Cefaléias


Critérios Diagnósticos da Cefaléia em Estampido de Trovão (SIC)



Baixar 239.24 Kb.
Página4/4
Encontro21.10.2017
Tamanho239.24 Kb.
1   2   3   4

Critérios Diagnósticos da Cefaléia em Estampido de Trovão (SIC)

  1. Dor severa preenchendo os critérios B-D.

  2. Presença de ambas as características abaixo:

    1. Início súbito, atingindo intensidade máxima em menos de 1 minuto.

    2. Duração de 1 hora a 10 dias.

  3. Não recorre regularmente nos meses seguintes.

  4. Os sintomas não podem ser atribuídos à outras doenças.


  1. HEMICRÂNIA CONTÍNUA

A hemicrânia contínua é uma cefaléia estritamente unilateral, contínua, com mais de 3 meses de duração, sem mudança de lado da cefaléia, sem períodos de acalmia, intensidade moderada com períodos de exacerbação, presença de sintomas e sinais autonômicos do lado da dor como hiperemia conjuntival, lacrimejamento, congestão nasal, rinorréia, ptose ou miose. Os pacientes respondem prontamente a baixas doses de indometacina (75 a 150 mg/dia).


Critérios Diagnósticos da Hemicrânia Contínua (SIC)

  1. Presença de cefaléia por mais de 3 meses preenchendo os critérios B-D.

  2. Todas as características abaixo devem estar presentes:

    1. Dor unilateral sem mudança de lado.

    2. Dor diária e contínua, sem períodos de acalmia.

    3. Intensidade moderada, mas com exacerbações ocasionais.

  3. Pelo menos um dos seguintes sintomas autonômicos ocorrem durante as exacerbações do mesmo lado da dor:

    1. Injeção conjuntival e/ou lacrimejamento.

    2. Congestão nasal e/ou rinorréia.

    3. Ptose e/ou miose.

  4. Resposta completa à doses terapêuticas de indometacina.



  1. CEFALÉIA NOVA DIÁRIA E PERSISTENTE

Caracteriza-se por cefaléia bilateral, tipo pressão, diária e contínua de leve a moderada intensidade por mais de 3 meses de duração. A cefaléia é persistente desde o início ou após os primeiros 3 dias do seu início. A dor não é agravada por atividade física de rotina como caminhar ou subir escadas. Náuseas quando ocorrem são leves e fotofobia ou fonofobia podem ocorrer isoladamente, mas nunca em combinação. Não deve ser confundida com cefaléia tensional crônica. A diferença fundamental entre essas duas entidades é a ausência de remissão da dor desde o início ou após os primeiros 3 dias de dor na cefaléia nova diária e persistente. Não pode haver abuso de analgésicos na história ou história prévia de cefaléias. Causas secundárias de cefaléia devem ser descartadas, incluindo cefaléia por hipotensão liquórica, cefaléia pós-traumática, cefaléia causada por infecções virais (particularmente HBV), arterite temporal, meningites crônicas, hematoma subdural crônico, sinusites crônicas, trombose de seio venoso e hipertensão intracraniana benigna. Em todos os pacientes com cefaléia nova, diária e persistente está indicada uma investigação com ressonância magnética com gadolínio e análise do líquor, incluindo pressão de abertura e PCR para EBV. A dosagem do VHS e da proteína C reativa são importantes para descartar arterite temporal ou outras vasculites. Essa cefaléia pode melhorar após alguns meses sem tratamento ou se tornar refratária ao tratamento.




