Departamento de taquigrafia, revisão e redaçÃO



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CÂMARA DOS DEPUTADOS




DEPARTAMENTO DE TAQUIGRAFIA, REVISÃO E REDAÇÃO
NÚCLEO DE REDAÇÃO FINAL EM COMISSÕES
TEXTO COM REDAÇÃO FINAL
TRANSCRIÇÃO IPSIS VERBIS

CPI - TRÁFICO DE ARMAS

EVENTO: Audiência Pública

N°: 1792/05

DATA: 10/11/2005

INÍCIO: 10h57min

TÉRMINO: 15h53min

DURAÇÃO: 04h55min

TEMPO DE GRAVAÇÃO:04h54min

PÁGINAS: 161

QUARTOS: 59



DEPOENTE/CONVIDADO – QUALIFICAÇÃO




CARLOS TADEU TASSO – Delegado da Polícia Federal.

VITÓRIO FERIOTTI JÚNIOR – Preso pela Polícia Federal de São Paulo na operação Chumbo Grosso II.



ANTÔNIO ARGEMIRO MAIA – Preso.

RICARDO CASTILHO DE MORAES HERRERA – Preso.



SUMÁRIO: Tomada de depoimentos.



OBSERVAÇÕES




Há palavras ininteligíveis.

Há intervenções fora do microfone. Inaudíveis.

Há orador não identificado.

A reunião foi suspensa e reaberta.

O SR. PRESIDENTE (Deputado Moroni Torgan) - Havendo número regimental, damos início à 44ª reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito destinada a investigar as organizações criminosas do tráfico de armas.

Queremos agradecer desde já a presença do Dr. Carlos Tadeu Tasso, nosso convidado, Delegado da Polícia Federal, Chefe da Delegacia de Repressão ao Tráfico Ilícito de Armas da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo. Agradecemos a V.Sa. e ao seu superintendente por liberar V.Sa. para estar aqui conosco e prestar essa prestimosa colaboração a esta CPI.

Convido V.Sa. a tomar assento à mesa. (Pausa.)

Mais uma vez, Dr. Tasso, agradecemos a presença de V.Sa. aqui conosco; eu, particularmente, por ser um colega. Vou deixar a palavra franqueada a V.Sa. pelo tempo que desejar, para fazer uma exposição destas últimas operações, especialmente dessa em que nós temos os presos, e dessas últimas que aconteceram também agora em São Paulo, onde houve apreensão de grande quantidade de armas.



Tem V.Sa. a palavra.

