Camille Flammarion o desconhecido e os Problemas Psíquicos



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Outro sonho


Estávamos várias pessoas em uma praça pública. Nos ares, acima de nossas cabeças, um imenso balão parece lutar desesperadamente contra o vento. De repente, ele se revira completamente, ficando a “nacelle” para cima. A multidão comprime-se, esperando ver cair o aeronauta. Mas abre-se um pára-quedas no espaço e o aeronauta desce.

Este sonho é extravagante. É difícil de imaginar que um balão possa revirar-se desse modo. Vêem-se em sonhos coisas desarrazoadas e que se não podem dar. Várias semanas depois, o Sr. de la Landelle anunciava a partida de um balão monstruoso.

– Sonho que diversas mulheres me acompanham na rua. Sendo a última notavelmente jovem e graciosa, volto-me para contemplá-la. Eis, porém, que escuto umas pessoas dizerem: “É o presidente! é o presidente!” Fiquei envergonhado e prossegui meu caminho.

Eu era então presidente de uma pequena sociedade de moços que consagravam seus lazeres à literatura. Procedi em sonho como teria procedido acordado.

– Hoje, 5 de outubro de 1863, a Srta. K. D. conta-me que sonhou ter-me visto no céu, do outro lado da Lua, com um compasso de ouro em punho, medindo grandezas desconhecidas. De repente desço rapidamente em direção a ela, para lhe dizer que lá se achava um novo planeta, que não se conhecia ainda.

Recebo hoje mesmo o número 1439 da revista Astronomische Nachrichten, que noticia que um novo planeta vem de ser descoberto. Ninguém o sabe ainda em França e eu o noticiarei no Cosmos.

Não há, seguramente, nisso mais do que uma simples coincidência. Por essa mesma data eu li nesse registro a seguinte nota:

“O Dr. Hoefer, diretor da Biografia Geral, publicada pela Casa Didot, dizia-me ontem que os sonhos representam operações da alma, complexas e difíceis de determinar. No artigo sobre Humboldt, ele escrevera que a Alemanha podia orgulhar-se de dois grandes homens, bem diferentes quanto ao gênio: Frederico, o Grande, e Alexandre de Humboldt. Este, a quem enviara ele uma prova, escreveu-lhe pedindo, de joelhos, que suprimisse tal comparação, supondo-se muito pequeno para ser chamado gênio na pátria de Leibniz, e muito ligado às idéias de liberdade, para ser posto em tão íntima companhia de Frederico.”

O Dr. Hoefer vinha transferindo sempre de um dia para outro sua resposta a esta carta, quando soube da morte do ilustre sábio.

Cerca de dois meses depois, sonhou que se encontrava em um imenso e esplêndido salão, brilhantemente decorado, no qual um auditório atento escutava um orador. Este orador era ele próprio. Eis, porém, que, percorrendo com o olhar o auditório, reconhece seu amigo Humboldt:

– Oh! – exclamou ele, de súbito, interrompendo-se em seu discurso –, como, sois vós? Disseram-me que tínheis morrido.

– Não, meu caro – respondeu Humboldt, com seu sorriso habitual –, era um gracejo. Fiz circular o boato da minha morte, mas bem vedes que não é exato.

Tal sonho é ainda o resultado das preocupações habituais, e Humboldt, falecido, aí aparece provavelmente por acaso.

– Assisto a uma sessão de Espiritismo, na qual o Sr. Mathieu, decano do Departamento das Longitudes e da Academia de Ciências (cunhado de Arago) era médium. Trazem-me a cabeça de meu pai, muito bela, como se fosse moldada em cera ou marfim.

Não me sinto demasiado impressionado por este quadro, tanto mais que meu pai, bem vivo nesse sonho, como o estava em realidade, assistia a esta exibição e não queria de modo algum acreditar no que ocorria.

A classificar entre as absurdidades mais estupefacientes.

– Parto do Observatório, onde se achava o escritório dos cálculos do Departamento das Longitudes (falso: estava então à rua Notre-Dame-des-Champs) e onde acabava de erguer um toast “à demissão do Sr. Le Verrier”, atravesso um pátio de estilo gótico da Idade Média, que não existe, e vou a Mont Rouge: lá erguiam-se as muralhas da cidade de Langres e sua amplíssima paisagem.

Associações de imagens e de idéias contraditórias.

– Vejo em sonhos homens voadores que passavam por cima da rua de Rivoli. Entre eles estava meu tio Carlos, que acabava de chegar da América em sua companhia.

Eu preparava então (1864) minha segunda obra: Os Mundos Imaginários, onde se trata dos homens voadores, e nas sessões de Espiritismo eram recebidas comunicações assinadas por esse meu tio Carlos (que não era, entretanto, falecido).

– Após o baile da Ópera; a orquestra continua a tocar, não cessam as danças, as aventuras e as intrigas prosseguem como em sua realidade.

