Carmen, Uma biografia Ruy Castro



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popularidade). Exceto para

trabalhar, praticamente só saía de casa para ir à igreja, a horas mortas.

Era também por isso que

valorizava tanto as visitas de brasileiros - como a que recebeu, naquele

ano, do jovem jornalista

Millôr Fernandes (que ela conhecia de lê-lo em O Cruzeiro) e do futuro

cientista César Lattes,

ambos levados por Vinícius. Nesse dia, Ramon Novarro também estava lá.

Vinícius e Lattes

disputaram provas de natação na piscina; depois, um torneio de crapô-jogo

de cartas, uma

espécie de paciência a dois, então na moda; e Millôr ficou desapontado

por Ben-Hur (o querido

Ramon) ser tão baixinho que devia ter precisado de uma escadinha para

subir na biga.
Zanzando pela casa como um estranho, via-se também o marido de Carmen,

sempre mal-

humorado e sem paciência com os brasileiros. Mas quem estava perdendo a

paciência com esse

marido era Carmen, porque ele não lhe dava o que ela queria: um filho.
E, então, em fins de agosto, Carmen descobriu-se grávida.
"Ontem foi o dia mais feliz da minha vida. Quando o médico me deu a

notícia, quase não pude

acreditar", disse Carmen a Alex Viany em O Cruzeiro. "Ter um filho sempre

foi o meu maior

sonho."
Se fosse homem, se chamaria Roberto; se mulher, Maria Carmen. Mas Carmen

batia na barriga e

dizia para Luiz Fernandes, do Jornal das Moças:
"Nada de mulher. Vai ser um hominho." E piscava o olho: "Prefiro os

menininhos - e os

meninões...".
Menino ou menina, seria o produto de um desejo tão antigo que se poderia

dizer de décadas. E

Carmen via ali, quem sabe, sua última chance de ser mãe. Esse fora o

principal motivo para o

casamento com Sebastian, e ela já estava aflita pelo fato de, um ano e

meio depois, não haver nem

suspeita de cegonha no horizonte. Mas finalmente acontecera e Carmen não

deixaria que nada

interferisse na maternidade. Se precisasse interromper a carreira para se

dedicar a seu filho, faria

isso. Não seria absurdo nem se a encerrasse, como chegou a dizer. Quanto

à idéia de criar o

garoto nos Estados Unidos ou no Brasil, não via diferença: ele poderia

chamá-la de mamãe "em

qualquer língua".
Como se esperava que a criança nascesse em abril ou maio de 1949, Carmen

teria de adiar mais

uma projetada ida ao Brasil, dessa vez para receber uma medalha de ouro e

um diploma que a

Câmara dos Vereadores do Rio pensava em lhe oferecer - propostos por Ary

Barroso, que se

elegera vereador pela UDN (União Democrática Nacional), um dos novos

partidos criados

depois da redemocratização. Por causa da gravidez, Carmen iria se afastar

também


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dos estúdios, provocando o adiamento de um filme que rodaria em alguns

meses na MGM,

Ambassador from Brazil, com Wallace Beery (e que nunca chegaria a ser

feito porque Beery

morreria no começo de 1949). A pedido de Carmen, Abe Lastfogel, da

William Morris, cancelou-

lhe ainda vários contratos para apresentações, inclusive uma temporada no

Texas - Carmen não

queria correr o risco de um tombo no palco ao dançar com as plataformas.
Lastfogel convenceu Carmen a manter um compromisso mais imediato e que,

caso ela continuasse

a trabalhar, poderia ser decisivo para o futuro: sua primeira aparição na

televisão, como

convidada do comediante Milton Berle em seu programa Texaco Show Theatre,

estreado em

junho na NBC e já o mais popular do país. A televisão (já com 1 milhão de

aparelhos domésticos

nos Estados Unidos em 1948, metade deles em Nova York) era um novo

veículo a ser conquistado

pelos que estavam vivendo um momento vacilante no cinema - e Lastfogel

temia ser esse o caso

de Carmen. O programa seria filmado (em película, como se usava) no dia

27 de setembro e Berle

se vestiria de baiana, continuando uma prática que repetia sempre que se

apresentava com ela.


