Fibromialgia e terapia cognitivo-comportamental: conhecendo para tratar fibromyalgia and cognitive-behavioral therapy: knowing to treat



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FIBROMIALGIA E TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL: CONHECENDO PARA TRATAR

FIBROMYALGIA AND COGNITIVE-BEHAVIORAL THERAPY: KNOWING TO TREAT
Daisy Gonçalves – daisypsicologa@hotmail.com

Maria Lúcia de Paula Tavares de Oliveira – malu.tavares2@hotmail.com

Roselaine Aparecida Ferreira Piani – piani.pisic@yahoo.com.br

Graduandas do Unisalesiano

Prof. Me. Oscar Xavier de Aguiar – Unisalesiano – Oscar.xavier.aguiar@gmail.com






RESUMO
A Fibromialgia é uma síndrome clínica, sua principal característica é a dor musculoesquelética difusa e crônica. Além do quadro doloroso, os pacientes costumam queixar-se de fadiga, distúrbios do sono, rigidez matinal, parestesias de extremidades, sensação subjetiva de edema e distúrbios cognitivos. As estimativas mostram que a fibromialgia está presente em cerca de 2% a 3% da população. O diagnóstico da fibromialgia é essencialmente clínico. O tratamento inclui o medicamentoso com antidepressivos e analgésicos e não medicamentoso, como atividade física e intervenção psicológica. A Terapia Cognitivo-Comportamental leva principalmente em conta a forma como cada um pensa e age perante os acontecimentos do dia a dia. Seu objetivo é ajudar o paciente a aprender novas cognições e estratégias para atuar no ambiente produzindo as mudanças necessárias. Os objetivos da pesquisa foram: conhecer as informações das pessoas com fibromialgia em relação à síndrome e ao seu tratamento; identificar pensamentos automáticos; identificar o conhecimento dos participantes da pesquisa em relação à síndrome e seu tratamento; observar como pensamentos automáticos podem alterar as emoções, elevando o nível de ansiedade, possibilitando um agravamento da dor e apresentar possíveis formas de tratamento. Optou-se pela pesquisa descritiva de caráter qualitativo como abordagem metodológica, pois foi de encontro aos objetivos do estudo, auxiliando na compreensão das percepções que os indivíduos participantes da pesquisa tenham sobre a fibromialgia. O instrumento selecionado para a coleta de dados foi o questionário com questões fechadas de múltipla escolha, visando identificar pensamentos e sentimentos das pessoas com Fibromialgia e quais informações possuem sobre a síndrome. As informações obtidas serão analisadas qualitativamente, objetivando responder ao problema de pesquisa.

Palavras-chave: Fibromialgia. Terapia Cognitivo-Comportamental. Qualidade de Vida.



ABSTRACT
Fibromyalgia is a clinical syndrome which the main feature is the chronic and diffuse musculoskeletal pain. Besides the painful condition, patients often complain of fatigue, sleep disturbances, morning stiffness, abnormal sensation in the extremities, subjective sensation of edema and cognitive disorders. Estimates show that fibromyalgia is present in about 2% to 3% of the population. The diagnosis of fibromyalgia is essentially clinical. The treatment includes medication with antidepressants and analgesics and non-pharmacological, such as physical activity and psychological intervention. The Cognitive-Behavioral Therapy objectify mainly how each one thinks and deals with the events along everyday life. The goal is to help patients to learn new cognitions and strategies in order to act in their lives producing the necessary changes. The research goals were: obtaining information of people with fibromyalgia syndrome in relation to their treatment; identifying automatic thoughts; identifying the knowledge of the patients regarding the syndrome and its treatment; observing how automatic thoughts can change emotions, raising anxiety levels, enabling a worsening of pain and indicating possible ways of treatment. It was chosen the descriptive qualitative research study as a methodological approach, because it was together the objectives of the study, assisting the understanding of the perceptions that individuals participating in the research have about fibromyalgia. The tool selected for collection data was a questionnaire with closed questions multiple choice, to identify thoughts and feelings of people with Fibromyalgia and what information we have about syndrome. The information obtained will be qualitatively analyzed, aiming to answer the research problem.