Sensações da véspera, que ainda perduram.

– Magnífico dia passado em Atenas. Fazia eu pequena viagem e lá cheguei fortuitamente antes do nascer do Sol. Achava-me sobre a Acrópole, em face de magnífico panorama. Vagueava entre monumentos, túmulos e mármore branco, estátuas caídas por terra.

Pura imaginação.

– O Sr. Le Verrier mostra-se freqüentemente em meus sonhos. Decididamente, ocupa-me ele mais a noite do que o dia. Esta noite achava-me no pavilhão da guarda do Observatório. Era tarde. A Sra. Le Verrier vem procurar-me e conversa comigo com a maior amabilidade deste mundo. Passeamos os dois pelos jardins. Assegurou-me que seu marido sentir-se-ia muito feliz de me tornar a ver, que eu teria um instrumento à minha disposição para observar quando quisesse, que eu seria independente, muitas coisas, enfim, inverossímeis e impossíveis.

Copio textualmente. Dez anos depois, era isso que precisamente acontecia: o Sr. Le Verrier punha à minha disposição a grande equatorial para as minhas mensurações de estrelas duplas. Não se trata, por isso, entretanto, de um sonho premonitório. Simples associações de idéias o explicam completamente.

Eis aqui um fragmento de carta, que eu hesitava em imprimir (muitos sonhos, certamente, não o podem ser), e que, entretanto, parece-me, pode ser lido. Eu tinha um colega chamado Sazin:

“Voltando ontem à noite de tua casa – escreveu-me ele –, com Laurent, Deflandre e Gonet, não fiz encontro algum que tenha podido originar o sonho que tive esta noite. Cerca de hora e meia adormeci. Sonhei que me encontrava contigo no bulevar. Uma mulher de modos levianos, que eu conhecia, passou e foi abordada por um homem que seguiu com ela. Eu os segui (em sonho) e fiquei no quarto, como espectador invisível. O homem era alto e louro, com o ar de um inglês. Eu não o conhecia. Qual não foi a minha surpresa, quando, esta manhã, ao passar, vi sair do nº 68 da rua da Vitória essa mesma mulher com esse mesmo homem!”

Este caso é interessante, sem ser probante. Não é impossível que, sem o notar, o autor já tivesse encontrado esse senhor louro em seu quarteirão, ou talvez mesmo naquela noite, não longe da mulher em questão. Pode o sonho tê-los associado. Não o deixa de ser menos curioso como coincidência.

– Encontro no jardim do Luxembourg o Sr. Desains, membro do Instituto, professor da Sorbonne, físico do Observatório (o que tem acontecido mui freqüentemente), que me diz estar escrevendo uma obra sobre os homens dos planetas, o qual seria uma restauração da teoria de Wolff, segundo a qual o talhe dos seres está em proporção com a dimensão dos olhos, e os olhos em proporção com a dilatação da retina, sendo esta inversamente proporcional à intensidade, de modo que em nosso sistema solar os habitantes de Mercúrio seriam os menores e os de Netuno os mais gigantescos.

Respondo-lhe que esta hipótese não tem fundamento, que os elefantes têm olhos pequenos em relação à sua corpulência, que os mochos os têm grandes e não são gigantescos.

– É para vós que trabalho – acrescenta ele –; fareis disso o uso que quiserdes.

A explicação deste sonho é igualmente fácil, atendendo a que nessa época eu me dedicava a pesquisas astronômicas e fisiológicas.

Se lembro certo número desses sonhos, é que o seu estudo está longe de ser estranho à Psicologia e aos problemas que nos ocupam. Talvez mesmo ofereçam as nossas conclusões mais de uma aplicação quando chegarmos ao Espiritismo.

– Sonho que estou sobre uma alta montanha. Uma nuvem de corvos passam grasnando. Despojam-se como lagartas de suas cascas e borboletas de suas crisálidas, de seus envoltórios que, para minha estupefação, em nada se pareciam a corvos, mas a cabeças pergaminháceas de orangotangos. O astrônomo Babinet, que lá se encontrava, encheu com elas os seus bolsos.

Explicação: Na véspera, havia eu muito observado, no atlas celeste de Flamsteed, a constelação do Corvo. O sábio Babinet não era belo e seu aspecto, como o de Littré, fazia pensar na origem simiesca da Humanidade.

– Ao despertar, esta manhã, ouço pronunciar este nome: “Senhorita d’Arquier”. Ora, ontem escrevi no Cosmos que a nebulosa perfurada fora descoberta por d’Arquier, em 1779.

Acho também no mesmo caderno as seguintes reflexões:

– Quase todos os meus sonhos têm neste momento por objeto a mais bela das moças que tenho encontrado neste mundo, a Sra. S. M.

Aquele que conhecesse os sonhos de uma pessoa conhecer-lhe-ia os sentimentos.