A caminho de Nova York para o programa, estava previsto que Carmen faria

uma parada na Base

Aérea de Mitchel, NY, para ser homenageada pelos veteranos da Força Aérea

como um dos

artistas que mais contribuíram com shows para o esforço de guerra. Não

seria um vôo de carreira.

O governo fretara especialmente um avião da American Airlines e, com ela,

a bordo estariam Bob

Hope, Marlene Dietrich, Bing Crosby, Dinah Shore, Martha Raye e outros

homenageados. Assim,

no dia 18 ou 19 de setembro, Carmen deu uma festa em sua casa para

comunicar aos amigos que

um filho estava a caminho e, possivelmente no dia 24, tomou com os

colegas o avião para a Base

Aérea.
Supondo que Carmen tivesse se certificado de sua gravidez na última

semana de agosto, ou na

primeira de setembro, o destino lhe concedeu pouco mais de vinte dias

para deliciar-se com a

idéia de ser mãe, fazer planos para o bebê e fantasiar toda uma nova vida

para si própria -

porque, no fim daquele mês, um aborto espontâneo em Nova York liquidou

com o seu sonho.


Em várias fontes impressas sobre Carmen, afirma-se que o vôo para Nova

York foi o responsável

pela perda do filho. Há um exagero nisso - ou uma confusão entre a viagem

e o vôo


propriamente dito. É verdade que o vôo de quase doze horas, no Douglas da

American Airlines,

foi um horror. Até pouco antes, essa viagem era feita nos oc-4, que ainda

não eram pressurizados e

tinham de voar abaixo de 2400 metros, o que os tornava tão sujeitos a

vento e turbulência quanto

uma gaivota de papel, e com o barulho infernal das hélices sacudindo a

cabine de passageiros.

Carmen passou por isso muitas vezes na rota Los Angeles-Nova York e

sofria tanto que, apesar

de centenária de vôo, só viajava agarrada a um livrinho sobre são Judas

Tadeu, que "impedia" o

avião de cair. Em 1948, no entanto, os aviões já eram os DC-6, maiores e

mais pesados, capazes

de voar mais alto e de oferecer uma viagem mais confortável.

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Mesmo assim, Carmen passou mal durante todo o vôo, por causa dos enjôos,

vomitando muito e

preocupando sua amiga Marlene Dietrich.


Bem ou mal, Carmen desembarcou em Mitchel e foi, como sempre,

profissional o bastante para

participar das celebrações na Base Aérea. Entre as fotos do evento há

uma, com data de 25 de

setembro, em que ela aparece abatida, mas sorridente, a bordo de um jipe

dirigido por Bob Hope,

na companhia de outros atores, como Adolphe Menjou, Patrícia Morison,

Jerry Colonna e Charlie

Ruggles. As festividades previam um show de cada artista, com fins

filantrópicos, donde se pode

garantir que Carmen cantou e dançou por no mínimo meia hora para os

soldados. Saiu dali no dia

26 e foi para Nova York. À noite, foi a um nightclub (o Embassy) e, no

dia 27, filmou sua

participação no programa de Milton Berle, com quase uma hora de duração.
Uma hora de filmagem para a televisão em 1948 exigia quase um dia inteiro

de ensaios para que,

quando a câmera começasse a rodar, só se interrompesse a cena para trocar

o rolo na máquina.

Trabalhava-se com filme de cinema, e por isso não era permitido errar. E

submeter-se ao ritmo de

Milton Berle era extenuante. Com seus mais de 1,80 metro e cem quilos,

ele não deixava ninguém

imóvel em cena e exigia tudo de si e dos outros. Era capaz de qualquer

coisa por uma gargalhada,

como andar com os pés para fora e para dentro ao mesmo tempo, usar

vestidos grotescos (entre os

quais, sua horripilante baiana) e ser grosseiro com o diretor, os

técnicos e até com os convidados.

