Cefaléias



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As crises de migrânea podem ser desencadeadas por uma série de razões. Abaixo listamos os principais fatores desencadeantes:



  • Distúrbios emocionais (ansiedade)

  • Excesso ou privação de sono

  • Ingestão de bebidas alcoólicas, principalmente vinho tinto (geralmente após algumas horas)

  • Alguns alimentos (chocolates, queijos, embutidos, aspartame, glutamato monossódico)

  • Jejum prolongado

  • Exposição a odores fortes (perfumes, alimentos, agentes químicos)

  • Alterações da pressão atmosférica

  • Menstruação

O diagnóstico da migrânea é clínico. Os estudos de imagem geralmente não são necessários, principalmente se os sintomas forem clássicos e os pacientes não apresentarem nenhuma anormalidade no exame neurológico. Entretanto, em um paciente com história de dor unilateral fixa com freqüência cada vez maior e sinais neurológicos focais duradouros, a investigação se impõe para comprovar lesão cerebral que determine quadro similar à migrânea. O EEG não deve ser solicitado em pacientes com migrânea, pois não vai acrescentar nada ao diagnóstico.

O tratamento da migrânea é desafiador ao médico devido ao conhecimento incompleto da fisiopatologia da doença. Cada paciente apresenta uma resposta diferente a cada estratégia terapêutica. Mais do que eliminar completamente as crises, fato bastante difícil, o tratamento da migrânea objetiva reduzir a freqüência e a severidade dos ataques. Outro objetivo que deve ser perseguido é a melhora da qualidade de vida do paciente, além da prevenção do abuso de analgésicos.

O tratamento pode ser dividido em duas partes: tratamento das crises e tratamento profilático. Para o tratamento das crises podemos usar analgésicos comuns (paracetamol, AAS, dipirona, etc), antiinflamatórios (diclofenaco, naproxeno, ibuprofeno, piroxicam, nimesulide, etc), ergotamínicos, triptanos, narcóticos e neurolépticos. Independente da classe de medicamentos utilizada, o tratamento deve ser instituído o mais rapidamente possível após o início da cefaléia. Além disso, é recomendável que um agente pró-cinético (que acelera o esvaziamento gástrico) seja administrado concomitantemente, pois a migrânea retarda o esvaziamento do estomago e dificulta a absorção dos analgésicos, feita no intestino. A metoclopramida em gotas (Plasil®) é o pró-cinético mais freqüentemente utilizado.

A escolha do melhor medicamento para a crise aguda em cada paciente baseia-se na severidade das crises, sintomas associados (náuseas, vômitos), contra-indicação para algum medicamento e algumas vezes, tentativa e erro.

As crises mais leves geralmente podem ser tratadas com analgésicos comuns e antiinflamatórios não-esteróides. A combinação de paracetamol com cafeína (Excedrin®) parece ser melhor que o uso isolado do paracetamol. Embora qualquer antiinflamatório possa ser utilizado, o naproxeno (Flanax®) e o ibuprofeno (Motrin®) são os mais efetivos em estudos clínicos. O uso de antiinflamatórios endovenosos pode ser mais efetivo que a administração oral. Não podemos esquecer de mencionar que os analgésicos comuns, quando usados em abuso podem ocasionar cronificação da dor (cefaléia crônica diária), gerando mais problemas para o paciente e para a equipe de saúde. Já os antiinflamatórios não-esteróides podem causar severos sintomas gastrointestinais como gastrites e até hemorragias digestivas.

O uso dos derivados do ergot (ergotamínicos) foi muito popular no passado devido à sua efetividade e à ausência de alternativas melhores no mercado. Apesar de eficazes, apresentam o potencial de induzirem ao hábito, cronificarem a cefaléia e causar ergotismo (uma condição fatal causada por vasoconstricção generalizada). Tendo em vista os outros medicamentos disponíveis no mercado, não vemos razões médicas para a escolha dessa classe de medicamentos para o tratamento da migrânea nos dias de hoje.

