A guisa de prefácio



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KLONIX – CAPÍTULO 31

Juliano e Vilma acordaram cedo no hotel. As mudanças de fusos horários ainda tinham uma leve influência. Mas nada que os atrapalhasse. Trataram de se vestir e, após o café, planejavam ir até a ONG conversar com o doutor Avelar e fazer um relatório do que haviam conseguido nos Estados Unidos. Além disso, Juliano marcaria a sua viagem à Turquia, onde desenvolveria a pesquisa sobre os curdameus.

Desceram ao restaurante na sobreloja do hotel e, depois de se servirem, sentaram a uma das mesas. Um homem bem apessoado estava se servindo no Buffet e veio em direção ao casal.

Quando chegou à mesa, foi polido: - doutor Juliano e doutora Vilma. Teria eu o prazer da companhia dos senhores?

Juliano assentiu com um aceno. O homem puxou a cadeira, sentou-se e se apresentou: - meu nome é Eduardo. Sou um delegado aposentado da polícia federal. O delegado Padilha comentou comigo a respeito dos senhores.

Juliano ficou atento: - sim. Muito prazer. Do que se trata?

Eduardo sorriu: - Padilha me disse que vocês, desculpem. Os senhores estariam pesquisando sobre o caso dos passageiros que desapareceram. E eu também andei observando os vários aspectos do acontecimento. E gostaria de conversar a respeito com os senhores.

Vilma, pegando o celular de Juliano, desculpou-se com uma ida ao toalete.

Juliano, observando o que Vilma fizera, perguntou: - ah, sim, doutor Eduardo. E no que podemos ser úteis?

O desconhecido continuou: - veja doutor Juliano. Há um mistério nisto tudo. Eu cheguei a ler o que a polícia conseguiu, mas vi que ela está totalmente desorientada. Sabe. Depois de trinta anos como policial, nem a aposentadoria nos tira os calos profissionais e eu achei que poderia encontrar algo que, se ao menos não desvendasse o ocorrido, ao menos desse alguma pista a ser seguida. Quando Padilha me disse que os senhores estavam empenhados nesta busca, achei que seria interessante este contato. E, ontem à noite, ele me mencionou que vocês estariam neste hotel.

Juliano não se moveu: - é verdade que nós nos interessamos pelo assunto. Mas apenas por curiosidade. Nosso trabalho não é este. Somos totalmente ligados ao assunto história da humanidade. E não propriamente detetives. Claro que encontramos muito de inusitado neste desaparecimento, mas quem somos nós para nos imiscuir nos assuntos que dizem respeito ao inquérito policial? Eu creio, doutor Eduardo, que nada que o senhor não saiba, nós poderíamos saber. Nossa ajuda não será propriamente útil.

O desconhecido insistiu: - que pena! Mas, diga-me: o senhor acreditaria em um sequestro por... Bem... Seres de fora da terra?

Juliano continuou impassível: - não. Particularmente eu não acredito nestas histórias estapafúrdias de ETs, discos voadores, contatos e tudo o mais que se refira ao assunto.

Juliano levantou os olhos e viu Vilma com o dedo indicador atravessado entre os lábios e o celular. E continuou: - como interessado em história, o importante para mim são fatos, datas, informação e pesquisa. E, saiba, já temos o bastante para nos preocupar. Quanto ao fato de nos interessarmos pelo assunto do desaparecimento daquelas pessoas, nada mais foi que uma brincadeira entre Vilma e eu. Assim, não há muito para conversar. Desculpe-me...

Eduardo ainda insistiu: - que pena! Mas o Padilha havia me dito que vocês...

Vilma chegou à mesa e comentou com os dois homens: - desculpem, mas, Juliano, nós já estamos atrasados. E você sabe. O patrão não gosta de atrasos.

Juliano levantou-se e ofereceu a mão em despedida ao delegado Eduardo: - bem, doutor. O dever nos chama. Foi um prazer conhecê-lo, mas como lhe disse, nada temos que pudéssemos transmitir. Nosso campo real de investigação é outro... Um bom dia. E saiu com Vilma em direção ao apartamento.

Lá chegando, Vilma comentou assustada, com Juliano: - eu liguei para o doutor Padilha. E ele me disse que não conhece nenhum Eduardo, exdelegado federal...

Juliano ficou deveras assustado com aquilo e resolveu levar as fotos e a lasca da árvore para a ONG, onde permaneceriam trancadas em um cofre.

