Camille Flammarion o desconhecido e os Problemas Psíquicos



Baixar 1.61 Mb.
Página23/52
Encontro02.07.2019
Tamanho1.61 Mb.
1   ...   19   20   21   22   23   24   25   26   ...   52
(Carta 478)

CXXI – “Havia oito anos que eu deixara a casa paterna, quando, na noite de 18 para 19 de janeiro de 1890, ouvi chamarem-me três vezes pelo meu nome: “Lucina, Lucina, Lucina!”, ao que eu não estava acostumada, pois que em Breslau, onde eu era governanta, chamavam-me senhorita.

Esse chamado foi seguido de um ranger de porta que se fecha sobre gonzos enferrujados; reconheci esse ranger que há oito anos eu não ouvia; era o de uma porta muito velha da casa de meus pais, em Epanvillers (Suíça). Reconhecera igualmente naquele chamado a voz de minha irmã. Passei a noite toda agitada por um triste pressentimento, e no dia seguinte recebi a notícia da morte de minha irmã, ocorrida na noite de 18 para 19.



L. Roy
Misteâ-Moravia (Áustria).”

(Carta 494)

CXXII – “Eis aqui um fato que me diz muito particularmente respeito e que devo submeter aos vossos estudos de sábio, mas para o qual peço a vossa discrição absoluta, pois se trata de uma confissão que encerra muitas indicações suscetíveis de torná-la reconhecida ou adivinhada por algumas pessoas da minha localidade, mesmo pela família do defunto, de quem vou falar-vos.35

No dia da nossa primeira entrevista, tinha eu 20 anos; ele 32; nossas relações mantiveram-se durante sete anos. Nós nos amávamos ternamente.

Um dia o meu amigo anunciou-me, não sem desgosto, que sua situação, sua pobreza, etc., forçavam-no ao casamento e, no embaraço de suas explicações, eu sentia vago desejo de que as nossas relações não fossem de todo interrompidas.

Abreviei a penosa entrevista e, mau grado à minha imensa mágoa, não tornei a ver o meu amigo, não querendo, em meu amor único e absoluto, partilhar com uma outra, e de boa vontade, esse homem que eu tanto amava.

Vim a saber, mais tarde, indiretamente, que ele estava casado e tinha um filho.

Alguns anos depois desse casamento, em uma noite de abril de 1893, vi entrar no meu quarto uma forma humana, cujo sexo tentei em vão descobrir; essa forma, de elevada estatura, estava envolta em um lençol branco que lhe encobria o rosto. Aterrorizada, eu a vi encaminhar-se para mim e sobre mim inclinar-se; depois senti uns lábios colarem-se aos meus, mas que lábios! jamais esquecerei a impressão que eles me produziram; não experimentei nem pressão, nem movimento, nem calor, nada mais do que frio, o frio de uma boca sem vida!

Entretanto senti um descanso, um grande bem-estar durante esse longo beijo; mas em momento algum do meu sonho, nem o nome, nem a imagem do amigo que eu perdera apresentaram-se ao meu espírito. Ao despertar, não pensei mais, ou pouco pensei nesse sonho, até o momento em que, cerca de meio-dia, percorrendo o jornal de ..., li o que se segue:

“Escrevem-nos, de X, que realizaram-se ontem as exéquias de M. J.” (Vinham as qualidades do defunto); depois o artigo terminava atribuindo essa morte a uma febre tifóide causada pela surmenage conseqüente a encargos escrupulosamente desempenhados.

“Caro amigo – pensava eu –, desembaraçado das convenções mundanas vieste dizer-me que é a mim a quem amavas e ainda amas além da morte; eu te agradeço e amo-te sempre.”

Tornarei a encontrá-lo? Minha alma sentir-se-á feliz em evadir-se de sua prisão para voar à sua procura.



Senhorita Z.”
(Carta 498)

CXXIII – “No ano de 1866, o Sr. Paulo de L., professor de alemão em S. Petersburgo, achava-se com seu irmão em casa de sua mãe, na Prússia, a alguma distância da aldeia em que residia sua irmã, então ligeiramente enferma.

Na manhã de 17 de setembro, os dois irmãos passeavam em pleno campo. Em dado momento Paulo ouve uma voz que por duas vezes o chamou por seu nome. Na terceira vez, o irmão do Sr. L. também ouviu a voz pronunciar, muito distintamente, o nome de Paulo. Tomado de sombrio pressentimento, pois que deserto era o campo, apressaram-se os dois irmãos em voltar para casa, onde encontraram um telegrama comunicando-lhes que o estado de sua irmã havia subitamente piorado, achando-se ela em agonia.