Os triptanos revolucionaram o tratamento da migrânea na década de noventa. Eles são agonistas dos receptores 5HT da serotonina e agem provocando vasoconstricção dos vasos cranianos, inibindo a ativação de ramos periféricos do nervo trigêmio e inibindo a transmissão através do sistema trigeminovascular na região distal do tronco e superior da medula cervical. Existem vários triptanos no mercado e cada paciente pode ter respostas diferentes aos diversos tipos de triptanos. Portanto, devem-se tentar mais de um tipo em casos de falência do tratamento com um triptano. Eles são contra-indicados nos pacientes com doença coronariana, pois causam vasocontricção da coronária podendo induzir infarto do miocárdio. Eles também não podem ser usados menos de 24 horas após o uso de ergotamínicos devido à potenciação de efeitos vasoconstrictores e risco de infarto e outras complicações vasculares.

O sumatriptano (Sumax®) foi o primeiro triptano desenvolvido para o tratamento da migrânea. Sua formulação subcutânea na dose de 6 mg tem um excelente perfil farmacocinético, atingindo níveis terapêuticos em 10 minutos e biodisponibilidade de 96%. A dose é de 6 mg podendo ser repetida após uma hora, com dose máxima diária de 12 mg. Aproximadamente metade dos pacientes está livre de dor em 1 hora e 80% em 2 horas. Recorrência da dor nas primeiras 24 horas após melhora ocorre em 1/3 dos pacientes. Embora as injeções sejam a forma mais eficaz de controlar as crises de migrânea, elas apresentam mais efeitos colaterais relacionados ao triptanos, são dolorosas e mais caras que as apresentações orais. As doses orais variam de 50 a 100 mg, podendo ser repetidas após 2 horas num total de 200 a 300 mg em 24 horas. A utilização do sumatriptano via spray nasal é uma alternativa às outras apresentações, sendo preferidas por alguns neurologistas por agirem mais rapidamente que as formas orais e têm menos efeitos adversos que as apresentações subcutâneas. A dose é de 20 mg podendo ser repetida após duas horas, com dose máxima de 40 mg em 24 horas. Entretanto muitos pacientes rejeitam a forma intranasal pelo gosto ruim e pela resposta inconstante. Embora a apresentação retal existe em alguns países, ela não está disponível no Brasil.

O zolmitriptano (Zomig®) mostrou-se ser mais rapidamente absorvido que o sumatriptano, entretanto sem uma vantagem evidente em relação à atividade contra a dor. Sua dose varia de 2.5 mg a 5 mg por ataque, podendo ser repetido após 2 horas com dose máxima de 10 mg em 24 horas. O zolmitriptano também pode ser usado na forma de spray nasal na dose de 5 mg, podendo ser repetido em 2 horas. É o triptano que parece ter melhor resposta quando repetido após persistência da cefaléia.

O naratriptano (Naramig®) é o triptano com melhor perfil de efeitos colaterais. Ele também não apresenta muitas interações com outros medicamentos. Parece apresentar menores taxas de recorrência após melhora. Por outro lado, seu início de ação é o mais demorado e sua efetividade em reverter uma crise de migrânea é a mais baixa entre os triptanos. A dose usual é de 2.5 mg VO, podendo ser repetida em 2 horas caso não haja resposta. A dose máxima em 24 horas é de 5 mg.

O rizatriptano (Maxalt®) apresenta o efeito mais rápido e consistente de todos os triptanos disponíveis no mercado nacional. As taxas de recorrência são apenas superiores ao naratriptano. A dose usual é de 10 mg VO ou sublingual. Em pacientes usando betabloqueadores como tratamento profilático, as doses devem ser reduzidas para 5 mg VO ou SL. Outros triptanos não disponíveis no Brasil são o almotriptano, o eletriptano e o frovatriptano. o naratriptano (Naramig®) e o zolmitriptano (Zomig®).

