Associação Brasileira de Odontologia



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Associação Brasileira de Odontologia

Regional de Petrópolis

Análise da eficiência das limas Protaper® para retratamento na remoção de guta percha dos canais radiculares.

Roberta Rodrigues Coelho

Petrópolis

2008

Associação Brasileira de Odontologia



Regional Petrópolis

Análise da eficiência das limas Protaper® para retratamento na remoção de guta percha dos canais radiculares.


Roberta Rodrigues Coelho

Monografia apresentada ao Curso de Pós-Graduação em Endodontia como requisito à obtenção do grau de Especialista em Endodontia.

Orientador: Prof. Gilberto Rocha de Oliveira

Petrópolis

2008



Coelho, Roberta Rodrigues
Análise da eficiência das limas Protaper® para retratamento na remoção de guta percha dos canais radiculares/ Coelho, Roberta Rodrigues – Petrópolis, 2008.

31f.
Orientador: Prof. Gilberto Rocha de Oliveira

Monografia de conclusão do curso de Pós –Graduação em Endodontia – Associação Brasileira de Odontologia – Regional Petrópolis, 2008.


A Deus, meus pais e professores, com todo amor e carinho.

AGRADECIMENTOS
Agradeço a todos os professores pela paciência e dedicação em todo o meu processo de aprendizado; aos meus pais por me apoiarem em todas as minhas decisões e estarem sempre ao meu lado, às minhas tias e primas que me faziam companhia nas viagens, às “Michelles” por se mostrarem amigas e colaborarem comigo sempre que precisei; à Sandra pela simpatia e carinho; aos meus amigos de curso por fazerem com que cada dia de aula se tornasse sempre prazeroso e divertido e, a todos aqueles que se fizeram presentes no processo de confecção deste trabalho, em especial ao Professor Gilberto, que me orientou com muita sabedoria e dedicação. Obrigada a todos!


RESUMO
O presente trabalho teve como objetivo avaliar a eficiência das limas Protaper® para retratamento. Foram utilizadas 30 raízes distais de molares inferiores, instrumentadas e obturadas por diferentes profissionais com as técnicas por eles escolhidas. Quinze raízes foram desobstruídas pela técnica manual (Gates Glidden + Limas Kerr + limas Hedströen) e as outras quinze raízes utilizando-se a lima Protaper® para retratamento. Após avaliação radiográfica nos sentidos mésio-distal e vestíbulo-lingual, observou-se que a técnica manual apresentou-se mais eficiente que a lima rotatória.

Palavras- chave: retratamento endodôntico, guta percha, instrumentos rotatórios



ABSTRACT
The current study had the aim of evaluating the efficiency of the Protaper® files for retreatment. Thirty distal roots of inferior molars were used, instrumented and filled by different professionals with techniques chosen by them. Fifteen roots were unblocked with the manual technique (Gates Glidden + Kerr Files + Hedströen Files) and the other fifteen, by using the Protaper® file for retreatment. After radiographic evaluation in the mesio-distal and buccal-lingual senses, it was observed that the manual technique was proved more efficient than the rotary file.
Key-words: Endodontic retreatment, gutta percha, rotary instruments.

SUMÁRIO



  1. INTRODUÇÃO 8

  2. REVISÃO DE LITERATURA 9

  3. MATERIAIS E MÉTODOS 17

  4. RESULTADOS 21

  5. DISCUSSÃO 25

  6. CONCLUSÃO 28

  7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 29


1- INTRODUÇÃO:
A terapia endodôntica radical é considerada como uma série de etapas importantes e independentes, sendo que, a falha de uma destas fases pode comprometer o resultado de todo o tratamento (21). Na maioria dos casos de insucesso, o percentual de erros (tais como fratura de instrumentos, sobre-obturação, subobturação e perfuração) não põe em perigo o resultado do tratamento endodôntico, a menos que uma infecção concomitante esteja presente. Na verdade, o percentual de erro, freqüentemente, impede ou permite a realização de procedimentos intracanais apropriados (21). Em casos de insucesso relacionado ao tratamento endodôntico, existem duas terapias a serem indicadas: retratamento ou cirurgia apical (2). Sempre que possível, a primeira opção de tratamento, nesses casos, deve ser o retratamento endodôntico (13). No entanto, uma das fases mais dispendiosas é a da remoção do material obturador pré-existente. Para tal, o cirurgião-dentista dispõe de um arsenal de instrumentos e meios auxiliares (2).

A instrumentação manual através da associação de limas Kerr e Hedströen para remoção de material obturador é comumente praticada nos casos de retratamento (21, 13). Recentemente, algumas técnicas têm proposto a utilização de instrumentos rotatórios (13), como as limas Protaper para retratamento, lançamento da Dentslpy-Maillefer. Portanto, o objetivo deste trabalho foi avaliar, através de uma análise radiográfica, a eficiência destas limas, no que diz respeito à remoção de guta percha dos canais radiculares.


