A traduçÃo audiovisual como ferramenta de apoio à aquisiçÃo de uma língua estrangeira


Vantagens e desvantagens da Legendagem



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4.4. Vantagens e desvantagens da Legendagem
O primeiro filme a ser passado na televisão com legendas – Der Student Von Prag, de Arthur Robinson – foi exibido pela BBC no dia 14 de Agosto de 1938.

(Neves, Powerpoint de aulas, 2008)


Há já algum tempo que existe uma preocupação crescente, entre os profissionais da tradução no que diz respeito aos níveis de qualidade, relativamente baixos, que se verificam em alguns programas legendados. Segundo Diaz Cintas (in Gerzymisch-Arbogast 2005:4):
Although it is clear that subjectivity can play a big role in identifying what is wrong or of low quality in subtitling, it is in my opinion undeniable that quality standards in subtitling have seen a sharp decline in recent years.

As razões apontadas para este panorama são variadas. De referir, a grande procura de programas legendados que promove o aparecimento de empresas que trabalham o audiovisual, em especial a legendagem. Estas empresas poderão não ter, no entanto, as ferramentas e conhecimentos necessários para lidar com este tipo de tradução. Outras razões deste declínio são as más condições de trabalho, com salários cada vez mais baixos para os tradutores, trabalho freelance cada vez mais precário, pouco ou nenhum treino para os recém-formados tradutores, pouco tempo de pesquisa e prazos impossíveis de entrega de trabalhos.

Estes factores não ajudam os tradutores a contribuir para a formação de uma ética de trabalho positiva. É de realçar que o trabalho de legendagem é um trabalho de equipa, pelo que a baixa qualidade de uma tradução não pode recair apenas na pessoa do tradutor. Alguns dos maiores problemas ocorrem a um nível técnico: localização inadequada do diálogo original, escolha infeliz do tipo de letra, fraca legibilidade, apresentação fraca do ecrã, entre outros.

O facto de as legendas contaminarem a fotografia e distraírem a atenção do espectador da imagem é apontado como uma desvantagem pois, segundo autores como Myers (1973:58, cit. Diaz Cintas, 2003:62) “one can only come to the conclusion that subtitling is adequate only for those who have mastered speed-reading or those who are only interested in looking at pretty shots”. Apesar de concordar com esta afirmação, Diaz Cintas (ibid.:62) sublinha que quanto mais familiarizado estiver o espectador com a modalidade da legendagem “más cómodo se sentirá y más disfrutará de la misma.” Este autor salienta o facto de não ser possível utilizar este tipo de modalidade com públicos muito jovens, ou seja, com crianças muito pequenas que ainda não sabem ler e não conseguem seguir as legendas; daí que para este público infantil a dobragem seja a mais adequada (Diaz Cintas, 2003).

Uma das desvantagens apontadas à legendagem é a perda de informação, devido à natureza deste tipo de tradução. Hatim e Mason (2000:430-445) referem quatro tipos de contingências, nomeadamente, certos aspectos do discurso (dialecto, entoação, entre outros) que se perdem no texto escrito; restrição quanto ao espaço disponível (normalmente 33 espaços por linha, 2 linhas no ecrã) e quanto ao ritmo do diálogo da banda sonora, as legendas permanecem no ecrã por um período de 6 a 7 segundos; redução do texto fonte, pois o significado tem de ser transferido de forma mais resumida, resultando numa versão mais concisa da língua de chegada; por último, fazer corresponder a legenda com o que é efectivamente visionado no ecrã.

Aquilo que se poderá perder ou omitir nas legendas será compensado através da parte visual e acústica do original, isto é, o texto multi-semiótico. Van de Poel e d’Ydewalle (1997:260), ainda acerca da legendagem referem que “it is particularly informative because it supplies the viewer with the following three different channels of information: the pictoral information, the original sound track and the translation of the text in the subtitles”.