Keywords: Fibromyalgia. Cognitive-Behavioral Therapy. Quality of Life.


INTRODUÇÃO
A Fibromialgia é uma síndrome clínica, sua principal característica é a dor musculoesquelética difusa e crônica. “Além do quadro doloroso, os pacientes costumam queixar-se de fadiga, distúrbios do sono, rigidez matinal, parestesias de extremidades, sensação subjetiva de edema e distúrbios cognitivos” (HEYMANN et al., 2010, p.57).

Ainda não existe uma causa definida para a síndrome. Porém, “estudos mostram que os pacientes apresentam uma sensibilidade maior à dor do que pessoas sem Fibromialgia” (SOCIEDADE BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA, 2011, p.6). Seria como se o cérebro dessas pessoas interpretasse de forma exagerada os estímulos, ativando todo o sistema nervoso para fazer a pessoa sentir mais dor.

No Brasil, de acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia (2011), as estimativas mostram que a fibromialgia está presente em cerca de 2% a 3% da população.

O diagnóstico da fibromialgia é essencialmente clínico. Alguns exames laboratoriais são solicitados para exclusão de outras condições que apresentam sintomas parecidos aos da fibromialgia ou doenças concomitantes.

O tratamento inclui o medicamentoso com antidepressivos e analgésicos e não medicamentoso, como atividade física e intervenção psicológica, sendo a terapia cognitivo-comportamental o suporte indicado (HEYMANN et al., 2010).

A Terapia Cognitivo-Comportamental leva principalmente em conta a forma como cada um pensa e age perante os acontecimentos do dia a dia. Seu objetivo é ajudar o paciente a aprender novas cognições e estratégias para atuar no ambiente produzindo as mudanças necessárias (SOCIEDADE BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA, 2011).

Os objetivos da pesquisa foram: conhecer as informações das pessoas com Fibromialgia em relação à síndrome e ao seu tratamento; identificar pensamentos automáticos; identificar o conhecimento dos participantes da pesquisa em relação à síndrome e seu tratamento; observar como pensamentos automáticos podem alterar as emoções, elevando o nível de ansiedade, possibilitando um agravamento da dor e apresentar possíveis formas de tratamento.

A pergunta problema que norteou a pesquisa foi: os pensamentos automáticos negativos podem desencadear as crises de Fibromialgia e manter a condição dolorosa?

A hipótese testada foi: os pensamentos desadaptativos tornam os indivíduos com Fibromialgia vulneráveis emocionalmente, possibilitando desencadeamento da dor. Além de servir como estímulo a lembrá-los constantemente da dor, aumentando a tensão muscular e provocando dor adicional.

Optou-se pela pesquisa descritiva de caráter qualitativo como abordagem metodológica, pois foi de encontro aos objetivos do estudo, auxiliando na compreensão das percepções que os indivíduos participantes da pesquisa tenham sobre a Fibromialgia.

O instrumento selecionado para a coleta de dados foi o questionário com questões fechadas de múltipla escolha, ou seja, nelas foi apresentado um conjunto de alternativas de respostas, visando identificar pensamentos e sentimentos das pessoas com Fibromialgia e quais informações possuem sobre a síndrome.

1 REVISÃO DE LITERATURA
Por muito tempo a Fibromialgia foi apresentada sob muitos nomes, incluindo o mais inapropriado, ou seja, fibrosite (CHAITOW, 2002). Durante décadas foi conceituada como distúrbio psicológico ou como síndrome dolorosa regional.

Segundo Heymann et al. (2010), a Fibromialgia é uma das doenças reumatológicas mais comuns, se manifesta principalmente com dor musculoesquelética difusa e crônica, não inflamatória. Sendo esta condição, dolorosa, mas não-deformante.

De acordo com Heymann et al. (2010), os pacientes costumam queixar-se, além da dor, de fadiga, sono não-reparador, rigidez matinal, parestesias de extremidades, sensação subjetiva de edema e distúrbios cognitivos.

Como a Fibromialgia é uma doença em que as sensações são amplificadas, essas queixas são comuns, como se esses pacientes tivessem um controle de volume desregulado e suas percepções exacerbadas.