2- REVISÃO DE LITERATURA:
PAIVA & ANTONIAZZI (1988) observando fracassos na terapia endodôntica concluíram que estes decorrem de erros operatórios durante o preparo do canal em virtude do desconhecimento da anatomia que condiciona instrumentação inadequada. Estes mesmos autores advertem sobre o risco de obliteração da porção apical por raspas de dentina da instrumentação, principalmente em canais curvos e, por isso, recomendam sucessivas trocas de Endo-PTC neutralizado pela irrigação com líquido de Dakin, para que e efervescência arraste por ação mecânica as partículas da dentina excisada, evitando seu acúmulo apical.
DEZAN JR et al (1995) citaram que muitos endodontistas acreditam que o sucesso do tratamento endodôntico depende mais do que se tira do interior do canal radicular do que daquilo que se põe dentro dele.
LOPES & GAHYVA (1995) ressaltaram a necessidade de uma análise criteriosa da situação clínica a fim de se optar pelo retratamento convencional ou pela opção cirúrgica. Estes autores também deixam claro que o retratamento endodôntico convencional vem se tornando cada vez mais primeira opção.

WILCOX apud DEZAN JR et al (1995) relatou a necessidade de se remover o material obturador da melhor maneira possível, a fim de se expor possíveis remanescentes de tecidos necróticos ou bactérias, os quais podem ser responsáveis pela falha do tratamento.

PESCE et al (1996) analisaram 130 dentes permanentes quanto à qualidade de obturação dos canais radiculares, presença ou não de rarefação periapical e sintomatologia presente através de análise radiográfica e concluíram que a maior porcentagem de insucesso no tratamento endodôntico é a obturação radicular incompleta, levando à necessidade de retratamento.

TANOMARU FILHO et al (1996) comentaram que a guta percha associada a um cimento endodôntico é o material mais encontrado no canal radicular. Neste mesmo trabalho, os autores fazem uma revisão das técnicas e meios auxiliares para o retratamento endodôntico e concluíram que, embora estas técnicas fossem pouco divulgadas na literatura como dispositivos auxiliares, o ultra-som e o Canal Finder recebiam destaque.

BRAMANTE & FREITAS (1998) compararam as técnicas manual, ultra-som e Canal Finder e ordenaram, segundo tempo consumido, a técnica mais rápida para remoção da material obturador do interior dos canais radiculares como sendo a manual (utilizando-se limas Kerr e Hedströen), seguida do ultra-som e Canal Finder. No entanto, estatisticamente, não houve diferença entre as técnicas quanto à eficiência em remoção de guta percha. Os autores destacaram ainda que nenhuma das técnicas foi capaz de limpar completamente os canais, nos quais observaram, com freqüência, resíduos de cimento e de guta percha aderidos à parede do canal.

ESTRELA et al (1998), avaliando a prevalência de dor após o retratamento endodôntico, analisaram 184 dentes obturados, dos quais 110 apresentavam-se assintomáticos (ausência total de dor) e 74 sintomáticos (dor leve, moderada e severa). Utilizaram-se brocas Gates Glidden, solventes (eucaliptol e xilol) e instrumentos endodônticos para remoção de material obturador, quando se tratava de cimento, pasta e/ou guta percha. A maioria dos dentes apresentou-se assintomática após o retratamento. Os autores comentam ainda, que os casos sintomáticos podem ter ocorrido por fatores de ordem técnica como substâncias químicas e técnica de instrumentação.

KIVIST & REIT (1999) realizaram um estudo com 95 dentes com tratamentos endodônticos falhos, os quais foram retratados cirúrgica ou não cirurgicamente, e perceberam que o retratamento cirúrgico, embora apresente resultados mais rápidos, também pode implicar num risco maior de falhas tardias.

FIDEL et al (1999), numa análise comparativa sob microscopia eletrônica de varredura de três técnicas de retratamento endodôntico, de acordo com a solução irrigadora final, utilizaram 15 dentes humanos extraídos e unirradiculares, preparados e obturados com guta percha e cimento à base de óxido de zinco e eugenol (Fill Canal). Tais dentes foram desobstruídos manualmente, com auxílio do solvente eucaliptol e, após isso, instrumentados segundo a técnica de Paiva e Antoniazzi (Endo PTC + Solução de Dakin). Os dentes foram separados em três grupos de acordo com o tipo de solução utilizada para irrigação final (líquido de Dakin por um minuto; EDTA por 15 minutos ou ácido cítrico por um minuto). Os autores concluíram que nos terços médio e cervical não houve diferença estatística significante entre as três soluções. Porém, no terço apical, o EDTA demonstrou melhores resultados em relação ao ácido cítrico e o liquido de Dakin.