Diaz Cintas (2003:52) aponta para certos aspectos a ter em conta em relação à adopção da legendagem ou da dobragem, dizendo que:
la coexistencia de ambas modalidades aun en países y sociedades donde se creia que las costumbres estaban ya tan enraizadas que cualquier tipo de cambio era poco probable. Países tradicionalmente dobladores, como Alemania, España y Francia, donde el doblaje ha sido la modalidade reina, empiezan a subtitular mucho más, tanto para las salas de cine como para programas en DVD.

Ainda de acordo com este autor (ibid.:54), a modalidade que mais se tem desenvolvido nos últimos anos é a legendagem pois as vantagens que apresenta são muitas, podendo destacar-se duas mais importantes, sendo que “es el método más rápido y el más económico de implementar. Además, se puede emplear en la traducción de todos los productos audiovisuales: películas, noticias, entrevistas, series, etc.”.

Diaz Cintas (ibid.:64) acrescenta que outra das grandes vantagens da legendagem é o facto de poderem ser implementadas em qualquer tipo de programa audiovisual, sendo que a dobragem está restringida a filmes e séries. Também, numa perspectiva social, a legendagem permite uma maior acessibilidade a programas audiovisuais para as pessoas surdas e/ou com défice auditivo. Com a legendagem “la audiência recibe el producto original en su integridad, junto com el nuevo material discursivo que acompaña a los diálogos originales”.

O valor didáctico da legendagem não se resume à aprendizagem de uma língua estrangeira; num outro nível social, as legendas não ajudam apenas a compreender os diálogos de uma língua que se desconhece, umas vezes mais outras vezes menos, mas ajudam também a aperfeiçoar o conhecimento da língua materna do espectador.

As iniciativas financiadas pela União Europeia, como os Programas de Intercâmbio Erasmus, Língua e Sócrates funcionam como ferramentas didácticas de valor incalculável.

Não existem legendas perfeitas. Segundo Neves (2008, Powerpoint de aulas), estas devem ser vistas como ferramentas de ligação entre culturas. As legendas, nas palavras desta académica


reconhecem a sua intromissão e submetem-se ao texto audiovisual, cumprem as normas técnicas que se lhe impõem de forma a garantir uma óptima legibilidade, valorizam-se como parte integrante de um todo e fazem-se assinar por técnicos competentes e sensíveis. Acima de tudo, as legendas assumem-se como interpretação escrita, pois o seu objectivo é comunicar.
Segundo autores como Gambier (1994), parece existir uma correlação entre tolerância para com outras culturas e aceitação da legendagem, o que leva este autor (ibid.:282-283, cit. Diaz Cintas, 2003:65) a afirmar que esta “co-presence of two codes and two languages will hopefully make us more tolerant towards multilingualism, if not multiculturalism”.


4.5. A Legendagem como impulsionadora de uma aprendizagem incidental
Perspectivando o futuro, o presente mostra que é necessário adaptar o método de ensino/aprendizagem das línguas num espaço cada vez mais globalizante, numa sociedade caracteristicamente mais heterogénea e globalizada, devido à ampliação do seu espaço geográfico e cultural.

Krashen (1996:55-57) defende que a aquisição de uma língua depende da exposição que o aprendente tem a essa língua em termos de contexto autêntico, de forma comunicativa; isto acontece através da televisão ou do cinema. Este autor também afirma que este comprehensible input não é suficiente e sugere que é necessário que exista um filtro afectivo, ou seja, o receptor não se sente “obrigado” a perceber, fá-lo quase automaticamente, ocorrendo a recepção autêntica do original em Língua Estrangeira, por meio das legendas em programas estrangeiros. Desta forma, o receptor imerge na própria língua e cultura que está a receber. Ocorre, então, o fenómeno denominado aprendizagem incidental por Krashen e Terrell (1983) em que a aprendizagem da LE está intimamente relacionada com a disposição mental para aprender, sem que este objectivo esteja propriamente predefinido no receptor.

Chomsky (1965:58) referiu que as crianças já nascem com um LAD – Language Acquisition Device – um mecanismo cerebral que lhes permite apreender, de forma correcta e rápida, a estrutura e as regras gramaticais da sua própria língua materna. Nesse caso, não existe aprendizagem, o que ocorre é uma espécie de “apreensão”.