Segundo Carvalho e Rego (2001), ocorre em cerca de nove mulheres para cada homem, mas acomete, também, crianças, adolescentes, idosos.

No Brasil, de acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia (2011), as estimativas mostram que a Fibromialgia está presente em cerca de 2% a 3% da população.

O diagnóstico da Fibromialgia é essencialmente clínico.

Alguns exames laboratoriais são solicitados para exclusão de outras condições que apresentam sintomas parecidos aos da Fibromialgia ou doenças concomitantes.

Segundo Heymann et al. (2010), as comorbidades mais frequentes apresentadas por esses pacientes são: a depressão, a ansiedade, a síndrome da fadiga crônica, a síndrome miofascial, a síndrome do colón irritável e a síndrome uretral inespecífica.

A estratégia ideal para o tratamento da Fibromialgia requer uma abordagem multidisciplinar.

Segundo o Consenso Brasileiro do Tratamento da Fibromialgia (HEYMANN et al., 2010), o tratamento inclui o medicamentoso com antidepressivos e analgésicos e não-medicamentoso, como atividade física e intervenção psicológica, sendo a terapia cognitivo-comportamental o suporte indicado.
2 A ABORDAGEM COGNITIVO-COMPORTAMENTAL
Consiste em uma abordagem diretiva, objetiva e focal.

O modelo cognitivo sugere que o pensamento distorcido ou disfuncional seja comum a todos os distúrbios psicológicos. Decorrem de um modo distorcido ou disfuncional de perceber os acontecimentos, influenciando o afeto e o comportamento. Segundo Beck (1997), uma avaliação realista e a modificação no pensamento acarreta uma melhora no humor e no comportamento. A melhora permanente resulta das modificações das principais crenças disfuncionais dos pacientes.

Portanto, a base desta terapia é a mudança do comportamento do indivíduo através da modificação de seus pensamentos.

As distorções cognitivas constituem formas de interpretação que beneficiam somente parte das informações que estão disponíveis no meio em que o indivíduo está inserido. Este pode chegar a conclusões falhas uma vez que não se baseia na análise completa das evidências (PEREIRA, PENIDO, 2010).

A dor constante da Fibromialgia é fisicamente limitante, incapacitante e desmoralizante, levando a condições afetivas conflituosas e reduzindo os contatos sociais e pessoais.

O programa de gerenciamento da dor objetiva reduzir as incapacidades e angústias causadas pela dor crônica ensinando aos pacientes técnicas físicas, psicológicas e práticas que melhorem a sua qualidade de vida.

Muitos pacientes quando chegam ao gerenciamento da dor estão incapacitados, tem pouca interação social e expressam raiva. No entanto esta raiva pode não ser evidente.

De acordo com Lipp e Malagris (2013), a raiva é um sentimento de desconforto excessivo resultante da percepção de alguma provocação, seja uma ofensa, um desacordo, mau tratamento, rejeição, agressão, frustração ou desmerecimento. O incômodo experimentado é tão grande que leva a pessoa a querer revidar.

O controle de stress é outro fator importante no gerenciamento da dor.

De acordo com Lipp e Malagris (2013), o stress é uma reação que ocorre diante de alguma coisa boa ou má, que em determinado momento, ultrapasse a capacidade de enfrentamento da pessoa. É uma condição de tensão mental e física que gera um desequilíbrio no funcionamento do organismo e enfraquece o sistema imunológico, deixando a pessoa suscetível a infecções e doenças.

Sofrer de dor crônica é uma experiência estressante e os pacientes com Fibromialgia sentem-se tensos por fatores associados à dor, às relações familiares ruins, ansiedade e têm dificuldade de relaxarem mesmo fatigados.

O estado de dor constante leva ao desenvolvimento de pensamentos negativos que causam o próprio fracasso. Os pacientes acreditam que não conseguem fazer tantas tarefas quanto uma pessoa normal, levando-os a um sentimento de invalidez e desesperança.

De acordo com Chaitow (2002), esses pensamentos empobrecem a confiança do indivíduo e resultam em depressão e consequentemente altera a percepção de dor.