KLONIX – CAPÍTULO 32

Miguel quase se queimou com o chá forte e quente. A mulher continuava a olhá-lo como tentando entender o que ele fazia naquela cabana. E o motorista estava completamente perdido.

Não sabia onde estaria. Não conseguia conversar com aquela mulher e quase queimara a boca com aquele chá fervente. Sentia frio embora agasalhado e com o fogo crepitando no fogão e na lareira do quarto. Estava sem saber qual a ação que deveria tomar. Se saísse dali com certeza morreria naquele campo gelado e branco. Se ficasse naquela casa seria capaz de enlouquecer. Sentia saudade de sua vida, de sua família, de seu trabalho e do calor do sol. Não conseguia entender o que se sucedera. E não tinha uma só forma, pelo menos, de saber onde estava. Seu pensamento fervilhava: “se esta mulher veio até aqui, ela deveria estar em algum outro lugar. Qual? Outra casa? Uma vila? Uma cidade próxima? É. É verdade. Esta bruxa velha deve ter vindo de algum lugar. Mas como eu vou perguntar para ela de onde ela veio? Meu Deus! Eu estou perdido! Tô ferrado e bem ferrado”!

A mulher sorria com sua boca desdentada. Olhava para Miguel e ria. Também não entendia o que aquele homem falava. Ela levantou-se e, ainda sorrindo, vestiu o casacão e pôs um chapéu na cabeça. Foi até a porta e a abrindo, saiu da casa. Miguel, a despeito do frio, a seguiu. E a viu entrar em por uma trilha no campo nevado. Continuou a segui-la, muito embora o frio mortal quase o fizesse desistir.

Andaram cerca de oitocentos metros e, logo após um pequeno monte, a viu se dirigindo para uma casa totalmente de pedra. Foi adiante e quando a mulher alcançou a porta da casa, entrou com ela no lugar.

A casa era maior e mais aquecida que a outra. Suas paredes internas eram forradas de madeira e estava bem tratada. Logo após a entrada, encontrou uma mulher loura, com cerca de trinta anos. Alta e de rosto bonito, tinha um casal de crianças à sua volta. Quando viu Miguel entrar, levantou-se e se dirigiu a ele.

Quando estava bem próxima, falou com ele em um português arrevesado: - alô. Meu nome é Tati. De qualquer forma, bem vindo à Sibéria...

KLONIX – CAPÍTULO 33

Vilma e Juliano chegaram à ONG e foram direto ao escritório do doutor Avelar. Entraram sem bater e se dirigiram ao presidente.

Ambos demonstravam suas apreensões. E foi Vilma quem primeiro falou: - doutor Avelar. Antes de tudo, bom dia. Viemos direto para cá, pois aconteceram uns fatos conosco desde a nossa chegada que... Que... Bem. Eu estou apreensiva.

E Juliano interveio, contando ao presidente da ONG o que haviam apurado nos Estados Unidos e tudo o que haviam presenciado no apartamento dele e, depois, com a inusitada entrevista com o tal delegado aposentado. Que de delegado não tinha nada.

Vilma arrematou: - eu liguei para o delegado Padilha e ele me disse que nunca conheceu nenhum delegado federal com o nome de Eduardo.

O doutor Avelar ouviu a tudo sem interrompê-los. Depois falou: - tudo isto é muito estranho. Eu já li muito a respeito de vidas fora da terra e coisas semelhantes. Também já conheci fatos na história que claramente nos levam a crer que, ao longo de seu caminho, a humanidade se deparou com o insólito. Como diz aquele escritor suíço: que os deuses nada mais eram que astronautas. Eu acho que ele tem razão. Mas, acreditar que em nossos dias estes “astronautas” estão presentes ainda em nossas vidas... Bom. Eu não estou duvidando de vocês, mas que é incrível, ah, isto é ... E o que vocês estão pretendendo fazer agora?

Juliano recuperou um pouco a calma: - antes de tudo, deixar com o senhor as fotos e a lasca da árvore com o símbolo. Depois, esquecer este caso e recomeçar. Eu tenho uma viagem agendada para a Turquia. Tão logo ponha meu escritório em ordem, pretendo partir.

O presidente sorriu: - e, já sei! Gostaria de levar a Vilma, não?

Juliano conseguiu sorrir: - bom... Devo confessar que ela é uma excelente assessora...