A terapia combinada, usando um triptano com um anti-inflamatório como o naproxeno (Flanax®) parece ser mais eficaz que o uso isolado de qualquer uma das duas drogas. Além disso, a terapia combinada oferece menores taxas de recorrência da cefaléia.

Os analgésicos narcóticos devem ser deixados para última opção de tratamento, quando os outros não funcionam, devido ao seu potencial aditivo e aos efeitos colaterais. Algumas vezes são utilizados nos departamentos de emergência para controlar crises agudas muito severas.

Os neurolépticos endovenosos como a clorpromazina (Amplictil®) e o haloperidol (Haldol®) são potentes agentes no tratamento de resgate das crises de migrânea, melhorando a cefaléia e as náuseas associadas e induzindo sedação. Eles estão indicados em pacientes que não responderam ao tratamento com analgésicos tradicionais ou com triptanos. As principais complicações desses medicamentos são hipotensão, agitação motora e sedação. Se usados cronicamente podem induzir discinesia tardia, distonia, parkinsonismo e outros distúrbios do movimento.

Em crianças, ibuprofeno (Motrin®) é a droga de escolha para o tratamento das crises. O paracetamol (Tylenol®) provavelmente é efetivo e o sumatriptano nasal (Sumax®) também apresenta bom resultado. Entretanto, as formulações orais e subcutâneas dos triptanos não são efetivas nas crianças.

O tratamento do estado de mal migranoso deve ser feito em regime de internação com hidratação, corticosteróides endovenosos e metoclopramida. Caso não haja melhora pode-se associar clorpromazina (Amplictil®).

O tratamento profilático da migrânea está indicado nos pacientes que apresentam crises severas que interfiram na vida diária. Considera-se que pacientes que tenham mais que duas ou três crises por mês são candidatos ao tratamento profilático. Se a incapacidade gerada pela crise for importante, pode-se considerar tratamento profilático mesmo em pacientes com crises menos frequentes que 2 a 3 por mês. Nessa forma de tratamento, um medicamento é dado diariamente, mesmo que nenhuma crise esteja presente. Qualquer droga que seja escolhida para o tratamento profilático deve ser usada pelo menos por 6 meses para que sua eficácia seja mensurada. A escolha da melhor droga depende de diversos fatores, incluindo eficácia e tolerabilidade, doenças concomitantes, preferências do paciente e possibilidade ou não de gravidez. As principais drogas usadas na profilaxia da migrânea são: betabloqueadores, antagonistas dos canais de cálcio, antidepressivos tricíclicos e anticonvulsivantes.

Os betabloqueadores são os agentes de escolha em pacientes com migrânea que tenham hipertensão arterial, tremor essencial, doença vascular periférica ou doença coronariana. Devem ser evitados em diabéticos, asmáticos, portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), asma e pacientes com insuficiência cardíaca severa. Propranolol de liberação lenta (Rebaten LA®) é o betabloqueador de primeira linha para o tratamento profilático da migrânea. Essa droga possui liberação prolongada e pode ser usada apenas uma vez ao dia. As doses variam de 80 a 240 mg/dia. Outros betabloqueadores que podem ser usados são o metoprolol (Seloken®) 100 a 200 mg/dia, o nadolol (Corgard®) 40 a 120 mg/dia e o atenolol (Atenol®) 25 a 150 mg/dia. Pacientes que estiverem tomando betabloqueadores devem tomar meia dose de rizatriptano (5 mg) para o tratamento das crises agudas, pois essas drogas diminuem o metabolismo do rizatriptano. Os betabloqueadores não podem ser retirados subitamente pela possibilidade de cefaléias de rebote. Bradicardia é um dos principais efeitos colaterais. Depressão pode ocorrer. Sonhos vívidos, insônia, impotência sexual, astenia e hipotensão arterial são outros efeitos colaterais possíveis.

