Camille Flammarion o desconhecido e os Problemas Psíquicos



Baixar 1.61 Mb.
Página48/52
Encontro02.07.2019
Tamanho1.61 Mb.
1   ...   44   45   46   47   48   49   50   51   52
(Carta 19)

XII – “Faço eu mesmo a minha apresentação: Pierre Jules Berthelay, nascido em Yssoire, Puy-de-Dôme, a 23 de outubro de 1825, antigo aluno do Liceu de Clermont, padre da diocese de Clermont em 1850, antigo vigário durante oito anos em Saint Eutrope (Clermont), três vezes inscrito no Ministério da Guerra como esmoler militar.

A. – Após treze anos de penoso ministério, achava-me bastante fatigado, tanto mais que tivera de servir de contra-mestre vigilante, em nome da fábrica, para a construção da graciosa igreja de Saint Eutrope, em Clermont; durante quatro anos acompanhei os operários, desde a profundidade de 10,50m, mergulhado na água das fundações, até à cruz da torre. Fui eu quem colocou as três últimas ardósias.

Nosso professor, o Sr. Vicent, para fazer-me mudar de trabalhos, mandou-me a Lião, onde eu jamais fora. Num dos primeiros dias, ao sair do almoço, disse-me o meu discípulo:

– Senhor abade, quereis acompanhar-me à nossa propriedade de Saint Just Doizieux?

Aceitei; eis-nos a caminho, de carro. Depois de haver passado Saint-Paul-en-Jarret, profiro uma exclamação: “Mas eu conheço a região!”, digo e, de fato, poderia andar por aí sem guia. Um ano antes, no mínimo, eu vira, durante o sono, todas aquelas pequenas terrasses de pedras amarelas.



B. – Regressei à minha diocese, mas enviaram-me a desempenhar nas montanhas do oeste uma missão muito penosa, acima de minhas forças. Fiquei durante sete meses muito doente em Clermont. Logo que pude manter-me sobre as pernas, mandaram-me substituir o esmoler do hospital de Ambert, acometido de uma congestão cerebral. Ainda não estava construído o caminho de ferro de Ambert e encetei viagem na viatura que fazia o serviço de Clermont a Ambert. Depois de haver passado Billom, lanço os olhos à direita e reconheço o pequeno castelo com sua avenida de olmozinhos, como se eu tivesse aí habitado. Vira-o durante o sono, dezoito meses antes, pelo menos.

C. – Estamos no ano terrível. Minha mãe, que tinha visto os aliados formados em parada nos Campos Elíseos, em Paris, é viúva, reclama-me como seu único sustentáculo; dão-me uma pequena paróquia próxima de Yssoire. A primeira vez que fui ver um enfermo, achei-me em ruazinhas estreitas, entre altas muralhas negras, mas encontrei facilmente a saída. Durante o sono, vários meses antes, eu havia percorrido aquele dédalo de vielas sombrias.

D. – Acontecimentos independentes de minha vontade levaram-me a Riom, onde me preparo para a grande viagem. Qual não é a minha surpresa em reconhecer, como coisa de meu antigo conhecimento, a capela que o meu colega, o abade Faure, construíra para os soldados, capela que eu jamais vira com os meus olhos e cuja própria existência eu ignorava! Poderia ter feito o croquis 101 que vos remeto, como se houvesse servido de contra-mestre.

Berthelay
Riom (Puy-de-Dôme).”
(Carta 29)

XVI – “Nos primeiros dias de setembro de 1870, nos banhos de mar em Weymouth (Inglaterra), pelas 2 horas da manhã, de quinta para sexta-feira, acordei no mesmo instante em que uma voz misteriosa pronunciou estas palavras muito distintamente: “Saltai para fora da vossa cama, orai pelos que se acham no mar.” Quase ao mesmo tempo o Captain, grande navio inglês, naufragava na baía de Biscaia. Trezentos afogados. O resto da esquadra chegou a Portland Roads, próximo do lugar onde estávamos.

