Camille Flammarion o desconhecido e os Problemas Psíquicos



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(Carta 437)

CIV – “A. – A Sra. Mercader, minha madrasta, casada em Vernet-les-Bains (Pirineus Orientais), mas cuja família residia em Elne (Pirineus Orientais), mandou uma tarde sua enteada, Srta. Úrsula Mercader, então com a idade de 16 anos, fechar a porta da rua, que estava aberta. A moça voltou muito assustada, afirmando que tinha visto um carro fúnebre diante da casa. Ninguém quis acreditar e puseram-se a rir dela. Ora, na manhã do dia seguinte, chegou um expresso de Elne (pois ainda não havia telégrafo nessa época), dizendo que o pai de minha madrasta morrera na véspera, à noite, justamente à hora em que a Srta. Mercader fora fechar a porta e vira o carro fúnebre.

B. – Minha mulher não tinha então mais do que 15 anos, mas recorda-se perfeitamente. Seus pais dirigiam um estabelecimento termal em Vernet-les-Bains e os empregados tinham seus quartos no mesmo corpo do edifício, dando para um só corredor. Ora, um cozinheiro, chamado Guiraud, caiu gravemente enfermo e certa noite morreu. Todos os criados chegaram ao mesmo tempo ao quarto mortuário, imediatamente após o falecimento, sem que ninguém os fosse prevenir.

Cada um deles disse que tinha sido acordado por uma forte pancada vibrada aos pés de suas camas.

Creio satisfazer o vosso desejo, relatando-vos esses fatos que são autênticos.



Dr. H. Massina, Vernet-les-Bains.”
(Carta 440)

CVI – “A Sra. S., muito instruída, inteligente, poetiza, entusiasta, destituída de bens de fortuna, aliás, inventora incorrigível, participou em 1851 da exposição de Londres, onde obteve um prêmio de 100.000 francos por certas cordoalhas ou velas de navios aperfeiçoadas.

Sua má estrela fez-lhe encontrar lá um árabe, grande senhor no seu gênero, belo como um deus e que a entusiasmou tão fortemente que lhe deu ela em casamento sua filha e como dote os 100.000 francos, reservando para si apenas os proventos futuros de sua invenção, a qual enriqueceu um bom inglês, deixando-a sem um vintém.

Essa moça, bela, delicada, boa, perfeitamente educada e instruída, produto parisiense em todo seu valor e refinamento, foi imediatamente levada para a África por seu marido, verdadeiro bárbaro, civilizado somente para a ocasião – e uma horrível e miserável existência começou para ela. Vida nômade, sob a tenda, em promiscuidade com três ou quatro outras esposas tão brutas e tão selvagens como seus senhores.

Quatro ou cinco anos mais tarde a Sra. S., em Paris, ouviu, certa noite, ao lado do seu fogão, bem perto dela, a voz de sua filha, gritando-lhe:

Mamãe, mamãe!

Supôs, a princípio, enganar-se. Pouco depois, o mesmo chamado, porém muito mais forte e pronunciado como em agonia. Levantou-se, percorreu o compartimento, olhou para a rua. Tudo inutilmente. Ela não sabia o que pensar nem o que fazer, quando, pela terceira vez, a voz repetiu:

– Mamãe, vem, vem, eu te peço, vem depressa!

Então ela não hesitou mais. Desde o alvor do dia se pôs a caminho para Marselha. Quanto tempo durou a viagem? Existiam, nesse tempo, estradas de ferro? Havia-lhe dito a voz: “Vem a Marselha?” Nada sei de tudo isso.

O certo é que em Marselha ela encontrou, reduzida à última extremidade, sua desgraçada filha, que parece tê-la apenas esperado para morrer em seus braços.

S. Babinet Rencogne, Tolosa.”

(Carta 443)

CVII – “A. – Meu avô materno, homem grave, calmo e rígido o mais que se pode ser, passeava um dia no quarteirão mais populoso de Londres, absorto em suas reflexões. Em dado momento, viu ele abrir-se uma passagem no meio da multidão e dirigir-se para o seu lado um dos seus mais caros amigos de infância, coronel comandante de um regimento das Índias e que devia estar, segundo as informações dos jornais, ocupado precisamente nesse instante, em submeter os cipaios revoltados. Meu avô, no cúmulo da surpresa, estendeu a mão ao seu amigo e ia fazer-lhe uma pergunta, quando bruscamente, como tinha vindo, desapareceu.

Regressando à casa, informou-se meu avô se o coronel fora visitá-lo e, diante da resposta negativa do pessoal de serviço, saiu um tanto preocupado, para ir ao seu clube. Também lá ninguém tinha visto o coronel. Passaram-se as semanas; nessa época as comunicações eram lentas. Um dia, percorrendo as colunas de um jornal hebdomadário em circulação nas Índias, teve ele a dor de ver figurar na lista dos mortos, por traição dos cipaios, o nome de seu próprio amigo e, confrontando as datas, tudo lhe fez presumir que a morte coincidia com a aparição nas ruas populosas de Londres, onde os dois amigos gostavam muito particularmente de ir estudar as fisionomias características do povo londrino.



B. – Um jovem pastor contou-me o fato seguinte:

Perdi meu pai em minha tenra infância; meu irmão e eu fomos inteiramente educados pela melhor, mais doce e mais firme das mães, na austera cidade de Bolonha. Sem mostrar decidida preferência por qualquer de seus filhos, ela cercava, entretanto, de cuidados muito particulares o mais jovem deles, rapazinho delicado, muito sensível e que herdara o temperamento inglês de sua mãe: firme e doce.

À idade de 20 anos, fazia eu meus estudos em Bolonha, ao passo que meu irmão entrava para a Escola Militar de Modena. Seria impossível descrever o que ele sofria longe da casa materna...

Uma noite, antes de se deitar, queixou-se minha mãe de uma leve indisposição, mostrando-se de certa forma inquieta com relação ao filho ausente. Mas, boa, resignada e doce, antes de tudo, retirou-se ela calmamente, como de costume. Eram contíguos os nossos dormitórios. Passei uma parte da noite ocupado em um trabalho difícil e, somente pela manhã, consegui adormecer.

De súbito, fui despertado por um ruído de vozes e, abrindo os olhos, fiquei surpreendido de ver em meu quarto meu próprio irmão, pálido, o semblante desfeito.

– Mamãe – murmurou ele – mamãe, como vai ela? Dez minutos depois de meia-noite, eu a vi distintamente na cabeceira da minha cama, em Modena; ela sorria-me, com uma das mãos mostrava-me o céu, com a outra abençoava-me. Depois desapareceu. Mas o que te digo é que mamãe morreu!

Corri ao quarto venerado de nossa mãe: ela estava morta, de fato, com um sorriso nos lábios... Mais tarde nos afirmou o médico que ela devia ter cessado de viver cerca de meia-noite.

E. Asinelli, Gênova.”




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