Capítulo 29 paralisia facial periférica



Baixar 21.02 Kb.
Encontro24.10.2017
Tamanho21.02 Kb.

PARALISIA FACIAL PERIFÉRICA
Prof. Dr. Ricardo Ferreira Bento
INTRODUÇÃO
A face revela o íntimo de nossa expressão e é parte essencial da comunicação humana.

Além disso, a importância cada vez maior que a sociedade dos tempos atuais dá à estética relaciona-se diretamente com a aparência facial, pois a face é o "local" onde mais nos expomos ao meio e os seus traços marcam a nossa individualidade.

Todo esse envolvimento acha-se diretamente ligado à psique do indivíduo, já que qualquer alteração na mímica e na aparência da face causa problemas psíquicos de extrema importância no homem, o qual, na grande maioria das vezes, altera o seu comportamento social em prejuízo do trabalho e da coexistência com aqueles que o rodeiam. Essa interação psico social só se torna possível através da integridade do nervo facial com a musculatura cutânea da face.

Dessa integridade dependem também funções fisiológicas muito importantes, tais como o lacrimejamento, uma vez que o nervo facial é responsável pela inervação motora do saco lacrimal e da pálpebra, podendo acarretar, com a perda de tais funções, úlcera de córnea e a conseqüente cegueira.O reflexo do músculo do estribo, inervado por seu ramo estapediano, é o responsável pela proteção do ouvido interno contra os sons de alta intensidade. O nervo corda do tímpano, outro ramo do nervo facial, é o responsável pela sensibilidade gustativa dos dois terços anteriores da língua e pela inervação motora da glândula submandibular e glândulas salivares menores. A movimentação voluntária e o tônus da musculatura da boca reveste-se de extrema importância, quer na alimentação, quer na ingestão de líquidos, e a perda dessa função acarreta terríveis dificuldades ao processo alimentar. A essas funções, junta-se a sensibilidade táctil das regiões do pescoço, retro-auricular e pavilhão auricular que são inervadas sensitivamente por seu ramo cervical, importantes também na libido humana.


NOÇÕES DE ANATOMIA E FISIOLOGIA
O nervo facial, sétimo par craniano, é um nervo misto, motor e sensitivo, que tem como função principal a inervação de todos os músculos da mímica facial, exceto aqueles inerentes à mastigação que são inervados pelo quinto par craniano (nervo trigêmio). Das aproximadamente 7000 fibras do nervo facial as motoras são 58%, as préganglionares para lacrimejamento e salivação 24% e as da gustação e as outras sensitivas 18%.

O nervo facial tem íntima relação com as estruturas do ouvido e apresenta os seguintes segmentos:



SEGMENTO INTRACRANIANO

O facial e o intermédio cruzam a fossa posterior craniana no sentido anterolateral medindo neste segmento de 12 a 14 mm..

No fundo do canal (lateralmente) penetra no canal de Falópio, um canal ósseo de aproximadamente 40 mm de comprimento que termina no forame estilo-mastoideo

No canal de Falópio, o mais longo trecho intra-ósseo que um nervo periférico percorre no organismo, o nervo facial apresenta 3 segmentos:



SEGMENTO LABIRÍNTICO

Se inicia no fundo do conduto auditivo interno e termina no gânglio geniculado, mede aproximadamente 6 mm. Neste trecho o canal é mais estreito contendo praticamente só o nervo. No início deste trecho existe um ligamento fibroso que abraça o nervo facial e que é muito importante fisiopatologicamente.



SEGMENTO TIMPÂNICO

O segmento timpânico se estende do gânglio geniculado até o segundo joelho e mede aproximadamente 13 mm de comprimento. O nervo neste trecho cruza o ouvido médio em relação posterior com a janela oval e o estribo.



SEGMENTO MASTOÍDEO

Inicia-se no segundo joelho e termina no forame estilo mastoideo. Mede em torno de 15 mm de comprimento. O forame estilomastóideo por onde emerge nas partes moles do pescoço está localizado entre a eminência mastóidea e o processo estilóide.

