Departamento de odontologia



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4. Definição do Problema
Primando-se pela consideração feita por COELHO DE SOUZA (2005), “O processo de sedentarização, a introdução de novos alimentos e a política de assalariamento podem estar influenciando, negativamente, o perfil de saúde bucal da população, principalmente, dos mais jovens [...]”, há de se preocupar enfaticamente acerca do nível de situação bucal encontrada nos Wajãpi.

A tendência é que, se não traçarem estudos epidemiológicos sistemáticos e gradativos, o quadro de saúde bucal será alarmante, trazendo uma ameaçadora impossibilidade de minimizar os problemas e agravos prevalentes de acometimento na cavidade oral.

Faz-se mister a elaboração de um estudo acerca da situação do atendimento ofertado aos Wajãpi, com o intuito de obter subsídios reais de um banco de dados que permita elaborar estratégias que tragam resolutividade e ganho de qualidade geral no quesito saúde bucal da população Wajãpi.

III. OBJETIVOS

Os objetivos deste estudo se fundamentam da seguinte maneira:



  • Identificar a Atenção em Saúde Bucal ofertada à população indígena Wajãpi;

  • Descrever a situação de cárie dentária, utilizando os índices CPO-D e ceo;

  • Analisar a necessidade de prótese dentária da população Wajãpi.


IV. MATERIAL E MÉTODO

A metodologia utilizada deteve-se na análise dos dados coletados dentro do Programa de atenção e assistência odontológica preconizado pela FUNASA durante os anos 2004 e 2005.

O conteúdo deste estudo dispõe de informações gerais sobre a população, o processo e a evolução do atendimento odontológico anteriormente utilizado, para poder descrever a forma de trabalho realizado e dar continuidade na atualização e pormenorização da assistência odontológica aos Wajãpi.

Os dados foram obtidos a partir dos prontuários odontológicos dos pacientes atendidos pelos profissionais responsáveis pela região da Terra indígena Wajãpi. Originalmente, as informações provieram de exames realizados exclusivamente pelo CD e anotados pela ACD.

As informações foram extraídas dos prontuários, ordenados e tabulados de forma a esclarecer os principais procedimentos individuais e coletivos realizados entre os anos de 2004 e 2005, associando os atendimentos a grupos etários e de gênero específicos. As informações evidenciam conteúdo relativo ao quantitativo populacional, procedimentos odontológicos individuais, levantamento de necessidade de prótese dentária, CPO-D e ceo, bem como atividades odontológicas coletivas.

Da ficha odontológica de cada paciente atendido, foram anotados dados pessoais (sexo, localidade, idade, e filiação) e dados clínico-odontológicos (odontograma, evolução de tratamento realizado).

Para a elaboração da situação de cárie dentária foi utilizado, segundo regras da Organização Mundial de Saúde – OMS, o índice CPO-D, para os dentes permanentes e ceo para os dentes temporários/decíduos. O índice CPO-D foi feito com modificação, levando-se em consideração 28 dentes (até o 2° molar) para arcada permanente.

Especial atenção foi direcionada nos levantamentos de quantitativo populacional e procedimentos odontológicos individuais, explicitando os números para a população em geral, bem como para a população contida na faixa etária de 0 a 14 anos.

Nos levantamentos de CPO-D, ceo e de necessidade de prótese dentária, a ordenação dos dados foi feita conforme o elenco de faixa etária preconizado pelas Diretrizes para a atenção em saúde bucal (FUNASA, 2004). Os levantamentos serão referenciados num primeiro momento evidenciando a população global, e em seguida estratificando as faixas etárias de 5 e 12 anos preconizadas pela OMS como padrão para ceo e CPO-D e, por fim, explicitando os dados da faixa etária de 0 a 14 anos.

Nos levantamentos de CPO-D, ceo e de necessidade de prótese dentária, foi utilizado como critério de exclusão os pacientes que não dispõem de dados de data de nascimento (faixa etária ignorada), bem como os pacientes que procedem de outro país (Guiana Francesa) ou de outra etnia indígena.


V. RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.1 Atenção em saúde bucal da população Wajãpi
5.1.1 Descrição dos Serviços de Saúde Bucal
A dinâmica dos serviços de saúde bucal aos indígenas se dá através do sistema de atendimento por escala. A equipe de saúde bucal, composta por um CD e uma ACD, cumpre as atividades a que se prestam por um escala que compreende 30 dias seqüenciados de atendimento em área indígena. A logística de deslocamento e dormitório é da competência da FUNASA. Uma vez chegada a equipe em área ou em qualquer aldeia, a mesma mobiliza a comunidade no intuito de repassar as estratégias de ação. Inicialmente, a equipe direciona uma assistência centrada em visitas domiciliares, acompanhadas de distribuição de escova e creme dental, buscando incentivar a troca da escova antiga por uma nova, bem como a coleta de tubos de creme dental vazios, a fim de serem incinerados ou levados para depósito sanitário. Em um segundo momento, geralmente 24 horas depois, é disponibilizado o atendimento odontológico individual, o qual é executado ao ar livre, em abrigos ou alojamentos, porém sem energia elétrica ou cadeira odontológica. Para uma estratégia de ação ser finalizada em cada aldeia, geralmente uma atividade coletiva (palestra) é feita ou durante as visitas domiciliares ou em outra data pré-determinada, na qual orientações em português ou traduzidas para o dialeto local com o auxílio dos AIS são passadas à comunidade. As orientações abordam temas de cunho educativo-preventivo em saúde bucal, culminando em escovação supervisionada e fluoretação em massa.

Conforme o cronograma de ações e escalas, a maioria das aldeias tem a visita da equipe de saúde bucal por 3 vezes durante o ano. Ressalta-se que as aldeias de difícil acesso somente são contempladas com visitas quando as condições de logística e operacionalidade são extremamente favoráveis, episódio que ocorre geralmente uma vez ao ano.


5.1.2 Atendimentos individuais e atividades coletivas em Saúde Bucal
A descrição do atendimento odontológico realizado pela equipe de Saúde Bucal para a população Wajãpi refere-se aos anos 2004 e 2005. Nestes anos, a assistência odontológica foi feita pela mesma equipe de saúde bucal, sendo que em 2004 atuou em 3 escalas e em 2005 em 4 escalas. No cronograma de todas as escalas foi inserida a execução de atendimentos individuais e atividades coletivas em saúde bucal.

A estratégia do atendimento odontológico individual ocorre de duas formas, após a chegada da equipe a aldeia: por demanda espontânea, na maioria dos casos com queixa de odontalgia, ou por agendamento, quando a comunidade comparece ao chamado feito pela equipe de saúde bucal.

O atendimento clínico individual abrange procedimentos básicos de assistência tais como adequação do meio bucal com ARTs, exodontias, pequenas restaurações que não necessitem de energia elétrica, pulpectomias, raspagens periodontais e aplicação tópica de flúor. Os tratamentos que requerem especialidades de dentística, periodontia, endodontia e reabilitação são referenciados para o tratamento na capital do Amapá.

Salienta-se que todos os procedimentos seguem regras das diretrizes de saúde bucal e os mesmos são lançados em fichas odontológicas dos pacientes, inclusive a entrega de escova e creme dental que também é efetuada durante o tratamento individual, caso o paciente não tenha participado das reuniões coletivas de educação em saúde bucal.

Os atendimentos individuais contam com o apoio dos AIS das aldeias visitadas, através de organização dos serviços de seleção ou o chamamento das famílias para o atendimento.

A fim de se obter uma interpretação ampla dos dados obtidos das fichas odontológicas, seguiu-se o critério das diretrizes de saúde bucal, sendo discriminados através de faixas etárias e de gênero (TAB. 1, 2, e 3).


5.1.2.1 População Wajãpi e atendimento odontológico
Houve um crescimento populacional entre os anos de 2004 e 2005 na ordem de 4,4%, ressaltando que cerca de 56% da população Wajãpi encontra-se entre as faixas de 0 a 14 anos, nos anos de 2004 e 2005 (TAB. 1 e 2).

TABELA 1


População por faixa etária e sexo – 2004


FAIXA ETÁRIA

SEXO Mas.

SEXO Fem.

Total

%

<1 ano

29

21

50

7,2

1 a 4

63

64

127

18,2

5 a 9

61

68

129

18,5

10 a 14

45

41

86

12,3

15 a 19

38

40

78

11,2

20 a 29

50

52

102

14,7

30 a 39

29

23

52

7,5

40 a 49

16

15

31

4,5

50 a 59

11

10

21

3,0

> 60 anos

12

8

20

2,9

TOTAL

354

342

696

100,0

Fonte: Fichas odontológicas do DSEI Amapá e norte do Pará


TABELA 2

População por faixa etária e sexo – 2005




faixa etária

SEXO Mas.

SEXO Fem.