Os antagonistas dos canais de cálcio são drogas menos eficazes que os betabloqueadores na profilaxia da migrânea, devendo ser utilizados como terapia de segunda escolha. Flunarizina (Vertizine®) é o mais indicado. A dose varia de 5 a 10 mg/dia. Sonolência, ganho de peso, depressão, mialgias, parestesias e parkinsonismo são os principais efeitos colaterais. São contra-indicados no parkinsonismo e não recomendados em pacientes obesos.

Os antidepressivos tricíclicos são excelentes medicamentos para a profilaxia da migrânea. Eles são indicados principalmente em pacientes com sintomas depressivos concomitantes. A amitriptilina (Tryptanol®) na dose de 12,5 a 75 mg/dia é a droga mais utilizada, porém a imipramina (Tofranil®) e a nortriptilina (Pamelor®) na dose de 10 a 75 mg/dia também podem ser usadas. São contra-indicadas em pacientes com glaucoma. Seus principais efeitos colaterais são sonolência, boca seca, hipotensão ortostática, ganho de peso, taquicardia, alteração da libido, retenção urinária e obstipação intestinal. Devem ser usados com precaução nos coronariopatas, nos pacientes com insuficiência cardíaca congestiva e evitados em pacientes com glaucoma e epilepsia.

Os antidepressivos inibidores da recaptação da serotonina como a fluoxetina (Prozac®) são menos eficazes na profilaxia da migrânea, não sendo recomendados de rotina até o momento. Maiores estudos com os antidepressivos mais modernos são necessários para que seu uso seja recomendado. Diversos estudos têm ligado o uso dos inibidores seletivos da recaptação da serotonina (fluoxetina, sertralina, paroxetina, citalopram, fluvoxamina) e inibidores seletivos da recaptação da serotonina e da noradrenalina (duloxetina e venlafaxina) em associação com triptanos com síndrome serotoninérgica. Essa síndrome potencialmente fatal se apresenta com agitação, alucinações, taquicardia, perda de coordenação motora, hipertensão arterial, hipertermia, hiperreflexia, náuseas, vômitos e diarréia. Portanto, o uso dessas drogas como agentes profiláticos em pacientes usando triptanos para o tratamento das crises deve ser feito com cuidado.

Os anticonvulsivantes estão sendo cada vez mais utilizados na profilaxia da migrânea, embora não sejam as drogas de primeira linha. O divalproato de sódio, a gabapentina e o topiramato são as drogas mais utilizadas. O divalproato de sódio (Depakote®) na dose de 500 a 1500 mg/dia pode induzir ganho de peso apreciável e pode ser hepatotóxico. Além disso, deve ser usado com cautela em mulheres em idade reprodutiva devido ao maior risco de indução de defeitos do tubo neural quando usado na gestação. Uso de ácido fólico e anticoncepção concomitante estão indicados nessas mulheres. Outros efeitos colaterais dessa droga incluem queda de cabelo, ganho de peso, tremor, trombocitopenia e sonolência. A gabapentina (Neurontin®) na dose de 300 a 2400 mg/dia é uma droga bem tolerada e com poucos efeitos colaterais que vem sendo utilizada com sucesso. Cansaço e tontura são os principais efeitos indesejáveis. O topiramato (Topamax®) na dose de 100 a 200 mg/dia têm sido uma das principais opções de profilaxia quando os pacientes não desejam ganhar peso, já são obesos ou têm epilepsia concomitante. Pode induzir parestesias, distúrbios cognitivos, perda de peso, cálculos renais, fadiga, perversão do paladar, miopia e glaucoma. Ingesta grande de líquidos e acompanhamento oftalmológico são necessários nesses pacientes. Estudos recentes com lamotrigina (Lamictal®) sugerem que devido a sua ação bloqueadora dos canais de sódio associada com sua ação antiglutamatérgica essa droga é eficiente tanto no controle das crises como das auras. A tiagabina (Gabitril®), um anticonvulsivante inibidor da recaptação do GABA em doses que variam de 5 a 10 mg/dia também obteve excelentes resultados em estudos preliminares como agente profilático da migrânea. Entretanto, essa droga ainda não é aprovada para esse uso pelo FDA.