O presidente concordou: - para mim, está tudo bem. Eu vou falar com nossos patronos na Fundação. Mas unicamente como satisfação. Com certeza nem irão falar a respeito. Quanto ao seu material, estará bem guardado. Pode estar certo. Posso marcar as passagens para daqui a dez dias?

Vilma e Juliano concordaram. O doutor Avelar solicitou a Vilma que preenchesse um formulário com seus dados e convidou-os a almoçar em sua casa.

Enquanto Vilma preenchia o formulário, os doutores Avelar e Juliano conversaram muito a respeito do que o pesquisador apurara nos Estados Unidos. De repente o presidente lembrou-se: - na Universidade de Ancara há uma área que exclusiva à civilização hitita. Lá eu conheci um pesquisador... Deixe ver... Ah! É o professor... Professor Nathaniarus. Andres Nathaniarus. Eu creio que ele seja uma das maiores autoridades em civilização hitita no mundo. Tente um contato com ele. Ele poderá te informar a respeito de tudo em relação aos hititas. Será um contato interessante... Embora tenha a fama de excêntrico. Eu farei um contato com ele, avisando sobre a ida de vocês...

Juliano anotou o nome em uma caderneta de bolso e prosseguiu: - o doutor Ezechiel me passou uma imagem muito simpática. Mas não deixou de mencionar a respeito de suas teorias. Sobre a qual eu tenho certas restrições. Mas de tudo o que me entregou uma gravura sumeriana mostrando Enlil e Enki foi fundamental. Nesta gravura, veja: há um símbolo bem aproximado ao que eu encontrei. Depois estive com o professor Athanasius Deodorakis, na Universidade de New York. Um bom conhecedor dos hititas. Também ele me deu esta cópia: aqui vemos o mesmo sinal. Pode até ser coincidência, mas são muito semelhantes. Isto me deixou um tanto embasbacado...

O doutor Avelar não se surpreendeu: - ora, Juliano, você sabe que na história humana encontramos muito destas semelhanças. Você mesmo sabe que a suástica não é nem nunca foi propriedade de Hitler e seus asseclas. Ela é quase tão antiga quanto a nossa humanidade. E já foi encontrada em diversos lugares do mundo antigo. Na minha concepção, Hitler e sua turma a adotaram. Copiando um modelo antigo. Ora, se aquele austríaco louco a adotou, por que não outros povos mais antigos? Não devemos nunca esquecer que, na realidade, a história nada mais é que uma contínua repetição enfadonha de situações. Claro que cada uma em seu contexto cultural, social e religioso.

Juliano acrescentou: - é verdade. O Papa católico nada mais é que uma versão melhorada de um sumo sacerdote hebreu ou de um vizir do oriente. Ou um aiatolá.

Ambos riram da colocação, enquanto Vilma entregava o formulário preenchido.

Saíram em direção ao carro de Juliano. Depois, seguiram em direção à casa de Avelar, situada em um condomínio fechado nas cercanias da cidade.

KLONIX – CAPÍTULO 34

- Sibéria? Assustou-se Miguel: - Sibéria? Que história é essa?

Tati não se alterou: - sim. Sibéria. Deixe-me explicar. Quando você adormeceu, foi trazido para cá. Não me pergunte como, pois isto também não interessa. Cuidamos de você todos estes dias. Deixamos que você dormisse. Agora você está aqui. Este lugar é como se fosse o fim do mundo e daqui você não consegue sair. Até porque não há condução. Além disto, você está sem documentos e não fala nenhum dos trinta dialetos falados na região. Hoje está um dia que podemos chamar de quente. Estamos com cerca de quinze graus negativos. Mas chega aos trinta e cinco, quarenta. Logo, se acalme. Eu fui encarregada de cuidar de você. Estas crianças são meus filhos. Meu marido morreu há três anos. Mas, para você um caminho se apresenta: um só caminho: ficar aqui.

Miguel estava apavorado: - e se eu não quiser ficar aqui?

Tati sorriu: - ora, você pode ir embora. Mas antes eu vou dizer o que encontrará: cerca de duzentos quilômetros de neve. O frio mortal. Lobos. Muitos lobos e sempre famintos. Então você, esperto que é, vai pensar: ah, sim, basta aguardar o verão e eu caio fora. Pois bem. Eu vou lhe dizer: aqui não tem verão. Nosso verão nos dá durante o dia, dez, doze graus negativos. Nem quem está acostumado com isto costuma se arriscar. Pouca gente se aventura. Assim, se quiser ficar é bem vindo. Se quiser ir embora, bem, adeus! Pode escolher...

