Grade 2001 Curso de Administração



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FACULDADES INTEGRADAS DE CASSILÃNDIA

PLANO DE ENSINO/2008



1-DADOS DE IDENTIFICAÇÃO

CURSO: 2º ANO PEDAGOGIA NOVO ANO - 2008

Disciplina: Fundamentos, Organização e Prática do Trabalho pedagógico da educação Especial
Professor(a): Maria Ozoria Roberta Pereira.

Carga Horária Total: 80 h/a Carga Horária Semanal: 02 h/a
2-EMENTA

Produção fundamentada nas práticas e desenvolvida nos estágios e atividades vivenciadas em sala de aula. Recursos alternativos para o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem. Criatividade na confecção e na utilização. A utilização das novas tecnologias para a elaboração de materiais didáticos.



3-OBJETIVOS

A formação de professores é sempre fundamental porque corresponde a um dos eixos básicos da tarefa escolar. Mostrar novos caminhos é o sucesso de um eterno aprendiz, valorizando e respeitando as diferenças de cada indivíduo.



4-METODOLOGIA

Aulas expositivas;

Exposição dos trabalhos confeccionado

Confecção e apresentação de material didático;

Seminários.

5-AVALIAÇÃO SOMATÓRIA

Provas marcadas pela secretaria, atividades em sala de aula e atividades extras.


6-CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

1º BIMESTRE

AUTISMO:

Mundo paralelo

A inclusão social do autista é um caminho difícil, mas que deve ser enfrentado

por Karen Borowski


Isolamento: essa é a característica central do autismo. A criança que prefere ficar sozinha em vez de com a mãe, que não gosta de ser colocada no colo e não olha para as pessoas com freqüência e duração normais, ou tenha atraso na fala até os dois anos possui características que indicam que ela pode ser portadora da doença. Caso os pais as observem em seus filhos, devem procurar um médico.


O termo autismo era usado inicialmente para caracterizar vivências ricas em pensamentos e emoções, das representações e sentimentos pessoais, com perda da relação com os dados e exigências do mundo circundante. O psiquiatra norte-americano Leo Kanner usou o termo autismo infantil depois de ter sido reconhecido como responsável por algo novo. Em 1943, ele descreveu, em sua publicação intitulada Distúrbios Autísticos do Contato Afetivo, um grupo de onze casos clínicos de crianças. Elas apresentavam extremo isolamento - não tinham habilidades para se relacionarem com outras pessoas e situações -, falha no uso da linguagem para comunicação e desejo obsessivo ansioso para a manutenção da mesmice.
Para o psiquiatra, o autismo era causado por pais altamente intelectualizados e pessoas emocionalmente frias e com pouco interesse nas relações humanas da criança. Algumas dessas especulações com o tempo se mostraram incorretas, como a frieza afetiva dos familiares. “O que se pensa hoje é que o autismo infantil, em geral, não tem a riqueza do pensar, do fantasiar e do imaginar como o adulto com esquizofrenia em estado autista - isolado, dominado por suas vivências delirantes e alucinatórias -, embora ambos tenham em comum o isolamento do mundo exterior”, diz o psiquiatra Walter Camargos.
Às vezes o autismo é confundido com outras doenças que têm sintomas parecidos. Ele é mais confundido com o retardo mental e, em aproximadamente 75% dos casos, há superposição dos dois transtornos. O diagnóstico de paralisia cerebral é também comumente dado aos portadores de autismo.
Outras doenças costumam estar associadas ao autismo, como retardo mental, epilepsia, paralisia cerebral, transtornos de linguagem, hiperatividade, transtornos obsessivos-compulsivos, tiques e transtornos de humor e de ansiedade. De acordo com Camargos, as características do autismo devem surgir até os três anos de idade. Elas são: relacionamento interpessoal comprometido; atraso significativo ou ausência da linguagem verbal, mímica e gestual; comportamentos repetitivos e estereotipados; e interesses restritos. “Há também o comprometimento em três organizações estruturais do funcionamento mental-psíquico: as funções executivas, a Teoria da Mente e a Teoria da Coerência Central”, completa.
As funções executivas são as capacidades de avaliar uma situação ou cenário, planejar a melhor solução, executá-la e avaliar sua execução. O comprometimento é encontrado principalmente nos portadores de Transtorno de Déficit de Atenção. Já a Teoria da Mente é a capacidade de se colocar no lugar do outro para entender intenções, mentiras e piadas, e responder a elas adequadamente. Por último, a Teoria da Coerência Central é a capacidade que as pessoas têm de, ao olhar um cenário, agregar todas as informações visuais num só contexto. “É como ver um mapa da região Norte do Brasil e ver o Rio Amazonas com seus afluentes. Alguém com o déficit, por exemplo, traria os afluentes sem o Rio Amazonas”, explica o médico.
Causas

O autismo não causa outras doenças, mas outras doenças podem favorecer seu desencadeamento. Os fatores externos que causam o autismo são as doenças infecciosas da gravidez, como a rubéola, a sífilis e a toxoplasmose; as doenças infecciosas do cérebro, como a meningite; as lesões traumáticas; o uso de drogas pelos pais; além de doenças genéticas que cursam com retardo mental.