Mas, como desde cedo foi chamado de "Mister Television" - o primeiro

grande nome do veículo

-, as pessoas se submetiam a tudo para aparecer em seu programa. Carmen

filmou os números

com Berle, voltou para o seu apartamento alugado na Hampshire House (o

principesco apart-

hotel no n-150 de Central Park South, onde passara a se hospedar em Nova

York), e, no mesmo

dia ou no dia seguinte, sentiu-se mal. Foi levada para um hospital,

talvez o LeRoy Sanitarium. E

perdeu seu bebê.
Aloysio de Oliveira soube da notícia no Rio - todos os jornais a

publicaram alguns dias depois.

Em carta para Aloysio, sem mencionar a origem (Beverly Hills) e datada de

12 de outubro, Dave

Sebastian deu seu relato:
Como você já deve estar sabendo, Carmen perdeu o bebê em Nova York. Assim

é a vida. Fomos

até lá para o show de caridade da Força Aérea. Antes de deixar a

Califórnia, tivemos uma

consulta com os médicos, e eles nos asseguraram que não haveria perigo.

Não pensamos em

nenhum problema ou [tivemos] medo em relação ao estado de Carmen. O que

se deu, entretanto,

foi o contrário. Carmen passou muito mal no vôo - isso e mais a tensão

nervosa ao fazer o show

[de televisão] bastaram para que ela reagisse violentamente e perdesse o

bebê.


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Mas Sebastian também errou na sua simplificação. Na verdade, um conjunto

de circunstâncias

colaborou para a tragédia. Entre elas, a idade de Carmen: 39 anos e meio,

considerável para uma

primípara. Depois, o fato de que seu organismo estava sendo bombardeado

havia anos por uma

dose excessiva de soníferos e estimulantes - e, ultimamente,

potencializados pelo álcool. Isso

pode ter comprometido a nidação, o processo de fixação do óvulo no útero.

Mesmo que Carmen

tivesse interrompido o consumo dos medicamentos, o que ela não via motivo

para fazer, o feto

teria passado as primeiras semanas recebendo toxinas no lugar dos

nutrientes. Esse mesmo

problema poderia ter contribuído para a dificuldade de Carmen engravidar

em seu primeiro ano e

meio de casamento - os medicamentos interferindo na sua produção

hormonal. (Havia ainda a

possibilidade de Carmen apresentar um defeito congênito, como um útero

invertido, e o fato de

que, seis anos antes, ela fizera um aborto em Los Angeles, sabe-se lá em

que circunstâncias.) Enfim,

sem toda essa combinação de fatores, apenas o esforço despendido na

viagem e nos shows em

Nova York não teria sido suficiente para a perda do filho. E, ao ser

informada pelos médicos de

que, depois desse malogro, talvez não conseguisse engravidar de novo,

Carmen parece ter

tomado isso, aos poucos, como uma certeza de que nunca mais seria mãe.
"Graças a "Deus", pelo menos, por uma coisa", continuava a carta de

Sebastian, com Deus entre

aspas. "Ela está com boa saúde e se sentindo bem. Como consegue, não sei

- depois de cinco

dias no hospital e outros quatro no hotel. Mas Carmen é assim."
O alívio de Sebastian não lhe foi de muito proveito. Nove dias depois do

aborto, e com Carmen já

recuperada, eles tomaram o avião de volta para Los Angeles. Durante o

vôo, ela fez seus

cálculos. Assim como jamais saberia se o bebê seria menino ou menina,

Carmen raciocinou que, se

o único motivo para prosseguir com aquele casamento - ter um filho - se

perdera, não havia por

que continuar casada.
E assim, já em casa, depois de certificar-se de que esta era a medida a

tomar, comunicou a

Sebastian que ele estava expulso de sua cama e de seu quarto.
Sérgio Corrêa da Costa, novo cônsul do Brasil em Los Angeles, tornara-se

uma presença

freqüente na casa de Carmen e ganhara de saída a sua confiança. Ele

estava lá, com sua mulher,

Luiza, quando Carmen obrigou Sebastian a dormir no andar de baixo, num

quarto que chamava

de "Blue room". Os mais íntimos sabiam o que significava quando Carmen,

irritada por algo que

Sebastian tivesse feito ou falado, dizia ao marido:
"E por isso que você continua no "Blue room"."
Não admira que Sebastian vivesse de cara amarrada. Nas poucas vezes em

que o humor dele

parecia melhorar, Sérgio (ou Vinícius, irremovível de seu posto de vice-

cônsul) perguntava a

Carmen:
455
"Ué, você o deixou subir ontem?"
Todos riam e Sebastian sabia que riam dele. Tornara-se motivo de chacota

entre as visitas.