Os antagonistas serotoninérgicos como a metisergida (Deserila®) em doses de 2 a 6 mg/dia e o pizotifeno (Sandostatin®) em doses de 1,5 a 3 mg/dia foram as primeiras drogas utilizadas na profilaxia da migrânea. A metisergida é bastante eficaz, entrentanto carrega um risco teórico de induzir fibrose de válvulas cardíacas, pleura e peritônio. Por essa razão, a cada 4 meses recomenda-se suspender a medicação por 1 mês. Deve ser evitada em hipertensos, coronariopatas, hepatopatas e pacientes com insuficiência renal crônica, doença vascular periférica e úlcera péptica. O pizotifeno tem sedação como o principal efeito colateral. Uma outra droga dessa classe é a ciproeptadina (Periatin®), utilizada principalmente em crianças. As doses variam de 6 mg/dia para crianças até 6 anos e 12 mg/dia para crianças de 6 a 12 anos.

A toxina botulínica tipo A está sendo usada com sucesso no tratamento profilático da migrânea crônica refratária aos outros medicamentos utilizados acima. Alguns estudos sugerem que a toxina botulínica, além de inibir a liberação de acetilcolina na membrana pré-sináptica pode inibir a liberação de mediadores nociceptivos como o glutamato, substância P e o peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP). Além disso, por razões desconhecidas a toxina botulínica pode inibir a sensibilização central dos neurônios trigeminovasculares, um fator fisiopatológico potencial na enxaqueca. Doses baixas de 25 a 50 U são utilizadas e distribuídas em vários músculos do couro cabeludo, fronte e nuca.

O tratamento profilático da migrânea menstrual pode ser feito com antiinflamatórios ou triptanos antes do início do ciclo menstrual. O naproxeno sódico (Naprosyn®) é utilizado na dose de 550 mg a cada 12 horas iniciando 7 dias antes da menstruação e continuando até o sexto dia do ciclo. Outras drogas utilizadas na migrânea menstrual verdadeira podem ser vistas na tabela abaixo. Caso não haja controle das crises com esses medicamentos, pode-se considerar a introdução de terapia hormonal. Pílulas anticoncepcionais que combinam estrógenos e progesterona são utilizadas com sucesso em mulheres. Entretanto, a decisão e a escolha das doses dos hormônios deve ser tomada em conjunto com um ginecologista, principalmente pelo fato de haver um aumento do risco de eventos vasculares trombóticos em pacientes migranosas utilizando anticoncepcionais orais, principalmente quando há história de tabagismo. O tratamento profilático das crises de migrânea exacerbadas pela menstruação geralmente se baseia no aumento da dose do medicamento profilático tradicional nos dias que precedem a menstruação.

O tratamento da migrânea na gestação é um dilema para o neurologista, pois apesar da maioria das mulheres apresentar algum grau de melhora clínica, muitas podem ter crises severas e frequentes. Como nenhuma das drogas utilizadas como profiláticas de migrânea é totalmente segura na gestação, o seu uso deve ser evitado quando possível. Quando estritamente necessárias, os betabloqueadores são as drogas de escolha na gestação. O ácido valpróico deve ser evitado devido à maior incidência de malformações do tubo neural nos fetos. O pizotifeno e a metisergida também não são indicados, principalmente pela falta de dados quanto a sua segurança.

As mulheres que entram no climatério podem utilizar terapia de reposição hormonal para aliviar os sintomas típicos do climatério e para prevenir a osteoporose. Muitas mulheres podem notar um aumento da frequência e intensidade das crises de migrânea após a introdução da terapia hormonal. Algumas estratégias utilizadas para diminuir essa possibilidade são diminuir a dose do estrógeno, usar terapia contínua ao invés de cíclica, substituir a via oral pela parenteral, adicionar androgênios e usar moduladores seletivos dos receptores de estrógenos. Essas decisões terapêuticas devem ser tomadas sempre em conjunto com o ginecologista da paciente.

