Construindo a educação e saúde para mulheres do Grupo de Dança de Laranjeiras-se



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Torales, A. P. B., Vieira, I. S. & Oliveira, C. C. da C. Promoção de sáude bucal


de crianças e adolescentes: experiência interdisciplinar no programa saúde escola
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Promoção de saúde bucal de crianças e adolescentes:
experiência interdisciplinar no programa saúde na escola

Oral health promotion of children and adolescents:
interdisciplinary experience on health program in school

Relato de Experiências Profissionais
Andréia Poschi Barbosa Torales1

Igor Soares Vieira2

Cristiane Costa da Cunha Oliveira3

Resumo

O objetivo desse estudo foi apresentar o relato de experiência interdisciplinar com metodologia de intervenção grupal e avaliação de risco em saúde bucal no Programa Saúde nas Escolas em Aracaju, durante o período de março a junho de 2012. Participaram 351 alunos de duas escolas municipais. A proposta foi desenvolvida em três etapas: intervenção grupal, avaliação de risco em saúde bucal e atividades educativas participativas. A intervenção grupal foi determinante para obtenção de menor resistência e aceitação por parte dos alunos à avaliação em saúde bucal. Os resultados da avaliação bucal apontaram que a maioria dos escolares participantes foi classificada com risco alto para doenças bucais, independentemente do sexo, faixa etária ou da escola. A experiência interdisciplinar relatada foi uma ferramenta fundamental para inclusão de crianças e adolescentes em atividades de promoção, prevenção e atenção à saúde. Sugere-se continuidade do programa para mudança na situação de saúde dos escolares.




Palavras-chave:
Promoção da Saúde; Interdisciplinaridade; Intervenção Grupal.
Abstract

The aim of this study was to present the report of the interdisciplinary experience with the methodology of group intervention and risk evaluation in oral health within the Health Program in Schools of Aracaju from March to June 2012. 351 students from two municipal schools participated. The proposal was developed in three stages: group intervention, risk evaluation in oral health, and participatory educational activities. The group intervention was crucial for obtaining lower resistance and acceptance by the students in relation to the evaluation in oral health. The results of the oral evaluation suggest that most students were classified as high risk for oral diseases, regardless of sex, age, or school. The reported interdisciplinary experience was an essential tool for the inclusion of children and adolescents in activities of health promotion, prevention, and care. Continuity of the program is suggested for the change in the health situation of the students.


Keywords: Health Promotion; Interdisciplinarity; Group Intervention.


INTRODUÇÃO
O Programa Saúde na Escola (PSE) foi instituído em 2007 sendo resultado da parceria entre os ministérios da Saúde e da Educação, decreto nº 6286/07. Esse programa tem como finalidade reforçar a prevenção à saúde dos alunos brasileiros e construir uma cultura de paz nas escolas, estando estruturado em blocos, incluindo a avaliação das condições de saúde, saúde bucal e a avaliação psicológica do estudante, além da abordagem de prevenção e promoção da saúde (Brasil, 2007).

O PSE implica compromisso e corresponsabilidade, tendo os serviços de saúde, a escola e a comunidade como parceiros. Este programa visa a otimizar recursos locais para consolidar união entre setores e instituições, priorizando o desenvolvimento de ações de prevenção, proteção da saúde e promoção do bem estar comum (Moretti et al., 2010).

O PSE em Aracaju foi delineado pela Secretaria Municipal de Aracaju, por meio da elaboração de projeto. As propostas deste pautam sobre a avaliação da saúde bucal e ações de promoção da saúde com previsão de parcerias para execução dessas ações (Sergipe, 2008). A parceria realizada entre o PSE e o curso de odontologia da Universidade Tiradentes (UNIT) se iniciou em 2011, com desenvolvimento de educação em saúde e avaliação em saúde bucal, por meio de atividades práticas. Observou-se em realizações práticas, desenvolvidas no primeiro semestre, que as crianças e adolescentes possuíam certa resistência quando o assunto era sobre saúde bucal e o profissional cirurgião-dentista. No entanto, a intervenção grupal surgiu como uma ferramenta importante para o diálogo entre os escolares e psicólogos sobre suas dúvidas, receios e a importância de cuidados especiais com a boca. Esse tipo de intervenção é uma metodologia participativa que facilita a aproximação das vivências do grupo, viabilizando a busca de soluções para os problemas de saúde bucal de forma interdisciplinar (Santos & Assis, 2006).

