Características dentofaciais de pacientes com síndrome da apnéia obstrutiva do sono



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4. DISCUSSÃO

Observa-se que os pacientes apneicos apresentam características dento faciais similares, e quanto mais de divide os grupos de apneicos por idade, sexo, IMC e severidade de apnéia, mais características semelhantes são encontradas entre os indivíduos do mesmo grupo. Numa classificação simples, apenas de apneico e não apneico, Anderson e Brattström (1991) encontraram características de Cl II esquelética, devido à mandíbula e diminuição do diâmetro das VAS para os pacientes apneicos. Neste mesmo estudo, identificaram também características típicas que ocorrem tanto em indivíduos apneicos, como em roncadores não apneicos, tais como: menor comprimento da base craniana, menor ângulo NSBa, sínfise mandibular encurtada, maior rotação posterior da mandíbula, menor altura facial posterior, redução espaço aéreo da naso e orofaringe, posição mais inferior do osso hióide, maior espessura de tecido mole do pogônio mole. Já os autores Pae e Ferguson (1999) realizaram um estudo mais refinado, onde classificaram os indivíduos em grupos quanto à severidade da apnéia e quanto ao IMC. Identificaram que quanto maior o IMC, maior o IAH, apesar de haver indivíduos não obesos com apnéia severa. Identificaram que a obesidade é um fator etiológico da apnéia, e que interfere na severidade da síndrome. Concordando com esse fato, Yu et al. (2003) afirmaram que ocorre acúmulo de gordura nas VAS, promovendo seu estreitamento. Identificaram inclusive que a língua e o palato mole são maiores nos obesos com apnéia que em não-obesos com apnéia. Baik et al. (2002) observaram que o grupo de indivíduos obesos com apnéia apresentava o maior e mais amplo palato mole em comparação aos outros grupos.

Em relação aos problemas verticais, Pae e Ferguson (1999) verificaram que pacientes não obesos com apnéia severa tendem a ter uma altura facial inferior pequena e overbite profundo. Em contrapartida, Baik et al. encontraram tendência a face longa em pacientes apneicos não obesos com obstrução faríngea devido à hipertrofia de amígdalas.

Anderson e Brattström (1991), Baik et al. (2002) e Yu et al. (2003) reconheceram que os pacientes apneicos apresentam posição mais inferior do osso hióide. Pae et al. (2008) verificaram que a posição do osso hióide altera continuamente com a idade independente da presença da apnéia, em homens. E enfatizaram que os dolicofaciais e os mesiofaciais apresentaram maiores mudanças que os braquifaciais. Sugeriram ser devido às funções respiratórias influenciadas pelo tipo facial, e não estar relacionados com obesidade.

Shimura et al. (2005) afirmaram que a obesidade é o único fator etiológico reversível da apnéia. Entretanto, Gilon et al. (2001), Smatt e Ferri (2005), Conley e Legan (2006), Santos Júnior (2007), Paoli, Dekeister e Mayorca (2007) e Chen et al. (2007) realizaram pesquisa em pacientes apneicos que se submeteram à cirurgia ortognática variadas e constataram a cura e/ou significativa melhora da apnéia para estes indivíduos.

Em relação ao gênero, Martins et al. (2007) verificaram uma prevalência da síndrome maior em homens, justificando que as mulheres apresentam maior tônus do músculo genioglosso, mantendo a permeabilidade das VAS. Moore e Phillips (2002) identificaram que existem diferenças entre os gêneros quanto ao sítio de obstrução. Nas mulheres, encontraram maior estreitamento na região retroepiglótica com base de língua alta, enquanto nos homens, o estrangulamento se deu isolado na região retroepiglótica. Verificaram também que a circunferência do pescoço é maior nos homens que nas mulheres.

Baik et al. (2002), e Moore e Phillips (2002) concordaram que os sítios de obstrução na faringe são diferentes em cada tipo facial. E que, identificar a região exata da obstrução, facilita o planejamento cirúrgico e garante o tratamento correto para cada paciente.

5. CONCLUSÃO

As características dentofaciais dos pacientes apneicos variam de acordo com gênero e o IMC. As mulheres tendem a apresentar IAH menor que os homens, provavelmente devido às proteções hormonais. Os obesos (ambos os sexos) tendem a apresentar acúmulo de gordura nas paredes das VAS, estreitando o seu lúmen e maiores tamanhos de palato mole e língua. Já os apneicos não obesos apresentam características dentofaciais típicas de Cl II esquelética, por retrusão mandibular, ou bi-retrusão. E quando estas características apresentam-se em obesos, há aumento da severidade da síndrome.


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