As Boas Novas Comentário de Gálatas, por E. J. Waggoner



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Capítulo 4

A ADOÇÃO


 

1  Digo, pois, que todo o tempo em que o herdeiro é menino em nada difere do servo, ainda que seja senhor de tudo;

2  Mas está debaixo de tutores e curadores até ao tempo determinado pelo pai.

 

A divisão por capítulos que hoje conhecemos, é arbitrária, e custa imaginar que razão pode levar a situá-la neste caso entre o terceiro e o quarto. O capítulo anterior termina com uma afirmação a propósito de quem são os herdeiros. O capítulo quatro continua com considerações relativas a como poderemos vir a ser constituídos herdeiros.



Nos dias de Paulo, embora um menino pudesse ser herdeiro do maior dos reinos, até ter alcançado certa idade, em nada se diferenciava de um servo (ou escravo). Se não chegasse a certa idade, jamais possuiría a herança. Nesse caso, até que a herança chegasse, viveria como servo.

 

3   Assim também nós, quando éramos meninos, estávamos reduzidos à servidão debaixo dos primeiros rudimentos do mundo,



4   Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,

5   Para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos.

 

A expressão “meninos” do versículo três, se refere a condição em que estávamos antes de receber “a adoção de filhos” (vers. 5). Representa nossa condição antes de ser redimidos da maldição da lei, ou seja, antes de nossa conversão. Se trata dos “meninos inconstantes, levados por qualquer vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente (Efe. 4:14). Em resumo: refere-se a nós em nosso estado antes da conversão, quando “vivíamos nos desejos da nossa carne... e éramos por natureza filhos da ira, igual aos demais” (Efe. 2:3).



“Quando éramos meninos”, “éramos servos debaixo dos rudimentos do mundo”. “Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não são do Pai, mas do mundo. E o mundo e seus desejos passam” (1 João 2:16 e 17). A amizade do mundo é inimizade contra Deus. “Não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus?” (Tiago 4:4). É “do presente século mau” que Cristo veio nos salvar. “Cuidem para ninguém vos engane por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição de homens, conforme os elementos do mundo, e não segundo Cristo” (Col. 2:8). A passagem “debaixo dos rudimentos do mundo” consiste em andar “segundo a corrente deste mundo”, viver “ao impulso dos desejos de nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos”, sendo “por natureza filhos da ira” (Efe. 2:1-3). É a mesma escravidão descrita em Gálatas 3:22-24: “Antes que chegasse a fé”, quando estávamos “confinados debaixo da lei”, encerrados “debaixo do pecado”. É a condição dos homens que estão “sem Cristo, separados da comunidade de Israel, estranhos aos concertos da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo” (Efe. 2:12).

 

Todos podem ser herdeiros



Deus não tem descartado a raça humana. Pois ao primeiro homem criado o chamou de “filho de Deus” (Luc. 3:38), todos os homens podem ser igualmente herdeiros. “Antes que chegasse a fé”, desde que todos nos apartamos de Deus, “estávamos guardados pela Lei”, guardados por um severo vigilante, tidos em sujeição, a fim de podermos ser  levados a aceitar a promessa. Que benção, que Deus concede também aos ímpios, ou a quem estiver na escravidão do pecado, como a seus filhos; filhos errantes e pródigos, mas sempre filhos, do começo ao fim! Deus tornou todos os homens “aceitos no Amado” (Efe. 1:16). O presente tempo de prova nos é dado com o propósito de nos oferecer uma oportunidade para que o conheçamos como nosso Pai, e que venhamos a ser-lhe verdadeiros filhos. A menos que retornemos a Ele, morreremos como escravos do pecado. “Quando se cumpriu o tempo”, Cristo veio. Em Romanos 5:6 encontramos uma expressão paralela: “Quando éramos fracos, a seu tempo Cristo morreu pelos ímpios”. A morte de Cristo opera a salvação tanto dos que vivem hoje como para seus contemporâneos, que viveram na Judéia, antes que se manifestasse em carne. Não teve um maior efeito nos que viveram naquela geração. Morreu uma vez por todos, mas seu impacto é o mesmo em qualquer época. “Quando se cumpriu o tempo”, se refere ao tempo no qual a profecia havia predito que se revelaria o Messias, mas a redenção é para todos os homens, em todas as épocas. Foi “conhecido ainda antes da criação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos” (1 Ped. 1:20). Se o plano de Deus houvesse sido o de se revelar em nossos dias, não haveria diferença alguma, de acordo com o propósito geral do evangelho. “Está sempre vivo” (Heb. 7:25), e sempre estará. “É o mesmo ontem, hoje e por todos os séculos” (Heb. 13:8). É “pelo Espírito eterno” que se ofereceu a si mesmo por nós (Heb. 9:14); portanto, esse sacrifício é eterno, presente e igualmente eficaz em qualquer era.

 

“Nascido de mulher”



Deus enviou seu Filho “nascido de mulher”: um homem autêntico. Viveu e sofreu todas as enfermidades e dores que afligem o homem. “O Verbo se fez carne” (João 1:14). Cristo sempre se referiu sempre a si mesmo como “o Filho do homem”, identificado-se assim para sempre com todo o gênero humano. Uma união que nunca será quebrada.