Um estudo desenvolvido em Aracaju, com 42 representantes da comunidade Farolândia, mostrou como é eficaz a utilização de metodologia participativa para diagnosticar os problemas de saúde (Santa Rosa, Vargas, Melo, & Oliveira, 2010). Algumas pesquisas com experiências de intervenção grupal do comportamento têm demonstrado que essa prática pode gerar bons resultados em programas de saúde e melhoria do apoio social (Peterson, 2007; Santos, Da Ros, Crepaldi, & Ramos, 2006). A escolha da utilização de metodologia participativa no Programa de Saúde na Escola, no município de Aracaju, incluiu a saúde bucal numa proposta interdisciplinar e de intervenção grupal para que pudesse exercer papel facilitador na aprendizagem dos conceitos e de apoio social entre os participantes (Silveira, Oliveira, Vescovi, Feres, & Baptistini, 2008). Desta forma, o objetivo foi apresentar o relato de experiência interdisciplinar com metodologia de intervenção grupal e avaliação de risco em saúde bucal no Programa Saúde nas Escolas, no município de Aracaju no período de março a junho de 2012.


METODOLOGIA
Esse estudo foi realizado em duas escolas municipais da rede de ensino de Aracaju, Sergipe, cadastradas no Projeto Saúde nas Escolas (PSE), desenvolvido pela Secretaria de Saúde do Município de Aracaju, sendo a Universidade Tiradentes (UNIT) parceira para avaliação e intervenções em saúde. As escolas participantes para intervenção, no primeiro semestre de 2012, foram indicadas pela Secretaria Municipal de Saúde obedecendo ao cronograma do programa. Neste artigo foram denominadas de escola Alfa e escola Beta por motivos éticos.

Por intermédio da Secretaria Municipal de Saúde, obteve-se autorização das escolas para execução da avaliação em saúde e uma equipe de profissionais foi composta para essa demanda, sendo formada por dois psicólogos, duas cirurgiãs-dentistas (professoras universitárias), vinte e nove acadêmicos do curso de odontologia da UNIT, duas cirurgiãs–dentistas e duas auxiliares de saúde bucal da Estratégia de Saúde da Família do município de Aracaju. Os escolares participantes do projeto que receberam atendimento totalizaram 351 alunos sendo que na escola Alfa foram atendidos 248 alunos do primeiro ao nono ano e na escola Beta 103 alunos do sexto ao nono ano. As intervenções foram realizadas duas vezes na semana no turno da tarde. Os alunos do 1º ao 5º ano da escola Beta estudam no turno da manhã, sendo esta a razão por não terem sido contemplados com a intervenção e avaliação em saúde bucal.

O trabalho envolveu três momentos: a primeira etapa denominada de intervenção grupal foi conduzida pela concepção de grupo operativo de Pichon-Rivière, que consiste em um trabalho com grupos, cujo objetivo é promover um processo de aprendizagem, abertura para as dúvidas e para novas inquietações. Esta etapa consistiu na realização de oficinas, sendo estas desenvolvidas em sala de aula com a participação em média de 25 alunos e com duração de 1 hora. Por meio da apresentação de slides contendo figuras ilustrativas, originou-se a discussão em que foram privilegiadas as temáticas relacionadas à higiene pessoal, cuidados com o corpo, com a vestimenta e com a higiene oral. A exposição dos temas pelos psicólogos por meio de perguntas lançadas ao grupo, por exemplo, “o que posso fazer para conservar meu corpo limpo?”, “como devo me vestir para ir à escola?”, “qual o significado da higiene oral para você?”, “o que fazer para evitar a pediculose?” proporcionou discussões com os alunos acerca da necessidade de cuidar da saúde bucal e realizar higiene pessoal para uma vida escolar e familiar mais saudável. Os alunos de forma participativa realizavam questionamentos que estavam relacionados ao medo do dentista, aos procedimentos que seriam realizados por este profissional e histórias relatadas pelos alunos como, por exemplo, a perda dos dentes por parte de seus pais, a mesma escova de dente sendo compartilhada pelos irmãos e o não acompanhamento dos pais na escovação dos seus filhos. Para finalizar esta etapa, foram fornecidas aos escolares as orientações sobre as dúvidas levantadas por eles e as principais atitudes para manter uma boa saúde bucal e higiene pessoal, tais como, escovar os dentes três vezes ao dia, usar fio dental, visitar o dentista regularmente, desmistificando os receios e resistências na procura deste profissional, assim evitando-se a cárie, doenças e no caso da higiene pessoal também as pediculoses.