Não há nenhum trabalho que confirme a eficácia dos medicamentos profiláticos na infância. As drogas mais utilizadas são a cinarizina, o propranolol e o pizotifeno. O tratamento deve ser por 4 a 12 meses e a interrupção deve ser gradual. A tabela abaixo mostra as doses das principais medicações profiláticas da enxaqueca na infância:



Algumas medidas não farmacológicas podem apresentar algum benefício em pacientes com migrânea. O biofeedback e técnicas de relaxamento podem ser indicados em alguns pacientes, particularmente crianças. Terapia cognitivo-comportamental pode ser efetiva em pacientes submetidos a grande grau de estresse. Se houver um alimento claramente desencadeante das crises, uma dieta restringindo tal alimento pode ser tentada. Não há estudos convincentes até o momento que permitam indicar a acupuntura e a homeopatia como tratamentos efetivos na migrânea, embora alguns trabalhos relatem sua eficácia.






  1. CEFALÉIA TIPO TENSÃO

A cefaléia tipo tensão é a causa mais comum de cefaléia primária na população geral, entretanto a maioria dos pacientes não procura o neurologista. Até 88% das mulheres e 69% dos homens apresentam algum episódio de cefaléia tipo tensão durante a vida. Não é incomum estar associada à migrânea no mesmo paciente. O diagnóstico diferencial com migrânea pode ser difícil. O termo tipo tensão induz o pensamento de que essa cefaléia seja relacionada com tensão emocional e estresse, o que causa algum preconceito quanto ao seu diagnóstico. Embora as cefaléias tipo tensão sejam muito comuns, seu mecanismo fisiopatológico permanece desconhecido. A teoria mais aceita atualmente é que ela tenha origem nos músculos do crânio, que estariam com seu tônus de repouso aumentado. Entretanto, há controvérsias quanto a essa teoria, pois estudos eletromiográficos dos músculos do crânio durante os episódios de dor não foram capazes de demonstrar aumento da atividade muscular durante os episódios. Algumas pesquisas sugerem que o óxido nítrico possa ser um mediador local da dor.

As cefaléias tipo tensão podem se dividir em episódicas e crônicas. As episódicas ocorrem eventualmente, têm duração de 30 minutos a 7 dias, caráter em aperto (não são pulsáteis), intensidade fraca a moderada, geralmente bilateral, não se agravam com exercícios físicos de rotina (ex. caminhar, subir escadas) e geralmente não se associam com náuseas ou vômitos. Fotofobia ou fonofobia isoladamente (nunca associadas) podem ocorrer. Os pacientes freqüentemente relatam que a dor se irradia para a nuca, pescoço e ombros. Tanto as cefaléias tipo tensão episódicas quanto as crônicas podem estar associadas com dolorimento das regiões frontal, temporal, masseter, esternocleidomastóide e trapézio à palpação manual durante as crises. As episódicas se dividem ainda em infrequentes quando ocorrem menos de uma vez por mês e frequentes quando ocorrem mais que uma vez por mês e menos que 15 vezes. Quando essas características persistem por mais de 15 dias por mês num período superior a 3 meses nós temos a cefaléia tensional crônica, que é uma dos tipos de cefaléia mais incapacitantes que existem com elevado custo sócio-econômico.



Critérios diagnósticos da cefaléia tipo tensão Episódica (SIC)


  1. Pelo menos 10 episódios ocorrendo por menos que 15 dias por mês por pelo menos 3 meses e preenchendo os critérios B-D.