Para Del Prette e Del Prette (2009), o pensar assertivo depende de uma compreensão sobre os direitos e deveres que condizem a cada um dos que estão fazendo parte de uma interação social.

Para pensar assertivamente é importante desenvolver a interdependência, entender o que são direitos e deveres, o que é relevante ou não nos relacionamentos e avaliar as consequências de se comportar assertivamente, fazendo então a sua opção de resposta.

Os pacientes com Fibromialgia, em algum momento, vão experimentar um aumento das dores e uma recaída em suas condições.

De acordo com Lipp e Malagris (2013), a prevenção de recaídas é feita a partir da antecipação de possíveis dificuldades que venham a ocorrer e inclui um planejamento de como o paciente poderá lidar com elas baseado nas habilidades cognitivas e comportamentais desenvolvidas no processo terapêutico.

Ainda que haja um aumento na compreensão desta síndrome, hoje não há cura para o problema.

De acordo com Chaitow (2002), o manejo dos sintomas da Fibromialgia não é a mesma coisa que reabilitação e não modificará os problemas de incapacidade associados a esta condição.

O paciente deve ser encorajado a continuar a ter um estilo de vida independente tanto quanto possível.


3 METODOLOGIA
A pesquisa qualitativa é um processo aberto submetido a vários desdobramentos.

Segundo Lakatos e Marconi (2011), a metodologia qualitativa atenta-se em analisar e interpretar pontos de vista mais profundos, detalhando a complexidade do comportamento humano, fornecendo análise mais detalhada sobre as investigações, hábitos, atitudes, tendências de comportamento etc.

O instrumento selecionado para a coleta de dados foi o questionário, visando identificar pensamentos, sentimentos, vivências e quais conhecimentos os participantes possuem sobre a Fibromialgia.

O Questionário para Avaliação de Conhecimento em Fibromialgia utilizado foi adaptado do Questionário de Conhecimento em Fibromialgia (UNIFESP, 2008) e dividiu-se em duas partes. Na primeira, a identificação do participante: idade, sexo, escolaridade, profissão e quanto tempo possui a síndrome. Na segunda parte, questões relativas ao conhecimento que o participante possui sobre a síndrome, sintomas, tratamento e pensamentos sobre a Fibromialgia.

Após aprovação do projeto pelo Comitê de Ética, parecer nº 774.540, em 27/08/2014, atendendo a Resolução 466/12, iniciou-se o processo.

Para o recrutamento dos participantes da pesquisa, o convite (APÊNDICE A) foi veiculado pela rede social – Facebook nos perfis das pesquisadoras assistentes, identificando o objetivo da pesquisa, a forma de adesão e o critério de inclusão (idade mínima e máxima, sexo e diagnóstico da síndrome), por um período de 10 dias.

Os convites foram aceitos por 20 pessoas do sexo feminino. Agendaram-se datas e locais das entregas dos termos de consentimento e os questionários, através de um portador.

As respostas foram analisadas considerando-se o critério de múltipla escolha. Sendo que, em oito perguntas, solicitou-se assinalar uma resposta correta; em cinco perguntas solicitaram-se duas alternativas corretas e duas perguntas solicitaram-se três alternativas corretas. Portanto o número de respostas foi acima do número de sujeitos.

Na questão um, dez participantes assinalaram causa desconhecida e dezessete consideraram que vários fatores podem estar associados à causa da Fibromialgia.

Na questão dois, doze participantes marcaram sono que não descansa e dezoito, dores difusas como principais sintomas.

Na questão três, dezenove participantes assinalaram cansaço ou fadiga como sintoma presente e uma participante não respondeu.

Na questão quatro, dezoito participantes consideraram importante realizar consulta médica, com história e exame físico do paciente e quinze marcaram que, às vezes, é necessário pedir exames para excluir outras doenças de acordo com a avaliação médica. Duas não responderam a essa questão.

Na questão cinco, dezessete mulheres assinalaram que se pode melhorar através de medicação correta e dos exercícios orientados e catorze que podem ter dificuldade, mas conseguem trabalhar.