O SR. CARLOS TADEU TASSO - É um prazer estar aqui também e, em nome do Superintendente da Polícia Federal em São Paulo, sempre que houver necessidade de qualquer esclarecimento público no interesse do nosso País, estaremos à disposição para tanto. Bem, eu pretendo aqui fazer algumas observações a respeito desse trabalho que vem sendo desenvolvido na operação Chumbo Grosso, mas, antes disso, eu gostaria de deixar esclarecido que a nossa experiência nessa área vem da criação da Delegacia de Combate ao Tráfico de Armas, que é uma criação muito recente. A Delegacia de Combate ao Tráfico de Armas foi criada para dar respaldo ao Estatuto do Desarmamento, que é a Lei nº 10.826, que veio reprimir com mais eficácia e com mais rigor o porte, a posse e o comércio de armas e munições ilegais. Então, a Delegacia de Combate ao Tráfico de Armas da Superintendência Regional de São Paulo foi criada em meados do ano de 2004 e entrou em efetivo exercício em dezembro próximo passado do mesmo ano. Ali, nós começamos um trabalho, eu, mais um colega, um outro Delegado, o Dr. Pereira, um escrivão de Polícia Federal e dois agentes. Esse era o nosso efetivo de uma delegacia de combate ao crime de tráfico de armas. Cinco pessoas, cinco policiais. Em janeiro, no mês seguinte à criação da delegacia, a nossa delegacia de Marília remeteu uma informação à Coordenação de Brasília de combate ao tráfico de armas, dando notícia de que um apenado que se encontrava na Penitenciária de Iperó estaria coordenando o tráfico de armas oriundas do Paraguai e de dentro da cadeia. O Dr. Cordeiro, que é o Coordenador da Divisão em Brasília, me contatou e discutimos a respeito de montar uma operação no sentido de averiguar essa informação que Marília tinha remetido e que não tinha origem, essa informação. Era uma informação praticamente, vamos dizer, anônima. Eu expliquei que as condições nossas, ali, eram um pouco pessoal, mas que, de qualquer maneira, nós tínhamos que começar um trabalho. E resolvemos assumir isso e passar a investigar essa quadrilha. Desta pessoa que nós começamos a investigar nós só tínhamos o apelido e a penitenciária onde ela cumpria a pena. O apelido dele era Javali. Mais tarde, com o andamento das investigações, nós o identificamos e descobrimos o número de telefone celular que ele utilizava dentro da cadeia. O nome dele nós descobrimos, chamava-se Francisco José Ananias Nogueira, vulgo Javali, Bicho do Mato ou Gordo. Descobrimos também que a informação procedia, pois, logo nas primeiras fases da investigação, percebemos que ele era membro da facção criminosa denominada Primeiro Comando da Capital, o PCC. O inquérito que investigava essa quadrilha foi então instaurado. Uma vez ocorrendo a procedência da informação, foi instaurado esse inquérito para investigar e aprofundar as investigações e, mais tarde, desarticular essa quadrilha. Durante as investigações, surgiram outras pessoas envolvidas nessa quadrilha. Entre elas, a esposa do Javali, a Eliana, que, do lado de fora da cadeia, era responsável pelo gerenciamento das armas e das munições comercializadas clandestinamente pelo Javali. Com essa descoberta, verificamos que, entre as armas do arsenal do Javali gerenciado pela Eliana, havia uma arma pesadíssima, e que essa arma havia sido introduzida no Brasil por uma pessoa que vive no Paraguai, em Salto del Guairá, de nome Mário Cuevas. É um paraguaio, a especialidade dele é a receptação de carros roubados no Brasil. Essa arma entrou pelo rio, atravessou o rio que divide o Brasil do Paraguai, e foi transportada para São Paulo por 4 mulheres, que nós não chegamos a identificar. Mas descobrimos que essa arma foi desmontada, cada uma delas levou uma parte, e viajaram de ônibus. Para montar essa arma, na chegada, em São Paulo, precisou-se de um especialista. E nós acompanhamos esses contatos com esse especialista, que verificamos mais tarde chamar-se Gordinho. E ficou nisso. O Gordinho compareceu a um local, onde a Eliana pré-combinou com ele, para montar essa arma. E foi aí que nós descobrimos o local onde estava... com esse encontro, para a montagem da arma, é que nós descobrimos o local onde estava armazenado todo esse acervo. Nós preparamos a primeira operação, o primeiro desencadeamento da operação Chumbo Grosso, a Chumbo Grosso Fase I. Foi quando nós prendemos a Eliana, e iniciou-se, então, outro inquérito, que foi o Inquérito nº 3, de 2005, com a apreensão de diversas armas, dos mais variados calibres, diversas munições, dos mais variados calibres. Inclusive, essa arma ponto 30 que havia sido mandada para o Brasil pelo Mário Cuevas, ali no Paraguai. Com essa prisão, como ela