veículos, permitirem aumento gradual e significativo do pH do meio, o grupo que recebeu a pasta hidróxido de cálcio + água destilada apresentou valores de pH maior que os demais grupos, seguido pelo grupo cujo veículo foi solução salina e o grupo que recebeu a pasta de hidróxido de cálcio associada ao monoclorofenol canforado foi o que apresentou índices mais baixos de pH. Analisando os resultados destes trabalhos, observa-se que os veículos aquosos associados ao hidróxido de cálcio permitem que maiores valores de pH sejam obtidos porque oferecem maior velocidade de dissociação e difusão; enquanto que, os veículos oleosos e viscosos promovem uma liberação mais lenta do hidróxido de cálcio, alterando o pH do meio para valores não muito elevados.

Em 1998b, Estrela et al. novamente confirmaram esta teoria, em um estudo laboratorial, analisaram substâncias fenólicas (paramonoclorofenol com furacin e paramonoclorofenol canforado) e substâncias não-fenólicas (lauril sulfato de sódio (0,1%), tween 80 (0,1%), água destilada diionizada e propilenoglicol) isoladamente e associadas ao hidróxido de cálcio, com o objetivo de avaliar o pH destas substâncias e das pastas de hidróxido de cálcio associadas a elas. Os resultados apontaram que as pastas com veículo não-fenólico apresentaram alto valor no pH 12, a pasta com paramonoclorofenol canforado apresentou o pH de 7 a 8, o paramonoclorofenol canforado isolado apresentou pH 5, a pasta com paramonoclorofenol-furacin apresentou pH 10 e o paramonoclorofenol-furacin, pH 7.


De acordo também está o trabalho de Estrela et al. (1995a), no qual os autores demonstraram a influência do veículo na velocidade de difusão dentinária do hidróxido de cálcio, observando que as pastas preparadas com veículos aquosos (solução salina ou anestésico), quando colocadas no interior do canal radicular, promoveram elevação do pH de 6 – 7 para 7 – 8 na superfície radicular externa, após 30 dias; enquanto que as pastas preparadas com veículo viscoso (polietilenoglicol 400) promoveram a mesma alteração, somente após 45 dias. Esta diferença na velocidade de difusão do hidróxido de cálcio, pode estar relacionada à tensão superficial do veículo, pois, veículos que apresentam menor tensão superficial permitem maior velocidade de dissociação; dentre os veículos mais empregados na associação ao hidróxido de cálcio, a solução anestésica é o que apresenta menor tensão superficial, sendo considerado o melhor veículo para o hidróxido de cálcio, como demonstrado no trabalho de Özcelik; Taşman; Ogan, em 2000.

Ainda sobre a difusão do hidróxido de cálcio através da dentina radicular, Çalt et al., em trabalho realizado em 1999, analisaram diferentes medicações à base de hidróxido de cálcio (Dental Therapeutics AB, pasta de hidróxido de cálcio e solução salina, Temp Canal e cones de hidróxido de cálcio), com o objetivo de avaliar a difusão dentinária do hidróxido de cálcio através de canalículos dentinários, em dentes imersos em solução salina, e observaram que nenhum dos materiais testados promoveu aumento de pH no meio, após 28 dias. Porém, Cárdenas; Esberard; Silva (2001) empregaram pastas à base de hidróxido de cálcio com veículos aquosos (água destilada) ou viscoso (polietilenoglicol 400), para investigar a alcalinização da superfície radicular e observaram, por um período de 120 dias, que houve difusão das pastas de hidróxido de cálcio, através dos canalículos dentinários, alcalinizando a superfície radicular e o meio líquido, no qual estavam imersos os elementos dentais.

Além de influenciarem na velocidade de difusão e dissociação do hidróxido de cálcio, os veículos e associações também alteram o poder de ação desta medicação contra os microorganismos, como demonstraram Siqueira Júnior; Uzeda em um trabalho em 1999, no qual avaliaram, através de halo de inibição, a ação de pastas de hidróxido de cálcio com água destilada, paramonoclorofenol canforado ou glicerina sobre bactérias anaeróbias estritas e facultativas; observaram que a pasta à base de hidróxido de cálcio e paramonoclorofenol canforado foi a mais efetiva, enquanto que as pastas com água destilada ou glicerina foram inefetivas contra todas as bactérias testadas. Porém, em trabalho semelhante realizado no ano anterior pelos mesmos autores (Siqueira Júnior; Uzeda, 1998), estes observaram que todas as pastas à base de hidróxido de cálcio, com solução salina, glicerina ou paramonoclorofenol canforado e glicerina, apresentaram efeito antibacteriano, mas a pasta de hidróxido de cálcio/paramonoclorofenol canforado/glicerina foi a que apresentou melhor efetividade em menor tempo.

Estes autores discordam de Estrela et al. (1995b) que investigaram a ação antibacteriana de pastas à base de hidróxido de cálcio com soro fisiológico ou paramonoclorofenol canforado, sobre bactérias anaeróbias facultativas, observando que ambas as pastas foram igualmente efetivas sobre as bactérias analisadas, após os períodos de 24 e 48 horas.

O veículo empregado pode ainda influenciar na efetividade de preenchimento do canal radicular, como Rivera; Williams descreveram em 1994, no qual preencheram canais simulados, com curvatura moderada e preparados até a lima 60#, com pastas de hidróxido de cálcio e glicerina ou água, ambas levadas ao interior do canal através de espiral Lentullo e observaram que a pasta com glicerina apresentou qualidade estatisticamente superior de preenchimento dos canais, tanto em relação ao comprimento quanto à densidade do preenchimento.

A medicação à base de hidróxido de cálcio pode ser levada ao interior do canal através de diferentes técnicas, utilizando instrumentos endodônticos (limas), compactador de McSpadden, espiral Lentullo, porta-amálgama, aparelho de ultras-som, cone de guta-percha ou seringa insersora de Calen®; o grau de alargamento e a curvatura presente podem influenciar no completo preenchimento do canal. Em 1998, Fava; Otani avaliaram as diferentes técnicas de colocação de pasta à base de hidróxido de cálcio, para analisar a qualidade do preenchimento dos canais pela medicação e observaram que em canais instrumentados até a lima 40#, o preenchimento adequado foi conseguido por todas as técnicas empregadas; porém, em canais preparados até a lima 25#, o Lentullo apresentou-se mais eficaz. Em contrapartida, Aguiar; Pinheiro (2001) observaram que as técnicas de inserção da medicação intracanal à base de hidróxido de cálcio não apresentaram diferença estatisticamente significante, entre si, em canais instrumentados até a lima 25#, apesar de que dos métodos empregados o Lentullo foi o que promoveu maior aporte da medicação à região apical.

A medicação intracanal à base de hidróxido de cálcio age sobre as paredes do canal radicular dissolvendo tecido mole e removendo debris teciduais remanescentes, como demonstrado no trabalho de Wadachi; Araki; Suda (1998). E o trabalho de Wakabayashi et al. de 1995 mostrou que mesmo em canais radiculares não-instrumentados a medicação à base de hidróxido de cálcio dissolveu a camada odontoblástica, porém apresentou pouco efeito sobre a pré-dentina.




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