As Boas Novas Comentário de Gálatas, por E. J. Waggoner



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 ‘Oh sim!’, nos responde, ‘Sou livre, mas tenho que levar esta bola como lembrança de meus crimes passados”.

 Toda pregação inspirada pelo Espírito Santo é uma promessa de Deus. Uma delas, transbordando de graça, é esta: “Não te lembres  dos pecados da minha mocidade, nem das minhas transgressões: mas, segundo a tua misericórdia, lembra-te de mim, por tua bondade, Senhor” (Sal. 25:7).

 Quando Deus perdoa e esquece nossos pecados, nos proporciona um poder tal para escapar deles, que venhamos a ser como se nunca houvéssemos pecado. Mediante as “preciosas e grandíssimas promessas”, que nos tem dado, faz que “cheguemos a participar da natureza divina, e nos livremos da corrupção que está no mundo por causa dos maus desejos” (2 Ped. 1:4). O homem caiu quando comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal. O evangelho apresenta uma tal redenção da raça caída, que todas as negras memórias do pecado são apagadas. Os redimidos acabarão sabendo só o bem, com Cristo, que “não conheceu pecado”.

Os que semeiam para a carne, da carne colherão corrupção, como todos nós tivemos a ocasião de verificar pessoalmente. “Mas vós não viveis de acordo com a carne, mas de acordo com o Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós” (Rom. 8:9). O Espírito tem poder para nos liberar do poder da carne, e de todas as suas conseqüências. “Cristo amou a igreja, e se entregou a si mesmo por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela Palavra, para apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mancha nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Efe. 5:25-27). “Por suas feridas fomos sarados”. A memória do pecado, não dos pecados individuais, persistirá pela eternidade nas cicatrizes das mãos, nos pés e no lado de Cristo. Constituem o selo de nossa perfeita redenção.

 

9   E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecidos.

 

Nos cansamos muito facilmente de fazer o bem, quando não olhamos à Jesus. Perdemos o descanso, porque imaginamos que a prática contínua do bem deveria ser extenuante. Mas isso só é assim porque não temos compreendido plenamente a alegria do Senhor, a força que nos impede desfalecer. “Os que esperam no Eterno terão forças novas, erguerão o vôo como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se cansarão (Isa. 40:31).



Da mesma maneira que mostra o contexto, o tópico principal simplesmente não é o resistir à tentação em nossa própria carne, mas ajudar a outros. Precisamos neste ponto aprender a lição de Cristo, que “não se cansará nem desmaiará, até que estabeleça a justiça na terra” (Isa. 42:4). Embora muitos dos que curou nunca demonstraram o mínimo agradecimento, isto não o fez mudar em qualquer coisa. Veio fazer o bem, não para oferecer-se a avaliação dos outros. Então, “de manhã, semeies a tua semente, e a tarde não permitas descansar sua mão; porque não sabes o que é melhor, se isto ou aquilo, ou se as duas coisas são boas” (Ecl. 11:6).

Não é determinado saber quanto recolheremos nós, nem qual será a semeadura a partir da qual colheremos. Uma parte dela pode ter caído a beira do caminho e sendo arrebatada antes de poder lançar raízes; outra pode cair em terra pedregosa e pode secar; e até mesmo outra pode cair entre espinhos, sendo sufocada. Mas uma coisa é certa: colheremos! Não sabemos se prosperará a semeadura de amanhã, ou o que fez pela tarde, ou se ambos o farão. Mas não existe a possibilidade que ambas fracassem. Ou prosperará uma, ou outra... Ou ambas!

Isso não é incentivo suficiente para não cansarmos de fazer o bem? A terra pode parecer pobre, e a estação pouco promissora. Os piores pronunciamentos podem ser dados para a colheita, e podemos ser tentados a pensar que todo nosso trabalho foi em vão. Mas NÃO é assim. “No momento certo colheremos”. “Deste modo, meus irmãos amados, estai firmes e constantes, abundando sempre no trabalho do Senhor, sabendo que vosso trabalho no Senhor não é em vão” (1 Cor. 15:58).