ocorreu em São Paulo, o juiz que estava acompanhando as investigações declinou competência para a Justiça Federal de São Paulo. O juiz anterior era o juiz de Sorocaba, da circunscrição onde se encontrava a penitenciária de Iperó. Essa mudança de juízo acarretou atraso nas investigações de aproximadamente 25 dias, quase 1 mês. Com isso, os meios que nós utilizávamos para investigação sofreram um determinado prejuízo e por isso nós perdemos o contato do Gordinho, que havia surgido como um especialista em armas, e de uma outra pessoa que poucos dias antes de a Eliana ser presa havia entrado em contato com ela se dizendo intermediário de um bom fornecedor de armamento também do Paraguai. Essa pessoa era o Vítor — é o que está aí hoje para prestar esclarecimentos. Nós perdemos contato com ele também por causa dessa mudança de instância lá na Justiça. Com toda a parte formal reajustada na Justiça Federal de São Paulo, nós prosseguimos na investigação. Foi então que nós recuperamos a linha de investigação no Vítor e, através do Vítor, nós descobrimos que ele tinha ligações com o Toninho, que por sua vez tinha ligações com diversas pessoas no Estado de São Paulo ligadas à prática de tiro — armeiros, policiais e gente do submundo também, bandidos. O Vítor, diga-se de passagem, era foragido da cadeia de Jundiaí por tráfico de drogas. O Toninho era balconista numa loja de armas na Capital de São Paulo, situado na Av. Cásper Líbero. E por ele ser balconista nessa loja de armas, ele possuía esses contados que eu falei. Ele conhecia policiais que procuravam a loja, ele conhecia bandidos que eram indicados a ele através do Vítor. Ele procurava o Vítor, o Vítor procurava por ele para colocar qualquer arma que possuía, ou munição de uso não permitido, através do câmbio negro no mercado. Em um desses contatos do Toninho, uma outra pessoa... Como o Toninho conhecia todo esse pessoal ligado a armas, inclusive armeiros, surgiu um armeiro de nome Francisco, apelido Chico, que foi preso ontem por nossa delegacia com mais de 200 armas na oficina de manutenção. Mas vou me deter ao caso de hoje, aqui. Esse Chico encomendou a Toninho 18 revólveres e 1 pistola, não estou bem lembrado. E o Toninho transmitiu essa encomenda ao Vítor, vendo se o Vítor poderia satisfazer essa encomenda. E Vítor saiu em campo e realmente conseguiu essas armas encomendadas por Toninho para serem entregues ao Chico. Com essa oportunidade que nós tínhamos de, em primeiro lugar, prender o Vítor, porque era foragido, e em segundo lugar, de tirar essas armas de circulação, montamos a operação Chumbo Grosso Fase II, na qual o Vítor compareceu a essa loja de armas com uma caixa contendo as armas encomendadas por Toninho. Na entrega das armas a Toninho, eles sofreram a prisão. Com a prisão dos dois, foram desencadeadas buscas na residência do Vítor e, na casa dele, foram encontradas mais outra dezena de armas de diversos calibres, além de documentos dele e em nome de várias outras pessoas e produtos de roubo — colete da Polícia Civil, sinalizador luminoso de veículo. Em poder dele foi apreendido um veículo que ele adquiriu através de fraude, de empréstimo de pessoas fictícias. E por haver suspeita de que as armas estavam sendo comercializadas pelo Toninho clandestinamente, por haver suspeita de que aquela loja de arma poderia estar envolvida, foi feita uma busca na loja de arma também, e ali foram apreendidas diversas pistolas, carabinas. Porque, no momento da averiguação, da legalidade dessas armas, o proprietário dessa loja não apresentou documentação competente para respaldar o depósito dessas armas ali. No entanto, esse inquérito que averiguou a legalidade dessas armas foi instaurado separadamente, porque não havia um vínculo patente do Toninho balconista ali com o envolvimento do proprietário da loja. No entanto, sob o balcão onde o Toninho exercia seu comércio ilegal, após as buscas que foram feitas na casa dele, ele resolveu confessar que ele havia escondido ali 2 armas e 1 caixa de munição de uso restrito, que naquele dia ele iria comercializar. Essa caixa de munição foi apreendida então, e essas armas também. Mas essas armas eram completamente diferentes das armas que estavam depositadas nessa loja de arma, por isso que não houve o vínculo. E ele também eliminou de qualquer suspeita o patrão dele ali na loja de arma. Essa prisão dos 2 gerou então o Inquérito nº 8, de 2005, e talvez por esse motivo os 2 estejam aqui. É importante ressaltar que as investigações em torno do Toninho nos levaram à identificação de um sargento da Polícia Militar e de outros membros que participam no mundo das armas aí, que eram...

