Camille Flammarion o desconhecido e os Problemas Psíquicos



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(Carta 524)

CXXXIV – “O Sr. Rigagnon, cura da Paróquia de São Marcial de Bordéus, estando em seu escritório, viu diante de si um seu irmão que residia nas colônias e que lhe disse: “Adeus, eu morro”.

Muito emocionado, o Sr. Rigagnon chamou os seus vigários e lhes contou o que acabava de ver. Esses senhores registraram a data e a hora da aparição, e algum tempo depois chegou a notícia da morte: esta concordava com o momento em que o Sr. Rigagnon tinha visto seu irmão diante de si. Este fato foi-me narrado por um dos vigários, que consignara o fato no momento em que este se produziu.



E. Begouin
Réaux por Jouzac (Charente-Inferior).”

(Carta 525)

CXXXV – “Meu avô morava em um castelo absolutamente isolado no meio dos bosques; mas esse castelo, de construção assaz moderna, nada tinha em si de misterioso: nem lendas, nem mesmo o “fantasma” indispensável ao renome de um autêntico castelo antigo. A irmã de meu avô desposara um médico de uma aldeia próxima.

No momento em que o fato de que vos falo se deu, meu avô estava ausente. Partira à tarde para ver seu cunhado, médico, que achava-se gravemente enfermo. Minha avó recomendara à minha mãe, a três de minhas tias e aos meus dois tios que não o esperassem, dizendo-lhes que, a menos que encontrasse seu cunhado em mais satisfatório estado, não regressaria.

Mau grado a essa recomendação e pela razão de que um dos meus tios estava de volta (creio que da Cochinchina, cuja campanha havia feito), toda a família presente conservou-se na sala de jantar conversando. Escoara-se a noite assaz rapidamente, sem fadiga para ninguém, quando, às 2 horas, todos que se achavam na sala de jantar (isto é, principalmente meus tios, dois soldados cépticos e corajosos) ouviram distintamente a porta do salão (o compartimento contíguo) fechar-se com uma violência que fez com que todos saltassem em suas cadeiras (refiro-me à porta que separava o salão do corredor situado do lado oposto à sala de jantar). Não havia possibilidade de erro, a porta que se fechava desse modo, ou pelo menos que minha família ouvira fechar-se, era uma porta vizinha. Fora bem o ruído de uma porta e de uma porta interior. Disse-me muitas vezes minha mãe:

– Ouvimos a porta fechar-se como se uma formidável lufada de vento tivesse penetrado na casa e feito bater a porta violentamente.

Essa lufada de vento, absolutamente irreal, como ides ver, tinha, entretanto, de real o fato de haverem-na mais ou menos sentido os meus parentes passar em seu rosto e também o de que, ao passar, deixou-lhes uma espécie de suor gelado, como se sente, por exemplo, em um pesadelo.

A conversação foi suspensa. Esse ruído violento da porta parecia-lhes estranho e a todos causou uma espécie de mal-estar absolutamente inexplicável. Daí a pouco meu tio se pôs a rir, vendo os semblantes espantados de sua mãe e de suas irmãs. Organiza-se logo uma caçada divertida. Meu tio, como homem corajoso, toma a frente e é um desfilar cômico, da sala de jantar para o salão. Observam a porta do salão, aquela que, no conceito unânime dos presentes, se tinha evidentemente fechado. Essa porta achava-se fechada a chave e a ferrolho. Minha família, em fila indiana, continua esse passeio em toda a casa. Todas as portas se achavam fechadas, estando as exteriores barricadas; todas as janelas fechadas; não havia corrente de ar alguma na casa, em nenhum dos andares: era impossível explicar o barulho, ao mesmo tempo tão próximo e tão estridente, de uma porta que se fecha, impelida por vento forte.

Meu avô regressa no dia seguinte, pela manhã, e participa a morte de seu cunhado.

– A que horas morreu ele?

Às 2 horas da manhã.

– Às 2 horas?

Precisamente às 2 horas.

O barulho da porte fora ouvido, por sete pessoas, precisamente às 2 horas da manhã.



René Gautier
Estudante de Ciências em Buckingham,
St John’s Royal School
(Escola Real de São João).”

(Carta 527)

CXXXVI – “Um de meus amigos, o Sr. Dubreuil, em quem posso acreditar de modo absoluto, contou-me o seguinte fato:

Seu sogro, o Sr. Corbeau, engenheiro de Pontes e Calçadas, agregado ao Ministério da Marinha, fora enviado há algum tempo a Tonkin para dirigir certos serviços nessa região. Sua esposa acompanhou-o nessa viagem. Um dia, à tarde, a esposa de meu amigo viu distintamente passar, entre ela e o berço do seu filho, que nesse momento repousava, a sombra de sua mãe, e a criança, despertada em sobressalto, chamou por sua avó, como se a tivesse visto em frente de seu leito.

Teve então Sra. Dubreuil o pressentimento da morte de sua mãe, que efetivamente ocorrera nesse dia, a bordo do paquete que a transportava à França. Foi enterrada em Singapura.

Posso, se o quiserdes, pedir a data exata do falecimento e o nome do navio em que se deu o óbito.



M. Hannais
Avenida Lagache, 10. Villemomble (Sena).”

(Carta 536)

CXXXVII – “Em julho de 1887, com a idade de 19 anos, encontrava-me em Toulon, concluindo meu voluntariado de um ano, no 61º de Linha, acantonado em Jeu-de-Paume. Tinha eu um irmão ternamente amado, Gabriel, dez anos mais velho que eu, desenhista do Ministério da Guerra, gravemente enfermo em Vauvert onde se encontrava, no gozo de licença, em casa de meus pais; eu o fora visitar nos últimos dias de junho, e ainda que seu estado fosse grave, não o julgava desesperador.

Na noite de 3 para 4 de julho, cerca de 1 hora da madrugada, levantei-me em sobressalto, com o travesseiro úmido das minhas lágrimas, tendo a convicção absoluta de que meu pobre irmão estava morto. E essa convicção não provinha de um sonho, porquanto eu me recordaria desse sonho mais cedo ou mais tarde, o que jamais sucedeu.

Vivo ainda aquele doloroso momento, ao escrever estas linhas. Acordando, acendi a vela que estava ao meu lado, sobre uma caixa de juntar cisco, tendo eu o hábito de estudar na cama o Manual de Manobras Militares. Eu era então cabo, o que me dava o privilégio invejado de dispor desta rústica e mal cheirosa mesa de cabeceira. Desculpai-me esses detalhes, a que recorro apenas para dar à minha exposição a maior exatidão e para demonstrar-lhe a veracidade. Constatei então que era 1 hora da madrugada.

Não me foi mais possível dormir e às 5:30 da manhã, indo aos exercícios, perguntei ao agente do Correio, sem refletir que, em Vauvert, o expediente do Telégrafo não estava aberto a essa hora matinal, se havia algum telegrama para mim. A mesma pergunta e resposta negativa ao voltar dos exercícios; e, no momento em que, de volta ao alojamento, eu desafivelava o cinturão, um homem da guarda me entregou o seguinte telegrama, enviado por meu pai: “Gabriel falecido. Venha imediatamente. Coragem.”

Graças à gentileza de meu capitão, pude tomar o trem às 2:18 e, chegando a Vauvert, soube que meu irmão havia morrido nessa noite, à 1 hora da madrugada.

O pesar ocasionou-me, alguns dias depois, uma comoção cerebral e desde então, há doze anos, fico todos os anos gravemente enfermo por essa mesma época.



Camilo Orengo
Perito junto aos Tribunais, em Nimes.”




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