 

10    Então, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé.

 

Isto nos permite concluir que o apóstolo está se referindo à ajuda material, posto que não faria sentido lembrar-nos que preguemos a Palavra aos que não são da fé: para eles especialmente é que é necessário pregar. Mas há uma tendência natural – entenda-se natural, em oposição com espiritual – que é a de limitar a benevolência aos que são considerados que ‘o merecem’. Ouvimos muito sobre os “pobres que não merecem outra coisa”. Mas todos somos indignos até da menor das bênçãos de Deus; e mesmo assim, nos concede continuamente. “E, se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que recompensa tereis? Também os pecadores fazem o mesmo. E, se emprestardes àqueles de quem esperais tornar a receber, que recompensa tereis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para tornarem a receber outro tanto. Amai pois a vossos inimigos, e fazei bem, e emprestai, sem nada esperardes, e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo; porque Ele é benigno até para com os ingratos e maus” (Luc. 6:33-35).



Deveríamos considerar fazer o bem a outros como um privilégio alegre, e não como um pesado dever a evitar se possível. Nunca nos referimos às coisas desagradáveis em termos de “oportunidades”. Ninguém diz que teve a oportunidade de ferir-se, nem de perder algum dinheiro. Pelo contrário, dizemos que tivemos a oportunidade para ganhar alguma soma, ou de ter escapado de perigo que nos ameaçava. Assim é como devemos considerar a benevolência para com os necessitados.

Mas as oportunidades têm que ser buscadas. Os homens labutam procurando oportunidades para ganhar dinheiro. O apóstolo nos exorta para que busquemos  de igual maneira oportunidades para ajudar alguém. Deste modo fez Cristo. “Andava fazendo o bem”. Percorreu o país a pé, buscando oportunidades de fazer algum bem a alguém, e as encontrou. Fez o bem, “porque Deus estava com ele” (Atos 10:38). Seu nome é Emanuel que quer dizer “Deus conosco”. Sendo que Ele está diariamente conosco, até o fim do mundo, Deus também estará conosco, fazendo-nos o bem, de forma que também possamos fazer a outros.

 

11  Vede com que grandes letras vos escrevi por minha mão.

 

É possível ver o zelo que inflamava o apóstolo Paulo ao escrever a epístola, pelo fato de que, contrariamente ao seu costume, tomou a pena e começou a escrever a carta, ou parte dela, do próprio punho e letra. Como se pode deduzir do capítulo quatro, Paulo sofria algum problema na visão. Isso o impedia de fazer seu trabalho, ou o teria impedido a não ser pelo poder de Deus que nele morava. Precisou sempre que houvesse alguma pessoa que o assistisse. Alguns tiraram proveito daquela circunstância para escrever cartas espúrias para as igrejas em nome de Paulo, transtornando assim aos irmãos (2 Tes. 2:2). Mas na segunda carta aos Tessalonicenses mostrou-lhes como poderiam saber se uma epístola vinha ou não dele: seja quem for o que escrevesse o corpo da carta, ele mesmo estamparia o saudação e a assinatura, da própria mão. Nesta ocasião, não obstante, a urgência era tal que muito provavelmente escreveu ele mesmo a epístola inteira.



 

12    Todos os que querem mostrar boa aparência na carne, esses vos obrigam a circuncidar-vos, somente para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo.

 

É impossível enganar a Deus, e de nada serve enganar a nós mesmos, ou aos outros. “O Eterno não olha o que o homem olha. O homem olha o que está ante seus olhos, mas o Senhor olha o coração” (1 Sam. 16:7). A circuncisão na qual os falsos irmãos quiseram persuadir os gálatas a confiar, significava a justiça própria, em vez da justiça pela fé. Eles só tiveram a lei como “a forma do conhecimento e da verdade” (Rom. 2:20). Com as obras poderiam fazer uma semeadura “conveniente” para a carne; uma semeadura vazia, já que nela não havia nenhuma realidade. Eles poderiam parecer justos sem sofrer perseguição pela cruz de Cristo.



 

13  Porque nem ainda esses mesmos que se circuncidam guardam a lei; mas querem que vos circuncideis, para se gloriarem na vossa carne.