Critérios Diagnósticos da Cefaléia Nova, Diária e Persistente (SIC)

  1. Cefaléia por mais de 3 meses preenchendo os critérios B-D.

  2. A dor é diária e não remite desde o início ou antes de 3 dias do início.

  3. Pelo menos duas das seguintes características da dor estão presentes:

    1. Localização bilateral.

    2. Dor tipo peso ou compressão (não é pulsátil).

    3. Intensidade leve a moderada.

    4. Não é agravada por atividade física de rotina como caminhar ou subir escadas.

  4. Ambos a seguir devem estar presentes:

    1. Não mais que um dos seguintes podem ocorrer: fotofobia, fonofobia ou náusea leve.

    2. Náusea moderada a severa ou vômito não devem ocorrer.

  5. Os sintomas não podem ser atribuídos a outras doenças.



  1. CEFALÉIA ATRIBUÍDA A TRAUMA DA CABEÇA OU PESCOÇO

Cefaléia é um sintoma muito comum após trauma de crânio ou da coluna cervical. Quando combinada com tontura, falta de concentração, ansiedade, modificações da personalidade e insônia, podemos chamar o conjunto de sintomas de síndrome pós-traumática. A cefaléia pode ocorrer logo após o trauma ou muito tempo depois, quando fica muito difícil a relação de causa-efeito. O sexo feminino é mais susceptível e quanto maior a idade pior o prognóstico. Paradoxalmente, os traumas mais leves parecem estar mais associados com cefaléia e síndrome pós-traumática que os traumas mais severos. Alguns autores associam relações de litígio e busca de recompensa financeira como uma das causas da dor.




Critérios Diagnósticos da Cefaléia Pós-Traumática Aguda Leve (SIC)

  1. Cefaléia sem características típicas preenchendo os critérios C e D.

  2. O trauma de crânio deve preencher todas as características abaixo:

    1. Ausência de perda de consciência ou perda de menos de 30 minutos.

    2. Escala de Glasgow maior que 13.

    3. sintomas e/ou sinais diagnósticos de concussão.

  3. A cefaléia inicia dentro de 7 dias após o trauma.

  4. Pelo menos um dos seguintes deve estar presente:

    1. A cefaléia melhora dentro de 3 meses após o trauma.

    2. A cefaléia persiste, mas o trauma foi a menos de 3 meses.






Critérios Diagnósticos da Cefaléia Pós-Traumática Crônica Severa (SIC)

  1. Cefaléia sem características típicas preenchendo os critérios C-D.

  2. Presença de trauma de crânio com pelo menos uma das seguintes:

    1. Perda de consciência por mais de 30 minutos.

    2. Escala de Glasgow menor que 13.

    3. Amnésia pós-traumática por mais de 48 hs.

    4. Estudo de imagem demonstrando lesão cerebral.

  3. A cefaléia inicia dentro de 7 dias após o trauma.

  4. A cefaléia persiste por mais de 3 meses após o trauma.



Critérios Diagnósticos da Cefaléia Pós-Traumática Crônica Leve (SIC)

  1. Cefaléia sem características típicas preenchendo os critérios C-D.

  2. O trauma de crânio deve preencher todas as características abaixo:

    1. Ausência de perda de consciência ou perda de menos de 30 minutos.

    2. Escala de Glasgow maior que 13.

    3. sintomas e/ou sinais diagnósticos de concussão.

  3. A cefaléia inicia dentro de 7 dias após o trauma.

  4. A cefaléia persiste por mais de 3 meses após o trauma.






Critérios Diagnósticos da Cefaléia Aguda após lesão em chicote da coluna cervical - Whiplash injury (SIC)

  1. Cefaléia sem características típicas preenchendo os critérios C-D.

  2. História de trauma em chicote da coluna associado temporalmente com a dor no pescoço.

  3. A cefaléia se desenvolve dentro de 7 dias após o trauma em chicote.

  4. Presença de pelo menos um dos seguintes:

    1. A cefaléia melhora dentro de 3 meses do trauma.

    2. A cefaléia persiste, mas não se passaram 3 meses desde o trauma.

Obs: se a cefaléia persistir por mais de 3 meses é considerada crônica.