Entretanto, se acontece freqüentemente que os pensamentos dominantes da véspera entrem em boa parte nos sonhos, eles, contudo, não os preenchem tanto quanto durante o dia: juntam-se-lhes, neste caso, outras impressões bastante inesperadas e mesmo somos algumas vezes em sonho o oposto do que somos em realidade. Há o verdadeiro e o falso. Fazendo julgamentos segundo certos sonhos expostos, estaríamos, portanto, a julgar mal.

O editor, Sr. Didier, informa-me que, de ordinário, tem ele consciência de seus sonhos e sabe perfeitamente que o que faz em sonhos não é verossímil.

“Já há bastante tempo – diz-me ele – encontro-me, certa vez, em sonho, num salão, ao lado de uma senhora elegante e muito desejável. Tomo-a em meus braços, cerrando-a contra mim, com a sua aquiescência e mau grado a toda aquela multidão que me observa, digo para comigo: “Isso me é bem indiferente, pois que estou sonhando.” e, com efeito, agi desdenhando todos aqueles olhares inexistentes e como se eu estivesse sozinho.”

Certo dia, sendo perseguido, em um sonho, por um malfeitor e já prestes a ser atingido, ele disse para consigo mesmo: “Para escapar-lhe, nada mais preciso do que acabar este sonho, acordando-me.” E despertou.

Outra transcrição do mesmo caderno:

– Eu me dirigira ao castelo de Compiègne, onde o Sr. Filon, preceptor do príncipe imperial, entreteve-me conversando a respeito de Home, a quem eu ainda não conhecia. Jantei e dormi no colégio. O diretor, Sr. Paradis, contou-me um sonho digno de ser registrado. Dormia ele profundamente e sonhou que uma grande e medonha aranha subia por ele e chegava até o seu peito. Seu horror foi tal que ele acordou em sobressalto. Sua mulher, apercebendo-se do ocorrido, perguntou-lhe a causa de seu despertar subitâneo e ele lhe contou essa espécie de pesadelo. A Sra. Paradis, passando a mão pela cobertura, encontrou uma grande aranha.

É provável que o Sr. Paradis tivesse recebido, dormindo, a impressão da passagem desse nojento animal sobre a sua mão ou o seu pescoço e que essa impressão tenha determinado o sonho.

– Tive um sonho no qual eu sangrava pelo nariz, o que jamais me acontece, ou quase nunca. Esta manhã, ao levantar-me, apercebo-me de que tinha um pouco de sangue nas fossas nasais.

Impressão igualmente causada por uma sensação física.

– Achava-me na cratera de um vulcão em Paris ou nos arredores. Não sei o que me sucedera, perto de um transeunte, mas falava-lhe eu com altivez, de chapéu na cabeça, e rogava-lhe que seguisse seu caminho sem dizer-me uma palavra. De súbito, no fundo da cratera, uma doce e resplandecente luz inunda as entranhas do vulcão; depois vejo abrirem-se admiráveis minas de cristal, que se desdobravam em brilhantes estalactites. O solo não tremia. Sombras cobertas de capuzes de monges saíram desse solo revolvido, trajando hábitos monasteriais. Ligeiro estremecimento de receio de mim se apoderou, mas logo me pude conter e esperar com calma que um desses recém-vindos chegasse perto de mim. Eu era o único do mundo dos vivos, ali presente, mas não me atemorizei, porque nesse momento me achava dominado pelo mais ardente desejo de interrogar aquelas sombras, a respeito do outro mundo, a fim de obter finalmente a certeza à qual aspirava. Logo que um desses mortos se aproximou de mim o mais possível, para ele me encaminhei, perguntando-lhe, súplice, se realmente ele vinha da mansão dos mortos, se todos os homens aí reviviam, se era esse um mundo positivo e definido como o dos vivos. Ia ele responder-me, quando o cenário mudou de aspecto e, em lugar das colunas irregulares de cristal, que se tinham deixado ver ao fundo, substâncias desconhecidas, límpidas, transparentes e coloridas das mais ricas nuanças, puseram-se em movimento, de baixo para cima e de cima para baixo. Era uma coisa esplêndida. Belíssima luz refulgia nessas diversas cores. As sombras continuavam a vaguear tranqüilamente. A terra não tremia e a majestade do espetáculo não era perturbada por incidente algum que inspirasse medo. Não obstante, apoderou-se de mim a idéia do fim do mundo, senti morrerem as palavras em meus lábios e desde logo deixei mesmo de experimentar o desejo de fazer perguntas como as precedentes, pois que de um instante para outro imaginava ter de passar, sem perturbação alguma, do estado de vida em que ainda estava ao de além-túmulo, em que se achavam os que me rodeavam.

Uma nota acrescentada a esse sonho parece explicá-lo: “Penso muito no além desde algum tempo e nas possibilidades de criações diferentes daquela no meio do qual vivemos.”

