Figuras de estilo



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Figuras de Estilo / Recursos Estilísticos




  • Alegoria – consiste na expressão verbal de uma determinada coisa, com o fim de que as palavras ou imagens empregadas surgiram outra coisa. A alegoria apresenta-se, muitas vezes, através de uma sucessão de comparações, metáforas e imagens. A função principal da alegoria é de tornar claras e evidentes realidades abstractas como o Amor, a Justiça, a Glória, o Inferno, o céu, as virtudes e os defeitos dos homens, a existência do homem, funcionamento do mundo, etc.


Exemplos: alegoria da caverna de Platão, alegoria dos peixes do Padre António Vieira, Auto da Alma de Gil Vicente...

  • Aliteração – Processo que consiste na repetição intencional dos mesmos sons consonânticos, com o objectivo de sugerir determinados sentidos, ideias, sentimentos ou imagens.


Exemplos: "Brandas, as brisas brincam nas flâmulas, teu sorriso..." (Fernando Pessoa, Poesias); "Fogem fluidas, fluindo à fina flor dos fenos..."(Eugénio de Castro).

  • Anáfora – Consiste na repetição de uma palavra ou palavras no início de frases ou versos sucessivos.


Exemplos: "Ela , quando amena.../Ela viu as lágrimas.../ Ela viu as palavras..." (Camões).

"Inútil este animal aflito.



nem palavras,

nem cinzéis,

nem acordes,

nem pincéis,

são gargantas deste grito." (António Gedeão, Movimento perpétuo)



  • Anástrofe – consiste na inversão da ordem natural das palavras. A inobservância da ordem directa ou normal da frase (sujeito, predicados e complementos) caracteriza-se pela anteposição de um complemento ou deslocamento de uma palavra.


Exemplos: "Já do pagão benigno se despede / Que a todos amizade longa pede" (Camões),

Em vez de – Já se despede do pagão benigno / que pede longa amizade a todos.




  • Animismo – Consiste em atribuir vida a seres inanimados. Difere da personificação, porque, no animismo, os seres não são elevados à categoria de pessoas.

Exemplos: "Plácida, a planície adormece, lavrada ainda de restos de calor." (Virgílio Ferreira).

  • Antítese – consiste em apresentar um contraste entre duas ideias ou coisas. Este contraste é posto em grande evidência pela oposição das palavras que designam cada uma dessas ideias ou coisas (relação de contrários), podendo, ainda, utilizar-se uma mesma palavra com sentidos contrários.


Exemplos: "O esforço é grande e o homem é pequeno" (Fernando Namora, Mensagem);

"Ganhe um momento o que perderam anos / Saiba morrer o que viver não soube" (Bocage);

"juntamente me alegro e entristeço; / De uma coisa confio e desconfio." (Camões).

  • Apóstrofe – consiste na invocação de alguém ou alguma coisa, real ou imaginário, recorrendo ao uso do vocativo.


Exemplos: "Ó glória de mandar, ó vã cobiça / desta vaidade a quem chamamos fama";

"E vós, Tágides minhas, pois criado / tendes em mim um novo engenho ardente.



  • Assíndeto – consiste na supressão dos elementos de ligação entre palavras ou frases sucessivas.


Exemplos: "Chamou os filhos, falou de coisas imediatas, procurou interessá-los." (Graciliano Ramos, Vidas secas); "Eu que sou feio, sólido, leal, / A ti que és bela, frágil, assustada" (Cesário Verde)
  • Comparação – consiste em estabelecer uma relação de semelhança através de uma palavra ou expressão comparativa ou de verbos a ela equivalentes (parecer, lembrar, sugerir,etc.).

Exemplos: "E a lua lembra o circo de jogos de malabares" (Cesário Verde);

"O Génio é humilde como a natureza" (Miguel Torga)


"A rua (...) parece um formigueiro agitado." (Érico Veríssimo)


  • Disfemismo – consiste em dizer de forma violenta aquilo que poderia ser dito de maneira suave.

Exemplos: "- Foi. Enfurecendo-se, estourou. É dos livros...

  • Se não se tivesse zangado hoje...

  • Estourava amanhã. Estava nas últimas... Deixa em paz a criatura. Está começando a esta hora a apodrecer." (Eça de Queirós)



  • Enumeração – Consiste na apresentação sucessiva de vários elementos.

Exemplos: "Professor, médico, comerciante, todos se vendiam." (Fernando Namora)

  • Eufemismo – consiste em dizer de forma suave uma ideia ou realidade desagradável.


Exemplos: "- Coitado quem se vai deste mundo! – suspirou a mulher..." (Vitorino Nemésio);

Cabo da Boa Esperança em vez de Cabo das Tormentas.

  • Gradação – consiste na apresentação de vários elementos segundo uma ordem crescente ou decrescente.


Exemplos: "É a guerra aquela tempestade terrestre que leva os campos, as casas, as vilas, os castelos, as cidades, e (...) sorve os reinos e monarquias inteiras." (P. António Vieira); "Quanto à fortuna de dona Carolina Amélia, (...) bem sabes como aquilo estava: capitais espalhados, rendas em atraso, casas a cair..." (Vitorino Nemésio)


  • Hipálage – consiste na atribuição a um ser ou a uma coisa de uma ou acção logicamente pertencente a outro ser.

Exemplos: "As tias faziam meias sonolentas" (Eça de Queirós)

"Fumava um cigarro pensativo" (Eça de Queirós)


  • Hipérbato – consiste numa alteração violenta da ordem directa das palavras na frase.


Exemplos: "São elegantes estas saias." (Mário Dionísio)

" Os duros casos que Adamastor contou futuros" (Camões)

"Do pássaro nocturno o triste canto." (Camões)


  • Hipérbole – consiste no emprego de termos exagerados, para realçar determinada realidade.