As causas genéticas que influenciam no aparecimento da doença ainda não foram totalmente esclarecidas. “A freqüência de que gêmeos idênticos tenham, ambos, autismo chega a 90%. Para os gêmeos não-idênticos a concordância chega a 36%”, exemplifica o médico.
As estatísticas sobre a doença têm a prevalência de 1:150 a 250 da população. A incidência é de quatro a cinco homens para cada mulher, mas quando a doença se dá no sexo feminino é mais grave. O psiquiatra explica que em toda psiquiatria infantil as doenças acometem mais os meninos e, como regra geral, quando as meninas são acometidas, são por quadros mais graves. Essa proporção seria mais um indicativo das questões genéticas.
De acordo com o psiquiatra, o autista pode ficar curado do ponto de vista funcional, mas dificilmente vai ter uma reabilitação completa do ponto de vista técnico. “Aos olhos de um profissional da área o autista não pode ficar completamente reabilitado, mas do ponto de vista da população, sim, da mesma forma que há inúmeras pessoas que possuem transtornos como o autismo e que nunca foram diagnosticadas nem tratadas”.
Preconceito

Para ajudar os autistas, é fundamental que a família e amigos os tratem normalmente, tentando entendê-los em sua forma de ser e assim tentar ajudá-los, propiciando tratamento em todas as áreas que precisem. O tratamento é basicamente feito com reabilitação: psicologia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, escola, fisioterapia, musicoterapia etc. “Muitas pessoas relutam em levar a criança ao psiquiatra com medo de associação à loucura. Só com informações maciças essa idéia errônea pode ser modificada”, opina Camargos.


Ele explica que o autismo é uma doença como o diabetes, a hipertensão e a epilepsia. “Uma criança autista diagnosticada e tratada aos 12 meses tem mais chances do que se diagnosticada e tratada aos 7 anos. Imagine uma criança diabética ao nascimento e só diagnosticada e tratada aos 7 anos? Estaria com problemas irreversíveis. O ideal é que essas crianças sejam encaminhadas a psiquiatras e neurologistas da área infantil”. Assim, quem só identifica o autismo na fase adulta costuma ter grau menor da doença ou foi diagnosticado erroneamente.
Os autistas possuem todas as variações possíveis de inteligência, mas nem todos estão aptos à inclusão escolar, que depende de uma série de condições da escola, de seus profissionais e da capacidade da criança. Alguns são muito inteligentes e se dão bem pedagogicamente em escolas regulares, apesar de não conseguirem se socializar, pois não entendem o mundo humano e social. Outros necessitam de outras escolas, e aqueles cuja inteligência é mais comprometida têm mais possibilidades em escolas especiais.
Muitas pessoas acham estranho o comportamento dos autistas. Mas é importante integrá-los à sociedade, pois eles possuem dificuldades em fazê-lo. Há diversas técnicas para eles se sociabilizem e cada uma tem um nível de eficiência de acordo com o perfil psicossocial de cada um. Os autistas devem ser estimulados Mundo paralelo

A inclusão social do autista é um caminho difícil, mas que deve ser enfrentado

por Karen Borowski

Isolamento: essa é a característica central do autismo. A criança que prefere ficar sozinha em vez de com a mãe, que não gosta de ser colocada no colo e não olha para as pessoas com freqüência e duração normais, ou tenha atraso na fala até os dois anos possui características que indicam que ela pode ser portadora da doença. Caso os pais as observem em seus filhos, devem procurar um médico.


O termo autismo era usado inicialmente para caracterizar vivências ricas em pensamentos e emoções, das representações e sentimentos pessoais, com perda da relação com os dados e exigências do mundo circundante. O psiquiatra norte-americano Leo Kanner usou o termo autismo infantil depois de ter sido reconhecido como responsável por algo novo. Em 1943, ele descreveu, em sua publicação intitulada Distúrbios Autísticos do Contato Afetivo, um grupo de onze casos clínicos de crianças. Elas apresentavam extremo isolamento - não tinham habilidades para se relacionarem com outras pessoas e situações -, falha no uso da linguagem para comunicação e desejo obsessivo ansioso para a manutenção da mesmice.
Para o psiquiatra, o autismo era causado por pais altamente intelectualizados e pessoas emocionalmente frias e com pouco interesse nas relações humanas da criança. Algumas dessas especulações com o tempo se mostraram incorretas, como a frieza afetiva dos familiares. “O que se pensa hoje é que o autismo infantil, em geral, não tem a riqueza do pensar, do fantasiar e do imaginar como o adulto com esquizofrenia em estado autista - isolado, dominado por suas vivências delirantes e alucinatórias -, embora ambos tenham em comum o isolamento do mundo exterior”, diz o psiquiatra Walter Camargos.
Às vezes o autismo é confundido com outras doenças que têm sintomas parecidos. Ele é mais confundido com o retardo mental e, em aproximadamente 75% dos casos, há superposição dos dois transtornos. O diagnóstico de paralisia cerebral é também comumente dado aos portadores de autismo.
Outras doenças costumam estar associadas ao autismo, como retardo mental, epilepsia, paralisia cerebral, transtornos de linguagem, hiperatividade, transtornos obsessivo-compulsivos, tiques e transtornos de humor e de ansiedade. De acordo com Camargos, as características do autismo devem surgir até os três anos de idade. Elas são: relacionamento interpessoal comprometido; atraso significativo ou ausência da linguagem verbal, mímica e gestual; comportamentos repetitivos e estereotipados; e interesses restritos. “Há também o comprometimento em três organizações estruturais do funcionamento mental-psíquico: as funções executivas, a Teoria da Mente e a Teoria da Coerência Central”, completa.
As funções executivas são as capacidades de avaliar uma situação ou cenário, planejar a melhor solução, executá-la e avaliar sua execução. O comprometimento é encontrado principalmente nos portadores de Transtorno de Déficit de Atenção. Já a Teoria da Mente é a capacidade de se colocar no lugar do outro para entender intenções, mentiras e piadas, e responder a elas adequadamente. Por último, a Teoria da Coerência Central é a capacidade que as pessoas têm de, ao olhar um cenário, agregar todas as informações visuais num só contexto. “É como ver um mapa da região Norte do Brasil e ver o Rio Amazonas com seus afluentes. Alguém com o

déficit, por exemplo, traria os afluentes sem o Rio Amazonas”, explica o médico.