O SR. DEPUTADO PAULO PIMENTA - Delegado, por gentileza.

O SR. CARLOS TADEU TASSO - Pois não.

O SR. DEPUTADO PAULO PIMENTA - Aqui, Deputado Paulo Pimenta ao seu lado, o Relator. Essa prisão que foi feita ontem é desse pessoal a que o senhor está-se referindo agora?

O SR. CARLOS TADEU TASSO - Não, eu estou chegando neles. Nós descobrimos a presença do sargento através do Toninho e de..

O SR. DEPUTADO PAULO PIMENTA - Quando o senhor estava falando numa hora, o senhor falou assim: foram encontradas numa oficina nossa... Eu entendi mal ou o senhor disse assim?

O SR. CARLOS TADEU TASSO - Numa oficina...

O SR. DEPUTADO PAULO PIMENTA - O senhor falou num Chico aí.

O SR. CARLOS TADEU TASSO – Isso, porque o Chico... Eu quis dizer o seguinte: o Toninho, por ele ser um balconista numa loja de armas...

O SR. DEPUTADO PAULO PIMENTA - Perfeito. O Chico quem é? Não entendi.

O SR. CARLOS TADEU TASSO - O Chico é um armeiro. Foi preso ontem também. Na oficina de manutenção de armas, onde ele exercia a atividade dele, foram apreendidas quase 200 armas.

O SR. DEPUTADO PAULO PIMENTA - Está certo. Esse Chico, só para eu...

O SR. CARLOS TADEU TASSO - Pois não.

O SR. DEPUTADO PAULO PIMENTA - É o Francisco Romeiro Filho, é isso?

O SR. CARLOS TADEU TASSO - Isso.

O SR. DEPUTADO PAULO PIMENTA - Ele não é policial.

O SR. CARLOS TADEU TASSO – Não, ele é armeiro. Foram presos ontem.

O SR. DEPUTADO PAULO PIMENTA - Rua Alvarenga Peixoto, Vila Anastácia.

O SR. CARLOS TADEU TASSO – Isso, essa é a oficina. Tem o endereço dele também.

O SR. DEPUTADO PAULO PIMENTA - Perfeito.

O SR. CARLOS TADEU TASSO - Rua Santo Ubaldo é o endereço da casa dele.

O SR. DEPUTADO PAULO PIMENTA – Desculpe-me atrapalhar seu raciocínio, mas é só para eu não perder o meu aqui.

O SR. CARLOS TADEU TASSO - Pois não.

O SR. DEPUTADO PAULO PIMENTA - Perfeito.