Sendo “nascido de mulher”, necessariamente teve que ser “nascido debaixo da Lei”, desde que essa é a condição de toda a humanidade. “Pelo que convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo” (Heb. 2:17). Tomou sobre si todas as coisas. “Levou nossas enfermidades e sofreu nossas dores” (Isa. 53:4). Tomou nossas enfermidades e levou nossas doenças” (Mat. 8:17). “Todos nós nos perdemos como ovelha, cada um se afastou por seu caminho: mas Jeová carregou nele o pecado de todos nós” (Isa. 53:6). Nos redime vindo literalmente em nosso lugar, e levando a carga de nossos ombros. “Como não teve pecado, Deus o fez  pecado por nós, para sermos feito justiça de Deus Nele” (2 Cor. 5:21).

No mais pleno sentido da palavra, e em um grau que raramente se pensa quando se usa a expressão, se converteu em substituto do homem. Permeia todo nosso ser, identificado-se tão completamente conosco, que tudo quanto nos toque ou afete, toca e afeta Ele. Não é nosso substituto no sentido em um homem substitui outro. No exército, por exemplo, é colocado um soldado na posição de outro que está em algum outro campo. Mas a substituição de Cristo é algo completamente diferente.  É tão completamente nosso substituto que vem em nosso lugar e já não aparecemos mais. Desaparecemos, de forma que “já não vivo eu, mas Cristo vive em mim”. Coloquemos nossas necessidades nEle, não tirando-as de nós e colocando-a sobre Ele mediante penoso esforço, mas humilhando-nos no nada que realmente somos, de forma que nossa carga descanse somente nEle.

Podemos ver já a forma em que veio “redimir aos que estavam debaixo da Lei”. O faz no mais real e prático dos sentidos. Alguns supõem que essa expressão significa que Cristo livrou os judeus da necessidade de oferecer sacrifícios, ou de toda a obrigação de guardar os Mandamentos. Por si somente os judeus estavam “debaixo da lei”, então Cristo veio redimir só os judeus. Nós precisamos reconhecer que estamos – ou estivemos antes de ser crentes – “debaixo da lei”, pois Cristo veio redimir precisamente os que estavam “debaixo da lei”, e não a outros. Estar “debaixo da lei”, tal como temos visto, significa estar condenado pela lei como transgressores. Cristo não veio “chamar os justos, mas pecadores” (Mat. 9:13). Mas a lei condena exclusivamente os que estão sob sua jurisdição, e aqueles que estão sob a obrigação de obedecê-la. Considerando que Cristo nos livra da condenação da lei, é evidente que nos redime para uma vida de obediência à lei.

 

"A fim de que recebêssemos a adoção de filhos”



"Amados, agora já somos filhos de Deus” (1 João 3:2). “A todos que o receberam, aos que creram em seu Nome, lhes deu o direito de serem filhos de Deus” (João 1:12). É um estado radicalmente diferente do descrito em Gálatas 4:3 (“quando éramos meninos”). Naquela situação, poderia ser dito de nós “que este povo é rebelde, filhos mentirosos que não querem obedecer a Lei do Eterno” (Isa. 30:9). Ao crer em Jesus e receber “a adoção de filhos”, somos descritos como “filhos obedientes”, não conforme os maus desejos que obedecíamos em nossa ignorância (1 Ped. 1:14). Cristo disse: “Meu Deus, me deleito em fazer a tua vontade, e tua Lei está no meu coração” (Sal. 40:8). Portanto, uma vez que se fez nosso substituto, tomando literalmente nosso lugar, não no lugar de nós, mas vindo a nós e vivendo sua vida em nós e para nós, fica claro que sua lei estará em nosso coração, quando recebermos a adoção de filhos.

 

6   E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.



7   Assim, já não és mais servo, mas filho; e se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo.

 

“Quanta paz e felicidade traz o Espírito, quando faz morada no coração! Não como o convidado temporário, mas na qualidade de único proprietário. “Assim, tendo sido justificados pela fé, estamos em paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”, de forma que nos alegramos até nas tribulações, de acordo com a esperança que “não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado” (Rom. 5:1,5). Então podemos amar do modo que Deus ama, pois que participamos de sua natureza divina. “O mesmo Espírito testifica a nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rom. 8:16). “O que crê no Filho de Deus, tem o testemunho em si mesmo” (1 João 5:10).



Da mesma maneira em que há duas classes de “filhos” [ou “meninos”], também há duas classes de “servos”. Na primeira parte do capítulo se utiliza a palavra “menino” em referência aos que ainda não alcançaram “o tempo [idade] assinalado”, os que ainda não tem os sentidos exercitados para discernir o bem e o mal (Heb. 5:14). A promessa é para eles, e também “para todos os que estão distantes” (Atos 2:39), e ao aceitarem, virão a ser feitos participantes da natureza divina (2 Ped. 1:4), e portanto, verdadeiros filhos de Deus. No estado  de “filhos da ira”, são servos do pecado; não de Deus. O cristão é um “servo”: um servo de Deus. Mas serve de uma forma completamente diferente daquela em que o servo do pecado serve a Satanás. O caráter do servo depende do Senhor a quem serve. Neste capítulo, se usa o termo “servo”, não referindo-se ao servo de Deus – que é em realidade filho –, mas ao servo ou escravo do pecado. Entre o escravo do pecado e o filho de Deus, há uma diferença abismal. O escravo não pode possuir nada, e carece de domínio sobre si mesmo. Essa é sua característica distintiva. Ao filho nascido livre, ao contrário, lhe é dado domínio sobre toda a criação como no princípio, levando em conta a vitória que obteve em si mesmo. “Melhor é o longânimo do que o herói da guerra, e o que domina o seu espírito, do que aquele que toma uma cidade” (Prov. 16:32).