Causas

O autismo não causa outras doenças, mas outras doenças podem favorecer seu desencadeamento. Os fatores externos que causam o autismo são as doenças infecciosas da gravidez, como a rubéola, a sífilis e a toxoplasmose; as doenças infecciosas do cérebro, como a meningite; as lesões traumáticas; o uso de drogas pelos pais; além de doenças genéticas que cursam com retardo mental.


As causas genéticas que influenciam no aparecimento da doença ainda não foram totalmente esclarecidas. “A freqüência de que gêmeos idênticos tenham, ambos, autismo chega a 90%. Para os gêmeos não-idênticos a concordância chega a 36%”, exemplifica o médico.
As estatísticas sobre a doença têm a prevalência de 1:150 a 250 da população. A incidência é de quatro a cinco homens para cada mulher, mas quando a doença se dá no sexo feminino é mais grave. O psiquiatra explica que em toda psiquiatria infantil as doenças acometem mais os meninos e, como regra geral, quando as meninas são acometidas, são por quadros mais graves. Essa proporção seria mais um indicativo das questões genéticas.
De acordo com o psiquiatra, o autista pode ficar curado do ponto de vista funcional, mas dificilmente vai ter uma reabilitação completa do ponto de vista técnico. “Aos olhos de um profissional da área o autista não pode ficar completamente reabilitado, mas do ponto de vista da população, sim, da mesma forma que há inúmeras pessoas que possuem transtornos como o autismo e que nunca foram diagnosticadas nem tratadas”.
Preconceito

Para ajudar os autistas, é fundamental que a família e amigos os tratem normalmente, tentando entendê-los em sua forma de ser e assim tentar ajudá-los, propiciando tratamento em todas as áreas que precisem. O tratamento é basicamente feito com reabilitação: psicologia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, escola, fisioterapia, musicoterapia etc. “Muitas pessoas relutam em levar a criança ao psiquiatra com medo de associação à loucura. Só com informações maciças essa idéia errônea pode ser modificada”, opina Camargos.


Ele explica que o autismo é uma doença como o diabetes, a hipertensão e a epilepsia. “Uma criança autista diagnosticada e tratada aos 12 meses tem mais chances do que se diagnosticada e tratada aos 7 anos. Imagine uma criança diabética ao nascimento e só diagnosticada e tratada aos 7 anos? Estaria com problemas irreversíveis. O ideal é que essas crianças sejam encaminhadas a psiquiatras e neurologistas da área infantil”. Assim, quem só identifica o autismo na fase adulta costuma ter grau menor da doença ou foi diagnosticado erroneamente.
Os autistas possuem todas as variações possíveis de inteligência, mas nem todos estão aptos à inclusão escolar, que depende de uma série de condições da escola, de seus profissionais e da capacidade da criança. Alguns são muito inteligentes e se dão bem pedagogicamente em escolas regulares, apesar de não conseguirem se socializar, pois não entendem o mundo humano e social. Outros necessitam de outras escolas, e aqueles cuja inteligência é mais comprometida têm mais possibilidades em escolas especiais.
Muitas pessoas acham estranho o comportamento dos autistas. Mas é importante integrá-los à sociedade, pois eles possuem dificuldades em fazê-lo. Há diversas técnicas para eles se sociabilizem e cada uma tem um nível de eficiência de acordo com o perfil psicossocial de cada um. Os autistas devem ser estimulados
Referência Bibliográfica: site MEC.gov.br

2º BIMESTRE
Capitulo 02: O que causa as dificuldades de aprendizagem?

Livro: ‘’Dificuldades de Aprendizagem de A a Z. Um guia completo para pais e educadores’’; página 20 à 35

Autor: Corine Smith – Lisa Strick

Editora: Artmed.

Endereços: Avenida Jerônimo de Ornelas, 670 – Santana

90040-340 Porto Alegre RS Fone: (51) 3330-3444

São Paulo:

Avenida Rebouças, 1073 – Jardins

05401-150 São Paulo S Fone: (11) 3062-3757 Fax: 3062-2487

3º BIMESTRE

Recursos didáticos na educação especial
Talvez em nenhuma outra forma de educação os recursos didáticos assumam tanta importância como na educação especial de pessoas deficientes visuais, levando-se em conta que:

- um dos problemas básicos do deficiente visual, em especial o cego, é a dificuldade de contato com o ambiente físico;

- a carência de material adequado pode conduzir a aprendizagem da criança deficiente visual a um mero verbalismo, desvinculado da realidade;

- a formação de conceitos depende do íntimo contato da criança com as coisas do mundo;

- tal como a criança de visão normal, a deficiente visual necessita de motivação para a aprendizagem;

- alguns recursos podem suprir lacunas na aquisição de informações pela criança deficiente visual;

- o manuseio de diferentes materiais possibilita o treinamento da percepção tátil, facilitando a discriminação de detalhes e suscitando a realização de movimentos delicados com os dedos.

Definição

Recursos didáticos são todos os recursos físicos, utilizados com maior ou menor freqüência em todas as disciplinas, áreas de estudo ou atividades, sejam quais forem as técnicas ou métodos empregados, visando auxiliar o educando a realizar sua aprendizagem mais eficientemente, constituindo-se num meio para facilitar, incentivar ou possibilitar o processo ensino-aprendizagem. De um modo genérico, os recursos didáticos podem ser classificados como:



Naturais: elementos de existência real na natureza, como água, pedra, animais.

Pedagógicos: quadro, flanelógrafo, cartaz, gravura, álbum seriado, slide, maqueta.

Tecnológicos: rádio, toca-discos, gravador, televisão, vídeo cassete, computador, ensino programado, laboratório de línguas.

Culturais: biblioteca pública, museu, exposições.

O bom aproveitamento dos recursos didáticos está condicionado aos seguintes fatores:



  • Capacidade do aluno;

  • Experiência do educando;

  • Técnicas de emprego;

  • Oportunidade de ser apresentado;

  • Uso limitado, para não resultar em desinteresse.