Na questão seis, quinze mulheres consideraram analgésicos e antidepressivos como medicamentos mais indicados no tratamento. Cinco participantes não responderam a essa questão.

Na questão sete, dezesseis participantes marcaram que os antidepressivos em doses baixas são utilizados no tratamento. Quatro participantes não responderam a essa questão.

Na questão oito, quinze mulheres assinalaram os exercícios físicos regulares e analgésicos quando sentirem dor; catorze marcaram fazer terapia psicológica, se necessário, e atividade física regular; dezessete consideraram fazer atividade física regular, como caminhada ou hidroginástica associada a antidepressivo em baixa dose como melhores associações de tratamento para a Fibromialgia.

Na questão nove, dezessete participantes marcaram que os exercícios físicos podem aumentar os níveis de serotonina, diminuir a dor e melhorar o estado físico geral. Três participantes não responderam.

Na questão dez, dezessete mulheres consideraram que os exercícios físicos devem ser realizados, pelo menos, três vezes por semana. Três participantes não responderam.

Na questão onze, dezoito participantes responderam que a melhor maneira de um paciente com Fibromialgia se exercitar são os exercícios de condicionamento, como caminhada regular e hidroginástica. Duas participantes não responderam.

Na questão doze, dezesseis mulheres assinalaram que fazer pausas durante as atividades do dia é a melhor maneira de conservar a energia. Quatro participantes não responderam a essa questão.

Na questão treze, dezenove participantes marcaram fazer planejamento das atividades do dia, descansando entre as tarefas e catorze assinalaram ter horário regular para dormir como outras maneiras de conservar energia.

Na questão catorze, dezesseis participantes responderam que, em alguns casos, pode ser necessária a terapia psicológica além do tratamento convencional. Quatro participantes não responderam a essa questão.

Na questão quinze, dezoito participantes assinalaram sentir desânimo; quinze sentem tristeza; sete sentem esperança; seis sentem desesperança e quatro sentem raiva.

Para Leahy (2006) o pressuposto em que se orienta a terapia é que a interpretação que o indivíduo faz de um acontecimento determina como ele se sente e como se comporta. Os pensamentos e sentimentos são fenômenos distintos, mas interagem. O paciente que ainda não foi treinado não consegue perceber a diferença entre pensar e sentir, nem identificar os pensamentos associados aos sentimentos, considerando pensamentos e fatos como sendo a mesma coisa.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia (2011) a interpretação da dor no cérebro sofre muitas influências, inclusive das emoções. As emoções positivas, como alegria e felicidade, podem diminuir a dor e as negativas, como tristeza e infelicidade, podem aumentar o desconforto. Sendo assim, os pacientes com a síndrome que não estiverem sendo bem tratados do quadro depressivo apresentarão níveis aumentados de dor.

A terapia cognitivo-comportamental ao enfatizar especificamente a reestruturação cognitiva, torna-se de utilidade inequívoca para o tratamento da raiva por trabalhar a modificação das crenças irracionais e nas distorções de interpretação sobre si mesmo, dos fatos e do mundo ao seu redor.

Segundo Watson (2002), o estado de dor constante leva ao desenvolvimento de pensamentos negativos que causam o próprio fracasso. Os pacientes acreditam que não conseguem fazer tantas tarefas quanto uma pessoa normal, levando-os a um sentimento de invalidez e desesperança. De acordo com Chaitow (2002), esses pensamentos empobrecem a confiança do indivíduo e resultam em depressão e consequentemente altera a percepção de dor.

Esses pacientes precisam ser estimulados a identificar esses pensamentos negativos, substituí-los por cognições mais adaptativas e a identificar quais pensamentos o levam a ações positivas auxiliando-o a administrar sua condição e quais o conduzem à depressão.

Os sentimentos de desânimo, desesperança, raiva e tristeza são originados de pensamentos desadaptativos segundo Pereira e Penido (2010).

A maioria das participantes demonstraram pensamentos desadaptativos em suas respostas. Entretanto, sete delas, responderam sentir esperança, demonstrando assertividade. Para Del Prette e Del Prette (2009), o pensar assertivo depende de uma compreensão sobre os direitos e deveres que condizem a cada um dos que estão fazendo parte da interação social.