TANOMARU FLHO et al (1999) avaliaram radiograficamente a capacidade de limpeza de diferentes técnicas de retratamento endodôntico, no qual utilizaram-se 60 caninos humanos superiores extraídos. Tais dentes foram divididos em seis grupos: Grupo 1 (limas Kerr associadas a limas Hedströen), grupo 2 (Limas Kerr com limas Set), grupo 3 ( limas Kerr, limas Set e brocas Gates Glidden) e nos grupos 4, 5 e 6 utilizaram-se as mesma técnicas descritas anteriormente, respectivamente, associadas ao solvente eucaliptol. Tal estudo levou os autores a concluírem que o grupo no qual obtiveram melhores resultados, nos terços cervical e médio, foi aquele em que utilizaram-se limas Kerr associadas às limas Set e Gates Glidden com uso de solventes.

SAE LIM et al (2000) estudaram a efetividade da lima Profile taper 04 no retratamento endodôntico, utilizando-se 30 dentes unirradiculares, os quais foram submetidos ao retratamento com três diferentes técnicas de remoção de guta percha: lima Profile taper 04; lima profile taper 04 associada ao clorofórmio e a técnica manual (limas Kerr e Hedströen com clorofórmio). O grupo em que utilizaram-se limas Profile sem solvente apresentou menor resíduo de guta percha que os demais.


FIDEL et al (2000) realizaram um estudo e avaliaram o uso de sistema rotatório (Profile ® 29 taper 04) associado ou não a solvente. Para tal estudo, utilizaram 20 dentes humanos extraídos, obturados com guta percha e Fill Canal pela técnica de condensação lateral. Para o retratamento utilizou-se o instrumento Orifice Shaper até o terço médio dos canais radiculares de todos os dentes e limas Profile série 29#7 Taper 04. Os dentes foram divididos em dois grupos de 10: num grupo utilizou-se solvente e no outro não. Os resultados obtidos por eles demonstraram maior eficácia na remoção do material obturador quando o Sistema Profile ® não estava associado ao eucaliptol. Este resultado os levou a acreditar que a utilização do solvente provocou a diluição da guta percha, que adquiriu consistência pastosa, facilitando a sua penetração nos túbulos dentinários, tornando assim a sua remoção mais difícil.

BUENO & VALDRIGHI (2000) avaliaram a efetividade de cinco solventes de guta percha e de quatro técnicas de desobstrução de canais radiculares. As técnicas avaliadas foram: limas manuais associadas a solvente; brocas Gates Glidden associadas a limas manuais e solventes; brocas Gates Glidden associadas Canal Finder e solvente e, por último, brocas Gates Glidden associadas a ultra-som e solvente. Após a utilização de todas as técnicas, os autores realizaram o chamado procedimento complementar, no qual utilizava-se uma lima envolta em algodão embebido em solvente, que era introduzida no canal com movimentos de rotação por 20 segundos e em seguida, outra lima de mesmo diâmetro com algodão seco por 10 segundos, com os mesmos movimentos. Estes autores concluíram que a técnica de desobstrução do grupo II (brocas Gates Glidden associadas a limas manuais e solvente) foi a mais rápida e efetiva na desobstrução dos canais radiculares, enquanto as demais técnicas, menos efetivas, foram estatisticamente, equivalentes entre si.

FIDEL et al (2000) analisaram a capacidade de limpeza das paredes dos canais radiculares através de microscopia eletrônica de varredura, após a reinstrumentação, utilizando-se duas técnicas: limas Kerr associadas a limas Hedströen e limas Flexofile associadas às limas Hedstöen. Os autores observaram que a maior capacidade de limpeza foi do grupo em que se utilizaram limas Flexofile associadas a limas Hedstöen.

IMURA et al (2000) compararam duas técnicas manuais e duas técnicas rotatórias para retratamento endodôntico, utilizando 100 dentes humanos extraídos, previamente obturados pela técnica de condensação lateral. A remoção de guta percha foi realizada por limas Kerr, limas Hedströen, limas rotatórias Quantec (1-10) ou limas rotatórias Profile taper 04. Os autores concluíram que todas as técnicas foram eficientes e, embora não apresentassem diferenças estatisticamente significantes, o grupo em que foram usadas limas Hedströen apresentou melhores resultados que o grupo em que foi usado o sistema Quantec.

SIQUEIRA Jr. (2000) em seu estudo sobre a etiologia das falhas no tratamento endodôntico, concluiu que uma das principais causas para que isto ocorra seja a persistência de microorganismos na porção apical do sistema de canais radiculares, até mesmo num tratamento endodôntico adequado.