Total

%

<1 ano

41

30

71

9,8

1 a 4

65

62

127

17,4

5 a 9

58

72

130

17,9

10 a 14

40

43

83

11,4

15 a 19

41

35

76

10,4

20 a 29

55

54

109

15,0

30 a 39

28

27

55

7,5

40 a 49

18

16

34

4,7

50 a 59

13

9

22

3,0

> 60 anos

12

9

21

2,9

TOTAL

371

357

728

100,0

Fonte: Fichas odontológicas do DSEI Amapá e norte do Pará

Em 2004, houve atendimento de 66,1% da população cadastrada no censo do SIASI, ao passo que em 2005 obteve-se um aumento de atendimento para 87,1% (GRAF.1).

GRÁFICO 1 – População Wajãpi e atendimento odontológico em 2004 e 2005

Fonte: Fichas odontológicas do DSEI Amapá e norte do Pará
Em 2004, a população atendida de 0 a 14 anos contava com 238 (51,7%) dos 460 pacientes atendidos, ao passo que em 2005 evoluiu para 340 (53,6%) dos 634 atendidos (TAB. 3).

Em 2004, 61% da população de 0 a 14 anos foi atendida. Já em 2005, teve um percentual de atendimento elevado para 83%. Trata-se de índices menores que o alcançado pela população geral atendida em ambos os anos.

TABELA 3

População atendida por faixa etária - 2004 e 2005




FAIXA ETÁRIA

2004

2005



%



%

<1 ano

2

0,4

14

2,2

1 a 4

72

15,6

116

18,3

5 a 9

101

22

129

20,3

10 a 14

63

13,7

81

12,8

15 a 19

57

12,4

66

10,4

20 a 29

73

15,9

103

16,2

30 a 39

39

8,5

55

8,7

40 a 49

23

5

30

4,7

50 a 59

17

3,7

20

3,2

> 60 anos

13

2,8

20

3,2

TOTAL

460

100,0

634

100,0

Fonte: Fichas odontológicas do DSEI Amapá e norte do Pará


Em ambos os anos, a faixa etária de maior contingente populacional e de maior atendimento foi a de 5 a 9 anos, sendo que em 2004 contava com 18,5% da população e 22,0% dos pacientes atendidos, ao passo que em 2005 contava com 17,9% da população e 20,3% dos pacientes atendidos.

Em 2004, houve 704 atendimentos, ao passo que em 2005 realizaram-se 1808 atendimentos, expressando um aumento quantitativo da ordem de 256,82% (TAB. 4 e 5).

Em 2004, houve predomínio expressivo de atendimento de pacientes que tiveram 1 atendimento ao ano, ao passo que em 2005 a prevalência foi de pacientes que tiveram 2 atendimentos ao ano, porém com nivelamento percentual aproximado dos pacientes que tiveram 2, 3 e 4 atendimentos ao ano.

Em termos percentuais, houve elevação da ordem de 86,3% na média de atendimentos de 2004 para 2005.

Salienta-se que o preconizado pelas diretrizes de atenção à saúde bucal indígena é de 4 atendimentos por pessoa, durante o ano.
TABELA 4

Atendimento clínico individual da população – 2004






ATENDIMENTO (vezes)

Total de pessoas atendidas

Total de atendimentos

1

N° pessoas atendidas

460

704

2

AT. 1 vez

262

262

3

AT. 2 vezes

156

312

4

AT. 3 vezes

39

117

5

AT. 4 vezes

2

8

6

AT. 5 vezes

1

5

7

AT. 6 vezes

0

0

8

AT. 7 vezes

0

0




MÉDIA:1,53

Fonte: Fichas odontológicas do DSEI Amapá e norte do Pará


TABELA 5

Atendimento clínico individual da população – 2005






ATENDIMENTO (vezes)

Total de pessoas atendidas

Total de atendimentos

1

N° pessoas atendidas

634

1808

2

AT. 1 vez

118

118

3

AT. 2 vezes

163

326

4

AT. 3 vezes

147

441

5

AT. 4 vezes

135

540

6

AT. 5 vezes

48

240

7

AT. 6 vezes

18

108

8

AT. 7 vezes

5

35




MÉDIA:2,85

Fonte: Fichas odontológicas do DSEI Amapá e norte do Pará


A população atendida de 0 a 14 anos em 2004 obteve em média 1,48 atendimentos, média aquém da população geral atendida em 2004, que é de 1,53 atendimentos (TAB. 4 e 6). Salienta-se que a população atendida de 0 a 14 anos obteve cerca de 50,1% dos atendimentos em 2004.