As participantes demonstraram conhecimentos adequados quanto à síndrome e suas formas de tratamento multidisciplinar.

De acordo com Chaitow (2002), o manejo dos sintomas da Fibromialgia não é a mesma coisa que reabilitação e não modificará os problemas de incapacidade associados a esta condição.

Ainda que haja um aumento na compreensão desta síndrome, hoje não há cura para o problema.

O paciente deve ser encorajado a manter um estilo de vida independente.

Propõe-se, como intervenção, a criação de um grupo terapêutico, semanal, com o objetivo de informar o participante sobre sua condição clínica, utilizando-se de literatura científica para capacitá-lo no que diz respeito aos sintomas, diagnóstico e possíveis tratamentos.

A aplicação das técnicas cognitivo-comportamentais, com o intuito de promover reestruturação cognitiva, possibilita que o participante questione sua maneira de pensar a respeito da sua condição, promovendo-se assim, a correção dos erros de pensamentos e crenças distorcidas.

Além de, a atuação do grupo, possibilitar interação com outras pessoas na mesma condição, troca de vivências, desvio de foco e estimulá-los a ter um estilo de vida saudável e independente.

CONCLUSÃO
Os dados do presente estudo corroboram com a revisão bibliográfica que, de acordo com Chaitow (2002) os pensamentos de invalidez e desesperança comprometem a confiança do indivíduo e resultam em depressão e, consequentemente, altera a percepção de dor. Ainda, segundo Watson (2002), o estado de dor constante leva ao desenvolvimento de pensamentos negativos que causam o próprio fracasso, confirmando as recaídas. Respondendo assim a pergunta problema que norteou a pesquisa: os pensamentos automáticos negativos podem desencadear as crises de Fibromialgia e manter a condição dolorosa?

Com a aplicação do questionário foi possível avaliar o conhecimento das participantes sobre a Fibromialgia e seu tratamento, sendo que as mesmas demonstraram conhecimentos adequados quanto à síndrome e suas formas de tratamento multidisciplinar. Bem como, observou-se que os pensamentos automáticos negativos podem tornar o paciente vulnerável emocionalmente.

De acordo com Beck (1997), os pensamentos automáticos são geralmente breves e frequentemente o paciente está mais ciente da emoção que sente em decorrência do pensamento do que do pensamento em si. Justificando ter sido solicitado às participantes assinalarem o que sentiam, visto que, de acordo com Leahy (2006) é um problema comum, no começo, o paciente não ser capaz de identificar os pensamentos associados aos sentimentos. Nas respostas das participantes com relação aos sentimentos experimentados quando pensam em Fibromialgia, confirmou-se a hipótese de que os pensamentos automáticos, além de servirem como estímulo a lembrá-las constantemente da dor, estes podem aumentar a tensão muscular, provocando dor adicional, mantendo-se assim a condição dolorosa. Estando assim, de acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia (2011) ao salientar que a interpretação da dor no cérebro sofre muitas influências, inclusive das emoções. As emoções positivas podem diminuir a dor e as negativas, podem aumentar o desconforto.

Observou-se, também, que sete participantes responderam sentir esperança, demonstrando assim, habilidades assertivas em lidar com a síndrome.

Quanto aos objetivos que foram propostos considerou-se que foram alcançados satisfatoriamente.

Considerando-se que, ainda, não há cura para a Fibromialgia, o conhecimento adquirido nessa pesquisa, mostrou que as terapias existentes para o tratamento da síndrome são de fundamental importância e resultam em efeitos satisfatórios para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas.

Espera-se que esta pesquisa contribua com os profissionais da psicologia, de modo a conhecerem ou ampliarem seus conhecimentos.

Sugere-se que, os assuntos aqui tratados, abram espaço para discussão de novos questionamentos, novas abordagens e novos estudos sobre o tema, contribuindo, dessa forma, para o crescimento humano e profissional do psicólogo.



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Universitári@ - Revista Científica do Unisalesiano – Lins – SP, ano 5., n.10, jan/jul de 2014



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