Miguel não estava satisfeito: - então me responda: quem me trouxe até aqui?

E Tati com um sorriso, respondeu: - eles. Eles trouxeram você. Pelo espaço. Eles o trouxeram. E levaram tão pouco tempo...

- eles, quem? Perguntou exasperado Miguel.

E Tati, continuando com seu sorriso, falou: - eles. Os homens das estrelas. São nossos amigos. Segundo me disseram, estavam me dando um presente. Você é o meu presente. E eu estou contente por ter ganhado você de presente.

Miguel não entendeu: - como assim? Quer dizer que eu sou posto para dormir, sou trazido para este buraco cheio de neve e gelo como um presente? Mas é muito para a minha cabeça! E ainda por cima, não tenho escolha! Se tentar fugir, morro de frio e os lobos fazem uma festa com a minha carcaça. Ei! Espere um momento! Como você sabe falar a minha língua? Embora com todo este sotaque?

Tati respondeu: - foram eles que me ensinaram. Foi fácil aprender com eles. Mas, e então? O que você acha desta ideia?

Miguel não escondeu o descontentamento: - eu achei uma péssima ideia. Eu quero é voltar para casa. Aqui eu não fico mesmo! Nem que tenha de enfrentar lobos, leões, o que for.

Tati se mostrou triste: - eu pensei que você fosse gostar! Está bem! Pode ir... Vá! Mas vá logo! Vai embora, anda!

Miguel chegou até a porta e a abriu. Olhou para o campo nevado e, fechando a porta, disse: - não! Não tenho coragem de enfrentar este inferno branco. Eu fico aqui, mas até poder sair e ir embora.

Tati voltou a sorrir: - assim é melhor! Bem. A primeira coisa que precisa aprender é o nosso dialeto. E nós, eu e as crianças, vamos ensinar a você. E você vai ver que mesmo em um lugar gelado como este ainda podemos encontrar um pouco de paz. Você vai ver ...

KLONIX – CAPÍTULO 35

Juliano e Vilma embarcaram para Istambul via Roma, dez dias depois do encontro na ONG. Haviam ido ao apartamento de Juliano e arrumado o escritório. Preferiram, por via das dúvidas, ficarem juntos no apartamento dela. Quando retornassem da viagem, resolveriam o que fazer. Os fatos acontecidos haviam criado um elo muito forte entre eles, que tomaram uma decisão: parar de pensar naqueles desaparecimentos. Levaram com eles, na bagagem, algumas fotos do símbolo. Mas a finalidade da ida à Turquia se prendia, em princípio, ao trabalho de Juliano.

Por um problema de conexão, tiveram de permanecer em Roma por dois dias. E aproveitaram para fazer um tour pela cidade. Um dos lugares que combinaram visitar foi o Vaticano. Não que fossem religiosos, mas os aspectos históricos do lugar eram o seu motivo principal. E em particular, o Museu e a biblioteca do Vaticano.

Lá, entre as obras mostradas, algumas tinham curiosidades interessantes, considerando que os artistas que as fizeram haviam colocado alguns pequenos detalhes que eram incompatíveis com o trabalho. Havia uma pintura que, representando a Virgem e o Menino, contra o fundo nublado do céu, notava-se uma silhueta que qualquer leigo a identificaria como a imagem de um disco voador. Conversaram muito com um dos curadores do museu. Um padre italiano que morara no sul do Brasil, no início de seu trabalho. Juliano mencionou a ele uma ou outra curiosidade que observara nos quadros. E o padre, com um português carregado, explicou ou, pelo menos, tentou.

Disse-lhes o curador: - não quisemos mexer na obra original. Mas devemos observar que estes artistas são, na maior parte deles, uns loucos visionários. E, por vezes, cometem estas bobagens. Mas eu, mesmo como religioso, devo confessar que, por vezes, paro frente a um destes quadros e me pergunto a respeito das razões pelas quais aquelas “coisas” eram pintadas. Eu não sei se devo dizer isto. Mas tem momentos em que eu me pergunto se aquilo era apenas uma alegoria ou se o artista queria mandar uma mensagem.