– Encontro-me na Livraria Acadêmica Didier, que publicou as minhas primeiras obras, A Pluralidade dos Mundos Habitados, Os Mundos Imaginários, Deus na Natureza, etc. Aí encontro os Srs. Cousin, Guizot, de Barante, de Montalembert, Lamartine, Maury, Miguet, Thiers, Caro, que aí tenho, de fato, algumas vezes encontrado. Os Srs. Jean Reynaud, Henri Martin e Charton, que eu conhecia mais particularmente, detiveram-me um instante, à porta de entrada, que dá para o cais, e pediram-me que me não demorasse muito, porque havia reunião ao lado, no “Armazém pitoresco”. O Sr. Didier, um instante depois da minha chegada, diz-me:

– Vamo-nos então às Tulherias; aí vai tocar a música da Guarda.

Deixamos toda aquela gente na livraria e partimos.

– Então não tendes mais o vosso empregado Maindron? – perguntei-lhe em caminho.

– Não.


– Não o substituireis?

– Se estivesse certo de encontrar um bom homem, um rapaz laborioso e inteligente!

– Tenho um para vos propor.

– De fato?

– Sim: meu irmão. Ele é bastante jovem, tem quatro anos menos que eu, gosta do comércio e estou certo de que se dará bem na livraria.

– Muito bem, então ele que venha.

Chegamos às Tulherias, as cadeiras estão todas ocupadas e procuramos um lugar para nós. O imperador, que estava sentado em uma cadeira, levanta-se e oferece-a ao Sr. Didier, dizendo-lhe:

– Que é feito de Maury, que não aparece mais?

– Sire – respondeu o editor –, estão todos eles neste momento em minha livraria, preparando um golpe de Estado.

Logo em seguida, o cenário muda aos meus olhos, para dar lugar a um vale do Alto Marne, defronte de Bourmont e a um riacho, às margens do qual eu brincava, quando pequeno, com meu irmão.

Este sonho se explica por meio de associações de idéias, muito simples. Tinha eu, com efeito, conseguido que meu irmão entrasse como empregado para a Livraria Didier. Alguns dias antes desse sonho, havia eu jantado e dormido em casa do historiador Henri Martin, onde se tratara do golpe de Estado e a lembrança dos autores que eu encontrara no cais dos Agostinhos despertara todas essas reminiscências. O Sr. Maury era bibliotecário do imperador, com quem almoçava mui freqüentemente. A idéia de que todos esses autores se encontrassem na livraria no mesmo dia e à mesma hora é inteiramente inverossímil; a de que o imperador estivesse sentado em uma cadeira no salão de música das Tulherias é absurda. Tudo nos sonhos parece, entretanto, natural.

– Sonhei que o Sr. Didier ainda vivia e que, entrando eu, no correr do dia, em sua livraria, tive ocasião de vê-lo, como habitualmente, e demo-nos as mãos sem parecermos admirados com isso. Então imaginei que o haviam enterrado em estado de letargia, três dias antes (5 de dezembro de 1865) e que se reerguera de seu túmulo. Achei, porém, que lhe não devia pedir uma explicação a respeito e falamos sobre assunto de livraria.

Depois de conversarmos, saímos juntos, como de costume, e descemos pelo cais, rumo das Tulherias. Sua pessoa, ainda que não diferindo daquela que eu conhecera, mostrava-se estranha e sagrada. Estava, entretanto, bem viva e eu lhe disse que ele tinha o aspecto de um ressuscitado.

– Bem posso ter o ar de um ressuscitado – respondeu-me –, pois que o sou.

Queria a todo transe tomar-me a mão, mas um horror invencível mo impedia.

– Perdoai-me – disse-lhe eu – de recusar-vos a mão: mas, não sei por que, não posso fazer como desejara.

Esta resposta começou a indispô-lo contra mim. Fiz, então, um supremo esforço e dei-lhe o meu braço; mas comecei logo a tremer e forçoso me foi retirá-lo.

– Conversemos – disse-lhe eu – afastados um do outro.

Esse homem parecia-me um morto a andar, e notei, por suas respostas, que ele não dispunha mais de inteligência nem da faculdade de julgar e falava como um autômato. Tendo-me, por acaso, aproximado mesmo um pouco de seus lábios, senti um odor fétido que acabou de aumentar o horror por mim experimentado. E não sei então que altercação sobreveio entre nós; mas o que é fato é que eu discutia com aquele morto, que acabou por dar-me uma bofetada.

No mesmo instante surgiu uma companhia de gendarmes e de agentes de polícia e, em lugar de nos acharmos no Instituto, diante do qual estávamos então, encontramo-nos sobre o declive de uma colina. Olhei-o então fixamente.

– Não sabeis – disse-lhe – que sou Camille Flammarion, o vosso autor favorito?

Pareceu-me que ele se recordava.