Pesquisas posteriores mostram que as crianças nascem com um “Multilingual Acquisition Device”, que lhes permite “apreender” outras línguas se expostas a elas (Crystal, 2002:8). Já Kecskes e Papp (2000:38) referem que o mecanismo que torna as crianças pluricompetentes no que respeita à aquisição e aprendizagem de novas línguas é o CUCB – Common Underlying Conceptual Base.

Daniel Modard (2000: Abstract) apresenta razões que justificam o ensino precoce de línguas, nomeadamente, uma exposição mais longa aos conteúdos linguísticos, à plasticidade dos órgãos fonatórios, à ausência de inibição e de fenómenos de bloqueio. Este autor defende que a aprendizagem, na primeira infância, é facilitada devido a uma melhor percepção dos fonemas antes dos 6/7 anos, devido ao crescimento cerebral que ocorre até aos 6 anos e ao declínio dos processos de imitação que acontece a partir dos 8 anos.

Será pertinente mencionar ainda a teoria dos Estilos de Aprendizagem desenvolvido por Kolb (1984:141), particularmente no que ele refere como sendo o primeiro estádio, o da aquisição – desde o nascimento até à adolescência – onde ocorrem e se desenvolvem as capacidades básicas e as estruturas cognitivas.

A imersão das crianças e dos jovens numa segunda ou terceira língua, de forma natural, através, por exemplo, da exposição à legendagem ou a materiais áudio como as canções, leva a uma aprendizagem intuitiva da língua, fazendo com que os jovens se tornem, simultaneamente, mais capazes no desempenho da sua língua materna através do exercício da comparação e contraste com outras línguas.

A exposição de crianças a material audiovisual autêntico representa a exposição a uma cultura e valores distintos dos seus. Esta exposição cultural é a base de novos valores culturais e mesmo linguísticos. Para além deste contacto com a outra língua-cultura, a legendagem permite desenvolver uma consciência linguística nas crianças e jovens quando expostas diariamente a este tipo de tradução nos meios audiovisuais. A revolução tecnológica, com o advento da Internet e da era digital (DVD) são aliados nesta causa, no surgimento de uma noção alargada de diversidade linguística.

O campo da tradução audiovisual/legendagem como meio de aprendizagem de uma língua está praticamente por explorar em Portugal. Temos valiosos aportes como o estudo de Veiga (2002) no que diz respeito à prática da leitura através da legendagem, de Neves (2005) no estudo da legendagem para surdos e receptores com défice auditivo e Bravo (2008) numa abordagem sobre o uso da tradução audiovisual em contexto de educação formal.

Gambier (2003:184) reflecte sobre a importância da legendagem como instrumento de aprendizagem realçando a situação europeia. Diz:


in terms of language learning and reading skills, the relevance of subtitling is barely recognized and has hardly been researched even though some Television Channels – BBC1, BBC2, World (UK), TV4, TV5 and F3 (France), STV4 (Sweden) – have emphasized the role of intralingual subtitles in enhancing reading skills and language development: some communities have to watch and “read” television because more than 80% of their prime time programs are subtitled (in Finland, for example).

Actualmente, na Finlândia, os dois canais públicos de televisão emitem mais de 2 milhões de legendas por ano. A quantidade de texto representa, mais ou menos, 120 romances de 300 páginas cada. Segundo este autor (ibidem), o Barómetro Europeu levou a cabo uma pesquisa de mercado entre Novembro e Dezembro de 2005; a pesquisa mostra que o uso de legendas pode encorajar e facilitar a aprendizagem de línguas. No entanto, apenas 10% dos cidadãos europeus afirmaram terem recorrido ao visionamento de filmes na versão original como meio de aprendizagem de línguas. A maioria dos Europeus, cerca de 56%, prefere ver filmes e programas estrangeiros dobrados do que ouvir a língua original na banda sonora e ler as legendas.