FERREIRA et al (2001) avaliaram a eficácia das limas Profile para remoção de guta percha, através de um estudo, no qual utilizaram-se 48 dentes e diferentes técnicas de remoção de guta percha: K-Flexofile com clorofórmio; Hedstöen com clorofórmio; Profile com clorofórmio e Profile sem clorofórmio. Após avaliação radiográfica, perceberam que a eficiência da lima Profile é muito maior quando utilizada com clorofórmio, sendo esta a técnica mais rápida, comparada com as demais.

BARATTO FILHO (2002) utilizou 30 caninos mandibulares unirradiculares, divididos em três grupos com diferentes técnicas de obturação dos canais radiculares (Termafill, compactação termomecânica e condensação lateral), para avaliar a capacidade de remoção de guta percha das limas Protaper, onde esta, segundo o autor, apresentou-se inadequada para uma completa remoção do material obturador, embora tivesse atingido o comprimento de trabalho rapidamente.

VALOIS e COSTA JR. (2003) estudaram a eficiência das Limas Profile ® Taper 04 série 09 no retratamento endodôntico de canais radiculares curvos. Neste estudo, utilizaram 62 primeiros molares inferiores com raízes mesiais apresentando curvatura de 25 e 30 graus. Os autores concluíram que as Limas Profile ® eliminaram a necessidade de solvente durante o retratamento de canais curvos e que, no entanto, estes instrumentos devem ser empregados com cautela.

BASSO et al (2003) avaliaram e compararam radiograficamente a quantidade de resíduos de material obturador após o processo de desobstrução por técnicas distintas de retratamento endodôntico: Grupo I ( limas Kerr e Hedstöen), grupo II (Sistema Profile ®) e grupo III ( Sistema Protaper ®). Os autores utilizaram nos três grupos brocas Gates Glidden número 03 na embocadura do canal, irrigação com água destilada e uma gota de xilol no início e na metade do procedimento. Os autores perceberam que nos terços cervical e médio não houve diferença estatística significativa entre os grupos, porém, no terço apical, houve diferença estatística significante entre os grupos, sendo mais favorável ao sistema Protaper ®.

GELANI et al (2004) compararam três diferentes métodos de remoção de guta percha: Sistema Quantec; Sistema Quantec com eucaliptol e a técnica manual mecânica com eucaliptol. Os autores também dividiram os dentes em amplos e atrésicos e perceberam que houve uma melhor qualidade na remoção de guta percha no grupo dos canais atrésicos e concluíram ainda que isto ocorreu devido ao maior contato do instrumento com a parede do canal e com a guta percha.

BUENO et al (2006) utilizaram os seguintes métodos para remoção de guta percha: brocas Gates Glidden número 03 com limas Kerr e Hedstöen e clorofórmio; limas rotatória K3 com clorofórmio e ainda limas rotatórias K3 com clorexidina 2%. Após avaliação da imagem radiográfica digitalizada, os autores concluíram que os canais retratados não se mostraram completamente livres de remanescentes de guta percha e cimento. Além disso, perceberam também que as limas manuais foram mais eficientes que os instrumentos rotatórios de Níquel Titânio na remoção do material obturador.
Dentsply-Maillefer (2007) desenvolveu as limas Protaper® para retratamento, as quais apresentam-se na seqüência D1, D2 e D3, para remoção de material obturador nos terços cervical, médio e apical respectivamente. Estas limas são indicadas para remoção de obturações radiculares com cimentos resinosos ou à base de óxido de zinco e eugenol, na velocidade recomendada de 500 a 700 rpm. O fabricante recomenda para as limas D1 e D2 o torque de 2-3 N.cm, enquanto que para a lima D3 o torque recomendado é de 1,5 - 2 N.cm.

3- MATERIAIS E MÉTODOS:
Foram utilizados para este estudo:

- 30 dentes molares inferiores humanos extraídos;

- Pó e líquido de resina acrílica autopolimerizável (Jet-Classic)

- Cera utilidades (Epoxiglass)

- Limas rotatórias Protaper® para retratamento Dentsply Maillefer;

- Limas manuais Hedstöen e Kerr de primeira série Dentsply Maillefer;

- Brocas Gates Glidden números 2, 3 e 4 Denstsply Maillefer;

- Dispositivo plástico para padronização da distância entre o foco de Rx e dente;

- Aparelho rotatório K Driller, modelo Endo Pro Torque da VK Driller Equipamentos Elétricos ltda;

- Soro fisiológico (Arboreto);

- Seringa tipo Luer;

- Película radiográfica Kodak;

- Aparelho de Rx Gnatus;

- Reveledor e fixador de radiografias Kodak;

- Negatoscópio (Gnatus);

- Lupa com aumento de 3 vezes (Gnatus);



Procedimentos Técnicos:

Foram selecionados 30 dentes, molares inferiores, dos quais foram seccionadas as raízes distais. Tais raízes tiveram seu comprimento de trabalho padronizado em, no máximo, 19 mm, através de cortes na porção coronária, com discos de aço monoface, a nível da junção cemento-esmalte.

