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PEDRO RESSUSCITA A DORCAS



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PEDRO RESSUSCITA A DORCAS

Havia em Joppe uma discípula, por nome Tabitha, que quer dizer Dorcas; esta estava cheia de boas obras e esmolas que fazia. Naqueles dias, adoecendo ela, morreu; e depois de a levarem, puseram-na no cenáculo. Como Lyda era perto de Joppe, os discípulos, ouvindo que Pedro se achava lá, enviaram-lhe dois homens, e rogaram-lhe: Não te demores em vir ter conosco. Pedro levantou-se e foi com eles; e tendo chegado, conduziram-no ao cenáculo; e todas as viúvas cercaram-no, chorando e mostrando-lhe as túnicas e capas que Dorcas fazia enquanto estava com elas. Mas Pedro tendo feito sair a todos, pondo-se de joelhos, orou; e voltando-se para o corpo, disse: Tabitha, levanta-te. E ela abriu os olhos e, vendo a Pedro, sentou-se. Ele dando-lhe a mão, levantou-a; e chamando os santos e as viúvas, apresentou-lha viva. Isto se tornou conhecido por toda Joppe, e muitos creram no Senhor. Pedro ficou em Joppe por muitos dias em casa de um curtidor chamado Simão. — v. v. 36 – 43.


As boas obras são o grande atrativo dos Espíritos do Senhor. A caridade que obra com humildade, não pode deixar de atrair as Potestades Celestes.

Se Dorcas não tivesse boas obras não teria certamente merecido a proteção dos discípulos, os testemunhos das viúvas, a presença de Pedra e a assistência do Espírito mensageiro de Jesus, que operou, com o auxílio de Pedra, para a sua “ressurreição”.

Esses casos de “ressurreição” não se deram, como se vê, só no tempo em que Jesus predicava, mas também no tempo dos discípulos. Em Dorcas, como nos demais, não havia, tal como se observa, a desligação completa do Espírito do corpo. Havia algum laço fluídico que ainda não havia rompido, e a ação espiritual, por intermédio de Pedro, conseguiu a volta da mulher já quase exânime. Já tratamos desta questão na 3a edição de “Parábolas e Ensinos de Jesus”, cap. “Ressurreição de Lázaro”.

Não pretendemos repisar o assunto.

O fenômeno repercutiu por toda a circunvizinhança e novos crentes foram admitidos entre os discípulos.


AS VISÕES DE CORNÉLIO E PEDRO – RECOMENDAÇÕES DO ESPÍRITO MENSAGEIRO

Um homem em Cesárea, por nome Cornélio, centurião de uma corte chamada italiana, piedoso e temente a Deus com toda a sua casa, e que fazia muitas esmolas ao povo e de contínuo orava a Deus, viu em visão claramente, cerca da hora nona do dia, um anjo chegando e dizendo: Cornélio. Este fitando nele os olhos, e cheio de temor, perguntou: Que é, Senhor? O anjo acrescentou: As tuas orações e as tuas esmolas têm subido para lembrança diante de Deus. Agora envia homens a Joppe e manda chamar um certo Simão, que tem por sobrenome Pedro; este se acha hospedado em casa de um curtidor chamado Simão, a qual fica junto ao mar. Logo que se retirou o anjo que lhe falava, chamou a dois de seus domésticos, e a um soldado piedoso dos que estavam a seu serviço e, havendo-lhes contado tudo, enviou-os a Joppe.

Ao outro dia seguindo eles o seu caminho e estando já perto da cidade, subiu Pedro ao eirado para orar, cerca da hora sexta. Teve ele fome e quis comer; mas enquanto lhe aprontavam a comida, veio-lhe um êxtase; e viu o Céu aberto, e descer um objeto, como se fora uma grande toalha, o qual era baixado terra pelas quatro pontas; e nele havia de todos os quadrúpedes e répteis da terra e aves do Céu. E uma voz disse-lhe: Levanta-te Pedro: mata e come. Mas Pedro replicou; De nenhum modo, Senhor; porque jamais comi coisa alguma impura e imunda. Segunda vez a voz lhe falou: Ao que Deus purificou não faças tu impuro. Sucedeu isto por três vezes e logo o objeto foi recolhido ao Céu. — Cap. X, 1 – 16.
Dois casos interessantes, dignos de meditação e de estudo.

Vimos no capítulo anterior a grande influência das boas obras, para a obtenção das coisas espirituais.

A caridade e a prece são as duas alavancas que removem as mais pesadas barreiras e nos conduzem a Deus.

Na “Parábola do Homem Rico”, Jesus disse que era mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha, do que salvar-se um rico. Inquirido por seus discípulos, quem poderia, então, se salvar, respondeu, que “O que era impossível aos homens era possível a Deus”.


Cornélio, homem rico, da corte italiana, naturalmente achava difícil a sua salvação, e por isso porfiava com o auxílio de oração e boas obras, para chegar à Vida Eterna. E como são estes mesmos os meios que Deus nos facultou para obtenção de tão alto desideratum, lhe foi dado o Espírito, sem medida, pois, “àquele que muito tem, mais ainda lhe será dado”, e Cornélio teve uma visão: apareceu-lhe um Mensageiro de Jesus (anjo, quer dizer mensageiro), que lhe aconselhou mandar chamar a Pedro, o Profeta e ao mesmo tempo Apóstolo, a fim de lha ser dito o que precisava fazer para ter a posse de tal vida, que nunca acaba.


Cheio de temor, pois a aparição dos Espíritos, quando o paciente vê e ouve, produz quase sempre temor, mas ciente de que era uma manifestação de um ente bom, Cornélio obedece às ordens, movimenta o seu pessoal, em busca de Pedro.

Enquanto se dirigem para Joppe, o mesmo Espírito ou algum outro companheiro seu, arrebata a Pedro num êxtase e lhe dá a significativa visão, simbolizada na apresentação de um lençol descido do céu, contendo tudo o que Deus criou. Esse quadro alegórico queria, sem dúvida, insinuar ao Apóstolo que não deveria se negar ao chamado de Cornélio, que embora grande e rico, havia merecido as graças do Céu, não pelo dinheiro e posição que possuía, mas pela boa aplicação desse dinheiro e pela humildade com que se portava em suas funções como membro da corte italiana.

Do verso 17 ao verso 34 dos Atos, cap. X, o leitor terá a descrição de Lucas, evitando assim que a passemos para estas páginas, mas que se refere à chegada de Pedro à casa de Cornélio e à conversa que ambos entabularam a respeito da visão.

Pedro anunciou a Cornélio a Doutrina de Jesus e lhe narrou a Vida do Nazareno, que fora constituído Juiz dos vivos e dos mortos, estendendo a sua palavra aos gentios que se achavam nas proximidades.

O resultado foi inúmeras conversões, feitas pelo “Espírito Santo”, cujos mensageiros desenvolveram seus dons, muitos falavam várias línguas, como no Cenáculo os discípulos, no dia de Pentecostes.

A visão de Pedro era categórica em sua interpretação. Os gentios deviam também receber o Espírito. O dom não pertencia só aos judeus, mas a todos, porque o profeta Joel havia dito: “Eu derramarei do meu Espírito sobre toda a carne”.

Concluímos reafirmando que “a caridade é a âncora da salvação”.

Quem quiser dons, quem quiser herdar a Vida Eterna, seja caridoso e humilde, porque será, de fato, discípulo do Cristo, conhecerá a Verdade, e a Verdade o libertará do jugo sacerdotal que pesa sobre todos.






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