Em 2006, Gambier volta a reforçar: “these figures are not given here to restart the long-running debate subtitling vs dubbing, but to emphasize the need for more evidence on the use and usefulness of the different modalities of AVT” (in Gerzymisch-Arbogast, 2006:95).

Gambier (ibid.:96) afirma que a visualização programas e filmes com legendas interlinguísticas e intralinguísticas ajuda não só a manter e a reforçar a capacidade de leitura do espectador, mas também a aprender línguas estrangeiras, através da assimilação de sons, expressões ou pronúncia. Refere:


I am sure certain TV broadcasters and film distributors would pay more attention to subtitling and the working conditions of the subtitlers. The same applies if we could prove the possible role of subtitles in language acquisition by the deaf and hard of hearing.
As legendas fechadas ou teletexto, segundo Vanderplank (1988, 1990, 1993a, 1993b, 1997) e Neuman e Koskinen (1992), são um contributo valioso na aprendizagem de línguas devido ao texto escrito que é semelhante ao discurso oral que é produzido. Tal noção é reforçada por Neves (2005) ao referir repetidamente que as legendas ditas “para surdos” são particularmente úteis para quem está a aprender uma língua, leia-se, crianças e imigrantes, entre outros.

Os primeiros estudos levados a cabo nesta área, para estabelecer uma relação entre as legendas de televisão e a aprendizagem de uma LE foram relatados por Price, da Universidade de Harvard em 1983. O seu estudo estabeleceu uma correlação positiva entre a visualização das legendas e uma crescente compreensão linguística da informação legendada e percepcionada. Esta autora (ibid.:1-8) chegou à conclusão que os estudantes expostos às legendas conseguiam “acquire more of the cultural script” do que os falantes nativos de Língua Inglesa. Os investigadores Lambert e Holobow (1984:1-11) demonstraram o que pode acontecer quando um grupo de crianças, entre os 10 e 11 anos, são sujeitos a um programa de imersão de aprendizagem da língua francesa, ensinado exclusivamente em francês; as crianças tornam-se bilingues pois adquirem a língua francesa quase tão naturalmente quanto a sua Língua Materna, ao serem expostas diariamente ao áudio na LE e às legendas na LM.

Garza (1991) estudou a influência das legendas como um material didáctico-pedagógico e chegou à conclusão que as legendas “bridge the gap between the learner’s competence in reading and listening” (ibid.:239).

Vários estudos demonstraram ainda os efeitos da legendagem na capacidade de retenção de vocabulário em contexto adequado bem como a competência comunicativa em tarefas específicas orais e escritas (cf. Vanderplank, 1988:276; Garza, 1991:245; Neuman & Koskinen, 1992:102; Baltova, 1999:38).

A maior crítica ao uso pedagógico de legendas, advém, no entanto, da percepção que prejudicam as capacidades de recepção; contudo, e em aparente contradição, as legendas podem contribuir para melhorar as capacidades de recepção e compreensão. Uma ideia pode tornar-se compreendida apenas através das imagens ou através de organizações orais e escritas, mas “as legendas provaram ser mais eficazes para a compreensão de pormenores do enredo” (Chiquito, 1995:219). Em termos de compreensão, as legendas podem ajudar estudantes de diferentes níveis de competência linguística.

Garza (1991:241-242), levou a cabo uma experiência para comparar a capacidade de compreensão entre 70 alunos de nível avançado e intermédio de estudantes de inglês; estes alunos visualizaram 5 vídeos de 2 a 4 minutos de duração, em inglês, com e sem legendas. Os alunos foram testados através de questionários de escolha múltipla, baseados no conteúdo do segmento visualizado, sendo-lhes pedido que identificassem paráfrases e sinónimos na língua de chegada relativos a vocábulos que tinham sido explicitados visualmente no vídeo apresentado. Os resultados revelaram uma melhoria significativa no desempenho dos alunos quando estes tinham acesso às legendas. Podemos concluir que “as legendas podem facilitar a compreensão do input áudio porque preenchem as lacunas existentes entre as capacidades de compreensão de leitura, que estão normalmente mais desenvolvidas, e as capacidades de audição” (ibid.:246). Nunan (1991, 1998:24-25) partilha de uma convicção afim ao afirmar que ao compreenderem a linguagem aural, os receptores integram o que conseguem ouvir com aquilo que sabem do mundo, “através de um trabalho construtivo e interpretativo”.