As raízes foram troquelizadas com resina acrílica e distribuídas para que cirurgiões-dentistas, escolhidos aleatoriamente, realizassem a instrumentação e obturação do conduto com as técnicas por eles escolhidas. O objetivo deste procedimento foi fazer com que obtivéssemos amostras compatíveis com a realidade clínica, na qual nos deparamos com canais instrumentados e obturados com técnicas utilizadas de acordo com a habilidade e/ou interesse de cada profissional.

Realizada a obturação, as raízes foram radiografadas no sentido vestíbulo-lingual e mésio-distal, numa distância de 25cm do foco de raio X. Esta distância foi estabelecida por um dispositivo plástico (fig. 1), que apresentava 6,5cm de altura, o qual permite a realização de várias tomadas radiográficas numa mesma posição. Com a altura do dispositivo somada ao comprimento do cone, obtém-se a distância de 26,5cm do foco de raio X. O 1,5cm excedente é para compensar o espaço preenchido pela resina acrílica da troquelização (fig. 2).







Aguardados 7 dias após a obturação dos canais radiculares, os dentes foram divididos em dois grupos, com 15 dentes cada, de acordo com a técnica de desobturação adotada:
* GRUPO 1- Desobturação pela técnica manual:

Neste grupo a desobturação foi realizada empregando-se, inicialmente, as brocas Gates Glidden números 2, 3 e 4, em ordem crescente, entre cada uma delas foi realizada irrigação com 2ml de soro fisiológico, utilizando-se seringas tipo Luer na entrada dos canais, para a remoção de raspas de guta percha. Em seguida foram utilizadas limas Kerr de primeira série (15, 20, 25 e 30), em ordem crescente, até que atingissem o ápice radiográfico (confirmação radiográfica). Limas Hedströen de primeira série (15-40) foram então utilizadas posteriormente, para remoção de guta percha e cimento obturador, em ordem crescente, sem forçar apicalmente, respeitando-se o diâmetro do canal.


* GRUPO 2- Desobturação com limas Protaper® para retratamento:

Os canais foram desobstruídos com lima rotatória Protaper® para retratamento D1, D2 e D3, sendo utilizadas para os terços cervical, médio e apical, respectivamente, de acordo com as recomendações do fabricante. As limas D1 e D2 foram utilizadas com torque de 3N.cm, enquanto que a lima D3 foi utilizada com torque de 2 N.cm. As três limas (D1, D2 e D3) foram utilizadas com velocidade de 700 rpm e entre cada uma delas, utilizou-se irrigação com 2 ml de soro fisiológico para remoção de raspas de guta percha.

Conforme orientação do fabricante, nos casos em que as limas Protaper® para retratamento não conseguiram avançar em direção apical, utilizou-se uma lima manual Kerr nº 15 para ultrapassar a resistência e confirmar a patência do canal.

Em nenhum dos dois grupos foi utilizado solvente.

A remoção foi dada como completa quando a lima apresentou-se sem nenhum resíduo de guta percha. O procedimento de remoção de guta percha de ambos os grupos foi realizado pelo mesmo operador. Tanto as limas manuais quanto as rotatórias foram substituídas quando observada alguma alteração ou menor eficiência de corte nas mesmas.

Novas radiografias foram realizadas no sentido mésio-distal e vestíbulo-lingual.

O grau de remoção da guta percha foi avaliado radiograficamente por um examinador, que seguiu o escore demonstrado abaixo, de acordo com a presença ou ausência de guta percha nos terços cervical, médio e apical:
ESCORE 0- ausência de material obturador em toda a extensão da raiz (figura1);

ESCORE 1- presença de material obturador apenas no terço apical (figura 2);

ESCORE 2- presença de material obturador apenas no terço médio (figura 3);

ESCORE 3- presença de material obturador apenas no terço coronário;

ESCORE 4- presença de material obturador apenas em dois terços do canal ( esteja ele nos terços cervical e apical; cervical e médio ou médio e apical) (figura 4)

ESCORE 5- presença de material obturador em toda extensão do canal (figura 5).





Figura 1 Figura 2 Figura 3 Figura 4 Figura 5


4- RESULTADOS:
As tabelas abaixo apresentam os resultados obtidos, de acordo com a técnica utilizada para remoção de guta percha, correlacionando o dente ao escore apresentado por ele:
Grupo 1: Manual



Número do dente

Escore

01

1

02

1

03

1

04

2

05

5

06

1

07

0

08

0

09

5

10

4

11

4

12

1

13

4

14

5

15

5

Grupo 2: Protaper® para retratamento




Número do dente

Escore

16

4

17

4

18

5

19

4

20

4

21

4

22

4

23

5

24

5

25

5

26

1

27

5

28

5

29

5

30

4


ANÁLISE DE RESULTADOS:

Os resultados coletados foram analisados estatisticamente pelo método experimental e pelo software ASSISTAT. Temos nas tabelas seguintes a distribuição de freqüências dos resultados coletados em 30 dentes divididos em dois grupos de 15 observando-se a presença de material obturador.