Paulo L. e sua mãe partiram pela diligência. Na estrada, cerca de 4 horas da tarde, o Sr. L. viu subitamente passar diante de si a forma de sua irmã, que lhe roçou o corpo quando o veículo atravessava esse ponto da estrada.

Nutriu ele, então, a firme convicção de que sua irmã tinha morrido, o que comunicou à sua mãe, ao mesmo tempo em que anotava exatamente a hora em que isso se passou. À chegada, souberam que a irmã morreu à hora em que sua forma aparecera e que pela manhã ela o havia chamado muitas vezes em sua agonia.

Outros detalhes a notar: quando regressaram a casa, acharam o relógio parado na hora exata da morte; o retrato de sua irmã caíra no mesmo instante (esse retrato achava-se solidamente suspenso à parede e entretanto caiu sem arrancar o prego).

O Sr. L., cujo endereço tenho à vossa disposição, pode atestar a exatidão de todos esses fatos.

São Petersburgo, 18/30 de março de 1899.

V. Mouravieff.”

(Carta 502)

CXXIV – “A. – Estamos em dezembro de 1875. Meu pai acabava de recolher-se ao leito para morrer no dia seguinte. Desde muito achava-se doente, mas procurava conservar-se de pé, na crença de conjurar a morte enquanto se pudesse furtar a ir para a cama. Achava-me sentado perto do seu leito e via com mágoa anunciarem-se as primeiras manifestações da agonia. Ninguém da família estava ainda prevenido.

De repente um dos meus tios entrou em trajos de trabalho. Com a voz entrecortada, ele me disse:

– Meu irmão está muito doente?

– Julgai-o vós...

– Imagina tu que há pouquinho, voltando dos trabalhos da charrua, à noite, pareceu-me ver teu pai passeando como de costume e levando como sempre a mão ao coração, onde está o seu mal. Ele voltou-se para mim, dizendo-me: “Acabou-se tudo, Cristóvão; chega a nossa casa...” Aterrado, gritei para Júlia: “Teu tio, não vês o teu tio?...” “Estás sonhando, papai, aqui não está ninguém!” “Nesse caso – repliquei –, previne tua mãe de que não me espere; vou a D., à casa de meu irmão.”

Eram 6 horas da tarde; no dia seguinte, às 5 horas, meu pai estava morto.



B. – O segundo fato passa-se em agosto de 1889. Uma noite, minha mulher e eu ceávamos tristemente: eu acabava de perder minha mãe. Em dado momento entra um homem e disse à minha mulher que sua mãe estava bem doente e que era preciso partir imediatamente; havia uma carruagem.

No dia seguinte eu recebia a notícia de que minha sogra ia bem mal e que era necessário que eu fosse. Ia partir, quando fui tomado subitamente de um terrível acesso de neurastenia; qualquer movimento me era impossível e avassalou-me uma espécie de sonolência. Eu não via nada, mas sentia-me acolá, no meio da família em lágrimas, perto do leito da agonizante, e ouvia uma voz que dizia: “Então ele não vem, Emília?” E depois uma outra voz – a da agonizante: “Ele não pode, está doente o pobre rapaz. E depois, também, para quê?”

Uma hora depois, recebia eu o fatal telegrama: “Mamãe acaba de morrer.”

Dr. E. Clement, Montreux.”




Compartilhe com seus amigos:
1   ...   19   20   21   22   23   24   25   26   ...   52


©aneste.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
Prefeitura municipal
santa catarina
universidade federal
terapia intensiva
Excelentíssimo senhor
minas gerais
união acórdãos
Universidade estadual
prefeitura municipal
pregão presencial
reunião ordinária
educaçÃo universidade
público federal
outras providências
ensino superior
ensino fundamental
federal rural
Palavras chave
Colégio pedro
ministério público
senhor doutor
Dispõe sobre
Serviço público
Ministério público
língua portuguesa
Relatório técnico
conselho nacional
técnico científico
Concurso público
educaçÃo física
pregão eletrônico
consentimento informado
recursos humanos
ensino médio
concurso público
Curriculum vitae
Atividade física
sujeito passivo
ciências biológicas
científico período
Sociedade brasileira
desenvolvimento rural
catarina centro
física adaptada
Conselho nacional
espírito santo
direitos humanos
Memorial descritivo
conselho municipal
campina grande