– Sim – declarou –, é um grande autor. Mas por que não quereis saber de mim, Sílvio? Tendes horror de mim, Sílvio.

– Não me chamo Sílvio – disse-lhe eu –, mas sim Camille.

Tomou-me a mão. Então esse contato foi tão horrível, que despertei.

Esse pesadelo pode ter sido causado pela morte desse amigo, ocorrida três dias antes. Morrera subitamente, ao sentar-se na agência dos ônibus da praça São Miguel, e ao vê-lo, no dia seguinte, em seu leito mortuário, eu perguntara a mim mesmo se não se achava ele em estado de letargia. Essa morte impressionara-me muito, e convidado a pronunciar um discurso sobre o seu túmulo, desempenhara-me da incumbência sem contudo poder vencer a minha emoção. A forma agressiva desse pesadelo é inexplicável. A substituição final é assaz singular. Há, todavia, sonhos ainda mais incoerentes. Assim, em um outro sonho, Montmartre achava-se à beira-mar e um navio a vapor transportava-me pelo Alto Marne, costeando o mar.

Eis aqui um sonho mais recente que mostra à evidência a ação de uma causa estranha ao cérebro, sobrepondo-se a um sonho e determinando uma imagem nova.

– Esta manhã (6 de junho de 1897), vi em sonho alguém batendo fortemente com os talões dos sapatos sobre um degrau de escada de madeira. Esse ruído me despertou. Provinha de um morteiro de artifício, com os disparos do qual se anuncia, às 6 horas da manhã, uma das festas anuais de Juvisy (Pentecostes). Esse tiro era dado a 200 metros do Observatório, no alto da rua Camille Flammarion. Dois outros foram dados em seguida.

Assim, o ruído que me despertara foi a causa determinante de uma imagem que me pareceu anterior ao meu despertar. Pode-se dizer que essa imagem se produziu durante tempo muito curto, necessário ao despertar, talvez um décimo de segundo.

Quando vi o homem batendo com o pé sobre um degrau da escada, sonhava que me achava completamente nu e que fora obrigado, para sair do compartimento em que me encontrava e ir buscar minhas roupas, a atravessar o salão, onde conversavam umas trinta pessoas. Havia muito tempo que durava a minha inquietação e que eu procurava os meios de sair, quando acordei. Ora, despertando, senti que tinha frio, pois me achava descoberto. Foi sem dúvida também esta sensação de frio que determinou tal sonho, como a explosão determina a imagem de um homem batendo com os talões dos sapatos.

Vê-se, por essas descrições sumárias, tomadas do natural, quanto os sonhos são múltiplos e variados e quantas causas diversas os produzem.

É um erro fisiológico pensar que os elementos dos sonhos sejam unicamente tirados da realidade. De minha parte, por exemplo (e não estou só no caso em apreço), tenho freqüentemente sonhado que vôo pelos ares, a pequena distância acima de um vale ou de graciosa paisagem e foi mesmo a agradável sensação experimentada nesses sonhos encantadores que me inspirou o desejo de subir em balão e de fazer viagens aéreas.

Devo dizer, a propósito, que a sensação de uma viagem em balão, por muito esplêndida que seja, pela extensão dos panoramas desenrolados sob os olhares do observador e pelo solene silêncio das alturas do azul, não equivale, no ponto de vista do movimento, à dos sonhos, porquanto dentro da “nacelle” do aeróstato, nos sentimos imóveis – molécula de ar imersa no ar que se desloca – e constitui isso uma desilusão.

Não se percebe perfeitamente quais os fatos da vida orgânica que podem dar a sensação do vôo em sonho. Não está certamente em jogo a vertigem, como se supôs. Seria a mágoa de nos julgarmos inferiores aos pássaros? Mas a sensação?

Tenho, por vezes, em sonho, conversado com Napoleão. Seguramente ouvi, em minha infância, muitas referências a esse conquistador, feitas por homens que o tinham visto, e o meu espírito pôde ser por elas impressionado. Mas a relação de causa e efeito permanece assaz afastada.

Vejo-me algumas vezes encerrado em uma torre, tendo diante de mim um belíssimo prado verdejante. Onde está a causa disso?

Outras vezes estou condenado à morte e não tenho mais do que duas horas, uma hora, meia hora, alguns minutos de vida. Será uma recordação do passado?

Tenho, por vezes, em sonho, viajado pelos outros mundos, nas profundezas infinitas. Nesse caso, porém, pode haver associação de idéias que me são familiares.

Em geral, no estado normal das coisas, são os sonhos tão numerosos, tão variados, tão incoerentes, que é quase supérfluo procurar-lhes as causas fora do domínio das associações de idéias latentes no espírito ou de imagens adormecidas no cérebro. Do mesmo modo que pensamos em toda a sorte de coisas e de situações, com elas sonhamos; em lugar, porém, de ter apenas pensamentos, como em estado de vigília, imaginamos estar agindo de fato, vivendo as coisas pensadas, e as idéias se tornam atos aparentes; toda a diferença reside nisso, e como a razão está ausente desses atos inconscientes, as situações mais extravagantes deparam-se-nos realizadas, muito simplesmente, sem surpresa alguma, como se fossem naturais.