Tabela 1: Distribuição de valores coletados no experimento remoção de guta percha no Grupo 1 - Desobturação pela técnica manual.

Escore

Freqüência Absoluta

(número de amostras)



Percentual

(%)

0 - ausência do material obturador em toda a extensão da raiz


2

13

1 - presença do material obturador apenas no terço apical

5

33

2 - presença do material obturador apenas no terço médio

1

7

3 - presença do material obturador apenas no terço coronário

0

0

4 - presença do material obturador apenas em dois terços do canal

3

20

5 - presença do material obturador em toda extensão do canal

4

27

Total

15

100






Tabela 2: Distribuição de valores coletados no experimento remoção de guta percha no Grupo 2 - Desobturação com limas Protaper® para retardamento.

Escore

Freqüência Absoluta

(número de amostras)



Percentual

(%)

0 - ausência do material obturador em toda a extensão da raiz


0

0

1 - presença do material obturador apenas no terço apical

1

8

2 - presença do material obturador apenas no terço médio

0

0

3 - presença do material obturador apenas no terço coronário

0

0

4 - presença do material obturador apenas em dois terços do canal

7

46

5 - presença do material obturador em toda extensão do canal

7

46

Total

15

100



Tabela do percentual remoção de guta percha em cada grupo

Escore

Grupo I

%


Grupo II

%

0 - ausência do material obturador em toda a extensão da raiz


13

0

1 - presença do material obturador apenas no terço apical

33

8

2 - presença do material obturador apenas no terço médio

7

0

3 - presença do material obturador apenas no terço coronário

0

0

4 - presença do material obturador apenas em dois terços do canal

20

46

5 - presença do material obturador em toda extensão do canal

27

46

Total

100

100


5- DISCUSSÃO:
O avanço técnico-científico da Endodontia tem permitido um índice muito grande de sucesso nos tratamentos (21, 3, 8). Porém não é raro deparar-se com situações clínicas adversas, que geralmente vêm acompanhadas de sinais e sintomas não condizentes com a reparação tecidual, o que caracteriza o não êxito do tratamento instituído (2), sendo, motivos para o insucesso, o desconhecimento da anatomia do canal radicular (17), condicionando a uma instrumentação inadequada (16) e obturações incompletas (18).

Com esta evolução da endodontia, o retratamento dos canais radiculares vem se tornando cada vez mais primeira opção, deixando a cirurgia apical para os casos onde a reintervenção falhou, ou que não possa oferecer qualquer possibilidade de prognóstico favorável (16). Embora o tratamento cirúrgico apresente resultados mais rápidos, também pode implicar num risco maior de falhas tardias (15).

Para obtenção de sucesso no retratamento, a completa desobturação, preparo químico cirúrgico e limpeza final do canal são fundamentais (10), sendo o processo de desobturação o mais desgastante (4, 1). Para tal, o uso de solventes de guta percha é recomendado, desde que usados com cautela, pois sabe-se que estas substâncias são altamente irritantes (12), principalmente no terço apical (22).

Diversas técnicas de retratamento, incluindo instrumentos aquecidos, solventes e ultra-som, têm sido propostas para remoção de material obturador (11, 13, 15). Por ser esta etapa considerada de maior importância no processo de retratamento, deve ter atenção especial (22), pois o sucesso do retratamento depende mais do que se tira do interior do canal radicular do que daquilo que nele se põe (7), já que remanescentes necróticos ou bactérias podem ser responsáveis pela falha do tratamento (20, 24)

A técnica a ser usada, assim como as substâncias químicas, devem ser bem analisadas a fim de se evitar dor pós-operatória causada por contratempos durante esta etapa, como extravasamento apical (8).

A literatura endodôntica indica ser a guta percha o material obturador mais comumente usado (21) e, por isso, métodos clinicamente práticos para sua remoção devem ser analisados (11).

A técnica convencional de retratamento utilizando limas tipo Kerr para abertura do espaço no material obturador, associada à lima Hedströen em movimentos de tração para remoção do mesmo, tem sido frequentemente utilizada (4, 22). Porém, outros métodos têm sido propostos para realização de tais procedimentos (11, 13, 15).

A Dentsply Maillefer(6) lançou no mercado as limas Protaper® para retratamento, as quais apresentam três limas, com três comprimentos e três conicidades progressivas que se ajustam a cada porção do canal radicular (cervical, médio e apical).

