Cairbar Schutel Vida e atos dos apóstolos



Baixar 0.54 Mb.
Página25/41
Encontro21.10.2017
Tamanho0.54 Mb.
1   ...   21   22   23   24   25   26   27   28   ...   41

OS SUCESSOS DE BERÉA

Logo pela noite os irmãos enviaram a Paulo e Silas para a Beréa, e tendo eles ali chegado foram à sinagoga dos judeus. Ora, estes eram mais nobres do que os de Tessalônica, porque receberam a palavra com toda a avidez, indagando diariamente nas Escrituras se estas coisas eram assim. De sorte que muitos deles creram, bem como não poucas mulheres gregas de boa posição, e homens. – Cap. XVII, v. v. 10 – 12.


De Tessalônica, Paulo e Silas foram para Beréa, onde os discípulos que se achavam na Tessalônica os aconselharam que seguissem.

Logo que chegaram à Beréa os dois ilustres missionários, sem temer o que poderia acontecer, entraram na Sinagoga dos judeus, onde pregaram a Doutrina de Jesus, e a supremacia deste como o Cristo enviado de Deus, para salvar o mundo. Respigando as Escrituras eles levavam a convicção naqueles que se achavam preparados para receberem a palavra, a Boa Nova da Redenção. E muitos prosélitos conseguiram, pois o povo de Beréa era muito mais adiantado que o de Tessalônica, e recebiam a palavra com o coração aberto, tanto homens como mulheres, judeus como gregos. E examinavam as Escrituras, verificando a concordância que havia entre as profecias, ensinamentos morais e a palavra dos Apóstolos.

Paulo e Silas demoraram-se uns dias em Beréa, dando explicações que lhes eram pedidas sobre pontos das Escrituras.

Tendo porém chegado de Tessalônica judeus comissionados pelos fariseus para excitar o povo contra os Apóstolos, os cristãos de Beréa preveniram-nos e os aconselharam a que se retirassem, mas Silas e Timóteo ficaram ali; Paulo seguiu para Atenas, ordenando a estes últimos que fossem depois ter com ele.

Mas a despeito das perseguições e do pouco tempo que lhes era dado parar em cada cidade, os Apóstolos, e principalmente Paulo, faziam grande número de crentes, ao mesmo tempo que constituíam associações, estreitando-se os crentes por uma união indispensável e espírito de verdadeira solidariedade, que os fazia respeitados dos adversários,

Paulo, além de se dirigir pessoalmente às igrejas (reuniões dos fiéis), enviava, a umas e outras, cartas exortando-as a prosseguirem nos estudos e a guardarem as instruções recebidas com um bom procedimento, para que tivessem o auxílio de Jesus e a graça dos Santos Espíritos que se empenhavam em fazer prevalecer a palavra do Evangelho.



PAULO EM ATENAS – O DISCURSO NO AREÓPAGO

A chegada de Paulo em Atenas foi verdadeiro sucesso. Observando a cidade ilustre, com os seus majestosos monumentos, tais como o Areópago, o Prytâneo, o Odeon, a Academia, o Liceu, e muitos outros dos quais apenas se conserva a memória, as descrições dos antigos escritores: o Partenon, os templos de Júpiter Olímpico, de Teseu, da Vitória, a porta de Adriano, o teatro de Bachus e inúmeros deles, cujas ruínas os viajantes admiram, o Apóstolo revoltou-se dentro de si mesmo, vendo aquele centro de civilização cheio de ídolos que davam idéia de uma cidade fantástica.

O seu espírito de repulsa por essa religião aparente em que predominava uma ortodoxia severa, chegou ao auge, e ele nas ruas, nas praças, discutia com os judeus e com os que temiam a Deus, fazendo-lhes ver o modo errôneo de encarar a religião, materializando-a em seus fundamentos principais e fanatizando os crentes a ponto de desprezarem o verdadeiro Deus para se entregarem ao culto de estátuas.

A palavra do Apóstolo, como outrora a de Sócrates fazia-se ouvir de quebrada em quebrada e estava na ordem do dia em Atenas, era assunto em todas as rodas, de palpitante atualidade, mesmo porque, naquele tempo, os Atenienses e os estrangeiros que ali moravam não se ocupavam de outra coisa senão em contar ou em ouvir alguma novidade.

A fama de Paulo, em poucos dias, tornou-se tal, que filósofos epicúreus (5) e estóicos (6) contendiam com ele, sem poderem destruir a doutrina da Ressurreição dos Mortos e a Palavra de Jesus Cristo, que a todos anunciava.

Uns acolhiam suas palavras, com boa vontade, outros, menos inteligentes, diziam: “que quererá esse paroleiro?”.

Muitos lhe faziam perguntas, pediam-lhe que lhes explicasse que doutrina nova era aquela que ele pregava. Ansiosos, desejavam mesmo conhecer os fundamentos da excelsa filosofia, que manava como um jorro d'água dos lábios inflamados do novo Apóstolo, até que conseguiram levá-la ao Areópago, o célebre monumento de Atenas, que era a sede de reuniões de magistrados, sábios e filósofos.

Foi aí que Paulo, o Apóstolo da Luz, disse o seu grande discurso, peça oratória de verdadeira inspiração de uma forma belíssima, de um fundo admirável, que realça a mais pura espiritualidade.

O Areópago se achava repleto de assistentes, tanto de filósofos, como de crentes religiosos e judeus, quando o Emissário de Jesus, erguendo-se, disse:

“Atenienses, em tudo vos vejo muitíssimo tementes aos deuses. Pois, passando e observando os objetos do vosso culto, achei um altar, em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Aquele, pois, que vós honrais, não o conhecendo, vos anuncio.