Quando o filho pródigo vagava longe da casa paterna, em nada diferia de um servo. Era em verdade um servo, encarregado das tarefas mais rotineiras e servis. Estava nessa condição quando decidiu retornar à casa do pai, sentindo-se indigno de melhor trato que o de um servo. Mas o pai avistou-o quando ainda estava  distante, e correu a buscá-lo, recebendo-o como filho, e portanto, herdeiro, embora tivesse perdido todo o direito à herança. Do mesmo modo, perdemos todo o direito de sermos chamados filhos, desperdiçamos a herança. Porém, em Cristo, Deus nos recebe verdadeiramente como filhos, e nos dá os mesmos direitos e privilégios que tem Cristo. Embora Cristo esteja agora no céu, a direita de Deus, “sobre todo principado, autoridade, poder e domínio, e sobre tudo quanto tem nome, não só neste século, mas também no vindouro” (Efe. 1:20 e 21), não tem nada que não compartilha conosco, porque “...Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus” (Efe. 2:4-6). Cristo é um conosco em nosso sofrimento, afim de que possamos ser um com Ele em sua glória. “Exaltou os humildes” (Luc. 1:52). “Levanta o pobre do pó e, desde o monturo, exalta o necessitado, para o fazer assentar entre os príncipes, para o fazer herdar o trono de glória; porque do Senhor são as colunas da terra, e assentou sobre elas o mundo” (1 Sam. 2:8). Nenhum rei na terra possui riquezas nem poder comparável ao do mais pobre mortal que reconhece o Senhor como seu Pai.

 

8   Mas, quando não conhecíeis a Deus, servíeis aos que por natureza não são deuses.

 

Escrevendo aos coríntios, o apóstolo Paulo disse: “Sabeis que, outrora, quando éreis gentios, deixáveis conduzir-vos aos ídolos mudos, segundo éreis guiados” (1 Cor. 12:2). O mesmo era válido aos gálatas: tinham sido pagãos, adoradores de ídolos, e escravos das mais degradantes superstições. Lembre-se que essa escravidão é a mesma que estudamos no capítulo precedente: a escravidão de estar encerrados “debaixo da lei”. É nesta escravidão que se encontra todo inconverso. No segundo e terceiro capítulo de Romanos lemos que “não há diferença, pois todos pecaram”. Os judeus mesmo, que não conheceram o Senhor por experiência pessoal, estavam nessa escravidão: a escravidão do pecado. “Todo o que comete pecado, é escravo do pecado” (João 8:34). “O que pratica o pecado pertence ao diabo” (1 João 3:8). “O que os pagãos sacrificam, sacrificam aos demônios, e não a Deus” (1 Cor. 10:20). O que não é cristão, é pagão, não há meio termo. Quando o Cristão apostata, se converte em pagão.



Nós mesmos andávamos “seguindo a corrente deste mundo, de acordo com o príncipe da potestade do ar, o espírito que agora opera nos filhos da desobediência” (Efe. 2:2). “Pois nós também, outrora, éramos néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros” (Tito 3:3). Também nós, “em outro tempo, quando não [conhecíamos ] a Deus, [servíamos] aos que por natureza não são deuses”. Quanto mais cruel o amo, mais opressiva é a escravidão. Que linguagem pode descrever o horror de ser escravos da própria corrupção?[corrupção em pessoa, personalizada por Satanás].

 

9   Mas, agora, conhecendo a Deus, ou antes, sendo conhecidos de Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?

 

Não é surpreendente que os homens prefiram continuar encarcerados? Cristo veio “proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos” (Isa. 61:1), dizendo aos prisioneiros: “‘Saí', e aos que estão em escuridão: 'Aparecei’” (Isa. 49:9). Mas alguns dos que ouviram essas palavras, havendo sido libertados, tendo visto a luz do Sol de justiça e tendo gostado das delícias da liberdade, eles preferem regressar à prisão. Desejam sentir o aperto das cadeias novamente, e escolhem o trabalho extenuante na mina do pecado. Uma cena nada excitante, certamente. O homem é capaz de mostrar apego às coisas mais repulsivas, incluindo a própria morte. Que descrição mais vívida da experiência humana!