O SR. CARLOS TADEU TASSO - É que eu ia chegar na ligação deles todos. Então, como eu havia dito, o Toninho, por exercer essa atividade ali no comércio de armas legais, ele também adquiriu conhecimento para ter a chance de praticar o comércio ilegal também, porque ali, dirigiam-se, como já expliquei, os ramos mais diversificados da sociedade que possuíam arma ou gostavam do esporte, precisavam de munição, precisavam de uma peça, alguma coisa assim. Entre essas pessoas que o procuravam, havia um sargento, o Sargento Mauro, da Polícia Militar de São Paulo. E, investigando também as atividades do Toninho, surgiu um outro esportista na área de tiro, inclusive ele se autodenominava campeão paulista de tiro, que é o Ricardo Castilho. Após a prisão do Vítor e do Toninho, as investigações prosseguiram em cima dessas pessoas que, nós descobrimos, faziam contato com ele. E o Castilho se revelou um... ele recarregava cartuchos para tiro ao alvo, mas não se restringia a recarregar esses cartuchos para a prática de tiro ao alvo, do qual ele era praticante. Mas ele vendia uma parte dessa fabricação, vamos dizer assim, de cartuchos para sobreviver, porque não apuramos nenhuma atividade lícita e formal durante o tempo em que estivemos investigando-o. E a prisão dele culminou com uma entrega, um transporte, vamos dizer assim, de 4.500 cartuchos de munição ponto 40 a um major que possuía uma empresa de treinamento em tiro. Ele dá treinamento para policiais, dá treinamento para grupos que trabalham em segurança, por todo o Brasil. E, com o transporte dessa munição, ele não poderia fazer isso, o Castilho. E ele foi preso no estacionamento do Shopping Center Norte, em São Paulo, local onde ele deveria fazer a entrega dessa munição ao coronel da reserva da PM do Rio Grande do Sul. Ele foi preso ali com 4.500 cartuchos, como já disse, de munição ponto 40. É uma munição de uso restrito, e, por isso também, ele está preso. E parece-me que está aqui convocado também. Com a prisão do Castilho, as investigações retornaram a uma outra pessoa que surgiu do relacionamento do Toninho, que é o Sargento Mauro. Então, investigando as atividades do Sargento Mauro, nós chegamos a uma pessoa de nome Anderson. O Anderson possuía contatos no Rio de Janeiro e as munições de Fuzil 762223 eram levadas por ele para o Rio de Janeiro para serem fornecidas a facções criminosas daquele Estado ali. E essa munição e a arma que ele levava para o Rio de Janeiro eram fornecidas a ele pelo Sargento Mauro e por um ex-soldado da Polícia Militar, que foi preso ontem também, de nome Júlio Oliviere. O Anderson foi preso em Volta Redonda com cerca de... não me lembro a quantia exata, mas tinha quase mil munições de fuzil e uma metralhadora de fabricação caseira, que existem fortes indícios de ter sido montada na oficina desse armeiro aqui, do Chico, porque ele tinha material para isso ali. Ele tinha 12 tornos, mais ou menos, ali, na oficina dele, e tinha uma boa linha de montagem e material para isso. E o Anderson, então, foi preso em Volta Redonda usando uma farda do Exército. Ele estava com a esposa dele. E, por coincidência — aqui eu vou abrir um detalhe da investigação, mas eu acho que nessa altura não vai ter muito prejuízo —, nós descobrimos que o Anderson estava envolvido com as facções do crime organizado porque, com a prisão da Eliana, um dos telefones que eram usados por ela foi parar nas mãos dele. Quando nós passamos a monitorar o telefone dele nós verificamos que era um telefone que já tinha sido usado pela Eliana, aquela que foi presa inicialmente com o arsenal do PCC, gerenciado por ela. Com a prisão do Anderson, nós voltamos à carga novamente para cima do Mauro, que nós verificamos que tinha potencial para nos levar a outra linha da investigação, para descobrir de onde poderiam estar saindo as armas. A munição, nós tínhamos idéia, porque ele fazia contatos com pessoas do submundo, que ainda estão para serem descobertas, mas fazia contatos também com membros da própria corporação, tanto da reserva quanto da ativa. E uma dessas pessoas que ele fazia contato, da corporação, era um major da reserva, o Major José de Angeles; um ex-policial militar, o nome de Júlio, que já havia fornecido a munição para ele entregar ao Anderson, mais um sargento da reserva, de nome Jerônimo Moreira, e...

O SR. DEPUTADO PAULO PIMENTA - Delegado, permita-me interrompê-lo novamente.

O SR. CARLOS TADEU TASSO - –Pois não.

O SR. DEPUTADO PAULO PIMENTA - O Anderson foi preso numa barreira...

O SR. CARLOS TADEU TASSO - Da Polícia Rodoviária.

O SR. DEPUTADO PAULO PIMENTA - Ele já estava sendo monitorado por vocês?

O SR. CARLOS TADEU TASSO - Ele estava sendo monitorado para a gente. Quando ele saiu para o Rio de Janeiro, nós não tínhamos condições de saber em que carro ele iria e quando ele foi. Quando ele saiu para o Rio de Janeiro... nós ficamos sabendo, ele já tinha saído. Então, não tivemos tempo de interceptar a saída dele, e quando descobrimos que ele tinha sido preso pela Polícia Rodoviária Federal, foi uma surpresa e um alívio ao mesmo tempo.

O SR. DEPUTADO PAULO PIMENTA - Ele já vinha sendo monitorado. Então, não...

O SR. CARLOS TADEU TASSO - Não, ele já estava sob investigação.

O SR. DEPUTADO PAULO PIMENTA - Já estava sob investigação?

O SR. CARLOS TADEU TASSO – Estava, estava. Inclusive, ele mantinha tratativas com o Mauro para fazer essa viagem. Nós sabíamos que ele ia viajar, mas não tínhamos como monitorar essa saída, porque ele não tinha sido localizado. Nós sabíamos da existência dele, sabíamos de tudo que ele planejava...