Seleção, adaptação e confecção

Na educação especial de deficientes visuais, os recursos didáticos podem ser obtidos por uma das três seguintes formas:

Seleção

Dentre os recursos utilizados pelos alunos de visão normal, muitos podem ser aproveitados para os alunos cegos tais como se apresentam. É o caso dos sólidos geométricos, de alguns jogos e outros.



Adaptação

Há materiais que, mediante certas alterações, prestam-se para o ensino de alunos cegos e de visão subnormal. Neste caso estão os instrumentos de medir, como o metro, a balança, os mapas de encaixe, os jogos e outros.

Confecção

A elaboração de materiais simples, tanto quanto possível, deve ser feita com a participação do próprio aluno. É importante ressaltar que materiais de baixo custo ou de fácil obtenção podem ser freqüentemente empregados, como: palitos de fósforos, contas, chapinhas, barbantes, cartolinas, botões e outros.

Com relação ao uso, os recursos devem ser:

Fartos — para atender a vários alunos simultaneamente;

Variados — para despertar sempre o interesse da criança, possibilitando diversidade de experiências;

Significativos — para atender aspectos da percepção tátil (significativo para o tato) e/ou da percepção visual, no caso de alunos de visão subnormal.



Materiais básicos

Para alcançar desempenho eficiente, o aluno deficiente visual, especialmente o aluno cego, precisa dominar alguns materiais básicos, indispensáveis no processo ensino-aprendizagem. Entre esses materiais, destacam-se: reglete e punção, sorobã, textos transcritos em Braille e gravador cassete.

Na medida do possível, o educando deverá usar máquina de datilografia Braille, cujo rendimento, em termos de rapidez, pode mesmo ultrapassar o da escrita cursiva dos videntes.

A máquina de datilografia comum pode ser utilizada pelo aluno deficiente visual, a partir da quarta série, na apresentação de pequenos trabalhos escolares. Constitui-se num valioso recurso de comunicação nas fases posteriores da aprendizagem e tem inúmeras aplicações na vida prática e no desempenho de muitas profissões.

Para alunos de visão subnormal, na maioria dos casos, os recursos didáticos mais usados são:


  • cadernos com margens e linhas fortemente marcadas e espaçadas;

  • lápis com grafite de tonalidade forte;

  • caneta hidrocor preta;

  • impressões ampliadas;

  • materiais com cores fortes e contrastantes.

Critérios

Na seleção, adaptação ou elaboração de recursos didáticos para alunos deficientes visuais, o professor deverá levar em conta alguns critérios para alcançar a desejada eficiência na utilização dos mesmos, tanto para crianças cegas como para as crianças de visão subnormal.



Tamanho: os materiais devem ser confeccionados ou selecionados em tamanho adequado às condições dos alunos. Materiais excessivamente pequenos não ressaltam detalhes de suas partes componentes ou perdem-se com facilidade. O exagero no tamanho pode prejudicar a apreensão da totalidade (visão global).

Significação Tátil: o material precisa possuir um relevo perceptível e, tanto quanto possível, constituir-se de diferentes texturas para melhor destacar as partes componentes. Contrastes do tipo: liso/áspero, fino/espesso, permitem distinções adequadas.

Aceitação: o material não deve provocar rejeição ao manuseio, fato que ocorre com os que ferem ou irritam a pele, provocando reações de desagrado.

Estimulação Visual: o material deve ter cores fortes e contrastantes para melhor estimular a visão funcional do aluno deficiente visual.

Fidelidade: o material deve ter sua representação tão exata quanto possível do modelo original.

Facilidade de Manuseio: os materiais devem ser simples e de manuseio fácil, proporcionando ao aluno uma prática utilização.

Resistência: os recursos didáticos devem ser confeccionados com materiais que não se estraguem com facilidade, considerando o freqüente manuseio pelos alunos.

Segurança: os materiais não devem oferecer perigo para os educandos.

Recursos didáticos específicos

Modelos


A dificuldade de contato com o ambiente, por parte da criança deficiente visual, impõe a utilização freqüente de modelos com os quais podem ser razoavelmente superados problemas de: tamanho dos objetos originais, distância em que se encontram e impossibilidade de contato.

A melhor maneira de se dar ao aluno deficiente visual a noção do que seja uma montanha, por exemplo, é mostrar-lhe um modelo deste acidente geográfico. Ainda que se considere a possibilidade de a criança subir a elevação, terá ela apenas a idéia do caminho percorrido.

Os modelos devem ser criteriosamente escolhidos e, sempre que possível, sua apresentação ao aluno ser acompanhada de explicações verbais objetivas. Objetos muito pequenos podem ser ampliados, para que se tornem perceptíveis detalhes importantes. Objetos situados a grandes distâncias, inacessíveis portanto, precisam ser apresentados sob forma de modelos. O formato de uma nuvem, a forma do sol, da lua, só pode ser apreendido pelos alunos através de modelos miniaturizados.

Mapas


Os mapas políticos, hidrográficos e outros, podem ser representados em relevo ou, no caso do primeiro, por justaposição das partes (encaixe). Mapas em relevo podem ser confeccionados com linha, barbante, cola, cartolina e outros materiais de diferentes texturas. A riqueza de detalhes num mapa pode dificultar a percepção de detalhes significativos.

Livro Didático

O emprego de desenhos, gráficos, cores nos livros modernos vem dificultando de forma crescente sua transcrição para o Sistema Braille. Este fato impõe a adoção de uma das seguintes soluções:

- adaptação do livro para transcrição em Braille;

- elaboração de livros especiais para cegos.

A primeira solução pode acarretar perda de fidelidade quanto ao original, daí a necessidade de tais adaptações serem feitas por pessoa realmente especializada na educação de deficientes visuais. A segunda, embora atenda às peculiaridades do aluno cego, é onerosa e lenta na elaboração, decorrendo, assim, dificuldades em sua aplicação quando inexistirem recursos materiais indispensáveis.