 

Não guardaram a lei em absoluto. A carne é oposta à lei do Espírito, e “os que vivem de acordo com a carne não podem agradar a Deus” (Rom. 8:8). Mas tentaram obter conversos para o que eles denominaram “nossa fé”, como muitos chamam às teorias particulares que sustentam. Cristo disse: “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Porque percorreis a terra e o mar para fazer um prosélito; e uma vez ganhado, o fazeis duas vezes mais filho do inferno que vós” (Mat. 23:15). Tais mestres se gloriavam na carne de seus “conversos”. Se acontecia que certa quantidade de pessoas se incorporasse à “nossa denominação”, então “houve” um grande “benefício” em comparação ao ano passado, sentem-se felizes. O número e as aparências importam muito aos homens, mas nada a Deus.



   

14  Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.

 

Por que se gloriar na cruz? Porque por meio dela o mundo não é crucificado, e nós somos o mundo. A epístola termina como começou, com a libertação deste “presente século mau”. Só a cruz cumpre essa libertação. A cruz é um símbolo de humilhação. Então, nos gloriamos nela.



 

Deus é revelado na cruz

“Não se gabe o sábio em sua sabedoria, nem de sua coragem o valente, nem o rico de sua riqueza” (Jer. 9:23). Por que não deve gabar-se o sábio de sua sabedoria? Porque até onde sua sabedoria  seja a sua própria, é tolice. “A sabedoria deste mundo é loucura para Deus” (1 Cor. 3:19). Nenhum homem tem sabedoria alguma na qual se gloriar. A sabedoria que Deus dá, leva à humildade, não para a vaidade.

Que diremos nós do poder? “Toda a carne é erva” (Isa. 40:6). “Certamente é vaidade completa todo o homem que vive” (Sal. 39:5). “Os homens são apenas um sopro, tanto o pobre como o rico. Se fossem pesados todos juntos na balança, pesariam menos que um sopro”. Mas “de Deus é o poder” (Sal. 62:9, 11).

Como para a riqueza, esperar nelas é “incerteza” (1 Tim. 6:17). “O homem labuta em vão; empilha riqueza, sem saber para quem” (Sal. 39:6). “Hás de pôr teus olhos na riqueza, que não são nada? Porque criaram asas de águias, e voarão ao céu” (Prov. 23:5). Só em Cristo há riquezas inescrutáveis e eternas.

Então, o homem não tem absolutamente nada de que orgulhar-se. O que é do homem que carece de toda a riqueza, sabedoria e poder? Tudo aquilo que o homem é ou tem, vem do Senhor. É por isto para que “o que se gloria, glorie-se no Senhor” (1 Cor. 1:31).

Relacione o versículo anterior com Gálatas 6:14. O mesmo Espírito inspirou ambas as passagens, assim não podem estar em contradição mútua. Em um lugar lemos que temos que nos gloriar só no conhecimento do Senhor. No outro que não há nada que se gloriar, exceto na cruz de Cristo. Então, a conclusão é que na cruz de Cristo achamos o conhecimento de Deus. Conhecer a Deus é vida eterna (João 17:3), e não há nenhuma vida para o homem fora da cruz de Cristo. Vemos, pois, uma vez mais, que tudo aquilo que pode ser conhecido de Deus, está revelado na cruz. Fora da cruz não há conhecimento de Deus.

Isso nos mostra que a cruz é manifestada na criação inteira. O eterno poder e divindade de Deus, tudo quanto podemos conhecer dEle, se podem ver nas coisas que criou, e a cruz é o poder de Deus (1 Cor. 1:18). Deus gera forças a partir da fraqueza. Salva o homem por meio da morte, de forma que até os que morrem podem descansar na esperança. Nenhum homem é tão pobre, fraco e pecador, tão degradado e depreciado para não poder se gloriar na cruz. A cruz o toca justamente nessa situação em que está, pois é símbolo de vergonha e degradação. Revela o poder de Deus nele, e há nele motivo para glória eterna.   

 

A cruz crucifica



A cruz nos separa do mundo. Nos une a Deus, a Ele seja a glória! A amizade do mundo é inimizade contra Deus. “Quem queira ser amigo do mundo, se constitui em inimigo de Deus” (Tg 4:4). Na cruz, Cristo destruiu a inimizade (Efe. 2:15 e 16). “E o mundo e seus desejos passam. Mas, o que faz a vontade de Deus, permanece para sempre” (1 João 2:17). Portanto, deixemos que o mundo passe.

Deixo o mundo e sigo Cristo,
Pois o mundo passará;
mas o terno amor divino
pelos séculos durará.


Oh, que amor imensurável!   
Que clemência, que bondade!
Oh, a plenitude de graça,
cheia de imortalidade!