Vanderplank (1988:272-281) também defende a importância das legendas e o seu valor para o entendimento dos sotaques menos conhecidos. As legendas funcionam como uma fonte de linguagem rica e variada pois são um recurso valioso para aprender, equilibrando o elemento visual e verbal na televisão ou cinema.

Linebarger (2001:288-298) investigou o uso de legendas num grupo de 76 crianças que tinham terminado o correspondente ao 2º ano de escolaridade português, descobriu que estes pequenos aprendentes estavam preparados para reconhecer mais palavras quando viam televisão com legendas. O esforço que faziam para ler parecia ajudar as crianças a concentrarem-se nos elementos mais importantes da história e não em imagens que distraíssem.

D’Ydewalle e Van de Poel (1999:260), por sua vez, fizeram pesquisas acerca do visionamento de programas legendados, com a intenção de descobrir se aumentaria a compreensão e conhecimento do receptor nessa segunda língua. Acreditavam que a informação pictórica também ajuda na compreensão das duas línguas apresentadas. Consideraram haver
superior acquisition of a second language when the input and process of learning are implicit and also that the incidental learning through the use of pictures has been shown to be very effective, and under these conditions retention is extremely high.

No seu estudo, estes autores incluíram crianças do 1º ao 4º ano de escolaridade com idades compreendidas entre os 8 e os 12, falantes nativos de neerlandês, mas com algum conhecimento de francês na escola. Era mostrado às crianças um filme de 10 minutos em duas versões - neerlandesa e francesa - tanto na banda sonora como nas legendas.

Num estudo conduzido por d’Ydewalle e Van Hensbergen (1989), pesquisou-se sobre os hábitos de leitura de legendas de crianças entre os 6 e os 10 anos. Embora o grau de atenção e concentração não diferisse muito do dos adultos, chegou-se à conclusão que as crianças mais jovens, as de 6 anos, recorriam à legendagem dependendo do filme ou do programa apresentado. Por exemplo, quando visionaram a série Garfield, fizeram-no recorrendo às legendas, mas quando assistiram ao Popeye, não leram as legendas, focalizaram a sua atenção na acção. Isto sugere que a leitura de legendas não é completamente obrigatória em crianças tão jovens, muito embora sejam capazes de as ler.

Num estudo de natureza diferente, Verfaillie e d’Ydewalle (1987) pesquisaram indivíduos que eram surdos desde a nascença; foram apresentadas três formas diferentes de informação: legendas, linguagem gestual e informação de leitura de lábios. Os resultados mostram a grande preferência pelas legendas.

Pavakanun e d’Ydewalle (1992, 1995, 1997) investigaram a aprendizagem incidental de uma LE no contexto do visionamento de programas de televisão legendados. Nas experiências que efectuaram, manipulou-se a língua na banda sonora e nas legendas; ou colocavam a LE ou a LM na Banda Sonora ou então a LE e a LM nas legendas ou não colocavam legendas. A prática standard refere-se à presença da LE na banda sonora e as legendas na LM. Quando a LM está na banda sonora e as legendas na LE estamos perante reversed subtitled (ibidem). Participantes adultos visionaram desenhos animados com a duração de cerca de 15 minutos; de imediato foi testada a aquisição de LE. Os resultados demonstram que ocorre aquisição incidental de LE simplesmente através do visionamento de um filme legendado de 15 minutos; por seu lado, a reversed subtitled demonstrou uma maior aquisição de LE do que a legendagem standard. No entanto, a performance nos testes de sintaxe ou de gramática continuaram relativamente fracos; a aquisição estava limitada ao vocabulário.