“O Deus que fez o mundo e todas as coisas que nele há, este, sendo Senhor do Céu e da Terra, não habita em templos feitos por mãos de homens; nem tão pouco é servido por mãos humanas, como que necessitando de alguma coisa; pois, é Ele só quem dá a todos vida, respiração, e todas as coisas.

“E de um sangue fez toda a geração de homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já d'antes ordenados e os limites da sua habitação; para que buscassem ao Senhor, se porventura o pudessem apalpar e achar; ainda que não está longe de cada um de nós, porque nEle vivemos e nos movemos, e existimos, como também alguns dos vossos poetas disseram: porque somos também Sua geração.

“Sendo pois geração de Deus, não havemos de cuidar que a Divindade seja semelhante ao ouro, ou à prata, ou à pedra esculpida por artifício e imaginação dos homens.

“De sorte que Deus, dissimulando os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam; porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo com justiça por Aquele varão que destinou; dando certeza a todos ressuscitando-O dos mortos”.

Paulo não pode prosseguir a sua oração. Tudo poderia ainda ser aceito em Atenas, menos a ressurreição dos mortos. É aí que está a pedra de tropeço para os: religiosos. A imortalidade da alma, a comunicação e aparição dos Espíritos, é difícil ser aceita por um povo materialista que julga tudo terminar com a morte.

A grande luta que Paulo sustentou, foi justamente quando proclamou estes princípios básicos da vida. As. perseguições que moveram ao grande Apóstolo foram justamente por ele sustentar estes princípios. É o próprio Paulo que o declara diante dos sacerdotes e de todo o Sinédrio, onde se achavam fariseus e saduceus: “por causa da esperança de uma outra vida e da ressurreição dos. mortos é que me querem condenar”. (Atos XXIII, 6).

Não só pela palavra, como também em suas Epístolas, o Apóstolo fazia questão fechada da Imortalidade e. comunicação dos Espíritos. Na 1a aos Coríntios, cap. XV ele é bem explícito, estendendo-se em considerações que atualmente o Espiritismo referenda e explica. Diz:

“Entreguei-vos primeiramente o que também recebi: que o Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, e que apareceu a Cefas e então aos doze; depois apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma vez; depois apareceu a Tiago, então a todos os Apóstolos; e por último de todos apareceu também a mim como a um abortivo. Pois eu sou o mínimo dos Apóstolos, que não sou digno de ser chamado Apóstolo, porque persegui a igreja de Deus; mas pela graça de Deus sou o que sou”.

Mais adiante ele diz:

“Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como dizem alguns dentre vós que não há ressurreição dos mortos? Se não há ressurreição de mortos, nem Cristo ressuscitou, logo é vã a nossa pregação e também é vã a vossa fé, e somos falsas testemunhas de Deus. Se os mortos não ressuscitam, nem Cristo ressuscitou, a vossa fé é vã. Se só nesta vida cremos em Cristo, somos os mais miseráveis de todos os homens.

“Mas prevalece que Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo as primícias dos que dormem”.

“O que farão então os que batizam pelos mortos, se realmente os mortos não ressuscitam?”.

Falando do corpo dos “mortos”, diz:

“Há corpo animal e corpo espiritual, e com este é que eles ressuscitam”.

Esta Epístola é muito elucidativa e substanciosa. Recomendamo-la aos estudiosos.

Na 1a aos Tessalonicenses Cap. IV, v. 13, diz:

“Não queremos que sejais ignorantes acerca dos que dormem, para que não vos entristeçais como fazem os demais que não têm esperança. Pois, se cremos que Jesus morreu e ressurgiu, assim também Deus trará com Jesus os que nEle dormem”.

Não será, certamente, necessário nos estendermos em maiores considerações para demonstrar que a base da crença é a imortalidade, a ressurreição, a vida eterna, tal como a pregavam os Apóstolos.

Finalmente, resumindo o discurso do Areópago, vemos nele a condenação à idolatria, ao culto das imagens, adotado hoje pela igreja de Roma, e a proclamação do Deus Vivo, único, onipotente, revelação dada a Abraão, confirmada no Decálogo a Moisés, referendada por Jesus, e proclamada aos quatro ventos, hoje, pelo Espiritismo.

E é só obedecendo esses preceitos que pode haver unidade de Espírito, pois, como diz o próprio Apóstolo: “Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por todos e em todos”. (Efésios, Cap. IV, v. v. 5-6).

Concluindo o capítulo vemos que o discurso do Apóstolo não deixou de produzir efeito, operando diversas conversões, entre as quais Dionízio, o areopagista, e família.





Compartilhe com seus amigos:
1   ...   21   22   23   24   25   26   27   28   ...   41


©aneste.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
Prefeitura municipal
santa catarina
universidade federal
terapia intensiva
Excelentíssimo senhor
minas gerais
união acórdãos
Universidade estadual
prefeitura municipal
pregão presencial
reunião ordinária
educaçÃo universidade
público federal
outras providências
ensino superior
ensino fundamental
federal rural
Palavras chave
Colégio pedro
ministério público
senhor doutor
Dispõe sobre
Serviço público
Ministério público
língua portuguesa
Relatório técnico
conselho nacional
técnico científico
Concurso público
educaçÃo física
pregão eletrônico
consentimento informado
recursos humanos
ensino médio
concurso público
Curriculum vitae
Atividade física
sujeito passivo
ciências biológicas
científico período
Sociedade brasileira
desenvolvimento rural
catarina centro
física adaptada
Conselho nacional
espírito santo
direitos humanos
Memorial descritivo
conselho municipal
campina grande