(V. Mendoza, #266)   

 

Jesus disse: “E quando eu for erguido da terra, atrairei todos a mim” (João 12:32). Digo-o para insinuar que a morte haveria de morrer: “Se humilhou a si mesmo, e foi obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso Deus também o exaltou isto até o sumo, e lhe deu um Nome que é sobre todo nome” (Fil. 2:8 e 9).



Foi através da morte que ascendeu à destra do trono da Majestade nos céus. Foi a cruz que elevou da terra ao céu. Então, é só a cruz que nos traz a glória, e a única coisa que podemos nos gloriar. A cruz, que significa insulto e envergonha para o mundo, nos eleva sobre este mundo e nos assenta com Cristo nos lugares celestiais. Faz “pelo poder que opera em nós”, que é o mesmo que sustém o universo inteiro.

 

15  Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura.

 

A salvação não vem do homem, seja qual for a condição deste, ou o que ele possa fazer. Em seu estado de incircuncisão está perdido, e ser circuncidado em nada lhe traz à salvação. Só a cruz tem poder para salvar. O único valor é a nova criatura ou, como traduzem algumas versões, “a nova criação”. “Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura” (2 Cor. 5:17); e só por meio da morte que nos unimos a Ele. “Não sabeis que todos os que foram batizados em Cristo Jesus, foram batizados em sua morte” (Rom. 6:3).



 

Crucificado num madeiro;
Manso Cordeiro, morres por mim.
Por isso a alma triste e chorosa   
suspira ansiosa, Senhor, por ti.   

(M. Mavillard, #95)   

 

A cruz faz uma nova criação. Vemos aqui outra razão para se gloriar nela. Quando a criação deixou as mãos de Deus no princípio, “Todas as estrelas do amanhecer louvaram, e se alegraram todos os filhos de Deus” (Jó 38:7).



 

O sinal da cruz

Relacione os textos que até agora consideramos: (1) a cruz de Cristo é a única coisa em que temos que nos gloriar, (2) o que se gloria, deveria fazê-lo somente em conhecer a Deus, (3) Deus escolheu ao mais fraco no mundo para envergonhar os sábios, de forma que ninguém pode se gloriar, exceto nEle, e (4) Deus é revelado nas coisas que criou. A criação, que manifesta o poder de Deus, também apresenta a cruz, pois a cruz de Cristo é o poder de Deus, e Deus se faz conhecer por meio dela.

Que nos diz o anterior? Que o poder que criou o mundo e todas as coisas que há nele, é o mesmo que salva em quem nele confie. É o poder da cruz.

Assim, o poder da cruz, o único pelo qual a salvação vem, é o poder que cria e que continua operando na criação. Mas quando Deus cria algo, é “muito bom”. Então, em Cristo, em sua cruz, há uma “nova criação”. “Porque somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, que Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Efe. 2:10). É na cruz onde encontramos essa nova criação, porque seu poder é que “no princípio criou Deus os céus e a terra”. É o poder que guarda a terra de desintegrar-se debaixo da maldição; o poder que traz a sucessão das estações; o tempo da semeadura e da colheita; o que afinal renovará a terra inteira. “Florescerá profusamente, se alegrará e cantará com alegria. A glória do Líbano lhe será dada, a beleza do Carmelo e de Sarón. Todos verão a glória do Eterno, a beleza de nosso Deus” (Isa. 35:2).

"Grandes são as obras de Jeová, meditadas pelos que nelas se comprazem. Esplendor e majestade sua obra, sua justiça para sempre permanece. De suas maravilhas tem deixado um memorial. Clemente e compassivo Jeová!” (Sal. 111:2-4, Bíblia de Jerusalém).

Vemos aqui que os obras maravilhosas de Deus revelam sua justiça, tanto quanto a graça  e compaixão. Isso é outra evidência de que suas obras revelam a cruz de Cristo, onde se concentram a infinidade do amor e a clemência.

"De suas maravilhas tem deixado um memorial”. Por que deseja que o homem se lembre e declare suas obras prodigiosas? Para que não se esqueça, mas que confie na salvação do Senhor. Sua vontade é que o homem medite continuamente em suas obras, de forma que possa conhecer o poder da cruz. Deste modo, quando Deus criou os céus e a terra em seis dias, “terminou Deus no sétimo dia o trabalho que fez, e descansou no sétimo dia de tudo aquilo tinha feito na criação. E Deus abençoou ao sétimo dia, e o santificou, porque nele descansou de toda a obra que havia feito na criação” (Gên. 2:2 e 3).