Susana, filha de Vinícius e Tati, tinha oito anos, mas nunca se esqueceu

de ter ouvido Carmen

resmungando entre dentes ao passar por ele:
"Babaca!" - acreditando que ele não sabia o que ela dissera.
Era aí que Carmen se enganava. Das poucas palavras que Sebastian entendia

em português, 90%

eram os insultos e os palavrões. Captava-os pela entonação, decorava seu

som, e depois,

reservadamente, perguntava a algum brasileiro o que significavam.
O que não fazia diferença porque, de outras vezes, Carmen dava-lhe bomdia

em inglês com todas

as letras:
"Good morning, stupid."
Carmen também sabia ser cruel. Em noites de festa em casa, insistia em

tirá-lo para dançar -

sabia que isso o constrangia, por causa da perna mais curta. Na verdade,

Carmen o estava

punindo talvez pela única coisa de que não se podia acusá-lo: a perda do

bebê. E, de qualquer

maneira, essas pequenas vinganças de Carmen não surtiam efeito, porque

Sebastian não se

ofendia.
Sérgio Corrêa da Costa, bem jovem, mas já um homem do mundo, sempre

pensou ler nos olhos de

Sebastian o sentido de sua função naquela casa: era um business man. E os

business men não se

ofendem. Quando Carmen lhe pediu o divórcio, Sebastian simplesmente o

negou.
Carmen não queria continuar casada com aquele homem e, nos Estados

Unidos, o nome que se

dava a esse tipo de separação era divórcio. Para divorciar-se de

Sebastian, Carmen teria de

vencer três obstáculos, menos ou mais difíceis.


O primeiro, talvez mais flexível, era o próprio Sebastian. A princípio,

não o concederia, mas não

estaria fechado a um acordo que lhe fosse pesadamente favorável. O

segundo era dona Maria,

para quem a simples palavra divórcio saía direto da boca do demônio. Ela

já sofria o suficiente

com as trapalhadas no Rio de seus filhos Mocotó e Tatá. Mocotó, apesar de

casado com Olga,

continuava um mulherengo rematado e chegara até a ficar noivo de outra

moça - mais um passo

e acabaria bígamo. Tatá se separara de Anéris, sua primeira mulher, e já

estava com a segunda,

Eugenia. E ambos tinham se tornado estéreis por tantas doenças venéreas

que pegaram na

juventude. Dona Maria simpatizava com Sebastian e não queria ver o

casamento de Carmen

destruído - mas, se esta lhe apresentasse um fato consumado, acabaria se

conformando. E o

terceiro obstáculo eram os padres da igreja do Bom Pastor. Ao consultar

um deles sobre o

divórcio, Carmen ouviu exatamente o que não queria:
"Você é católica, Carmen. Não há o divórcio para os católicos."
Aconteceu que um quarto obstáculo, ainda mais forte que os outros, se

levantou. A própria

Carmen, roída por suas culpas religiosas, decidiu-se pelo

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pior dos dois mundos: ela e Sebastian estariam efetivamente separados mas

sem que ele

precisasse sair de casa.