O mesmo fato ocorreu em 2005, tendo obtido a população atendida de 0 a 14 anos 2,69 atendimentos, ao passo que a população geral atendida obteve cerca de 2,85 atendimentos (TAB. 5 e 7). Salienta-se que a população atendida de 0 a 14 anos obteve cerca de 50,5% dos atendimentos em 2005.


TABELA 6

Atendimento clínico individual da população de 0 a 14 anos – 2004






ATENDIMENTO (vezes)

Total de pessoas atendidas

Total de atendimentos

1

N° pessoas atendidas

238

353

2

AT. 1 vez

138

138

3

AT. 2 vezes

85

170

4

AT. 3 vezes

15

45

5

AT. 4 vezes

0

0

6

AT. 5 vezes

0

0

7

AT. 6 vezes

0

0

8

AT. 7 vezes

0

0




MÉDIA:1,48

Fonte: Fichas odontológicas do DSEI Amapá e norte do Pará


TABELA 7

Atendimento clínico individual da população de 0 a 14 anos – 2005






ATENDIMENTO (vezes)

Total de pessoas atendidas

Total de atendimentos

1

N° pessoas atendidas

340

914

2

AT. 1 vez

72

72

3

AT. 2 vezes

100

200

4

AT. 3 vezes

70

210

5

AT. 4 vezes

66

264

6

AT. 5 vezes

25

125

7

AT. 6 vezes

6

36

8

AT. 7 vezes

1

7




MÉDIA:2,69

Fonte: Fichas odontológicas do DSEI Amapá e norte do Pará

5.1.2.2 Número de escovas e cremes dentais distribuídos
Em 2004, houve 525 escovas e cremes dentais distribuídos para uma população de 696 pessoas, ao passo que em 2005 realizaram-se 1375 distribuições para 728 pessoas, expressando um aumento quantitativo da ordem de 261,90% (TAB. 8).

TABELA 8

Distribuição de escova e creme dental - 2004 e 2005


DISCRIMINAÇÃO

2004

2005



Escovas distribuídas

Média de escova/creme por hab./ano



Escovas distribuídas

Média de escova/creme por hab./ano

População Total

696

525

0,75

728

1375

1,89

População 0 a 14 anos

392

270

0,69

411

700

1,7

Fonte: Fichas odontológicas do DSEI Amapá e norte do Pará

Em 2004, houve predomínio expressivo de pacientes que receberam escova e creme dental 1 vez ao ano, ao passo que em 2005 a prevalência foi de pacientes que receberam 2 vezes ao ano. Em 2005, houve um nivelamento percentual aproximado dos pacientes que receberam 1, 2 e 3 vezes ao ano, principalmente na população atendida de 0 a 14 anos.

Em termos percentuais, houve elevação da ordem de 152% na distribuição de escova e creme dental para a população total, entre 2004 e 2005.

Salienta-se que o preconizado pelas diretrizes de atenção à saúde bucal indígena é a distribuição de 4 escovas e cremes dentais por pessoa, durante o ano.

5.1.2.3 Aplicação tópica de flúor (ATF)


As aplicações tópicas de flúor ocorrem em dois momentos: durante o atendimento odontológico individual e durante as atividades coletivas com escovação supervisionada. Para uma compreensão geral, as aplicações encontram-se totalizadas em cada ano e depois estratificadas oportunamente em atividades individuais e coletivas.

Em 2004, houve 513 ATFs, ao passo que em 2005 realizaram-se 1374 ATFs, expressando um aumento quantitativo da ordem de 267,83% (TAB. 9).

Considerando o número populacional de cada ano, em 2004 houve uma média 0,74 ATF por habitante, ao passo que em 2005 a média foi de 1,89 ATF, evidenciando um aumento percentual da ordem de 155%.
TABELA 9

Aplicação tópica de Flúor - 2004 e 2005






Discriminação

2004

2005

1

População geral

696

728

2

Aplicações individuais e coletivas de flúor

513

1374

3

Média de ATF

0,74

1,89

Fonte: Fichas odontológicas do DSEI Amapá e norte do Pará


5.1.2.4 Procedimentos odontológicos em atendimento clínico individual
Em 2004, houve a realização de 1397 procedimentos para 460 pessoas atendidas, obtendo uma média de 3,04 procedimentos por paciente e em 2005 houve a realização de 2846 procedimentos para 634 pessoas atendidas, obtendo uma média de 4,49 procedimentos por paciente (TAB. 10).