Pode-se, pois, assinalar no sonho três fases características. Ao passo que no estado de vigília uma idéia é sempre uma idéia, no sonho ela se torna imagem, depois ser perfeitamente real, pessoa ou coisa.

Personificamos nossas idéias; atribuímos em sonho, a diferentes personagens, pensamentos, palavras que não são mais do que os nossos próprios. Homens de grande superioridade espiritual, como, por exemplo, Benjamim Franklin, crêem achar-se em comunhão com seres que os assistem. Não há mais do que uma personificação, entretanto, de nossos próprios pensamentos, em todos esses casos.

Eis alguns exemplos:

Em um dos sonhos mais claros, mais nítidos, mais razoáveis de todos que tenho tido, escreve A. Maury, sustentava eu com um interlocutor uma discussão sobre a imortalidade da alma e cada um de nós fazia valer argumentos opostos, que outros não eram senão as objeções que eu mesmo me fazia. Esta divergência não é mais do que um fenômeno de memória: lembramo-nos dos prós e dos contras de uma questão e reportamos a dois seres diferentes as duas ordens opostas de idéias. Há tempos, veio-me subitamente ao espírito a palavra Mussidan. Eu sabia, então, perfeitamente, que era o nome de uma cidade de França, mas ignorava onde estava situada; para melhor dizer, esquecera. Algum tempo depois, vi em sonho certa personagem que me dizia haver chegado de Mussidan; perguntei-lhe onde se achava essa cidade. Respondeu-me que era uma sede de distrito do Cantão da Dordonha. Levanto-me, o sonho estava-me bem presente à memória, mas eu permanecia na dúvida. o nome de Mussidan apresentava-se ainda então ao meu espírito nas condições dos dias precedentes, isto é, sem que eu soubesse onde é situada a cidade assim denominada. Apresso-me em consultar um dicionário geográfico e, com grande espanto, constato que o interlocutor de meu sonho sabia melhor do que eu a geografia, isto é, bem entendido, que eu me recordava um sonho de um fato esquecido em estado de vigília e que eu pusera na boca de outrem o que não era mais do que reminiscência minha.

Faz muitos anos, quando eu estudava o inglês, e em que me esforçava sobretudo para conhecer o sentido dos verbos seguidos de preposições, tive o seguinte sonho: Eu falava inglês e querendo dizer a uma pessoa que lhe fizera na véspera uma visita, empreguei esta expressão: I called for you yesterday. “Vós vos exprimis mal – respondeu-me ele –, devíeis dizer: I called on you yesterday”. No dia seguinte, ao despertar, a lembrança dessa circunstância do meu sonho estava-me presente à memória. Tomo uma gramática colocada sobre uma mesa vizinha, faço a verificação: a pessoa imaginária tinha razão.

A recordação de uma coisa esquecida em estado de vigília voltava em sonho, e o observador atribuíra a uma outra pessoa o que não era mais do que uma operação do seu espírito.

A grande maioria dos sonhos podem explicar-se, muito naturalmente, pela concentração do pensamento durante o sono.

Não há ninguém que tenha o hábito dos trabalhos intelectuais, diremos com Max Simon e Alfred Maury, que não haja constatado que o trabalho do cérebro se completa freqüentemente à nossa revelia, sem que a vontade intervenha. Os fatos que nos mostram esta ação apresentam-se-nos a cada instante. Quando os escolares têm uma lição a aprender, nós os vemos de preferência estudar à noite, assegurando com razão que este modo de agir ajuda-os singularmente. A lição que aprenderam sabem-na no dia seguinte melhor e com mais segurança do que na véspera. As pessoas que tiveram de lutar contra as dificuldades que sempre se encontra para assimilar uma língua estrangeira puderam igualmente fazer a seguinte observação: se ocupações cotidianas, deveres de ordem social, forçam-nas a interromper durante algum tempo o estudo dessa língua, ao retomarem mais tarde esse estudo apercebe-se, não raro, com espanto que possuem do idioma estrangeiro, momentaneamente posto de lado, um conhecimento mais completo do que na época em que o deixaram de estudar. Constatação análoga pode ser feita a propósito de trabalhos originais, de composições literárias ou de problemas científicos. Se qualquer dificuldade embaraça o trabalhador e este cessa de ocupar-se com o objeto de seus estudos, após alguns dias de repouso, tendo o espírito, durante esse tempo, feito, por assim dizer, sozinho o seu trabalho, vencerá com a maior facilidade e como que brincando o obstáculo que lhe parecera, à primeira vista, quase intransponível. Há, porém, um fato que cumpre salientar porque tem certa importância e vem a ser que, mui freqüentemente, nesses casos de cerebração inconsciente, um impulso foi inicialmente dado, imposta uma direção ao pensamento e foi após esse impulso e dada essa direção, que a ação cerebral continuou, conseguindo chegar finalmente a trabalho mais avançado.86

É fácil compreender que o trabalho mental, resultado de um impulso cerebral dado durante a vigília e completado durante o sono, possa engendrar sonhos que serão, de alguma sorte, a expressão representada por imagens, do problema cuja solução continua a ser procurada por quem dorme, da preocupação que o obsediava.