Após a participação dos alunos sobre o tema em questão, estes eram encaminhados para a biblioteca onde os acadêmicos em odontologia aguardavam para realização da avaliação em saúde bucal, com acompanhamento das professoras supervisoras do projeto. Os psicólogos permaneciam no ambiente, para organizar o atendimento, de forma que o grupo a ser atendido não ultrapassasse oito alunos no local de realização dos exames e contribuir no processo de avaliação bucal minimizando os receios, dúvidas e tensões por parte dos escolares. Os professores das escolas participantes estiveram presentes todo o tempo, durante a realização das atividades.

A segunda etapa caracterizou-se pela avaliação em saúde bucal, na qual os acadêmicos (examinador e anotador) foram divididos em grupos de 04 para realização dos exames bucais. Utilizaram-se materiais como espátula de madeira descartável, gorros, máscaras e luva de procedimento. As anotações eram feitas em fichas clínicas de avaliação e os códigos de classificação utilizados foram: A=nenhuma alteração; B=dentes restaurados sem gengivite e sem placa bacteriana; C=presença cárie crônica; D=presença de gengivite e placa bacteriana; E=cárie aguda; F=presença de dor ou abscesso. O encaminhamento do aluno à unidade básica de saúde era feito quando o código estava classificado em D, E e F (alto risco de cárie dentária) através de documento protocolado para a unidade de saúde do bairro de residência da criança. Este encaminhamento era entregue somente à coordenação da escola para que fosse enviado para os responsáveis para agendamento na unidade básica de saúde e para evitar situações de constrangimentos aos alunos encaminhados.

Na última etapa, os acadêmicos realizaram intervenções em educação e saúde com 11 turmas contendo em média 32 alunos nas duas escolas, com duração de 40 minutos e os temas abordados foram: a) alimentação saudável, desenvolvida por meio da utilização de um jogo educativo denominado de pirâmide alimentar; b) higiene bucal e importância dos dentes, através da utilização do vídeo do doutor dentuço, o uso de macro-modelos e dinâmicas com perguntas e respostas quando as crianças eram premiadas com brindes; c) conscientização sobre o risco de cárie e doença periodontal, por meio de teatros e demonstração de álbum seriado de figuras que identificam as etapas de progressão da doença periodontal e cárie dentária.

A Figura descrita mostra as etapas de intervenções que foram desenvolvidas nas duas escolas municipais.

Legenda: Código A, B, C, D, E e F = Fatores de risco para doenças bucais.



Figura – Fluxograma de intervenção em escolas municipais de Aracaju/Sergipe, 2012/1
Foi realizada análise de distribuição de frequência e análise bivariada da variável dependente risco da criança para saúde bucal com as variáveis: faixa etária, sexo e escolas. Foi utilizado o teste qui-quadrado para verificar diferença entre os grupos de acordo com o risco e as demais variáveis independentes e o teste de correlação de Spearman (rs) para verificar se essas variáveis estariam correlacionadas ao risco para doenças bucais, tendo sido estabelecido 5% como nível de significância.

RESULTADOS E DISCUSSÃO
No período do estudo, participaram deste programa 351 alunos de duas escolas públicas de Aracaju, do 1º ao 9º ano, entre 5 a 24 anos de idade (ɱ= 12,15 anos), de ambos os sexos, sendo 176 do sexo masculino (50,1%) e 175 do sexo feminino (49,9%), com evidência de equilíbrio na participação dos alunos no programa, sem diferença significativa entre os sexos nas duas escolas selecionadas.

Obteve-se maior participação de alunos da escola Alfa, tendo sido avaliados aqueles matriculados do 1º ao 9º ano. Na escola Beta participaram da avaliação bucal alunos do 6º ao 8º ano. No entanto, encontrou-se homogeneidade na participação de alunos, sem qualquer diferença significativa de alunos do sexo masculino ou feminino em ambas as escolas (p>0,05).

Na faixa etária entre 12 a 17 anos, obteve-se um maior número de alunos participantes da avaliação em saúde bucal, tendo em vista que na escola Beta não foram realizadas intervenções na faixa etária entre 5 a 11 anos, mas não houve diferença significativa (p=0,278) entre as faixas etárias de acordo com o sexo, nem qualquer tipo de correlação entre as variáveis (rs= – 0,058; p=0,053).