Em 2004, para uma população de 696 pessoas, houve 460 aberturas e preenchimentos de prontuários e 460 pacientes atendidos, ao passo que em 2005, para uma população de 728 pessoas, houve 208 aberturas e preenchimentos de prontuários e 634 pacientes atendidos. Depreende-se que 426 pacientes que foram atendidos em 2004 retornaram para serem atendidos em 2005.

TABELA 10

Procedimentos odontológicos em atendimento clínico individual - 2004 e 2005






ATENDIMENTO CLÍNICO INDIVIDUAL

Atendimentos ano 2004

Atendimentos ano 2005

1

N° pessoas atendidas

460

634

2

ABER. PRONTUÁRIO

460

208

3

RASPAGEM

82

76

4

ATF

185

769

5

ART

315

633

6

REP. ART

72

171

7

SELANTE

12

14

8

RESINA

0

14

9

AMALGAMA

0

66

10

1º FASE

35

333

11

P. PARCIAL

1

5

12

P. TOTAL

0

1

13

EXO GERAL

134

252

14

EXO DEC.

62

110

15

EXO PER.

66

98

16

EXO R.R.

6

44

17

SUTURA

81

183

18

PRESCRIÇÃO

18

115

19

PULPOTOMIA

0

4

20

OUTROS

2

2

Total de procedimentos

1397

2846

Fonte: Fichas odontológicas do DSEI Amapá e norte do Pará


Em 2004, o procedimento clínico realizado em maior quantidade foi a adequação do meio bucal com ART, totalizando 387 ARTs, sendo 72 repetições. No ano de 2005 evidenciou-se o mesmo fato, porém em quantidade expressivamente maior, totalizando 804810cal com ART, totalizando 388to, bem como os pacientes ARTs, sendo 171 repetições.

Em 2004, o segundo procedimento clínico realizado em maior quantidade foi a aplicação tópica de flúor nas arcadas, totalizando 185 ATFs feitas em 174 dos 460 pacientes em geral que vieram para atendimento, gerando uma média de 1,06 aplicações. Em 2005, seguiu-se o mesmo fato, porém em maior quantidade, obtendo 769 ATFs feitas em 486 dos 634 pacientes, gerando uma média de 1,58 aplicações.

Em 2005, foi incorporada uma equipe de saúde multidisciplinar de assistência, contando com a inserção de um odontólogo atendendo em nível ambulatorial, na capital do estado. O referido odontólogo tem a incumbência de promover assistências básica, restauradora e reabilitadora para os pacientes que se encontram na CASAI, bem como para os que foram referenciados das aldeias para as especialidades. Os procedimentos obtidos foram de 66 obturações em amálgama e 14 em resina fotopolimerizável;

Em 2004, 35 pacientes (5,03% da população) concluíram FASE I de atendimento odontológico, obtendo controle da infecção intrabucal e apta para receber procedimentos restauradores e reabilitadores representativos respectivamente das FASES II e III de atendimento.

Já em 2005, 333 pacientes (45,74% da população em 2005) concluíram a FASE I de atendimento odontológico.

Ao final de 2005, somando-se as pessoas que obtiveram conclusão de Fase I nos anos de 2004 e 2005, obtêm-se 50,5% da população (368 pessoas) apta a receber a FASE II e FASE III, por ventura haja necessidade.

Em 2004, houve a confecção de 1 prótese parcial removível e em 2005 a confecção de 5 próteses parciais removíveis e 1 prótese total removível.

5.1.2.5 Procedimentos cirúrgicos


Os dados sobre procedimentos cirúrgicos foram estratificados em exodontia de dente decíduo, exodontia de dente permanente, exodontia de resto radicular e sutura. Salienta-se que a sutura foi executada conforme a conveniência de cada caso cirúrgico (GRAF. 2).

Em 2004, houve 134 exodontias, sendo a maioria de dente permanente com 66 extrações, ao passo que em 2005 houve um aumento para 252 exodontias sendo a maioria de dente decíduo com 110 extrações, seguido de 98 exodontias de permanente e um aumento considerável de 6 para 44 exodontias de resto radicular do ano de 2004 para 2005.

Considera-se o aumento do número de exodontias devido ao fato de maior contingente populacional ser atendido em 2005, porém, a evidência do maior aumento proporcional de exodontias de restos radiculares entre os dois anos sugere que a população está tendo maior adequação do meio oral.

Nos dois anos, a população de 0 a 14 anos foi responsável por cerca de 51% das exodontias, abrangendo cerca de 99% das exodontias de dente decíduo, bem como cerca de 14% das exodontias de dente permanente.