Outras limas rotatórias já foram objeto de estudo no que diz respeito à remoção de material obturador. Muitos trabalhos demonstram que, tanto a técnica manual quanto a rotatória, apresentam-se ineficientes no que diz respeito à remoção completa de material obturador, por apresentarem resíduos no interior do canal (14, 3, 13, 5, 15, 16). Os resultados obtidos neste trabalho demonstram que a remoção completa de material obturador do interior do canal foi ausente na técnica rotatória e apresentou percentual pequeno na manual.

Embora a técnica rotatória apresente menor índice de extrusão apical (13), as técnicas nas quais utilizam-se limas manuais têm apresentado melhores resultados na remoção de guta percha (5, 15, 4), assim como apresentado neste estudo. Em contrapartida, outros autores afirmam que a técnica rotatória mostra-se mais eficiente (9), principalmente no terço apical.

A lima Protaper 0.04 apresentou-se inadequada para o retratamento por não remover todo o material obturador do sistema de canal radicular (1), porém necessitando de mais estudos no que tange este aspecto (2). Esta mesma lima quando comparada com a lima Profile e manual apresentou melhores resultados que a manual, porém a Profile obteve melhor atuação, principalmente no terço apical (2). Esta última lima mostrou-se mais eficiente não associada a solvente (19, 2, 23), discordando com outros estudos os quais afirmam a melhor efetividade da lima quando utiliza solvente (9) e outro que até recomenda o uso do mesmo para obtenção de melhores resultados (7), porém, tomando cuidado com o poder irritante que este medicamento oferece (21, 22).

O uso ou não de solvente deve ser bem avaliado, pois há autores que afirmam que este medicamento ajuda na remoção de material obturador (13, 7), porém, forma uma massa pastosa que faz com que o material grude nas paredes, dificultando sua remoção (22,12), e este foi o fator que motivou a realização deste estudo sem o uso de tais medicamentos.

A broca Gates Glidden apresenta-se em destaque no processo de remoção de material obturador, pois acredita-se que devido a esta etapa, no grupo no qual utilizaram-se tais brocas, houve melhor remoção de material obturador no terço cervical, de acordo com estudos que comprovam que tais brocas promovem maior espaço e limpeza nos terços cervical (13) e médio (22, 2). Embora em menores proporções, a lima rotatória Protaper® para retratamento apresentou resultados favoráveis da remoção de guta percha no terço cervical.

Considerando a remoção de material obturador em toda extensão da raiz, a técnica manual apresentou resultados mais favoráveis que a rotatória, a qual não apresentou nenhum dente em que tivesse removido todo material obturador, enquanto que 13% dos dentes em que utilizaram-se limas manuais apresentaram-se sem resquício de material obturador. Além disso, percebeu-se que, apesar da lima Protaper® para retratamento D3 apresentar comprimento de 22mm (6) ao ser inserida no contra-ângulo esta perde cerca de três milímetros de seu comprimento, o que pode ser muito desvantajoso quando na utilização em canais cujo comprimento seja superior a esta medida de 19mm.



6- CONCLUSÃO:

Com os resultados obtidos no presente estudo, pode-se concluir que:

O uso da técnica manual no lugar de uma lima rotatória Protaper® é mais eficiente na remoção de guta percha.

A probabilidade de remover todo material obturador em toda extensão da raiz de 13% no grupo 1 (técnica manual) e de 0% no grupo 2 (lima rotatória Protaper®).

Em canais onde o comprimento é maior que 19mm, a lima Protaper® para retratamento não é recomendada, pois apesar de apresentar comprimento de 22mm (D3), esta, quando adaptada ao contra- ângulo, perde cerca de 3mm.

7- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
1- BARATTO FILHO, F.; FERREIRA, E.L.; FARINIUK, L.F. Efficinecy of the 0.04 taper Profile during the re-treatment of guta-percha filled root canals. International Endodontic Journal, v. 35, p. 651-654, 2002.

2- BASSO, AL; SILVA NETO, UX da; WESTPHALEN, VPD. Análise radiográfica do retratamento endodôntico realizado pela técnica manual, sistema Profile e Protaper. Jornal Brasileiro de Endodontia, v.4, n.14, p.203-207, 2003.

3- BRAMANTE, C.M.; FREITAS, C.V.J. Retratamento endodôntico: estudo comparativo entre a técnica manual ultra-sônica e Canal Finder. Rev Odontol Univ São Paulo, v.12, n.1, p.13-17, jan-mar. 1998.

4- BUENO, C.E.S.; VALDRIGHI, L. Efetividade de solventes e técnicas de deobturação dos canais radiculares: estudo “in vitro”. Rev ABO Nac, v.8, n.1, p.21-25, fevereiro/março. 2000.

