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PAULO NA ESCOLA DE TIRANO – OS PRODÍGIOS DA RELIGIÃO



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PAULO NA ESCOLA DE TIRANO – OS PRODÍGIOS DA RELIGIÃO

Paulo, entrando na sinagoga, falou ousadamente por espaço de três meses, discutindo com os ouvintes e persuadindo-os” acerca do reino de Deus. Mas como alguns ficassem endurecidos e incrédulos, falando mal do Caminho diante da multidão, apartou-se deles e separou os discípulos, discutindo diariamente na escola de Tirano. Isto continuou por dois anos, de modo que todos os que habitavam na Ásia, tanto judeus como gregos, ouviram a palavra do Senhor. E Deus fazia milagres extraordinários por meio de Paulo, de sorte que eram do seu corpo levados lenços e aventais aos enfermos, e as enfermidades os deixavam, e deles saíam os espíritos malignos. – Cap. XIX, v. v. 8 – 12.


A Religião operou prodígios por meio dos Apóstolos. Paulo, sem dúvida alguma, foi para o Cristianismo nascente o maior expoente da Religião.

A Religião não é mesmo uma simples filosofia, mas uma grande ciência amparada por fatos.

Deus é a Sabedoria infinita e o Poder ilimitado; a sua Lei está estritamente ligada a essa Sabedoria e submissa a esse Poder.

Os intermediários entre a Terra e o Céu, não são aqueles que se arrogam tais títulos, mas sim os que dão testemunho do Céu, da grandeza e da Sabedoria Divina.

A estada de Paulo em Éfeso foi um sucesso inesperado.

Cheio de zelo pela Causa que havia esposado e vendo “edificadores” que entravam na sua Seara e construíam ou edificavam com materiais de terceira ordem, o Apóstolo resolveu voltar a Éfeso e erguer verdadeiros edifícios sobre os fundamentos, dos quais ele tinha sido sábio construtor.

A religião vulgar, que passa, não poderia permanecer em bases verdadeiras, tomando lugar das construções que devem abrigar milhares de almas. E Paulo não vacilou, pôs mãos à obra. Não sendo as suas palavras aceitas, durante três meses consecutivos, por incrédulos e endurecidos, ele não voltou mais à sinagoga, e passou a falar no grande salão da Escola de Tirano, onde com toda a liberdade e poder do Espírito, por dois anos consecutivos, apregoou as novas da salvação.

Verdadeiras romarias, de todos os que habitavam a Ásia, tanto judeus como gregos, tiveram a felicidade de receber a Luz.

E a Luz iluminava de todos os modos; focos de todas as tensões fulgiam por aquela lâmpada sagrada a quem o Espírito do Nazareno acompanhava e que nós chamamos Doutor dos Gentios.

De fato, o antigo Saulo, poderoso só para o mal, tornou-se o doutor mensageiro da saúde que fortalece o corpo e da saúde que vivifica a alma. O seu poder tornou-se tão grande, as suas virtudes eram tão frementes que até a sua roupa, os seus lenços, os seus aventais, após estarem em contato com o seu corpo imaculado, curavam os enfermos, expeliam as enfermidades, expulsavam os espíritos malignos!

Aquilo que nós, entes dotados de uma alma racional, não podemos fazer; naquilo que os doutores, que freqüentaram academias, não tinham poder; as coisas inanimadas como o pano, o tecido, que pertenciam ao grande Apóstolo, esses “trapos” operavam maravilhas diante dos circunstantes que testemunhavam tão grandes coisas!

É assim mesmo. Deus escolhe as coisas fracas para confundir as fortes; e as humildes para confundir as engrandecidas pelas vaidades humanas.

Paulo é o grande capítulo da História do Cristianismo; não há homem de boa vontade que não o admire. Grande orador, divinamente inspirado, até suas Epístolas nos exaltam e elevam às celestes regiões. Alguém, referindo-se aos sermões do padre Antônio Vieira, disse: “Orador, ou Paulo ou Vieira”; parodiando, após ouvir os arroubos de eloqüência singela impregnada de inefável doçura do Humilde Filho de Deus, e dos belos discursos do Apóstolo dos gentios, afirmamos, sinceramente convictos, que de todos os oradores Evangélicos que têm pisado este solo ingrato, dois se elevam a incomensuráveis alturas: Jesus, o Cristo e Paulo, o Apóstolo.