Juliano perguntou: - padre. Eu sou historiador. E há determinados fatos registrados na história que fogem um pouco do lugar comum daquele contexto particular. No Velho Testamento há descrições tão incríveis e tão complexas que, fugindo do que seria a história, demonstram em suas entrelinhas que os cronistas queriam passar uma mensagem. Como os artistas em seus quadros. Estas mensagens são reais ou fazem parte de alguma alegoria introduzida no contexto da história judaica?

O padre pigarreou e respondeu: - eu sei do que você fala. Os mistérios inclusos no Velho Testamento foram ali colocados no sentido de dar uma visão a respeito da glória de Deus. Mas os escribas talvez tenham exagerado um pouco nas suas descrições. Entretanto, mesmo um religioso, ao esbarrar com estas, digamos fantasias, se sente como desafiado a compreender aquelas digressões. E o que é pior: por mais que tente achar um caminho de compreensão, acaba por levar consigo para o túmulo aquela dúvida.

Juliano tentou expor a sua visão: - não só no Velho Testamento, mas ao longo de toda a história humana esbarramos com estes fatos. Com o correr do tempo, estas situações são mergulhadas na mitologia e, por fim, se tornam lendas antigas. Mas há outras destas histórias que ficam marcadas de tal forma que não se mistificam. Ora, de certa forma atestando fatos verdadeiros, nos induzem a pensar que forças não divinas também atuavam entre os humanos. Provavelmente os artistas que pintaram estas obras nos deram um sinal de que haveria algo mais, além da relação homem/Deus.

O padre respondeu: - a igreja oficialmente não aceita estas proposições. Para ela, a relação é direta com Deus. Entretanto, algumas correntes católicas já aceitam a ideia de que há mais que somente a relação homem/Deus. Mas de forma extraoficial. Eu mesmo tenho a ideia de que outros povos de fora da terra tenham agido durante muito tempo entre os humanos terrestres. E que, provavelmente, ainda estariam agindo na terra. Mas isto é uma posição pessoal.

Juliano terminou o pensamento do padre: - que em nada alteraria a fé religiosa e cristã. Seria isto, padre?

O sacerdote confirmou: - sim. É verdade...

Vilma entrou na conversa: - isto significa que em determinados segmentos católicos haveria o consenso de que vidas inteligentes extraterrestres seriam admitidas como verdade?

O religioso pigarreou novamente: - sim. Quer dizer... Embora a igreja como um todo refute esta hipótese, muitos religiosos a consideram como possibilidade bem próxima da realidade humana. Mas qual a razão da pergunta?

Vilma respondeu de imediato: - porque isto nos diz que muito do mostrado na própria Bíblia faz com que até religiosos que demonstrariam a tradicionalidade da fé sejam tomados de dúvidas em relação a determinadas passagens. E isto na Bíblia, que é conhecida como a base fundamental da fé cristã. Mas seria isto também a constatação de que o processo doutrinário do cristianismo deveria ser revisto?

O padre estava atônito: - bem. Se nós formos olhar por este seu prisma, não posso deixar de lhe dar razão. Mas seria um processo extremamente complexo. E que poderia até abalar os alicerces tradicionais da igreja. Mas o que a senhora coloca não se afasta muito da realidade. Que, em algum dia, poderá ser considerada por nossos chefes religiosos.

Juliano voltou ao assunto: - eu creio que uma resolução desta natureza iria, na realidade, reforçar vínculos entre a igreja e a ciência. Entre a religião e a história. Padre, eu teria um sonho. Digno de um estudante de história. Conhecer a Biblioteca do Vaticano. Não a livre ao público, é claro. Mas o que existiria e não é revelada, mas que, em seu segredo, guarda com certeza uma série de escritos que poderiam esclarecer muito do ponto de vista histórico e filosófico.

O religioso sorriu: - ora, doutor. Esta biblioteca, na realidade, não existe. O que há é que muitas obras, por sua originalidade e raridade não são expostas. Mas nada haveria de secreto ou escondido...

E Juliano arrematou: - seria como um museu que, além daquilo que está exposto em seus salões, guarda em algum sótão ou porão, um conjunto grande de objetos que, bem, não interessam a ninguém a sua exposição?

O padre confirmou: - é. É mais ou menos isto. Foi criado um mito a respeito desta biblioteca secreta. Mas não há qualquer fundamento de verdade.