Tendo sido o público admitido a visitar esses navios, companheiros do que naufragara, aproveitamos, eu e um irmão meu, essa oportunidade. Sete anos depois, a 9 de setembro de 1877, esse mesmo irmão pereceu no naufrágio do Avalanche, no citado ancoradouro de Portland Roads.



Mary C. Deutschemdaff
Esposa do pastor protestante
de Charleville, Ardennes.”

(Carta 26)

XVII – “O seguinte fato me foi relatado por um dos meus velhos confrades, hoje com a idade de 91 anos, espírito muito positivo e de forma alguma inclinado ao misticismo.

Uma noite, no correr de 1835, trabalhava ele em seu quarto, em Estrasburgo. Subitamente lhe ocorreu a visão muito nítida de Morey, sua aldeia natal. A rua, onde estava localizada a casa paterna, apresentava uma animação insólita a essa hora e ele reconheceu diversas pessoas entre as quais uma de suas parentes conduzindo uma lanterna.

“Alguns dias depois – dizia-me ele – recebi a notícia da morte de minha mãe, ocorrida naquela mesma noite, e na presença das mesmas pessoas que eu tinha visto. Além disso, era precisamente a mãe de minha mãe que trazia a lanterna.”

Semelhantes fatos, sem dúvida, são inexplicáveis atualmente, mas isso não é uma razão para negá-los desdenhosamente. Esperemos e pesquisemos: o futuro nos reserva muitas surpresas e desvendará muitos mistérios.

Que é o pensamento? Ignoramo-lo em absoluto, mas podemos supor que ele corresponde a determinado número de vibrações: digamos, se o quiserdes, um milhão de quintilhões por segundo. O cérebro, aparelho que emite essas vibrações, é ao mesmo tempo transmissor e receptor. É possível que sob a influência de uma excitação intensa, essas vibrações sejam capazes de impressionar a enormes distâncias outras células nervosas. E se os fenômenos de telepatia são sobretudo produzidos por moribundos, sabe-se que, freqüentemente, à aproximação do último instante, o cérebro possui uma superatividade extraordinária. Por outro lado, os que se deixam impressionar são também geralmente seres sensíveis, nervosos, impressionáveis, em uma palavra. Enfim, a afeição, o ódio, a inquietude podem contribuir para pôr em estado de isocronismo cerebral duas pessoas possuídas de tais sentimentos.

Sem cair no domínio do sobrenatural, ou do impossível, dia virá, talvez, mas ainda tão longe, em que o homem verá no telefone e no telégrafo meios primitivos e bárbaros de correspondência a distância; à vontade enviará seu pensamento através do espaço. Será isso, então, verdadeiramente, a subversão do velho mundo.



Dr. Déve
Fouvent-le-Haut (alto Saôna).”




Compartilhe com seus amigos:
1   ...   44   45   46   47   48   49   50   51   52


©aneste.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
Prefeitura municipal
santa catarina
universidade federal
terapia intensiva
Excelentíssimo senhor
minas gerais
união acórdãos
Universidade estadual
prefeitura municipal
pregão presencial
reunião ordinária
educaçÃo universidade
público federal
outras providências
ensino superior
ensino fundamental
federal rural
Palavras chave
Colégio pedro
ministério público
senhor doutor
Dispõe sobre
Serviço público
Ministério público
língua portuguesa
Relatório técnico
conselho nacional
técnico científico
Concurso público
educaçÃo física
pregão eletrônico
consentimento informado
recursos humanos
ensino médio
concurso público
Curriculum vitae
Atividade física
sujeito passivo
ciências biológicas
científico período
Sociedade brasileira
desenvolvimento rural
catarina centro
física adaptada
Conselho nacional
espírito santo
direitos humanos
Memorial descritivo
conselho municipal
campina grande