Possam Eles nos ter em sua graça.




OS JUDEUS EXORCISTAS – OS FILHOS DE SCEVA

Alguns judeus exorcistas ambulantes tentaram invocar o nome do Senhor Jesus sobre os que estavam possessos de espíritos malignos, dizendo: Esconjuro-vos por Jesus, a quem Paulo prega. E os que faziam isto eram sete filhos de um judeu chamado Sceva, um dos principais sacerdotes. Mas o espírito maligno respondeu-lhes: Conheço a Jesus, e sei quem é Paulo; mas vós quem sois? O homem, no qual estava o espírito maligno, saltando sobre eles, apoderou-se de dois e prevaleceu contra eles, de tal modo que, nus e feridos, fugiram daquela casa. E isto tornou-se conhecido de todos os judeus e gregos, que moravam em Éfeso e veio o temor sobre todos e o nome do Senhor Jesus era engrandecido; e muito dos que haviam crido, vinham confessando e declarando os seus atos. Muitos também que tinham exercido artes mágicas ajuntaram os seus livros e queimaram-nos na presença de todos; e calculando o seu valor, acharam que montava a cinqüenta mil dracmas de prata. Assim crescia e prevalecia em poder a palavra do Senhor. – Cap. XIX, v. v. 13 – 20.


As esconjurações aos Espíritos malignos vêm de tempos imemoriais.

Vários eram os meios empregados para que se conseguisse o fim almejado. Ora aplicavam “processos mágicos”, como sói acontecer ainda hoje, ora ditavam diante do obsediado orações mais ou menos esdrúxulas e ininteligíveis.

Ainda hoje a igreja romana se utiliza do crucifixo, dos rosários, da água benta e da oração para expelir os demônios (espíritos maus). No ritual existe um capítulo especial sobre os energúmenos ou possessos, que instrui o padre a esse respeito.

Mesmo no tempo de Jesus, segundo narra Lucas, havia muitos indivíduos que se entregavam a esse mister, aplicando meios que lhes pareciam eficientes e experimentando novas fórmulas que julgavam proveitosas. No cap. XI, v. v. 49 – 50, lê-se que João disse: “Mestre, vimos um homem expelir demônios em Teu nome e lho proibimos, porque não Te segue conosco”, ao que Jesus lhe respondeu: “Não lho proibais, pois quem não é contra vós é por vós”.

Correndo a fama em toda a Judéia que sob as ordens de Jesus, os espíritos malignos eram expelidos, diversos exorcistas começaram a se utilizar do nome do Senhor chegando mesmo a obter sucesso.

O mesmo aconteceu quando Paulo predicava. Os filhos de Sceva, que eram exorcistas ambulantes, naturalmente viviam disso, vendo as maravilhas operadas pelo doutor dos gentios, que em todos os seus discursos e atos nunca se esqueceu do nome de Jesus, deliberaram também aplicar um novo processo de cura, invocando o nome de Jesus sobre os que estavam possessos de espíritos.

Mas como não basta ter Jesus nos lábios, para que o resultado nesse como em outros casos seja satisfatório, é preciso também tê-lo no coração, os moços de Sceva saíram-se mal com a experiência. O Espírito maligno, embora reconhecendo em Jesus e em Paulo autoridade para o que quer que fosse, não reconheceu neles o poder para se utilizarem desses nomes no exercício de sua tarefa de exorcistas. E o resultado foi desautorá-los investindo contra eles fisicamente e maltratando-os.

O dom espiritual de curar, para produzir resultado satisfatório, precisa estar aliado ao desinteresse e a humildade, e estas virtudes no seu mais alto grau só podemos conquistá-las aliando-nos de coração, de entendimento, de alma, e com todas as nossas forças a Jesus Cristo.

Nesta passagem dos Atos se aprende mais, que, como disse Jesus, nada vale dizer — “Senhor, Senhor!” É preciso que de fato, estejamos aliados ao Senhor, guardando unidade de espírito pelo amor, que é o vínculo da perfeição.




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