O procedimento cirúrgico de exodontia está elencado como o terceiro procedimento clínico realizado em maior quantidade em 2004 e 2005.


GRÁFICO 2 – Procedimentos cirúrgicos

Fonte: Fichas odontológicas do DSEI Amapá e norte do Pará


5.1.2.6 Atividades coletivas em saúde bucal
As atividades coletivas em saúde bucal contemplam reuniões e palestras com as comunidades, visitas domiciliares e aplicação de flúor em escovação supervisionada (GRAF. 3). Em 2005, houve onveniado. tratamento executado na capital Macapobturados.2,7 dos pacientes com odontogramas em geral foi de superação de todas as atividades coletivas exercidas em área indígena, em comparação a 2004: aumento de 31% no número de reuniões e palestras; aumento de 94% no número de participantes nas reuniões e palestras; aumento de 100% no número de visitas domiciliares; aumento de 84% no número de pessoas que receberam aplicação tópica de flúor realizada durante as escovações coletivas ocorridas nas atividades preventivo-educativas.

GRÁFICO 3 – Atividades odontológicas coletivas

Fonte: Fichas odontológicas do DSEI Amapá e norte do Pará
5.2 Situação da cárie dentária na população Wajãpi (CPO-D e ceo)
5.2.1 Perfil etário da população e de pacientes com odontograma em 2005
Para o universo de 728 indígenas há 611 prontuários com odontograma e levantamento de CPO-D e ou ceo realizados até o final de 2005, demonstrando uma cobertura documental de 83,9% da população (GRAF. 4).

A faixa etária com maior quantitativo de odontogramas realizados é a de 1 a 4 anos com 122 pacientes, seguida da faixa de 5 a 9 anos com 120 pacientes.

O quantitativo de pacientes de 0 a 14 anos (338 pacientes) perfaz cerca de 55,3% dos pacientes com odontograma, o que encontra aproximação equivalente no quantitativo de habitantes de 0 a 14 anos em 2005, com 411 pessoas (56,4% da população).

GRÁFICO 4 – Perfil etário da população e de pacientes com odontograma em 2005

Fonte: Fichas odontológicas do DSEI Amapá e norte do Pará
5.2.2 Média de CPO-D e ceo por faixa etária em 2005
Os resultados encontrados para CPO-D e ceo foram estipulados através de média (GRAF. 5).

A média de CPO-D dos pacientes apresentada nesta pesquisa foi de 11,11. O componente C (cariado) é responsável por cerca de 68,04% do índice. Já o componente P (perdido) é responsável por 30,10%, ao passo que o componente O (obturado) representa 1,86% do índice.

O CPO-D médio aos 12 anos nesta pesquisa foi de 7,82.

O ceo médio aos 5 anos nesta pesquisa foi de 8,96.

A faixa etária < de 1 ano apresentou ceo 0,0 devido ao fato dos pacientes apresentarem poucos dentes eruídos e todos hígidos.

Para fins de referenciais comparativos, é importante ressaltar o índice de CPO-D mundial, nacional, regional e de área indígena:

A OMS preconiza como meta de alcance de saúde bucal para o ano 2000 o CPO-D 3,0 aos 12 anos;

Segundo levantamentos do Ministério da Saúde - MS (2003), o Brasil apresentou CPO-D médio de 2,78 e para a região norte o de 3,13. Já o índice ceo aos 5 anos para o Brasil foi de 2,8 e para a região norte foi de 3,22.

Segundo o Perfil epidemiológico de saúde bucal do Brasil 1986-1996 obtido por RONCALLI (1996), o CPO-D médio do Brasil foi de 6,65 e para a região norte foi de 7,5.

O único referencial de CPO-D da área indígena Wajãpi está lançado no estudo de COELHO DE SOUZA (2005), evidenciando um CPO-D médio geral da população de 8,17.




GRÁFICO 5 – Média de CPO-D e ceo por faixa etária em 2005 na população Wajãpi

Fonte: Fichas odontológicas do DSEI Amapá e norte do Pará


Para melhor compreensão, os componentes do CPO-D e ceo foram estratificados em termos absolutos.

Há 4618 dentes cariados para um universo de 551 pacientes, com uma média de 8,4 dentes cariados por paciente. Trata-se de 90,2% dos pacientes. Depreende-se que, do universo geral dos pacientes apenas 60 (9,8%) estão livres de cárie.

Foram perdidos 2043 dentes permanentes para um universo de 261 pacientes, numa média de 7,8 elementos dentais perdidos por paciente. Tal evidência perfaz 42,7% dos pacientes com odontograma.