Critérios Diagnósticos da Cefaléia Pós-Traumática Aguda Severa (SIC)

  1. Cefaléia sem características típicas preenchendo os critérios B-D.

  2. Presença de trauma de crânio com pelo menos uma das seguintes:

    1. Perda de consciência por mais de 30 minutos.

    2. Escala de Glasgow menor que 13.

    3. Amnésia pós-traumática por mais que 48 horas.

    4. Presença de uma evidência de lesão cerebral em estudo de imagem

  3. A cefaléia se desenvolve dentro de 7 dias após o trauma ou o retorno da consciência.

  4. Pelo menos um dos seguintes deve estar presente:

    1. A cefaléia melhora dentro de 3 meses após o trauma.

    2. A cefaléia persiste, mas o trauma foi a menos de 3 meses.







Critérios Diagnósticos da Cefaléia Aguda Pós-Craniotomia (SIC)

  1. Cefaléia de intensidade variável, máxima na área da craniotomia, preenchendo os critérios C e D.

  2. Craniotomia realizada por qualquer razão, exceto trauma de crânio.

  3. A cefaléia se desenvolve dentro de 7 dias após a cirurgia.

  4. Presença de pelo menos um dos seguintes:

    1. A cefaléia melhora dentro de 3 meses do trauma.

    2. A cefaléia persiste, mas não se passaram 3 meses desde o trauma.

Obs: se a cefaléia persistir por mais de 3 meses é considerada crônica.




  1. NEURALGIA DO TRIGÊMIO

A neuralgia do trigêmio, também conhecida com tic dolourex, foi descrita por John Fothergill em 1773. É uma das dores cranianas mais fortes e incapacitantes. Caracteriza-se por episódios breves de dor facial tipo choque, lancinante e geralmente unilateral. Os ataques de dor duram apenas alguns segundos, mas são muito intensos. Uma de suas principais características é a presença de gatilhos desencadeantes da dor, como estímulos cutâneos da face ou lábios, exposição ao vento, escovação dos dentes, conversação normal ou durante a mastigação. As dores ocorrem várias vezes ao dia com períodos de acalmia. Esses períodos livres de dor podem durar de dias a meses, entretanto a ansiedade e o medo de novos ataques persistem nos pacientes sofredores que aprendem cedo que recorrências são extremamente frequentes. Após um paroxismo de dor ocorre um período refratário, onde nenhuma dor pode ser desencadeada no ponto gatilho. Ela pode afetar qualquer uma das três divisões do nervo trigêmio, embora seja menos comum na divisão oftálmica. Devido ao desencadeamento de dor com o ato de escovar os dentes e de se alimentar, os pacientes acabam descuidando-se com a higiene bucal e perdem peso. O primeiro profissional que eles geralmente procuram é o dentista, pensando se tratar de dor de dente. Muitos dentes foram extraídos desnecessariamente por falta do diagnóstico correto de neuralgia do trigêmio. Alguns pacientes, quando questionados, referem um estalido no ouvido, possivelmente devido à inervação motora do músculo tensor do tímpano.

Os episódios de dor da neuralgia do trigêmio geralmente são desencadeados pela compressão do nervo trigêmio por um vaso sanguíneo próximo à zona de entrada da raiz do nervo na ponte. Essa compressão provavelmente causa desmielinização das fibras das raízes do nervo trigêmio provocando um circuito anormal que provoca os paroxismos de dor. Há história familiar em aproximadamente 5% dos pacientes, geralmente com história de doença de Charcot-Marie-Tooth. A doença é mais comum em mulheres que em homens. Os idosos são os mais afetados.

Muitos pacientes podem ter neuralgia trigeminal após procedimentos que lesaram o sistema trigeminal como cirurgias dentárias, otorrinolaringológicas, cirurgias da base ou da fossa posterior do crânio e traumas faciais graves. Alguns pacientes com esclerose múltipla podem ter neuralgia do trigêmio. Esses pacientes geralmente são mais jovens que a população com a forma tradicional da doença causada por compressão neurovascular. Outra característica dos pacientes com esclerose múltipla é a presença de sintomas bilaterais de neuralgia. A origem da dor nesses pacientes parece ser por desmielinização dos tratos trigeminais no tronco encefálico (ponte).

O diagnóstico diferencial da neuralgia do trigêmio é extenso e inclui todas as doenças que se apresentam com dor facial.