Livro Falado

É o livro gravado em fitas cassete. De ampla utilização no Brasil, constitui eficiente recurso como livro didático no segundo grau e no ensino superior. A utilização do livro falado, no primeiro grau, deve limitar-se tanto quanto possível, à literatura ou aos didáticos de leitura complementar.



Avanços tecnológicos

O grande avanço tecnológico verificado nos últimos anos vem proporcionando, também à educação especial, recursos valiosos para o processo ensino-aprendizagem, inclusive com a utilização de equipamentos de informática. Entre esses recursos podem ser destacados:

Sistema de Leitura Ampliada

Circuito Fechado de Televisão (CCTV)

Apresenta-se monocromático ou colorido, podendo ampliar até 60 vezes o tamanho de um caractere e funciona como periférico, acoplado a um microcomputador.



Programas (Softwares)

Providos de recursos para ampliação de caracteres, permitindo sua leitura em monitores, bem como sua impressão.

Thermoform

Duplicador de materiais, empregando calor e vácuo, para produzir relevo em película de PVC.

Braille Falado

Minicomputador, pesando 450 g e dispondo de 7 teclas através das quais o aparelho pode ser operado, para edição de textos a serem impressos no sistema comum ou em Braille. O Braille Falado, conectado a um microcomputador, pode ser utilizado como sintetizador de voz, transferir ou receber arquivos. Funciona ainda como agenda eletrônica, calculadora científica e cronômetro.

Microcomputador

Equipamento que amplia recursos na área da educação especial, na vida prática e em atividades profissionais dos deficientes da visão. Os computadores existentes no mercado, providos de programas específicos e de diferentes periféricos, podem ser operados normalmente pelas pessoas cegas. Entre os periféricos, podem ser destacados:



Sintetizadores de Voz

Conectados a um computador, permitem a leitura de informações exibidas em um monitor. Dentre as diferentes modalidades produzidas em outros países, inclusive com voz sintetizada na língua portuguesa, destaca-se o DOSVOX, desenvolvido pelo Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro.



Terminal Braille (Display Braille)

Representa, em uma ou duas linhas, caracteres Braille correspondentes às informações exibidas em um monitor. Os caracteres Braille são produzidos por pinos que se movimentam verticalmente em celas, dispostas numa placa, geralmente metálica.



Impressora Braille

Existem hoje, no mercado mundial, diferentes tipos de impressoras Braille, seja para uso individual (pequeno porte) ou para produção em larga escala (médio e grande porte). As velocidades de produção são muito variadas. Essas impressoras, geralmente, podem imprimir Braille interpontado ou não em 6 ou 8 pontos, bem como produzir desenhos. Algumas impressoras Braille podem utilizar folha solta, mas a maioria funciona com formulário contínuo.



Scanner de Mesa

A transferência de textos impressos para microcomputadores (via scanner) vem alcançando ampla utilização entre estudantes e profissionais deficientes da visão. O texto digitalizado pode ser lido através de um sintetizador de voz de um terminal Braille, impresso em Braille ou no sistema comum ampliado. O scanner pode ser operado com facilidade por um deficiente visual.

Sistema Operacional DOSVOX

O Núcleo de Computação Eletrônica da UFRJ (NCE) vem se dedicando à implementação de um sistema destinado a atender aos deficientes visuais que desejem utilizar computadores para desempenharem diferentes tarefas. Neste sentido, foram desenvolvidas as seguintes ferramentas computacionais:



  • sintetizador de voz portátil que possibilita a produção de fala, ainda que o computador não possua placa de som;

  • sistema operacional complementar ao DOS, destinado a produzir saída sonora com fala em língua portuguesa;

  • editor de textos;

  • caderno de telefones, agenda de compromissos, calculadora, relógio, jogos etc.;

  • utilitários para acesso à INTERNET, para preenchimento de cheques e outros.

O Sistema DOSVOX alcançou ampla aceitação em todo o Brasil, registrando-se várias centenas de usuários, muitos deles, estudantes de diferentes níveis de escolaridade.

O Instituto Benjamin Constant mantém cursos do Sistema Operacional DOSVOX, e possui um Laboratório de Pesquisa em Computação para Deficientes Visuais em cooperação com a Universidade Federal do Rio de Janeiro.


Jonir Bechara Cerqueira e Elise de Melo Borba Ferreira são professores do Instituto Benjamin Constant.

4º BIMESTRE


DEFICIENTE VISUAL / ORIENTAÇÃO SEXUAL

Deficiência visual é um termo empregado para referir-se à perda visual que não pode ser corrigida com lentes por prescrição regular. Compreende tanto a cegueira total, ou seja, a perda total da visão nos dois olhos, quanto a visão subnormal, que é uma irreversível e acentuada diminuição da acuidade visual que não se consegue corrigir pelos recursos ópticos comuns.

Sendo a adolescência um período que compreende grandes modificações no processo vital, entre elas a sexualidade, surgiu o interesse em conhecer como ocorre essa percepção nos jovens com deficiência visual.

A sexualidade talvez se constitua em um dos tópicos mais importantes e mais difíceis, tanto para o próprio adolescente e para seus pais, como para a sociedade como um todo. A opinião popular estende a deficiência para a sexualidade do indivíduo, tratando o portador de deficiência como um ser de sexualidade incompleta, vendo-o como eterna criança, o que gera a estigmatização da sexualidade desses indivíduos.

Se encarar a sexualidade já é um processo difícil para os adolescentes dotados de todos os sentidos, que teoricamente se enquadram no modelo de "normalidade", preconizado pela mídia e pela sociedade, como será essa experiência para os jovens portadores de deficiência visual que, além de adolescer, precisam enfrentar preconceitos e estigmas? Como será que esses jovens, portadores de deficiência visual, percebem sua sexualidade? Essas e outras questões levaram as autoras a investigar a temática, tendo em vista que, ao realizarem atividades junto a adolescentes, perceberam muitas inquietações e dúvidas. Perceberam que várias das orientações fornecidas a essa população é de boa qualidade visual, proporcionando e instigando debates e discussões. Questionaram, então, como seria esse processo em adolescentes com necessidades especiais e selecionaram a deficiência visual como foco de seu estudo.

