Camille Flammarion o desconhecido e os Problemas Psíquicos



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(Carta 56)

XXXVII – “”Terminava eu, em 1885, meu último ano de serviço no Arsenal de Tarbes, onde trabalhava como ferreiro. Muito tarde da noite de 20 de maio, fui despertado pela sensação de uma luz 26 a passar diante dos meus olhos. Olhei e vi perto da minha cama, à esquerda, um disco luminoso cuja claridade discreta lembrava a de uma lamparina. Sem ver ninguém, sem ouvir nada, veio-me a idéia precisa de que tinha diante de mim um dos meus primos, residente em Langon e que se achava acometido de grave enfermidade. Passados alguns segundos, a visão esvaeceu-se; achei-me sentado na cama. Disse de mim para mim, tornando a deitar-me: “Imbecil, é um pesadelo”.

No dia seguinte, como de costume, dirigi-me à oficina e lá, cerca de 8:30, recebi um telegrama anunciando a morte desse primo, sobrevinda a uma hora da madrugada. Pedi e obtive uma licença de três dias para ir abraçá-lo pela última vez. Criados como irmãos, nós nos amávamos fraternalmente.

Ao chegar, contei o que vos escrevo a meu tio Lapaye e a minha madrinha, pai e mãe do defunto. Eles vivem ainda e podem, se houver necessidade, testemunhar sobre a veracidade do fato que vos transmito, sem nenhum “exagero dos detalhes”, como a alguns tendes censurado.

Elói Descamps
Em Bommes (Gironde).”

(Carta 63)

XXXVIII – “Alguns dias antes de 24 de julho de 1895, acabava eu de despir-me e me conservava de pé junto ao meu leito; nesse momento meu marido estava em seu vestuário. Achando-me perfeitamente acordada, vi o rosto de minha avó, todo enrugado, mais cheio de pregas do que em realidade e pálido como se tivesse a palidez da morte. Não durou a visão mais do que um relâmpago, mas perturbou-me profundamente. Nada disse no momento, parecendo-me essas coisas sempre ridículas para serem contadas, e no dia seguinte, de manhã, minha mãe cientificava-me de que minha avó achava-se acometida de paralisia completa que a tornava inconsciente. Morreu, com efeito, alguns dias depois. Não verifiquei se a hora em que a vi correspondia ao momento em que se tornara inconsciente.

Católica fervorosa, com 35 anos, esposa de advogado, tudo o que tem relação com o além interessa-me em extremo. Peço-vos, porém, não mencionar o meu nome, pois a população desta cidade compõe-se de pessoas muito levianas e sobretudo ocupadas com tolices.



L. M., em A.”
(Carta 68)

XXXIX – “No mês de janeiro de 1888 perdi minha avó; ela mandara chamar os seus filhos, em seus últimos momentos, para lhes dar um supremo adeus. Estavam, pois, todos presentes no momento de sua morte, exceto uma de minhas tias que era, e ainda é, religiosa no Brasil. Minha avó manifestou o pesar que sentia de não poder vê-la. Mamãe foi encarregada de dar a minha tia a triste nova. E dois meses depois recebia carta de minha tia, na qual esta contava que uma noite, no momento de se deitar, ouvira passos em volta de seu leito; volta-se, mas não vê ninguém; de repente seu cortinado se abre bruscamente e ela experimenta a impressão como que de uma mão pousando sobre a cama. Estava a sós em seu quarto, achando-se este iluminado. Sua primeira idéia foi a de que algum dos seus parentes morrera, e pôs-se a rezar pela sua alma. Tomou nota da data e da hora; pois bem, foi precisamente no dia da morte de minha avó que ela tivera essa impressão.

M. Odeon
Professor em Saint-Genix-sur-Guiers (Sabóia).”

(Carta 71)

XL – “Meu pai tinha, outrora, como empregado um indivíduo chamado Fantrac, natural de Agneaux, perto de Saint Lô, excelente temperamento, jovial, gostando de pregar partidas engraçadas aos rapazes da aldeia; alguns lembram ainda as formidáveis peças que lhes pregou ele.