Exemplos: "Ela só viu as lágrimas em fio

Que duns e doutros olhos derivadas



Se acrescentavam em largo rio" (Camões)

  • Imagem – Consiste no recurso a aspectos sensoriais para, a partir daí, provocar uma forte evocação afectiva e os seus consequentes efeitos sugestivos e emocionais.


Exemplos: "Os teus olhos são dois lagos encantados onde o céu se mira como num espelho"

(Érico Veríssimo);

"Vejo a verdade naufragar, imersa

nas palavras que correm como um rio." (Carlos Queirós).

Nota: A imagem inclui, frequentemente, várias figuras que resultam de processos de analogia ou equivalência: Comparação, metáfora, personificação, etc.

  • Ironia – consiste em exprimir uma ideia dizendo precisamente o seu contrário. A ironia só se consegue identificar no seu contexto.


Exemplos: Bonito resultado! (Afirmação frequente dos pais perante uma nota negativa.);

"Tão sábias medidas fizeram com que na aldeia do Minho deixasse inteiramente de haver justiça." (Ramalho Ortigão).



  • Metáfora – consiste em designar um objecto ou ideia por uma palavra que convém a outro objecto ou a outra ideia – ligados àqueles por analogia. A metáfora funde, portanto, em um único, os dois termos de comparação. Pode-se distinguir entre metáforas poéticas – "Curvada aos pés do monte, a planície é um Brasido." (Florbela Espanca); "Fios de sol escorriam de uma azinheira perto da estrada." (Virgílio Ferreira); "Tomai as rédeas do Reino vosso:" (Camões) – e as metáforas idiomáticas, que são utilizadas sem que tenhamos consciência do seu valor metafórico, são designadas por catacreses.




  • Metonímia – consiste em designar uma realidade por meio de uma outra que com ela mantém uma relação objectiva (o continente pelo conteúdo, o lugar pelo produto, o autor pela sua obra).


Exemplos idiomáticos: Beber um copo ( Beber um copo de vinho); Beber um Porto (Beber um cálice de vinho do Porto); Ando a ler Camões (Ando a ler a obra de Camões); Comprei uns ténis (Comprei uns sapatos para jogar ténis.).

Exemplos poéticos: "Os madeireiros trabalham nesta praça contra a clorofila." (Carlos Oliveira);

"O excomungado não tem queda para as letras." (Aquilino Ribeiro).


  • Onomatopeia – consiste na utilização de uma palavra ou de palavras, cujo significante coincide com o significado, isto é, reproduzem sons do mundo físico.


Exemplos: Os verbos que designam as vozes dos animais – cacarejar, pipilar, grasnar, roncar, coaxar...; "Bramindo o negro mar de longe brada" (Camões);

  • Paradoxo – consiste em aplicar a uma mesma realidade termos inconciliáveis, destacando assim a sua complexidade.


Exemplos: "Que puderam tornar o fogo frio" (Camões);

"- Meu amargo prazer, doce tormento!" (Carlos Queirós).


  • Paralelismo – consiste na repetição da mesma estrutura frásica.


Exemplos: "A tua linda voz de água corrente

Ensinou-me a cantar... e essa canção



Foi ritmo nos meus versos de paixão,

Foi graça no meu peito de decrente." (Florbela Espanca)
  • Pergunta retórica – consiste na elaboração de perguntas que não pretendem obter uma resposta, mas sim tornar mais vivo o pensamento através da expectativa que suscita.


Exemplo: "Este inferno de amar – como eu ama! –

Quem mo pôs n'alma... Quem foi?" (Almeida Garrett)

  • Perífrase – consiste em exprimir por diversas palavras o que poderia exprimir-se por uma única.


Exemplos: "Tenho estado doente. Primeiramente estômago – e depois, um incómodo, um abcesso naquele sítio em que levam os pontapés." Eça de Queirós.


  • Personificação – Consiste em atribuir características próprias de pessoas, a animais, coisas ou ideias.

Exemplos: "O vento soluça e geme..." (António Nobre); "O mar, farto do vento sul que o esguedelha e irrita, espoja-se raivoso." (José Loureiro Botas).

  • Pleonasmo – consiste no emprego de uma palavra ou palavras que reforçam uma ideia já expressa.


Exemplos: Entra cá para dentro; "O que me deu a mim alento e esperança" (Camilo).

  • Polissíndeto – consiste na repetição intencional das mesmas conjunções.


Exemplos: "Fui cisne, e lírio, e águia, e catedral..." (Florbela Espanca)

"Ora, há dez anos, neste chão de lava / e argila e areia e aluviões,..." (Cesário Verde)



  • Sinédoque – consiste em tomar todo pela parte, a parte pelo todo, o plural singular, o singular pelo plural. Trata-se de uma variante da metonímia.


Exemplo: "ocidental praia Lusitana" (Camões). Existe aqui uma referência a Portugal.


  • Sinestesia - consiste na fusão de percepções relativas a diferentes sentidos.

Exemplos: "...água de que se exala um hálito verde envolvido nas ondas."(Raul Brandão); "- É noite: e, sob o azul morno e calado.." (Gomes Leal); "... delicioso aroma selvagem." (Almeida Garrett)

Bibliografia consultada:


PINTO, José M. de Castro, PARREIRA, Manuela, LOPES, Maria do Céu Vieira, Gramática do Português Moderno, Plátano Editora, Lisboa 1995.
BERGSTROM, Magnus, Prontuário ortográfico e guia da Língua Portuguesa, Editorial Notícias, Lisboa 1999.






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