O indivíduo portador de deficiência visual tem cerceado seu acesso a informações sobre a educação para a saúde, visto que essas, em sua maioria, utilizam a visão como estratégia de comunicação(5). Assim, sendo a enfermagem uma ciência que atua no processo de cuidar, cabe aos enfermeiros desenvolverem recursos que facilitem a comunicação com o deficiente visual para que os mesmos se tornem mais independentes no seu autocuidado.

Dado esse contexto, deve-se assumir a responsabilidade junto à sociedade enquanto cuidadores, pesquisadores e educadores para a saúde, contribuindo para o desenvolvimento e integração social dos adolescentes portadores de deficiência visual. Refletindo sobre o papel do enfermeiro, enquanto um educador em saúde, visualiza-se, nesse contexto do deficiente visual, a possibilidade de se diminuir os conflitos e inquietações que acompanham esses indivíduos e, dessa forma, auxiliá-los no exercício de uma sexualidade livre de preconceitos e mal-entendidos.

Assim, esse estudo teve como objetivo conhecer quais as percepções dos adolescentes com deficiência visual acerca de sua sexualidade.

 METODOLOGIA

Esta é uma pesquisa do tipo exploratório-descritivo com abordagem qualitativa.

O estudo desenvolveu-se no Centro Louis Braille em Porto Alegre, RS, Brasil. O Centro é uma instituição pública, que visa a promoção da inclusão social de pessoas portadoras de deficiência visual (cegos e de visão subnormal), através da reabilitação.

A população do estudo foi composta por oito adolescentes portadores de deficiência visual que freqüentavam o Centro Louis Braille, sendo quatro sujeitos do sexo masculino e quatro do sexo feminino. Participaram dos estudos adolescentes com idades que variaram entre 14 e 20 anos. Os critérios de inclusão utilizados foram os seguintes: serem adolescentes portadores de deficiência visual - independente de ser essa congênita ou adquirida - alfabetizados, e cujos pais e/ou responsáveis autorizassem a participação. Excluíram-se do estudo os adolescentes portadores de deficiência neurológica grave.

Para a coleta dos dados, o instrumento utilizado foi a entrevista semi-estruturada. As entrevistas ocorreram em datas programadas, conforme a disponibilidade dos sujeitos, em espaço reservado na Instituição, de forma individual, respeitando a privacidade daqueles.

As mesmas foram gravadas em fita cassete. A transcrição das fitas realizou-se pela pesquisadora, respeitando com fidedignidade o vocabulário utilizado pelos entrevistados.

Após o término das entrevistas, a pesquisadora procedeu ao esclarecimento das dúvidas apresentadas pelos adolescentes. Prestaram-se, também, informações adicionais que vieram a complementar as respostas emitidas pelos adolescentes, demonstrando o papel educativo do estudo.

As informações obtidas por meio das entrevistas foram submetidas à técnica de análise de conteúdo(6). As transcrições dos depoimentos constituíram as categorias e subcategorias identificadas após a realização das etapas preconizadas pelo método. A etapa de análise prévia constituiu-se de várias leituras do material coletado; a exploração do material constituiu-se na codificação com o objetivo de identificar no texto os núcleos de sentido e, posteriormente, a etapa de agrupamento dos dados e classificação com seleção das categorias, as quais se denominaram Sexualidade e Modificações sociocomportamentais.

Para atender as considerações bioéticas do estudo, o projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul-UFRGS, sendo elaborado um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido entregue aos pais e/ou responsáveis pelos adolescentes. Além da autorização dos pais/responsáveis, leu-se o termo de consentimento, em voz alta, na presença dos entrevistados para que os mesmos concordassem e assinassem. Para a manutenção do anonimato dos sujeitos os mesmos foram denominados como S1, S2, S3 sucessivamente.

 

NÚCLEOS TEMÁTICOS

Sexualidade

Nessa categoria os adolescentes enfocaram várias temáticas:

- Alterações morfofisiológicas

Em relação às alterações morfofisiológicas decorrentes da adolescência, os jovens deficientes visuais apontaram diversas modificações que se processavam em seus corpos, segundo demonstram os seguintes depoimentos.



Eu comecei a criar seio, porque eu não tinha, comecei a ficar menstruada (S2).

Olha, eu tô começando a criar barba, a voz engrossou mais (S3).

Na passagem da infância para a idade adulta, um dos aspectos peculiares é a maturação fisiológica. Nesse momento do ciclo vital, o hipotálamo passa a estimular a hipófise para a produção de hormônios do crescimento e amadurecimento, fazendo com que ocorra o desenvolvimento das características sexuais secundárias.

Apesar de não poderem enxergar as mudanças em seus corpos, os adolescentes portadores de deficiência visual percebem que estão crescendo e que seu corpo se modifica. Notam estruturas que antes não possuíam, como os seios para as meninas ou a barba para os meninos. Esse fato é compreensível, pois as modificações biológicas que caracterizam esse processo propiciam a experiência de uma série de eventos psicológicos que culminam naquilo que se denomina aquisição de identidade sexual. Além disso, ouvem comentários de outras pessoas e dão-se conta de mudanças no comportamento dos outros em relação a eles, como demonstra a seguinte fala.

[...] eu vi que o meu corpo começou a desenvolver mais, quando eu vi que os guris se importavam mais com isso, com bunda, peito, coxa ... assim [...] (S1).

Em relação à menstruação os sujeitos relataram:



[...] não sei, é um sangue nojento (S1 feminino).