5- BUENO, C.E.S. et al. Effectiveness of rotary and hand files in gutta-percha and sealer removal using chloroform or chlorhexidine gel. Braz Dent J, v. 17, n.2, p.139-143, 2006.

6- DENTSPLY MAILLEFER. Manual de apresentação de limas rotatórias. 2007.

7- DEZAN JÚNIOR, E. et al. Retratamento endodôntico: Avaliação da quantidade de resíduos após a desobstrução com ou sem uso de solvente. Revista Brasileira de Odontologia. Rio de Janeiro, v.52, n.6, p.2-5, nov/dez. 1995.

8- ESTRELA, C.; CAMARUM, F.F.; LOPES, H.P. Prevalência de dor após retratamento endodôntico. RBO, Rio de Janeiro, v.55, n.2, p. 84-87, 1998.

9- FERREIRA, J.J.; RHODES, J.S.; PITT FORD, T.R. The efficacy of gutta-percha removal using Profiles. International Endodontic Journal, v. 34, p. 267-274, 2001.

10- FIDEL, S.R. et al. Análise comparative sob microscopia eletrônica de varredura de três técnicas de retratamento endodôntico. Revista Brasileria de Odontologia, Rio de Janeiro, v.56, n.2, p. 61-64, 1999.


11- FIDEL, S.R. et al. Retratamento endodôntico: avaliação comparative sob microscopia eletrônica de varredura. Revista Brasileira de Odontologia, v.57, n.3, mar/jun.2000.

12- FIDEL, S.R. et al. Retratamento endodôntico com uso de sistema rotatório associado ou não a solvente. Revista Científica do CRO-RJ, Rio de Janeiro, v.2, n.3, p.40-44, 2000.

13- GELANI, V. et al. Remoção do material obturador dos canais radiculares empregando instrumentos de Níquel-Titãnio, sistema Quantec, acionados a motor. Jornal Brasileiro de Endodontia, V.5, n.17, p.108-114, 2004.

14- IMURA, N. et al.a comparison of the relative efficacies of four hand and rotary instrumentation techniques during endodontic retreatment. International Endodontic Journal, v.33, p.361-366, 2000.

15- KIVIST, T.; REIT, C. Results of endodontic retreatment, a rendomized clinical study comparing surgical and nonsurgical procedures. Journal of Endodontics, v.25, n.12, dezembro. 1999.

16- LOPES, H.P.; GAHYVA S.M.M. Avaliação do limite apical de esvaziamento, na remoção do material obturador dos canais radiculares. Revista Brasileira de Odontologia. Rio de Janeiro, v. 52, n. 1, p.22-26, jan-fev. 1995.

17- PAIVA, J.G.; ANTONIAZZI, J.H. Endodontia: bases para a prática clínica. 2 ed.. São Paulo: Artes Médicas. 1988.

18- PESCE, F.H.; BASTOS FILHO, E.; RISSO, V.A. Avaliação do índice de ocorrência de retratamentos endodônticos em função da qualidade de obturação, presença ou não de rarefação periapical e sintomatologia. Revista Brasileira de Odontologia, rio de janeiro, v.53, n.1, jan-fev.1996.

19- SAE-LIM, V. et al. Effectiveness of Profile 04 taper rotary instruments in endodontic retreatment. Journal of Endodontics, v.26, n.2, p.100-104, fevereiro. 2000.

20- SIQUEIRA JUNIOR, Aetiology of root canal retreatment failure: why well – treated teeth can fail. International Journal, n.34, p.1-10, 2000.


21- TANOMARU FILHO, M.; ALENCAR, A.H.G. de; ARAÚJO, C.G. Retratamento endodôntico- Técnicas e meios auxiliares. ROBRAC, v.6, n.18., p.25-28, jun. 1996.

22- TANOMARU FILHO, M. et al. Avaliação radiográfica In vitro da capacidade de limpeza de técnicas de retratamento endodôntico. Revista da APCD, v. 53, n.3, mai/jun. 1999.

23- VALOIS, C.R.A.; COSTA JUNIOR, E.D. Eficiência de limas Profile taper 04 série 29 no retratamento endodôntico dos canais radiculares curvos. Jornal Barsileiro de Endodontia, Curitiba, v.4, n.13, p.111-116, 2003.



24- WILCOX, L.R. Endodontic retreatment; ultrasonics and chloroform as the final step in reinstrumentation. Journal of Endodontics, v.15, p. 125-128, 1989 apud DEZAN JÚNIOR, E. et al. Retratamento endodôntico: Avaliação da quantidade de resíduos após a desobstrução com ou sem uso de solvente. Revista Brasileira de Odontologia. Rio de Janeiro, v.52, n.6, p.2-5, nov/dez. 1995.


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