 

10  Guardais dias, e meses, e tempos, e anos

11  Receio de vós, que não haja trabalhado em vão para convosco.

 

A esse respeito, não corremos um perigo menor que o dos pagãos. Qualquer um que confia em si mesmo, está rendendo culto a obra de suas mãos, em vez de a Deus. O faz tão certamente quanto a um que se prostra ante uma imagem ou escultura. Ao homem é muito fácil confiar em sua suposta sagacidade, em sua habilidade para administrar seus assuntos; ele acha fácil esquecer que até mesmo os pensamentos dos sábios são vãos, e que não há poder, exceto o de Deus. “Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua força, nem o rico, nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o Senhor e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor” (Jer. 9:23 e 24).



 

12    Irmãos, rogo-vos que sejais como eu, porque também eu sou como vós: nenhum mal me fizestes

13    E vós sabeis que primeiro vos anunciei o Evangelho estando em fraqueza da carne;

14    E não rejeitastes, nem desprezastes isso que era uma tentação na minha carne, antes me recebestes como um anjo de Deus, como Jesus Cristo mesmo.

15    Qual é, logo, a vossa bem-aventurança? Porque vos dou testemunho de que, se possível fora, arrancaríeis os vossos olhos, e mos daríeis.

16    Fiz-me acaso vosso inimigo, dizendo a verdade?

17    Eles têm zelo por vós, mas não como convém; mas querem excluir-vos, para que vós tenhais zelo por eles.

18    É bom ser zeloso, mas sempre do bem, e não somente quando estou presente convosco.

19    Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós:

20    Eu bem quisera agora estar presente convosco, e mudar a minha voz: porque estou perplexo a vosso respeito.

 

O apóstolo foi enviado por Deus e por Cristo, para trazer-lhes uma mensagem de Deus, não dos homens. Tratava-se da obra de Deus. Paulo não era mais que o humilde instrumento, o “vaso de barro” que Deus havia escolhido como o meio para levar seu glorioso evangelho da graça. Então, Paulo não se sentiu ofendido quando seu evangelho foi rejeitado. “Nenhuma ofensa me fizeste”, lhes disse. Não lamentou os esforços que tinha dedicado aos gálatas no sentido de haver desperdiçado seu tempo, se não que temia por eles. Temeu que suas obras houvessem sido em vão, no que se referia ao próprio interesse desses irmãos.



Aquele que pode dizer de coração: “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade” (Sal. 115:1), nunca se sentirá pessoalmente ofendido se a mensagem não é recebida. Quem se irrita quando sua mensagem é depreciada, ignorada, ou rejeitada com escárnio seu ensino, demonstra, ou se esquece de que eram as palavras de Deus que estavam pronunciando, ou que misturou ou substituiu por palavras de sua própria escolha.

No passado, esse orgulho pessoal levou a perseguições que corromperam a  professa igreja cristã. Homens se levantaram falando coisas perversas para atrair os discípulos. Quando foram rejeitadas suas declarações e modos, se ofenderam e tomaram vingança contra os chamados “heréticos”. A pessoa devota deve fazer continuamente a pergunta: 'A quem estou servindo? 'Se for a Deus, se contentará em entregar a mensagem que Deus lhe recomendou, deixando a vingança para Deus, a quem pertence por direito.

 

O sofrimento físico de Paulo



 

A partir de declarações incidentais contidas na epístola, podemos deduzir certos detalhes históricos. Parando na Galácia por causa de um contratempo em sua saúde, Paulo pregou o evangelho “com demonstração do Espírito e de poder” (1 Cor. 2:4), de forma que os gálatas viram a Cristo entre eles, como crucificado; e aceitando-o, foram cheios de poder e gozo do Espírito Santo. Sua alegria  e bençãos no Senhor foram objeto de testemunho público, e em consequência disto sofreram uma notável perseguição. Mas não se jactaram disso. Apesar da “débil” aparencia de Paulo (ver 1 Cor. 2:1-5 e 2 Cor. 10:10), o receberam como a um mensageiro de Deus, em razão das boas novas que lhes trouxe. Tão ansiosamente apreciaram as riquezas da graça que Paulo desdobrou ante eles, que teriam oferecido os próprios olhos, se com isso houvessem podido resolver seu sofrimento.

Paulo instou com os gálatas a que vissem de onde tinham caído, e para que pudessem apreciar a sinceridade do apóstolo. De dia tinha lhes comunicado a verdade, e haviam se alegrado nela; não era possível que estivesse se convertendo em um inimigo ao continuar expondo-lhes essa mesma verdade!

Mas essas referências pessoais contêm algo mais. Não podemos supor que Paulo estava ávido de simpatia pessoal, quando fez referência às suas aflições e às condições adversas debaixo das quais trabalhou entre eles. Nem por um momento perdeu de vista o propósito da epístola, que era mostrar-lhes que “a carne nada aproveita” (João 6:63), e que tudo o que é bom procede Espírito de Deus. Os gálatas haviam “começado com o Espírito”. Paulo deveria ser pequeno em estatura, e de aparência física fraca. Também, quando se encontrou com eles pela primeira vez, estava sofrendo de uma doença física concreta. Apesar de tudo, pregou o evangelho com tal poder, que todos puderam perceber próximo a ele a Presença real, ainda que invisível.