[...] ninguém nunca me disse, eu sei que com mulher pode acontecer (S4 masculino).

Os adolescentes demonstraram pouco conhecimento acerca da fisiologia da menstruação e seu papel no ciclo reprodutivo. Os meninos sabem que é algo que faz parte do desenvolvimento feminino e, portanto, só acontecem com as mulheres, algumas meninas associam com sangue/sangramento e referem ser algo nojento, demonstrando desagrado quando mencionam esse sangramento. Ambos os sexos, porém, têm vaga idéia sobre a finalidade da menstruação.

Apesar de as adolescentes que participaram do estudo já terem menstruado, algumas meninas revelaram que não souberam como proceder da primeira vez que isso aconteceu com elas.

[...] eu só falei, tá - Fiquei menstruada -, apesar de eu pensar: bá, e agora? (S5).

Esse depoimento ressalta a falta de informações das jovens e o despreparo para lidarem com situações típicas dessa fase, como a menstruação.

Em relação ao termo espermatozóide e seu significado, os adolescentes apresentaram as seguintes opiniões.

[...] eu penso que espermatozóide é uma espécie de hormônio, eu acho que o homem produz, a função seria pra relação dos dois, se junta no útero, que é o hormônio da mulher e assim cria a célula que dá a vida (S3, masculino).

Ah, eu não sei muito bem, é do homem [...] serve pra fecundação, uma coisa assim (S4, masculino).

A maioria dos adolescentes demonstrou saber que os espermatozóides estão associados ao sexo masculino, porém houve muita confusão em responder o que são (células, hormônios) e qual a sua função, demonstrando seu pouco conhecimento no que diz respeito à fisiologia da reprodução, principalmente em se tratando do corpo do outro.

O corpo do outro, para o portador de deficiência visual, é um mistério que muitas vezes só é desvendado com a experiência sexual, principalmente para os que não têm irmãos do sexo oposto, pois, até tocar em alguém do outro sexo, o deficiente visual não tem a real idéia de como ele se configura.

Também houve confusão por parte dos meninos que, mesmo sabendo se tratarem os espermatozóides de algo que faz parte de seu próprio corpo, demonstra desinformação acerca de sua função. Na adolescência, o corpo sofre profundas e rápidas transformações. A partir desse fato biológico, afirma-se que as modificações escapam ao controle do adolescente, não só exigindo reconstrução da sua auto-imagem, como também influenciando, sobremaneira, na construção de sua identidade, ou seja o conhecimento de si mesmo. Do ponto de vista de adolescente portador de deficiência visual, acredita-se que a nova forma de se perceber sofre influência externa. A desinformação sobre a função do seu corpo pode ser visualizada no depoimento de um menino.



Espermatozóide é aquele que se encontra no óvulo [...] parece que serve para impedir a gravidez (S6).

O sujeito possui uma vaga noção sobre o que seja espermatozóide e tenta reunir as informações, a fim de formar sua opinião sobre o tema.

- Relações afetivo-sexuais

Nesta temática os jovens deficientes visuais manifestaram-se acerca das relações afetivo-sexuais, posicionando-se frente ao namoro e ao "ficar".

Os depoimentos demonstram bem suas percepções.

[...] ficar é só ... tu fica um dia e tu não conhece a pessoa, não tem compromisso de nada, tu pode ficar só por umas horas, tu pode só dar beijo e tchau (S5, feminino).

Namorar é quando é uma coisa séria, com compromisso, que tem intimidade [...] namorado sério assim mesmo, de levar em casa, de conhecer os meus pais [...] (S5, feminino).

Os adolescentes portadores de deficiência visual fazem clara distinção entre ficar e namorar. Ficar está associado a um momento apenas, sem compromisso ou criação de vínculo. Já namorar reflete um envolvimento maior, um compromisso, torna-se algo mais sério, associado à fidelidade e intimidade. A maioria dos entrevistados revelou já ter "ficado" com alguém ou ter tido algum namorado(a).

Uma das entrevistadas demonstrou tendência à negação quando se abordou o tema namoro/ficar, como demonstra a sua fala.

Namorado, nunca! Nem quero ter, nem nunca fiquei, nem vou ficar com ninguém [...] (S2, feminino).

Essa posição do sujeito pode justificar-se pelo fato de que o adolescente portador de deficiência visual, impossibilitado de se engajar nos padrões estéticos preconizados pela sociedade, passa a agir como o estereótipo que carrega, ou seja, como um ser assexuado e sem desejo, respaldando com isso as expectativas dos demais a seu respeito(10).

- Conhecimentos sobre anticoncepção e doenças sexualmente transmissíveis

Nessa temática, em relação aos métodos anticoncepcionais, os adolescentes entrevistados manifestaram-se como apresentado a seguir.



Os anticoncepcionais são medicamentos para prevenir a gravidez, pra mulher ter menos chance de engravidar (S6, masculino).

São pílulas para evitar que a mulher engravide (S1, feminino).

Embora possuam o conhecimento de que os métodos anticoncepcionais existem e saibam citar nomes, a maioria dos sujeitos revelou nunca ter tido oportunidade de manusear esses métodos e desconhecer a maneira adequada de usá-los, conforme demonstram suas falas.



[...] camisinha eu já peguei uma, uma vez, mas fechada, não sei bem como é (S4, masculino).

[...] no colégio têm palestras, assim, alguém lá na frente mostra, no meu caso não adianta muito (S8, masculino).

Uma gravidez indesejada pode ser o resultado de desconhecimento ou uso inadequado dos métodos contraceptivos, utilização de métodos de baixa eficiência, ignorância da fisiologia da reprodução e das conseqüências das relações sexuais, entre outros fatores.