Narra Condillac que na época em que ele redigia o seu curso de estudos, se se via obrigado a deixar, para entregar-se ao sono, um trabalho preparado, mas incompleto, sucedia-lhe freqüentemente encontrar, quando despertava, acabado esse trabalho em seu espírito.

Também Voltaire conta que uma noite compôs, em sonho, um canto completo da sua Henriade diversamente do que havia escrito.

Menciona-se freqüentemente, a esse propósito, um sonho que ficou célebre, no qual uma das cenas mais curiosas e mais fantásticas acompanha o trabalho intelectual inconsciente do sonhador, que não é outro senão Tartini. Esse célebre compositor havia adormecido depois de ter procurado em vão terminar uma sonata; esta preocupação acompanhou-o durante o sono. No momento em que, num sonho, se via de novo entregue a seu trabalho e que desesperava de compor, em vista de tão pouca verve e tão pouco êxito, nota de repente que lhe aparece o diabo e propõe-lhe acabar sua sonata, desde que se disponha o compositor a entregar-lhe sua alma. Inteiramente subjugado por esta aparição, aceita ele a permuta proposta pelo diabo e ouve-o então, muito distintamente, executar em seu violino a tão almejada sonata, com um encanto inexprimível de execução. Acorda o compositor e, nos transportes de sua alegria, corre à sua mesa e escreve de memória o trecho que havia terminado imaginando ouvi-lo.

Como se produzem imagens semelhantes a essas que acabamos de ver no sonho de Tartini? Por que espécie de mecanismo aparecem elas? Eis o que é impossível dizer, não que a questão seja insolúvel, mas porque, ordinariamente, nos fatos que não nos dizem pessoalmente respeito, alguns detalhes, que nos dariam a chave de certas particularidades do sonho, são omitidos pelo narrador, que os considera como de pouca importância. É possível que essa imagem do diabo, vindo associar-se ao trabalho mental do grande compositor, tenha a sua razão de ser e a sua explicação em alguns pensamentos que teriam atravessado o espírito do musicista, em alguma representação artística, desenho ou pintura do Espírito do mal que se tivesse oferecido à sua vista. Esse ponto, porém, é secundário, na questão de que se trata.

O que haveremos de constatar, uma vez mais, é a maneira pela qual o sonho se produziu, é a gênese do sonho. O pensamento de Tartini tinha estado fortemente ocupado com a composição musical a que se entregava, e como sucede mui freqüentemente nas obras do espírito, não estando madura a idéia, nenhum efeito houvera produzido imediatamente; mas durante e mau grado o sono, o trabalho começado tinha sido terminado e a melodia maravilhosa como que explodiu das profundezas do cérebro do compositor.

Suprimi esse esforço, essa tensão de espírito anterior, e o sonho não se apresentará. Isso é tanto mais verdadeiro quanto é certo que exclusivamente sobre o objeto mais especial dos estudos do sonhador, sobre a ciência ou sobre a arte que ele cultiva com paixão, é que vemos produzir-se tão singular trabalho cerebral.

Gratiolet faz a narrativa do seguinte sonho sofrivelmente macabro:

Há alguns anos, ocupado com o meu ilustre mestre, Sr. de Blainville, nos estudos concernentes à organização do cérebro, preparei grande número deles, quer de homens, quer de animais. Eu os despojava cuidadosamente de suas membranas e mergulhava-os no álcool.

Tais foram, sumariamente, os antecedentes do sonho que vou relatar.

Pareceu-me, certa noite, que eu extraíra o meu próprio cérebro. Despojava-o de suas membranas. Depois de ter acabado esta preparação, mergulhei-o no álcool; em seguida, ao cabo de algum tempo, daí o retirei e o recoloquei em meu crânio. Pareceu-me, então, que meu cérebro, condensado pela ação do líquido, sofrera uma grande redução. Incompletamente preenchia a cavidade craniana, de sorte que eu o sentia a sacudir-se dentro da minha cabeça; tal sensação lançou-me em tão estranha perplexidade, que despertei em sobressalto e saí desse sonho como de um pesadelo.