O evangelho não provém do homem, mas de Deus. Não lhes foi dado conhecê-lo pela carne; portanto, em nada estavam em dívida com ela, relativo às bençãos recebidas. Que cegueira! Que insensatez, o que pretenderam obter por meio de seus próprios esforços aquilo que só o poder de Deus pode iniciar! Já temos aprendido nós essa lição?

 

Onde está vossa alegria?



Todo aquele que tenha conhecido ao Senhor, sabe que há alegria em aceitá-lo. Espera-se uma face radiante, e um testemunho jovial (alegre), naquele que se converte. Assim havia acontecido com os gálatas. Mas agora, aquela expressão de agradecimento tinha dado lugar as discussões e disputas amargas. A alegria e o calor do primeiro amor se extinguiram gradualmente. Tal coisa nunca deveria ter acontecido. “O caminho do justo é como a luz do amanhecer que aumenta até chegar ao pleno dia” (Prov. 4:18). O justo vive pela fé. Quando se afasta da fé, ou a substitui por obras, a luz se apaga. Jesus disse: “Tenho-vos dito estas coisas para que o meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo” (João 15:11). É impossível que a fonte da vida se esgote. O fluxo  nunca diminui. Então, se nossa luz se debilita e nossa alegria caminha para uma rotina monótona e rígida, podemos ter a segurança que deixamos o caminho da vida.

 

21    Dizei-me, os que quereis estar debaixo da lei, não ouvis vós a lei?



22    Porque está escrito que Abraão teve dois filhos, um da serva, e outro da livre.

23    Todavia o que era da escrava nasceu segundo a carne, mas, o que era da livre, por promessa.

24    O que se entende por alegoria: porque estes são os dois concertos: um, do monte Sinai, gerando filhos para a servidão, que é Agar.

25    Ora esta Agar é Sinai, um monte da Arábia, que corresponde à Jerusalém que agora existe, pois é escrava com seus filhos.

26    Mas a Jerusalém que é de cima é livre; a qual é mãe de todos nós.

27    Porque está escrito: Alegra-te e clama, tu que não estás de parto; porque os filhos da solitária são mais do que os da que tem marido.

 

Muitos amam caminhos que todos – menos eles, podem ver que levam diretamente à morte. Tendo contemplado com seus próprios olhos  as conseqüências de seu curso de ação, persistem, escolhendo deliberadamente “as delícias temporárias do pecado” em lugar “da justiça dos séculos” e “largura de dias”. Estar “debaixo da lei” de Deus é ser condenado por ela como pecador, encarcerado e condenado a morte. Porém, milhões de pessoas – e também os gálatas –, tem desejado e desejam tal condição. Se tão somente dessem ouvido ao que a lei diz! E não há nenhuma razão para que não o façam, desde que a lei se expressa com voz ensurdecedora. “O que tem ouvidos, ouça”.



Lemos: “Lança fora a escrava e seu filho, porque o filho da escrava não será herdeiro com o filho da livre” (vers. 30). A lei decreta a morte de todos os que acham prazer nos “elementos fracos e pobres” do mundo. “Maldito todo aquele que não permanece em tudo o que está escrito no livro da Lei” (Gál. 3:10). O pobre escravo há de ser lançado “fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes” (Mat. 25:30). “Pois eis que vem o dia e arde como fornalha; todos os soberbos e todos os que cometem perversidade serão como o restolho; o dia que vem os abrasará, diz o SENHOR dos Exércitos, de sorte que não lhes deixará nem raiz nem ramo”. Portanto, “Lembrai-vos da Lei de Moisés, meu servo, a qual lhe prescrevi em Horebe para todo o Israel, a saber, estatutos e juízos” (Mal. 4:1, 4). Todos que estão “debaixo da lei”, seja judeu ou gentil, cristão ou pagão, estão em servidão a Satanás – ou servidão à transgressão da lei –, e serão lançados “fora”. “Todo o comete pecado, é escravo do pecado. E o escravo não permanece para sempre na casa, o filho, sim, para sempre” (João 8:34 e 35). Agradeçamos pois a Deus por haver nos adotado como filhos.

Os falsos mestres tentaram persuadir os irmãos que se eles abandonassem a fé sincera  em Cristo e confiassem em obras que eles próprios poderiam fazer, viriam a ser filhos de Abraão, e com isto herdeiros das promessas. “Não os filhos segundo a carne são os filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendentes” (Rom. 9:8). Dos dois filhos que teve Abraão, um foi gerado segundo a carne, e outro de acordo com a “promessa”: foi nascido do Espírito. “Pela fé, a mesma Sara, fora da idade, recebeu vigor para ser mãe, porque creu que era fiel o que havia prometido” (Heb. 11:11).

Agar era uma escrava egípcia. Os filhos de uma mulher escrava eram sempre escravos, mesmo que seu pai fosse livre. Então, tudo o que Agar poderia gerar era escravos.

Mas muito antes que nascesse o menino-servo Ismael, o Senhor tinha manifestado claramente a Abraão que seria seu próprio filho livre, nascido de Sara, sua esposa livre, que herdaria a promessa. Tais são as obras do Todo-Poderoso.