Esse cenário demonstra que houve a participação consistente da faixa etária de adolescentes de ambos os sexos nas atividades do programa. A faixa etária de maior participação no programa ter sido a de 12 anos ou mais foi por não haver alunos participantes da faixa etária de 5 a 11 anos na escola Beta. Entretanto, não houve diferença significativa entre as faixas etárias de acordo com o sexo. A maior participação dessa faixa etária diz respeito a maior prevalência de adolescentes participantes e sinaliza para busca de diretrizes para saúde bucal para essa idade.

Na escola Alfa, dos 359 escolares matriculados, participaram da intervenção e avaliação em saúde bucal 248 (69%) alunos. Na escola Beta, dos 165 escolares matriculados, participaram da intervenção e avaliação em saúde bucal 103 (62%) do total de alunos matriculados no turno da tarde.

Todos os alunos que participaram receberam avaliação em saúde bucal, sendo que a intervenção grupal oportunizou a criação de um espaço de escuta e informação, no qual os sujeitos, por viverem realidades semelhantes, puderam aprender uns com os outros e, de certa forma, uma tentativa de mudança dos hábitos de higiene foi gerada nos grupos. As atividades foram realizadas respeitando as demandas de acordo com cada faixa etária. Os alunos demonstraram reconhecer a importância do trabalho realizado verbalizando as seguintes representações: “estou me sentindo importante, com vocês aqui”; “cuidado sempre é bom”; “quando teremos outro encontro?”. Os principais achados deste estudo apontam, através da percepção por parte dos alunos, da equipe e da coordenação das escolas, que houve facilitação do processo por meio da intervenção grupal realizada primeiramente com a atuação dos psicólogos demonstrando menor resistência e melhor aceitação por parte dos alunos. A partir do momento em que os alunos puderam expressar suas idéias e suas concepções sobre a avaliação em saúde bucal, foi uma condição importante para o sucesso do trabalho do grupo (Galindo, 2008).

A técnica de grupo operativo consiste na promoção de processo de aprendizagem, abertura para as dúvidas, para novas inquietações e troca de informações. De acordo com Pichon-Rivière (1998), o grupo apresenta-se como instrumento de transformação da realidade na medida em que compartilham objetivos comuns, participam de forma criativa e há interação no grupo.

A literatura tem apontado que, por meio de ação educativa pautada no diálogo, é possível a inclusão de crianças e adolescentes em atividades de prevenção, promoção e atenção à saúde que, ao mesmo tempo, proporcionem bem estar para si e possam ser expandidas aos seus familiares, proporcionando uma maior integração entre escola, pais e unidades de saúde. As ações de promoção da saúde impactam de forma positiva nas condições de vida e saúde das comunidades (Stotz & Araújo, 2004; Santos et al., 2006).

O sistema de saúde comporta diferentes atuações de forma interdisciplinar, voltado para relação com o social de forma a respeitar a singularidade da comunidade em que está inserido. Esse modelo reporta-se à promoção de saúde e não somente ao tratamento. Nesse contexto, o psicólogo pode estar inserido no campo de saúde como um facilitador (Romagnoli, 2006).

Ações interdisciplinares têm sido recomendadas para o desenvolvimento do Programa de Saúde na Escola, podendo fazer a diferença na sua execução e melhor fluxo. A interação também aumenta com os professores e coordenação da escola que compreenderam o processo e contribuíram no entendimento das questões de saúde bucal, agindo como facilitadores das ações implementadas. A intervenção grupal possibilitou a participação dos alunos no programa, facilitando a sua chegada à avaliação bucal e na receptividade para receber a intervenção delineada para cada grupo de risco, seja a educação e saúde para os grupos classificados como baixo e médio risco para doenças bucais, quanto ao encaminhamento à unidade básica de saúde.

Desta forma, compreende-se que a intervenção grupal como espaço de escuta e informação foi uma importante ferramenta na orientação e acompanhamento da avaliação em saúde bucal.

A conscientização por parte dos sujeitos sobre as causas de seus problemas e de como estes afetam a saúde podem transformar alguns aspectos de sua condição, mas não conseguem transformar o status quo e criar as condições macro e microestruturais que promovam a sua saúde e a de seus pares (Gastaldo, 2005). Neste sentido, a identificação do risco é ferramenta importante para que haja uma transformação da condição de saúde bucal das crianças e adolescentes pesquisados com execução de ações que facilitem o direcionamento dos sujeitos classificados como alto risco para atendimento prioritário.