No osso temporal o nervo facial apresenta 3 ramos:a- Nervo petroso superficial maior, que tem sua origem no gânglio geniculado na porção labiríntica do nervo facial e faz

a inervação motora da glândula lacrimal.b- Ramo do estapédio, que tem sua origem no ouvido médio na porção timpânica do nervo facial e inerva o músculo do estribo.



SEGMENTO EXTRATEMPORAL

Após sua emergência através do forame estilomastóideo o nervo facial apresenta um ramo, o nervo auricular posterior, que faz a inervação sensitiva de região lateral do pescoço e retro-auricular. O nervo facial ao penetrar na parótida após uma curvatura no sentido anterior, se divide em 2 grandes ramos, o têmporo-facial e o cérvico-facial, que se ramificam diferentemente de individuo para individuo, até atingir as placas neuromotoras da musculatura mímica da face.

Os principais músculos por ele inervado são o frontal, o orbicular dos olhos (responsável pelo fechamento palpebral) e o orbicular dos lábios.

Devido a este longo trajeto intracanal o nervo facial é o nervo craniano mais comumente atingido por patologias.


DIAGNÓSTICO
O diagnóstico da paralisia facial tem 4 objetivos principais:

1) Diferenciar paralisia facial periférica de paralisia central.

2) Estabelecer uma etiologia.

3) Estabelecer o topodiagnóstico (local da lesão).

4) Saber o grau de lesão do nervo.
Para tal a anamnese bem elaborada é essencial.

Topodiagnóstico
O topodiagnóstico ou a determinação do local da lesão sempre faz-se necessário.
Exame elétrico
Os testes elétricos auxiliam na avaliação das condições fisiológicas do nervo e estabelecem o grau de disfunção. Eles também ajudam a determinar a evolução do processo.

Os testes elétricos do nervo facial são restritos na avaliação do segmento do nervo entre o forame estilomastoídeo e a musculatura da face, porém como as alterações de um nervo periférico ocorrem em todo o segmento distal à lesão é possível avaliar-se em qualquer segmento distal o grau de lesão.

Os testes de excitabilidade nervosa identificam alterações no limiar do estímulo, tendo como parâmetros a intensidade e duração.

Existem basicamente 3 testes realizados clinicamente: Teste de excitabilidade mínima (teste de Hilger), teste de excitabilidade máxima (eletroneurografia) e eletromiografia.


Exame por imagem
O exame por imagem do nervo facial é importante no diagnóstico diferencial de paralisia de Bell com outras etiologias e nos casos tumorais e traumáticos.
CLASSIFICAÇÃO
Classificamos paralisia facial periférica de acordo com sua etiologia, e as relacionamos em ordem decrescente de maior incidência em nosso meio:

A- Idiopáticas; B- Traumáticas; C- Infecciosas; D- Tumorais; E- Metabólicas; F- Congênitas; G- Vasculares; H- Tóxicas.


IDIOPÁTICAS


Paralisia de Bell
Sinomímia- Paralisia facial a frígore.

Paralisia facial idiopática.

É o tipo mais comum de paralisia facial. A incidência na população em geral é de aproximadamente 20 casos por 100000 habitantes por ano. A etiologia da paralisia de Bell permanece desconhecida, porem varias hipoteses foram sugeridas. Atualmente a teoria mais aceita é que a paralisia seja causada pelo HSV-1 (Vírus Herpes Simples)que infecta o individuo através da pele se aloja no gânglio geniculado e permanece latente até que algum fator como baixa imunidade, stress, etc.. reative o vírus e provoque uma neurite com consequente paralisia facial.
Características clínicas:

1- Paresia ou paralisia facial periférica de inicio súbito geralmente unilateral, podendo muito raramente ser bilateral. Pode ser recorrente, mas também não é frequente este achado.