Foram obturados 126 elementos dentais de um universo de 75 pacientes, numa média de 1,7 elementos dentais obturados por paciente, denotando que 12,3% dos pacientes possuem um ou mais elementos dentais obturados. Salienta-se que não há consultório odontológico em área indígena e as restaurações são executadas manualmente através de escarificação e adesivação de resina ou ionômero, quando não proveniente de tratamento executado na capital Macapá, em consultório odontológico conveniado.


5.3 Levantamento de necessidade de prótese dentária
Para o levantamento de necessidade de prótese dentária, foi levado em consideração o número de pacientes que foram atendidos e que tinham odontograma, em específicos 611 pacientes. Desse quantitativo, levantou-se o número de pacientes que já possuem algum dente permanente na cavidade oral, ou seja, pacientes com idade igual ou superior a 6 anos, obtendo 447 pacientes. Desse universo, foi apurado o número de pacientes que tinham uma ou mais falhas de dentes permanentes nas arcadas, perfazendo 261 pacientes. Resolveu-se determinar a população alvo com necessidade de prótese, adotando os seguintes critérios de inclusão:

  • Pacientes que necessitem de reabilitação com finalidade estética (principalmente falha de dente anterior, devido ao constrangimento social)II II E FASE IIIsegunda fasese. Salienta-se que determinado contingente desses pacientes (adolescentes) está em idade de crescimento das arcadas dentárias, mas com necessidade de reabilitação estética;

  • Pacientes que tenham perdido pelo menos 5 dentes permanentes.

O quantitativo de pacientes com perfil para receber prótese dentária foi de 153 pacientes.

Fez-se o levantamento da necessidade de obtenção e uso de 220 próteses dentárias para os 153 pacientes, discriminadas segundo o tipo e ordem quantitativa decrescente: 130 PPS, 68 PPI, 17 PTS e 5 PTI (GRAF. 6).

Para fins de esclarecimento de análise percentual, 58,4% (261) dos pacientes com idade igual ou superior a 6 anos apresentam uma ou mais falhas de dentes permanentes nas arcadas. Destes, 58,6% (153) correspondem ao perfil estipulado para receber prótese. Depreende-se que os 153 pacientes correspondem a 34,2% dos pacientes com idade igual ou superior a 6 anos.

GRÁFICO 6 – Necessidade de prótese dentária

Fonte: Fichas odontológicas do DSEI Amapá e norte do Pará

VI. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

Observa-se que a população indígena Wajãpi está sendo assistida em maior amplitude no seguir dos anos, passando de 66% dos habitantes atendidos em 2004 para cerca de 87% em 2005, mesmo considerando que se trata de uma comunidade com hábitos de mudanças territoriais sazonais.Trata-se de uma população que procura atendimento quando a assistência odontológica está oportunamente disponível e acessível. A atenção à saúde indígena disponibilizada pelo governo federal aborda uma cobertura diferenciada em relação à odontologia, através de estratégias e logísticas que viabilizem o acesso para o atendimento em área indígena. Em termos práticos, a assistência é fornecida precariamente no nível básico, com dificuldades operacionais de acesso, cobertura e atenção.

Apesar das evidências evolutivas em termos de atenção e considerando a peculiar prática em área indígena, os resultados deste estudo apontam claramente para um quadro de deterioração das condições de saúde bucal, tendo como exemplo o fato de 90% dos pacientes serem acometidos de cárie dental (doença de maior prevalência), bem como 58% dos pacientes com idade ≥ 6 anos já apresentam uma ou mais falhas de dentes permanentes nas arcadas. Conclui-se que o nível de assistência até então obtido está aquém do preconizado pelas diretrizes elencadas pela FUNASA para uma assistência odontológica adequada.

Considerando que o contingente populacional abrangido pela faixa etária de 0 a 14 anos corresponde a cerca de 56% das pessoas, tal faixa deve ser considerada como um público mais prevalente no alvo de atuação e atenção odontológica e em específico a faixa de 5 a 9 anos, pelo fato de apresentar dentição mista.

Considerando-se que mais de 50% da população já alcançou a FASE I de atendimento odontológico, é necessário evoluir para atingir os patamares ideais de assistência. Recomenda-se planejar uma assistência integral continuada que contemple parceria de ações educativo-preventivas juntamente com a promoção da fase curativa e reabilitadora dos pacientes. Para tanto, há de se estabelecer uma estratégia de atuação que concilie uma adaptada e expressiva educação em saúde bucal, aplicando em cartilhas, palestras, oficinas e visitas domiciliares os conhecimentos e hábitos culturais indígenas acerca de higiene corporal e oral, bem como permitir o acesso da população aos procedimentos restauradores e reabilitadores que um consultório odontológico possa proporcionar em área indígena.