Juliano pressentiu que o religioso, a partir daí se fecharia, pois já havia falado em excesso. E delicadamente se despediu, agradecendo a atenção, no que foi seguido por Vilma.

Quando atingiram o centro da Praça de São Pedro, Vilma comentou: - viu Juliano? Hoje até religiosos estudam a temática de extraterrestres. É incrível, mas é verdade. O que nos leva a acreditar que todos os fatos até agora sabidos e vistos por nós tem um elo profundo com o tema.

Juliano considerou o que Vilma havia lhe dito: - você tem razão. Mas se fôssemos colocar isto para o público com certeza seríamos internados em um manicômio. Assim, o melhor, ao menos por enquanto, é guardarmos para nós mesmos as nossas opiniões. Vamos. Vamos até o centro de Roma para um bom e quente cappuccino.

KLONIX – CAPÍTULO 36

O delegado Padilha era um homem sensato. Conhecia bem os seus limites e durante todo o tempo de sua atividade policial jamais ultrapassou estes limites impostos pela lei e pelo bom senso. Sabia desde que entrara para a polícia que iria ter de lidar com a escória da humanidade. E isto independente de status social ou financeiro. Sabia que atrás de uma gravata importada e de um terno bem cortado poderia ser encontrado um escroque um assassino ou um ladrão. E que em um barraco de favela encontraria gente decente, honesta e trabalhadora. No seu ofício encontrara as mais diversas situações. Algumas até tragicômicas. Esbarrara com feras que não teriam o menor escrúpulo em matar, seviciar, estuprar e viciar. Também encontrara homens cujos desvãos do destino os haviam enviado ao crime, muito embora sabendo que as circunstâncias os levaram até aqueles atos.

Já perto do momento de sua aposentadoria, Padilha se envolvera em um caso complexo e insólito. Aqueles desaparecimentos inauditos. Sentado no sofá de sua sala, rememorava a sequencia de acontecimentos, cujo encadeamento jamais poderia sequer imaginar. E era chegada a hora de tomar uma decisão. Deveria ele se envolver a fundo no assunto ou, até por vício funcional, deixar os inquéritos em uma prateleira e aguardar que algum fato novo o fizesse tirara a poeira daquele amontoado de papéis, em sua opinião sem nexo algum com o costumeiro? Nesta dúvida lutava o policial. Em seu íntimo sabia que lutava contra o imponderável. Eram forças muito grandes e, depois de ter visto o acontecido com Cardoso e observado o que acontecera no apartamento de Juliano, tendenciava a optar pela segunda hipótese. “Sim. É o melhor. E será isto que vou fazer. Este mistério é enorme e não serei eu quem irá tentar desvendá-lo”.

Envolto nestes pensamentos, não ouviu a campainha. Sua mulher foi atender à porta e quando a abriu se deparou com um homem bem vestido que perguntava pelo delegado Padilha. A mulher do policial o introduziu na sala e tirou o delegado de suas reflexões: - Padilha. Este senhor deseja falar com você...

KLONIX – CAPÍTULO 37

Juliano e Vilma desembarcaram no aeroporto de Istambul e, tomando um táxi, deram o endereço de um hotel próximo à Torre Gálata. Enquanto o veículo rodava no trânsito atravancado da cidade, permaneceram calados. Vilma, em sua primeira vez naquela cidade, olhava pela janela, observando o panorama que lhe causava um pouco de mal estar. Notou que Istambul, ao menos naquela parte que via em tudo se assemelhava aos bairros pobres de qualquer cidade brasileira. Aliás, sentia no ar a proximidade social da Turquia com o Brasil. Até mesmo o motorista do táxi, em sua visão, lembrava com seu comportamento os seus colegas brasileiros. Inclusive no modo um tanto irresponsável de atravessar o trânsito caótico.

Enquanto isso Juliano folheava as suas anotações e fazia mentalmente um roteiro a ser seguido. Aproveitaria ao máximo a sua estada na cidade. Planejava alugar um carro e com ele, uma vez encerrado o trabalho na cidade, viajar até Ancara, onde iria continuar a sua pesquisa. No retorno pretendia levar Vilma para que ela conhecesse Atenas e região, antes de voltarem para o Brasil. Envolto em seus pensamentos, Juliano sequer viu o táxi atravessar a ponte e, depois de dois ou três quarteirões, parar defronte à entrada do pequeno, mas confortável hotel, onde já havia se hospedado em outra vinda à Turquia.




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