No que diz respeito à aquisição de uma primeira língua aplica-se a noção de “período crítico” (Hagège, 1996), sendo que as crianças que não tenham começado a aquisição de uma língua até aos 12 anos nunca serão bem sucedidas em alcançar uma competência normal da língua, mesmo apoiados com treino intensivo. No que concerne a aquisição de uma 2ª ou 3ª língua, utiliza-se o conceito de período sensível, que implica que após esse período, a aquisição de uma LE ainda possa ocorrer, até certo ponto, embora não da mesma forma e/ou com as mesmas vantagens do que se ocorrer antes dos 12 anos.

Embora alguns autores, como Ervin-Tripp (1981:327), sejam a favor da aquisição de uma LE na fase adulta devido à sua maior capacidade de planeamento, coordenação e controlo da sua própria aprendizagem, através de um ambiente explícito de aluno/professor, é unânime a noção de que as crianças são mais sensíveis à aquisição de uma LE, num contexto natural de aprendizagem implícita. “It is a common observation that elementary school children learn languages fast from their friends. While their parents struggle with phrase books, they are out on the playground rapidly coming to sound like natives”.

Koolstra e Beentjes (1999) demonstraram que o recurso a programas legendados para ajudar os alunos de 4º e 6º ano a aprenderem palavras inglesas nas escolas primárias holandesas pode funcionar como uma forma incidental de aquisição de vocabulário numa LE. Estes investigadores descobriram que a leitura de legendas em programas de TV por alunos da Escola Primária potencia o seu desenvolvimento e capacidades, nomeadamente o significado de certas palavras no seu contexto, pronúncia e correcção na construção de frases completas, pois o objectivo da legendagem não é ensinar palavras mas antes fazer com que o espectador consiga compreender o significado do que está a ser dito ou escrito, é aprender em contexto. “[…] when used correctly, subtitled television programs, through their unique combination of multisensory presentation of information may add to the variety and effectiveness of educational activities when learning a foreign language” (ibid.:59-60). A informação filtrada, juntamente com o esquema mental do receptor leva a que essa informação seja reestruturada, o que leva, por sua vez, à compreensão.

Em contexto nacional, partindo de um estudo em que a banda sonora é em inglês e as legendas em português, Veiga (2002) testou as preferências dos alunos e descobriu que 43% dos estudantes preferiam filmes legendados e apenas 12,8% preferiam dobrados; 36,5% preferem desenhos animados legendados enquanto 2,5% prefere dobrado; 28,6% prefere programas de desporto legendado e 26,6% preferia dobrado. Parece que a banda sonora do original de LE não retira o prazer de ver filmes e desenhos animados, sendo que a legendagem na L1 (língua de partida) não representa uma interferência nem é vista como factor negativo; esta motivação pode levar à incidental learning acquisition of FL (ibid.:161-168).

Académicos como Heiss (2000) vêm a tradução multimédia como instrumento didáctico de grande importância no ensino de LE e culturas, pois os diálogos dos filmes são autênticos, similares a uma situação comunicativa real. Este procedimento já está a ser adaptado em Forli, na Itália, com o 3º e 4º ano. Também neste âmbito de aprendizagem de línguas, estrangeira ou materna, Neves (2005:56) refere que no processo de aprender a legendar, os alunos que frequentaram o curso de legendagem tornaram-se mais aptos na Língua de Partida (inglês) e na sua Língua Materna (português), sendo que o treino da legendagem aumentou a consciência dos estudantes em relação à língua, através da análise de textos audiovisuais, guiões e tradução e edição de legendas.

A questão da aquisição de uma LE ou até mesmo da consciencialização da sua LM, por parte do público infanto-juvenil através do visionamento de programas de televisão legendados é uma questão pertinente. Os estudos aqui descritos sustentam o valor da modalidade da tradução audiovisual/legendagem como ferramenta didáctica de importância relevante no campo da aprendizagem de línguas. As metodologias descritas anteriormente apontam para o desenvolvimento efectivo da inteligibilidade linguística dos aprendentes quer na LE quer na LM.




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