Tratamento:O tratamento da paralisia de Bell é extremamente controverso, por ser uma doença de etiologia ainda não bem definida. O principal polo de discórdia é entre o tratamento clínico ou cirúrgico (descompressão do segmento intracanal do nervo).

O tratamento é realizado com corticoterapia e antivirais em altas doses.

O tratamento cirurgico é baseado na teoria da compressão isquêmica causada no nervo pelo seu confinamento no rígido canal de Falópio.

Prognóstico:Evolução para cura total sem sequelas na grande maioria dos casos. As sequelas se traduzem pela paresia de algum segmento da face, a sincinesia ou espasmo, as "lágrimas de crocodilo", que são o lacrimejar constante e os lagos lacrimais na palpebra inferior. As sequelas são mais frequentes nos pacientes idosos, pela flacidez muscular.


TRAUMÁTICAS
O nervo facial é o par craniano mais atingido por traumas. Isto se deve ao seu longo trecho intracanal que favorece a lesão traumática compressiva, principalmente nos traumas de crânio que produzem fraturas do osso temporal.

As paralisias faciais traumáticas tem se tornado importantes em nossos dias dada à sua etiologia que pode ser prevenida e a seu tratamento que está bem estabelecido.

Classificamos as paralisias traumáticas de acordo com o fator causal em:
-Causadas por Fraturas:

Do osso temporal.

Dos ossos da face.
-Causadas por projéteis de arma de fogo.

-Ferimentos corto-contusos nas partes moles da face.

-Traumas de parto.

-Iatrogênicas.


INFECCIOSAS

As etiologias são:

-Virais (herpes zooster)

-Bacterianas inespecíficas (otite média aguda e otite média crônica)

-Específicas – (tuberculose, Doença de Lyme)
TUMORAIS

A paralisia facial tumoral incide sobre as paralisias faciais em aproximadamente 5% dos casos.

Os tumores causando paralisia facial podem ser intrínsecos (de origem neurogênica) ou extrínsecos que afetam o nervo facial secundariamente.
CONGÊNITA

Paralisia facial neonatal resultante de uma malformação congênita.


METABÓLICAS

Causadas por diabete, hipotireoidismo e durante a gravidez.


VASCULARES

São formas incomuns de paralisias faciais que ocorrem na periaterite nodosa na granulomatose de Wegener e na Síndrome de Heerfordt ou Sarcoidose de Boeck. Patologicamente estas lesões mostram vasculite e granuloma necrotizante. A conduta é baseada no tratamento da síndrome.


TÓXICAS

Igualmente são formas de paralisia facial raras que se apresentam geralmente bilateral encontradas na administração de drogas que causam imunosupressão ou alterações vasculares. É mais encontrada em paciente em tratamento quimioterápico.



BIBLIOGRAFIA:
-BENTO, RF; MINITI, A.;MARONE, S. - Tratado de Otologia. EDUSP , São Paulo, 1998.

-MINITI, A.; BENTO, RF; BUTUGAN, O. - Otorrinolaringologia Clínica e Cirúrgica. Atheneu, 2001, 2.Ed.


Compartilhe com seus amigos:


©aneste.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
Prefeitura municipal
santa catarina
universidade federal
terapia intensiva
Excelentíssimo senhor
minas gerais
união acórdãos
Universidade estadual
prefeitura municipal
pregão presencial
reunião ordinária
educaçÃo universidade
público federal
outras providências
ensino superior
ensino fundamental
federal rural
Palavras chave
Colégio pedro
ministério público
senhor doutor
Dispõe sobre
Serviço público
Ministério público
língua portuguesa
Relatório técnico
conselho nacional
técnico científico
Concurso público
educaçÃo física
pregão eletrônico
consentimento informado
recursos humanos
ensino médio
concurso público
Curriculum vitae
Atividade física
sujeito passivo
ciências biológicas
científico período
Sociedade brasileira
desenvolvimento rural
catarina centro
física adaptada
Conselho nacional
espírito santo
direitos humanos
Memorial descritivo
conselho municipal
campina grande