 

"Elas representam os dois pactos”



As duas mulheres, Agar e Sara, representam os dois pactos. Lemos que Agar é o monte Sinai, “que gerou filhos para a escravidão”. De igual forma que Agar poderia gerar só filhos escravos, a lei – a lei que Deus pronunciou no Sinai –, não pode gerar homens livres. Não pode fazer outra coisa a não ser mantê-los em servidão, “porque a Lei produz a ira”, “porque pela Lei se alcança o conhecimento do pecado” (Rom. 4:15; 3:20). No Sinai, o povo prometeu guardar a lei que lhes havia sido dada. Mas em sua própria força, careciam de poder para obedecê-la. O monte Sinai gerou “filhos para a escravidão”, posto que sua promessa de fazer-se justos por suas próprios obras não funcionou, nem pode funcionar jamais.

Consideremos esta situação: O povo estava na escravidão do pecado. Não tinham poder para quebrar aquelas cadeias. E a proclamação da lei em nada alterou essa situação. Se alguém está na prisão por ter feito um crime, não acha libertação para o fato de que lhe sejam lidos os estatutos. A leitura da lei que o levou à prisão poderá apenas fazer mais doloroso seu cativeiro.

Então, não foi Deus quem os levou à escravidão? Não, certamente, desde que não os induziu de modo algum a que fizessem aquele aquele pacto no Sinai. Quatrocentos e trinta anos antes havia feito um pacto com Abraão, que era perfeitamente suficiente sob todos os pontos de vista. Este pacto foi confirmado em Cristo, e portanto, era um pacto que vinha “de cima” (João 8:23). Prometia a justiça como um dom gratuito de Deus, pela fé, e incluiu a todas as nações. Todos os milagres que Deus realizou ao libertar os filhos de Israel da escravidão egípcia não eram mais que demonstrações de seu poder para os libertar (e livrá-los) da escravidão do pecado. Sim, a libertação do Egito foi, não só uma demonstração do poder de Deus, mas também de seu desejo de libertá-los da escravidão do pecado.

Deste modo, quando o povo foi ao Sinai, Deus se limitou a referir-lhes o que havia feito em seu favor, e lhes disse: “Se deres ouvido a minha voz e guardares meu pacto, vós sereis meu tesouro especial sobre todos os povos, porque minha é toda a terra” (Êxo. 19:5). A que pacto estava se referindo? Evidentemente, ao pacto que já existia previamente, a seu pacto com Abraão. Se somente guardassem o pacto de Deus, se guardassem a fé, e acreditassem na promessa de Deus, seriam um povo peculiar. Na qualidade de dono de toda a terra, era capaz de cumprir em benefício deles tudo quanto havia prometido.

O fato de que eles, em sua própria suficiência, se apressassem a carregar sobre si mesmos a responsabilidade de fazer-se realidade, não significa que Deus os induzira a fazer esse pacto.

Se os filhos de Israel que haviam deixado o Egito tivessem andado nos “passos da fé de nosso pai Abraão” (Rom. 4:12), jamais se teriam jactado de serem capazes de guardar a lei promulgada no Sinai, porque “não foi por intermédio da lei que a Abraão ou a sua descendência coube a promessa de ser herdeiro do mundo, e sim mediante a justiça da fé” (Rom. 4:13). A fé justifica. A fé torna justo. Se o povo de Israel tivesse tido a fé de Abraão, teriam manifestado a justiça dele. No Sinai, a lei que foi promulgada “por causa das transgressões”, poderia já estar em seus corações. Poderia ter demonstrado sua verdadeira condição  sem necessidade dos trovões terríveis. Nunca foi o propósito de Deus, nem o é agora, que pessoa alguma obtenha a justiça por meio da lei que foi promulgada no Sinai, e todo aquele que cerca o Sinai assim o demonstra. Não obstante, a lei é verdadeira, e deve ser observada. Deus libertou o povo de Israel “para que guardassem seus estatutos, e cumprissem suas leis” (Sal. 105:45). Não obtemos a vida guardando os mandamentos, mas  Deus nos dá a vida para que possamos guardá-los pela fé nEle.

 

O paralelismo entre os dois pactos



O apóstolo disse se referindo a Agar e Sara: “estas mulheres representam os dois pactos”. Hoje existem os dois pactos. Não é questão de tempo, mas de condição. Que ninguém se jacte de sua impossibilidade de estar debaixo do antigo pacto, confiando em que o tempo deste já passou. Realmente, o tempo passou, mas só no sentido de que “basta o tempo decorrido para terdes executado a vontade dos gentios, tendo andado em dissoluções, concupiscências, orgias, bebedices e em detestáveis idolatrias” (1 Ped. 4:3).

A diferença é a mesma que encontramos entre uma mulher escrava e uma livre. A descendência de Agar, por mais numerosa que fosse, sempre seria formada por escravos; enquanto que a de Sara seria de filhos livres. Então, o pacto do Sinai traz escravidão “debaixo da lei” a todos os que se atêm nele, enquanto que o pacto proveniente do alto, traz libertação. Não traz libertação da obediência à lei, mas libertação de desobedecê-la. Não é fora da lei onde se encontra a liberdade, mas nela. Cristo redime da maldição, que consiste na transgressão da lei, de forma que possamos receber a benção. E a bênção consiste na obediência à lei. “Bem-aventurados os irrepreensíveis no seu caminho, que andam na lei do Senhor” (Sal. 119:1). Essa bênção é a liberdade. “andarei em liberdade, pois busquei os teus preceitos” (Sal. 119:45).