As metas da Organização Mundial de Saúde (OMS) para 2010, que foram propostas no 4º Congresso Mundial de Odontologia Preventiva em 1993 com relação à saúde bucal, é de 90% de pessoas sem cárie na idade de 5 a 6 anos (ceo-d = 0 e CPO-D = 0)4; CPO-D<1 aos 12 anos de idade; aos 15 anos de idade, não mais que um sextante com Índice de Doença Periodontal Comunitária (CPI) igual a 1 ou 2; não haver perda dental, aos 18 anos de idade, devido à cárie ou doença periodontal (Pereira, 2003 & FDI, 1982). Em função das diferentes condições socioeconômicas, padrões culturais e hábitos alimentares das diversas regiões do Brasil podem variar na experiência de cárie destas crianças. Assim como também a ausência de flúor na água de abastecimento, a não preocupação do dente decíduo pela família e o comportamento desfavorável das crianças são fatores que podem prejudicar na condição de saúde bucal destes (Feitosa & Colares, 2004).

Os resultados da análise do risco para a cárie dentária e doença periodontal dos alunos participantes revelaram que a maioria dos alunos da escola Alfa está em risco alto de cárie e doença periodontal [125 (50%)], conforme o alto índice de crianças com cárie aguda (código E), somando-se àquelas que se encontrava em sofrimento pela severidade da doença cárie, com afirmação de estar sentindo dor ou possuírem sinais de abscesso visível (código F). Os alunos da escola Beta também estão em risco de cárie e doença periodontal, tendo em vista que aproximadamente [(51) 50%] dos alunos avaliados foram classificados como de alto risco. Desta forma, os alunos estão em alto risco para doenças bucais independente da escola em que estão matriculados (p>0,05), sem correlação significativa entre essas variáveis (rs= - 0,001; p= 0,055).

Observou-se, na distribuição do risco para cárie dentária e doença periodontal dos alunos estratificados por sexo, que a correlação entre as variáveis não foi significativa (rs= 0,029; p=0,053). Percebe-se que, independente do sexo, a maioria dos alunos de ambas as escolas foram classificados como alto risco para doenças bucais (p>0,05).

O risco para doenças bucais dos alunos de acordo com a faixa etária não estiveram correlacionadas (rs= -0,105; p=0,052). Percebe-se que prevalece o alto risco para ambas as faixas etárias, sem diferenças significativas para aqueles que estão com dentição decídua e mista (5 a 11 anos) e aqueles com dentição permanente completa (12 anos ou mais) (p=0,133).

Ao se tratar da avaliação de risco em saúde bucal, percebe-se que os alunos, independentemente do sexo, faixa etária ou escola em que estão matriculados, estão em alto risco para doenças bucais. Esse resultado remete a uma possível alta demanda espontânea ao sistema de saúde que pode aumentar nas faixas etárias de adultos e idosos, com o decorrer do tempo, se não houver investimentos na promoção de saúde para crianças e adolescentes. Por outro lado, não se pode esquecer que dar resolutividade às necessidades de saúde apontadas em função do risco se faz importante no momento.

Estudo realizado em Salvador, no estado da Bahia em 2005, observou o aumento da ocorrência e gravidade da cárie dentária no período da infância à adolescência. A transição de uma fase da vida para outra representa um período de risco para a evolução desse agravo (Almeida, Cangussu, Chaves, & Amorim, 2012). O levantamento brasileiro em saúde bucal ressaltou que atenção especial deve ser dada à dentição decídua, pois o ataque de cárie em crianças de cinco anos (em que a presença majoritária é de dentes-de-leite) foi em média de 2,3 dentes (Brasil, 2010).

A metodologia de avaliação baseada no risco de doenças bucais (cárie e doença periodontal) foi importante tendo em vista que essa avaliação é pautada na filosofia da promoção da saúde, com a possibilidade de avaliar crianças e adolescentes, quando ainda está nas fases iniciais do processo saúde doença e assim mantê-los incluídos nas intervenções primárias, além de facilitar o acesso daqueles que se encontra em alto risco para as doenças bucais ao sistema de saúde pública.

A promoção da saúde ganhou força no Brasil a partir da década de 1980, em consonância com a realização das conferências internacionais que definiram como princípios do campo a multicausalidade do processo saúde doença, a intersetorialidade, a participação social e a sustentabilidade. A partir da década de 90, passaram a ser considerados aspectos psicossociais e a subjetividade dos indivíduos. A saúde bucal representa uma dimensão da saúde e das necessidades sociais (Narvai & Frazão, 2008). Assim, promover saúde é atuar sobre determinantes que condicionam a realização desta. Esses determinantes implicam na compreensão do homem com sua história, condições de vida, direitos e ambiente sociocultural (Moysés & Watt, 2000; Focesi, 1990).