A cruz nos provê o conhecimento de Deus ao mostrar-nos seu poder como Criador. Por meio da cruz somos crucificados para o mundo, e o mundo para nós. Pela cruz somos santificados. A santificação é trabalho de Deus, não do homem. Só seu divino poder pode completar esse grande trabalho. No princípio Deus santificou o sábado como a coroa do trabalho criativo, a evidência que o trabalho estava completo, o selo da perfeição. Então, disse: “Também lhes dei meus sábados, para que fossem um sinal entre mim e eles, de forma que soubessem que eu sou o Eterno que os santifico” (Eze. 20:12).

Vemos, pois, que o sábado, o sétimo dia, é o verdadeiro sinal da cruz. É o memorial da criação, e a redenção é criação: criação por meio da cruz. Na cruz achamos as perfeitas e completas obras de Deus, e somos revestidos delas. Ser crucificado com Cristo significa ter renunciado totalmente o eu, reconhecendo que não somos nada, e confiando incondicionalmente em Cristo. Nele encontramos o repouso. Nele encontramos o sábado. A cruz nos leva de volta ao começo, para “o que existia desde o princípio” (1 João 1:1). O repouso do sétimo dia não é mais que o sinal de que na perfeita obra de Deus na cruz – a mesma da criação –, achamos repouso do pecado.

‘Mas é difícil guardar o sábado; o que farei com meu negócio?’; ‘Se guardo o sábado não poderei ganhar a vida’; ‘É tão impopular!’. Nunca alguém pode pretender que seja algo agradável o estar crucificado. “Nem Cristo se agradou a si mesmo” (Rom. 15:3). Leia o capítulo 53 de Isaías. Cristo nunca foi muito bem visto, e menos ainda ao ser crucificado. A cruz significa morte, mas também significa a entrada na vida. Há bálsamo nas feridas de Cristo, há bençãos na maldição que Ele levou, vida na morte que sofreu. Quem poderia afirmar que confia em Cristo para a vida eterna, enquanto se recusa confiar nEle durante alguns anos, meses ou dias de vida neste mundo?

Digamos isto uma vez mais, e digamos de coração: “Longe esteja mim o gloriar-se, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por quem o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo”. Se você pode dizer isto verdadeiramente, então acharás as tribulações e aflições  tão levianas, que poderás gloriar-te nelas.

 

 

A glória da cruz



É pela cruz que tudo se sustenta. “Todas as coisas subsistem nEle” (Col. 1:17), e Ele não existe em outra forma que não seja a do Crucificado. Se não fosse pela cruz, aconteceria uma morte universal. Nenhum homem poderia respirar, nem uma planta crescer, nem um raio de luz poderia brilhar do céu, a não ser pela cruz.

Agora então, “Os céus contam a glória de Deus, e o firmamento anuncia o trabalho de suas mãos” (Sal. 19:1). Essas são algumas das coisas que Deus fez. Nenhuma pena pode descrever, nenhum pincel para pintar a glória surpreendente dos céus. Porém, aquela glória não é mais que a glória da cruz de Cristo, como mostram os atos antes referidos. É revelado o poder de Deus nas coisas criadas, e a cruz é o poder de Deus.

A glória de Deus é seu poder, como “a grandeza incomparável de seu poder para os que crêem” se mostrou na ressurreição de Jesus Cristo (Efe. 1:19 e 20). “Cristo ressuscitou dos mortos para a glória do Pai” (Rom. 6:4). Foi por haver sofrido morte, pelo que Cristo foi coroado de glória e de honra (Heb. 2:9).

Deste modo, vemos que a glória inteira das estrelas incontáveis, com as cores diversas, e a glória do arco-íris, a glória das nuvens douradas na colocação do sol, a glória do mar e dos campos em flor ou dos prados verdes, a glória da primavera e da colheita na maturidade, a glória do que brota e que da a fruta perfeita, a glória inteira que Cristo tem no céu, e também tudo o que deve ser revelado aos santos dele no dia em que “os justos arderão como o sol no Reino de seu Pai”, é a glória da cruz. Como poderíamos pensar em gloriar-nos em qualquer outra coisa?