O contraste entre os dois pactos pode ser expresso brevemente deste modo: No pacto feito no Sinai, temos que nos ver com a lei em sí, enquanto que no pacto do alto, temos a lei em Cristo. O primeiro caso significa para nós a morte, pois a lei é mais afiada que uma espada de dois gumes, e não somos capazes de manejá-la sem conseqüências fatais. Mas no segundo caso, temos a lei “por meio de um mediador”. Na primeira situação é o que nós podemos fazer. Na segunda, o que pode fazer o Espírito de Deus.

Lembre-se que em nenhum lugar da epístola se questiona se a lei deve ser ou não obedecida. A única pergunta é: Como se alcança a obediência à lei? É por nossa própria obra, de forma que a recompensa não será um assunto de graça, mas de dívida? Ou será Deus trabalhando em nós, tanto o querer como o fazer, por sua boa vontade?

 

O contraste entre Sinai e Sião



Da mesma forma em que há dois pactos, também há duas cidades a que estes pertencem. A Jerusalém “atual” pertence ao pacto velho, do monte Sinai. Nunca será livre, mas será substituída pela Cidade de Deus, a Nova Jerusalém que descerá do céu (Apoc. 3:12; 21:1-5). Foi a cidade que Abraão anelou, “porque aguardava a cidade com fundações cujo arquiteto e construtor é Deus” (Heb. 11:10; Apoc. 21:14, 19 e 20).

Há muitos que colocam grandes esperanças – todas as suas esperanças –, na Jerusalém atual. “E até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles” (2 Cor. 3:14). De fato, ainda esperam a salvação a partir do monte Sinai, e do antigo pacto. Mas não é ali que ela se encontra, “Ora, não tendes chegado ao fogo palpável e ardente, e à escuridão, e às trevas, e à tempestade, e ao clangor da trombeta, e ao som de palavras tais, que quantos o ouviram suplicaram que não se lhes falasse mais, pois já não suportavam o que lhes era ordenado: Até um animal, tocando o monte, seria apedrejado. Na verdade, de tal modo era horrível o espetáculo, que Moisés disse: Sinto-me aterrado e trêmulo! Mas tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos, e à universal assembléia e igreja dos primogênitos arrolados nos céus, e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados, e a Jesus, o Mediador da nova aliança, e ao sangue da aspersão que fala coisas superiores ao que fala o próprio Abel” (Heb. 12:18-24). O que espera as bênçãos a partir da Jerusalém atual, está dependendo do antigo pacto e do monte Sinai, para escravidão. Mas quem adora dirigindo-se à Nova Jerusalém, esperando as bênçãos somente dela, agarra-se ao pacto novo, ao monte de Sião e a liberdade, pois “a Jerusalém de cima... é livre”. Do que é livre? Do pecado; e uma vez que “é a mãe de todos nós”, nos gera novamente, de forma que somos libertados também do pecado. Livres da lei? Sim, certamente, pois a lei não condena os que estão em Cristo.

Mas não permitas que ninguém te seduza com palavras vãs, assegurando-te de que podes agora pisar aquela lei que Deus proclamou com tal majestade, no monte Sinai. Achegando-nos ao monte Sião, a Jesus, o mediador do novo pacto, ao sangue da aspersão, somos libertados do pecado, da transgressão da lei. Em” Sião”, a base do trono de Deus é sua lei. De seu trono procedem os mesmos raios, trovões e vozes (Apoc. 4:5; 11:19) que procederam do Sinai, já que ali está a mesma lei. Mas se trata do “trono da graça” (Heb. 4:16), então, apesar dos trovões, podemos nos achegar a ele com a confiança de achar misericórdia e graça em Deus. Também acharemos graça para o momento oportuno na hora da tentação, posto que do trono, do Cordeiro “imolado” (Apoc. 5:6), flui o rio de águas da vida que nos traz, procedente do coração de Cristo, “a lei do Espírito que dá vida” (Rom. 8:2). Bebamos dele, mergulhemos nele, e seremos limpos de todo o pecado.

Por que o Senhor não levou o povo diretamente ao monte Sião, onde poderiam encontrar a lei como vida, em vez de os levar ao monte Sinai, onde a lei significou somente morte?

É uma pergunta muito lógica, e lógica também é sua resposta: Foi por sua incredulidade. Quando Deus tirou Israel do Egito, seu propósito era levá-los diretamente ao monte Sião. Após terem cruzado o Mar Vermelho, entoaram um cântico inspirado, e um de seus versos dizia: “Com a tua beneficência guiaste o povo que salvaste; com a tua força o levaste à habitação da tua santidade.” “Tu o introduzirás e o plantarás no monte da tua herança, no lugar que aparelhaste, ó Senhor, para a tua habitação, no santuário, ó Senhor, que as tuas mãos estabeleceram” (Êxo. 15:13, 17).