A neuralgia pós-herpética na face pode mimetizar neuralgia do trigêmio, entretanto a dor geralmente é constante, tipo queimação e associada com alodínea intensa. Existe história de herpes zoster. O segmento mais afetado do nervo trigêmio no herpes zoster é o oftálmico.

O tique convulsivo apresenta-se com dor de características semelhantes à neuralgia do trigêmio, entretanto ocorrem contrações tônicas unilaterais da face concomitante à dor, semelhante ao que ocorre no espasmo hemifacial.

A neuralgia do glossofaríngeo caracteriza-se por dor intensa, tipo choque na região do ouvido e da garganta. Na neuralgia geniculada as dores são semelhantes, entretanto ocorre uma dor crônica constante no ouvido.

Pacientes com dor constante e sem o característico choque geralmente são considerados como portadores de dor facial atípica, uma condição frequentemente associada com distúrbio somatoforme. A dor geralmente é bilateral e com frequência ultrapassa os limites de distribuição do nervo trigêmio. Outras síndromes dolorosas como dor miofascial e fibromialgia, além de síndrome da fadiga crônica são comorbidades comuns.

O exame mais importante na avaliação da neuralgia do trigêmio é a ressonância magnética do crânio. Ela é importante para descartar uma lesão estrutural comprimindo o nervo trigêmio, como um tumor ou um cavernoma. Injeção de contraste paramagnético e realização de cortes finos através do nervo trigêmio (1 mm) são fundamentais para uma boa qualidade do exame. Se a RM mostrar lesões desmielinizantes sugestivas de esclerose múltipla, uma punção lombar com análise do líquor procurando bandas oligoclonais e síntese intratecal de IgG é recomendada. A RM tem baixa sensibilidade para a detecção da compressão neurovascular. Nesses casos a angio-ressonância aumenta a sensibilidade para 90%.

O objetivo do tratamento de qualquer doença é o alívio completo dos sintomas com o mínimo de efeitos colaterais. O uso de medidas clínicas sempre deve ser a primeira opção. O tratamento clínico de escolha para a neuralgia do trigêmio ainda é baseado no uso de anticonvulsivantes. A fenitoína (Hidantal®) começou a ser utilizada na década de quarenta e foi a droga mais utilizada até a década de sessenta, quando a carbamazepina (Tegretol®) passou a ser a primeira escolha, pois apresenta índices de sucesso superiores a 90%. Os principais efeitos colaterais da carbamazepina são sonolência, tontura, leucopenia, rash cutâneo, hiponatremia, elevação das enzimas hepáticas, aumento do colesterol e osteoporose. Na década de noventa, a oxcarbazepina (Trileptal®) ganhou popularidade devido à sua eficácia ser similar à da carbamazepina, porém com menos efeitos colaterais. A ultima droga anticonvulsivante a ganhar popularidade no tratamento da neuralgia do trigêmio foi a gabapentina (Neurontin®). Entretanto, ela parece ser menos efetiva que as drogas tradicionais. Seus principais efeitos colaterais são ganho de peso, sonolência e edema. Os anticonvulsivantes devem ser iniciados em doses baixas e aumento progressivo, para evitar o surgimento de efeitos colaterais severos.

Outras drogas utilizadas para o tratamento da neuralgia do trigêmio, porém com menos sucesso que os anticonvulsivantes são os antidepressivos tricíclicos, baclofeno e opióides. Terapia de combinação também pode ser utilizada nos casos refratários ao uso de apenas um medicamento.

Embora seja facilmente controlada com medicamentos, a neuralgia do trigêmio é com frequência uma doença progressiva. Quando o uso de medicamentos não consegue controlar a dor sem o surgimento de efeitos colaterais incapacitantes, procedimentos invasivos devem ser considerados.

