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O ESPIRITO SANTO E A ASCENSÃO DE JESUS



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O ESPIRITO SANTO E A ASCENSÃO DE JESUS

Eles, pois, estando reunidos outra vez, perguntaram-lhe: Senhor, é agora, porventura, que restabeleces o reino de Israel? E Ele lhes respondeu: A vós não vos compete saber os tempos e as épocas, que o Pai fixou por sua própria autoridade; mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até as extremidades da Terra, E tendo dito estas coisas, foi Jesus elevado à vista deles, e uma nuvem o recebeu e ocultou aos seus olhos. E estando eles com os olhos fitos no céu enquanto Ele subia, eis que dois varões com vestiduras brancas se puseram ao lado deles, e lhes perguntaram: Galileus, porque estais olhando para o céu? Esse Jesus que dentre vós foi recebido no céu, assim virá do modo como o viste ir para o céu. – (Atos, I – v. 6 a 11) .


Em uma obra anterior, fizemos esclarecimentos a respeito da palavra Espírito Santo, que a cada passo se encontra nos Evangelhos.

Não será demais, entretanto, estendermo-nos em certas considerações a esse respeito, para que os leitores melhor compreendam o sentido das Escrituras, especialmente os “Atos dos Apóstolos” que nos propomos a respigar.

As antigas Escrituras não continham o qualificativo santo quando se falava do Espírito.

Todos os Apóstolos reconheciam a existência de Espíritos, mas entre estes, bons e maus.

No Evangelho de Lucas, X, lê-se: “Aquele que pede, obtém; o que procura, acha; abrir-se-á ao que bater; se vós sendo maus sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, com muito mais forte razão vosso Pai enviará do Céu um bom Espírito àqueles que o pedirem”. (10 a 13).

Foi só com a tradução das antigas Escrituras e constituição da Vulgata que esse qualificativo foi acrescentado, com certeza para fortificar o “Mistério da Santíssima Trindade”, tirado de uma lenda hindu, aventado por comentadores das Escrituras, que desde logo após a morte de Jesus, viviam em querelas, em discussões sobre modos de se interpretar as Escrituras. Essa mesma “Trindade” é que foi proclamada como “artigo de fé”, pelo Concílio de Nicéia, em 325, após ter sido rejeitada por três concílios.

O mistério da “S. S. Trindade” veio criar uma doutrina nova sobre a concepção do Espírito, atribuindo a este, quando revestido do qualificativo Santo, um ser misterioso, incriado, também Deus e coeterno com o Pai.

Desvirtuada por completo de sua verdadeira significação, a promessa de Jesus não representa para as Igrejas Romana e Protestante, a difusão do Espírito, ou antes dos Espíritos, que, por ordem de Deus e enviados por Jesus, viriam restabelecer todas as coisas, mas sim um dom sobrenatural, um movimento de cérebro e de coração que Deus operou unicamente nos Apóstolos, no dia de Pentecostes.

Nós vamos ver adiante, pelo enredo dos trechos dos “Atos”, que esta doutrina é absolutamente errônea, não só errônea como também obstrutiva dos princípios cristãos, inutilizando por completo as Palavras de Jesus, sua vida e os Ensinos Apostólicos, únicos capazes de quando recebidos em sua verdadeira significação, transformar o homem, guiando-o bem aos seus destinos imortais.

Para maior esclarecimento desta tese, convidamos o leitor a consultar a importante obra de Léon Denis — “Cristianismo e Espiritismo”, lendo, com especialidade, o 4o, 5o, e 6o cap. desta obra, bem como a 6a Nota Complementar.

Ao estudar a Bíblia, todo o juízo preconcebido nos obscurece o entendimento.

O qualificativo Santo que se encontra na Bíblia para designar espírito bom, não deve absolutamente, ser interpretado como um ente misterioso, sibilino, que constitui a 3a pessoa da S. S. Trindade. Mas sim, como sendo um Espírito adiantado, de bondade, de amor e sabedoria.

Nós vemos, por exemplo, no Antigo Testamento (Daniel, XIII, 45), a seguinte notícia: “O Senhor suscitou o espírito santo de um moço chamado Daniel”.

Por aí se conclui claramente, que, tratando a Bíblia, em sua moderna publicação, de Espírito Santo, o qualificativo santo representa as qualidades superiores de um indivíduo.

É bom que os leitores tomem nota desta elucidação, pois, ao transcrever as passagens dos “Atos”, havemos de encontrar muitas vezes a palavra Espírito Santo, que não pode deixar de ser ligada a uma pessoa.

Desejavam os discípulos saber de Jesus a época do restabelecimento do Reino de Israel, mas o Senhor lhes respondeu que a eles não competia saber tempos, nem épocas, pois a sua tarefa era serem suas testemunhas não só em Jerusalém, como em toda a Judéia, Samaria e até nas extremidades da Terra.

Ora, sabemos que as extremidades da Terra, ao tempo de Jesus, eram muito limitadas, e se essa tarefa ficasse adstrita unicamente àqueles seus discípulos, excluindo-se a lei da Reencarnação e o prosseguimento da sua ação do Mundo Espiritual em estado de Espíritos, ela ficaria absolutamente resumida a uma nação, e então a Religião do Cristo seria uma religião nacional, e não uma Religião Mundial, como é o seu verdadeiro caráter.

Sendo a Doutrina de Jesus permanente, eterna, palavra que não passa, só considerando-a espiritualmente, sem o véu da letra, poderemos acolhê-la hoje com um cérebro forte e um coração que palpita, desejoso de Verdade e de progresso.

Ficamos compreendendo, além de tudo, que Jesus conversava com os seus discípulos, depois de ter morrido, dando-lhes instruções e ordenando-lhes a observância de seus Ensinos. Esses quarenta dias em que o Mestre esteve com eles, foram aproveitados, para lhes repetir os seus Ensinamentos, firmar-lhes a Fé, e tornar àqueles que deveriam levar por todo o mundo a Palavra da Ordem, fiéis obreiros, trabalhadores dedicados e intemeratos, pois teriam a seu lado Espíritos para os auxiliar em todas as conjunturas e fazerem com que persistissem até o fim.

E foi só depois de lhes ter dito tudo o que era preciso, de lhes ter dado todas as instruções necessárias que, segundo refere Lucas, o Mestre elevou-se às alturas, desmaterializando-se diante dos olhos de todos.

Os espíritas compreendem bem esses fenômenos de materialização e desmaterialização, tão extraordinariamente verificados com Jesus e referidos nos Evangelhos.

E diz o texto que, enquanto eles tinham os olhos fitos no céu, maravilhados da ascensão de Jesus, eis que apareceram e se puseram ao lado deles dois varões com vestiduras brancas e lhes perguntaram: “Galileus, porque estais olhando para o céu? esse Jesus que dentre vós foi recebido no céu, assim virá do modo como o viste ir para o céu”.

Esta sessão foi verdadeiramente imponente, pois até os varões, materializados, falaram, dando explicações e revelando coisas futuras, como a nova vinda de Jesus, como todos esperamos, e não reencarnado, mas sim semelhante à sua estada, quando ressuscitado, ou seja, materializado.

E quem seriam esses varões, que vieram trazer-lhe o seu testemunho? O Evangelista não o diz, mas nós julgamos que foram os mesmos que se mostraram aos Apóstolos no Tabor, como testemunhos da Excelsa Missão de Jesus, Moisés e Elias: um representando a Lei, outro os Profetas, que, ao ver de Jesus, são incluídos nos seus preceitos de Amor a Deus e ao próximo.






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