Se houvessem continuado cantando, teriam chegado bastante próximo do monte Sião, pois “os resgatados do Senhor voltarão, e virão a Sião com júbilo: e alegria eterna haverá sobre as suas cabeças: gozo e alegria alcançarão, e deles fugirá a tristeza e o gemido” (Isa. 35:10). A travessia do Mar Vermelho o confirmava (Isa. 51:10 e 11). Mas logo esqueceram o Senhor, e em sua incredulidade se entregaram a murmuração. Por conseguinte, “foi dada [a lei] por causa das transgressões” (Gál. 3:19). Foram eles – sua incredulidade pecaminosa – que criou a necessidade de ir ao monte Sinai, em vez de ir ao de Sião.

Não obstante, Deus não os privou do testemunho de sua fidelidade. No Sinai, a lei estava nas mãos do mesmo Mediador – Jesus – a quem nos dirigimos quando vamos a Sião. Da pedra em Horeb (ou Sinai) brotou o manancial de águas vivas a partir do coração de Cristo, “e a Rocha era Cristo” (Êxo. 17:6; 1 Cor. 10:4). Perante eles esteve a realidade do monte Sião. Todo aquele cujo coração se voltasse ali ao Senhor, contemplaria sua glória sem véu, tal como Moisés, e sendo transformado por ela, encontraria o “ministério que traz justificação”, em lugar do “ministério de condenação” (2 Cor. 3:9). “Seu amor é para sempre”, e até mesmo das mesmas nuvens ameaçadoras de ira que procederam dos raios e trovões, brilha o glorioso rosto do Sol da Justiça, formando o arco-íris da promessa.

 

28    Mas nós irmãos, somos filhos da promessa como Isaque.



29    Mas, como então aquele que era gerado segundo a carne perseguia o que era segundo o Espírito, assim é também agora.

30    Mas que diz a escritura? Lança fora a escrava e seu filho, porque de modo algum o filho da escrava herdará com o filho da livre.

31    De maneira que, irmãos, somos filhos, não da escrava, mas da livre.

 

Palavras de ânimo para toda a alma! Eras um pecador. Na melhor da hipóteses tentas ser cristão, e as palavras “Lança fora ao escravo” te fazem tremer. Compreendes que és escravo, que o pecado o mantém prisioneiro, e que te amarram os laços dos maus hábitos. Tens que aprender a não temer, quando fala o Senhor, quando proclama a paz com voz ensurdecedora! Quanto mais assustadora sua voz, mais paz podes estar seguro de obter. Anima-te!



O filho da escrava é a carne e suas obras. “A carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus” (1 Cor. 15:50). Mas Deus diz: “Lança fora a escrava e seu filho”. Se desejas que sua vontade seja cumprida em você, tal como se cumpre no céu, Ele fará o necessário para remover a carne e seus obras. Tua vida “será libertada da escravidão da corrupção, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus” (Rom. 8:21). Essa afirmação, que tanto te atemorizou, não é mais que a voz que ordena ao mau espírito que saia de ti, para não voltar nunca mais. Te declara vitória sobre todo pecado. Recebe a Cristo pela fé, e obtenha o poder de ser feito filho de Deus, herdeiro do Reino imortal, que permanece para sempre com seus habitantes.

 

"Mantenha-os, pois, firmes”



Onde temos que nos guardar? Na liberdade de Cristo, cujo deleite estava na lei do Senhor, pois a tinha em seu coração (Sal. 40:8). “Mediante Cristo Jesus, a lei do Espírito que dá vida, me libertou da lei do pecado e da morte” (Rom. 8:2). Guardemos ela somente pela fé.

Nessa liberdade não há nenhum vestígio de escravidão. É uma liberdade perfeita. É liberdade da alma, liberdade de pensamento, tanto quanto liberdade de ação. Não consiste simplesmente em nos capacitar a obedecer a lei, mas nos proporciona também a mente que acha deleite em cumprí-la. Não se trata de se observamos a lei, porque não encontramos outro modo para escapar ao castigo: isso seria a mais amarga das escravidões. É de fato a escravidão dela que nos livra do pacto de Deus.

A promessa de Deus, aceita pela fé, gera em nós a mente do Espírito, de forma que achamos o maior prazer na obediência a todos os preceitos da Palavra de Deus. A alma experimenta essa liberdade que possuem os pássaros em seu vôo sobre o cume das montanhas. É a gloriosa liberdade dos filhos de Deus, que têm a plenitude da largura, profundidade e altura do vasto universo de Deus. É a liberdade dos que não precisam ser vigiados, mas sim dos que são dignos de confiança em toda a situação, pois cada passo que dão não é mais que a ação da santa lei de Deus. Por que te conformas com a escravidão, quando é tua esta liberdade que não conhece limites? As portas da prisão estão abertas de par em par. Caminha na liberdade de Deus.
Do mundo escuro já saí:
de Cristo sou eu e Ele é meu;
seu caminho com prazer segui,
quero ser-lhe sempre fiel.


Sou feliz! Sou feliz!
e em sua graça desfrutarei.
Em liberdade e luz me encontrei
quando triunfou em mim a fé,
e a abundância carmesim,
saúde de minha alma enferma foi.

(T. M. Westrup, #330)




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