Mau grado isso, todo mundo o procurava, exatamente por causa do seu bom humor, e o queria bem. O infeliz, que servira sete anos na Infantaria de Marinha, no Senegal, contraíra febres, do que nunca mais pôde curar-se. À anemia sobreveio a tuberculose.

Meu pai, que gostava muito dele, tratou-o durante vários meses em nossa casa. Continuando o mal a fazer progressos, Fantrac viu-se forçado a permanecer no leito, pelo que meu pai conseguiu sua admissão no hospital de Granville. Lá esteve ele ainda três meses em tratamento, antes de morrer. Regularmente, meu pai ia vê-lo todos os domingos, para confortá-lo e levar-lhe alguns doces.

Uma segunda-feira, no dia seguinte da visita ao seu doente, que encontrou bem melhor, meu pai foi bruscamente acordado, assim como minha mãe, por uma violenta pancada na cabeceira da cama.

– Que é isto? – gritou minha mãe, presa do maior pavor –. Ouviste a pancada que acaba de ser dada na cama?

Meu pai, não querendo parecer que tinha medo, nem que tinha sido acordado pelo mesmo barulho, nada respondeu; levantou-se, acendeu a lâmpada e consultou o relógio.

– Olha – disse ele –, tenho um pressentimento: aposto que o pobre Fantrac faleceu. Ele sempre me dizia que me avisaria.

Mal amanheceu o dia, partiu meu pai para Granville. Apenas chegado ao hospital, pede para ver, apesar da hora matinal, o doente Fantrac. Respondem-lhe que morrera, no correr da noite, às 2 horas da madrugada, exatamente a hora em que meu pai fora tão bruscamente acordado.

Contei essa história muitas vezes, não tendo encontrado senão incrédulos, pessoas dispostas a me tratarem de supersticioso. De resto, eu mesmo disse a meus pais: “Seria talvez uma coincidência, um pesadelo, que sei eu?”

Sempre meu pai teve como resposta:

– Não, eu não sonhava, nem tua mãe tampouco.

O fato é incontestável. Ah! se pudésseis, com o vosso inquérito, lançar um pouco de luz sobre esses formidáveis problemas!



P. Bouchard
Funcionário dos Correios em Granville (Manche).”

(Carta 72)

XLI – “Meu pai, então com a idade de 20 anos, achava-se a sós em uma casa, quando, depois da meia-noite, produziu-se terrível abalo, depois abriu-se a porta de entrada com muito barulho. Meu pai, que dormia no primeiro andar, despertou em sobressalto e ao mesmo tempo seu pai, do andar térreo, chamou-o para perguntar se estava ele em seu quarto ou se tinha saído para o pátio e por que fizera tanta algazarra.

Apressou-se meu pai em descer, manifestando sua surpresa por essa estranha aventura. Nada compreendendo do que se passara, pai e filho tornaram a fechar a porta, passando-lhe o ferrolho e cada qual voltou ao seu leito. Ao cabo, porém, de muito pouco tempo, a mesma cena se reproduziu e meu pai e meu avô se encontraram, de novo, amedrontados, diante da porta aberta. Novamente é fechada esta com cuidado e eles voltam ao leito, quando, pela terceira vez, reabre-se a porta com estrondo. Amarram-na então com uma grossa corda. O resto da noite passou-se tranqüilamente.

Algum tempo depois chegou uma carta, anunciando a morte do irmão de meu avô, estabelecido na América; a data de sua morte coincidia com a dos acontecimentos relatados mais acima, com a diferença de que esse irmão morrera cerca de 1 hora da tarde. Soube-se depois que ele tivera grande desejo de ver ainda uma vez seu irmão na Alsácia, e num dado momento, quando já o supunham morto, reabriu os olhos, dizendo:

– Acabo de fazer uma grande viagem: fui à casa de meu irmão em Brumath.

Em seguida expirou.

Carolina Baeschly (Saverne).”




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