 

16  E a todos quantos andarem em conformidade com esta regra, paz e misericórdia sobre eles e sobre o Israel de Deus.

 

A regra da glória! Que grande regra para o que quer ser governado! São mencionadas aí duas classes? Impossível, desde que a epístola inteira vem mostrar que todos são um em Cristo Jesus. “E vós estais completos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade (império). Nele também fostes circuncidados com uma circuncisão feita sem mão, ao nos desfazermos do corpo dos pecados, por meio da circuncisão feita por Cristo. Sepultado com Ele no batismo, também fostes ressuscitado com ele, por meio da fé no poder de Deus que o ergueu dos mortos. Para você que estava morto em pecados, na incircuncisão de sua carne, lhe deram vida com Cristo, e perdoaram todos seus pecados” (Col. 2:10-13).



"Somos a verdadeira circuncisão, nós, os que adoram segundo o Espírito de Deus, e estamos contentes em Cristo Jesus, e não colocamos nossa confiança na carne” (Fil. 3:3). Aquela circuncisão nos constitui a todos no verdadeiro Israel de Deus, porque significa vitória sobre o pecado, e ”Israel” quer dizer vencedor. Já não estamos mais “excluídos da cidadania de Israel, desavisado dos pactos da promessa”, já não somos “estranhos nem forasteiros, mas concidadãos com os santos, membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo a pedra principal do ângulo, Jesus Cristo” (Efe. 2:12, 19 e 29). Deste modo, nos encontraremos com as multidões que virão “do leste e do ocidente, e eles se sentarão com Abraão, Isaac e Jacó no Reino dos céus” (Mat. 8:11).

 

17    Desde agora ninguém me perturbe; pois trago no corpo as marcas do Senhor Jesus.



18    A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja, irmãos, com o vosso espírito. Amém!

 

O que se tem traduzido por “sinais” é a forma plural da voz grega stigma. Implica vergonha e desgraça. No passado, os responsável por crimes, como também os escravos que tinham sido surpreendidos tentando escapar, os estigmatizava por meio da colocação de uma marca ou sinal em seu corpo, indicando a quem pertenciam.



Tais são os sinais da cruz de Cristo. Paulo as levava. Tinha sido crucificado com Cristo, e levava as impressões de seus cravos. Estavam marcados em seu corpo. O assinalavam como um servo, como o escravo do Senhor Jesus. Então que ninguém interferisse com ele: não era servo dos homens. Só devia lealdade a Cristo, que o tinha comprado. Que ninguém esperasse vê-lo servir ao homem ou a carne, porque Jesus o tinha marcado com o Seu sinal, e não podia servir a nenhum outro. Também, ninguém deveria interferir em sua liberdade em Cristo, ou o maltratar, porque seu Senhor protegeria com toda a segurança aquele que lhe pertencia.

Você leva essas marcas? Então você pode se gloriar nelas. Se assim fazes, não te gloriarás em vão, nem ficarás envaidecido.

Quanta gloria há na cruz! A glória inteira do céu está nesse objeto depreciado. Não na figura da cruz, mas na cruz mesma. O mundo não reconhece isto como glória. Mas tampouco reconheceu o Filho de Deus; nem reconhece ao Espírito Santo, porque não podem ver a Cristo.

Que Deus abra nossos olhos para ver a glória, de forma que possamos reconhecer seu valor. Que consintamos em ser crucificados com Cristo de forma que a cruz nos eleve para a glória. Na cruz de Cristo há salvação. É o poder de Deus para não cairmos, porque nos eleva da terra para o céu. Na cruz está a nova criação que o mesmo Deus qualifica como boa “de grande modo”. Nela está toda a glória do Pai e a glória inteira das idades eternas. Portanto, que Deus não permita que nos gloriemos em outra coisa que não seja a cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo nos é crucificado, e nós para o mundo.


Havia Um que quis por mim padecer
e morrer, para minha alma salvar;
a caminho sangrenta na cruz recorrer,
para deste modo meus pecados lavar.


Na cruz, na cruz meus pecados cravou!
Quanto quis por mim padecer!
Com angústia à cruz foi o bom Jesus,
E em seu corpo minhas culpas levou.

(Elisa Pérez, #90) 







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