Recomenda-se incutir na população, de forma diuturna, conceitos acerca de promoção de saúde bucal, em especial aos AIS que são profissionais exclusivos para prestar auxílio para a saúde dos indígenas. Nesse âmbito, deve ser levada em conta uma estratégia de uma abordagem universal (social, antropológica e de saúde) com fins a inibir o expressivo aumento no consumo de alimentos industrializados, incluindo açúcar refinado e outros produtos de alto potencial cariogênico. Segundo ARANTES (1998), o incremento no consumo está associado à presença de novas fontes de renda tais como salários e pensões e à maior facilidade de acesso aos núcleos urbanos regionais.

É de extrema necessidade e recomenda-se que as estratégias elaboradas exclusivamente para assistência odontológica indígena sejam executadas ininterruptamente com o desejável ajuste de ações operacionais, de logística e de cunho coletivo que confluam para uma assistência garantida e de qualidade.

Segundo NARVAI (1992), [...] a integralidade da atenção à saúde exige então que, além da indispensável assistência aos doentes, sejam desenvolvidas, ao mesmo tempo, ações destinadas a impedir o aparecimento de doenças, diminuindo a magnitude da assistência necessária [...] São as chamadas ações coletivas em saúde.



Contato: kleberrc@ig.com.br

VII. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARANTES, Rui. Saúde bucal de uma comunidade indígena Xavante do Brasil Central: uma abordagem epidemiológica e bioantropológica. Dissertação (Mestrado em Saúde Pública) – Escola Nacional de Saúde Pública / Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 1998.
BRASIL. Decreto n. 1.775 de 24 de maio de 1996. Dispõe sobre a homologação da Terra Indígena Wajãpi/AP. Diário Oficial da União, 1996.
COELHO DE SOUZA, T. A Etnografia Wajãpi/AP do processo saúde-doença: um enfoque odontológico. Dissertação(Mestrado em Saúde Coletiva), Faculdade de Odontologia, Universidade Federal de Minas Gerais, 2005 75p. il.
FERREIRA, L.B. Ações de saúde bucal do subsistema de saúde indígena, Brasília, 2005 (mimeo).
Fundação Nacional de Saúde. Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas. Brasília, FUNASA/ Departamento de Saúde Indígena, 2002. 40p.
______________________________. Ações para atenção à saúde bucal nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas. Brasília, FUNASA/ Departamento de Saúde Indígena. 2003. 200p.
______________________________. Diretrizes para a atenção em saúde bucal nos distritos sanitários especiais indígenas/DSEI. Brasília, FUNASA/ Departamento de Saúde Indígena, 2004 (mimeo) 38p.
______________________________. Distritos Sanitários Especiais Indígenas. Disponível em < www.funasa.gov.br.htm>. Acesso em Dez. 2005.
______________________________. Censo Populacional Indígena Wajãpi 2005. FUNASA/SIASI, 2005.

GALLOIS, D.T. O Movimento na cosmologia Wajãpi: criação e transformação do universo. 1988. Tese (Doutorado em Antropologia Social), Universidade de São Paulo, São Paulo, 1988.


Guerra, M.A. Mapa da cárie dentária entre índios brasileiros. Ação Coletiva, Brasília, Ano 1, V.1, N°:44-46, abr/jun. 1998.
GEA. Governo do Estado do Amapá, Mapa do Estado. Disponível em www.gea.gov.br/mapas.htm. Acesso em Dez. 2005.
ISA. Instituto Socioambiental. Povos indígenas no Brasil, Disponível em . Acesso em 10 Ago. 2004.
MS. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Projeto SB Brasil 2003: condições de saúde bucal da população brasileira 2002-2003. Secretaria de atenção à saúde – Departamento de atenção básica – Brasília: MS 2004. 68p. il.
NARVAI, P. C. Saúde bucal: assistência ou atenção? Oficina do grupo de trabalho odontologia em SILOS - Sistemas Locais de Saúde. 1992. Rede CEDROS (mimeo).
RONCALLI, A.G. Levantamentos epidemiológicos em saúde bucal no Brasil. In: ANTUNES, JLF: PERES, M.A.A. Epidemiologia da saúde bucal. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. p. 32-48.igicoLI, A.G. Perfil epidemiolados

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