A utilização de grupos de intervenção grupal tem sido descrita com propósitos de construção de relações sociais cooperativas e desenvolvimento contínuo da autonomia. A função dessa metodologia é a criação de um espaço cooperativo oferecendo aos participantes a oportunidade de: re-significar conceitos obstrutivos ao processo de promoção da saúde; valorizar conteúdos disponíveis na comunidade, além de conhecer e refletir sobre práticas e saberes em saúde (Santos et al., 2006).

A educação em saúde mostra-se como uma forte aliada na busca de alternativas para os cuidados com a saúde bucal e trata-se de um dos principais dispositivos para viabilizar a promoção da saúde. A abordagem interdisciplinar inclui, além dos profissionais de saúde em geral, professores da educação infantil e ensino fundamental, como alternativa eficaz na manutenção da saúde bucal desses escolares (Franchin et al., 2005).

Outros estudos devem ser realizados com a finalidade de contribuir na implementação de novas políticas públicas para que possam facilitar a diminuição do risco para doenças bucais em crianças e adolescentes de escolas públicas de Sergipe, com utilização da técnica de intervenção grupal, avaliação de risco em saúde bucal, e outras abordagens interdisciplinares facilitadoras dos programas de promoção e prevenção de saúde.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Algumas dificuldades foram enfrentadas pela equipe de profissionais, tais como o acesso às escolas - tendo em vista a distância da universidade para os bairros onde as escolas estão localizadas - que foi sanado pela disponibilização de um micro-ônibus pelo município para transporte da equipe de saúde bucal. Outra dificuldade que surgiu foi em virtude do tempo disponibilizado pela equipe para a prática educativa, estando esta dificuldade relacionada ao sistema adotado pela escola Alfa, onde são os alunos que mudam de sala, não o professor. Desta forma, em alguns momentos acredita-se que a dispersão dos alunos acabou interferindo no número de alunos que poderiam receber atendimento e não o tiveram por não estarem na sala de aula que foi visitada pela equipe de psicologia.

Mesmo com essas limitações obteve-se a participação de 351 alunos de duas escolas públicas, sendo a técnica de intervenção grupal ferramenta fundamental para que a experiência de execução do programa de saúde nas escolas, nesse período, fosse considerada exitosa, assim como também o comprometimento dos professores e das coordenadoras pedagógicas das escolas participantes.

O planejamento de ações de prevenção e intervenção para que se possa mudar a situação de saúde dos escolares é aconselhável, pois os alunos, independente do sexo, faixa etária ou da escola que estavam matriculados, foram classificados como de alto risco para doenças bucais, determinando uma demanda alta de encaminhamentos para as unidades de saúde da família para atendimento dessas crianças e adolescentes.



O PSE pode ser considerado uma política pública para a saúde bucal, entretanto necessita de aprimoramento e continuidade com práticas interdisciplinares e extensão dessa abordagem para os pais com objetivo de informar e conscientizar sobre a importância do cuidado com a higiene bucal na prevenção de doenças.

REFERÊNCIAS
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Recebido: 31/08/2012

Revisado: 11/06/2013

Aprovado: 20/06/2013



1 Psicóloga, Especialista em Psicologia Organizacional, Mestranda em Saúde e Ambiente – Universidade Tiradentes – UNIT – Sergipe, Av. Murilo Dantas, 300, Prédio do ITP, Bairro Farolândia, CEP. 49032-490, Aracaju - SE. Telefone: (079) 9995-7142,
E-mail: andreiaposchi@msn.com

2 Psicólogo, Mestrando em Saúde e Ambiente - Universidade Tiradentes – UNIT - Sergipe;

3 Doutora em Saúde Coletiva, Professora do curso de Odontologia/Professora do Mestrado em Saúde e Ambiente - Universidade Tiradentes – UNIT – Sergipe e Pesquisadora do Instituto de Tecnologia e Pesquisa – ITP.

4 ceo-d = número médio de dentes decíduos cariados, com extração indicada e obturados; CPO-D = número médio de dentes permanentes cariados, perdidos e obturados.

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Pesquisas e Práticas Psicossociais, 8(1), São João del-Rei, janeiro/junho 2013

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