O SR. DEPUTADO PAULO PIMENTA - Ele tinha uma ligação com o Toninho, ele tinha.

O SR. CARLOS TADEU TASSO – O Anderson?

O SR. DEPUTADO PAULO PIMENTA - É.

O SR. CARLOS TADEU TASSO - O Anderson não consta. Quem tinha ligação com o Toninho era o Mauro.

O SR. DEPUTADO PAULO PIMENTA - Em depoimento que ele deu aqui para nós...

O SR. CARLOS TADEU TASSO – Ah, ele pode... Talvez, talvez.

O SR. DEPUTADO PAULO PIMENTA - Eu não sei até que ponto também...

O SR. CARLOS TADEU TASSO - É.

O SR. DEPUTADO PAULO PIMENTA - Porque...

O SR. CARLOS TADEU TASSO - Pode ser através do Mauro que ele tinha conhecimento com o Toninho; o Mauro, com certeza.

O SR. DEPUTADO PAULO PIMENTA - No depoimento que...

O SR. CARLOS TADEU TASSO - Ele também?

O SR. DEPUTADO PAULO PIMENTA - ... ele prestou para nós, ele relatou a seguinte situação: que o pai dele tinha um negócio de bilhar e de forró...

O SR. CARLOS TADEU TASSO - É o Arlindo. Arlindo, o pai dele.

O SR. DEPUTADO PAULO PIMENTA - ... e lá ele conheceu o Toninho. E foi lá na loja...

O SR. CARLOS TADEU TASSO - Speratti.

O SR. DEPUTADO PAULO PIMENTA - Speratti, na Cásper Líbero, foi lá que ele... Foi o Toninho que pegou o carro dele, que carregou... Foi o Toninho, não é? Em todo o depoimento dele aqui, ele entregou o Toninho.

O SR. CARLOS TADEU TASSO - Ele ficou com medo do Mauro, então.

O SR. DEPUTADO PAULO PIMENTA - Eu acho que é bastante provável.

O SR. CARLOS TADEU TASSO - Ele está com medo do Mauro, então, porque se o... Tem um detalhe aqui que eu até já discuti com o Dorneles...

O SR. DEPUTADO PAULO PIMENTA - Tem o depoimento do Anderson lá.

O SR. CARLOS TADEU TASSO - ... o depoimento do Anderson aqui, quase que ele atrapalhou esse trabalho de ontem, bastante, porque a esposa do Anderson voltou para São Paulo e disse que o Anderson tinha prestado depoimentos aqui. Falou para o pai dele, o Arlindo — ela chama de “os caras” aqui —, que todos “os caras” aqui conheciam o Mauro, conheciam o Toninho, tinham o nome de todos eles, e estava todo mundo sob investigação. Aí, quando nós soubemos disso, nós falamos: “Poxa, então nós não vamos ser felizes no final aqui”, porque estávamos preparando as prisões deles todos, como foi feito ontem. Mas, felizmente, eles ficaram temerosos. Mas eu acho que eles não acreditaram muito que teriam a prisão decretada. De todos eles aqui, desses 6 que estavam sob investigação, realmente não escapou nenhum. Por isso eu acho que ele mandou avisar o Mauro, de medo do Mauro, eu não sei.

O SR. DEPUTADO PAULO PIMENTA - Talvez ele tenha entregado o Toninho, porque o Toninho já estava preso.

O SR. CARLOS TADEU TASSO - Exatamente. É isso o que eu estou imaginando aqui.

O SR. DEPUTADO PAULO PIMENTA - É o raciocínio...

O SR. CARLOS TADEU TASSO - Porque eu não acho que os senhores sabiam da existência desse pessoal de ontem. Ele pode ter entregue espontaneamente eles e depois mandado a mulher dele dizer para os outros que vocês já sabiam disso com medo de represália. Eu estou imaginando isso.

O SR. DEPUTADO PAULO PIMENTA - Depois eu quero mostrar para o senhor outro depoimento que nós temos aqui, que talvez tenha algum tipo de informação que possa ser útil inclusive para o trabalho que vocês estão fazendo.



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