Um dos procedimentos realizados há mais de cem anos é a neurólise química do gânglio de Gasser com injeção de álcool ou glicerol. A substância é introduzida através de uma agulha pelo forâmen oval na base do crânio. A principal complicação desse procedimento é a possível lesão de outros pares cranianos se o agente químico for injetado no espaço subaracnóide da base do crânio. Para reduzir essa possibilidade alguns centros realizam a injeção com guia radiográfico e com uma agulha que possui um eletrodo estimulador que pode detectar a presença do gânglio de Gasser. O efeito colateral mais comum do procedimento é a anestesia sobre o território de inervação do nervo trigêmio, que muitas vezes pode ser mais incapacitante que a própria dor. Algumas vezes ocorre dor disestésica no território desnervado. O tempo de ação de um procedimento é de aproximadamente 3 anos. Esse procedimento é preferido em pacientes acima de 65 anos, com riscos cirúrgicos mais elevados. Também é o procedimento mais adequado para os pacientes com esclerose múltipla.

A eletrocoagulação do gânglio de Gasser foi tentada no passado com bons resultados, porém com uma excessiva quantidade de efeitos colaterais, sobretudo disestesias pós-procedimento. Essa técnica foi aperfeiçoada substituindo-se a fonte de calor de eletricidade por radiofrequência, com diminuição da frequência de disestesias.

Uma outra técnica utilizada é a indução de trauma mecânico do Gânglio de Gasser através de um catéter inserido pelo forame oval até a região do gânglio, quando um balão é inflado para comprimir o gânglio. O maior problema dessa técnica é a ocorrência de muitas complicações como bradicardia, hipotensão e fraqueza temporária dos músculos da mastigação.

Como a principal causa da neuralgia do trigêmio é a presença de um vaso sanguíneo comprimindo as fibras do nervo trigêmio, Peter Jannetta teve a idéia de descomprimir o nervo cirurgicamente. Na verdade ele introduz uma esponja sintética entre o vaso e o nervo, impedindo que haja contato direto entre essas duas estruturas. Ela é um procedimento invasivo não destrutivo das fibras do nervo trigêmio. As taxas de sucesso em mãos hábeis são próximas de 95% e as taxas de recorrência dos sintomas são baixas. Ela é sem dúvida o procedimento invasivo de escolha para o tratamento da neuralgia do trigêmio, principalmente quando os pacientes tem menos de 65 anos, boa saúde e maior expectativa de vida. Como não há lesão das fibras do nervo, a incidência de anestesia e disestesias é mínima.

A radiocirurgia estereotáxica é outro método que foi extensivamente pesquisado para o alívio da neuralgia do trigêmio. O procedimento é realizado com uma gamma-Knife. Os índices de sucesso do procedimento e as eventuais complicações ainda estão sendo investigados, mas sem dúvida ela pode ser uma alternativa para o tratamento dos pacientes com risco inaceitável para cirurgia.




  1. NEURALGIA DO GLOSSOFARÍNGEO

A neuralgia do glossofaríngeo é uma doença similar à neuralgia do trigêmio que causa dor nas estruturas inervadas pelas fibras sensoriais do nervo glossofaríngeo. Os sintomas geralmente iniciam na idade adulta e os homens são mais afetados que as mulheres. Assim como na neuralgia do trigêmio pode haver um vaso anômalo comprimindo o nervo na fossa posterior.

A dor ocorre na orofaringe, nas amígdalas, no 1/3 posterior da língua e no conduto auditivo. Possui caráter agudo, tipo choque elétrico e mais raramente pode ser constante e tipo queimação. As zonas gatilho também estão presentes, geralmente na garganta e são disparadas durante a mastigação ou conversação. As crises dolorosas podem ocorrer centenas de vezes ao dia e duram poucos segundos, a exemplo da neuralgia do trigêmio. Não há nenhuma anormalidade no exame neurológico. Alguns pacientes podem ter crises de síncope durante um paroxismo doloroso, geralmente devido à bradicardia vasovagal.

Os exames de imagem são normais. O tratamento é semelhante ao da neuralgia do trigêmio, com anticonvulsivantes nos casos leves a moderados e descompressão microvascular nos casos refratários.




  1. ARTERITE TEMPORAL

A arterite temporal ou de células gigantes é uma vasculite granulomatosa das artérias temporais que afeta predominantemente pessoas acima dos 50 anos. As mulheres são mais afetadas que os homens.