Eis aí, seguramente, uma visão estranha e das mais absurdas; todavia, não deixava de ter sua causa e, com efeito, havia uma relação bem evidente entre esse sonho e as coisas de que eu me ocupava, então, mais particularmente. É provável que no momento em que eu imaginava estar despojando um cérebro estranho, uma causa qualquer haja tornado mais distinta a sensação da minha cabeça. Sonhando ao mesmo tempo com esta e com o meu cérebro, ter-se-ia dado uma associação dessas duas idéias, de onde seguir-se naturalmente e logicamente todo o fim do sonho.87

O fisiologista Abercomble cita, nesta ordem de estudos, um sonho muito curioso que não é mais também do que uma conseqüência das preocupações do espírito:

Um de meus amigos – diz ele –, empregado como caixa em um dos principais bancos de Glascow, estava em seu escritório, quando se apresentou um indivíduo reclamando o pagamento de uma soma de seis libras (150 francos). Havia diversas pessoas antes dele, que aguardavam a sua vez; mas estava ele tão impaciente, tão ruidoso e sobretudo tão insuportável devido à sua gagueira, que um dos circunstantes pediu ao caixa que o pagasse, a fim de desembaraçarem-se dele. O caixa atendeu prontamente o pedido, com um gesto de impaciência e sem tomar nota desse pagamento. No fim do ano, que ocorreu oito ou nove meses depois, o balanço dos livros não chegava a um resultado exato: havia nele sempre um erro de seis libras. O meu amigo passou inutilmente várias noites e vários dias a procurar essa diferença para menos; vencido pelo cansaço, voltou para sua casa, recolheu-se ao leito e sonhou que estava em seu escritório, que o gago se apresentava, e logo todos os detalhes do caso desenharam-se fielmente em seu espírito. Ele ergue-se, com a idéia nítida do sonho e com a esperança de que ia descobrir o que procurava. Depois de haver examinado os seus livros, reconheceu, com efeito, que aquela soma não tinha sido registrada em seu diário e que ela correspondia exatamente ao erro.88

Vê-se que neste sonho o que é revelado ao homem adormecido era, numa palavra, do seu conhecimento, mas que a vontade permanecera durante muito tempo impotente para despertar a lembrança do fato encerrado nas profundezas da memória. Entretanto, tendo sido viva a preocupação, mantendo o espírito, por muito tempo, uma fortíssima tensão no mesmo sentido, sucedeu provavelmente que, nesse esforço da mente, nesse trabalho inicialmente improdutivo, as células cerebrais, nas quais foi conservada a série de imagens, entraram em ação e conduziram finalmente a uma percepção nítida do fato inutilmente procurado durante a vigília.

Diversos sonhos de aparência telepática estão neste caso e podemos explicar por meio deles mais de uma aparição de defuntos.

As influências físicas e a cerebração inconsciente de idéias e de imagens latentes no cérebro explicam a maior parte dos sonhos. Importava que tivéssemos perfeito conhecimento desta ação fisiológica, para um julgamento científico dos fatos que temos a analisar. Os resultados do meu inquérito proporcionaram-me grande número desses sonhos que se explicam fisiologicamente e que não reproduziremos.

Podem, entretanto, forças psíquicas que nos são exteriores influenciar nosso espírito durante o sono, tanto quanto em estado de vigília. Chegamos agora ao exame desse gênero de sonhos. Os fenômenos psíquicos mencionados no capítulo III têm sido observados por pessoas acordadas, em seu estado normal e em plena posse de suas faculdades. Não incluímos nesse número os que pertencem aos sonhos, porque nos parecem de caráter diferente, devendo agrupar-se em uma outra ordem. Afiguram-se-nos menos seguros, sendo numerosos os sonhos e as coincidências que se podem produzir, tendo como oposição contraditória quantidades inumeráveis de não-coincidências. Por outro lado, são igualmente um pouco vagos e sujeitos às flutuações da memória. Não creio, porém, que seja lógico rejeitá-los sem exame. Muitas dessas visões em sonho apresentam ao observador um interesse particular e podem certamente ensinar-nos alguma coisa a mais sobre as faculdades do espírito humano.

Agora que a demonstração está feita, que está feita a prova, pelo capítulo precedente, da ação psíquica de um espírito sobre outro, podemos entrar no mundo um pouco mais complicado dos sonhos.

Já se pôde assinalar anteriormente (capítulo V) um caso bem curioso, observado em sonho: uma jovem estar vendo, de Paris, sua mãe expirando na província e chamando-a para abraçá-la uma última vez. Esse sonho fora classificado por Brièrre de Boismont no número das alucinações, com uma restrição indicando, todavia, seu caráter psíquico. Vimos igualmente, mais acima, um sonho telepático da mesma ordem.

Apresentarei agora aos nossos leitores alguns extratos das cartas que tenho recebido em resposta ao meu inquérito, daquelas que concernem às aparições e manifestações de moribundos vistos em sonho. Não menos interessantes e probantes são elas do que as primeiras e devem, parece-me, ser aceitas do mesmo modo que as outras:





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