A origem do ato sexual nos vertebrados



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Encontro14.08.2018
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A origem do ato sexual nos vertebrados
Para os biólogos sexo é o processo que resulta em um ser vivo contendo genes provenientes de cada um de seus pais. Mas para a maioria das pessoas a palavra sexo está relacionada ao mecanismo comportamental que resulta na deposição dos espermatozóides no interior da fêmea permitindo que o óvulo seja fecundado. Nossa fascinação pelo sexo está mais relacionada ao prazer envolvido do que à criação de um ovo que contém genes de ambos os pais. A análise de fósseis Australianos permitiu aos cientistas mapear quando o ato de copular (sexo no sentido corriqueiro da palavra) surgiu na face da terra.
Apesar de todos os vertebrados (peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos), praticarem a reprodução sexuada, grande parte destes nossos parentes distantes não praticam sexo no sentido corriqueiro. Muitos peixes liberam seus ovos diretamente na água e os machos espalham os espermatozóides nas proximidades. A fertilização ocorre ao sabor das ondas. No caso das galinhas a fecundação é interna com o galo depositando os espermatozóides no interior da cloaca. Após a fertilização os ovos são postos e os pintos se desenvolvem fora da mãe. Nos vertebrados existe uma enorme diversidade de soluções para o problema da fertilização e posterior desenvolvimento dos filhotes. Tartarugas abandonam os ovos na praia, pássaros chocam no ninho, alguns peixes chegam a colocar os ovos fertilizados na boca dos machos que, para poder cuidar dos futuros filhotes, abre mão de se alimentarem até a eclosão dos ovos.
Entre os mamíferos sobreviveu uma única versão destes comportamentos. A fertilização é sempre interna e o desenvolvimento dos filhotes ocorre no interior da mãe. No parto o filhote emerge formado do abdômen da mãe. A questão é saber quando, ao longo da evolução dos vertebrados, a solução utilizada pelos mamíferos surgiu pela primeira vez.
Quem já teve um aquário sabe que existem peixes nos quais a fertilização é interna e os ovos se desenvolvem no interior das fêmeas. São os peixes vivíparos. Eu me lembro da felicidade de observar a barriga de meus pequenos Lebistes crescerem e de ver os filhotes emergir das mães.
Este ano um grupo de paleontólogos Australianos e Ingleses, reexaminou fosseis de peixes que viveram 380 milhões de anos atrás (os primeiros mamíferos surgiram faz 120 milhões de anos e o Homo sapiens faz menos de 1 milhão de anos) e descobriu no seu interior pequenos filhotes totalmente formados. Inicialmente pensaram que os pequenos peixes estivessem no estômago e tivessem sido ingeridos como alimento. Mas como estes peixes fazem parte dos placodermas, peixes que possuíam placas ósseas recobrindo seu exterior como se fosse uma forte armadura, foi possível identificar as mesmas placas nos filhotes o que sugeria que eles eram da mesma espécie. Além disso, o exame microscópico dos filhotes concluiu que as placas não haviam sido atacadas pelo ácido presente no estomago do animal. Tudo isso sugeria que os pequenos peixinhos eram filhotes que se desenvolviam no interior da mãe. Mas o resultado mais importante foi que os cientistas descobriram nestes peixes os rudimentos de pênis, uma barbatana modificada para permitir a cópula.
Com base nestas descobertas os cientistas acreditam que o ato sexual e o desenvolvimento interno dos filhotes surgiram nos vertebrados faz mais de 380 milhões de anos.
Mais informações em: Devonian arthrodire embryos and the origin of internal fertilization in vertebrates. Vanture vol. 457 pag. 1224 2009
Fernando Reinach (fernando@reinach.com)


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