A cefaléia afeta as regiões temporais, tem caráter pulsátil ou em peso e pode ser uni ou bilateral. Os pacientes se queixam de dor no couro cabeludo quando penteiam o cabelo, particularmente nas regiões temporais. Dor durante a mastigação dos alimentos (claudicação da mandíbula) no contexto de cefaléia temporal é muito sugestivo de arterite temporal, pois os músculos da mastigação são vascularizados pelos ramos da artéria temporal. Sintomas constitucionais sugestivos de polimialgia reumática, tais como fadiga, dor muscular, artralgia e perda de peso podem acompanhar a cefaléia.

O primeiro exame a ser solicitado em casos de suspeita de arterite temporal é a velocidade de hemossedimentação (VHS), que estará aumentada (acima de 40 mm/h) em quase todos os casos. O diagnóstico definitivo é feito apenas através da biópsia da artéria temporal. Várias amostras devem ser obtidas, pois em muitos casos a doença afeta a artéria descontinuamente.

A maior complicação da arterite temporal é o envolvimento das artérias oftálmicas pela vasculite com conseqüente perda súbita da visão. Isso ocorre em mais da metade dos pacientes que não são diagnosticados e tratados a tempo. O tratamento é com prednisona (Meticorten®) 60 mg VO ao dia por 1 ou 2 anos. A dose pode ser diminuída após 3 a 6 meses caso os sintomas remitam completamente e o VHS baixe. A cefaléia costuma responder após os primeiros dias de tratamento.


  1. HIPERTENSÃO INTRACRANIANA BENIGNA

A hipertensão intracraniana benigna ou pseudotumor cerebral corresponde a um aumento significativo da pressão intracraniana, na maioria dos casos sem causa aparente. Em algumas situações a hipertensão intracraniana está associada com algumas condições como intoxicação por vitamina A, uso de anticoncepcionais, tetraciclina, gravidez, insuficiência cardíaca congestiva, trombose do seio venoso, meningite crônica e encefalopatia hipertensiva. As mulheres são mais afetadas que os homens e a maioria das pacientes são jovens e obesas.

Os sintomas mais frequentes são cefaléia holocraniana, edema de papila e distúrbios visuais como diplopia, embaçamento visual e finalmente perda da acuidade visual se a doença não for tratada. Isso ocorre pela compressão das estruturas do nervo óptico devido à pressão aumentada nas vias ópticas. Muitas pacientes se queixam de barulhos estranhos da cabeça e que podem escutar os batimentos cardíacos. No exame físico neurológico pode haver papiledema e paralisia do VI par.

Uma ressonância magnética do crânio e uma venografia por ressonância magnética devem ser realizadas em todos os pacientes com suspeita clínica dessa condição para descartar uma causa secundária estrutural, principalmente trombose de seio venoso. Mesmo na forma idiopática os ventrículos têm tamanho diminuído. A punção lombar, além de aliviar temporariamente os sintomas permite a detecção de meningites crônicas e a mensuração da pressão intracraniana para confirmar o diagnóstico.

O tratamento dos casos leves é com acetazolamida (Diamox®) na dose de 250 mg VO a cada 8 horas. A furosemida (Lasix®) na dose de 40 mg VO a cada 8 horas pode ser associada. Nos casos um pouco mais severos deve-se associar prednisona (Meticorten®) na dose de 60 mg VO ao dia. Em pacientes com sintomas visuais deve-se fazer uma derivação lombo-peritoneal ou a secção da bainha do nervo óptico para tentar evitar a cegueira. Perda de peso é recomendada em todos os casos.


  1. CRITÉRIOS PARA SOLICITAÇÃO DE ESTUDO DE IMAGEM EM CEFALÉIA

Somente a minoria dos pacientes com cefaléia apresenta causas secundárias. Alguns sinais ou bandeiras vermelhas são tidos como razões para solicitação de exames de imagem ou investigações mais aprofundadas em pacientes com cefaléia:



  • Cefaléia iniciando após os 50 anos de idade (tumores, arterite temporal).