Os Anjos do Inferno tinham se tornado o conjunto vocal mais querido do

Brasil. Assumiram o

microfone deixado vago em 1939 pelo Bando da Lua e lançaram mais sambas

de sucesso do que

qualquer outro. Algumas de suas grandes criações desde 1940 tinham sido

"Rosa morena", "Você

já foi à Bahia?", "Requebre que eu dou um doce", "Vestido de bolero" e

"Acontece que eu sou

baiano", todas de Dorival Caymmi; "Brasil pandeiro", de Assis Valente;

"Cordão dos puxa-

sacos", de Rubens Soares e David Nasser; "Bolinha de papel", de Geraldo

Pereira; "Sem

compromisso", de Geraldo Pereira e Nelson Trigueiro; "Nós, os carecas",

de Roberto Roberti e

Arlindo Marques Júnior; e "Helena, Helena", de Antônio Almeida e Constantino

Silva. Os Anjos eram

o crooner carioca Leo Villar, o pistom nasal alagoano Harry (pronuncia-se

Arri) Vasco de

Almeida e o violão-tenor cearense Aluisio ("Lulu") Ferreira. Esses eram

os donos do conjunto e

vinham com ele desde suas primeiras formações, em meados da década de 30.

Os outros - os

violonistas Walter Pinheiro e Roberto Paciência e o jovem pandeirista

Russinho (na carteira, José

Ferreira Soares - não confundilo com o veterano Russo do Pandeiro), todos

cariocas - eram

contratados. Em abril de 1946, eles sentiram o chão fugir quando o

presidente Dutra proibiu o

jogo no Brasil, fechando os cassinos e estancando o mais importante

mercado de trabalho dos

músicos brasileiros. Exilados em seu próprio país, os Anjos do Inferno

enfiaram violas e pandeiros

nos respectivos sacos e foram à luta lá fora.
Começaram por Buenos Aires, exploraram toda a América do Sul, tocaram

para o México e, de lá,

desviaram para Cuba. Em Havana, em 1947, uma discussão boba num elevador

entre Leo Villar e

seus dois sócios resultou num rompimento. Leo voltou para o México com

Paciência; Harry, Lulu,

Walter e Russinho ficaram em Havana e mandaram chamar do Brasil um novo

crooner: o mineiro

Lúcio Alves, com quem Russinho trabalhara no moderníssimo, mas também

extinto, Namorados da

Lua. Com Lúcio, os Anjos do Inferno se agüentaram durante um ano em Cuba.

De lá foram para

Nova York, contratados pela CocaCola, e se apresentaram em vários

nightclubs. Uma noite, em

junho de 1948, Carmen, de volta de Londres, foi vê-los no Blue Angel, na

Rua 55 Leste, por

indicação do locutor brasileiro Luiz Jatobá, residente na cidade. Ela

gostou deles - riu muito da

imitação que Russinho, de smoking, fizera dela, usando apenas um turbante

de frutas e cantando

"Mamãe, eu quero" - e, como estava sem conjunto fixo, deixou-os de

sobreaviso: quem sabe não

iriam trabalhar juntos?
Em setembro, os Anjos estavam se apresentando no Embassy, em frente ao

Morocco, mas, quando

terminasse o contrato, sem o cartão do sindicato local dos músicos e com

o visto de permanência

expirando, só lhes restava ir embora do país. Foi quando Carmen surgiu de

novo, em pessoa - na

véspera do fatídico

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programa com Milton Berle -, e lhes fez a proposta: se

conseguissem o cartão do

sindicato, ela tentaria acertar o problema deles junto à Imigração. Se

tudo corresse bem, estariam

contratados para tocar com ela.


A pedido deles, Joe Glaser, empresário de Louis Armstrong e Ella

Fitzgerald e com boas relações

na Máfia, providenciou-lhes o cartão do sindicato. E, algumas semanas

depois, receberam a carta

da Imigração a respeito do seu pedido de licença de permanência no país.

O pedido fora negado.

