Camille Flammarion o desconhecido e os Problemas Psíquicos



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(Carta 504)

CXXVI – “Meu cunhado, Jung, achava-se um dia com seu pai, seu cunhado Gauzhirt e um amigo deste último, chamado Sohnlein, em um caramanchão de seu jardim. Jung tinha perto de 12 anos, Gauzhirt e Sohnlein, 22 a 24. Todos gozavam saúde. Sohnlein disse-lhes:

– Quando eu morrer, aparecer-vos-ei aqui mesmo.

Alguns meses mais tarde meu cunhado Jung, estando ocupado em seus trabalhos escolares nesse caramanchão, ouviu um barulho como de uma árvore fortemente sacudida e viu frutos de uma ameixeira caírem a seu lado. Não vendo ninguém, sente-se tomado de medo, fecha seus livros e cadernos e entra em casa. Pouco depois avisaram-lhe que Sohnlein tinha morrido.

V. Schaeffer Blanck, Huningue.”

(Carta 505)

CXXVII – “Não tenho experimentado pessoalmente impressão alguma do gênero das que fazem o objeto de vosso questionário. Mas uma pessoa da minha família foi impressionada nas condições e da maneira seguinte:

Seu pai residia em Bayonne. Ela achava-se em Concórdia, na América do Sul. No dia 5 de março de 1889, às 7 horas da manhã, achando-se deitada, mas desperta, julgou ver seu pai encostado ao pé do seu leito e olhando-a com tristeza. Nesse mesmo instante, seu pai era acometido de paralisia cerebral. Vinte e seis dias depois, a 31, estava morto.



Bonnome
Recebedor-chefe das contribuições
diretas, em Mostaganem.”

(Carta 510)

CXXVIII – “Seja-me permitido assinalar-vos um fato que me parece assaz curioso. Em primeiro lugar, decidiu ele da minha vida; depois, as circunstâncias em que se verificou são verdadeiramente pouco comuns.

Em 1867 (tinha eu, então, 25 anos), no dia 17 de dezembro, acabava de deitar-me. Era perto de 11 horas e, enquanto me arrumava para dormir, pus-me a refletir. Pensava em uma jovem que eu conhecera, nas últimas férias, nos banhos de mar de Trouville. minha família conhecia a sua, muito intimamente, e tomamo-nos, Marta e eu, de uma viva afeição. Nosso casamento seria em breve realizado, quando, por questões de interesses, nossas duas famílias ficaram estremecidas, sendo necessário romper as relações que entre as mesmas existiam.

Marta seguiu para Tolosa e eu voltei para Grenoble. Continuamos, entretanto, a amarmo-nos sempre, a tal ponto que a moça recusava qualquer outro partido que se lhe apresentasse.

Nessa noite de 17 de dezembro de 1867, eu pensava, pois, em tudo isso e acabava de deitar-me, quando vi a porta do meu quarto se abrir docemente, quase sem ruído e Marta entrar. Estava vestida de branco, cabelos esparsos sobre as espáduas. Bateram, nesse momento, 11 horas. Isso, posso afirmá-lo, pois eu não dormia. A visão aproximou-se do meu leito, inclinou-se ligeiramente sobre mim e eu quis pegar a mão da jovem. Estava fria. Soltei um grito, o fantasma desapareceu e, quando dei acordo de mim, tinha um copo d’água na mão, o que me provocara tal sensação de frio.36 Mas, notai-o, eu não dormia e o copo d’água estava sobre a minha mesa de cabeceira, ao meu lado. Não pude dormir. No dia seguinte, à tarde, recebi a notícia da morte de Marta, às 11 horas da noite, na véspera, em Tolosa. Sua última palavra tinha sido: “Jacques!”

Eis aí a minha história. Posso acrescentar que não me casei. Estou velho, mas penso sempre em minha visão. Ela embala o meu sono.

Jacques C., Grenoble.”

(Carta 512)

CXXIX – “Tinha eu uma amiga de infância, Helena, a quem amava enternecidamente. Seu pai, funcionário público, foi removido para Paris. Houve necessidade de separar-nos, o que nos causou infinita mágoa. Antes de partir, Helena veio trazer-me sua fotografia, ela mesmo colocou-a em um quadro, sobre pequena mesa do meu quarto, e prometemos uma a outra corresponder-nos freqüentemente, o que efetivamente cumprimos.

O clima da capital foi nefasto à minha pobre Helena, já de si mesmo tão delicada. Foi pouco a pouco enfraquecendo cada vez mais e dentro em breve eu soube que ficara tuberculosa. Desde esse instante e sem que ela o percebesse bem, eu acompanhava os progressos do seu mal. Um dia recebi de minha amiga uma carta alviçareira: ela estava bem melhor e esperava vir passar comigo a bela estação. Essa melhora súbita amedrontou-me um pouco; acabei depois concordando que era bem possível, em todo caso, que Helena encontrasse a cura.

O dia seguinte, isto é, 15 de abril de 1896, passei-o todo com o espírito inquieto. Não estava ainda nessa ocasião com os meus estudos concluídos. À noite, após o jantar, recolhida ao meu quarto, achava-me ocupada em resolver um problema de Geometria, com dificuldade conseguindo fixar minha atenção. Estava perto de mim a fotografia da minha amiga, sempre no mesmo lugar e meus olhos eram invencivelmente atraídos por essa imagem.

De repente vi o retrato mexer as pálpebras, abrindo a boca como se quisesse falar. Um ruído fez-me estremecer: era o meu relógio que batia 8 horas. Supondo haver sonhado, esfreguei os olhos e olhei de novo. Desta vez vi distintamente o retrato mexer com os lábios, abrir desmesuradamente os olhos, depois fechá-los em seguida lentamente, dando um suspiro.37

Não ousei mais olhar para a fotografia, tomei apressadamente a lâmpada, deitei-me imediatamente, embora fosse ainda muito cedo, e procurei, porém em vão, adormecer.

Pelas 10 horas, ouvi baterem ruidosamente à porta da rua. Chamei imediatamente meus pais, que estavam deitados. Era um telegrama, com estas palavras: “Helena falecida esta noite às 8 horas.”

O primeiro trem do dia seguinte levou-me a Paris, em companhia de meu pai. Propunha-me a assistir aos funerais de minha amiga e também a conhecer os detalhes dos seus últimos instantes. Soube que no dia de sua morte ela não cessara de falar em mim, tendo mesmo dito:

– Talvez que Valentine esteja agora olhando para o meu retrato. Ela supõe-me curada e eu sinto que vou morrer.

Alguns momentos antes da hora suprema, recomendara que me avisassem logo e que me transmitissem o seu adeus. Sua última palavra fora o meu nome.

Expliquem este fato como quiserem; o que posso afirmar é que não fui vítima de uma ilusão. Jamais tive o espírito inclinado a aparições. Demais, achava-me absolutamente em meu estado normal.



Valentine C., Roanne.”



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