A cultura sexual de massa é quase restrita a estímulos visuais. Faltam no Brasil programas de educação sexual adaptados ao deficiente visual. Já que esses indivíduos não podem aprender por imitação visual, o ideal seria que todos os movimentos lhes fossem demonstrados e com eles juntamente realizados, explorando-se, dessa forma, os sentidos remanescentes do deficiente visual, tato e audição, de modo a contribuir para o melhor entendimento das informações.

A criação de espaços para esses jovens deve se constituir de meios que lhes possibilitem falar o que sentem para saciar suas necessidades emocionais e de desenvolvimento através de atividades técnicas e/ou práticas pela educação alternativa, programas de treinamento vocacional e elaboração de projetos de vida(11).

Em relação às doenças sexualmente transmissíveis, responderam com os depoimentos seguintes:

São doenças que passam através do sexo, sexo sem camisinha (S1, feminino).

É o vírus da AIDS, né, é o HIV [...] (S2, feminino).

Apesar de demonstrarem certo conhecimento acerca das DSTs, alguns sujeitos ainda fazem confusão com relação às formas de contágio, o que pode ser percebido com o que se lê.



[...] não pode beber no mesmo copo que a outra pessoa bebeu, não pode usar a mesma seringa da outra pessoa, aí pega doença (S2, feminino).

[...] essas doenças, nós pegamos quando a pessoa usa o mesmo tipo de escova de dente, usa os mesmos objetos, daí é assim que acontece (S6, masculino).

Percebe-se que os adolescentes deficientes visuais apresentam desconhecimento e informações errôneas com relação às formas de contágio das doenças sexualmente transmissíveis. Os mesmos referem que a única forma de informação que possuem a esse respeito lhes é transmitidos por meio de outras pessoas. Pelas falas dos sujeitos pode-se perceber que nem sempre essas informações são corretas. Isso se agrava devido à carência de materiais informativos relacionados a essa área, adaptados ao deficiente visual, dificultando o acesso dos mesmos a informações precisas.

Em se tratando de educação em saúde, principalmente sexualidade, a literatura em braile é escassa, os recursos disponíveis destinam-se a pessoas videntes, sendo as informações transmitidas de forma bastante superficial e não atendendo adequadamente às necessidades de um deficiente visual.

A educação para a saúde é definida como "[...] um processo planificado e sistemático de comunicação e de ensino-aprendizagem orientado a facilitar a aquisição, escolha e manutenção das práticas saudáveis e dificultar as práticas de risco".

Os problemas que atingem os adolescentes como gestação indesejada, aborto, doenças sexualmente transmissíveis, HIV/AIDS são alvo de preocupação entre formuladores de políticas, pais e educadores de um modo geral. O preparo dos jovens para o exercício saudável da sexualidade requer intervenção planejada por parte dos profissionais da saúde e da educação que estejam fundamentadas em uma concepção de adolescência, sexualidade, educação sexual de modo a atender a integralidade humana, em que a sexualidade seja compreendida como uma das expressões que envolve afetos, sentidos, desejos, comunicação e criação.

Modificações sociocomportamentais

Nessa categoria surgiu a temática Necessidade de auto-afirmação. Entende-se para os deficientes visuais como a necessidade de ser reconhecidos na sua condição, com seus direitos e deveres, limites e possibilidades e se afirmar/reconhecer enquanto cidadão.

- Necessidade de auto-afirmação

Em relação a essa temática, os sujeitos relataram maior liberdade/autonomia como uma das principais modificações que estavam experenciando enquanto adolescentes, conforme demonstram as falas dos sujeitos.

Antes eu só ficava em casa, eu tava enjoado de depender dos meus pais [...] agora eu saio um pouco (S6, masculino).

[...] deu vontade de aprender as coisas, se desenvolver, caminhar na rua, mudou tudo, assim (S7, feminino).

Percebe-se por esses depoimentos que os jovens deficientes visuais estão em busca do seu espaço na sociedade, anseiam por liberdade e autonomia e pelo rompimento dos fortes laços de dependência em relação aos pais. Para eles, isso se materializa no simples fato de poderem sair sozinhos, caminhar na rua, sentindo-se, dessa forma, independentes.

Muitos deficientes visuais são "educados" para serem indefesos e dependentes, sendo-lhes impressa, pelas próprias famílias, a idéia de que são inábeis e incapazes. Isso pode ser percebido nas falas dos sujeitos:

Com meus onze pra doze (anos) eu comecei a entrar na escola, que eu entrei muito tarde, porque eu não podia (S2, feminino).

A conscientização e o apoio por parte da família e da sociedade em geral são fundamentais para que os portadores de deficiência visual desenvolvam suas potencialidades e adquiram autonomia.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Outeiral JO. Adolescer: estudos sobre adolescência. Porto Alegre (RS): Artes Médicas Sul; 1994.        

Lebedeff TB. Aprendendo com o toque: reflexões e sugestões para uma educação sexual adaptada ao portador de deficiência visual. Rev Bras Educação Especial 1994; 1(2):31-7.        

Pagliuca LMF, Rodrigues ML. Métodos contraceptivos comportamentais: tecnologia educativa para deficientes visuais. Rev Gaúch Enfermagem 1998 julho; 19(2):147-53.        

Bruns MAT. Adolescer: a vivência de portadores de deficiência visual. Benjamim Constant 1999 junho; 5(12):6-16.        

Tonaki AO, Neves TA, Comarú MN, Stigliano E. Assistência adequada à criança cega ou portadora de visão subnormal. Rev Paul Enfermagem 1983 janeiro-fevereiro; 3(1):12-4.        

Cano MAT, Ferriani MGC, Gomes R. Sexualidade na adolescência: um estudo bibliográfico. Rev Latino-am Enfermagem 2000 março-abril; 8(2):18-24.        

Soares GF. Sexualidade: limites e competências da família. Momento 2000; 13:89-94.        

Bruns MAT. Deficiência visual e educação sexual: a trajetória dos preconceitos - ontem e hoje. Benjamim Constant 2000 dezembro; 6(17):24-30.        

 

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