Mas, de absoluta boa-fé, entenderam a resposta ao contrário - acharam que

a licença fora

concedida -, e, em novembro, foram se juntar a Carmen na Califórnia.
Lúcio Alves seguiu com o conjunto para Los Angeles e, durante mais de um

mês, ensaiou com

Carmen e o conjunto. De repente, para surpresa geral, Lúcio decidiu que

queria voltar para o

Brasil. Primeiro, alegou saudades da mãe. Depois admitiu que pretendia

fazer carreira-solo -

ficara sabendo que seu disco "Aquelas palavras", no lado A, com "Seja

feliz... adeus", no lado B,

que ele gravara na Continental antes de embarcar para Cuba, estava

começando a pegar no

Brasil. Era a hora de voltar. Lúcio prometeu esperar pela chegada de um

novo crooner, que ele

também ajudaria a preparar. O escolhido, a quem escreveram uma carta, foi

Aloysio de Oliveira.


Aloysio continuava no Rio, morando com a família no Catete, jogando

sinuca no Lamas e

assuntando as rádios em busca de algum bico. Nada de muito emocionante

estava acontecendo

em sua vida. Quando recebeu a carta com o convite, aceitou imediatamente

e tomou o avião para

Los Angeles - passagem paga por Carmen. Lúcio e Russinho o ensaiaram (os

arranjos tiveram

de ser refeitos para adaptar o barítono de Lúcio ao tenor de Aloysio) e

só então Lúcio foi embora,

com a passagem de avião também paga por Carmen. Com Harry e Lulu no

conjunto, não havia

razão para o grupo não continuar se chamando Anjos do Inferno - afinal,

continha dois dos três

membros natos, proprietários originais da marca - e foi assim que, em

fins de 1948, Carmen

Miranda e os Anjos do Inferno partiram para a sua primeira excursão.
E com um show inteiramente novo, porque Nick Castle, coreógrafo da MGM,

criara uma série de

movimentos para ela e os rapazes. O maestro Bill Heathcock, por sua vez,

escrevera arranjos para

grande orquestra, a serem executados por músicos locais e, com isso,

"engordar" o som dos Anjos

do Inferno. Nunca eles tinham se apresentado de forma tão profissional.
De dezembro de 1948 a fevereiro de 1949, negociando diretamente com a

William Morris e sem

interferência de Sebastian, Carmen e os Anjos fizeram cinco cidades

americanas, com várias

semanas em cada uma. Começaram pelo El Rancho Vegas, em Lãs Vegas, onde a

imprensa


saudou o show como "a grande volta de Carmen" - a provar que um conjunto

brasileiro às suas

costas fazia toda a diferença. Romperam o ano no Beverly Country Club, em

New Orleans, e, em

janeiro, esticaram no Latin Cassino, em Filadélfia. Em fevereiro, Carmen

reassumiu seu microfone

(a essa altura, quase cativo)

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no Chez Paree, em Chicago (e foi homenageada pelos fotógrafos da cidade no

Morrison Hotel), e

encerraram a excursão no Town Cassino, em Buffalo, N.Y.


Em Buffalo, a poucas horas de estréia, Carmen e os Anjos receberam uma

notícia que lhes caiu

como uma bomba: a Imigração dava 24 horas aos rapazes do conjunto para

sair do país. Seu

pedido de permanência nos Estados Unidos fora negado, e eles haviam

ignorado essa decisão. A

ordem era de que, sem mais delongas, dessem o fora ou seriam presos.
Carmen não esperou nem um minuto. Ligou para o embaixador Carlos Martins

em Washington e

expôs a situação. Mas Martins, literalmente cansado de guerra, tirou o


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2015 -> Componente Curricular: Enfermagem Médica Profª Mônica I. Wingert Módulo II turma 201E
2015 -> Visando melhorar o desempenho e cobertura do Programa Coletivade Odontologia Preventiva do Escolar e ao mesmo tempo incentivar a participação de todos os municípios e facilitar a Operacionalização, Controle e Avaliação do mesmo
2015 -> Relatório Anual de Atividades Modelo – Sorriso do Bem 2015 – Dentista do Bem
2015 -> Regeneração Ad Integrum da Cabeça do Côndilo em uma Paciente com Disfunções Temporomandibulares
2015 -> Revisão unidade – 6º ano leia os textos abaixo. Texto o sapateiro
2015 -> Linhas da cúspide da casa e do fim da casa 6 os graus da cúspide e do fim
2015 -> Casa semana Mapeamento celestial
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