  2. A cefaléia durando de 30 minutos a 7 dias.

  3. A cefaléia tem pelo menos duas das seguintes características:

- localização bilateral

- qualidade tipo pressão ou aperto (não pulsátil)

- intensidade leve ou moderada

- não agravada por atividade física de rotina (caminhar, subir escadas)



  1. Presença de ambos dos seguintes critérios:

- ausência de náuseas ou vômitos (anorexia pode ocorrer)

- presença de fotofobia ou fonofobia isoladamente (nunca juntas)



  1. Os sintomas não podem ser atribuídos a outras doenças.

  2. Dolorimento dos músculos pericranianos pode ou não estar presente.



Critérios diagnósticos da cefaléia tipo tensão Crônica (SIC)

  1. Cefaléias com frequência superior a 15 dias por mês por mais que 3 meses e preenchendo os critérios B-D.

  2. A cefaléia durando horas ou pode ser contínua.

  3. A cefaléia tem pelo menos duas das seguintes características:

- localização bilateral

- qualidade tipo pressão ou aperto (não pulsátil)

- intensidade leve ou moderada

- não agravada por atividade física de rotina (caminhar, subir escadas)



  1. Presença de ambos dos seguintes critérios:

- não mais do que um dos três seguintes sinais: fotofobia, fonofobia ou náusea leve.

- ausência de náuseas ou vômitos moderados ou severos.



  1. Os sintomas não podem ser atribuídos a outras doenças.

  2. Dolorimento dos músculos pericranianos pode ou não estar presente

O stress pode ser um dos muitos fatores precipitantes de cefaléia tipo tensão, entretanto, a causa subjacente é desconhecida. Outros fatores ligados à presença de cefaléia tipo tensão são história de trauma leve de crânio e uso crônico de analgésicos.

O diagnóstico das cefaléias tipo tensão é clínico. Nenhum estudo de imagem é necessário, a menos que algum sinal anormal seja encontrado no exame neurológico. O eletroencefalograma nunca está indicado.

A maioria dos pacientes com cefaléia tipo tensão não procura auxílio médico. Muitos deles usam automedicação analgésica e obtém alívio temporário. O problema é que o uso freqüente de analgésicos, sem orientação médica pode levar à cronificação do quadro e dar origem à cefaléia crônica diária. Acredita-se que o uso de duas pílulas por semana de analgésicos comuns já seja suficiente para perpetuar o quadro e ocasionar cefaléia crônica diária. Outras complicações do uso crônico de analgésico são lesões renais (nefropatia por analgésicos) e hepatotoxicidade.

O tratamento da cefaléia tipo tensão deve combinar abordagens farmacológicas e não-farmacológicas. A abordagem não-farmacológica inclui mudança do estilo de vida (sono regular, refeições em horários definidos, prática de exercícios físicos), diminuição do stress emocional (técnicas de relaxamento, biofeedback, meditação, yoga, psicoterapia), técnicas fisioterápicas (calor, gelo, ultra-som, estimulação nervosa transcutânea, massagens, exercícios para a musculatura cervical) e terapias alternativas (acupuntura).

As principais drogas utilizadas no tratamento abortivo da dor são os antiinflamatórios não-esteróides e os relaxantes musculares. Analgésicos com cafeína também funcionam bem. Nos casos severos há necessidade do uso de narcóticos. Entretanto, deve-se tomar cuidado com esses medicamentos devido ao potencial risco de adição.

Nos pacientes que apresentam mais que duas crises por semana está indicado o tratamento profilático. Os antidepressivos tricíclicos são as drogas de escolha para esses pacientes. Os outros antidepressivos mais modernos não funcionam tão bem. Os antiinflamatórios não-esteróides podem ser usados como profiláticos, porém apresentam o potencial para desencadear gastrite, hemorragia digestiva e dano renal quando usados cronicamente, devendo, portanto, ser evitados. O relaxante muscular tizanidina (Sirdalud®) também é uma opção atraente nos pacientes com cefaléia tensional crônica. A toxina botulínica tem sido usada com sucesso no tratamento de pacientes com cefaléia tipo-tensão, a exemplo do que foi dito para os pacientes com migrânea. Para finalizar é importante salientar que os pacientes com cefaléia tipo tensão crônica devem parar de fumar, pois esse hábito está fortemente relacionado com esse tipo de cefaléia.




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