  • Cefaléia intensa de início súbito (hemorragia subaracnóide, encefalopatia hipertensiva).

  • Aumento da freqüência e da severidade das cefaléias (tumores, outras lesões em massa).

  • Cefaléia em pacientes com fatores de risco para HIV (linfoma primário do sistema nervoso, neurotoxoplasmose, meningite criptocócica e outras doenças oportunistas).

  • Cefaléia em pacientes com câncer (metástases meníngeas ou parenquimatosas).

  • Cefaléia acompanhada de febre e rigidez de nuca e confusão mental (meningites, encefalites, abscessos).

  • Presença de secreção nasal purulenta e sinais de gripe (sinusite)

  • Presença de hipertensão arterial (encefalopatia hipertensiva, AVC isquêmico ou hemorrágico, feocromocitoma).

  • Presença de papiledema (tumores, neurite óptica, hipertensão intracraniana benigna).

  • Presença de hemorragia sub-hialóide da retina (hemorragia subaracnóide).

  • Presença de paralisia do III par (aneurisma de comunicante posterior, herniação de uncus incipiente).

  • Ausência de reflexos fotomotor e consensual (neurite óptica).

  • Presença de oftalmoplegia (fístula carótido-cavernosa, síndrome de Tolosa-Hunt, tumores da órbita).

  • Presença de outros sintomas neurológicos focais como hemiparesia, afasia, ataxia, dismetria, ausência do reflexo córneo-palpebral, etc (lesões em massa).

  • Presença de neurofibromas (tumores intracranianos da neurofibromatose)

  • Cefaléia no contexto de trauma de crânio (hematomas, infecções).

  • Cefaléia no contexto da gestação (trombose de seio venoso, meningioma)

Qual o melhor exame de imagem a ser realizado depende de vários fatores. Se o objetivo for demonstrar a presença de sangue, a tomografia de crânio é mais indicada. Se for necessário descartar uma lesão de fossa posterior do crânio (cerebelo e tronco), a ressonância magnética é preferida. Se há necessidade de realizar o exame rapidamente, a TC é melhor. Além disso, é muito mais barata e mais facilmente disponível que a RM.



  1. CRITÉRIOS DE INTERNAMENTO PARA PACIENTES COM CEFALÉIA CRÔNICA.

Alguns pacientes com cefaléia crônica apresentam um curso muitas vezes refratário às medidas tradicionais de combate à dor. Esses pacientes insistem em não melhorar, apesar de todas as medidas ambulatoriais. O internamento seguido de algumas medidas hospitalares apropriadas pode aliviar o sofrimento desse grupo. Veja abaixo alguns critérios de admissão para internação:

● presença de crises severas, frequentes e irresponsivas ao tratamento com medicamentos endovenosos na sala de emergência.

● presença de náuseas e vômitos intensos, desidratação, desequilíbrio eletrolítico e prostração acompanhando as cefaléias.

● história de várias visitas ao departamento de emergência nos últimos meses.

● suspeita da presença de alguma doença grave desencadeando as cefaléias.



● presença de abuso de analgésicos quando o paciente não consegue abandonar seu uso ambulatorialmente.


Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4


©aneste.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
Prefeitura municipal
santa catarina
universidade federal
terapia intensiva
Excelentíssimo senhor
minas gerais
união acórdãos
Universidade estadual
prefeitura municipal
pregão presencial
reunião ordinária
educaçÃo universidade
público federal
outras providências
ensino superior
ensino fundamental
federal rural
Palavras chave
Colégio pedro
ministério público
senhor doutor
Dispõe sobre
Serviço público
Ministério público
língua portuguesa
Relatório técnico
conselho nacional
técnico científico
Concurso público
educaçÃo física
pregão eletrônico
consentimento informado
recursos humanos
ensino médio
concurso público
Curriculum vitae
Atividade física
sujeito passivo
ciências biológicas
científico período
Sociedade brasileira
desenvolvimento rural
catarina centro
física adaptada
Conselho nacional
espírito santo
direitos humanos
Memorial descritivo
conselho municipal
campina grande